Testemunhas de Jeová banidas da Rússia

A liberdade religiosa é cada vez mais limitada na Rússia. O Supremo Tribunal Russo proibiu as práticas religiosas das Testemunhas de Jeová naquele país.

No regime atual, em que a Igreja Ortodoxa Russa tem uma forte influência política, outros grupos ou confissões religiosas poderão acabar por ser hostilizados pelas autoridades governativas e judiciais.

Basto 4/2017

Santuário de Nossa Senhora de Monserrate profanado na Catalunha

A “Arran”, uma organização juvenil de Esquerda independentista catalã, profanou o Santuário da Nossa Senhora de Monserrate, em Espanha, através da gravação e publicação de um vídeo obsceno para assinalar o “Dia da Visibilidade Lésbica” que, aparentemente, celebra-se a 26 de abril. A cena lésbica foi filmada mesmo em frente do altar da Virgem Negra de Monserrate e posteriormente editada com música e texto obscenos.

“Combatiremos la misoginia y la lesbofobia de instituciones como la Iglesia, defensora de una moral que nos esconde y nos tacha de desviadas, de enfermas y de querer destruir la familia”, continúa la nota de Arran, que justifica su acción de “profanación” ante la patrona catalana: “Profanaremos los símbolos [de la Iglesia] y todo lo que representan las veces que haga falta”.

(Comunicado da Arran in El Periódico, 26/04/2017)

O “Dia da Visibilidade Lésbica” recebeu demonstrações de apoio público, nas redes sociais, oriundas de diversas instituições espanholas, incluindo o da própria Polícia Nacional.

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Mensagem publicada na conta de Twitter da Polícia Nacional de Espanha, no dia 26/04/2017

Em menos de um ano, este é já o segundo ataque perpetrado pelo ativismo gay contra a Virgem de Monserrate (La Moreneta), padroeira da Catalunha. No início do verão passado, o ataque foi feito através dos ultrajantes cartazes que chocaram a Espanha, envolvendo também a padroeira de Valência (La Geperudeta).

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Utilização ultrajante das imagens da Virgem dos Desamparados e da Nossa Senhora de Monserrate em propaganda ativista LGBT, em Espanha

Pobre Espanha!

Basto 4/2017

Novo cardeal Joseph Tobin abençoa peregrinação “gay”

O cartaz está disponível no sítio da Igreja Paroquial do Sagrado Coração de Jesus de New Jersey, nos EUA, e convida os fiéis a associarem-se às famílias lésbicas, gays, bissexuais e transexuais nesta “peregrinação LGBT”. O ponto alto da “peregrinação” será a celebração de uma missa sacrílega numa das capelas da basílica do Sagrado Coração de Jesus.

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Cartaz da “Peregrinação LGBT” à Catedral Basílica do Sagrado Coração de Jesus de New Jersey no dia 21 de maio de 2017

Catolicismo com ideologia gay é uma mistura perigosa…

Basto 4/2017

Papa Francisco – A Revolução Imparável

“Revolução” porque está a acontecer algo verdadeiramente novo e “imparável” porque esse algo de novo que está a acontecer tem uma dinâmica que nos parece difícil de parar.

(Joaquim Franco in Agência Ecclesia, 24/04/2017)

É mais uma obra biográfica sobre o Papa Francisco, esta redigida por jornalistas portugueses e intitulada, a vermelho, “A Revolução Imparável”.

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Jornalistas António Marujo e Joaquim Franco, autores do livro “Papa Francisco – A Revolução Imparável” –  SIC Notícias, 20/04/2017

 

E também pretendemos dizer que este movimento não depende só de uma pessoa

(António Marujo, in SIC Notícias, 20/04/2017)

 

Há muita gente que bate palmas a este Papa e não percebe bem o que ele está a dizer. Isso é fruto de um homem que é muito popular, (não é?) que tem simpatia global.

(Joaquim Franco, in SIC Notícias, 24/04/2017)

Sendo um livro sobre revolução, a sua apresentação foi feita precisamente na véspera do aniversário da Revolução dos Cravos, tendo como figura de cartaz Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa, normalmente visto como um dos políticos portugueses mais católicos – ou talvez, para alguns, menos maçónicos, dependendo do ponto de vista – sentou-se em frente do altar da igreja do Convento de São Domingos para fazer aquilo a que nos habitou desde há muito tempo: falar sobre tudo e mais alguma coisa.

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Marcelo Rebelo de Sousa na apresentação do livro “Papa Francisco –  A Revolução Imparável” – SIC Notícias, 24/04/2017

 

Faz falta mais Esquerda católica.

(Marcelo Rebelo de Sousa,  inSIC Notícias, 24/04/2017)

Na verdade, se há coisa que não falta em Portugal é Direita socialista…

Esperemos, ao menos, que não tenham acabado a sessão a cantar a “Grândola, vila morena” na igreja do convento lisboeta.

Basto 4/2017

A nova pastoral do críquete

Há dias, meio a brincar, admitimos aqui a possibilidade de tentar aprender a jogar críquete, mas, neste dias, a realidade ultrapassa os nossos próprios devaneios… A Santa Sé já possui uma equipa masculina de críquete para “enfrentar muçulmanos, hindus e também anglicanos” e pretende atrair ainda freiras para esta missão.

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“Equipa de São Pedro” (clube de críquete da Santa Sé) – AFP 2013

O objetivo destes padres e seminaristas de Roma, uma espécie de missionários modernos, não é bem levar a Boa Nova aos gentios, mas antes proporcionar o “encontro” com eles, mais concretamente, encontros de críquete. Nestes encontros, Jesus Cristo, o nosso Deus, é tão respeitado como todas as outras divindades pagãs ali representadas, acabando por funcionar como mero fator de diferenciação emblemática entre todos os que adoram o críquete.

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Intenções de oração do Santo Padre em janeiro de 2016 – Vídeo do Papa

Como estamos na celebração do Centenário das Aparições, esta gente, movida por uma espiritualidade moderníssima, resolveu associar-se às celebrações de Fátima através da realização de um torneio de críquete inter-religioso…

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Rádio Renascença, 19/04/2016

Já tivemos outras iniciativas pastorais semelhantes e, honestamente, isto até podia ter sido bem pior…

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TVI24, 22/04/2017

Talvez estes padres e seminaristas, amantes do críquete, não tenham reparado que a mensagem de Fátima é, na verdade, um apelo urgente à conversão. Mas conversão a quê? O “encontrismo”, ao desvalorizar Jesus Cristo, o único caminho de salvação, não pode ser um fé muito fiável.

Basto 4/2017

Igreja portuguesa recebe com alegria a confirmação da cerimónia de canonização dos pastorinhos em Fátima

Apesar de previsível, faltava a confirmação, que foi naturalmente recebida com alegria em Portugal.

Basto 4/2017

Dia de Páscoa na catedral de Petrópolis, Brasil

População de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, no passado domingo de Páscoa, prestou culto a uma estátua do Papa Francisco na Catedral de São Pedro de Alcântara.

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Catedral de São Pedro de Alcântara, Brasil, 16/04/2017 – Aciprensa

 

Basto 4/2017

O novo livro de pastoral ‘gay’ do jesuíta James Martin

O sr. Pe. James Martin SJ, mundialmente conhecido pela sua pastoral gay e há poucos dias nomeado pelo Papa Francisco como consultor da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, acabou de lançar um livro baseado no seu conceito pastoral de “ponte com dois sentidos”.

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“Construindo a Ponte: como a Igreja Católica e a Comunidade LGBT podem entrar numa relação de respeito, compaixão e sensibilidade” (novo livro do Pe. James Martin SJ)

A conhecida abordagem pastoral deste jesuíta rejeita o apelo à conversão das pessoas com comportamentos LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgéneros) para, em alternativa, propor à Igreja a aceitação desses comportamentos desde sempre condenados.

nomeação de James Mrtin SJ
Secretaria para a Comunicação do Vaticano

 

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Mensagem do Pe. James Martin na sua conta do Facebook a 12/04/2017

Ao nível da crítica literária citada pela editora na promoção do livro, destacam-se os elogios imediatos dos novos cardeais americanos Farrel e Tobin, que receberam o título cardinalício apenas no último mês de novembro.

Cadeal Kevin Farrell (antigo bispo de Dallas e atual Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida):

Farrell

Um livro bem-vindo e muito necessário que ajudará os bispos, sacerdotes, associados pastorais e todos os líderes da igreja a ministrar mais compassivamente à comunidade LGBT. Ajudará também os católicos LGBT a sentirem-se mais em casa, naquela que é, afinal, a sua Igreja.”

Cardeal Joseph Tobin, arcebispo de Newark (EUA):

Tobin  

Em muitas partes da nossa igreja as pessoas LGBT foram feitas para se sentirem indesejadas, excluídas e até mesmo envergonhadas. O valente, profético e inspirador livro do Padre Martin marca um passo essencial para convidar os líderes das igrejas a ministrarem com mais compaixão e a lembrar aos católicos LGBT que fazem parte da nossa igreja como qualquer outro católico”.

(in Harper Collins Publishers – tradução)

Outra crítica favorável citada pela editora é o forte elogio do bispo radical Robert McElroy, da diocese de San Diego (EUA), considerado por muitos como um dos bispos mais “misericordiosos” do mundo e – entre nós – um forte candidato ao barrete cardinalício.

“O Evangelho exige que os católicos LGBT sejam genuinamente amados e valorizados na vida da Igreja. Eles não o são. Martin fornece-nos a linguagem, a perspetiva e o sentido de urgência para realizar a tarefa árdua, mas monumentalmente cristã, de substituir uma cultura de alienação por uma cultura de inclusão misericordiosa.”

(D. Robert McElroy in Harper Collins Publishers – tradução)

Ainda a congratulação de uma popular freira contemporânea, a Ir. Jeannine Gramick, uma religiosa americana pertencente à congregação das Irmãs de Loreto e conhecida defensora de várias “sensibilidades” sexuais.

“Sexualidade, género e religião – uma mistura volátil! Com este livro, o Padre Martin mostra como o Rosário e a bandeira do arco-íris podem encontrar-se pacificamente. Depois deste livro de leitura obrigatória, entenderás porquê a New Ways Ministry homenageou o Padre Martin com a ‘Condecoração Construindo Pontes’.”

(Ir. Jeannine Gramick in Harper Collins Publishers – tradução)

A Ir. Jeannine é cofundadora do famoso grupo de “católicos gay New Ways Ministry.

É a nova pastoral do arco-íris… Temos um clero cada vez mais colorido, mas quem somos nós para julgar?

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Grande discurso do Pe. James Martin SJ em defesa dos católicos LGBTQ – em direto

Basto 4/2017

É a alegria do amor – estão a ver?

A Igreja Portuguesa está ainda em período adaptação à nova doutrina do Papa Francisco sobre a família e o matrimónio. O vídeo abaixo, publicado em novembro do ano passado, tem como protagonista o sr. Pe. Carlos Carneiro SJ e tem a chancela da Arquidiocese de Braga.

Convém lembrar que, se o jornal Sol não se enganou, em 2015, o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, era um dos principais opositores à aprovação “pastoral” do adultério. Esperemos que continue fiel ao seu ministério.

Algumas frases a respeito da Amoris Laetitia que merecem destaque:

(Estas citações não dispensam a visualização do vídeo onde estão contextualizadas)

“Quem vier ler este texto – estão a ver – apenas de um ponto de vista técnico, de facto fica pasmado e fica mais pasmado quando o próprio Papa diz que há questões, inclusive de discussão teológica e doutrinal, que não se respondem e que não se resolvem apenas por uma declaração, digamos assim, magisterial – estão a ver – dele ou dos bispos da Igreja Católica.”

“O Papa não pode sufocar a missão – estão a ver – dos outros seus irmãos bispos.”

“E porque é que é a “alegria do amor” e não aparece no título a “alegria da família”? Porque, ao contrário do que muitos têm dito, este texto não é uma exortação apostólica sobre a família, é um texto que é sobre o amor, é sobre o amor mais do que na família, mas a família é um dos lugares privilegiados onde o amor se realiza, onde o amor acontece, onde o amor, se concretiza.”

“…e quando fala nas realidades – estão a ver – que tocam situações muito delicadas e muito particulares de realidades amorosas como, por exemplo, são – estão a ver – recasamentos ou segundos casamentos pelo civil, quando fala, por exemplo, das pessoas com uma orientação homossexual e que querem ou não querem casar, ou como é que os pais católicos – imaginem – educam um filho com esta orientação e estas coisas todas [?], o que me espanta, e é muito importante saber, é a aprovação destes aspetos. Quer dizer, a mim, eu nunca pensei que estes pontos fossem tão avaliados positivamente…

“Por exemplo, imaginem os namorados que vivem juntos antes de casar, e muitas outras situações idênticas… Está ali? Está sim senhor… E então que é que se diz? Está bem ou está mal? Não é está bem ou está mal, o que se diz é que há um caminho…”

“Mas para mim, o mais grave de tudo não era poder comungar ou não poder comungar, é nunca mais poder ser absolvido [!], que a maioria das pessoas nem sabe disto.”

“…isto é uma novidade para o nosso mundo e para a nossa cultura porque – estão a ver – quer dizer, a geração que me precedeu, a geração dos meus pais, dos meus avós era uma geração para quem a regra, a norma, tinha outro peso…”

(Pe. Carlos Carneiro SJ in canal da Arquidiocese de Braga no youtube)

A realização deste tipo de tertúlias, bem como a sua publicação por parte de uma arquidiocese historicamente tão importante como é a de Braga, comprova aquilo que o cardeal D. Vicenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, dizia ontem à Radio Vaticano: a Amoris Laetitia está a ser acolhida pelos fiéis com entusiasmo.

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D. Vicenzo Paglia no mural que encomendou para a sua catedral

 

Há uma grandíssima recepção por parte do povo de Deus, em todos os lugares no mundo. É um texto que tem sido acolhido com entusiasmo, no qual as pessoas veem grande simpatia pelas famílias, é também um texto de grande esperança. Passado um ano, os frutos são notáveis, mas obviamente a complexidade das situações exigirá ainda aplicações mais ligadas aos vários contextos culturais.

(D. Paglia in Radio Vaticano, 18/04/2017)

Muito entusiasmo, de facto…

Basto 4/2017

O Papa de Fátima ainda não morreu!

Essa foi a conclusão objetiva do jornalista João Céu e Silva quando tomou contacto com os documentos de Fátima na elaboração de mais uma monografia histórica para a Porto Editora. Uma conclusão óbvia que, apesar de tão evidente, passa normalmente ao lado de grande parte dos autores que escrevem sobre Fátima, sendo talvez o motivo pelo qual este livro tem obtido um grande destaque na imprensa nacional.

A profecia
capa do livro – Porto Editora

Se no ano 2000 os milhares de crentes frustrados com o teor da terceira parte do Segredo tivessem elaborado sobre o que realmente ouviram o cardeal Sodano afirmar em nome de João Paulo II, atitude questionadora sempre demasiado ausente no Santuário, poderiam ter-se perguntado: quem é realmente o papa visado pela profecia de Lúcia, uma tragédia que a vidente tão longamente guardou, primeiro na sua mente e depois num envelope selado e proibido de ser aberto antes de 1960?

(João Céu e Silva in Diário de Notícias, 26/03/2017)

Mal os papas deixaram de estar fechados no Vaticano, vieram a Portugal prestar vassalagem a Nossa Senhora. Não vêm por acaso. Vêm por causa do terceiro segredo, por terem algum receio de serem eles os visados. A primeira coisa que o Papa João Paulo II faz, logo que acorda na clínica Gemelli após o atentado, é mandar vir o segredo. Ratzinger faz o comentário, e Francisco consagra o seu pontificado a Nossa Senhora de Fátima, uma semana depois de ser eleito. E pede para a imagem de Nossa Senhora ir ao Vaticano.

(João Céu e Silva in Expresso, 16/04/2017)

O próprio Papa Bento XVI admite que as profecias de Fátima continuam em aberto, apesar de a interpretação oficial – ou pretendida – do Vaticano apontar para acontecimentos passados em que João Paulo II surge como protagonista.

Iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída.

(Bento XVI em Fátima a 13/05/2010)

De facto, o 3.º Segredo publicado no ano 2000 não descreve uma tentativa de assassinato levada a cabo por um homicida, mas antes a consumação efetiva do assassinato de um Papa que “foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas”. Deste modo, a interpretação oficial do Vaticano, publicada juntamente com o segredo, não corresponde à descrição da Ir. Lúcia.

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Vista parcial da 4.ª página do “3.º Segredo de Fátima” – Sítio oficial do Vaticano

Se quisermos ser mais precisos, o texto da Ir. Lúcia não refere o termo “Papa” mas sim “Santo Padre”. É apenas mais um pormenor, mas não deixa de ser relevante.

Há outra profecia de Fátima sobre qual poucos gostam de falar: “várias nações serão aniquiladas”. Esta profecia também ainda não se concretizou, pelo menos no campo material.

Basto 4/2017

O novo “spa” episcopal

spa episcopal

O caso das “rãs a ferver” é mais uma alegoria alusiva ao comportamento humano do que uma experiência científica. Estabelece que uma rã, se for confrontada com água a ferver, reage, afasta-se, porém, se ela for introduzida num recipiente com água tépida, cuja temperatura vai aumentando lentamente até ao ponto de ebulição, a rã não reage, adapta-se gradualmente ao aumento de temperatura, ainda que se queime.

Mas de onde é que vem afinal todo este cheiro a canja de rã? Não virá também de dentro das nossas casas?

termómetro

Atenção às temperaturas anormais que se têm feito sentir nesta época! Permanecer à sombra talvez não seja suficiente.

Basto 4/2017

O “Papa Emérito” sobre a Amoris Laetitia: um devastador “sem comentários”

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Por Christopher A. Ferrara

Desde a misteriosa abdicação de Bento XVI do trono papal – para a qual os fiéis receberam explicações momentâneas e insatisfatórias – ouvimos, por diversas vezes, do secretário pessoal de Bento XVI, D. Georg Gänswein, o quão “sereno” e “em paz” Bento XVI se mostra em relação à sua inédita decisão. Tão sereno e em paz, de acordo com Gänswein, que nem poderia preocupar-se menos com o tumulto bergogliano que dividiu a Igreja como nunca anteriormente – em relação a uma questão da lei moral tão básica como o Sexto Mandamento.

Como relata o impressionante Edward Pentin, em entrevista ao La Repubblica – a enésima tentativa de assegurar-nos de que não havia nada de errado com a abdicação de Bento XVI – Gänswein revela que Bento “recebeu pessoalmente de Francisco uma cópia da Amoris Laetitia [AL], branca e autografada” e que “Ele leu-a cuidadosamente, mas não comentou de forma alguma o conteúdo”.

Sem comentários? Essa resposta não poderia ser mais reveladora. Se o único Papa Emérito da história da Igreja – uma novidade que o próprio Bento inventou – não vai defender a ortodoxia da AL, a sua falta de vontade para o fazer não pode ser vista como outra coisa senão como um reconhecimento implícito de que o seu conteúdo, em particular o Capítulo 8, é indefensável. Caso contrário, porque não declararia simplesmente, o “Papa Emérito”, que o ensinamento do seu próprio sucessor é doutrinariamente correto? Resposta: ele não o declarará porque sabe que isso não seria honesto.

Em vez disso, como Bento XVI se retirou da cadeira de Pedro, retirou-se também do caos que se seguiu à sua abdicação. Como refere Pentin, Gänswein “disse que o ex-Papa está bem ciente dos contrastes [!] gerados entre ele e o Papa Francisco, mas não se deixa provocar por eles” e “não tem intenção de entrar em controvérsias que se sentem longe dele”.

Longe dele? Mas Bento XVI vive no que ele mesmo chamou o “recinto de São Pedro”, na sua última Audiência Geral, a 27 de fevereiro de 2013, dia anterior à sua renúncia ao “ministério de Bispo de Roma”. Assim, pelo menos de acordo com Gänswein, Bento não só renunciou ao papado, mas também renunciou a qualquer preocupação sobre o estado da Igreja dirigida por Francisco! Em vez disso, Gänswein tem o prazer de reportar (como Pentin sumarizou) que “o Papa Emérito continua a ver os noticiários televisivos às 20h, recebe o L’Osservatore Romano e o Avvenire, jornal dos bispos italianos, assim como os comunicados do Vaticano”.

Então, se acreditarmos em Gänswein, Bento XVI está mais interessado nos noticiários da noite do que no caos eclesial que o Papa Bergoglio provocou, que está “muito longe” dele, ainda que ele viva no Vaticano como vizinho de Bergoglio, que o usa para exibição pública em determinadas ocasiões.

Quanto a esse caos, Gänswein dirá apenas que “Certamente ele [Bento XVI] está atento à discussão e às diferentes formas em que tem sido implementada.” Diferentes formas? Temos agora uma situação em que o acesso à Sagrada Comunhão por pessoas envolvidas em relações sexuais adúlteras a que eles chamam “segundos casamentos” ainda é considerado um pecado mortal em algumas dioceses, no entanto é agora caracterizado como “misericórdia” em outras, inteiramente graças à AL . Mas como Gänswein diria, este desastre está “muito longe” do Papa Emérito, que no entanto permanece atento aos “noticiários noturnos às 20 horas”.

Eu não compro isso. Há algo muito suspeito nestas repetidas declarações sobre o que Bento XVI pensa e sente, enquanto o próprio Bento nunca fala diretamente ao público. Sinto o mesmo cheiro a esturro que envolve todo o evento da abdicação de Bento XVI. Ou melhor, cheira a enxofre.

Creio que não nos foi contada metade da história sobre o porquê de termos um Papa Emérito que abruptamente abandonou o seu gabinete apenas para ser sucedido por um Papa para quem o termo “Vigário de Cristo” parece – sejamos honestos – espetacularmente inadequado. Suspeito que a história completa seja encontrada na explicação da Virgem sobre a visão apocalíptica do “Bispo vestido de Branco”, uma explicação que existe de certeza e foi suprimida pelos mesmos cuja conduta o Terceiro Segredo provavelmente acusa.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 13 de abril de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2017