Aviso à navegação!

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O nome deste blogue é e sempre foi “O Dogma da Fé”. A questão que se encontrava no cabeçalho, “Onde está a perder-se?”, referia-se a esse mesmo nome. Optou-se agora por retirar a questão do topo desta publicação por duas razões: 1) tem sido mencionada em vários lugares como o nome do blogue; 2) quando submetida à tradução automática para outras línguas, normalmente transformava-se em algo semelhante a “onde estás perdido?”, causando provavelmente perplexidade aos forasteiros; este segundo aspeto acaba por ser relevante, dado ao progressivo aumento do tráfego proveniente de países não lusófonos.

Esta é uma publicação caseira e quase irrelevante, feita nos intervalos da vida, sem qualquer tipo de planeamento futuro, mas tudo indica que teremos de continuar durante mais algum tempo. Estamos conscientes das nossas limitações e fraquezas, mas também temos o sentido de compromisso e de obrigação laical. Só há um Caminho e é por ali que queremos ir, nem que seja aos tombos.

Quem ama Cristo também ama a Verdade porque a Verdade é o mesmo Deus.

Basto 8/2017

Cardeal Burke: Como se configurará a correção formal ao Papa Francisco

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Por Pete Baklinski

16 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Uma vez que o Papa Francisco optou por não responder às cinco questões sobre se a sua exortação Amoris Laetitia está em conformidade com os ensinamentos católicos, torna-se “necessária” uma “correção” das orientações em que o seu ensinamento se afasta da fé católica, disse o Cardeal Raymond Burke numa nova entrevista .

O Cardeal, que é um dos quatro que, há quase um ano, assinaram os dubia para pedirem ao Papa a clarificação dos seus ensinamentos, explicou, em entrevista ao The Wanderer, como prosseguiria o processo para a realização de uma “correção formal”.

“Parece-me que a essência da correção é bastante simples”, explicou Burke.

“Por um lado, define-se o ensino claro da Igreja; por outro lado, é apresentado o que é realmente ensinado pelo Pontífice Romano. Se houver uma contradição, o Pontífice Romano é chamado a corrigir o seu próprio ensinamento em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja”, afirmou.

“Levanta-se a questão: Como seria isso feito? É feito muito simplesmente por uma declaração formal à qual o Santo Padre seria obrigado a responder. Os cardeais Brandmüller, Caffarra, Meisner e eu usamos uma antiga prática da Igreja para propor os dubia ao Papa”, continuou o Cardeal.

“Isso foi feito de uma forma muito respeitosa e não de modo agressivo, a fim de dar-lhe a oportunidade de afirmar o ensino imutável da Igreja. O Papa Francisco escolheu não responder aos cinco dubia, portanto agora é necessário simplesmente afirmar o que a Igreja ensina sobre o casamento, a família, atos intrinsecamente maus e assim por diante. Estes são os pontos que não são claros nos atuais ensinamentos do Pontífice Romano; portanto, esta situação deve ser corrigida. A correção incidiria então principalmente sobre esses pontos doutrinários”, acrescentou.

No ano passado, os quatro cardeais trouxeram a público as suas perguntas (dubia) depois que o Papa não lhes ter dado uma resposta. Eles esperavam que, respondendo às suas cinco perguntas de sim-ou-não, o Papa dissiparia o que eles chamavam de “incerteza, confusão e desorientação entre muitos fiéis” decorrentes da controversa exortação.

Em junho, os quatro cardeais publicaram uma carta dirigida ao Papa na qual pediram, sem sucesso, uma audiência privada para discutir “a confusão e a desorientação” existente dentro da Igreja devido à exortação.

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Da esquerda para a direita, primeiro em cima e depois em baixo: cardeais Raymond Burke, Joachim Meisner (agora falecido), Walter Brandmüller e Carlo Caffarra

A exortação tem sido usada por vários bispos e grupos de bispos, incluindo os da Argentina, Malta, Alemanha e Bélgica, para emitir diretrizes pastorais que autorizam que a Comunhão seja dada a católicos divorciados-civilmente-recasados a viver em adultério. Mas os bispos do Canadá e da Polónia emitiram declarações, com base na leitura do mesmo documento, proibindo tais casais de receber a Comunhão.

O papa Francisco não entrou ainda em diálogo com os três restantes cardeais.

Burke afirmou na entrevista ao The Wanderer que o Papa é o “princípio da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

“No entanto, a Igreja está a despedaçar-se neste momento com confusão e divisão”, disse ele.

“O Santo Padre deve ser chamado a exercer o seu ofício para pôr fim a isto”, acrescentou.

Se o Papa mantiver a sua recusa em responder aos dubia, o “próximo passo seria uma declaração formal reafirmando os ensinamentos claros da Igreja, conforme o estabelecido nos dubia“, disse Burke.

“Para além disso, seria declarado que essas verdades da Fé não estão a ser afirmadas com clareza pelo Pontífice Romano. Por outras palavras, em vez de colocar as perguntas conforme foi feito nos dubia, a correção formal daria as respostas de forma clara, em conformidade com o que os ensinamentos Igreja”, acrescentou.

É  amplamente consensual que os Cardeais, seguindo as doutrinas da Igreja sobre o casamento, a confissão e a Eucaristia, responderiam às cinco perguntas de sim-ou-não deste modo:

  1. Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão? NÃO
  2. Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”? SIM
  3. Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”? SIM
  4. Após as afirmações de Amoris Laetitia (n. 302) são os ensinamentos de João Paulo II na Veritatis Splendor ainda válidos de que “circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção”? SIM
  5. Depois da Amoris Laetitia (n. 303), ainda é necessário considerar válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II “que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más pelo próprio objeto”? SIM

O cardeal Burke afirmou que os fiéis católicos que estão frustrados com a liderança do Papa Francisco na Igreja não devem considerar alguma ideia de “cisma”.

“As pessoas falam de um cisma de facto. Eu sou absolutamente contrário a qualquer tipo de cisma formal – um cisma nunca pode ser correto”, disse ele.

“As pessoas podem, no entanto, estar a viver numa situação cismática se o ensino de Cristo foi abandonado. A palavra mais apropriada seria a única que Nossa Senhora usou na sua Mensagem de Fátima: apostasia. Pode haver apostasia dentro da Igreja e, de facto, é o que está a acontecer. Relacionado com a apostasia, Nossa Senhora também se referiu à falha dos pastores em manter a Igreja unida”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Athanasius Schneider: a interpretação do 3.º Segredo não é infalível

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No final da palestra proferida por D. Athanasius Schneider, há cerca de um mês, em Fátima, intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima”, proporcionou-se um pequeno momento de perguntas colocadas pela assistência. Alguém questionou o bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria Santíssima de Astana (Cazaquistão) sobre a sua opinião a respeito da interpretação dada pelo Vaticano ao “bispo vestido de branco”, figura central do 3º Segredo de Fátima divulgado no ano 2000.

D. Athanasius Schneider, com toda a clareza que o caracteriza, foi muito direto e pragmático na sua resposta: “não é uma interpretação ex cathedra“, então “não é infalível”. E esclareceu que o 3º Segredo diz que o Santo Padre foi assassinado, portanto não pode referir-se a João Paulo II, uma vez que este sobreviveu ao atentado.

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Fátima, 14 de julho de 2017

A referida palestra teve lugar no passado dia 14 de julho, em Fátima, no auditório do Hotel Santo Amaro, tendo sido organizada pelo Adelante la Fe. Para já, o texto do discurso de D. Athanasius Schneider está disponível apenas em castelhano no sítio da conhecida publicação católica espanhola.

Basto 8/2017

Gloriosa Assunção de Nossa Senhora ao Céu

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Catedral de Parma, Itália (fresco de Antonio da Correggio, 1530)

44. “Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus omnipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.”

45. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.

(Papa Pio XII in Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1 de novembro de 1950)

Basto 8/2017

Cardeal Burke Repete: Rússia deve ser explicitamente consagrada ao Imaculado Coração

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Por Christopher A. Ferrara

Numa entrevista exclusiva ao The Wanderer, o Cardeal Raymond Burke apelou uma vez mais à consagração explícita da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, pelo nome, como Nossa Senhora de Fátima pediu quase há um século atrás (1929) depois de prometer à Irmã Lucia de Fátima, há exatamente um século (1917), que voltaria para fazer esse pedido quando “chegou o momento.”

No decorrer da entrevista, na qual o cardeal também discutiu a “batalha final” sobre o casamento e a família agora em curso no seio da Igreja (graças ao falso sínodo), bem como na sociedade civil, o cardeal deparou-se com a seguinte questão sobre a alegação de que a Irmã Lúcia confirmou que a cerimónia realizada por João Paulo II em 25 de Março de 1984, na qual qualquer menção à Rússia fora deliberadamente omitida, satisfez de algum modo o pedido de consagração dessa mesma nação não mencionada:

Questão: De acordo com documentos de Fátima… A Ir. Lúcia escreveu, em 29 de agosto de 1989, que a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria feita pelo Papa São João Paulo II em 25 de março de 1984 cumpriu o pedido de Nossa Senhora. No Fórum da Vida em Roma, há cerca de três meses atrás, você exortou os fiéis católicos a “trabalharem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”. O que é que a consagração a que você apela implica; é mais do que o Papa simplesmente nomear a Rússia de forma explícita?

Primeiro que tudo, para a alegação de que a Lucia “escreveu” em 1989, que a cerimónia de 1984, que deliberadamente não mencionou a Rússia, era uma consagração da Rússia, o artigo “Cronologia de um encobrimento” de um encobrimento publicado pelo The Fatima Center, explica:

Em Setembro de 1985, numa entrevista à revista Sol de Fátima (publicada em Espanha pelo Exército Azul), a Irmã Lúcia confirmou que a consagração ainda não tinha sido feita porque a cerimónia de 1984 não mencionara a Rússia e os Bispos Católicos de todo o mundo não tinham participado. Ainda no mesmo ano, o Cardeal Édouard Gagnon reconheceu noutra entrevista que a consagração ainda não tinha sido feita conforme fora pedida. Mais tarde, protestou pelo facto de as suas observações terem sido publicadas, embora não desmentisse tê-las feito.

Durante muitos anos, uma prima da Irmã Lúcia, Maria do Fetal, referiu-se publicamente ao facto de a Irmã Lúcia dizer que a consagração não tinha sido feita. Maria do Fetal continuou a manter esta posição até meados de 1989, altura em que a alterou, de repente, de acordo com as “instruções” do Vaticano reveladas pelo Pe. Coelho.

Além disso, ninguém contesta que a Irmã Lúcia insistiu que a cerimónia conduzida por João Paulo II em 1982, que também acabou por não mencionar a Rússia nem envolver os bispos de todo o mundo, não cumprira o pedido de Nossa Senhora. Na verdade, nada menos que o L’Osservatore Romano publicou o seguinte testemunho do sacerdote amigo e confidente de Lúcia, Pe. Umberto Maria Pasquale, S.D.B., a 12 de maio de 1982, cerca de dois meses depois da cerimónia de 1982:

Eu queria esclarecer a questão da Consagração da Rússia, recorrendo à fonte. Em 5 de agosto de 1978, no Carmelo de Coimbra, tive uma longa entrevista com a vidente de Fátima, Irmã Lúcia. A determinado momento disse-lhe: “Irmã, gostaria de lhe fazer uma pergunta. Se você não puder responder-me, que assim seja! Mas se puder responder a isto, eu ficaria muito agradecido por me esclarecer um assunto que para muitas pessoas não parece claro… Alguma vez Nossa Senhora falou consigo sobre a consagração do mundo ao Seu Imaculado Coração?” -“Não, Padre Umberto! Nunca! Na Cova da Iria, em 1917, Nossa Senhora prometeu: virei pedir a consagração da Rússia… para evitar a propagação de seus erros pelo mundo, guerras entre várias nações e perseguições contra a Igreja... Em 1929, em Tuy, tal como tinha prometido, Nossa Senhora voltou para me dizer que tinha chegado o momento de pedir ao Santo Padre pela consagração desse país (Rússia)”…

Então, o que mudou entre o momento da primeira cerimónia fracassada em 1982 e a segunda em 1984? Nada, exceto a abrupta e duvidosa mudança de posição atribuída à Irmã Lúcia, que nunca, nem uma única vez, foi autorizada a falar diretamente ao público sobre o assunto.

De qualquer forma, em resposta à pergunta do The Wanderer sobre se a consagração implica “mais do que o Papa simplesmente nomear a Rússia de forma explícita“, o Cardeal Burke deu esta esclarecedora explicação:

É exatamente isso; é tão simples como isso, ou seja, cumprir explicitamente o pedido de Nossa Senhora exatamente como ela o solicitou. Não há dúvidas de que o Papa São João Paulo II estava bem ciente da gravidade da situação, da necessidade de consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Ele tencionou precisamente fazer isso em 25 de Março de 1984. Pela minha parte, eu acredito que ele tê-la-ia feito explicitamente, exceto que naquela ocasião alegou-se que, a fim de promover uma relação mais amigável com os países do Bloco do Leste, o nome da Rússia não deveria ser mencionado em particular.

Eu acredito que era intenção do Santo Padre – que ele fez, de facto – consagrar a Rússia. No entanto, também é minha convicção de que, dada a situação em que nos encontramos hoje, a consagração da Rússia deve ser feita explicitamente, exatamente como Nossa Senhora pediu (sem negar, de nenhum modo, a intenção de João Paulo II incluir a Rússia quando consagrou o mundo ao Seu Imaculado Coração). A minha intenção não é lançar acusações contra ninguém, mas antes responder ao tempo presente que é tão grave que impele a necessidade de realizar o que Nossa Senhora pediu exatamente conforme ela o pediu.

A repetição que eu peço desta consagração não é, de modo algum, para pôr em causa o que disse a Ir. Lúcia sobre o cumprimento de João Paulo II do que Nossa Senhora pediu. É simplesmente para responder mais uma vez a esse pedido e consagrar a Rússia de forma explícita. Ao mesmo tempo, é direito e dever dos fiéis pedir ao Papa Francisco para fazer essa consagração…

Com todo o respeito pelo cardeal, que confirma o que é óbvio – que a Consagração da Rússia precisa de mencionar a Rússia ao invés de não a mencionar deliberadamente – ele parece estar a tentar ter as duas coisas: que a intenção de João Pulo II de consagrar a Rússia bastou, concordando com a alegada observação da Irmã Lúcia (contrariada pelo seu próprio testemunho publicado), mas que a Rússia deverá, contudo, ser consagrada pelo nome. Isto é semelhante a declarar que a remoção de uma vesícula biliar é suficiente numa apendicectomia de emergência, porque a enfermeira disse que sim, mas, ainda assim, é melhor remover também o apêndice.

Pense-se na consagração da Rússia como o equivalente eclesial a uma apendicectomia de emergência, urgentemente necessária para prevenir e envenenamento fatal de todo o corpo da Igreja, que nenhum razoável observador do cenário eclesial pode negar que está sob ameaça neste exato momento. Que a Consagração vai finalmente ter lugar é certo, pois a Igreja é indestrutível e a vontade divina não pode ser frustrada, mas apenas (por vontade permissiva de Deus) impedida por um tempo pela perversidade humana. O que não é certo é quanta agonia a Igreja terá que sofrer antes que o remédio divino seja, finalmente, aplicado.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 8 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

A petição dirigida ao Santo Padre pela consagração da Rússia pode ser assinada aqui.

Basto 8/2017

Habitantes de Guam rezam a Nossa Senhora de Fátima pela paz

Depois das recentes ameaças trocadas entre a Coreia do Norte e os EUA, a população de Guam, maioritariamente católica, reuniu-se neste dia 13 de agosto para invocar a proteção de Nossa Senhora de Fátima.

Basto 8/2017

Vaticano prepara visita do Papa Francisco à Rússia

A poucos dias da visita do cardeal Pietro Parolin a Moscovo, o Secretário de Estado do Vaticano admite o seu empenho na preparação de uma possível visita do Papa Francisco à Rússia. O número dois da hierarquia do Vaticano estará na Rússia de 20 a 24 de agosto, tendo agendado encontros com o presidente Vladimir Putin e com o patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa.

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in The Local, 09/08/2017

Numa recente entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera, Pietro Parolin foi questionado se será possível uma visita de Francisco à Rússia e se esta sua viagem se relaciona de algum modo com a sua preparação.

O cardeal respondeu nestes termos:

Os propósitos da minha visita estão além da preparação de uma eventual viagem do Santo Padre Francisco à Rússia. Espero, no entanto, que ela, com a ajuda de Deus, possa oferecer alguma contribuição também nessa direção.

(Cardeal Pietro Parolin, in Corriere Della Sera, 08/08/2017 – tradução)

Do lado russo, nunca antes houve tanta abertura e benevolência para com a Igreja Católica e o Sumo Pontífice. Ainda há poucos dias, o patriarca de Moscovo voltou a confirmar a recente aproximação entre as duas igrejas.

Devo dizer que, desde aquela a reunião [cimeira cubana, de 12 de fevereiro de 2016], as nossas relações bilaterais tornaram-se mais intensas.

Não estamos inclinados a minimizar as diferenças existentes, mas também entendemos que os cristãos, especialmente na América Latina, têm o potencial para uma cooperação que seja capaz de galvanizar as forças cristãs para enfrentar as muitas questões que preocupam a humanidade hoje.

(Patriarca Kirill, in Interfax, 08/06/2017 – tradução)

Será isto uma evidência do “triunfo” do Imaculado Coração de Maria? Porque é que Vladimir Putin e o patriarca Kirill não vêm até Fátima, durante este centenário, para celebrar a conversão da Rússia por intermédio do Imaculado Coração do Maria.

Na verdade, apesar de as relações entre a Federação Russa e o Vaticano estarem normalizadas desde há vários anos, o relacionamento entre as duas Igrejas continuou muito difícil até à eleição de Francisco I. Havia várias razões para isso, das quais já aqui tínhamos destacado três principais.

Este é um assunto que suscita o maior interesse, sobretudo neste ano em que se celebra o centenário das aparições da Cova da Iria, dada a centralidade da palavra “Rússia” na mensagem de Fátima. A Santíssima Virgem prometera, precisamente há 100 anos, a conversão da Rússia através do Seu Imaculado Coração, que a levará “por fim” a aceitar a Fé Católica. Não obstante todo o otimismo reinante no catolicismo ocidental no que concerne aos resultados obtidos na “conversão da Rússia”, por vezes parece mais que foi a Igreja Católica quem se converteu naquilo que a Rússia sempre quis.

Mas já que estamos numa onda de otimismo, caso o Santo Padre realize mesmo essa viagem, pode ser que alguma “surpresa do Espírito Santo” faça com que ele leve consigo a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima e lhe consagre a Rússia a partir de Moscovo. Um ato solene que certamente atrairia todas as graças necessárias para a plena conversão da Rússia à Fé Católica. Mas será alguém põe as mãos no fogo por essa possibilidade? Não, não, não…

Basto 8/2017

Donald Trump responde a Pyongyang com termos semelhantes aos de Truman aquando de Hiroshima

Depois de mais uma ameaça histérica dos norte-coreanos aos EUA, o presidente dos Trump respondeu com termos que fazem lembrar a declaração proferida pelo presidente Harry Truman quando a força aérea americana tinha acabado de lançar a bomba atómica sobre Hiroshima.

Se eles [os japoneses] não aceitarem os nossos termos [de rendição] agora, podem esperar uma chuva de ruína vinda do ar como nunca se viu nesta Terra.

(Harry Truman, em 6 de agosto de 1945, in Footage Farm – tradução)

A diferença nas duas declarações, conforme reparou o Washington Examiner, é que, enquanto Truman contextualizou a ameaça num discurso elaborado que se estendeu por mais de 1100 palavras, Trump disse-o em menos de 100 palavras. Uma declaração curta e seca, feita de improviso, ao estilo imprevisível de Donald Trump. Mas em ambos os casos a mensagem foi clara, a persistência na mesma atitude encontrará uma resposta militar dos EUA de escala inédita.

Basto 8/2017

Casal gay pede bênção ao Papa para os seus filhos

Já aqui tínhamos reportado anteriormente a notícia do casal gay que, em abril deste ano, batizara os filhos na catedral de Curitiba, no Brasil. Um acontecimento verdadeiramente impressionante, embora não impressione tanto quanto o silêncio geral da hierarquia católica e a indiferença do povo perante o sucedido.

Esta semana, Toni Reis, um dos dois pais (varões) adotivos das crianças visadas nesse batizado, resolveu partilhar, através do facebook, a sua recente troca de correspondência com a Santa Sé.

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in Massa News, 08/08/2017 (Foto do dia do batizado: Toni Reis acompanhado do seu marido David Harrad, juntamente com os três filhos adotivos e ainda o sacerdote que realizou a cerimónia)

No dia 4 de junho, o sr. Reis dirigiu uma carta ao Santo Padre, assinada por si e pelo seu marido e filhos, onde pedia uma bênção papal que mostrasse, de algum modo, a sua aprovação em relação ao caminho de integração religiosa que estavam a proporcionar aos seus filhos.

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Carta de Toni Reis dirigida ao Santo Padre

O Papa Francisco respondeu no dia 10 de julho, através de um dos seus assessores, manifestando desejos de “felicidades” e invocando “graças divinas” dirigidas a “toda a família” do conhecido ativista gay brasileiro.

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Carta de resposta do Santo Padre a Toni Reis (remetida pelo seu assessor Mons. Paulo Borgia)

Entretanto, sabemos pela ACI, a subdiretora do Gabinete de Imprensa da Santa Sé, García Ovejero, prestou-se a corrigir a interpretação que tem sido dada à bênção invocada na carta enviada em nome do Papa Francisco. Segundo ela, “em português esta expressão tem um sentido genérico e amplo”, não se podendo portanto depreender daí uma aprovação do relacionamento homossexual de três décadas de Toni Reis com o inglês David Harrad. Uma observação pertinente de alguém que fala espanhol…

Não obstante o prestável esclarecimento da porta-voz do Vaticano, a verdade é que, nessa carta, é ainda mais difícil depreender algum tipo de desaprovação da prática homossexual do sr. Tony com seu companheiro ou tirar qualquer tipo de ilação a respeito dos riscos de deformação espiritual aos quais expõem os adolescentes por eles perfilhados.

Basto 8/2017

Igrejas do Leste, um espinho no flanco do Papa

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Por Sandro Magister

ROMA, 3 de agosto, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – A Europa do Leste é um espinho no flanco do pontificado de Francisco e são muitos e variados os elementos que o comprovam.

No duplo sínodo da família, os bispos da Europa Oriental estiveram entre os mais decididos defensores da tradição, começando pelo relator geral da primeira sessão, o cardeal húngaro Péter Erdõ, autor de, entre outras coisas, uma clamorosa condenação pública das violações cometidas pela fação reformista, que era claramente apoiada pelo Papa.

Depois do sínodo, a Europa do Leste voltou a ser, mais uma vez, a fonte das interpretações mais restritivas do documento papal Amoris Laetitia. Os bispos da Polónia foram particularmente unânimes em pedir uma aplicação do documento em perfeita continuidade com o antigo ensinamento que a Igreja desde a sua origem até João Paulo II e Bento XVI.

Os bispos da Ucrânia – onde 10 por cento da população são católicos – também estão entre os mais dedicados na oposição a ruturas no que concerne à tradição nas áreas do casamento, penitência e Eucaristia. Mas, para além disso, não se abstiveram de criticar fortemente as posições pró-russas do Papa Francisco e da Santa Sé em relação à guerra em curso no seu país, uma guerra que eles sentem como a agressão de mais ninguém a não ser a da Rússia de Vladimir Putin.

O abraço entre o Papa e o patriarca Kirill de Moscovo, no aeroporto de Havana, em 12 de fevereiro de 2016, com o documento associado assinado por ambos, foi também um poderoso elemento de fricção entre Jorge Mario Bergoglio e a Igreja Católica Ucraniana, que se vê injustamente sacrificada no altar desta reconciliação entre Roma e Moscovo.

A morte, no passado dia 31 de maio, do cardeal Lubomyr Husar, o anterior arcebispo-maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, voltou a dirigir a atenção para esta personalidade de elevadíssimo perfil, capaz de reconstruir espiritualmente uma Igreja que emergiu de décadas de perseguição sem qualquer tipo de concessão perante os cálculos diplomáticos – em função de Moscovo e do seu patriarcado – que, ao invés, durante o pontificado de Francisco voltaram a prevalecer.

O sucessor de Husar, o jovem Sviatoslav Shevchuck, é bem conhecido de Bergoglio pela sua anterior atividade pastoral na Argentina. Mas ele também é uma dos críticos mais diretos às tendências do atual pontificado, tanto no campo político como no doutrinal e pastoral.

E “certamente não foi por acaso”, escreveu há três semanas o Papa Emérito Bento XVI aquando da morte do seu amigo o cardeal Joachim Meisner, o indomável arcebispo de Berlim durante o regime comunista, “que a última visita da sua vida foi a um confessor da fé”, o bispo da Lituânia cuja beatificação estava a ser celebrada, um dos inúmeros mártires do comunismo na Europa do Leste que hoje corre o risco de cair no esquecimento.

*

Neste contexto emerge naturalmente a questão: nesta região da Europa, qual é o estado de saúde do catolicismo que se sabe estar em sério declínio em outras partes do mundo e particularmente na vizinha Europa Ocidental?

Esta questão recebeu uma resposta exaustiva – ainda que em termos puramente sociológicos – numa pesquisa abrangente realizada pelo Pew Research Center em Washington, que é talvez o barómetro mais confiável do mundo no que diz respeito à presença de religião na cena pública:

> Crença Religiosa e Pertença Nacional na Europa Central e do Leste:

O estudo incidiu precisamente sobre os países da Europa Oriental, quase todos submetidos no passado a regimes comunistas ateístas. E o primeiro facto impressionante neles constatado é o renascimento, em quase todos os lugares, de um sentimento forte e generalizado de pertença religiosa, que para os ortodoxos – uma reconhecida maioria em toda a área – coexiste com uma rara participação nas liturgias dominicais, enquanto que para os católicos é acompanhada de uma participação semanal bastante significativa na Missa: enquanto, por exemplo, na Polónia, 45% dos batizados e, na Ucrânia, 43% marcam presença na liturgia dominical, na Rússia, apenas comparecem 6% dos fiéis da confissão ortodoxa.

A República Checa suportou o peso do ateísmo de Estado, que adicionado a uma hostilidade anti-católica antiga que remonta ao protestantismo “hussita” e a uma posterior recatolicização imposta pelos Habsburgos, fez com que, neste país, 72% da população declare não ser afiliada em qualquer tipo de fé religiosa. Mas também aqui, entre os católicos que representam um quinto da população, a frequência dominical é, mesmo assim, de 22%, mais ou menos tanto como na Itália e muito mais do que na Alemanha, na França ou na Espanha, sem mencionar a Bélgica e a Holanda.

E o mesmo vale para a Bósnia, onde há poucos católicos, apenas 8%, mas o seu comparecimento dominical atinge um robusto valor de 54%.

Vale a pena ler todo o estudo do Pew Research Center  pela riqueza da informação que fornece. Mas aqui basta destacar que os católicos da Europa do Leste se distinguem dos ortodoxos, não apenas pelos seus muito mais elevados índices de prática religiosa, mas também por uma visão geopolítica antagónica.

Enquanto a Rússia ortodoxa é vista como o bastião natural contra o Ocidente, recebendo a aprovação de grandes maiorias, entre os católicos existe uma muito maior frieza para com a Rússia, em especial na Ucrânia e na Polónia, que se inclinam muito mais para uma aliança com os Estados Unidos e o Ocidente.

Uma divergência adicional pode ser ainda encontrada no campo ortodoxo entre aqueles que, como na Rússia, reconhecem o patriarca de Moscovo como a mais alta autoridade hierárquica da ortodoxia e aqueles que optam mais pelo patriarca de Constantinopla do que pelo de Moscovo, como acontece na Ucrânia, com 46% dos ortodoxos pelo primeiro e apenas 17% pelo segundo.

Sobre o casamento, a família, a homossexualidade e temas afins, pelo menos metade dos católicos apoiam as posições tradicionais da Igreja. E uma grande maioria da população total – com a única exceção na República Checa – é contra o reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Mas, agrupando os dados por faixas etárias, é fácil constatar que os jovens adotam cada vez mais a mentalidade permissiva que, na Europa Ocidental – incluindo na Igreja Católica – é já desenfreada.

Uma mentalidade que certamente não encontra qualquer resistência no pontificado de Francisco.

A edição original deste texto foi publicada no blogue Settimo Cielo a 3 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

As “revelações surpreendentes” da Irmã Lúcia na reportagem da SIC

Muitos de nós ainda se lembram de, na década de noventa do século passado, a então recém-criada estação portuguesa de televisão privada SIC ter aberto um telejornal com a notícia de alegadas “revelações surpreendentes” da Ir. Lúcia a respeito da mensagem de Fátima. Desde então, várias gravações editadas dessa reportagem têm corrido o mundo para justificar diversas interpretações da mensagem de Fátima, umas mais otimistas do que outras.

Uma observação mais atenta da referida reportagem suscita alguma prudência na sua utilização como prova material de algumas das alegadas “revelações surpreendentes” da vidente de Fátima.

Todos nós desejamos que as “revelações” anunciadas na referida reportagem estejam completamente corretas e que as fontes aí citadas não tenham, de forma involuntária,  interpretado mal a vidente de Fátima, uma vez que elas são bem mais favoráveis do que a realidade parece evidenciar… Mas a verdade é que, se tais “revelações” eram de facto “surpreendentes” na altura da sua publicação, principalmente quando confrontadas com outras declarações da mesma vidente, elas tornam-se ainda mais surpreendentes à medida que o tempo passa e avaliamos, à luz da mensagem de Fátima, o estado a que chegou o mundo (Rússia incluída) e principalmente a Igreja. Não deve ser por acaso que esta reportagem é hoje utilizada para justificar a normalidade do momento insólito que a Igreja vive desde 2013 para cá…

Esperemos que, num futuro próximo, publiquem os vídeos integrais da entrevista e, de preferência, com algum tipo de correção técnica, dada a má qualidade das gravações apresentadas, para que não restem a mínima dúvida em relação à informação em causa.

Basto 8/2017

Bispo brasileiro ensina que homossexualidade é “um dom de Deus”

D. Antônio Carlos Cruz Santos é o bispo da diocese de Caicó, no Rio Grande do Norte, Brasil. No último domingo de julho, na homilia da missa de encerramento da festividade de Santana, o bispo condenou os “preconceitos contra os nossos irmãos homoafetivos”.

Em plena homilia, o bispo referiu-se à sodomia nestes termos:

Se não é escolha, se não é doença, na perspetiva da fé é dom, é dado por Deus.

(D. Antônio Santos, 30/07/2017)

Ao ouvirmos esta pregação, não podemos deixar de concluir que, se o bispo não sofre de alguma doença mental e se esta nunca foi a nossa Fé, isto só pode ser apostasia pura. E como já nos vamos habituando, lá tinha de vir a referência à nova misericórdia do Papa Francisco e, em particular, à sua famosa frase: “Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” Mas, sem sairmos da mesma linha de interpretação, quem é D. Antônio Santos para julgar a doutrina constante da Igreja revelada pelo próprio Deus?

Nesta homilia, o bispo elogiou ainda a atitude pastoral do Santo Padre para com a transexual espanhola a quem o Papa telefonou no dia da Solenidade da Imaculada Conceição, em 2014, e convidou para uma visita a Roma (acompanhada da sua namorada homossexual) com as despesas a cargo da Santa Sé.

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Santo Padre acolhe calorosamente as duas senhoras homossexuais no Vaticano. A transexual Diego Lejárraga foi mulher até aos 40 anos, altura em que optou por se submeter a um conjunto de tratamentos e cirurgias para se transformar em homem. À esquerda encontra-se a sua namorada.

Após o encontro do casal lésbico com o Santo Padre, a transexual assumiu publicamente que saiu de cabeça erguida, vai à missa e comunga, sentido-se agora um verdadeiro homem. Aliás, o próprio Papa diz que ela agora é “homem” e “casado”, apesar de ter sido “rapariga”. E ela, que agora “é ele”, agradece.

Basto 8/2017