Ex-chefe da doutrina no Vaticano critica a forma como o Papa o demitiu: “Não posso aceitar” o seu estilo

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Por John-Henry Westen

O cardeal Gerhard Müller, chefe da doutrina recentemente demitido do Vaticano, dirigiu uma dura crítica ao Papa Francisco.

Em entrevista ao jornal alemão Passauer Neue Presse, o Cardeal revelou detalhes da reunião em que conheceu a recusa do Papa em renovar o seu mandato de cinco anos como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF).

O costume nos últimos 50 anos tem sido o de renovar o mandato de Prefeito pelo menos até ele chegar à idade de aposentação.

O Papa Francisco, segundo o cardeal Müller, “comunicou a sua decisão” de não lhe renovar o mandato “em menos de um minuto”, no último dia de trabalho do seu mandato de cinco anos, e não lhe comunicou qualquer justificação.

“Este estilo [sic] não posso aceitar”, disse Müller. Ao lidar com os funcionários, “o ensino social da Igreja deve ser aplicado”, acrescentou.

Para o Cardeal Müller, a sua própria demissão é uma reminiscência da recente demissão de três importantes sacerdotes do seu escritório na CDF por ordem do Papa. Antes do Natal do ano passado, o cardeal Müller dirigiu-se ao Papa para discutir os despedimentos, pois, quando ouviu falar deles, ficou perplexo por os competentes padres terem sido demitidos sem explicação.

O famoso Vaticanista Marco Tosatti relatou a substituição dos três sacerdotes desta forma:

[Müller] disse: “Sua Santidade, recebi estas cartas (exigindo a demissão dos sacerdotes), mas não fiz nada porque essas pessoas estão entre os melhores do meu dicastério… o que fizeram eles?” A resposta foi a seguinte: “E eu sou o Papa, não preciso de dar justificações por nenhuma das minhas decisões. Eu decidi que eles têm que sair e eles têm que sair.” Levantou e esticou a mão para indicar que a audiência tinha terminado.

Apesar das suas críticas ao estilo do Papa, o cardeal Müller assumiu, no entanto, a sua lealdade ao Pontífice e espera continuar em Roma e talvez servir de ligação entre o Papa e os três restantes cardeais dos dubia.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 7 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Entrevista de D. Athanasius Schneider à Rádio Renascença

Mons. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão) e membro da Ordem de Santa Cruz de Coimbra, foi o convidado desta semana na entrevista radiofónica da jornalista Aura Miguel na Renascença.

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D. Athanasius Schneider celebra a Santa Missa no Santuário de Fátima (na Capela da Ressurreição), seguindo a forma extraordinária do Rito Latino, na manhã do passado dia 14 de julho

D. Atanasius Schneider passou recentemente por Portugal onde participou em vários eventos.

Basto 7/2017

E depois passaram a três, e agora?

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Por Christopher A. Ferrara

Com a súbita morte do cardeal Joachim Meisner, os quatro “cardeais dos dubia” ficaram reduzidos a três, sem que nenhum deles tenha realizado alguma ação para corrigir os erros da Amoris Laetitia, que se espalharam por toda a Igreja de forma inédita e verdadeiramente apocalíptica, fraturando uma disciplina eucarística universal e bimilenar enraizada na verdade revelada sobre a indissolubilidade do matrimónio e a santidade infinita do Santíssimo Sacramento.

Dadas as idades dos três restantes (Cardeal Brandmüller, 88, Cardeal Caffarra, 79 e Cardeal Burke, 69), uma diminuição adicional do seu número no curto prazo é uma possibilidade real. Perguntamo-nos se todos eles simplesmente passarão desta terra sem nunca terem emitido a prometida “correção formal”. Qual foi então o propósito da sua intervenção pública inicial quando solicitaram respostas aos cinco dubia que esbarraram no intransigente silêncio do Papa Bergoglio durante já quase um ano (como se não conhecêssemos já as respostas)? E qual era o objetivo de solicitar publicamente uma audiência com o Papa quando, como os cardeais ainda vivos certamente sabem, ele não tem intenção de alguma vez se deixar confrontar com seus erros, mas sim todas as intenções de promovê-los com piscadelas de olho, acenos de cabeça, declarações particulares e nomeações estratégicas para o episcopado e para o Colégio de Cardeais?

Entretanto, Bento XVI, o único “Papa Emérito” da história da Igreja – uma novidade que ele próprio inventou – ainda acrescentou mais àquilo que deve ser chamado de dimensão burlesca desta situação incomparável. Numa carta lida no funeral do Cardeal Meisner, ele diz:

Sabemos que este apaixonado pastor teve dificuldade em deixar o seu cargo, especialmente num momento em que a Igreja necessita particularmente de pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época e que vivem e pensam a fé com determinação. No entanto, o que mais me impressionou foi que, neste último período da sua vida, ele aprendeu a deixar passar e a viver de uma profunda convicção de que o Senhor não abandona a Sua Igreja, mesmo se a barca meteu tanta água a ponto de estar à beira de virar.

Considere-se a enorme implicação deste breve texto:

  • Bento XVI abandonou o seu posto, embora soubesse que a Barca de Pedro estava “à beira de virar”.
  • Bento elogia Meisner como um dos “os pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época”, sabendo muito bem que Meisner e os outros três cardeais dos dubia confrontaram nada menos que o Pastor Universal com erros morais de consequências catastróficas, que representam precisamente uma entrega à ditadura do espírito da época, erros sobre os quais Bento nada dirá.
  • Bento diz que “o Senhor não abandona a Sua Igreja” precisamente no momento em que o comportamento do atual ocupante da cadeira de Pedro faz temer que a Igreja tenha, como é impossível, sido abandonada pelo Senhor. Ele escreve como se não tivéssemos um Papa cuja governação é a fonte desse medo.
  • Bento elogia Meisner porque ele “aprendeu a deixar passar” e presume que Cristo protegerá a Igreja, mesmo que os cardeais e os outros membros da hierarquia não façam nada para cumprir o seu dever de defensores da Fé contra um Papa claramente inclinado a impor desastrosas “reformas” que nenhum Papa anterior teria ousado sequer considerar. Meisner, com quem Bento XVI havia falado pouco antes da sua morte, abandonou qualquer intenção de procurar a mais do que razoável “correção formal”?

Na mesma linha, no mês passado, Bento XVI pronunciou esta enigmática observação durante a visita, à sua residência no Vaticano, do Papa Bergoglio acompanhado dos seus cinco novos cardeais que adicionou ao seu corpo crescente de tropas de choque reformistas: “O Senhor vence no final.” É um estranho comentário para se fazer a um grupo de recém-criados cardeais. Estará Bento XVI a sugerir – é difícil evitar a implicação – que o Senhor irá derrotá-los, assim como ao Papa que os criou?

Nessa ocasião – diga-se de passagem – o “Papa Emérito”, que abdicou da cadeira de Pedro porque supostamente não podia continuar a desempenhar os deveres do papado, falou sem esforço com os novos cardeais e fluentemente nas suas várias línguas nativas. Administrou depois uma bênção em conjunto com o Papa Bergoglio, pronunciando as palavras da bênção enquanto Bergoglio permanecia em silêncio, reforçando assim a impressão de que agora existem dois Papas que se posicionam acima dos cardeais e lhes podem dar uma bênção apostólica.

A situação torna-se cada vez mais estranha. A partir de uma perspetiva puramente histórica, seria fascinante. Mas, da perspetiva de Fátima, é a concretização de uma profecia terrível para o nosso tempo. Os fiéis questionam-se: “E agora?”, enquanto esperam a resposta dramática que o Céu certamente providenciará.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 17 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Os “dubia” portugueses…

A palavra dubia, plural de dubium, do latim, pode traduzir-se para “dúvidas”. Quando há dúvidas procura-se o esclarecimento junto de quem tem autoridade para o fazer. Em matéria de Fé e moral, essa autoridade pertence ao Papa, cuja função primordial é confirmar os seus irmãos na Fé.

De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a «confirmar os irmãos» no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho.

(Papa Francisco, in Carta Encíclica Lumen Fidei, 29 de junho de 2013)

A conhecida carta dos dubia, datada de 19 de setembro de 2016, é um pedido formal de clarificação, dirigido ao Sumo Pontífice, relativo a algumas ambiguidades suscitadas pela leitura da exortação Amoris Laetitia. O objetivo desse zeloso e humilde pedido de esclarecimento seria a confirmação dos cristãos na Fé, travando a atual proliferação de interpretações erradas e anti-cristãs emanadas do referido documento papal. Seria…

Até hoje, o Santo Padre ainda não respondeu ao pedido de esclarecimento dos quatro cardeais, facto que os levou a enviar uma nova carta acompanhada de um pedido de audiência. Neste compasso de espera, um dos quatro cardeais signatários dos dubia acabou por falecer. E enquanto o Santo Padre não responde, multiplicam-se os sacrilégios cometidos contra a Sagrada Eucaristia, com o apoio ou a conivência silenciosa de uma grande parte da Igreja Católica. Só Deus sabe quando é que esta onda de apostasia poderá parar.

E Portugal, como é que fica no meio de todo este marasmo? Mais de um ano depois da publicação da controversa exortação apostólica, a comunicação social têm dado conta de alguma diversidade hermenêutica entre o clero lusitano, não obstante, a Igreja Portuguesa ainda não tomou uma posição oficial sobre a matéria. Estará à espera dos esclarecimentos do Santo Padre?

Estaremos perante um caso de dubia dos bispos portugueses?

Se assim for, um eventual desinteresse do Santo Padre pelos dubia poderá até nem ser necessariamente mau para Portugal!

Basto 7/2017

A 27ª pergunta, e a resposta…

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Faz hoje precisamente 100 anos que Nossa Senhora revelou o Segredo de Fátima a três crianças portuguesas, na Cova da Iria.

No manuscrito da sua IV Memória, concluído em Tuy, a 8 de dezembro de 1941, a Ir. Lúcia acrescentou uma informação sobre a Portugal a tudo o que já tinha dito e escrito anteriormente a respeito do Segredo ou da aparição de 13 de julho. Trata-se da famosa meia-frase que abre o Segredo de Fátima.

Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém.

(in IV Memória da Ir. Lúcia, 1941)

Então, faz também precisamente hoje 100 anos que Nossa Senhora disse que a Fé se conservaria em Portugal. Essa informação – assim como todas as outras contidas no famoso “etc” – destinava-se exclusivamente ao Bispo de Leiria ou ao Patriarca de Lisboa. Falta saber se era apenas uma simples profecia circunscrita a um espaço geográfico ou também uma ordem dirigida ao clero e ao povo português.

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Vista parcial do manuscrito da IV Memória da Ir. Lúcia, concluído 8 de dezembro de 1941

Mas terá Nossa Senhora mesmo afirmado que a Fé se conservará sempre em Portugal, ou isso foi entretanto “inventado” pela Ir. Lúcia?

Perante esta ridícula questão, subtilmente sugerida ou respondida por alguns dos famosos especialistas em “fatimologia”, temos duas opções, damos crédito ao que a Ir. Lúcia escreveu ou, em alternativa, acreditamos naqueles que gostam de falar por ela – um grupo eruditos em franco crescimento.

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Ir. Lúcia na sua visita à Capelinha das Aparições em 22 de maio de 1946

De entre todos os questionários dirigidos à Ir. Lúcia, em forma de carta, com o objetivo de aclarar informações e detalhes relativos às aparições – só no ano de 1946 teve de responder a três, pelo menos – um deles, bastante exaustivo nas suas 65 perguntas, foi endereçado pelo advogado francês, residente em Marrocos, J. Goulven. Na resposta a este questionário, que terá sido firmada a 30 de junho de 1946, Lúcia respondeu a todas as questões, assinalando-as com o respetivo número ordinal, seguido da palavra “pergunta”…

27ª pergunta e respetiva resposta:

27 – Foi de facto dito que a Rússia se há-de converter, e que Portugal conservará a Fé? Quais as palavras exactas pronunciadas por Nossa Senhora nessa aparição?

27ª pergunta – Sim; é verdade.

(in Novos Documentos de Fátima, 1984, p. 348, reportando para os manuscritos da Ir. Lúcia do Arq. Sebastião Martins dos Reis, PC, 69-86)

No livro Novos Documentos de Fátima, no final da reposta da Ir. Lúcia à 27ª pergunta, aparece uma nota de rodapé nestes termos: “Como se vê, a Irmã Lúcia não respondeu à 2ª parte da pergunta”. Contudo, como podemos constatar, ela respondeu, de forma clara, à primeira parte, referente à conversão da Rússia e à conservação da Fé em Portugal.

Faz hoje também 100 anos que Nossa Senhora prometeu a conversão da Rússia. Sem entrarmos na fastidiosa discussão em torno da validade das consagrações realizadas pelos vários Papas durante o séc. XX, temos de questionar, mais uma vez, aqueles que festejam a conversão da Rússia: a Rússia converteu-se a quê? O verbo “converter” pertence à classe dos verbos transitivos, implica a existência de um complemento, ainda que possa não ser referido de forma explícita.

Esta questão faz ainda mais sentido no dia de hoje, quando as celebrações da peregrinação aniversária do 13 de julho, em Fátima, foram presididas pelo arcebispo de Moscovo, D. Paolo Pezzi, em representação de uma parca minoria de católicos atualmente existente na Rússia.

Basto 7/2017

A prova final da Igreja segundo Fátima e o Catecismo

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Por Pedro Sinde

Vive-se, hoje, uma certa euforia na Igreja (curiosamente, talvez até mais fora do que dentro dela!); convém recordar, no entanto, para evitar cair em precipitação, que nada menos do que o próprio Catecismo nos ensina que a “Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes” (Catecismo, § 675). Veremos brevemente como os avisos que nos chegam de Fátima estão em espantosa consonância com a doutrina da Igreja.

Abalo da fé

São palavras tremendas, as que a Igreja diz de si mesma sobre os últimos tempos: a “Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição” (idem, § 677). Ora, seja qual for a natureza da prova final, ficámos a saber no Catecismo que ela abalará a fé de numerosos crentes; isto não espantará, naturalmente, nenhum católico que se lembre destas tremendas palavras de Cristo: “Quando porém o Filho do Homem voltar, encontrará porventura fé sobre a terra?” (Lc, 18, 8). Neste ponto, podemos recordar que a mensagem de Fátima avisa justamente para esta questão da perda de fé, ao dizer que “em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”. Os melhores intérpretes têm apontado que esta referência parece pressupor a ideia de que noutros lugares o dogma da fé não se conservará. No entanto, temos de atender ao facto de que isto não significa nem que apenas em Portugal se mantenha, nem que fora de Portugal não se mantenha. No entanto, temos a promessa, em palavras da própria Virgem de que em Portugal se manterá. Já alguns têm afirmado que ser em Portugal não quer necessariamente dizer que seja com os portugueses… Portugal pode aparecer nas palavras da Virgem como um lugar, como uma arca de Noé que contivesse os elementos fundamentais da fé intactos para a transição neste processo de morte e ressurreição da Igreja; se não como semente, pelo menos como terreno fértil para a semente. Regressemos agora ao Catecismo no sentido de antever um pouco qual a natureza deste evento tremendo. No mesmo parágrafo citado acima (§ 675), referem-se alguns pontos essenciais, que nos podem ajudar a conhecer a natureza desta prova: “Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra, porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado.”

Podemos, assim, reconhecer os principais elementos da prova final:

– ocorrerá uma perseguição: e a quem poderia ser, senão a quantos se mantiverem fieis à Igreja?;

– esta perseguição “porá a descoberto o «mistério da iniquidade»: sob a forma de uma impostura religiosa”;

– esta impostura religiosa – que enganará os crentes (e de que modo, senão emergindo mesmo do interior do Catolicismo?) – caracterizar-se-á por apresentar “aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade”;

– o modo pelo qual se realizará esta impostura será o de um “pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado”.

Numa importante nota (nota 643), o Catecismo descreve especificamente um “falso misticismo” que é a “simulação da redenção dos humildes”. Esta questão dos humildes ou dos pobres aparece, pois, como uma ‘pedra de toque’ ou uma ‘pedra de tropeço’ e deve ser vista à luz meridional dos Evangelhos e não à luz de qualquer ideologia: – Judas, esse que O havia de trair, exclama, escandalizado por ver Maria a ungir os pés do Messias com um caro perfume: “Por que não se vendeu este unguento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres?” E a surpreendente resposta de Jesus é esta: “Pobres sempre os tereis entre vós, mas a Mim nem sempre me tereis” (Jo, 12, 8). – Mas talvez ainda mais importante é a seguinte afirmação: “É mais fácil passar um camelo no buraco da agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Mt, 19, 24; Lc, 18, 25). Desta perspectiva, que é a de Deus (!), não está o pobre em vantagem em relação ao rico? Diz a erudita Irmã Jeanne d’Arc que “buraco da agulha” era o nome de uma rua de Jerusalém muito estreita e praticamente impossível de passar com o camelo carregado. Isto nos mostra que ao rico não é impossível entrar no reino de Deus, mas apenas que é mais difícil (sobretudo se quiser passar carregado com as suas riquezas). A nobreza da pobreza evangélica opõe-se ao modo meramente materialista e bélico das ideologias de qualquer tipo.

Abalo cósmico

E o abalo da fé, referido acima, parece ter como consequência um abalo cósmico. No § 677, diz-se ainda que o “triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo Final, após o último abalo cósmico.” Fixemos esta impressionante expressão e recordemos a seguinte visão da Irmã Lúcia (tal como narrada em Um Caminho sob o Olhar de Maria, p. 267):

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Vista parcial do manuscrito da Ir. Lúcia publicado no livro “Um Caminho sob o Olhar de Maria: Biografia da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado”, 2013

(Depois de dificultosamente escrever a terceira parte do segredo, anota): “E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi, – A ponta da lança como chama que se desprende, toca o eixo da terra, – Ela estremece, montanhas, cidades, vilas e aldeias com os seus moradores são sepultadas. – O mar, os rios e as nuvens, saem dos seus limites, transbordam, inundam e arrastam consigo num redemoinho, moradias e gente em número que se não pode contar, é a purificação do mundo pelo pecado em que se mergulha. – O ódio, a ambição provocam a guerra destruidora!” (3-1-1944).

Impressionante descrição! Aquela “ponta da lança como chama que se desprende” e que “toca o eixo da terra”, fazendo-a estremecer, não será verdadeiramente aquele “abalo cósmico” a que se refere o próprio Catecismo? O abalo da fé, implícito na mensagem de Fátima, não será, como no Catecismo, a causa do abalo cósmico? E não diz a Irmã Lúcia, numa carta ao Cardeal Carlo Caffarra, que a coluna que sustenta a criação é a família e que, por isso, o último ataque de Satanás será sobre a família e a santidade do matrimónio? Se não devemos deixar-nos derrotar pelos eventos previstos, por muito difíceis que se nos afigurem os tempos, também não devemos deixar que as vagas das modas ideológicas deste mundo nos levem embalados e afastem da barca firme. Temos, de resto, a promessa da Virgem, ela mesma, em Fátima, e em palavras inequívocas: “por fim o meu Imaculado Coração triunfará”!

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 25 de maio de 2016.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho. As imagens foram adicionadas na presente edição, não fazem parte da publicação original.

Basto 7/2017

Fátima e Rússia: entrevista a José Milhazes

As opiniões são suas e não temos de concordar com elas, nem é certamente isso que José Milhazes pretende. O seu vasto trabalho enquanto investigador, jornalista e tradutor, assim como os muitos anos de residência na Rússia, fazem dele um dos maiores especialistas em assuntos da Europa de Leste em todo universo da lusofonia e no Ocidente em geral.

O livro que escreveu sobre Fátima e a Rússia é uma leitura imprescindível neste ano em que se celebra o centenário das aparições.

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Não é um livro religioso, é de história. Apresenta-nos factos, acontecimentos, contextos, enlaces, muita informação desconhecida e surpreendente, a respeito da Rússia, relevante para o aprofundamento dos conhecimentos sobre a Fátima. É bastante conciso, objetivo e de agradável leitura.

Basto 7/2017

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlteros

Por Adelante la Fe

No domingo passado, na Igreja Paroquial de São Roque, em Reconquista, Santa Fé (Argentina), o bispo local, Mons. Macín, nomeado pelo Papa Francisco em 2013, protagonizou um monumental e sacrílego escândalo que revela claramente o que está por trás da Amoris Laetitia.

Organizou, na dita igreja, uma missa solene na qual informou publicamente que, de acordo com as regras enviadas pelo Papa Francisco numa carta há mais de seis meses e no âmbito da integração dos cristãos “marginalizados” por causa sua condição irregular de divorciados que voltaram a casar ou em situação irregular (divorciados que contraíram uma nova união), após a realização de um período de seis meses  de encontros semanais denominado ” período de discernimento”, foi determinado, de acordo com o que se expôs anteriormente (por ordem do Papa), INCLUÍ-LOS EM COMUNHÃO PLENA E SACRAMENTAL, o que aconteceria nessa cerimónia. Em nenhum momento se mencionou que essas pessoas tinham feito qualquer voto de castidade ou de viver “como irmãos”.

Na mesma cerimónia, foi dada a comunhão a todos esses casais (cerca de 30), acompanhados de seus familiares que tiraram fotos em clima festivo. Em nenhum momento se fez qualquer referência às escrituras que condenam o adultério, em alternativa, foram referidos os chavões da Amoris Laetitia onde se diz que os divorciados que voltaram a casar devem ser incluídos em plena comunhão.

Este bispo, assim como todos os que seguem essas indicações e ações, são simplesmente apóstatas, lobos vestidos de ovelhas que não só enviam almas para o inferno, como também profanam a Eucaristia, pelo que prestarão contas diante de Deus.

Esta notícia foi confirmada pelo Adelante la Fe e por testemunhas oculares, mas se ainda restarem dúvidas, pode ser confirmada nos meios de comunicação locais.

A edição original deste texto foi publicada pelo Adelante la Fe a 13 de junho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Ucrânia não desiste da sua pretensão de aderir à NATO

A Ucrânia, a mais importante das ex-repúblicas soviéticas, não desistiu do seu firme propósito de aderir à Aliança Atlântica, apesar de todas as ameaças de Vladimir Putin.

Simultaneamente, a Estónia, uma ex-república soviética que já é membro da NATO, depois de assumir, no passado mês de junho, a presidência rotativa da União Europeia, defendeu o reforço militar dos estados-membro perante a ameaça russa e uma maior aproximação da UE aos países que se encontram sob a esfera de influência da Rússia.

Basto 7/2017

As palavras taxativas de Jesus Cristo

E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.» (Mc 4, 9)

A humildade, a cordialidade e a obediência na vocação não são sinónimos de apostasia, antes pelo contrário. Isto é válido para todos, para aqueles que promovem a apostasia, mas também para aqueles que pretendem combatê-la.

Esta frase de D. Manuel Clemente, embora proferida num outro contexto, é muito feliz:

Seguir o Senhor é vocação de todos os batizados, tomando a cruz de cada dia. Só assim ganharemos a eternidade que é do tamanho da entrega, do tamanho da cruz.

(D. Manuel Clemente, in Rádio Renascença, 02/07/2017)

Basto 7/2017

A hora do testemunho público

padre gobbi

Fulda, Alemanha, 8 de setembro de 1985

(Festa da Natividade da Virgem Santa Maria)

314. A hora do testemunho público

[…]

O que é que ofusca hoje a beleza e o esplendor da Igreja?

É o fumo dos erros que Satanás fez entrar nela; estes são cada vez mais difundidos, levando muitíssimas almas à perda da Fé. A causa desta tão vasta difusão dos erros e desta grande apostasia são os pastores infiéis. Estes fazem silêncio, quando devem falar com coragem para condenar o erro e defender a Verdade. Não intervêm quando devem desmascarar os lobos vorazes que se introduziram no rebanho de Cristo, vestidos de cordeiros. São cães mudos que deixam devorar o seu rebanho.

Vós, ao contrário, deveis falar com força e coragem para condenar o erro e difundir só a Verdade. Chegou a hora do vosso testemunho público e corajoso.

[…]

Tudo o que o meu Papa disse neste lugar corresponde à verdade.

Estais próximos do maior castigo; então Eu digo-vos: entregai-vos a Mim e lembrai-vos que a arma que deveis usar nestes terríveis momentos é o santo Terço. Deste modo formareis o meu exército que conduzo, nestes tempos, à sua maior vitória.

(Excerto da locução Nº 314 do Pe. Srefano Gobbi in Aos Sacerdotes Filhos Prediletos de Nossa Senhora, Edição de 2006 atualizada, p. 557, 558)

O Padre Gobbi foi o fundador do Movimento Sacerdotal Mariano.

Basto 7/2017