Papa Francisco interrompe celebração da missa, no México, com uma chamada telefónica trivial

O que é que um padre faz com o telemóvel no bolso enquanto celebra a missa? E será legítimo atender o telefone a meio de uma homilia?

Não há respeito por nada… Por acaso, era o Papa, mas podia ser o padeiro ou o homem do gás e até com um assunto mais urgente!

Basto 05/2020

Apelo aos Bispos Portugueses sobre a Sagrada Comunhão

AnjodePortugal
Loca do Cabeço, Valinhos (Fátima) – imagem de Castinçal

Eminências e Excelências Reverendíssimas,

1. Após dois meses sem se ter podido estar presente na Santa Missa, ficámos a saber, através do comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) de 2 de Maio p. p., que, possivelmente no próximo dia 30 de Maio, véspera de Pentecostes, serão retomadas as celebrações com assistência da Santa Missa. Seis dias após esta notícia que tanto nos alegrou, considerando que, durante dois meses, fomos impedidos de aceder aos Sacramentos, principalmente aos da Eucaristia e da Penitência, foram publicadas as Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa para a celebração do Culto público católico no contexto da pandemia COVID-19, que, tendo merecido a nossa respeitosa atenção, nos causaram profunda mágoa e não pouca perplexidade.

2. Após atenta leitura e reflexão das referidas Orientações da CEP, causa-nos particular consternação  o seu número 27, segundo o qual se determina que «continua a não se ministrar a comunhão na boca» – à semelhança, de resto, do que tinha sido decidido no início da pandemia, tendo-se assistido a sacerdotes recusarem a Sagrada Comunhão a fiéis que, de forma lícita, pretendiam receber a Comunhão na boca, tal como prevê e permite a Santa Igreja e a sua lei universal, além de resultar da salutar reverência  suscitada pela fé na presença real de Nosso Senhor nas sagradas espécies e pelo primeiro mandamento da Lei de Deus.

3. Por várias vezes, e em conformidade com quanto se acaba de dizer,  a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos reafirmou e sublinhou aquilo que, a este respeito, diz a Instrução Redemptionis Sacramentum, de 25 de Março de 2004, no seu número 92 (remetendo para o n. 161 da Instrução Geral do Missal Romano): «Todo o fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a Sagrada Comunhão na boca», advertindo, no número precedente, que «não é lícito negar a Sagrada Comunhão a um fiel», exceptuando somente aqueles casos em que lhe tenha sido «proibido o direito de receber» a Sagrada Comunhão em geral (n. 91, remetendo para os cânones 843 §1 e 915). Torna-se claro que não é permitido, em circunstância alguma, negar-se a Sagrada Comunhão aos fiéis que a desejem receber na boca, nem mesmo em tempos de epidemia, à semelhança do que aconteceu com o H1N1, altura em que a referida Congregação para o Culto Divino o confirmou em resposta a múltiplas cartas que fiéis de todo o mundo lhe dirigiram. Bem se compreende que assim seja considerando o fundamento do reconhecimento de tal direito, que directamente se liga à fé da Igreja, à virtude da santa religião, com as respectivas implicações em matéria de culto, e, assim, ao primeiro mandamento.

4. A juntar-se a esta indicação eclesiástica, são muitos os acreditados profissionais de saúde que têm referido que não existe qualquer particular perigo de contágio ao administrar-se a Comunhão na boca do fiel.

5. Posto isto, nós, fiéis católicos subscritores deste Apelo, solicitamos a Vossas Eminências e Excelências Reverendíssimas que o ponto 27 das Orientações da CEP seja imediatamente revogado, permitindo-se que o fiel possa livremente escolher receber a Sagrada Comunhão na boca, caso contrário estar-se-á a cometer um gravíssimo atentado contra as normas universais da Santa Madre Igreja, as quais, em conformidade com a reverência devida ao augustíssimo Sacramento, lhes reconhecem um preciso direito.

Aproveitando a ocasião para assegurarmos as nossas orações a Vossas Excelências, somos, muito dedicados, em Jesus e Maria.

Este apelo pode ser subscrito, até ao dia 20 de maio, através de um formulário disponibilizado no blogue Dies Irae.

Basto 05/2020

Francisco invoca a intercessão da Mãe de Deus e a intervenção de todos os deuses pelo fim da pandemia

Dia 13 de maio, devemos rezar a Nossa Senhora:

Dia 14 de maio, devemos rezar a uma coisa qualquer:

É um fé inclusiva, onde cabem todos os ídolos pagãos e tudo em que se queira acreditar e ainda o nada. Quem não acredita em nada, é convidado a rezar ao nada…

Basto 05/2020

Igreja Ortodoxa Russa constrói megacatedral onde glorifica as vitórias do exército comunista soviético e a conquista da Crimeia à Ucrânia

O novo templo dedicado às forças armadas russas localiza-se nos  arredores de Moscovo e a sua inauguração estava programada para este mês de maio, para assinalar os 75 anos da vitória do Exército Vermelho na II Guerra Mundial. A sua decoração, aparentemente, mistura elementos cristãos da arte bizantina com um misto de nacionalismo russo, comunismo soviético e putinismo… Entre as várias gravuras murais, encontram-se dois mosaicos que glorificam, respetivamente, as figuras-chave do regime putinista envolvidas na ocupação ilegal da península ucraniana da Crimeia e o assassino em massa Josef Stalin, ao mesmo tempo que associam a Mãe de Deus às referidas barbaridades.

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O ícone da esquerda exibe faixas com os slogans “A CRIMEIA É NOSSA” e “PARA SEMPRE COM A RÚSSIA”, o da direita ostenta um cartaz do ditador comunista soviético e perseguidor dos cristãos russos, Josef Stalin.

Os símbolos do exército soviético, ainda hoje usados pelas forças armadas russas, decoram os vitrais e misturam-se com os símbolos cristãos.

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Símbolos do regime comunista soviético nos vitrais no teto da nova catedral da Igreja Ortodoxa Russa.

O elemento que gerou, porém, mais interesse mediático foi a intenção de se incluir, num desses murais de culto, a própria figura de Vladimir Putin, uma ideia que talvez já não chegue a concretizar-se

Como diz o admirado líder “cristão” Vladimir Putin, durante aqueles tempos de ditadura soviética, “uma nova religião era criada”, vendo no comunismo uma coisa mais ou menos semelhante ao cristianismo.

Basto 05/2020

Papa Francisco: a humanidade tem um só pastor, Jesus Cristo!

Na homilia pronunciada, esta segunda-feira, dia 4 de maio, na capela da Casa de Santa Marta, o Santo Padre declarou que “todos os homens” têm “um único pastor”, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Francisco entra, deste modo, em contradição consigo próprio, uma vez que, noutras ocasiões, afirma que “muitos” homens “procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos” diferentes de Jesus Cristo, incluindo através dos ensinamentos de Buda, de Maomé e do Talmude.

Basto 05/2020

Manifesto Contra a Televisão ou Como um só Demónio Conquistou Toda a Humanidade

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Imagem capturada da curta metragem “I, Pet Goat II” (2012).
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Por Pedro Sinde

Queria contar um conto, mas um conto para levar a sério. Agora mesmo, nesta hora em que vos escrevo, ela está ali, pendurada num suporte fixo à parede num lugar alto, para obrigar as gentes a olhar para cima. Ali, precisamente naquele lugar, esteve já a imagem de Santo António, agora desaparecida. Estou num café antigo, o leitor já terá adivinhado talvez, pois terá reparado que onde nas lojas antigas estava um pequeno nicho, elevado, com alguns santos, agora está uma televisão.

Estamos no fim dos tempos, pode-se dizer assim com brusquidão. Os homens não acreditam, porque estão em geral tão fechados ao mundo real que nem se lembram que a sua vida tem os dias literalmente contados. E têm medo, muito medo de pensar nisso. E fazem bem; é bom que tenham medo, pois há muitas razões para tal.

Nos tempos do fim, o mundo, os homens, os animais, as plantas e até as pedras, estão cansados; a criação está farta de sofrimento, está farta de mudança, pressente no ar que qualquer coisa está para acontecer. E está. E geme toda a criação, como diz São Paulo (Rom 8, 22), como em dores de parto…

Nestes tempos, como em nenhum antes, andam os demónios à solta. Não, não se trata de uma metáfora. Os demónios andam mesmo à solta, possuíram já uma boa parte dos homens; quando não de um modo constante, pelo menos com intermitências.

É para vos contar a história de um desses demónios que este manifesto é escrito. Estou certo de que só os loucos e as crianças perceberão do que se trata, mas isso também é um sinal dos tempos, como diz São Paulo, “a sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus” e diz mais: “está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos homens cultos” (1Cor 1, 19).

~

São vários os demónios que procuram, por este ou aquele meio, possuir a humanidade. Hoje, isso é relativamente fácil; antes havia vários obstáculos: havia religião, havia tradição, havia a vida natural e sóbria e os homens eram dotados de uma certa percepção sobrenatural. Hoje, estão embrutecidos, isto é, já não são dotados do sentido sobrenatural.

Um dos demónios que mais sucesso teve e, ao que parece, terá é o que inventou aqueles aparelhos que formam imagens e as põem em movimento: as máquinas projectoras de filmes, as televisões, os computadores e depois as diminuiu em tamanho até caberem num bolso e as podermos levar para todo o lado, em todo o tempo; na verdade, o que acontece é que elas nos levam a nós para todo o lado e em todo o tempo, mas como cabem no nosso bolso, temos a ilusão de que nós é que as levamos…

O chefe dos demónios dá-lhes como missão virem à Terra para procurarem dominar o maior número possível de homens.

E eles procuram cumprir esta missão exemplarmente. Há demónios mais empenhados, há demónios menos empenhados; a burocracia e a obrigatoriedade do trabalho são obra de um demónio genial; e fez tanto sucesso este modelo que foi até adoptado entre os próprios demónios, para sua desgraça; mas, enfim, a desgraça ou falta de graça é o que é próprio do mundo infernal.

Em todo o caso, o demónio de que vos quero falar é um daqueles que gosta do que faz e quer desempenhar o seu trabalho o melhor que puder. Realmente gosta do que faz, quase poderia dizer que ama o que faz, se fosse possível a um demónio amar.

Estava ele a cogitar como é que podia deixar o rame-rame do dia-a-dia, as pequenas conquistas e realizar uma coisa maior, uma coisa em grande. Para isso observava o comportamento dos homens e o modo como os seus colegas, os outros demónios, agiam para os conquistar.

Rapidamente se apercebeu que quase todos caíam num erro: um dedicava-se, por exemplo, a procurar convencer os homens de que não havia Deus, outro, mais arguto, procurava convencê-los de que não havia diabo, outro, de que não havia moral. Tudo isto eram coisas exteriores ao homem porque agiam sobre a sua razão com argumentos e, é certo, produziam os seus efeitos, mas não eram duradouros; era preciso chegar ao cerne, era preciso actuar no seu íntimo, era preciso roubar-lhe alguma coisa, adormecer qualquer coisa nele. Pensou, pensou… era difícil. Tudo aquilo estava a ser feito por demónios com pouca imaginação, pensou. E foi aí que lhe ocorreu: a imaginação! É isso mesmo!

Era por ali, porque a imaginação, ao contrário da razão, tem uma ligação directa ao corpo e às emoções e assim poderia tomar conta do homem inteiro, pois dominada a imaginação, tomando conta das emoções e do corpo, a razão, como uma vela que se apaga, simplesmente adormeceria e deixaria de iluminar a alma; a ninguém se convence com argumentos, tudo se passa, na verdade, nas emoções e na imaginação (que é a porta para a emoção). Era preciso, pois, de algum modo, separar a razão da imaginação. Fechou-se na sua cela luxuriosa, queimou um pouco de enxofre e começou a maquinar – digo maquinar porque os demónios não meditam, maquinam.

Magicou (para além de maquinar, os demónios também magicam) em torno da imaginação e percebeu que, realmente, se tratava de uma força tremenda; dominando-a poderia fazer o que quisesse com os homens. Enquanto pudessem imaginar, teriam esperança, mas era necessário levá-los ao desespero, sem que eles sequer percebessem que estavam desesperados ou sem esperança; era preciso adormecer, pois, gradualmente a imaginação aos homens, activando-a a partir de fora, de forma tão gradual que eles nem reparassem.

Notando que imaginar era criar imagens, ocorreu-lhe que uma boa forma, se isso fosse possível, seria dar-lhes, as imagens prontas, em vez de os deixar imaginar ou criar as imagens. Já sabia quais eram os fins, mas ainda não via os meios. Foi dormir com isto em mente. Foi num sonho que obteve a sua resposta. Quando acordou já sabia que era preciso inventar uma máquina de fazer imagens, de tal modo poderosa que prendesse a si hipnoticamente os homens: ocorreu-lhe que um filósofo dissera que nada está no intelecto que não tenha estado primeiro nos sentidos e, embora deformando o sentido da frase, isso deu-lhe a chave que procurava; deformar é, de resto, a obra demoníaca propriamente dita. Os demónios só procuram deformar o que já existe, são parasitas de Deus.

Não disse nada a ninguém, pois sabia que seria alvo de chacota. O seu trabalho agora era apenas lançar esta ideia de uma máquina que construísse imagens em movimento e algum homem a captaria, a agarraria e, quando isso acontecesse, ficaria sob as suas garras.

Pode o leitor estar a interrogar-se por que razão não procurou o próprio demónio criar uma tal máquina. Ora, é que os demónios não criam, estão proibidos de criar, como disse, a sua missão é apenas “descriar”, isto é, destruir, incitar o homem à destruição ou deformar e macaquear a obra grandiosa de Deus. Está então visto que um demónio não pode criar sequer uma máquina que sirva para destruir. Pode, isso sim, instigar os homens, sugerindo-lhes algumas ideias.

Adormeceu novamente e enquanto dormia dormiam também dois irmãos simpáticos e bastante criativos; por ironia, esses irmãos tinham o apelido “Lumière”. Digo por ironia, porque o novo invento iria manipular a luz para fazer imagens. Foi nesse sono que os dois irmãos receberam a ideia de dar movimento a imagens estáticas; é claro que não davam movimento, mas tudo se passava por um acto de ilusionismo: manipular as imagens, na verdade estáticas, com a velocidade, trocando uma pela outra numa rápida sucessão que, ludibriando aquele que vê, enganando-o, mentindo-lhe, fazia-o “ver com os olhos” as imagens, realmente paradas, como se estivessem em movimento numa sequência. Os irmãos eram bem-intencionados, nem podiam imaginar que seriam alvo eles mesmos de um ludíbrio e que estariam com este aparelho a servir o Inimigo…

Certo é que o demónio viu o que iria acontecer, viu que tinha encontrado a solução: o invento que iria “desanimar” ou tirar a alma e o ânimo aos humanos estava mesmo ali; um aparelho de destruição massiva. Foi um momento sublime, tanto quanto se pode falar assim de um demónio. A humanidade estava perdida, desta vez era possível com um só aparelho manipular a humanidade inteira; “já não era necessária uma legião, como nos tempos de Cristo, pensou maravilhado – basta um só, basto… eu!” E o luciferino orgulho perpassava-lhe o olhar sinistro, enquanto o seu chefe se orgulhava dos sentimentos do seu subordinado, seguindo o modelo do patrão…

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E o resto é a história que todos conhecemos; tudo começou gradualmente, tal como o demónio planeara: primeiro o cinema, depois a televisão (um cinema caseiro e em miniatura) e, finalmente, um telefone de trazer no bolso e que já ninguém larga. Agora já chegou a uns óculos que dão toda a informação do lugar onde se está e depois será mesmo um implante. A isto já chamam “realidade aumentada”, com toda a ironia ou antes todo o cinismo possível, porque, naturalmente, a realidade é, ao contrário, diminuída de si mesma, para ser canalizada apenas para as informações que os fabricantes destes óculos escolhem dar. Etc. Seria cansativo explicar toda esta fastidiosa parafernália, infernália, que todos hoje têm em casa e que é como que o melhor lugar da casa, ali onde antes tinham um pequeno altar com um santo ou um anjo a quem dirigiam orações de paz e luz, abrindo a sua alma ao sobrenatural. Hoje, abriram-na ao infranatural e prestam culto ao monitor rectangular e negro, que torna a sua alma negra e rectangular; todas as almas iguais, pensando o mesmo, vendo o mesmo, comentando o mesmo. E se alguém pensa de outra forma, tornam-se raivosos e odientos ou simplesmente gozões, ridicularizando aquele que pense de outra forma.

Foi assim que, de mentira em mentira, este demónio conquistou a humanidade. E ele já viu o final desta sua obra destruidora num sonho; será assim: um adolescente, que representava no sonho toda a humanidade, jogando um jogo no seu telemóvel, alheio a tudo o que o rodeia e a si mesmo, naturalmente, vai ouvir de repente uma voz que diz: game over. Espantar-se-á primeiro, pois sabe que não perdeu o jogo que está a jogar; reparará, então, que essa voz não vem do seu aparelho, mas do seu interior. E que o jogo real terminou; e aquela pobre alma, como milhões de outras, hipnotizadas, ainda nem tinham começado a jogar, quer dizer, a viver.

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Sim, como primeira medida, destruam o vosso aparelho de televisão.

 

O texto acima foi publicado na plataforma Academia.edu em maio de 2020.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, neste caso o filósofo português Pedro Sinde, a presente edição visa apenas a sua divulgação. A imagem do topo não faz parte da publicação original.

Basto 05/2020