Segredo de Fátima – o que ficou por contar?

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Cristina Rubalcava, 2003

– Eu não ouvi nada!

Durante quase um século, o terceiro segredo de Fátima serviu de fonte de inspiração para a imaginação de milhões de cristãos pelo mundo fora, perdidos em especulações sobre eventuais profecias relativas aos piores pesadelos da humanidade. O mundo esperou ansiosamente pela revelação pública dessa mensagem, a qual estava prevista, de acordo com as orientações da Irmã Lúcia, para o ano de 1960. Como as duas partes anteriores eram já do domínio público, esperava-se então a publicação de um texto que continuasse as palavras de Nossa Senhora sobre a sobrevivência do “dogma da Fé”. Um texto que desse seguimento à conhecida frase profética da Virgem de Fátima que terminava, de forma abrupta e misteriosa, num sugestivo “etc”. Essa frase, aparentemente incompleta, foi adicionada pela Irmã Lúcia na sua Quarta Memória, concluída a 8 de dezembro de 1941, onde reescreveu pormenorizadamente todos os eventos de Fátima, obedecendo a uma ordem do então Bispo de Leiria, D. José Correia da Silva.

Meia frase, uma profecia – ou se quisermos, uma exigência – e o receio de que o “dogma da fé” correria o risco de se perder algures fora do nosso país, mas onde? O “etc” sugeria uma possível perda a uma escala muito maior do que Portugal, em termos de incidência geográfica ou em grau de relevância. A importância e a universalidade da mensagem de Fátima foi confirmada, não só por sucessivos pontífices da Igreja Católica, como também pela própria história. A autenticidade destas aparições foi certificada por cerca de 60 a 70000 pessoas que assistiram ao anunciado Milagre do Sol, a 13 de outubro de 1917, na Cova da Iria.

Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo.

(Nossa Senhora de Fátima em 1917, in IV Memória da Ir. Lúcia de 1941)

Chegados a 1960, o Santo Padre João XXIII abre os manuscritos da vidente de Fátima e, após a sua leitura em privado, opta por não o divulgar e decreta o seu arquivamento.

No dia 13 de Maio do ano 2000, por ocasião da visita do Santo Padre João Paulo II a Fátima, o Cardeal Angelo Sodano divulgou o texto abaixo, como sendo a terceira parte do segredo. O texto seria posteriormente publicado, a 26 de Junho de 2000, juntamente com comentário teológico da autoria do então Cardeal Joseph Ratzinger.

 J.M.J.

A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria-Fátima.

Escrevo em ato de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.

Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos numa luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se veem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.

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(Terceiro Segredo publicado no ano 2000, in Página Oficial do Vaticano)

Este texto da Irmã Lúcia resume-se à descrição de uma cena visual, uma sucessão de imagens com que se depararam os três pastorinhos no dia 13 de julho de 1917. Então, por que razão haveria a necessidade de “dizê-lo” ao Francisco?

Lúcia, Francisco e Jacinta

O Francisco esteve presente na aparição, juntamente com a sua irmã Jacinta e a sua prima Lúcia, portanto viu aquelas imagens tão bem como as restantes videntes.

Um dia, perguntei-lhe:

– Por que é que tu, quando te perguntam alguma coisa, baixas a cabeça e não queres responder?

– Porque antes quero que o digas tu e mais a Jacinta. Eu não

ouvi nada. Só posso dizer que sim, que vi.

(Ir. Lúcia dos Santos in IV Memória de 1941)

O “etc” parece, de facto, esconder a continuação da frase inacabada e, nesse contexto, faria sentido que Maria autorizasse a transmissão da mensagem ao Francisco, uma vez que, como se sabe, ele não ouvia a voz de Nossa Senhora nas aparições. Aceitando esta possibilidade, o “etc” corresponde a uma informação profética gravíssima, merecedora do maior secretismo, uma possível interpretação para as imagens descritas no manuscrito oficial do terceiro segredo de Fátima publicado em 2000.

Basto 1/2016

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