Em memória do Pe. Nicholas Gruner – o Padre de Fátima

The Fatima Priest

Ou o Padre de Fátima, em português. É assim que ele era e será sempre conhecido. Faleceu há um ano, no dia 29 de abril de 2016, após um colapso cardíaco.

Um verdadeiro santo entre nós, fervoroso devoto ao Imaculado Coração de Maria e incansável defensor da Fé Católica e da integral mensagem de Fátima. O seu nome ficará para sempre associado a Fátima, devido ao apostolado realizado pelo Fatima Center, que ele mesmo fundou e dirigiu desde 1978.

Que o Pe. Gruner peça por nós a Nossa Senhora de Fátima neste perigoso momento da história da Igreja e do mundo.


Basto 4/2016

Visita surpresa do Santo Padre às celebrações do dia da Terra

O Papa Francisco apareceu, de surpresa, no dia 24 de abril, no  Villaggio per la Terra, na Villa Borghese, em Roma. Um evento integrado no programa de celebrações do dia mundial da  Terra (que se celebra a 22 de abril).

A sua mensagem principal foi: “Vamos transformar desertos em florestas.”

“Mas eu sou desta religião, ou desta… Não importa.”

Se calhar até importa Santo Padre! A conversão à Fé Católica é certamente mais importante do que o ambiente ou as florestas. – Digo eu…

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Milão

A exortação apostólica Amoris Laetitia “começou a mudar as atitudes relativamente à comunhão, na Arquidiocese de Milão”. A informação partiu de um artigo publicado pelo Mons. Fausto Gelardi no sítio da Internet da referida diocese (pode ler-se em Inglês aqui). Este prelado é o alto responsável pela Confissão na Catedral de Milão.

O referido texto sugere que alguém, entre os sacerdotes, talvez um pouco “precipitado e procurando eficiência”, terá aberto uma “janela” de consultas, dando a ideia de que “pode conceder rapidamente exceções”.

O artigo termina com a seguinte frase:

Os fiéis têm experimentado a ânsia de pastores que não são chamados para impor uma norma, mas para levantar o valor expresso por aquela norma, transportando em sentido real o “cheiro das ovelhas”.

 

Basto 4/2016

Memorando para a brigada de limpeza da “Amoris Laetitia”. Agora já podem parar.

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Por Christopher A. Ferrara

Será que a Amoris Laetitia alcança aquele que foi, obviamente, o objetivo do Papa Francisco durante este tempo todo: a admissão de reconhecidos adúlteros – divorciados e “recasados” – à Sagrada Comunhão em “certos casos” (que significa, em última instância, todos os casos)? É claro que sim.

Como revelou a alegria manifestada, em conferência de imprensa, pelo co-apresentador escolhido a dedo por Francisco para apresentar este documento “catastrófico” ao mundo, o Cardeal Christoph Schönborn, conhecido pela sua orientação “pró-gay” e pró-divórcio: “A minha grande alegria, resultante deste documento, reside no facto de que ele coerentemente supera aquela clara divisão artificial, superficial, entre ‘regular’ e ‘irregular'” – ou seja, “superficial” distinção entre as uniões sexuais lícitas e as imorais, entre o casamento cristão e as relações que envolvem adultério e fornicação.

Especificamente na questão da Sagrada Comunhão para adúlteros, Schönborn disse aquilo que já era evidente a partir da linguagem da fatídica nota de rodapé 351:

E o Papa Francisco recorda a necessidade de discernir bem as situações, seguindo a linha da Familiaris consortio (n. 84) de São João Paulo II (AL 298). “O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites. Por pensar que tudo seja branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus” (AL 305)…

No sentido desta via caritatis (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351), que se pode dar também a ajuda dos sacramentos “em certos casos”. Mas para este propósito ele não nos oferece uma casuística de receitas, mas simplesmente nos recorda duas de suas famosas frases: “recordo aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor” (EG 44) e a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos” (EG 44).

Observe-se a frase “de acordo com a Familiaris Consortio (84) de São João Paulo II.” Então, a velha fraude continua, pois Francisco e Schönborn escondem o facto de, na referida secção da exortação apostólica de João Paulo II, se rejeitar especificamente qualquer possibilidade de um “discernimento” que permita a reconhecidos adúlteros receber o Santíssimo Sacramento – em “certos casos” ou em qualquer caso. Mas isso foi quando as coisas eram “preto no branco”, agora, com Francisco, elas tornaram-se acinzentadas.

E agora ficámos a conhecer, pelo próprio Papa, que Francisco contradiz categoricamente o seu antecessor e toda a Tradição. Durante a conferência de imprensa a bordo do seu voo de regresso da Grécia, ele foi questionado se, ao contrário daqueles que dizem que “nada mudou”, a Amoris Laetitia autoriza “novas possibilidades concretas para os divorciados que voltaram a casar, que não existiam antes da publicação esta exortação”. Com a mão apontada e acenando com a cabeça para dar ênfase, Francisco respondera: “Eu posso dizer que sim, ponto final.” (” Io posso dire sì. Punto.”).

Por incrível que pareça, ele recomendou ainda a leitura da apresentação de Schönborn, na qual “essa questão encontra a resposta”. Eu digo incrível porque a resposta de Schönborn foi: “O Papa afirma, de forma humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada “em certos casos”.” Ou seja, Francisco – ao jeito de um político astuto – fez-nos um finta, enquanto passava a bola: leia o que o meu assistente Schönborn disse, a fim de saber o que eu disse no meu próprio documento!

Será isto real? Na verdade, é. E agora um pequeno conselho, não solicitado, para todos os “normalistas” que ainda tentam desesperadamente limpar este documento catastrófico (sobre o qual muito mais será escrito, mais tarde, nestas páginas): Guardem as vossas vassouras. Isto não dá para limpar. Francisco está a fazer-vos passar por idiotas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de abril de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2016

“O erro de Deus”

el despiste de dios
O Santo Padre com o casal lésbico, em 2015, em Roma: a autora do livro (à direita) e a sua noiva Macarena (à esquerda).

Foi apresentado, no final do mês de março, o livro do conhecido transexual Diego Neria Lejárraga intitulado “El Despiste de Dios”. Uma senhora espanhola que, desde cedo não se sentiu bem no corpo de mulher, tendo decidido, em 2007, aos 40 anos de idade, submeter-se a um conjunto de tratamentos e cirurgias para se transformar num homem.

Assumindo-se católico(a) praticante, sentia-se injustiçada pelos representantes locais da Igreja Católica que lhe reprovavam a opção de mutação de género, apontando-lhe o erro que ela cometia. Infeliz com a situação, escreveu um dia ao Papa Francisco e, para sua surpresa, Sua Santidade sensibilizou-se com o seu caso…

A 8 de dezembro de 2014, data em que os católicos do mundo inteiro celebravam a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, em honra da nova mulher concebida sem pecado original, o Santo Padre toma o telefone e liga ao novo homem Diego Neria Lejárraga. A senhora Diego foi convidada para ir a Roma, juntamente com a sua noiva, sendo assegurada de que não precisaria de se preocupar com as despesas, pois a Santa Sé assumiria todos os encargos da viajem. Até aqui tudo bem…

De regresso desta peregrinação a Roma, e depois de uma conversa “privada” a três, em espanhol fluente, entre o casal lésbico e o Santo Padre,  a senhora Diego perdeu qualquer sentimento de culpa, tendo agora a certeza de que o caminho por si escolhido é correto aos olhos de Deus (?) e um exemplo para o mundo. A viagem a Roma mudou a sua vida.

Para além de confessar uma grande admiração pelo Papa Francisco e por todos os seus esforços no sentido de mudar a Igreja, esta senhora considera que a sua história de vida, bem como o seu discernimento espiritual, devem ser imitados por outros católicos transexuais e casais homossexuais. Foi por isso que decidiu, desde logo, escrever um livro autobiográfico, tendo como mote de partida a sua viagem a Roma. O livro, entretanto concluído, foi publicado pela Tropo Editores e até conta com uma edição especial, com uma encadernação nobre, para ser oferecida ao Santo Padre.

Partindo dos comentários em relação à obra, deve ser uma leitura enquadrada num determinado entendimento contemporâneo da Misericórdia de Deus, que abdica do arrependimento e do propósito de correção de vida. Uma nova misericórdia light recentemente descoberta por muitos pastores católicos, mas que de facto é mais típica de uma nova era pós-cristianismo. Um conceito de misericórdia defendido pelos mesmos prelados que acham que a Igreja não foi misericordiosa durante os últimos 20 séculos e, então, pretendem ser eles, agora, os verdadeiros misericordiosos, mais até do que o próprio Cristo e os seus santos  – que grande loucura!

Já agora, e para que se saiba, Deus jamais errou ou errará!

Basto 4/2016

A Alegria do Amor a bordo do avião papal

wright brothers
Irmãos Wright, 1903

Como o tema da abertura da sagrada comunhão eucarística a pessoas em situação de adultério está ainda longe de ser encerrado, os fieis continuam a levantar questões ao Santo Padre. Desta vez, foi a bordo do avião papal, na viagem de regresso de Lesbos, que Sua Santidade foi abordada por um jornalista.

Frank Rocca (jornalista do Wall Street Journal): Gostaria de fazer uma pergunta sobre a exortaçãoAmoris Laetitia”. Como sabe, tem havido muitas discussões sobre um dos pontos: alguns argumentam que nada mudou para o acesso aos sacramentos aos divorciados novamente casados, outros argumentam que muita coisa mudou e que há tantas novas aberturas. Existem novas possibilidades concretas ou não?

Papa Francisco: Posso dizer que sim. Mas seria uma resposta muito curta. Eu recomendo a leitura da apresentação do documento feita pelo Cardeal Schonborn, um grande teólogo que trabalhou na Congregação para a Doutrina da Fé.

(Entrevista a bordo do Avião, dia 16 de abril de 2016)

O autor da notícia da Agência Ecclesia a respeito desta questão até é mais preciso, ao referir que a resposta do Papa foi: “Posso dizer que sim, ponto final.”, traduzido de “punto” (minuto 21′:42″).

Sua Santidade, admitindo que o “sim” era “uma resposta muito curta”, pelo que nos remeteu para as explicações do Cardeal Schonborn, o conhecido defensor da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão, ou o mesmo que defende que a Igreja deve valorizar os “elementos positivos” das “uniões homossexuais”.

Valha-nos Deus!

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor nas Filipinas

A Conferência de Bispos Católicos das Filipinas, tendo feito a sua própria interpretação da exortação apostólica Amoris Laetitia, deu um passo em frente, ordenando a distribuição da sagrada comunhão a pessoas que se encontram divorciadas e com relações irregulares. Não esperaram, portanto, pelas orientações pastorais da Santa Sé e avançaram, desde já, com esta nova ideia de misericórdia da moda, que passa por dar comunhão eucarística a quem se encontra objetivamente em situação de pecado grave, como é o adultério.

“…há sempre um lugar à mesa dos pecadores, na qual o Senhor se oferece a si mesmo como comida para os miseráveis.”

“Esta é uma disposição de misericórdia, uma abertura de coração e de espírito que não precisa de lei, nem espera nenhuma diretriz, nem espera para avançar. Ela pode e deve acontecer imediatamente.”

Arcebispo Socrates Villegas, Presidente da CBCF (9 de abril de 2016)

Convém lembrar que o Magistério da Igreja não mudou neste domínio, nem pode mudar. Deste modo, dar a comunhão pode significar oferecer a condenação.

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Roma


CaravaggioSalomeLondon
Caravaggio, 1607

A partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”

Um pouco por todo mundo, os católicos ainda tentam interpretar as ambíguas palavras da exortação apostólica, Amoris Laetitia, mas a partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”. Enquanto isso acontece, a maior parte dos católicos continuam a fazer como a Salomé, virando a cara para o lado…

O Pe. Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, publicação jesuíta aprovada pela Santa Sé, explica claramente, na última edição desta revista, as inovações doutrinais/pastorais previstas na exortação apostólica “A Alegria do Amor”. Para comprovar que não se trata de um mal-entendido, ou de um abuso editorial do Pe. Spadaro, as suas explicações são posteriormente reproduzidas, também pela Radio Vaticano, em diversas línguas.

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Rádio Vaticano, 12/04/2016

ENTREVISTADOR: Isto não significa que exista uma verdade, mas depois, na prática se pode fazer rasgos na regra?

SPADARO: “Uma vez o Papa disse, escandalizando um pouco, que a verdade é relativa. O que ele quis dizer? Não que a verdade não seja absoluta, mas que é relativa às pessoas, ou seja, se não existe o ser humano, a verdade evangélica permanece sozinha, isolada, inútil. Portanto, o discernimento consiste em compreender, como a verdade evangélica se encarna concretamente na minha existência, na minha pessoa”.

ENTREVISTADOR: Sobre a situação das famílias feridas, aquelas situações consideradas “irregulares”, como diz o Papa Francisco, o documento sublinha a importância de não colocar limites à integração….

SPADARO: “O Papa sempre insistiu sobre a necessidade de integrar também aqueles que não estão em grau de viver na plenitude da vida cristã. E a Igreja mãe, a Igreja misericordiosa, é exatamente isto: uma Igreja que acolhe os seus filhos. Isto significa que uma norma canónica não pode ser aplicada sempre, contudo, em todos os casos, em qualquer situação, precisamente porque existe a consciência. Portanto, às vezes se está em uma situação de pecado objetivo – diríamos – onde, porém, não existe uma consciência objetiva. Assim, um juízo objetivo sobre uma situação subjetiva, não implica um juízo sobre a consciência da pessoa envolvida. Esta é uma passagem muito importante porque salienta a consciência e porque não coloca mais um limite à integração, nem mesmo à sacramental”.

(in Radio Vaticano, 12/04/2016)

Ou seja, a Verdade é relativa. Existe uma Verdade, que nos foi revelada através da Sagrada Escritura e da Tradição, mas o mais importante é mesmo a consciência individual… O que cada um pensa ou deixa de pensar, num determinado momento da sua vida, sobrepõe-se à Verdade de Deus.

É caso para dizer que alguém perdeu a cabeça…

Basto 4/2016

Resposta a todas as dúvidas do momento – simples e pragmática

O Magistério da Igreja Católica, em matérias de matrimónio, família e amor conjugal, foi sujeito a uma avaliação, durante todo o processo sinodal que agora se encerra. Desde as paróquias, passando pelas dioceses e pelas conferências episcopais, até às duas assembleias sinodais, todos os fieis foram chamados a pronunciar-se sobre várias questões relacionadas com o tema da família. Foram levantadas e debatidas várias questões controversas, algumas por iniciativa do próprio Santo Padre, as quais colocaram em causa a continuidade da hermenêutica tradicional do Magistério da Igreja.

Finalmente, o Papa Francisco publicou a exortação apostólica, Amoris Laetitia, e todas as questões levantadas deveriam estar agora esclarecidas, mas as dúvidas persistem, dada a variedade de interpretações a que o documento se presta.

Neste momento, um pouco por todo o lado, pergunta-se o seguinte:

  • O adultério é ainda um pecado mortal?
  • E a prática de relações homossexuais?
  • O pecado mortal ainda conduz ao inferno?
  • Será que o inferno existe mesmo?
  • Deve-se comungar quando se vive objetivamente em situação de pecado mortal?
  • Os chamados “percursos de discernimento pessoal e pastoral” são também para os “recasados” pela 2ª e 3ª vez? Qual é o número máximo de “recasamentos” admissível nesta solução pastoral?
  • Os pecados podem ser absolvidos a quem não se arrepende ou não tenciona corrigir a situação pecaminosa em que se encontra?
  • São João Batista teve um coração duro em relação a Herodes e Herodíade?
  • Henrique VIII e Ana Bolena não receberam misericórdia de São Tomás Moro? Nem o acolhimento de São João Fisher?

A “teóloga” Vicky Pollard ajuda-nos, de uma forma simples e pragmática, a perceber a nova resposta para todas estas e outras questões semelhantes.

Tradução: Sim, mas não, mas sim, mas não, mas sim, mas não, mas…

Ou em alternativa, de forma não menos simples nem menos pragmática, podemos seguir o tradicional Magistério da Igreja, nestas e noutras questões morais, doutrinais ou pastorais, cuja resposta foi sempre bem clara e segura.

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Portugal

Henrique VIII e Ana Bolena
Henrique VIII e Ana Bolena (Friedrich Pecht, 1900)

Afinal de contas, o que disse o Santo Padre?

Presidente e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) fizeram, aparentemente, leituras diferentes da exortação apostólica Amoris Laetitia, no que concerne ao tema fraturante da possibilidade de admitir os divorciados “recasados” à comunhão sacramental.

Não é que não estivéssemos já à espera que algo semelhante a isto pudesse vir acontecer, dada a natureza do texto, mas agora está à vista. Até parece que chegaram duas exortações apostólicas diferentes a Portugal. Mas o que se passa no nosso país não deve ser muito diferente do que está a acontecer por esse mundo fora, nestes dias.

Já aqui tínhamos referido que o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, presidente da CEP, não encontrou no texto qualquer abertura à comunhão para os divorciados “recasados”. Mas foi mais além, ao notar que, no âmbito das possibilidades pastorais sugeridas pela exortação apostólica para melhorar a integração dessas pessoas,  não consta a prática “sacramental”, mas apenas práticas do âmbito “litúrgico, pastoral, educativo e institucional”. Na sua opinião, essa possibilidade foi omitida no texto propositadamente por não ser considerada.

Todavia, D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima e vice-presidente da CEP, mostrou-se “agradavelmente surpreendido” com as mudanças que o Santo Padre promove com a exortação apostólica. Este bispo entendeu, a partir da leitura do documento, que o “Papa Francisco, de modo genial, introduziu uma mudança da disciplina sem pôr em causa a doutrina sobre o matrimónio e a família” na qual, no caso dos divorciados “recasados”, “abre mesmo uma janela para a possibilidade da ‘ajuda dos sacramentos’ da Reconciliação e da Eucaristia em certos casos”. Não estabelece uma  “regra geral”, mas propõe “percursos personalizados de discernimento pessoal e pastoral, com vários momentos, para a melhor integração na vida da comunidade com a ajuda da Igreja”. Mas isso não seria a aplicação da ‘via kasperiana’, amplamente rejeitada pelos Padres Sinodais?

Convém salvaguardar que as notícias acima referidas são curtas e produzidas em contextos específicos, carecendo de informação adicional, e portanto devem ser avaliadas com alguma prudência. No entanto, atendendo às notícias do ano passado, bem como aos seus protagonistas, assim à primeira vista, parece-nos que o Santo Padre não apagou o lume que ele próprio acendeu na Igreja Portuguesa e no mundo católico em geral. Continua arder e ninguém percebeu ainda muito bem até onde é que este brasume pode alastrar, e que consequências terá.

Se Papa Francisco tivesse pedido a colaboração do Papa Emérito na redação do texto da exortação apostólica, a sua imagem de humildade, que o mundo lhe atribui, sairia grandemente beneficiada. Tenho a certeza de que Bento XVI daria o melhor de si para o ajudar e todos teríamos ficado a ganhar.

Basto 4/2016

Mr. Ivereigh e os fariseus católicos

Austen Ivereigh, o co-fundador do Catholic Voices, é um jornalista e escritor inglês que, entre outras coisas, escreveu um livro biográfico sobre o Papa Francisco intitulado “Francisco, o Grande Reformador”. Ele está convicto de que conhece bem o Santo Padre e os seus objetivos, e nós esperamos que ele tenha feito um grosseiro erro de análise, para o bem da própria Igreja.

pensador revolucionário
Frase retirada do vídeo promocional do livro “Francisco, o Grande Reformador”

Logo à partida, o título do seu livro é pouco ingénuo e de mau gosto quando faz uma evidente analogia ao grande heresiarca revolucionário excomungado pelo Papa Leão X em 1521.

Lutero, o grande reformador.jpg

Depois percebemos, a partir das suas afirmações públicas, como este senhor concebe o Papa Francisco e a Igreja Católica e, com efeito, sabendo que ele não trabalha para os Monty Python, este livro já mete medo ainda sem ser lido. Esperemos que o autor esteja redondamente enganado relativamente ao Papa Francisco porque, caso contrário, o problema será muito maior.

Entre outras coisas, de acordo com a Agência Ecclesia, ele diz que a comunicação na Igreja deve primeiro defender a pessoa, “a vítima”, e depois a doutrina. Pois, mas – sabemos nós que – a doutrina foi-nos revelada precisamente para defender a pessoa, vítima do próprio pecado. Se a pessoa acreditar na doutrina, arrepende-se, reconcilia-se com Deus e salva-se. Portanto, nada melhor para defender a pessoa, no seu todo, do que a própria doutrina.

E continua:

Quando quiseres explicar a opinião da Igreja, quando quiseres responder a uma crítica à Igreja, não comeces com a doutrina, com o desejo de defender o ensinamento da Igreja porque vai sublinhar a marca do farisaísmo.

(in Agência Ecclesia, 01/04/2016)

Nada poderia estar mais errado! A doutrina de Jesus Cristo foi revelada precisamente em oposição ao farisaísmo, primeiro pelo próprio Cristo e depois pelos seus apóstolos até hoje.

E exemplificando com o Sínodo dos Bispos sobre a Família, Austen Ivereigh, explicou que no desenrolar dos trabalhos parecia que mostrar “demasiada misericórdia num contexto do relativismo” poderia parecer uma traição à doutrina da Igreja, o que para ele é uma evidência de que “existe um farisaísmo dentro da Igreja, dentro de nós”.

Isto é disparate atrás de disparate, pois o relativismo é exatamente aquilo que nos leva a duvidar da necessidade da verdadeira misericórdia de Deus, da necessidade do arrependimento e reconciliação com Ele. Uma necessidade que nos é afirmada na própria doutrina. Foi este relativismo que a Igreja combateu e derrotou durante o Sínodo da Família. Um relativismo introduzido pela seita minoritária, alinhada com o herético Cardeal Kasper, a qual se propunha a falsificar a infinita misericórdia de Deus e a Sua justiça.

As afirmações acima transcritas foram proferidas em Fátima, no âmbito de uma apresentação enquadrada nas II Jornadas Práticas sobre Comunicação Digital. Até podiam ser uma brincadeira do dia 1 de abril, mas não parece que sejam, infelizmente.

Basto 4/2016

Aumenta a procura da nulidade matrimonial em Portugal

Os primeiros frutos da “nova pastoral” da família

Como Portugal se localiza no Hemisfério Norte, o Equinócio da Primavera registou-se ainda há menos de três semanas, no entanto, o clero português já começou a colher os primeiros frutos das reformas introduzidas pelo Papa Francisco.

Os tribunais eclesiásticos portugueses estão a registar «uma maior afluência de pedidos» de nulidade matrimonial, depois das alterações processuais introduzidas pelo Papa Francisco, em vigor desde 8 de dezembro do ano passado, de acordo com a informação do cardeal-patriarca de Lisboa. Esta grande “reforma” foi introduzida precisamente no dia da Solenidade da Imaculada Conceição de Maria – o que, em si, já é um facto curioso – e está produzir um efeito amargo que é o do aumento dos pedidos de nulidade do casamento.

Aparentemente, as dioceses portuguesas começam agora a ter mais pessoas preparadas para acompanhar esses casos, do ponto de vista canónico, médico e psicológico, e dar resposta a “uma realidade que não era tão procurada”. Esperemos que a aplicação deste simplex não se chegue ao ridículo, conforme acontece noutras partes do mundo, onde se encontra facilmente, na internet, uma espécie de “empresas diocesanas” especializadas na “anulação do casamento católico”. Aí pode-se encontrar facilmente os impressos necessários para contratar um serviço de “anulação do casamento”, e depois eles tratam de tudo.

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catholicannulment.us

Convém relembrar que um casamento católico não é passível de ser anulado, apesar de toda a propaganda que tem sido feita à volta deste conceito e que cria falsas expectativas nos esposos que vivem crises matrimoniais. A anulação ou “divórcio católico” não existe. O que existe, é a verificação de uma eventual nulidade do casamento, ou seja, comprovar que determinado casamento não aconteceu de facto porque não foram cumpridos um conjunto de critérios básicos para validar aquele sacramento. Estamos a falar de casos tão invulgares e, de certo modo, complexos, que devem ser mantidos no âmbito da excepcionalidade e avaliados muito cuidadosamente pelas autoridades da Igreja.

A simplificação destes processos, por si só, associada ao mediatismo promovido em torno desta iniciativa, conduz obviamente ao aumento da procura desta solução por muitas pessoas que vivem crises matrimoniais. Mas do que é que se estava à espera?

Como na esmagadora maioria dos casos – esperemos que assim seja – os processos são indeferidos, eles podem, em si, constituir novas feridas matrimoniais que terão de ser carregadas pelos esposos ao longo da vida.

Uma falsa nulidade matrimonial é bem pior do que um divórcio, independentemente desta ser validada ou não pelas autoridades eclesiásticas. As habilidades processuais, se existirem, podem enganar toda gente menos uma pessoa, Aquela perante a qual teremos um dia de responder.

Que bom que seria se o Santo Padre fosse assim tão pragmático a apresentar soluções simples e claras, por exemplo, para as pessoas que vivem em adultério ou relações homossexuais. Isso é que seria bom para “proteger a família”.

Basto 4/2016