Exortação Apostólica – os sinais de um desastre anunciado

A apenas algumas horas da publicação da exortação apostólica pós-sinodal, “A Alegria do Amor”, marcada para amanhã, dia 8 de abril, pelas 11:30 (hora de Roma), os sinais são todos preocupantes. Que Nossa Senhora de Fátima nos ajude nesta hora derradeira.

 

1. Os apresentadores

Apesar de a esmagadora maioria dos Padres Sinodais, nas duas sessões realizadas, ter-se expressado inequívocamente no sentido da preservação do tradicional entendimento católico sobre família e o casamento, não constam entre os apresentadores da exortação apostólica algum defensor da integridade da doutrina tradicional da Igreja. Deste modo, quem estará presente na apresentação da Amoris Laetitia será, respetivamente, o Cardeal Baldisseri, o Cardeal Schonborn e um casal de leigos formado por Francesco Miano e Giuseppina de Simone.

apresentadores

a) O Cardeal Baldisseri tornou-se conhecido pela forte manipulação do Sínodo de 2014 em favor da herética e minoritária fação kaspariana, facto que daria origem à revolta do Cardeal Pell. Baldisseri terá sido também, pelo que se diz por aí, o responsável pelo desaparecimento dos livros “Permanecer na Verdade de Cristo” que defendiam a doutrina católica sobre a família e se destinavam aos Padres Sinodais.

b) O Cardeal Schonborn defende abertamente a admissão de adúlteros à Sagrada Comunhão. Terá sido também ele que, alegadamente, esteve por trás da manobra para reconhecer “elementos positivos” nas “uniões homossexuais”.

c) O casal Francesco Miano e Giuseppina de Simone é composto por dois académicos italianos. Ele é um filósofo especializado em ética e moral, e ela é uma moderna teóloga. Não são garantia de defesa dos valores tradicionais da Igreja.

2. “A Aliança Perdida”

O Papa recebeu, durante a audiência geral desta semana, na Praça de São Pedro, um grupo de elementos da associação “L’Anello Perduto”, apenas a dois dias da publicação da exortação apostólica sobre a família. Trata-se de uma associação de apoio a divorciados civilmente recasados, da diocese italiana de Fossano.

3. O otimismo kasperiano

O herético Cardeal Kasper, considerado por muitos como o teólogo do Papa, tem-se mostrado certo de que o Santo Padre irá introduzir as suas heresias na exortação apostólica, apesar destas terem sido veemente rejeitadas pelos Padres Sinodais.

 

4. O manual de instruções

Numa carta enviada a todos os bispos do mundo, o Vaticano pretende preparar os fiéis de todas as dioceses para o conteúdo da exortação apostólica. Isto faz temer, à partida, algum conteúdo de difícil digestão, caso contrário, por que razão haveria necessidade de dar aos bispos pistas para interpretação da exortação apostólica? A secretaria-geral do Sínodo pede aos bispos que, nas suas dioceses, apresentem publicamente a exortação do Papa, informando que esta “não pretende mudar”, mas sim “recontextualizar” (?) a doutrina do Evangelho sobre o matrimónio e a família…

 

5. Os ausentes

Para já, e que se saiba, não estará presente algum dos cardeais que defenderam publicamente a doutrina tradicional da Igreja sobre moral e casamento durante os trabalhos do Sínodo da Família. Mas entre os grandes ausentes, destaca-se o Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O mesmo que, pelo que se sabe, apresentou uma proposta de cerca de 40 páginas com sugestões de revisão ao documento.

 

6. As indicações inconclusivas do Santo Padre

Ao longo dos últimos tempos, o Santo Padre tem dado a entender que algumas questões devem ser descentralizadas e resolvidas a nível local, pelas conferências episcopais ou pelos bispos individualmente. Tem dito também que deve haver um “caminho” de “integração” dos divorciados recasados – podemos presumir que seja – em direção à comunhão eucarística, contudo, nunca refere a necessidade de conversão dessas pessoas, a necessidade de verdadeira reconciliação com Deus que só pode ser através da rejeição do adultério.

 

Conclusão

Ninguém espera um apelo do Papa Francisco à mudança doutrinária  sobre a moral familiar ou o Matrimónio. No entanto, muitos temem que a adulteração doutrinária possa vir a acontecer, na prática, através de uma transferência da autoridade moral para esferas regionais ou locais. Ou (e) ainda pela via pastoral, admitindo, na prática, que esta seja diferente da doutrina, o que seria aberrante e desolador.

Se a doutrina moral se descentralizar, a Igreja acabará por ruir. A moral e os dogmas não podem ser modificados localmente. O que é pecado num lugar, não deixa de o ser no outro, e o acesso à comunhão não pode ser feito quando alguém se encontra objetivamente e situação de pecado grave, como é o caso do adultério. Por outro lado, essa situação daria origem à criação de offshores onde o pecado passaria a ser considerado lícito, dependendo da abundância de misericórdia episcopal locais… Uma loucura, o caos!

Pregar uma coisa e admitir outra, contrária à que se ensina, também não faz sentido nenhum. A pastoral tem de ser o reflexo da doutrina, sempre assim foi e será.

A aprovação da possibilidade de dar a comunhão a divorciados “recasados”, ainda que remetida para a categoria de eventualidade, e para depois de um longo “percurso penitencial”, por exemplo, encerraria completamente o caminho da verdadeira conversão. Ou seja, eliminaria qualquer esperança de regularização do status matrimonial das pessoas que vivem em adultério, afastá-las-ia da reconciliação, conduzindo-as, em última análise, à condenação eterna.

 

O que fazer a partir de amanhã?

a) No melhor dos cenários, o mais provável apesar de todos os sinais negativos que vemos no horizonte, aliamos-nos ao Santo Padre na defesa da doutrina tradicional da Igreja, do matrimónio e dos valores morais cristãos.

b) Se o pior acontecer, o que apesar de tudo é ainda bastante improvável, a partir de amanhã, não haverá dúvidas de que esse desastre estava previsto no Segredo de Fátima desde 1917. Um cenário que obrigará a Igreja Militante a resistir com todas as forças e a rezar para que o Espírito Santo guie o Santo Padre pelo caminho de Deus. O mesmo caminho que nos foi revelado através das Sagradas Escrituras e dos cerca de 2000 anos de Tradição da Santa Igreja Católica e Apostólica.

Neste cenário, as orações e a penitência terão de ser também conduzidas, de forma prioritária, para todos aqueles que cairão nas malhas diabólicas da falsa doutrina ou – se quisermos – da falsa pastoral.

Como Sugere o Pe. John Hunwicke (ex-padre anglicano que agora é padre católico):

Nós, na Igreja Anglicana, vimos o que aconteceu quando a “Autonomia Provincial” foi autorizada a passar por cima da Doutrina, da Tradição, da Bíblia… e até mesmo do Dominical Imperativo da Unidade. É uma experiência muito desagradável e miserável. Qualquer tentativa de introdução de algo remotamente semelhante a isto, ou qualquer coisa que possa funcionar como um primeiro passo para algo remotamente semelhante a isto, na Igreja Católica, deve ser rejeitada por qualquer e todos os meios de resistência que os católicos ortodoxos têm ou podem conceber.

Como ex-anglicano, eu aviso: décadas de guerras internas, no seio da Igreja, em torno deste assunto, é exatamente o que a Igreja Militante pode prescindir. Esta questão pairou como uma sobra escura sobre a minha cabeça, para a maior parte do meu ministério sacerdotal na Igreja Anglicana. Qualquer tentativa de qualquer pessoa [ênfase no original] de infligir uma ferida semelhante nos méritos da Igreja Católica, como o Cardeal Burke propôs, Resistência com recurso as todas as formas necessárias, e com tanto vigor como a Graça de Deus nos dá.

Fiquemos sempre do lado da Verdade, e com confiança, porque já sabemos que neste “confronto final entre Deus e Satanás [que] será sobre a família e a vida”, a Verdade acabará por prevalecer.

“18Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.”

(Mateus, 16)

 

Basto 4/2016

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