Exortação apostólica – a incerteza continua…

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Alguns resultados apresentados no Google Notícias a meio da tarde de dia 8 de abril, em Portugal.

Por que razão os diferentes jornais conseguem ver coisas tão diferentes e até opostas no discurso do Santo Padre?

Um texto de 200 páginas, para quem já o leu, deveria chegar para esclarecer todas as dúvidas morais, doutrinárias e pastorais que se levantaram desde o início dos trabalhos sinodais. Todos conhecemos bons padres que o fariam bem em menos de uma página, e tenho a certeza de que, mais ou menos satisfeitos, todos sairiam esclarecidos. Aliás, relativamente às perguntas mais controversas que circulam nos jornais, um “sim” ou um “não” seriam suficientes, podendo acrescentar-se algumas referências ao catecismo ou à Sagrada Escritura, nas páginas seguintes.

À primeira vista, parece-nos que, mais do que encerrar o debate entre a Verdade e as doutrinas diabólicas que se foram introduzindo nos trabalhos sinodais, o dia de hoje deixou várias questões em aberto e a certeza de mais angústia para os próximos tempos. Por um lado, a angústia daqueles que temem a destruição da Igreja através da introdução de exotismos anti-cristãos na doutrina e na pastoral e, por outro, a angústia daqueles que, encontrando-se em situações gravemente pecaminosas, continuarão a alimentar uma vã esperança de aprovação (ou pelo menos aceitação) da sua condição irregular, sem necessitarem de mudar de vida. No caso concreto do acesso à comunhão por parte dos divorciados, não foi ainda dada uma resposta suficientemente esclarecedora e definitiva.

D. Manuel Clemente, em conferência de imprensa no Patriarcado de Lisboa, declarou que “o Papa, em termos de decisão, não quer expressamente adiantar novidades”.

Sublinhou ainda que o documento “vai exigir muita aplicação pastoral”, repetindo que “o papa não quer adiantar novidades”. Com efeito, todas as angústias daqueles que anseiam ou temem o pior terão mesmo continuar futuramente, sendo agora transferidas para o plano pastoral.

Resumindo, a exortação foi publicada, apresentada e explicada, mas o calvário da incerteza irá continuar enquanto Deus o permitir.

Ainda bem que o líder da Igreja Portuguesa, ao fim de “quatro ou cinco horas” a estudar o documento (!), compreendeu-o como uma reafirmação da doutrina de sempre, e de certeza que não terá sido o único, graças a Deus. Mas será que todos os outros bispos do mundo o entenderam dessa forma? Amanhã ou depois veremos…

 

Basto 4/2016

 

4 thoughts on “Exortação apostólica – a incerteza continua…

  1. Obrigado por ter visitado o meu blog e deixado um comentário.

    A propósito da “Exortação da abominação”, compreendo muito bem angústia que sente e compartilhei-a durante os passados 985 dias – curiosamente até ontem, dia da publicação da exortação.

    Eles não vão conseguir destruir a Igreja porque Jesus assim o prometeu, mas farão (e tem feito) muitos estragos.

    Muitos, a coberto desta exortação, vão “comer e beber a sua própria condenação”.

    A nós cabe-nos cumprir a vontade de Deus nas nossas vidas. Não precisamos desta exortação para saber o que é o bem e o que é o mal – temos as Sagradas Escrituras, a Tradição e o Magistério dos anteriores 265 Papas. Não precisamos da Exortação para saber que não devemos viver em pecado, nem aproximar-nos da comunhão em pecado mortal. Não precisamos da Exortação para saber que Deus quer que nós demos a vida pelas nossas famílias.

    Portanto, a minha Exortação apostólica é a seguinte: oração, penitência, reparação, boas obras, apostolado (especialmente junto daqueles que Deus colocou nas nossas vidas) e, sobretudo, Fé.

    Deus é o Senhor da História e a sua Providência nos concederá abundantemente tudo aquilo de que necessitamos para viver de acordo com a sua vontade até ao nosso último suspiro.

    Como diz um blogger espanhol (citando um dos Santos): Santidade ou Morte.

    • Obrigado João, da minha parte, pode contar com visitas diárias ao seu blogue. É uma raridade nacional, apesar de postar em Inglês. O nosso país, como o mundo em geral, anda completamente cego de fascínio com todo este circo que agora vivemos.

      Não quero desanimá-lo, mas estou profundamente convicto de que isto ainda vai piorar muito, mas mesmo muito mais, antes de melhorar. Oxalá eu esteja enganado. Abraço.

    • Caro JB, temos de admitir que não deve ser fácil digerir uma resma de texto como aquela só de uma assentada. Depois, e apesar de possuir um conhecimento bastante curto acerca de D. Manuel Clemente, parece-me uma pessoa muito apaziguadora, contida e prudente, embora assertiva. Não me parece possuir aquele tipo de perfil capaz de gerar ondas como, por exemplo, os cardeais Burke, Sarah, Schneider ou ainda os polacos. Penso que a opinião chave deverá vir do Cardeal Muller, quando este disser alguma coisa, uma vez que é ele o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

      Agora, aqui entre nós, se calhar o ponto 301 tem muito que se lhe diga…

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