Mr. Ivereigh e os fariseus católicos

Austen Ivereigh, o co-fundador do Catholic Voices, é um jornalista e escritor inglês que, entre outras coisas, escreveu um livro biográfico sobre o Papa Francisco intitulado “Francisco, o Grande Reformador”. Ele está convicto de que conhece bem o Santo Padre e os seus objetivos, e nós esperamos que ele tenha feito um grosseiro erro de análise, para o bem da própria Igreja.

pensador revolucionário
Frase retirada do vídeo promocional do livro “Francisco, o Grande Reformador”

Logo à partida, o título do seu livro é pouco ingénuo e de mau gosto quando faz uma evidente analogia ao grande heresiarca revolucionário excomungado pelo Papa Leão X em 1521.

Lutero, o grande reformador.jpg

Depois percebemos, a partir das suas afirmações públicas, como este senhor concebe o Papa Francisco e a Igreja Católica e, com efeito, sabendo que ele não trabalha para os Monty Python, este livro já mete medo ainda sem ser lido. Esperemos que o autor esteja redondamente enganado relativamente ao Papa Francisco porque, caso contrário, o problema será muito maior.

Entre outras coisas, de acordo com a Agência Ecclesia, ele diz que a comunicação na Igreja deve primeiro defender a pessoa, “a vítima”, e depois a doutrina. Pois, mas – sabemos nós que – a doutrina foi-nos revelada precisamente para defender a pessoa, vítima do próprio pecado. Se a pessoa acreditar na doutrina, arrepende-se, reconcilia-se com Deus e salva-se. Portanto, nada melhor para defender a pessoa, no seu todo, do que a própria doutrina.

E continua:

Quando quiseres explicar a opinião da Igreja, quando quiseres responder a uma crítica à Igreja, não comeces com a doutrina, com o desejo de defender o ensinamento da Igreja porque vai sublinhar a marca do farisaísmo.

(in Agência Ecclesia, 01/04/2016)

Nada poderia estar mais errado! A doutrina de Jesus Cristo foi revelada precisamente em oposição ao farisaísmo, primeiro pelo próprio Cristo e depois pelos seus apóstolos até hoje.

E exemplificando com o Sínodo dos Bispos sobre a Família, Austen Ivereigh, explicou que no desenrolar dos trabalhos parecia que mostrar “demasiada misericórdia num contexto do relativismo” poderia parecer uma traição à doutrina da Igreja, o que para ele é uma evidência de que “existe um farisaísmo dentro da Igreja, dentro de nós”.

Isto é disparate atrás de disparate, pois o relativismo é exatamente aquilo que nos leva a duvidar da necessidade da verdadeira misericórdia de Deus, da necessidade do arrependimento e reconciliação com Ele. Uma necessidade que nos é afirmada na própria doutrina. Foi este relativismo que a Igreja combateu e derrotou durante o Sínodo da Família. Um relativismo introduzido pela seita minoritária, alinhada com o herético Cardeal Kasper, a qual se propunha a falsificar a infinita misericórdia de Deus e a Sua justiça.

As afirmações acima transcritas foram proferidas em Fátima, no âmbito de uma apresentação enquadrada nas II Jornadas Práticas sobre Comunicação Digital. Até podiam ser uma brincadeira do dia 1 de abril, mas não parece que sejam, infelizmente.

Basto 4/2016

2 thoughts on “Mr. Ivereigh e os fariseus católicos

  1. Chamar fariseu a quem luta contra as propostas kasperitas é uma contradição.

    Os fariseus é que defendiam o divórcio e foi em “diálogo” com eles que Jesus afirmou “Se alguém se divorciar da sua mulher – excepto em caso de união ilegal – e casar com outra, comete adultério.»

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