Hostage to the Devil – o documentário baseado na obra homónima de Malachi Martin

O controverso livro “Hostage to de Devil” (Reféns do Diabo) foi um best seller do jesuíta irlandês Malachi Martin. Trata-se de uma obra literária onde o padre descreveu pormenorizadamente cinco casos de vítimas de possessão demoníaca que conhecera no exercício do cargo de exorcista auxiliar. De acordo com o autor, os protagonistas são pessoas reais que ele acompanhou durante a realização de exorcismos que estão documentados em muitas horas de registos gravados em fita magnética. As identidades das personagens do seu livro foram modificadas de modo a salvaguardar a privacidade das pessoas.

hostage

O fascínio gerado em torno do livro fez com que o Pe. Martin fosse, por diversas vezes, convidado para entrevistas públicas versadas sobre o tema da possessão demoníaca. No entanto, este livro desmistifica alguns dos exageros “hollywoodescos” em torno desta matéria e explica em que consiste realmente uma possessão demoníaca, do mesmo modo que pretende mostrar a impreparação da Igreja atual para lidar com os casos de possessão que, alegadamente, têm aumentado de modo exponencial. Por outro lado, o livro põe em evidência os desígnios que Satanás tem para mundo e para o género humano, com os quais a Igreja atual tem de se confrontar nesta batalha final.

Hostage to the Devil é um dos mais polémicos livros escritos por um autor controverso. Uma leitura fascinante mas desaconselhável para se ter ao lado da cama.

O livro dá agora origem a um filme documental com o mesmo título, no qual se reproduzem registos áudio e videográficos do próprio Pe. Malachi Martin.

Controvérsias à parte, este documentário promete ser bastante interessante.

Basto 9/2016

55 thoughts on “Hostage to the Devil – o documentário baseado na obra homónima de Malachi Martin

  1. Muito interessante esse assunto! Vale a pena ser divulgado. No Brasil, por exemplo, os padres não sabem quase nada sobre exorcismos e possessão.
    Você sabe se o que o Pe. Malachi Martin diz sobre possessão concorda ou coincide com o que diz o Pe. Gabriele Amorth?

    • Não faço ideia Alex, mas é provável que sim!

      Em Portugal, um dos nomes que associamos a esta questão é o do Pe. Sousa Lara, de Lamego, que foi discípulo do Pe. Gabriele Amorth, em Roma.
      http://ionline.sapo.pt/392261

      Mas, curiosamente, é um padre bastante jovem. Normalmente vemos a questão dos exorcismos, assim a demonologia em geral, associada à velha escola, a da tradição… Daí a estranheza!

      • Leia todos os livros do Pe Gabriele, que foi discípulo de um famoso exorcista de Roma. No compendio de mística e ascética – adolph tanquerey encontra-se uma síntese perfeita de todos os escritos dos místicos católicos desde os primeiros séculos cristãos até o sec xx. Lá vc vai encontrar todas as orientações de como reconhecer a ação do mal ( diagnostico) como a cura. Tb há orientações sobre como reconhecer se um dom é autentico ou falso desde extases até estigmatizações. aqui no Brasil há sacerdotes com carisma de libertação e outros canonicamente autorizados como exorcistas das dioceses. Nem sempre as duas coisas coincidem….Conheci pe Jose de Dourado – SP;Pe Markus Prim de farol no PR; pe Gerson da cidade de Iaras -SP; Pe MArcelo Rossi tem um forte carisma exorcistico; Pe gianpietro fundador da missão Belém – SP; pe antonello; pe Eli de Anápolis – GO tem um carisma de libertação; alguns monges da Santa Cruz de Anápolis e Guaratinguetá ( Obra dos Santos Anjos); de leigos que ajudam sacerdotes e tem carisma de libertação conheci dna Maria Gabriela de Oliveira de São Paulo ( não atende mais, só clero. Alias Pe Elias Vella e o Pe fortea, qdo vão a São Paulo sempre passam na casa desta senhora. vários casos dela passaram pelo padre Rufus Pereira qdo esteve no Brasil.) Acho que cada pessoa envolvida profundamente na Igreja e que é aberta a esse assunto deve conhecer algum leigo ou padre que tem esse dom.

      • O Pe. Gabriele (Amorth, suponho) era a grande referência mundial nesta área. O espanhol Pe. Fortea é também bastante conhecido.
        Entretanto já adquiri o livro do Pe. Martin, em português, não ficou nada barato.

  2. Conheço o Pe. Sousa Lara da internet, bem como os sites dele na internet, inclusive o canal dele no Youtube, que anda meio sem atualização. De fato, ele tem ligações com o Movimento Carismático. Já reparei que ele tem recebido uma forte influência da Canção Nova, que é controversa do Brasil, mas é considerada pelos carismáticos brasileiros com autoridade máxima em assuntos relacionados ao movimento carismático. Ao meu ver isso é ruim, pois a Canção Nova é muito dada a certas manias culturais, a um estilo de evangelização que eu particularmente não gosto por causa dessas manias culturais brasileiras e outras coisas, mas não por causa do movimento carismático em si, que acho válido; também ele bastante comprometido no Brasil por motivos culturais.

    Esse texto sobre o Pe. Sousa Lara, eu também já o tinha lido. Eu o vi um tempo atrás no Google Plus do padre. Confesso me fascina a figura dos exorcistas, bem como o assunto dos exorcismos e da demonologia. Concordo com você que o desconhecimento dos padres brasileiros em relação ao assunto se deve ao seu afastamento da Tradição Católica. Não é ato que a Teologia da Libertação é fortíssima e dominante no Brasil e na América Latina.

    O site do Pe. Sousa Lara na internet:

    http://www.santidade.net/

    O canal dele no Youtube

    https://www.youtube.com/user/duartesousalara/videos

  3. No último vídeo postado no canal do Pe. Sousa Lara, dá pra ver a forte influência que ele tem recebido da Canção Nova. O estilo de evangelização é o mesmo da Canção Nova. Veja!

  4. Malachi Martin é um autor controverso, mesmo no universo dos tradicionalistas…

    O mercado da língua portuguesa é curto e há-de continuar assim enquanto cada nação lusófona insistir em ter a sua própria ortografia… Depois acabamos a ler coisas em espanhol!

    Em relação à Missa, que eu saiba, e tenho procurado bastante, há apenas uma celebração de rito tridentino (não sei se diária ou semanal) numa capela quase desconhecida em Fátima e num horário complicado da manhã.

    • Da parte que eu li, as páginas introdutórias desse livro acabam por ser as mais esclarecedoras, principalmente para gente como eu e como a maioria que não entende nada do assunto, embora não criem tanto entusiasmo quanto os capítulos que tratam especificamente dos casos descritos. Por exemplo, tratando dos diferentes graus de possessão demoníaca, o conceito de “perfect possession” (possessão perfeita) é algo que eu nunca tinha ouvido ou lido até Malachi Martin e, a meu ver, é das coisas mais intrigantes com que o ser humano se pode deparar.

      Essas páginas introdutórias explicam também que, apesar de não haver um padrão que possa caracterizar as pessoas que sofrem o sofreram de possessão, a não ser a aparente aleatoriedade, existem contudo fatores que potenciam a disposição pessoal para esse problema. Por exemplo, o recurso ao Método do Eneagrama.

      “Some of the most common disposing factors have been with us for a long time, while others are of more recent vintage. Some are in the nature of “instruments” outside the individual -the Ouija Board, for example, and the Spiritual Seance. Others are in the nature of “attitudes,” whether taught or self-learned, that are interiorized by the [ person-Transcendental Meditation and the Enneagram Method are two of the most prominent in this category.” (página 7)

      E agora, o que fazer com isto?

  5. Interessante esse conceito de possessão perfeita. Já tinha visto comentários de pessoas na internet falarem de possessão plena. Acredito que seja o mesmo conceito de possessão perfeita. Uma possessão em que a pessoa perde totalmente o controle das suas faculdades, se estiver correta a minha compreensão.

    Sobre o eneagrama, confesso que não sei do que se trata.

  6. De acordo com o Pe. Martin, corresponde a uma possessão total, no entanto as pessoas nessa situação não revelam aqueles típicos sinais exteriores como os grunhidos, as contrações, etc. Segundo ele, muitas dessas pessoas ocupam posições sociais muito altas.

  7. Já li algo parecido dito pelo Pe. Gabriele Amorth, que o demônio visa pessoas em altas posições sociais. O Pe. Paulo Ricardo também falou algo parecido em seu curso de demonologia. Ele disse que há pessoas que sofrem de possessão, mas que não apresentam os sinais clássicos de possessão.

  8. A informação do Pe. Amorth nesse artigo é semelhante àquela que o Pe. Martin transmitiu em algumas das suas entrevistas radiofónicas, aliás ele até vai mais longe ao admitir também nesse grupo também prelados católicos hierarquicamente importantes.

    Há ainda outra coisa a ter em conta neste âmbito (complementando o seu comentário anterior), “possessão demoníaca” é algo diferente de “obsessão.demoníaca”.

    https://padrepauloricardo.org/episodios/por-que-padre-pio-apanhava-do-demonio

    • Não sabia desse caso nem da existência dessa sociedade de exorcistas. De fato, os número precisam ser melhor entendidos no seu contexto sociológico e eclesiológico.

      • Isto para mim também é tudo novidade… Simplesmente reparei na notícia, uma vez que consulto regularmente aquele blogue desde há 2 ou 3 anos para cá.

  9. Basto, veja este vídeo novo daquela evangélica dos Açores. O vídeo exemplifica bem as denuncias que o Pe. Malachi Martin fazia contra o satanismo na sociedade americana. E hoje podemos estender essa denúncia a muitos outros países.

    “Ninguém vive longe de alguma área geográfica onde se pratica alguma forma de satanismo ritualístico”.
    “O satanismo ritualístico e sua consequência inevitável, possessão demoníaca, são agora parte integrante da atmosfera da vida na América”.

      • Bem, a notícia em inglês sobre a morte do Pe. Malachi Martin fala que ele morreu por uma queda que teria sido provocado por um demônio. O problema dessa notícia é ela ter relacionado o Pe. Malachi Martin ao roteirista do filme exorcista. A outra notícia que eu postei após essa fala da morte do roteirista do filme o Exorcista, que é outra pessoa e que a notícia anterior (do blog em inglês) confundiu com o Pe. Malachi Martin, mas o resto do relato sobre a morte do Pe. Malachi Martin está correto. Pelo menos, foi assim que eu entendi as duas notícias.

      • É isso Alex, tem razão, é uma equívoco do autor da notícia. Numa das entrevistas ao programa Art Bell, o padre refere-se a esse filme e confirma ser inspirado num exorcismo real documentado, mas fala dele com alguma distância e não como de um caso que ele tratou.

        Quando conversávamos hoje, eu estava de saída, com alguma pressa, e não tive tempo de ler o texto.

      • Tudo bem! Confesso que eu também estava de saída. Cheguei em casa há pouco. A propósito do filme O Exorcista, tem uma entrevista com um jesuíta em que ele conta que o caso real que inspirou esse filme foi tratado por dois padres jesuítas. Vou passar o link da entrevista para você. Veja!

        Em relação a questão do exorcismo, o que esse padre diz não é muito ortodoxo nem concorda com o que os atuais exorcistas dizem. De qualquer forma, não deixa de ser muito interessante.

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