Ele que era ela e ela que era ele

O nosso Santo Padre, a bordo do avião papal, provavelmente cansado depois de uma visita extenuante ao Cáucaso, ainda encontrou força suficiente para lançar mais alguma confusão doutrinal – ou se quisermos, pastoral – sobre os fiéis da Igreja que dirige. A surpresa seria se, para variar, o seu voo de regresso fosse calmo e sem escândalos a bordo.

Desta vez, acabou por fazer afirmações intrigantes acerca da transsexualidade e de outras coisas modernas, tecendo também alguns trocadilhos curiosos ao nível das questões de género. Talvez estes nos ajudem a perceber melhor o que o Santo Padre pretende dizer.

Ele que era ela

“No ano passado, eu recebi uma carta de um espanhol que me contava a sua história de criança e de jovem. Antes, era uma criança, uma jovem que sofreu muito. Ele se sentia menino, mas era fisicamente uma menina. Ele havia contado à sua mãe, dizendo que queria fazer a cirurgia. A mãe lhe pediu para não fazê-la enquanto ela estivesse viva. Ela era idosa, morreu logo. Ele fez a cirurgia, agora é funcionário de um ministério na Espanha. Ele foi ao encontro do bispo, e o bispo o acompanhou muito. Um grande bispo, esse.“Perdia” tempo para acompanhar esse homem. Depois, ele se casou, mudou essa identidade civil, e ele – que ela era, mas é ele – me escreveu que seria uma consolação ir ao meu encontro. Eu o recebi. Ele me contou que, no bairro onde ele morava, havia um velho sacerdote, o velho pároco, e havia o novo. Quando o novo pároco o via, ele gritava da calçada: “Você vai para o inferno!”. O velho, ao contrário, lhe dizia: “Há tempo tempo você não se confessa? Venha, venha…”. A vida é a vida, e as coisas devem ser tomadas como vêm. O pecado é o pecado. As tendências ou os desequilíbrios hormonais causam muitos problemas, e devemos estar atentos para não dizer que tudo é a mesma coisa: cada caso, acolhê-lo, acompanhá-lo, estudá-lo, discernir e integrá-lo. Isso é o que Jesus faria hoje. Por favor, agora não digam: “O papa vai santificar os trans!”. Já vejo as primeiras páginas dos jornais… É um problema humano, de moral. E deve ser resolvido como se pode, sempre com a misericórdia de Deus, com a verdade, mas sempre com o coração aberto.”

(Francisco aos jornalistas – tradução do Instituto Humanitas Unisinos)

“[…] ele – que ela era, mas é ele…[…]”? – Como?

“[…] esse homem. Depois, ele se casou […]”? – É intrigante constatar que o Santo Padre se refira ao casamento lésbico, nesta conversa, depois de, ainda há pouco tempo, ter afirmado que a maioria dos casamentos católicos são nulos. Mas, mais uma vez, quem somos nós para julgar?

“Isso é o que Jesus faria hoje”? – Jesus dizia “vai e não tornes a pecar”. Como a Sua doutrina é eterna, não muda ao sabor das modas, hoje tem exatamente a mesma validade de há 2000 anos.

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Ela, o Santo Padre e “ele – que ela era, mas é ele” (a partir de 2007  passou a ser ele, deixando de ser ela)

“Depois de ver o Papa, saí de cabeça bem erguida. Ouço missa e comungo. Leiam nas entrelinhas…”

(Transsexual Diego Neria ao Religión Digital, 26/09/2016)

Convém lembrar que o nosso Papa escolheu o dia 8 de dezembro de 2014 para telefonar ao ‘novo homem’, precisamente no mesmo dia em que os fiéis da Igreja por ele dirigida celebravam a solenidade da ‘nova mulher’ concebida sem mancha de pecado, a que esmagou a cabeça da serpente… Se isto não nos causa arrepios, então é porque devemos estar mesmo muito doentes.

Ela que era ele

Entretanto, também já quase ninguém se lembra do transsexual Isabel Lisboa que ficou famoso na Semana Santa de 2015. Contudo, este e outros escândalos papais, cobertos de um mediatismo exagerado e conhecido, ganham uma dimensão mundial e repercutem-se um pouco por todo o lado, principalmente quando nunca são corrigidos nem desmentidos. Uma pastoral duvidosa produz frutos pastorais de qualidade suspeita.

“Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé.”

(Transsexual Isabel Lisboa à TV2000it)

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O Santo Padre lava os pés a “ela – que ele era, mas é ela” (Missa Papal da Quinta-feira Santa de 2015).

O que pretenderá o Santo Padre com tantos exotismos pastorais? Levar as pessoas amarradas ao pecado homossexual e transsexual a afastarem-se da conduta mortal em que as suas almas caíram? Com o devido respeito, talvez esteja na altura de começar a questionar os métodos em função dos frutos que já estão à vista de todos.

Os frutos pastorais

São frutos exóticos aos quais nos vamos habituando.

Uma outra mensagem que marcou a viagem do Santo Padre à Geórgia e ao Azerbaijão surgiu quando ele alertou publicamente para o facto de se constatar atualmente uma “guerra mundial” contra a família e o matrimónio. Pois…

 

Basto 10/2016

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