Francisco proclama novo pecado: o “pecado contra o ecumenismo”

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Por Christopher A. Ferrara

Durante a sua viagem à Geórgia, um seminarista perguntou ao Papa Francisco “como podem católicos da Geórgia promover melhores relações com os ortodoxos.” A sua resposta ilustra como a novidade do “ecumenismo” tem debilitado, quase totalmente, a Igreja Militante:

Deixemos as coisas que são abstratas para os teólogos estudarem. O que devo eu fazer com um amigo que é ortodoxo?… Esteja aberto, seja um amigo… Nunca deve fazer proselitismo aos ortodoxos. Eles são nossos irmãos e irmãs, discípulos de Jesus Cristo, porém situações históricas complexas fizeram-nos assim… Amizade. Caminhar juntos, orar uns pelos outros, e fazer obras de caridade juntos quando se pode. Isto é o ecumenismo.

Portanto, o ecumenismo significa “ser amigo” e fazer boas obras juntamente com não-católicos, incluindo os ortodoxos cismáticos. Tudo o resto é apenas doutrina “abstrata” que os teólogos podem contornar enquanto o “ecumenismo” continua a sua marcha inexorável para lugar nenhum.

Contudo, a primazia do Papa como chefe da Igreja universal, que os ortodoxos rejeitam, não é uma abstração. É a vontade do próprio Deus que fundou a Igreja sobre a rocha de Pedro.

O dogma católico da absoluta indissolubilidade do casamento, para o qual os ortodoxos criaram exceções farisaicas convenientes, permitindo segundos e até terceiros “casamentos”, não é uma abstração. É a vontade de Cristo sobre uma realidade ontológica resultante de uma união sacramental.

A doutrina católica sobre o Purgatório, que os ortodoxos rejeitam, não é uma abstração. É uma verdade revelada sobre uma etapa da existência após a morte, que a Igreja Católica tem ensinado infalivelmente ao longo dos séculos.

O dogma católico do pecado original como consequência da culpa herdada de Adão, que os ortodoxos rejeitam, sustentando que somente a pena de morte é herdada, não é uma abstração. É uma verdade sobre a condição de queda do homem e sua necessidade de redenção.

O dogma católico da Imaculada Conceição, que os ortodoxos rejeitam porque também rejeitam a doutrina católica sobre o pecado original, não é uma abstração. É uma verdade revelada sobre a condição única da Virgem Maria entre toda a humanidade.

Finalmente, o mal do cisma e a necessidade, para a salvação, de “retorno à única e verdadeira Igreja de Cristo dos que dela estão separados” não é uma abstração. É uma verdade de Fé da qual depende o destino eterno das almas.

O próprio Nosso Senhor declarou: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” É a verdade que nos salva. Não o ecumenismo, a amizade ou mesmo as boas obras. Pois é por ouvir a verdade e pelo assentimento a essa mesma verdade que alguém recebe a graça da justificação. Assim fez o Papa São Pio X ao exigir dos seminaristas católicos, padres e teólogos o Juramento contra o Modernismo, que declara:

Estou absolutamente convicto e declaro sinceramente que a fé não é um cego sentimento religioso que emerge da obscuridade do subconsciente por impulso do coração e inclinação da vontade moralmente educada, mas o verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora “ex auditum” [pela pregação], pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente verdadeira, nós cremos em tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

 

Mas o Juramento contra o Modernismo foi abandonado após o Concílio Vaticano II, juntamente com a oposição da Igreja ao próprio modernismo.

Hoje, em nome do ecumenismo – um neologismo desprovido de significado concreto – as verdades da nossa religião foram substituídas por sentimentos enquanto a doutrina é posta de lado, até mesmo pelo Papa, como uma mera abstração para os teólogos para debaterem no seu lazer.

Como Francisco declarou na Geórgia: “Existe um pecado muito grave contra o ecumenismo: o proselitismo. Nunca devemos fazer proselitismo aos ortodoxos! “Um pecado contra o “ecumenismo“? Como pode uma novidade completamente desconhecida na vida da Igreja, antes de 1962, que emergiu de um movimento protestante condenado por Pio XI em 1928, ser tratado agora como se fosse um princípio de fé divina e católica? Tal é a crise que a Igreja agora enfrenta, nunca testemunhou nada semelhante anteriormente.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 5 de outubro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2016

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