“São” Martinho Lutero aparece no Vaticano

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Por Christopher A. Ferrara

A Irmã Lúcia de Fátima não estava a ser melodramática quando falou de “desorientação diabólica” na Igreja, à luz do Terceiro Segredo. Se essa frase não descreve os quase quatro anos do atual pontificado até agora, então as palavras perderam o seu significado.

Na sua totalidade, o mundo católico sabe agora que no dia 13 de outubro de 2016, no aniversário do Milagre do Sol em Fátima, o Papa Francisco ignorou Nossa Senhora e, em alternativa, comemorou Martinho Lutero perante uma audiência de luteranos numa “peregrinação ecuménica” na Sala de Audiências Paulo VI.

O grupo luterano, oriundo da Alemanha, era liderado por falsos clérigos luteranos, incluindo uma mulher de luterana em vestes clericais que parecia pensar que era uma bispa. Francisco parece pensar assim também, ao cumprimenta-la calorosamente com os outros falsos bispos luteranos, a quem ele se referiu explicitamente como bispos. Durante o evento, uma estátua do arco-herege partilhou o palco com Francisco – acrescentando mais um escândalo sem precedentes aos anais da tumultuada época pós-conciliar.

A audiência com luteranos fazia parte da preparação para a espantosa viagem de Francisco à Suécia, de 30 a 31 de outubro, onde irá “comemorar” a “Reforma” que destruiu a unidade da cristandade. Francisco vai participar num “serviço de oração” ecuménico com alguns dos falsos clérigos luteranos que aparentemente presidem a “Igrejas Luteranas” dentro da Federação Luterana Mundial. Estes órgãos, como é claro, são as organizações meramente humanas que devem a sua origem a um maníaco inimigo da Igreja e do papado que violou os seus votos sacerdotais, casou-se com uma freira, era um bêbado insolente, e foi excomungado depois de despejar uma corrente de erros infalivelmente anatematizados pelo Concílio de Trento.

É inconcebível que um Pontífice Romano pudesse, de algum modo, honrar a memória e o “legado” ruinoso daquele que foi o maior herege na história da Igreja Católica. Pior ainda, no entanto, é a aparente indiferença de Francisco perante a condição espiritual dos luteranos, que se encontram sem sacerdócio válido e, portanto, sem o sacramento da confissão ou a Sagrada Eucaristia.

A esse respeito, a audiência de 13 de outubro, sobre a qual escrevi extensivamente noutro sítio, é notável por esta declaração de Francisco à sua audiência luterana, referindo-se à correta abordagem perante as pessoas que não professam qualquer religião:

O que devemos dizer para convencê-los? Ouçam! A última coisa que devemos fazer é dizer: Você deve viver como um cristão – escolhido, perdoado e crescendo em virtude [in cammino, fig.]. Não é correto [lecito] convencer alguém com a sua fé. Proselitismo é o grande veneno contra o caminho do ecumenismo [aplausos].

A denúncia do “proselitismo” que, no claro entendimento de Francisco, significa qualquer tentativa de persuadir os outros com as verdades do cristianismo, significaria, na prática, o abandono da atividade missionária da Igreja em favor de um vago “testemunho” sob a forma de boas obras. Se os Apóstolos, bem como os grandes santos e corajosos missionários que os seguiram geração após geração, tivessem adotado a visão de Francisco sobre a missão da Igreja, a Igreja nunca teria convertido o mundo e talvez tivesse morrido em Jerusalém.

Pois, como ensina São Paulo: “Portanto, a fé surge da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo (Rm 10:17).” Neste sentido, no seu Juramento contra o Modernismo – abandonado após o Concílio Vaticano II – o Papa São Pio X exigia a todos os clérigos católicos e teólogos que afirmassem que a fé é o verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora ex auditum [pela pregação], pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente verdadeira, nós cremos em tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

É portanto um absurdo exigir aos católicos que se abstenham de qualquer esforço para convencer os outros na Fé. Mas deixando de lado esse disparate, como podemos compreender a noção de que os luteranos sentados diante de Francisco na sala de audiências, privados dos sacramentos da Confissão e da Santa Comunhão, são todavia “escolhidos, perdoados e crescendo em virtude”? Como podem eles ser escolhidos, perdoados e crescendo em virtude sobrenatural sem os sacramentos que Cristo instituiu para a salvação das almas? E se eles podem ser, então que utilidade terão os sacramentos para alguém? Eles seriam simplesmente supérfluos.

Como o Concílio de Trento declarou infalivelmente:

CÂNONE IV – Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não são necessários para a salvação, mas supérfluos; e que sem eles ou sem o desejo deles, só pela fé os homens alcançam de Deus a graça da justificação — ainda que nem todos [os sacramentos] sejam necessários para cada um — seja anátema.

Mas parece que, para Francisco, os sacramentos são supérfluos e que os luteranos estão corretos na sua crença herética “uma vez salvo, salvo para sempre” – apenas pela fé. Ou então Francisco pensa que os luteranos, de alguma forma, possuem os sacramentos da Confissão e da Sagrada Comunhão sem um sacerdócio válido para os ministrar.

Em qualquer dos casos, temos um Papa que parece pensar que a adesão à Santa Igreja Católica não é verdadeiramente importante para a salvação das almas e que os luteranos são salvos em “igrejas” que toleram, não só o divórcio, a contraceção e o aborto em casos “complicados”, mas também a “ordenação” de mulheres e o “casamento” de homossexuais.

O que se pode dizer de um Papa que homenageia Lutero em vez de Nossa Senhora precisamente no aniversário do Milagre do Sol, e que diz a uma audiência de luteranos que eles podem ser “escolhidos” e “perdoados” sem a ajuda da mesma Igreja da qual Lutero foi assumidamente um inimigo? Podemos dizer que testemunhamos agora aquela crise que Nossa Senhora profetizou no Terceiro Segredo de Fátima, aquela preciosa mensagem-advertência ao mundo, a qual foi por Ela autenticada, de forma inquestionável, através do Milagre do Sol. Agora é o tempo que Ela previu.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 19 de outubro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2016

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