Começou a perseguição aos 4 cardeais

Monsenhor Pio Vito Pinto, Decano do Tribunal da Rota Romana (autoridade máxima da Igreja em processos de nulidade matrimonial), enquanto discursava na Universidade Eclesiástica de São Dâmaso, de Madrid, lançou uma forte ameaça aos quatro cardeais signatários da carta dos “dubia” dirigida ao Santo Padre. De acordo com o jornal online “Réligion Confidencial”, este prelado católico declarou, de “modo enérgico e empregando um tom forte”, que os quatro cardeais, ao publicarem a carta, incorreram em grave escândalo pelo qual podiam perder a sua dignidade cardinalícia.

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Pio Vito Pinto – Réligion Confidencial

“Que Igreja defendem esses cardeais? O Papa é fiel à doutrina de Cristo. O que eles fizeram é um escândalo muito grave que poderia até mesmo levar o Santo Padre a retirar-lhes o barrete cardinalício, como já aconteceu em outros momentos da Igreja.”

(Mons. Pio Vito Pinto in Réligion Confidencial, 29/11/2016)

Quando questionado, de forma absolutamente absurda, pelo supracitado jornal, se não seria melhor “conceder a nulidade matrimonial” aos divorciados ‘recasados’ civilmente “para que possam casar-se pela Igreja e assim receber a Eucaristia”, o Decano da Rota respondeu de forma ainda mais absurda:

“A reforma do processo matrimonial do Papa Francisco quer chegar a mais gente. A percentagem de pessoas que procuram anulação do casamento é muito pequena. O Papa disse que a comunhão não é apenas para os bons católicos. Francisco diz: como podemos alcançar as pessoas mais excluídas? Com a reforma do Papa, muitas pessoas poderão alcançar a nulidade [matrimonial], mas outras não.”

(Mons. Pio Vito Pinto in Réligion Confidencial, 29/11/2016)

Como justificação da sua posição heterodoxa, este prelado radical citou a “Bula de proclamação do Jubileu da Misericórdia” para dizer que, “nos nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade”, descontextualizando assim, e de forma abusiva, uma frase proferida pelo Papa João XXIII na abertura do Concílio Vaticano II. Como se a Esposa de Cristo pretendesse agora rebelar-se contra o seu próprio Esposo e Senhor para impor uma nova doutrina dentro de Sua casa. Há pessoas que levam a rivalidade de géneros longe de mais…

Será esta intolerância radical contra os quatro corajosos cardeais um sinal de que já começou o martírio, ainda que “seco”, para quem defende a Fé Católica? É que se assim for, depressa chegaremos à fase “molhada” em que será derramado o sangue dos santos…

 

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Os Mártires Católicos de Inglaterra e Gales – Daphane Pollen (1904-86)

 

Convém referir ainda que o nome do Mons. Pio Vito Pinto era um dos que constava de uma lista de influentes membros do clero católico que, alegadamente, pertenciam à maçonaria. Essa lista fora publicada em julho de 1976, no Nº 12 do “Bulletin de l’Occident Chrétien”.

 

Basto 11/2016

“Papa Emérito” Bento XVI administra Bênção Conjunta dos novos cardeais criados por Francisco – O que se passa aqui?

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Por Christopher A. Ferrara

Mais outro estranho espetáculo no reinado do Papa Bergoglio. Após a elevação dos seus dezassete novos cardeais, confiáveis e progressistas, Francisco carregou-os em dois mini-autocarros para a pequena volta até ao convento onde o Papa Emérito Bento reside. Ali, Bento XVI administrou com Francisco uma bênção conjunta aos dezassete, dando assim mais crédito à absoluta novidade de dois Papas vivendo ao mesmo tempo: um Papa ativo e o outro, uma espécie de Papa auxiliar passivo para ser exibido em ocasiões especiais. Incluindo os dois consistórios anteriores conduzidos por Francisco.

Neste sentido, Antonio Socci chamou recentemente a atenção para uma entrevista do cardeal Gerhard Müller, nada menos que o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a respeito de um pequeno livro seu que acaba de ser publicado com o estranho título de «Bento XVI e Francisco, sucessores de Pedro, ao serviço da Igreja». Durante a entrevista, Müller deixou claro que ele pensa que, de facto, existem – de alguma forma, em algum sentido – dois Papas residindo atualmente no Vaticano:

«Na verdade, vivemos uma fase muito especial na história da Igreja: temos o Papa, mas também o Papa Emérito… Bento e Francisco são dois homens de Deus, não pensam na sua própria vantagem, nos seus próprios interesses, mas estão plenamente dedicados à missão dos sucessores de Pedro, e isto é uma grande riqueza para a Igreja.»

Estão dedicados? Como exatamente Bento está atualmente dedicado à «missão dos sucessores de Pedro» se, de facto, ele renunciou completamente ao papado? E se não renunciou completamente a esse ministério, como poderia ele simplesmente ter renunciado? Porquê exatamente é uma «grande riqueza» para a Igreja termos um Papa que abdicou do papado, mas decidiu que se chamaria «Papa Emérito», algo inaudito na Igreja durante os 2000 anos anteriores? Estará Müller a sugerir que essa “riqueza” consiste em ter mais do que um Papa ao mesmo tempo? Mas como pode haver dois papas simultaneamente vivos?

Socci observa com razão: «…a agora tem sido dito que o papado não pode ser um “ministério partilhado” por dois Papas, nem o papa Bergoglio aceitou essa “partilha”… O enredo aumenta porque [Müller] volta a focar a estranha “renúncia” de Bento XVI. Que renúncia se ele permanece como Papa, um Papa que continua a desempenhar “plenamente” o ministério petrino.» Socci já lidou o suficiente com este absurdo, e eu junto-me a ele no desgosto. Como diz o título do seu artigo acerca dos comentários de Müller: «Quanto tempo poderá ele fingir que não entende? E por que não esclarece como as coisas são?»

Em quase quatro anos do pontificado Bergogliano tudo é confusão, e a confusão aprofunda-se a cada semana que passa. Tem-se a sensação de que a Igreja e o mundo precipitam-se em direção a esse cenário apocalíptico retratado na visão referente ao Terceiro Segredo de Fátima, onde é visto “um Bispo vestido de Branco”, mas os videntes apenas “tiveram a impressão de que era o Santo Padre? “Porquê apenas uma impressão? Porquê a incerteza? Como terá Nossa Senhora de Fátima esclarecido a impressão, eliminando assim a incerteza? Quem é o bispo vestido de branco, visto que agora existem dois deles vivendo no Vaticano?

Somente o texto do Terceiro Segredo que está ainda por ver contém as respostas a essas perguntas. Na sua ausência, podemos apenas especular: O que se passa aqui?

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 24 de novembro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 11/2016

Kirill: “Rússia jamais reconhecerá a independência religiosa da Igreja Ucraniana”

Na Ucrânia, berço da cristianização da Rússia, os cristãos repartem-se hoje por várias denominações religiosas, na sua esmagadora maioria, cristãs de tradição ortodoxa. As divisões entre os maiores grupos de obediência ortodoxa existentes na Ucrânia devem-se essencialmente à história recente daquele país, nomeadamente ao período pós-colapso da União Soviética e consequente independência nacional, mas também à longa coabitação de dois grandes grupos étnicos, os ucranianos (78%) e os russos (17%), naquele grande país do Leste Europeu.

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Fonte: Macro Economy Meter

O processo de independência da Ucrânia conduziu à emancipação da Igreja Ortodoxa Ucraniana, ou pelo menos parte dela, em relação ao Patriarcado de Moscovo. Atualmente, num momento em que se ouve falar bastante de unificação, a Igreja Ortodoxa Ucraniana ainda se encontra dividida em três grandes grupos: o mais representativo é a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Kiev (50%), segue-se depois a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo (26%) e, por último, aparece a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala (7%). Para além dos referidos, merece também destaque o grupo dos ortodoxos em comunhão com Roma, a Igreja Uniata, oficialmente denominada Igreja Greco-católica Ucraniana (8%). Estes são a maior Igreja Católica Oriental e encontram-se em franca expansão dentro e fora do país, manifestando um dinamismo notável.

Os católicos de rito latino, naquele país, são um grupo pouco expressivo, representando apenas cerca de 2% dos crentes ucranianos.

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Fonte: Macro Economy Meter

O presente conflito entre Kiev e Moscovo é também – embora muita gente não queira ver – um conflito religioso. Se, por um lado, o sr. Vladimir Putin não aceita que a Ucrânia se afaste da esfera de influência política de Moscovo para se juntar à União Europeia e à Nato, por outro, o Patriarca Kirill não quer perder a influência religiosa sobre a Ucrânia que, desde a independência daquele país, tem vindo a tornar-se praticamente nula.

No dia 20 de novembro, na celebração do seu 70º aniversário, na catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, o Patriarca Kirill terá declarado que a Igreja Ortodoxa Russa jamais concordará com a independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo.

Agradeço a Sua Beatitude Onufriy [líder local da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo] pela sua coragem e firmeza na defesa da santa ortodoxia e pela preservação da unidade canónica da Igreja. A nossa igreja jamais deixará os irmãos ucranianos em dificuldades e não os abandonará. Nunca concordaremos em mudar as sagradas fronteiras canónicas da Igreja, porque Kiev é o berço espiritual da Santa Rus, como Mtskheta para a Geórgia e Kosovo ou para a Sérvia. [aplausos]

[…]

A dolorosa ferida da divisão ucraniana inflige sofrimento em todo o corpo da igreja, e a sua dor pode ser sentida não só na Ucrânia, mas no território canónico de outras igrejas locais. O perigo de divisão na Igreja é claro para todos nós.

(Patriarca Kirill a 20/11/2016 in Religious Information Service of Ukraine)

A Igreja Ortodoxa Russa já mostrou por diversas vezes – como constatámos aqui, por exemplo – que tem uma agenda própria, independente das suas congéneres, que converge, de forma clara e assumida, com os desígnios programáticos e geopolíticos de Vladimir Putin. Existe uma parceria muito forte entre as atuais lideranças política e religiosa da Rússia.

Logo veremos até onde esta parceria nos levará!

Basto 11/2016

O Papa irá apenas a Fátima

O Papa confirma que, na sua viagem a Portugal, em maio de 2017, irá “só a Fátima”, resistindo assim à insistência do Patriarca de Lisboa que desejava que, pelo menos, aterrasse no aeroporto de capital, dada a proximidade de Fátima. O voo papal rumará então diretamente à base aérea de Monte Real, no distrito de Leiria.

“Eu quero ir a Fátima, só a Fátima, ver a Senhora.”

(Papa Francisco ao Patriarca de Lisboa, a 20 de novembro de 2016, in Agência Ecclesia, 22/11/2016)

O Santo Padre, desde muito cedo, mostrou uma grande devoção pela “Senhora”, particularmente pela Senhora desatanudos, cuja popularização universal se deve essencialmente a ele.

Portugal é a terra de Nossa Senhora, são tantos os santuários marianos plantados neste último pedaço da Europa que seria difícil traçar um roteiro papal com os sítios a visitar. Se calhar foi mesmo isso que levara o Santo Padre a optar por ficar apenas por ali, apesar da persistência das autoridades civis e religiosas e da conhecida vontade popular.

A vaticanista portuguesa Aura Miguel explica aquilo que afirma ser o “critério” do Papa nas viagens apostólicas dentro do velho continente:

Do lado português, Igreja e Estado têm vindo a pressionar o Vaticano para que Francisco aterre em Lisboa, mas sem sucesso. Segundo as fontes ouvidas pela Renascença, Francisco vai mesmo aplicar a Portugal o critério que tem usado para os países cristãos da Europa. Ou seja, só visita Fátima.

Até hoje, e desde que é Papa, Francisco nunca aterrou em capitais europeias (exceto nas da Albânia e Bósnia, maioritariamente muçulmanas), por isso, a cidade de Lisboa não vai poder contar com a presença do Papa.

(Aura Miguel, in Radio Renascença, 21/11/2016)

Todos nós temos os nossos critérios e o Santo Padre lá terá também os seus…

 

Basto 11/2016

Pedidos de nulidade matrimonial disparam em Portugal

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Público, manchete do dia  21 de novembro de 2016

O jornal público investigou os efeitos da reforma do Papa Francisco nos processos de nulidade matrimonial em Portugal. Dos 14 tribunais eclesiásticos existentes no nosso país, um é militar, portanto não é vocacionado para estas questões. Relativamente aos restantes, o Público só não teve acesso aos dados de Angra do Heroísmo e do Funchal.

A conclusão do jornal foi a seguinte:

“Via verde” do Papa fez disparar anulação de casamentos católicos.

(Título da reportagem apresentada pelo jornal Público a 21/11/2016)

O jornal contabilizou “196 pedidos de nulidade do casamento católico” neste ano de 2016 que ainda não terminou, correspondendo a um aumento superior a 50% face ao ano de 2015.

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Público, 21/11/2016 (reportagem nas páginas 10 e 11)

 

“A iniciativa do Papa teve o mérito de ajudar a encarar estas declarações de nulidade matrimonial como parte da pastoral.”

(Pe. Fernando Varela, vigário judicial de Leiria-Fátima, in Público 21/11/2016)

Os resultados pastorais desta reforma papal têm tendência a aumentar ainda mais, uma vez que até o próprio Santo Padre acredita que, “uma grande maioria dos matrimónios sacramentais são nulos”.

Hoje choveu choveu bastante em Portugal, o que é normal para o mês de novembro. Mas não estará a Igreja Católica a aproximar-se também do seu inverno? É que a tempestade não para sequer por um momento, acabando por molhar sobretudo a santidade do matrimónio e da família.

Basto 11/2016

Fecha-se a porta

ישו מנצרת מלך היהודים

Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum

Ο Ιησούς από τη Ναζαρέτ Ο βασιλιάς των Εβραίων

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Bramantino, cerca de 1515

Hoje, dia de Cristo Rei, chegou ao fim o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Fechou-se a porta que tinha sido aberta a 8 de dezembro de 2015, na solenidade da Imaculada Conceição de Maria.

Durante este tempo, absolutamente extraordinário, ouviu-se falar muito da misericórdia de Deus, da sua infinita disponibilidade para perdoar, mas não se ouviu falar tanto da necessidade de arrependimento e de conversão dos pecadores, antes pelo contrário.

O sacramento da reconciliação pressupõe que o pecador se arrependa dos seus pecados e se proponha a viver segundo a lei de Deus. Se o pecador não se arrepende, nem deseja corrigir-se, então não recebe o perdão de Deus. Não porque Deus não seja misericordioso, mas antes porque o pecador não procurou verdadeiramente receber essa misericórdia. Mas pior do que não se reconciliar com Deus, o pecador arrisca-se a perpetuar o seu afastamento em relação a Ele. Ou seja, se o pecador perder a consciência do bem e do mal, convencendo-se de que Deus aceita o seu pecado, porque já não é pecado, ou até o considera uma virtude, ele pode entrar num ciclo vicioso de pecado do qual dificilmente sairá. Nesse caso, o pecador cai numa situação muito mais grave do que aquela em que se encontrava quando ainda tinha consciência de que pecava…

Durante este ano jubilar que hoje se encerra, a misericórdia foi pregada ou oferecida por muitos maus pastores católicos a um preço demasiado barato, portanto não poderia ser verdadeira. A verdadeira misericórdia obriga a aceitar o peso da cruz nos nossos ombros, que não é fácil de carregar mas é gratificante.

A misericórdia de Deus é muito antiga, ela sempre acompanhou a Igreja de Cristo. Não foi inventada agora, ao contrário da “misericordina”, ou da “misericordina plus” e outras coisas modernas…

A verdadeira contrição é a condição necessária para se receber a misericórdia de Deus. Deus é infinitamente misericordioso mas é também infinitamente justo. Por outro lado, é extremamente bondoso, recetivo às orações e aos sacrifícios daqueles que quiserem oferecer-se pela conversão desses mesmos pecadores.

 

Basto 11/2016

A não resposta arrogante de Francisco

Perante as cinco questões fundamentais colocadas pelos corajosos Príncipes da Igreja acerca da exortação apostólica Amoris Laetitia, com vista ao esclarecimento das ambiguidades hermenêuticas e à clarificação dos procedimentos pastorais, o Santo Padre não teve ainda a coragem responder diretamente. As questões são apenas cinco e carecem de uma resposta direta que seria “sim” ou “não”, de modo a erradicar as confusões doutrinais (ou pastorais) que a ambiguidade daquele texto papal tem produzido nos pastores e nos fiéis.

Esclarecer os fiéis e os pastores sobre a diferença entre a virtude e o pecado, com uma resposta clara e inequívoca, para não dar azo a interpretações erradas e abusivas da doutrina católica, seria o mínimo que poderíamos esperar do verdadeiro Vigário de Cristo na Terra. Não o fez! Contudo, numa entrevista publicada no jornal católico italiano Avvenire, o Santo Padre responde de forma indireta, arrogante e insultuosa aos cardeais e a toda a imensa minoria católica que partilha das suas preocupações.

Alguns – pense-se em certas reações à ‘Amoris laetitia’ – continuam a não compreender, ou branco ou preto, ainda que seja no fluxo da vida que se deve discernir”, diz o Papa, sem mencionar diretamente quaisquer nomes.

Francisco sustenta que é necessário “distinguir o espírito com que se manifestam as opiniões”, porque algumas críticas ajudam a avançar, mas outras servem “para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito mau para fomentar divisão”.

“Certos rigorismos nascem de uma falha, do querer esconder dentro de uma armadura a própria insatisfação triste”, lamenta.

(Agência Ecclesia, 18/11/2016)

Uma atitude lamentável sob todos os aspetos, indigna do verdadeiro Vigário de Cristo na Terra. Será esta a atitude que Cristo espera do Santo Padre e dos pastores católicos em geral?

«Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.»  (Mt 5, 37)

– Papa Francisco, defenda a Verdade Cristã em nome de Deus!

  • Faça-o de imediato e sem rodeios, de forma clara e inequívoca, pois dessa mesma Verdade depende a salvação de muitas almas.
  • Essa é a função do mais alto representante de Deus na Terra.

 

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Perugino, 1481-82 (vista parcial)

 

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está ao serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas.

(Sua Santidade Bento XVI, a 7 de maio de 2005)

Se tiver dúvidas, a poucos metros de si, no mosteiro Mater Ecclesiae, vive um homem sábio e santo que teria o maior prazer em recebê-lo para o ajudar a conhecer a Verdade. Ele vive tão perto si que nem precisa de se preocupar com as emissões de carbono da deslocação. Tenha a humildade de aceitar a sua disponibilidade, sabedoria e santidade para o iluminar neste momento de “desorientação diabólica”.

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Seja verdadeiramente humilde Papa Francisco, à imagem de Sua Santidade Bento XVI.

Basto 11/2016

O segredo de Fulda

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Durante a sua viagem pastoral à Alemanha, de 17 a 18 de novembro de 1980, o Papa João Paulo II terá conversado com um grupo de católicos locais. Esse diálogo seria reproduzido na publicação de outubro do ano seguinte da revista alemã Stimme des Glaubens. De acordo com o texto da revista alemã, entretanto traduzido, o Santo Padre terá respondido a duas questões que lhe foram colocadas sobre o Terceiro Segredo de Fátima.

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Bênção papal de João Paulo II em Fulda, Alemanha, em novembro de 1980 – Bispado de Fulda

O Terceiro Segredo de Fátima não devia já ter sido publicado por volta de 1960?

Dada a gravidade do seu conteúdo, os meus antecessores na cadeira de Pedro preferiram diplomaticamente adiar a publicação, para não encorajar o poder mundial do Comunismo a  tomar certas atitudes. Por outro lado, é suficiente todos os Cristãos saberem isto: se há uma mensagem em que está escrito que os oceanos inundarão vastas áreas da Terra, e que, de um momento para outro, milhões de pessoas morrerão, certamente a publicação de uma tal mensagem já não é algo muito desejável. Muita gente quer saber apenas por curiosidade e por gosto do sensacional, mas esquecem-se de que o conhecimento também implica responsabilidade. Só procuram satisfazer a sua curiosidade, e isso é perigoso se, ao mesmo tempo, não estão dispostos a fazer alguma coisa, e se estão convencidos de que é impossível fazer qualquer coisa contra o mal. Aqui [mostrando o terço que segurava na mão] está o remédio contra esse mal. Rezem, rezem e não peçam mais nada. Deixem tudo o resto à Mãe de Deus.
(João Paulo II em novembro de 1980 in Fatima Center)

O que irá acontecer à Igreja?

Devemos preparar-nos para sofrer grandes provações dentro de não muito tempo, provações tais que exigirão de nós uma disposição para dar até as nossas vidas, e uma dedicação total a Cristo e por Cristo… Com as vossas e as minhas orações, é possível mitigar esta tribulação, mas já não é possível evitá-la, porque só assim pode a Igreja ser efetivamente renovada. Quantas vezes a renovação da Igreja proveio do sangue! Desta vez, também não será de outra maneira. Devemos ser fortes e estar preparados, e confiar em Cristo e na Sua Mãe, e rezar o Rosário com muita, muita assiduidade.
(João Paulo II em novembro de 1980 in The Fatima Center)

O conteúdo deste diálogo, se for verdadeiro, converge com outras referências conhecidas ao mesmo segredo proferidas por diferentes pessoas que, comprovadamente, também tiveram acesso ao documento. O diálogo terá acontecido vários meses antes do atentado sofrido por João Paulo II em maio de 1981 e vários anos antes do colapso da União Soviética. Alguns pormenores importantes deste diálogo põem em causa a tese oficial de que o Segredo de Fátima fora integralmente publicado no ano 2000.

Hoje, 36 anos depois, o Segredo de Fátima é um mero acontecimento do passado, sobre a qual devemos festejar, ou continua ainda em aberto, constituindo motivo de receio e reflexão? Para respondermos a esta questão temos de comparar o estado da Igreja e do mundo de hoje com o de 1960, ano em que o envelope – ou os envelopes – do Segredo, “por ordem expressa de Nossa Senhora”, deveria ser aberto e o seu conteúdo conhecido.

Basto 11/2016

D. Athanasius Schneider denuncia a confusão doutrinal do Vaticano

O bispo D. Athanasius Schneider, num discurso proferido há poucos dias na cidade de Washington, nos EUA, denunciou as “máscaras” que escondem a linguagem utilizada pelo Vaticano nestes tempos de “confusão doutrinal”.

 

O discurso completo, intitulado “Maria destruidora das heresias”, pode ser acedido em inglês no canal Life Site News do Youtube.

Basto 11/2016

Cardeais divulgam carta dirigida ao Papa

Quatro importantes cardeais resolvem tornar pública a missiva dirigida ao Santo Padre com as questões às quais o Santo Padre se negara a responder. Em causa estão um conjunto de esclarecimentos que os cardeais consideram necessários, da parte do Santo Padre, de modo a clarificar a confusão gerada em torno de alguns dos aspetos mais controversos que emanaram da interpretação do capítulo oitavo da exortação apostólica Amoris Laetitia. As suas preocupações prendem-se com o facto de se constatarem, atualmente, no seio da Igreja Católica, uma grande disparidade de interpretações, entre as quais as que se opõem ao infalível magistério da Igreja.

De acordo com a lógica do funcionamento da Igreja Católica, quando surgem problemas pastorais, é normal recorrer-se ao Papa para ajudar a resolvê-los. Neste sentido, a carta visava somente obter a ajuda do Santo Padre na clarificação das “dúvidas que são causa de desorientação e de confusão”.

Questões colocadas:

1.    Pergunta-se se, de acordo com quanto se afirma em “Amoris laetitia”, n. 300-305, se tornou agora possível conceder a absolvição no sacramento da Penitência, e, portanto, admitir à Sagrada Eucaristia, uma pessoa que, estando ligada por vínculo matrimonial válido, convive “more uxorio” com outra, sem que estejam cumpridas as condições previstas por “Familiaris consortio”, n. 84, e entretanto confirmadas por Reconciliatio et paenitentia, n. 34, e por “Sacramentum caritatis”, n. 29. Pode a expressão “[e]m certos casos”, da nota 351 (n. 305) da exortação “Amoris laetitia”, ser aplicada a divorciados com uma nova união que continuem a viver “more uxorio”?

2.    Continua a ser válido, após a exortação pós-sinodal “Amoris laetitia” (cf. n. 304), o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 79, assente na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, acerca da existência de normas morais absolutas, válidas sem qualquer excepção, que proíbem actos intrinsecamente maus?

3.    Depois de “Amoris laetitia” n. 301, pode ainda afirmar-se que uma pessoa que viva habitualmente em contradição com um mandamento da lei de Deus, como, por exemplo, aquele que proíbe o adultério (cf. Mt 19, 3-9), se encontra em situação objectiva de pecado grave habitual (cf. Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração de 24 de Junho de 2000)?

4.    Após as afirmações de “Amoris laetitia”, n. 302, relativas às “circunstâncias atenuantes da responsabilidade moral”, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 81, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, segundo o qual: “as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um acto intrinsecamente desonesto pelo seu objecto, num acto ‘subjectivamente’ honesto ou defensível como opção”?

5.    Depois de “Amoris laetitia”, n. 303, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 56, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar excepções às normas morais absolutas que proíbem acções intrinsecamente más pelo próprio objecto?

O Santo Padre optou por não responder aos cardeais.

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O Santo Padre decidiu não responder. Interpretamos esta sua soberana decisão como um convite para continuar a reflexão e a discussão, de modo sereno e respeitoso.
Por essa razão, damos agora a conhecer a nossa iniciativa a todo o povo de Deus, fornecendo para isso toda a documentação pertinente.

Esperamos que ninguém interprete este facto nos termos do esquema “progressistas-conservadores”; seria um engano. Estamos profundamente preocupados com o verdadeiro bem das almas, que é a suprema lei da Igreja, e não em fazer avançar dentro da Igreja um qualquer tipo de política.

Esperamos também que ninguém, julgando injustamente, nos tenha na conta de adversários do Santo Padre e de pessoas privadas de misericórdia. O que fizemos e o que estamos a fazer nasce do profundo afecto colegial que nos une ao Papa, e da preocupação apaixonada pelo bem dos fiéis.

Card. Walter Brandmüller
Card. Raymond L. Burke
Card. Carlo Caffarra
Card. Joachim Meisner

O problema é que a não resposta, em si, representa uma resposta. Uma resposta terrível!

O conteúdo integral da carta pode ser lido em português no blogue: Fratres in Unum.

Basto 11/2016

Marxismo e destruição da família

À primeira vista, parece que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas será que não tem mesmo?

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Boris Vladimirski, 1949 (Rosas para Estaline)

 

Marx e Engels tinham a sua própria doutrina sobre a família.

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A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado

 

… se não, [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.

(Nª Sª de Fátima aos pastorinhos em 1917)

 

Nota da edição: o vídeo acima é da responsabilidade do sr. Pe. Paulo Ricardo e está disponível no seu canal do Youtube.

 

Basto 11/2016