A história de Willa

O ativismo dos pais de “Willa”, que utilizaram o seu próprio filho em ações de propaganda ideológica, contribuiu para que Malta tivesse aprovado, no ano passado, uma das leis consideradas mais “progressistas” – ou antes, mais radicais – do mundo ao nível da identidade de género.

WILLA – 7 anos de idade (Malta)

A minha vida quando tinha de viver como um rapaz era muito má, até que um dia disse a meus pais que eu sentia que era uma menina e eles aceitaram-me. Então deixaram-me vestir de menina dentro de casa para eu poder ver se isso estava bem para mim. E isso foi bom para mim porque a minha vida era muito melhor e se eles não me tivessem deixado viver como uma menina eu ficaria ainda muito mais triste.

Depois disso, quando viram que aquilo era verdadeiramente quem eu era, deixaram-me viver como menina também lá fora.

A Lei da Identidade de Género foi dedicada a mim. Senti-me mesmo orgulhosa. Isso significa que as pessoas trans, como eu, terão melhores direitos.

Agora estou muito feliz a viver como uma menina. Eu sou Willa em todo o lado, quando estou em casa e também na escola. Sou plenamente respeitada enquanto Willa e isso é o que as outras crianças trans também necessitam. Nós deveríamos simplesmente ser autorizados a viver como somos porque nós sabemos quem somos.

As crianças trans necessitam de ser ouvidas. Nós não temos uma desordem e não nos conseguirão modificar. Nós somos quem somos.

Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Muitos acreditam que o reino do anticristo é um mito ou uma coisa destinada a um futuro muito distante, no entanto, se prestarmos bem atenção ao que se passa à nossa volta, verificamos que algumas das suas bases estão já amplamente implantadas nos reinos tradicionalmente cristãos.

Nos nossos dias, o poder de Herodes ultrapassou largamente os limites territoriais da Judeia e a sua fúria entra na profundeza das almas dos inocentes.

 

Basto 12/2016

Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens por Ele amados

Esta é a Noite Santa em que nasceu o Menino Jesus, no seio da Sagrada Família, em Belém da Judeia (parte sul da atual Cisjordânia).

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O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. (Lc 2, 10-11)

Este Menino é o Messias, o Salvador do mundo. Perante Ele, todos se prostram em terra com o rosto no chão. Absolutamente todos, pois ninguém irá ao Pai senão por Ele.

Esta Verdade eterna é hoje relativizada por muitos cristãos que aderiram a um falso ecumenismo que reduz a pessoa de Jesus Cristo ao nível de um mero mestre entre tantos outros ou, ainda pior, compara-o a falsas divindades. Puros sacrilégios cometidos por quem ensina tais doutrinas ultrajantes e por quem as aceita ou permanece indiferente.

Este Menino é “sinal de contradição” (Lc 2, 34) e não de sincretismo religioso. É a Verdade que se sobrepõe a todas as verdades.

Este Menino é Deus feito carne no seio da Virgem Maria, é a Luz, é o Deus Verdadeiro.

Deum de Deo, Lumen de Lumine, Deum verum de Deo vero.

(Credo Niceno-constantinopolitano)

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Domingos Sequeira, 1828

Um Santo e Feliz Natal para todas as pessoas que passam regularmente por este blogue e também para aquelas que hoje aqui vieram parar por acaso. Que o nascimento do Menino Jesus proporcione uma Noite Santa para todos vós e para as vossas famílias.

Basto 12/2016

O “milagre” de São Januário não se realizou

Mau presságio em Nápoles…

Na passada sexta-feira, dia 16 de dezembro, na tradicional cerimónia religiosa em memória da intercessão de São Januário em 1631 para salvar Nápoles das lavas do Vesúvio, o sangue não se liquefez dentro da ampola do relicário. Este facto representa um mau agouro na tradição napolitana. Normalmente, o sangue de São Januário, que se encontra no estado sólido, liquefaz-se três vezes por ano. Para além da data referida, o milagre costuma ter lugar também no dia de São Januário, a 19 de setembro, e na véspera do primeiro domingo de maio, quando se recorda a primeira transladação do seu corpo.

Esta tradição tem cerca de 600 anos. O jornal italiano La Stampa informou que o sangue de São Januário não se liquefez pela primeira vez em 36 anos. De acordo com a informação do mesmo jornal, as últimas vezes em que isso aconteceu coincidiram com catástrofes locais, nacionais ou internacionais, concretamente:

  • 1939 – iníciou-se a Segunda Guerra Mundial
  • 1940 – Itália entrou na Segunda Guerra Mundial
  • 1943 – começou a ocupação nazi na Itália
  • 1973 – Nápoles sofreu uma epidemia de cólera
  • 1980 – o sismo de Irpinia sacudiu violentamente o sul da Itália

 

Não deixa de ser um sinal interessante que acontece a poucos meses do centenário das aparições de Fátima…

Basto 12/2016

Quando chega dezembro na Argentina

No ano passado, por esta altura, foi publicado na Argentina um videoclipe para assinalar a celebração do Natal Cristão e a celebração judaica do ChanucáOs seus personagens não são atores cómicos, são o rabino Marcelo Polakoff e o bispo argentino D. Pedro Javier Torres.

O que une afinal a Solenidade do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Chanucá judaico?

“O que levanta uma diferença entre o judaísmo e o cristianismo tem a ver não com a figura de Jesus no sentido histórico, mas com a ideia de Jesus como um messias. Compartilhamos a ideia de Jesus, mas diferimos na ideia de Cristo.”

(Rabino Marcelo Polakoff in BBC Mundo a 24/12/2010)

Significado da palavra “Cristo”: Ungido, o Ungido de Deus; o Messias; o Redentor; o Salvador.

No entanto, hoje, isso é como se fosse um mero pormenor sem importância. Festa é festa! E porque não associar a festa do Nascimento do Messias à festa daqueles que há dois milénios que O rejeitam?

O videoclipe da dança do bispo argentino faz lembrar um outro vídeo publicado poucas semanas depois… Não deve ser por acaso. A convergência de estilos pastorais é visível até na preferência pelo sinistro crucifixo de Vedele.

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Vídeo do Papa de janeiro de 2016

Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. (Jo 14, 6)

Enfim, são opiniões diferentes…

O que significará a palavra “evangelizar” para os atuais responsáveis pela Igreja Católica? Será apenas confraternizar, dançar e cantar? Se as religiões são todas a mesma coisa, por que razão nasceu o Messias? Serão o judeus redimidos pelo Chanucá? É claro que não!

Este ano, chegados a dezembro, os mesmos protagonistas gravaram um novo videoclipe do género do anterior, o qual se inicia com uma acutilante piada de mau gosto.

Rezemos pela conversão dos judeus e também pela conversão dos católicos a Jesus Cristo, o Deus Verdadeiro.

Basto 12/2016

Imagem do Papa usada em propaganda pró-aborto

A organização não governamental brasileira Anis – Instituto de Bioética utiliza a imagem do Santo Padre para promover a liberalização do aborto.

São milhões de mulheres que poderão atravessar o confessionário e receber perdão pelo pecado. O próximo passo é a ordem legal inspirar-se no Papa Francisco e também tornar o aborto um crime sem pena.

(in página do Facebook da Anis – Instituto de Bioética)

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Página do Facebook da Anis – Instituto de Bioética

Diz o slogan que as mulheres que praticam aborto estão “todas perdoadas pelo Papa Francisco”, mas estarão todas elas perdoadas por Deus? A resposta dependerá do grau de arrependimento de cada uma porque relativamente à misericórdia de Deus já sabemos que é infinita. O aborto é um “crime horrendo”, parafraseando o Papa Francisco, mas seria a dor do arrependimento dessas mulheres suficientemente forte para fazê-las aceitar um caminho penitencial profundo que passasse inclusivamente por um bispo?

O Papa Francisco alargou a todos os padres a faculdade de absolver o gravíssimo pecado do aborto, a qual, anteriormente, estava reservada apenas aos bispos e a alguns sacerdotes mandatados. Independente do propósito que fundamentara esta medida papal, ela acaba sempre por diminuir de algum modo a consciência individual e coletiva perante a gravidade deste crime tão “horrendo”, nomeadamente nas pessoas espiritualmente mais frágeis.

O aborto é, na sua essência, um “crime horrendo” que rebaixa a dignidade humana para patamares muito inferiores aos das restantes criaturas. Se há situações onde a justiça de Deus é mesmo pesada e implacável, esta terá de ser uma delas.

A União Soviética foi o primeiro país do mundo a legalizar o aborto a 8 de novembro de 1920. Hoje, as práticas abortivas foram legalizadas e até apoiadas socialmente – como acontece em Portugal – em grande parte dos países do mundo, muitos deles historicamente cristãos e católicos. Se quisermos relacionar esta realidade atual com a mensagem de Fátima, podemos incluí-la no inventário dos “erros da Rússia” entretanto “espalhados pelo mundo”. E já lá vão quase 100 anos…

 

Basto 12/2016

Antigo aluno do Papa Francisco elogia-o em cerimónia pró-gay

O discurso foi proferido, há poucas semanas, por Yayo Grassi, um antigo aluno de Francisco, na cerimónia de entrega da condecoração Bridge Building Award (Construir Pontes), pela organização New Ways Ministry’s (organização de LGBT “católicos”), ao sacerdote James Martin, um mediático jesuíta americano que prega uma espécie de pastoral de fusão entre a ideologia gay e o catolicismo.

Yayo Grassi, homossexual, tornou-se mundialmente famoso quando, em 2015, foi publicamente recebido, juntamente com o seu namorado, pelo Papa Francisco em Washington, na Embaixada do Vaticano, durante a sua visita aos EUA.

Conheço o Papa Francisco desde que ele foi meu professor na escola secundária, quando eu tinha 17 anos de idade. E eu sei que ele sabia que eu era gay e temos sido amigos desde então. Eu visitei-o em Roma e depois nós visitámo-lo em Washington. Ele encontrou-se, das duas vezes, com aquele que era nesse momento o meu namorado e está sempre a perguntar-me por ele.

(Yayo Grassi, 2016 – tradução livre)

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Yayo Grassi e o seu namorado Iwan despedem-se ternamente do Santo Padre, na Embaixada do Vaticano, em Washington, em 2015 – TVCanal9Litoral

 

[…] Quando a lei do casamento gay estava a ser discutida no Senado da Argentina, eu li na internet que o então cardeal Bergoglio era muito contra isso e que ele havia dito coisas realmente dolorosas e odiosas sobre a aprovação da lei. Fiquei muito surpreso. Fiquei muito surpreso, mais do que qualquer outra coisa porque por o conhecer e saber quanto amor há no seu coração, era difícil para mim entender que ele fizesse algo tão odioso…

Então eu escrevi-lhe uma carta bastante extensa e enviei-lhe um e-mail dizendo-lhe quanto o admiro, o quão importante ele era na minha vida e quanto ele fez por mim. Como ele tinha feito avançar, através de sua educação, o pensamento mais aberto e progressivo na minha vida. E então eu continuei dizendo-lhe que nunca poderei agradecê-lo, então [deste modo] pode achar que é uma maneira muito estranha de lhe agradecer se eu lhe disser que estou muito desiludido com a maneira como tratou a lei [do casamento] gay. […]

Ele respondeu-me dois dias mais tarde e a primeira coisa que disse foi “Peço-lhe que me perdoe porque percebi que está magoado. Acredite em mim, eu nunca disse nenhuma dessas coisas. A imprensa baseou-se em duas cartas que enviei às freiras, pedindo-lhes para não dar qualquer tipo de opinião sobre isso, e elas foram distorcidas e foram colocadas como palavras minhas.”

Mas a coisa mais bonita e, para mim, a coisa mais espantosa – estamos a falar de 2008 -, é que ele ao terminar a sua carta, para além de me pedir para orar por ele como sempre faz, diz-me:”Yayo, acredite em mim, na minha pastoral, não há lugar para a homofobia.” E essa foi a primeira vez que eu percebi a pessoa incrível que ele era. Ele não disse apenas: “Quem sou eu para julgar?”, há algo muito importante que ele disse mais tarde, ele disse: “Quem somos nós para julgar?”. O “nós” referia-se a toda a igreja e toda a humanidade.”

(Yayo Grassi, 2016 – tradução livre)

Basto 12/2016

A ‘Alegria do Amor’ em Belo Horizonte

A arquidiocese de Belo Horizonte apresentou, a 8 de dezembro, na Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, o seu novo “Projeto de Evangelização: Proclamar a Palavra” que deverá orientar a pastoral diocesana a partir de 2017. Os seus elementos mais  polémicos são baseados na controversa exortação apostólica Amoris Laetitia.

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Elementos mais controversos que ganharam dimensão mediática internacional desde a sua divulgação no site italiano UNA VOX:

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PEPP, p.18 – Arquidiocese de Belo Horizonte

 

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PEPP, p.19 – Arquidiocese de Belo Horizonte

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Outros aspetos anteriormente destacados neste blogue:

É preciso continuar avançando, rompendo com o clichê do “sempre foi assim”, tomando e incentivando iniciativas de fronteiras, no esforço de anunciar a Jesus Cristo, no cotidiano da vida das pessoas, de nossas comunidades, da sociedade como um todo, pelo viés do diálogo com a cultura, com o serviço social, com a educação, com a política e com a arte.

(Pe. Aureo de Freitas, in “Introdução” do P. E. Proclamar a Palavra)

Esse novo paradigma pastoral e evangelizador, antes de tudo, deve ser desenhado sobre os pilares da eclesiologia resgatada pelo Concílio Vaticano II. O Concílio elaborou a compreensão da Igreja como Povo de Deus, que dialoga com a sociedade moderna, é servidora da humanidade, especialmente dos mais pobres, distanciando-se do eclesiocentrismo medieval, do clericalismo e da romanização do catolicismo tridentino, assumindo, assim, uma eclesiologia de comunhão.

(in “II. Eclesiologia de Comunhão por meio da colegialidade”, P. E. Proclamar a Palavra)

Resposta da Arquidiocese de Belo Horizonte:

A Arquidiocese de Belo Horizonte esclarece que as informações publicadas na reportagem não condizem com as orientações do Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra. Os trechos destacados estão descontextualizados, interpretados de modo a não traduzir o que realmente estabelece o Projeto de Evangelização.

Em comunhão com a Igreja, a Arquidiocese de Belo Horizonte partilha a convicção de que o Matrimônio é a união entre homem e mulher, a exemplo da Sagrada Família de Nazaré. Ao mesmo tempo, conforme orienta o Papa Francisco, busca acolher e acompanhar, sem exclusões e julgamentos, dando testemunho da misericórdia de Deus, que a todos alcança.
Nesse sentido, a Arquidiocese de Belo Horizonte lamenta não ter sido procurada pelos responsáveis pela elaboração dessa reportagem para os devidos esclarecimentos.

Coloca-se à disposição para apresentar, de modo devidamente contextualizado, o Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra, fruto de atenta escuta das muitas comunidades de fé, em sintonia com os desafios do mundo contemporâneo.

Alguns artigos de dom Walmor que contestam a chamada ideologia de gênero:

Educação em pauta
http://www.arquidiocesebh.org.br/site/artigoArcebispo.php?id_artigoArcebispo=10884

Família, tocha acesa
http://www.arquidiocesebh.org.br/site/artigoArcebispo.php?id_artigoArcebispo=11773

Princípios e ideologias
http://www.arquidiocesebh.org.br/site/artigoArcebispo.php?id_artigoArcebispo=10834

Dom Walmor, durante apresentação do Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra, destaca a vocação de homem e mulher na família:
http://www.arquidiocesebh.org.br/site/noticias.php?id_noticia=14227

(Arquidiocese de Belo Horizonte, recebido a 12/12/2016)

Nosso comentário:

Se sr. Arcebispo D. Walmor condena as ideologias de género isso só pode ser uma excelente informação pela qual agradecemos.

Relativamente aos “trechos destacados”, eles foram aqui apresentados precisamente no contexto em que se inseriam, nomeadamente nas respetivas frases e com uma ligação para o documento integral, de modo a possibilitar uma contextualização mais alargada. Na presente edição deste artigo foram ainda eliminados os curtos comentários que poderiam, de algum modo, influenciar a interpretação dessas mesmas frases.

Obrigado pela atenção e esperemos que continuem a rezar pela configuração tradicional da família e que as “diferentes identidades sexuais” não tenham passado de um mero equívoco literário que pode facilmente ser corrigido, desde que exista vontade. É que este tipo de linguagem, agora em moda, é altamente prejudicial à salvação das almas, nomeadamente daquelas pessoas que se encontram em maior risco, uma vez que passam a acreditar que determinadas situações graves – às quais o catecismo católico chama de “atos intrinsecamente desordenados” – são, afinal, virtudes ou meros detalhes sem importância… Não somos nós que devemos julgá-los, tais atos já foram julgados e condenados pelo próprio Deus.

Os pastores da Igreja tem a obrigação de mostrar a misericórdia de Deus, mas a verdadeira. A verdadeira misericórdia de Deus só existe com nosso arrependimento e propósito de mudança de vida.

 

Nota da edição: este artigo foi modificado em 12/12/2016 depois da receção de um comentário com a alegada assinatura da diocese de Belo Horizonte.

 

Basto 12/2016

Eu sou a Imaculada Conceição

Rainha e Padroeira de Portugal e de todos os Povos de Língua Portuguesa

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Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» (Lc 1, 28)

Por ser cheia de graça não teve espaço para a menor mancha de pecado, por mais pequena que pudesse ser. Nasceu e permaneceu eternamente Imaculada.

 

 

Basto 12/2016

Schneider: “um certo tipo de cisma já existe na Igreja”

D. Athanasius Schneider deu recentemente uma entrevista ao canal francês TVLibertés onde se referiu ao estado atual da Igreja Católica.

 

TVL: O senhor mostrou preocupações relativamente à exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, também publicou uma declaração de fidelidade ao infalível ensinamento da Igreja e, mais recentemente, deu a conhecer o seu apoio aos “dubia” apresentados ao Papa pelos cardeais Burke, Brandmüller, Caffarra e Meisner. Qual é o valor magisterial da exortação apostólica desta exortação apostólica?

AS: O valor magisterial da exortação apostólica Amoris Laetitia é determinado pela intenção do seu autor, o Papa Francisco, que o expressou através de declarações claras, como por exemplo na que vou citar. O Papa disse: “Gostaria de esclarecer que nem todos os debates doutrinais, morais ou pastorais necessitam de ser resolvidos por intervenções de natureza magisterial.” “Eu achei oportuno redigir uma Exortação Apostólica que possa orientar a reflexão, o diálogo ou práxis pastoral.” – Estas são as palavras do Papa.

A função de um ato magisterial, de acordo com o Concílio Vaticano II, consiste em – passo a citar – “O Magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente”, isto é uma citação da Dei Verbum.

Atendendo às palavras do Papa Francisco, ele deixou claro que não tinha a intenção de promover o seu próprio ensinamento magisterial. De acordo com o Papa Francisco, o objetivo da Amoris Laetitia era o de criar uma situação de debate doutrinal, moral ou pastoral, e que esse debate não necessita de ser resolvido por intervenções de natureza magisterial.”

TVL: Então, qual é a natureza das suas questões relativamente a esse texto?

AS: As minhas interrogações sobre a Amoris Laetitia prendem-se, sobretudo, com a questão muito concreta da admissão de divorciados ditos “recasados” à Sagrada Comunhão. De facto, durante os dois últimos sínodos da família e depois da publicação da Amoris Laetitia, existiu, continuando a existir até hoje, uma luta árdua e tumultuosa em torno desta questão concreta. Todos aqueles clérigos que desejam outro evangelho – ou seja, um evangelho do direito ao divórcio, um evangelho da liberdade sexual, em suma, um evangelho sem o sexto mandamento de Deus -, esses clérigos utilizam todos os meios maléficos, tais como, astúcia, enganos, linguagem e retórica magistrais e até mesmo táticas da intimidação e violência moral, de modo a atingirem o seu objetivo de admitir os divorciados ditos “recasados” à Sagrada Comunhão sem cumprirem a condição de viver em perfeita continência, uma condição imposta pela Lei Divina. Uma vez atingido esse objetivo, ainda que limitado aos ditos “casos excecionais” de “discernimento”, a porta fica aberta à introdução do evangelho do divórcio, do evangelho sem o sexto mandamento. Isso não seria mais o Evangelho de Jesus mas um anti-evangelho, o evangelho segundo este mundo, ainda que esse evangelho apareça cosmeticamente enfeitado com palavras como “misericórdia”, “solicitude maternal” ou “acompanhamento”.

Neste contexto, devemos relembrar  uma exortação apostólica de São Paulo que advertia:

Mas, até mesmo se nós ou um anjo do céu vos anunciar como Evangelho o contrário daquilo que vos anunciámos, seja anátema. (Gl 1, 8)

TVL: Mas, Sua Excelência, já alguma vez um evento deste tipo aconteceu na Igreja?

AS: No que concerne à doutrina e práxis relativas ao Sacramento do Matrimónio e à validade perene da lei moral, nós estamos a testemunhar hoje a uma ambiguidade de âmbito tal, apenas comparável à confusão geral da crise Ariana do séc. IV.

TVL: O que poderá acontecer se os “dubia” dos quadro cardeais continuarem por responder?

AS: A função primordial do Papa foi divinamente definida por Nosso Senhor, que é confirmar os seus irmãos na Fé. Confirmar na Fé significa afastar dúvidas e esclarecer. Somente o serviço de esclarecimento da Fé produz verdadeira unidade na Igreja. Esta é a primeira e inevitável função do Papa. Se o Papa não cumprir a sua função nas presentes circunstâncias, os bispos terão de ensinar indefetivelmente o Evangelho imutável da divina doutrina moral e perene disciplina do casamento, ajudando fraternalmente, deste modo, o mesmo Papa, porque o Papa não é um ditador. De facto, Cristo disse:

«Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.» (Mt 20, 25-27)

Além disso, a Igreja inteira deve rezar pelo Papa, para que ele encontre o conhecimento e a coragem para cumprir a sua função primordial. Quando o primeiro Papa, São Pedro, foi encarcerado, toda a Igreja orou continuamente por ele e Deus libertou-o das suas correntes.

TVL: Mas não haverá eventualmente, se este problema persistir, um risco de cisma?

AS: Não há apenas um risco de cisma, mas um certo tipo de cisma já existe na Igreja. Cisma significa, em grego, separar-se da totalidade do corpo. Cristo é a totalidade do corpo da Verdade Divina e a unidade no Seu corpo sobrenatural é também visível. Contudo, nós assistimos hoje a uma forma bizarra de cisma. Externamente, muitos clérigos salvaguardam a unidade formal com o Papa, por vezes pelas suas próprias carreiras ou por uma espécie de papolatria mas, ao mesmo tempo, quebraram os laços com Cristo, que é a Verdade e verdadeira cabeça da Igreja. Por outro lado, há clérigos que têm sido acusados de cismáticos, apesar de viverem canonicamente em paz com o Papa e permanecerem fiéis a Cristo, a Verdade, promovendo assiduamente o Seu Evangelho da Verdade.

É evidente que aqueles que são internamente os verdadeiros cismáticos, em relação a Cristo, recorrem à calúnia com o único objetivo de silenciar a voz da Verdade, ao projetarem absurdamente o seu próprio estado de cisma interno naqueles clérigos que, independentemente dos louvores ou das repreensões, defendem a Verdades Divina.

De facto, como diz a Sagrada Escritura, a palavra da Divina Verdade “não pode ser acorrentada” (2Tm 2, 9). Mesmo se um grande número de responsáveis de elevado estatuto dentro da Igreja hoje obscurecerem temporariamente a verdade da doutrina do casamento e a sua perene disciplina, essa doutrina e essa disciplina permanecerão sempre imutáveis na Igreja porque a Igreja não é uma fundação humana, mas divina.

TVL: Obrigado, Sua Excelência, por essas palavras cheias de Fé, esperança e caridade.

Tradução: odogmadafe.wordpress.com

 

Basto 12/2016

ALERTA: O desastre dos dubia mostra que a Igreja atravessa uma “guerra civil religiosa”, afirma o famoso historiador católico

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Roberto de Mattei – LifeSiteNews

Por Pete Baklinski

ROMA, 5 de dezembro, 2016 (LifeSiteNews) – O historiador católico italiano Roberto de Mattei afirmou que a recusa do Papa Francisco em responder às perguntas dos quatro Cardeais, que questionam se a Amoris Laetitia está em conformidade com a doutrina católica, é em si “já uma resposta”, cujas implicações, refere ele, mostram que a Igreja Católica atravessa uma “guerra civil religiosa”.

“Esta situação é tão grave que uma posição neutra não é mais possível. Hoje estamos em guerra, uma guerra civil religiosa”, disse Mattei em entrevista exclusiva à LifeSiteNews, no mês passado, em Roma.

“É importante compreender que hoje há uma escolha clara entre a fidelidade à Igreja, ao perene Magistério, ou a infidelidade, que significa erros, heresia e apostasia”, disse ele.

De Mattei, professor da Universidade Europeia de Roma e presidente da Fundação Lepanto, advertiu que há uma “tremenda confusão dentro da Igreja” causada pelo ambíguo ensinamento moral do Papa, especialmente na sua exortação de abril, Amoris Laetitia, sobre a qual afirma que causou “divisão” e “fragmentação” entre bispos, sacerdotes e os fiéis.

A exortação foi especificamente criticada por fiéis católicos porque compromete a indissolubilidade do casamento, abrindo uma porta para casais em relações adulteras receberem a Sagrada Comunhão, e por fazer da consciência o árbitro final da moralidade. Como alguns críticos temiam, a exortação está já a ser utilizada por alguns bispos liberais para acolher abertamente, nas paróquias, as “famílias” homossexuais e para autorizar casais adúlteros a receber a Sagrada Comunhão em certos casos.

Quando, em setembro, os quatro cardeais perguntaram em privado ao Papa – seguindo um procedimento normal na Igreja – se a exortação está em conformidade com os ensinamentos católicos sobre o casamento, os sacramentos e a consciência, o papa não respondeu às suas perguntas.

Concretamente, os cardeais perguntaram: 1) se os adúlteros podem receber a Sagrada Comunhão; 2) se existem normas morais absolutas que devem ser seguidas “sem exceções”; 3) se o adultério habitual é uma “situação objetiva de pecado grave habitual”; 4) se um ato intrinsecamente mau pode ser transformado em ato “subjetivamente bom” em função das “circunstâncias ou intenções”; e 5) se, em função da “consciência”, se pode agir contrariamente às conhecidas “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus”.

Depois os cardeais divulgaram publicamente as suas perguntas, no mês passado, apenas para receberem duras críticas de prelados de elevado estatuto, incluindo dois que foram recentemente nomeados cardeais pelo Papa Francisco. Os quatro têm sido acusados de serem “agitadores”, necessitados de “conversão”, de “apostasia” e “escândalo”, de darem ao Papa uma “bofetada na cara” e de criarem “obstáculo e divisão”.

De Mattei argumentou, contudo, que não foram os quatro cardeais que criaram o problema, mas o Papa.

“A causa desta confusão, a autoria desta confusão não está nos quatro cardeais, é claro. Eu penso que o principal autor da confusão é o Papa Francisco, porque é desde o seu pontificado que as coisas avançam tão rapidamente, tão depressa”, disse ele. – “Por vezes parece que ele gosta de criar essa confusão.”

De Mattei disse que os cardeais, quando submeteram as suas cinco perguntas (dubia) ao Papa, agiram de um “modo perfeito, de um ponto de vista canónico”.

“Considero muito grave o facto de o Papa, que é o chefe supremo da congregação, não ter querido responder. De facto, isso já é uma resposta”, disse ele.

De Mattei considerou “muito oportuno” que os cardeais prossigam com o que um deles – Cardeal Burke – chamou de “ato formal de correção” dos erros encontrados na exortação papal.

“A importância desta iniciativa não é apenas avisar o Papa sobre os erros encontrados na Amoris Laetitia, mas também advertir os fiéis, informar os fiéis, porque há confusão entre os fiéis, mas há também ignorância. E eu acho que temos o dever de consciencializar os fiéis da gravidade desta situação”, disse ele.

“Esta situação é tão grave que uma posição neutral não é mais possível. Hoje estamos em guerra, uma guerra civil religiosa, infelizmente. Eu não gosto desta guerra, mas estamos nela envolvidos contra a nossa vontade. Não criámos a situação, mas esta situação obriga-nos a todos a adotar uma posição clara. E para isso, acho que temos de agradecer aos quatro cardeais pela sua coragem e instigá-los a continuarem a sua ação e seu testemunho”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 5 de dezembro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 12/2016