ALERTA: O desastre dos dubia mostra que a Igreja atravessa uma “guerra civil religiosa”, afirma o famoso historiador católico

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Roberto de Mattei – LifeSiteNews

Por Pete Baklinski

ROMA, 5 de dezembro, 2016 (LifeSiteNews) – O historiador católico italiano Roberto de Mattei afirmou que a recusa do Papa Francisco em responder às perguntas dos quatro Cardeais, que questionam se a Amoris Laetitia está em conformidade com a doutrina católica, é em si “já uma resposta”, cujas implicações, refere ele, mostram que a Igreja Católica atravessa uma “guerra civil religiosa”.

“Esta situação é tão grave que uma posição neutra não é mais possível. Hoje estamos em guerra, uma guerra civil religiosa”, disse Mattei em entrevista exclusiva à LifeSiteNews, no mês passado, em Roma.

“É importante compreender que hoje há uma escolha clara entre a fidelidade à Igreja, ao perene Magistério, ou a infidelidade, que significa erros, heresia e apostasia”, disse ele.

De Mattei, professor da Universidade Europeia de Roma e presidente da Fundação Lepanto, advertiu que há uma “tremenda confusão dentro da Igreja” causada pelo ambíguo ensinamento moral do Papa, especialmente na sua exortação de abril, Amoris Laetitia, sobre a qual afirma que causou “divisão” e “fragmentação” entre bispos, sacerdotes e os fiéis.

A exortação foi especificamente criticada por fiéis católicos porque compromete a indissolubilidade do casamento, abrindo uma porta para casais em relações adulteras receberem a Sagrada Comunhão, e por fazer da consciência o árbitro final da moralidade. Como alguns críticos temiam, a exortação está já a ser utilizada por alguns bispos liberais para acolher abertamente, nas paróquias, as “famílias” homossexuais e para autorizar casais adúlteros a receber a Sagrada Comunhão em certos casos.

Quando, em setembro, os quatro cardeais perguntaram em privado ao Papa – seguindo um procedimento normal na Igreja – se a exortação está em conformidade com os ensinamentos católicos sobre o casamento, os sacramentos e a consciência, o papa não respondeu às suas perguntas.

Concretamente, os cardeais perguntaram: 1) se os adúlteros podem receber a Sagrada Comunhão; 2) se existem normas morais absolutas que devem ser seguidas “sem exceções”; 3) se o adultério habitual é uma “situação objetiva de pecado grave habitual”; 4) se um ato intrinsecamente mau pode ser transformado em ato “subjetivamente bom” em função das “circunstâncias ou intenções”; e 5) se, em função da “consciência”, se pode agir contrariamente às conhecidas “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus”.

Depois os cardeais divulgaram publicamente as suas perguntas, no mês passado, apenas para receberem duras críticas de prelados de elevado estatuto, incluindo dois que foram recentemente nomeados cardeais pelo Papa Francisco. Os quatro têm sido acusados de serem “agitadores”, necessitados de “conversão”, de “apostasia” e “escândalo”, de darem ao Papa uma “bofetada na cara” e de criarem “obstáculo e divisão”.

De Mattei argumentou, contudo, que não foram os quatro cardeais que criaram o problema, mas o Papa.

“A causa desta confusão, a autoria desta confusão não está nos quatro cardeais, é claro. Eu penso que o principal autor da confusão é o Papa Francisco, porque é desde o seu pontificado que as coisas avançam tão rapidamente, tão depressa”, disse ele. – “Por vezes parece que ele gosta de criar essa confusão.”

De Mattei disse que os cardeais, quando submeteram as suas cinco perguntas (dubia) ao Papa, agiram de um “modo perfeito, de um ponto de vista canónico”.

“Considero muito grave o facto de o Papa, que é o chefe supremo da congregação, não ter querido responder. De facto, isso já é uma resposta”, disse ele.

De Mattei considerou “muito oportuno” que os cardeais prossigam com o que um deles – Cardeal Burke – chamou de “ato formal de correção” dos erros encontrados na exortação papal.

“A importância desta iniciativa não é apenas avisar o Papa sobre os erros encontrados na Amoris Laetitia, mas também advertir os fiéis, informar os fiéis, porque há confusão entre os fiéis, mas há também ignorância. E eu acho que temos o dever de consciencializar os fiéis da gravidade desta situação”, disse ele.

“Esta situação é tão grave que uma posição neutral não é mais possível. Hoje estamos em guerra, uma guerra civil religiosa, infelizmente. Eu não gosto desta guerra, mas estamos nela envolvidos contra a nossa vontade. Não criámos a situação, mas esta situação obriga-nos a todos a adotar uma posição clara. E para isso, acho que temos de agradecer aos quatro cardeais pela sua coragem e instigá-los a continuarem a sua ação e seu testemunho”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 5 de dezembro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 12/2016

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