Bento XVI foi afastado do ofício pelos “lobos” que referiu? Uma “carta fatídica”? O mistério aprofunda-se.

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Por Christopher A. Ferrara

A história gravará para sempre as chocantes palavras do recém-eleito Papa Bento XVI na Missa de inauguração do seu pontificado: “Rezem por mim, para que eu não fuja por medo dos lobos.” Tais palavras tornaram-se numa profecia.

Os “normalistas” que insistem que não há nada de errado com o atual pontificado – um grupo cujo número de membros tem diminuindo rapidamente – apresentam-se imperturbáveis pelo modo absolutamente sem precedentes pelo qual Bento XVI deixou a Cadeira de Pedro: mantendo o nome papal, as vestes papais, a insígnia papal, a residência papal no Vaticano e, como Bento XVI afirma, o aspeto “passivo” do ofício petrino (oração e contemplação) como o primeiro “Papa Emérito da história da Igreja.

Se um bispo emérito ainda é bispo, não será um Papa Emérito ainda Papa? Se assim não for, será o título de “Papa Emérito” nada mais que um disparate vazio? Mas se ele ainda se considera de alguma forma um Papa, como se explica dois Papas a viver no Vaticano? Como poderia um Papa que renuncia a seu cargo ser ainda de algum modo Papa, se a eleição para o papado não produz qualquer mudança ontológica no homem – tal como uma marca indelével na alma, como acontece com a ordenação sacerdotal ou com a consagração episcopal – mas apenas lhe confere o ofício papal que, neste caso, foi supostamente renunciado?

Eu não proponho respostas definitivas a estas questões. O que é todavia mais provável é que Bento XVI tenha fugido do papado assumidamente por causa da incapacidade para suportar as suas exigências, devido à sua idade avançada. Mas terá ele fugido por medo dos lobos que claramente viu no início do seu curto pontificado? E quem são esses lobos?

O mistério não só continua como se aprofunda mais a cada dia que passa do tumulto bergogliano. Agora aparece um Mons. Luigi Negri, amigo de Bento XVI, que declara em entrevista ao Rimini2.0 que a abdicação de Bento XVI é “um gesto inaudito” tomado quando estava “sob enorme pressão”. Mas que tipo de pressão e por quem foi aplicada? Negri classifica corretamente o caso como “um mistério muito sério” e promete que, quando o seu “fim do mundo pessoal” chegar , a “primeira pergunta que eu farei a São Pedro será precisamente sobre este assunto”.

Curiosamente, após a entrevista de Negri, o antigo porta-voz do Serviço de Imprensa do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, proferiu uma negação pró-forma, citando a declaração de Bento XVI, proferida numa entrevista com Peter Seewald, em que afirmava que havia renunciado ao “exercício” do ofício petrino “em plena liberdade e responsabilidade”. Não houve, ainda assim, qualquer declaração de Bento XVI em resposta ao seu amigo Mons. Negri.

Agora, a frase “plena liberdade e responsabilidade” não é inconsistente com uma renúncia sob pressão. Ninguém está a sugerir que alguém tenha colocado uma arma na cabeça de Bento XVI ou negado de outra forma a sua livre vontade. Não, a questão é se a resignação seria, ainda assim, motivada até certo ponto pelo medo de algo que possa ter influenciado indevidamente a sua vontade: o “medo dos lobos” que o próprio Bento XVI mencionara. Se esse medo cresceu ou não ao ponto de invalidar a resignação e se “os lobos” foram quem aplicou a pressão, cabe a cada católico exigir saber quem são eles e estar de guarda perante os seus próximos movimentos e esquemas que estiverem a tramar.

Neste sentido, o mistério aprofunda-se. O aparentemente muito bem relacionado bloguista italiano de pseudónimo “Fra Cristoforo”, cujo blogue Anonimo della croce afirma ter fontes dentro Casa Santa Marta, respondeu à negação do Pe. Lombardi com uma reivindicação explosiva: “Dentro de um mês, Anonimo della croce terá a capacidade de publicar o conteúdo da carta fatídica que Bento recebeu antes de decidir a demissão”.

“Fra Cristoforo” continua:

“Além disso, o padre Lombardi, como tantos outros jornalistas, deve permanecer em silêncio sobre este assunto. Porque as razões para a renúncia do Papa Ratzinger não são banalidades. São razões sérias. E não foi por causa da saúde débil ou de outras razões teológicas. Mas por razões sérias, muito sérias… Sobre este assunto, publicaremos daqui a um mês.”

Talvez dentro de um mês alguma luz seja finalmente derramada sobre a misteriosa, sem precedentes e estranhamente qualificada renúncia do Papa Bento XVI, um evento que deve figurar na profecia do Terceiro Segredo de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 10 de março de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

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