Celebração do 13 de maio com o Usus Antiquior

Numa diligência inusitada, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei concedeu a todos os sacerdotes do Rito Latino a faculdade de celebrar, no dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, a Missa Vocativa da Festa do Imaculado Coração de Maria segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano, portanto, ad orientem e com as leituras e orações do missal tradicional.

Ecclesia Dei
Decreto da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei de 05/04/2017 – Fonte: Rorate Caeli

Esta louvável diligência causa alguma perplexidade porque parece mais um incentivo do que propriamente uma autorização, uma vez que o Usus Antiquior, comummente denominado Missa Tridentina, para além de nunca ter sido ab-rogado, coabita hoje de modo pacífico na Igreja Católica, como Forma Extraordinária do Rito Romano, desde a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI, em 2007.

Uma década depois da promulgação do Motu Proprio de Bento XVI, contrariamente ao que estabeleceu o Santo Padre, a Forma Extraordinária do Rito Romano continua ainda interdita à esmagadora maioria dos fiéis, como acontece em Portugal. E é uma pena, dada a riqueza e a beleza da Missa Tradicional, da qual derivou o Novus Ordo, a celebração da Missa na forma à qual estamos habituados. Entre outros grandes benefícios para a Igreja, a celebração contínua e frequente da Eucaristia na Forma Extraordinária seria a referência necessária para se evitarem os excessos e abusos a que assistimos hoje em muitas das Eucaristias celebradas de acordo com Forma Ordinária do mesmo rito.

O episódio protagonizado pela pontifícia comissão criada por João Paulo II e presidida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ao ter lugar precisamente agora, no centenário das aparições de Fátima, tem de estar de algum modo relacionado com a aproximação do Triunfo do Imaculado Coração de Maria, profetizado em Fátima e desejado para breve nas orações do Santo Padre Bento XVI.

Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade.

(Sua Santidade Bento XVI, em Fátima, a 13 de maio de 2010)

Seria uma magnífica celebração do centenário das Aparições de Fátima se todos os sacerdotes portugueses pudessem, nesse dia, proporcionar aos fiéis a celebração da Eucaristia na forma que os pastorinhos a conheciam. Mesmo que não simpatizem com o Usus Antiquior, poderiam sempre abrir uma exceção nesse dia especial e oferecer o sacrifício em honra de Nossa Senhora de Fátima. Talvez até acabassem por gostar…

Basto 4/2017

9 thoughts on “Celebração do 13 de maio com o Usus Antiquior

  1. Desde 2015 tenho ido àquelas que serão às únicas missas celebradas regular e publicamente em Portugal ao abrigo do MP Summorum Pontinficum (em S. Nicolau em Lisboa),

    Tenho a distinta impressão que a ‘experiência’ não vai durar muito tempo. Não está em causa a falta de interesse dos fiéis, nem a disponibilidade dos sacerdotes, mas os ventos de Roma sopram noutra direção. Se no tempo do outro senhor isto não andou para a frente, não será agora que as coisas irão mudar…

    O futuro será mais próximo disto: https://secretummeummihi.blogspot.pt/2017/04/articulo-de-afp-sobre-celebraciones-de.html

    • É difícil entender a desobediência da Igreja Portuguesa ao Summorum Pontificum de Bento XVI. Como é difícil também entender a fobia universal em ralação à Missa Antiga como se fosse uma coisa perigosa…

  2. Há muito tempo que não se compreende:
    18 Junho 1968 Papa Paulo VI Constituição Apostólica Pontificalis Romani – Aprovados novos ritos de Ordenação dos diáconos, Padres e Bispos.

    30 de Junho de 1968 Homilia do Papa Paulo VI Motu Proprio Credo do Povo de Deus:
    “4. Ao fazer isto, bem sabemos que perturbações em relação à fé agitam hoje certos grupos de homens. Eles não escaparam à influência de um mundo que se está transformando profundamente e no qual tantas verdades são postas em discussão ou totalmente negadas. Mais ainda: vemos que até alguns católicos se deixam dominar por uma espécie de sede de mudança e novidades. A Igreja, sem dúvida, julga ser de sua obrigação continuar sempre o seu esforço em penetrar mais e mais os insondáveis mistérios de Deus, ricos de tantos frutos de salvação para todos, e em apresentá-los ao mesmo tempo, de modo cada vez mais apto, às gerações que se sucedem. Mas é preciso juntamente empregar o máximo cuidado a fim de que, ao cumprir o necessário dever da investigação, não se destruam verdades da doutrina cristã. Se isto acontecesse – e vemos dolorosamente como hoje de fato acontece – iria causar perturbação e dúvida no espírito de muitos fiéis.”

    Apesar de tudo já vamos vendo pelo mundo fora sacerdotes, bispos e cardeais a concordar que a aplicação do concílio em alguns casos não foi a melhor e deve ser corrigida.

    • Paulo VI foi o Papa que reparou que, de alguma forma, o fumo de Satanás estava a entrar no Templo de Deus. Hoje é mais do que evidente que o CVii – um concílio válido e com coisas boas, do meu ponto de vista – marcou cronologicamente o início de uma espiral de demolição da Igreja Latina que deve estar a aproximar-se do seu termo, embora talvez ainda não tenha batido completamente no fundo.

  3. É verdade, vemos actualmente os dois movimentos. Um sentido de demolição que continua e parece aprofundar-se e ao mesmo tempo vemos em vários locais pessoas a tomar consciência da situação, mesmo entre membros do clero.

    É pena no nosso país nos membros do clero ainda não se ver esse movimento para voltar a colocar Deus no centro, a olhar para o sagrado, para o caminho de santidade e para a salvação da alma.

    • Portugal é o país dos brandos costumes, do politicamente correto, mas ainda existem bons padres. O grande problema de Portugal é a falta de informação. A informação católica no nosso país está limitada quase exclusivamente à Agência Ecclesia e à Rádio Renascença, onde predomina a cegueira total face aos escândalos que vêm de Roma (portanto, para os portugueses em Portugal eles não existem) e onde é mais do que evidente uma determinada tendência editorial.

    • Infelizmente tivemos à pouco tempo o infeliz texto do Cardeal Patriarca sobre as mudanças na liturgia que parecem ignorar a realidade.

      Aqui no ponto 3:
      http://www.patriarcado-lisboa.pt/site/index.php?id=8070

      “Só podemos estar agradecidos ao movimento litúrgico que, com o CV II, nos restituiu uma Liturgia mais próxima da antiga tradição.”

      • A única coisa que posso dizer neste momento é que não sei o que dizer! Sinto-me ridiculamente minúsculo e insignificante para conseguir compreender o significado de algumas coisas, não obstante o esforço empreendido.

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