Poroshenko pede a Constantinopla para reconhecer a autocefalia da Igreja Ucraniana

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Poroshenko in RISU, 28/07/2017

No dia 28 de julho, data em que se assinalava o batismo de São Vladimir o Grande e dos Rus de Kiev (início da cristianização daquilo que é hoje a Ucrânia, a Rússia e outras nações do Leste Europeu), o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, publicou uma mensagem na sua conta facebook onde exorta o Patriarca de Constantinopla a reconhecer a independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana face a Moscovo.

Há 1029 anos atrás, Vladimir o Grande tomou uma grande decisão ao batizar os Rus da Ucrânia e aceitou a fé cristã da Igreja de Constantinopla, que para nós é ainda a Igreja Mãe, e é esta Igreja que esperamos que reconheça a autocefalia da Igreja Ucraniana – equivalente a outras Igrejas ortodoxas nacionais e, claro, espiritual e administrativamente independente de Moscovo, o estado agressor.

(Petro Poroshenko in RISU, 28/07/2017 – tradução)

A mensagem aparece junto a um curto vídeo da estátua de São Vladimir existente na capital ucraniana.

A mensagem do presidente ucraniano é uma dupla provocação contra Rússia, nesta região europeia onde o nacionalismo se confunde com a religião. Por um lado, rejeita a autoridade religiosa do Patriarcado de Moscovo sobre a Ucrânia e, por outro, reconhece Constantinopla como a sede legítima da ortodoxia (estatuto contestado pela Igreja Ortodoxa Russa).

Basto 7/2017

Portugal e o depósito da Fé

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Por Pedro Sinde

Os portugueses têm uma imagem de si próprios, espiritualmente, muito menorizada; não é demais, no entanto, insistir que eles têm uma missão; uma missão que os uniu durante séculos e que foram cumprindo quase sem pensar nisso. É verdade que no “interregno”, entre 1580 e 1640, os portugueses pareciam pensar já ter perdido a razão de existir como País, pois, na verdade, a primeira parte da sua missão universal se cumprira já: levar a todo o mundo o cristianismo. Esse período de sessenta anos equivaleu à manifestação exterior de uma mudança de ciclo no interior da alma portuguesa – como o pousio para um campo, assim foi a sua breve reintegração peninsular. A Restauração viria a ser o sinal de que ainda havia sentido para a sua existência.

Em 1646, quando D. João IV entrega Portugal, com a coroa, à Imaculada, semeia uma semente do mundo espiritual nesta nossa terra; semente que permaneceu debaixo da terra, da terra da alma portuguesa, até 1917, altura em que veio a florescer em Fátima. O santuário do Sameiro (1890), dedicado também à Imaculada, foi um primeiro rebento, que veio preparar aquela eclosão de Fátima, situada, curiosamente, em termos geográficos, entre os dois prestigiados santuários à Imaculada que o precederam: Sameiro e Vila Viçosa; e também praticamente coincidindo, de modo bastante significativo, com o centro geográfico de Portugal.

Em 1917, a Virgem veio, pois, dizer aos portugueses que a sua missão se transformara, se subtilizara, mas que iria continuar. Deus quis assim ensinar a três crianças humildes, aquilo que aos doutores quis esconder. E esses mesmos doutores ainda hoje riem pirronicamente das três crianças, ignorando que a sabedoria de Deus é loucura para os homens

No contexto deste artigo, interessa-nos destacar dois aspectos da mensagem de Fátima, ligados à missão de Portugal:

1. A Virgem diz, em 13 de julho, que em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, e isso apesar dos tempos de generalizada apostasia em que temos vivido. Este ponto é o centro a partir do qual tudo o resto se ordenará: a fidelidade dos portugueses ao depósito da fé (se pudermos identificar “dogma da fé” com “depósito da fé”). A ideia de que haverá uma apostasia generalizada está, de resto, perfeitamente de acordo com o que diz o próprio Catecismo sobre o fim dos tempos (§ 675, onde se fala de uma “impostura religiosa” e de uma prova que “abalará a fé de numerosos crentes”) e, naturalmente, o Evangelho, nas tremendas palavras do Filho de Deus: “Quando, porém, voltar o Filho do Homem encontrará fé sobre a terra?” (Lc XVIII, 8). Se se conservará sempre, então, podemos pensar num papel espiritual análogo ao de um barco, uma barca, uma arca – uma arca de Noé –, enquanto durar o dilúvio espiritual da apostasia; foi em barcos que noutros tempos Portugal levou ao mundo inteiro a boa nova de Cristo, seria agora num barco, mas de outra natureza, que ajudaria a conservação do depósito da fé.

2. A Virgem veio também dizer que é vontade do seu Filho que o culto ao Coração Imaculado de Maria se difunda em todo o mundo: “para salvar as almas, Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Imaculado Coração”; estas são as palavras da Virgem logo depois de ter mostrado às três crianças a terrífica visão do Inferno. Ora, é muito evidente que isso não aconteceu ainda e que o culto ao Coração Imaculado não tem dentro da Igreja o lugar digno que corresponda ao desejo de Deus: o de o estabelecer no mundo! O que têm feito os portugueses para este fim? A Igreja portuguesa tem aqui uma função essencial, pedida expressamente pela Santa Virgem. Não seria pequeno o seu contributo se ajudasse a estabelecer no mundo esta devoção, que, na verdade, se vai estabelecendo, muitas vezes apesar da hierarquia. Mesmo em Fátima, esta devoção (penso por exemplo na prática dos Cinco Primeiros Sábados) está muito longe de ter o papel central que devia ter. E aqui se vê que o povo, que acorre a Fátima nos primeiros sábados, fá-lo normalmente por sua própria iniciativa; e esta é a nossa grande esperança, na verdade, a de que no seu sensus fidei, no seu sentido da fé, saiba sempre o povo reconhecer onde está a verdade, mantendo-se fiel; vox populi, vox Dei, voz do povo, voz de Deus.

Temos de nos recordar que a Virgem não pode ter dito em vão aquelas importantes palavras sobre o papel de Portugal na conservação do dogma; seguramente, quis que os portugueses tomassem consciência do que lhes estava reservado, para se prepararem. Lembremo-nos que as seis aparições da Virgem em 1917, foram precedidas pelas três aparições do anjo; este anjo identificou-se dizendo ser o Anjo de Portugal. Isto é absolutamente inusitado nas aparições marianas de todo o mundo e, por isso, devemos ver aí um sinal claro de que estas aparições se ligam intrinsecamente ao ser mais íntimo da identidade portuguesa. O essencial desta missão, ensinaram o Anjo e a Virgem, cumpri-la-á Portugal colaborando com os Céus pela intenção de reparação que deve presidir à sua oração e aos seus sacrifícios, segundo a amorosa doutrina do corpo místico.

Dir-se-ia, no entanto, que Portugal parece tanto à deriva como qualquer outro País para aparecer com uma missão tão grandiosa; também à deriva parecia estar a Arca no dilúvio, no entanto, como antes à Arca, também agora a Divina Providência o conduz, pelas mãos da Virgem: lembremos de novo que desde 1646 é ela quem tem a coroa e, por isso, o poder de reinar. O leme deste barco não está nas mãos dos homens, embora Deus se possa servir circunstancialmente deles. E é aqui que o primeiro ponto se cruza com o segundo, pois onde encontrará refúgio a doutrina, para se conservar, senão no Coração da Mãe? “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc II, 19)… Não é ela, afinal, a Sede da Sabedoria? Não é ela, afinal, a verdadeira Arca da Aliança? E não foi esta senão a prefiguração sua? A consagração de Portugal à Imaculada tem, certamente, relação com a manifestação do Coração Imaculado em Fátima e Balasar (sobre que esperamos escrever noutra ocasião); é no Coração da Mãe que encontraremos, sempre preservadas, as palavras do Filho. Se nos lembrarmos que o depósito da fé se conservará no Coração Imaculado, então será mais fácil de entender porque é que em Portugal, mais do que noutros lugares, se conservará, pois o nosso povo, desde a origem da nacionalidade, praticamente, é de uma fidelidade impressionante à Imaculada. E o povo que permanecer católico, vai perseverar nessa fé. E será dentro da nova Arca de Noé – agora Arca de Maria – que encontrará preservada a Palavra do Senhor: a doutrina, o dogma da fé, o depósito da fé. Porque ali, ainda hoje, a Imaculada medita o profundo mistério do seu Filho na imensidão amorável da Trindade. Assim, será a Imaculada, ela mesma, quem conservará, de novo, a palavra sagrada. Talvez a esta luz já não nos pareça tão inusitada a afirmação da Virgem em torno da conservação do dogma da fé em Portugal, porque aos portugueses caberá manter a fidelidade à Imaculada; e será à Imaculada que caberá a conservação do dogma, coisa que faz, como sua função, vencedora de todas as heresias, desde que meditava, no seu coração, como vimos, os eventos e as palavras do Filho.

Fátima é de uma coerência espantosa, não me canso de o constatar e sempre fico perplexo.

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 15 de fevereiro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho. A imagem foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 7/2017

Isso é uma piada? O Papa terá perguntado ao Cardeal pró-“gay” (“Missa de Balões”) Schönborn: A “Amoris Laetitia” é ortodoxa? Ignoradas as correções do Cardeal Müller.

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Oh sim, Sua Santidade! Perfeitamente ortodoxa.

Por Christopher A. Ferrara

O biógrafo liberal do Papa Bergoglio, Austin Ivereigh, refere que, durante uma sessão de perguntas e respostas sobre a Amoris Laetitia (AL), na Irlanda Ocidental, o Cardeal Christoph Schönborn fez a revelação assombrosa de que o Papa Bergoglio perguntou se a AL é ortodoxa e que Schönborn respondeu exatamente ao seu chefe aquilo que ele queria ouvir:

[Q]uando ele [Schönborn] encontrou o Papa logo após a apresentação da Amoris, Francisco agradeceu-lhe e perguntou-lhe se o documento era ortodoxo.

“Eu respondi, «Santo Padre, é totalmente ortodoxo»”, Schönborn disse-nos que tinha dito ao Papa, acrescentando que, alguns dias mais tarde, recebeu de Francisco uma pequena nota que dizia: «Obrigado por essa palavra. Isso deu-me conforto.»

Então, se este episódio for verdadeiro, temos um Papa que questiona a ortodoxia do seu próprio ensinamento depois de o publicar! Mas o mesmo Papa ignorou simplesmente a recomendação pré-publicação, com cerca de 20 páginas de correções à AL, do próprio prelado cuja função é examinar documentos papais na sua ortodoxia: o Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), a quem o Papa Bergoglio despediu brutalmente através de uma curta nota. Como Edward Pentin informou, nenhuma dessas correções foi aceite.

Confiar em Schönborn para confirmar se um documento que trata de moral sexual é ortodoxo é como confiar num ladrão para confirmar a segurança dos objetos de valor no cofre do quarto. Não foi outro senão Schönborn que, ignorando o ensinamento perentório da Igreja sobre o dever dos católicos de se oporem e recusarem a implementação de qualquer forma de reconhecimento legal das “uniões homossexuais”, declarou alegremente que elas são perfeitamente aceitáveis, desde que não sejam formalmente denominadas casamento: “Pode e deve respeitar-se a decisão de criar uma união com uma pessoa do mesmo sexo, para encontrar instrumentos legais que protejam a sua vida em conjunto e a sua situação com leis que garantam essa proteção.”

A confiança do Papa Bergoglio em Schönborn para dizer o que ele queria ouvir sobre AL data desde o momento em que a desastrosa exortação foi promulgada. Durante uma das suas conferências de imprensa aéreas, o Papa designou Schönborn como intérprete oficial da AL. Referindo-se a ele como “um grande teólogo”, citou a apresentação de Schönborn sobre a AL em resposta à questão de saber se os divorciados “recasados” poderiam ser admitidos à Sagrada Comunhão sem cessar o adultério – a resposta obviamente queria dizer “Sim”, como os eventos subsequentes tornaram claro. Mas Schönborn, nessa apresentação, apenas remeteu para o Papa Bergoglio, citando a AL:

«Ao pensar que tudo é preto e branco, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento, e desencorajamos caminhos de santificação que dão glória a Deus» (AL 205). Ele [Francisco] também nos lembra uma frase importante da Evangelii gaudium, 44: «Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correcta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades»(AL 304).

No sentido desta «via caritatis» (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada «em certos casos». Mas para esse propósito, ele não nos oferece casos de estudos ou receitas, mas simplesmente faz-nos lembrar duas das suas famosas frases: «Quero lembrar aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas sim um encontro com a misericórdia do Senhor» (EG 44), e a Eucaristia «não é um prémio para os perfeitos, mas um poderoso remédio e alimento para os fracos» (EG 47) “.

Então, o Papa Bergoglio consulta Schönborn, que por sua vez consulta o Papa Bergoglio, e assegura ao outro que não há nada mal com a AL. No entanto, 20 páginas de correções da CDF são lançadas no lixo e o autor dessas correções é sumariamente destituído do cargo.

Isto é uma piada. Mas a piada é muito instrutiva. Que melhor exemplo poderíamos ter para os estritos limites da infalibilidade papal tal como foi definida – infalivelmente – pelo Concílio Vaticano I? Se não for mais nada, o pontificado bergogliano serviu para quebrar o mito de que o Papa é uma espécie de oráculo divino, cujas expressões são ortodoxas pelo simples facto de um papa as ter proferido.

Como o concílio deixou claro, o Papa ensina infalivelmente somente quando define formalmente como dogma aquilo que a Igreja sempre ensinou em questões de fé e moral; o mesmo ensino constante que também é infalível devido à sua imutabilidade, e não devido ao simples facto de um papa ter feito alguma declaração de doutrina em determinado momento. Fora dessa esfera limitada, o erro papal não é apenas possível, mas, como vemos aqui, é inevitável se um Papa atua imprudentemente e só ouve o que quer ouvir de pessoas de ortodoxia questionável.

À medida que esta farsa caminha para a sua inevitável conclusão, devemos ter em atenção um documento de 1986, especificamente aprovado pelo Papa João Paulo II, onde a mesma CDF, rejeitada pelo Papa Bergoglio porque não lhe diz o que ele quer ouvir, alertou “aos Bispos que sejam particularmente vigilantes em relação aos programas que, de facto, tentam exercer pressão sobre a Igreja a fim de que ela mude a sua doutrina, embora, às vezes, verbalmente neguem que seja assim. Um estudo atento das declarações públicas neles contidas e das atividades que promovem revela uma calculada ambiguidade, através da qual procuram desviar pastores e fiéis.”

Quem poderia ter previsto que o mesmo aviso se aplicaria algum dia a um Papa e aos seus colaboradores? Resposta: a Mãe de Deus, cuja profecia no Terceiro Segredo de Fátima está agora a concretizar-se.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Freira canadiana recebe autorização do Vaticano para celebrar casamentos

Dada a carência de sacerdotes em Abitibi-Témiscamingue (Canadá), o bispo já lhe tinha concedido o privilégio de realizar batizados e outras tarefas pastorais. Talvez fosse por isso que D. Dorylas Moreau, bispo de Rouyn-Noranda, lhe chamava amigavelmente a “pastora”. Ainda assim, celebrar matrimónios estava claramente para além das suas atribuições…

Eu não posso casar. Não sou ordenada e não é a minha função.

(Ir. Pierrette Thiffault, in Ici Radio-Canada, 20/07/2017 )

Porém, segundo a imprensa local, no passado dia 23 de maio, a Ir. Pierrette Thiffault recebeu do Vaticano, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, uma carta com a permissão para presidir a uma cerimónia de Casamento.

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in Ici Radio-Canada, 20 de julho de 2017

Quando recebi a resposta, senti uma enorme responsabilidade e uma grande dignidade.

(Ir. Pierrette Thiffault, in Ici Radio-Canada, 20/07/2017 )

Uma “grande dignidade”…

Basto 7/2017

Orgia gay no Vaticano em apartamento do Santo Ofício

A notícia partiu do jornal italiano Il Fatto Quotidiano, no final do mês de junho, e reporta um alegado escândalo, envolvendo o Mons. Luiggi Capozzi, um clérigo cujo nome estaria proposto para ordenação episcopal. De acordo com a notícia, o proeminente sacerdote terá sido transportado de emergência, numa viatura oficial do Vaticano, para ser tratado na clínica Pio XI por causa do excessivo consumo de drogas numa orgia homossexual que terá ocorrido num apartamento pertencente à Congregação para a Doutrina da Fé. Os vizinhos queixaram-se da constante movimentação noturna de pessoas em direção àquele apartamento.

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Pontifício Conselho para os Textos Legislativos

Basto 7/2017

Pe. Vasco Pinto Magalhães, brincando com o fogo

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Por Pedro Sinde

Numa entrevista à Agência Ecclesia, o Pe. Jesuíta Vasco Pinto de Magalhães fala sobre o seu mais recente livro: O Mal e o Demónio (Edições Tenacitas, 2017). Este breve texto não é uma recensão do livro, mas antes um comentário sobre alguns pontos da referida entrevista.

Nos seus Pequenos Poemas em Prosa, Baudelaire dá voz a um pregador que diz o seguinte:

“Meus caros irmãos, não esqueçais nunca, quando escuteis glorificar o progresso das luzes, que a maior artimanha do diabo é de vos persuadir que ele não existe!”

Esta artimanha é tão bem engendrada que atingiu mesmo sacerdotes e bispos…

Vejamos algumas das citações da entrevista, colocadas lado a lado com as palavras do Catecismo, de alguns Papas e do Evangelho.

*

Pe. Vasco: “O demónio não é uma entidade pessoal que entra. O demónio é uma desordem, uma força desordenadora”

Catecismo: “o Mal [na petição do Pai Nosso “mas livrai-nos do Mal”] não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus.” (§2851)

Papa Paulo VI: O mal não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e pavorosa. Sai do quadro do ensino bíblico e eclesiástico quem se recusa a reconhecer a sua existência (…) ou quem a explica como uma pseudo-realidade, uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas das nossas desgraças. (Audiência Geral, 16 de Novembro de 1972)

Papa Francisco: “E pensar que nos queriam fazer crer que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia do mal! Ao contrário, o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. São Paulo recorda: é a palavra de Deus que no-lo diz! Mas parece que não estamos convencidos desta realidade”. (30 de Outubro de 2014)

Pe. Vasco: “Mas cada vez mais a Igreja sabe que é um problema psíquico.”

Pe. Gabriele Amorth: “Mas eu não faço exorcismo ao primeiro que passa! Antes vejo as fichas clínicas, os resultados de análises e as idas ao psiquiatra. Intervenho com as orações de libertação apenas quando a medicina não fez efeito”.

Catecismo: “O exorcismo tem por fim expulsar os demónios ou libertar do poder diabólico, e isto em virtude da autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata duma presença diabólica e não duma doença.”

Pe. Vasco: “Os grandes exorcistas, no fundo, nunca encontraram verdadeiramente um espírito, encontraram uma espiritualidade perturbada que precisa de ser reorganizada pelo amor.” “Os exorcismos de Jesus Cristo foi curar psicopatologias.”

Evangelho: «“Mestre, eu trouxe-te o meu filho que está possesso de um espírito mudo, que, onde quer que se apodere dele, o lança por terra, e o menino espuma, range com os dentes, e fica rígido. Pedi aos Teus discípulos que o expulsassem e não puderam.”

Jesus respondeu-lhes: “Ó geração incrédula! Até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo cá”. Trouxeram-Lho. Tendo visto Jesus, imediatamente o espírito o agitou com violência e, caído por terra, revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai dele: “Há quanto tempo lhe sucede isto?”. Ele respondeu: “Desde a infância. O demónio tem-no lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar; porém Tu, se podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Jesus disse-lhe: “Se podes…! Tudo é possível a quem crê”. Imediatamente o pai do menino exclamou: “Eu creio! Auxilia a minha falta de fé”. Jesus, vendo aumentar a multidão, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai desse menino e não voltes a entrar nele!”. Então, dando gritos e agitando-se com violência, saiu dele, e o menino ficou como morto, tanto que muitos diziam: “Está morto”. Porém, Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele pôs-se em pé. Depois de ter entrado em casa, os Seus discípulos perguntaram-Lhe em particular: “Porque o não pudemos nós expulsar?”. Respondeu-lhes: “Esta casta de demónios não se pode expulsar senão mediante a oração e jejum”. (Mc 9, 17-29)

Pe. Vasco: “O exorcismo não tira nada lá de dentro, o exorcismo comunica paz, equilíbrio, ordem, porque não há nada a tirar – um espírito não está dentro de outro espírito (…) O espírito não tem dentro nem fora. Portanto, é uma fantasia nossa para explicar um bocadinho essa realidade”

Evangelho, de novo: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele.”

Evangelho, mais uma vez: “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (1Jo 3, 9)

Breve comentário

A posição do Pe. Vasco é de uma assustadora ingenuidade, de grande irresponsabilidade e com consequências devastadoras. Representa, na verdade, uma certa tendência teológica presente há muito na Igreja; assim, este artigo aproveita o pretexto desta entrevista, mas visa essa corrente ‘modernista’, que está convencida que a doutrina ‘evolui’, que passámos por uma idade das trevas na Igreja e agora vamos chegando à ‘idade das luzes’.

O Pe. Vasco, com a sua ‘hermenêutica’ muito pessoal, contradiz directamente as palavras de Cristo, a doutrina da Igreja e as palavras, reiteradas sucessivamente, do próprio Papa Francisco (bem como, naturalmente, a de todos os Papas anteriores).

Terminemos, lembrando as palavras do Papa São João Paulo II, pouco tempo antes de se tornar Papa:

“Hoje, estamos diante do maior combate a que a humanidade já assistiu. Não penso que a comunidade cristã o tenha compreendido totalmente. Hoje, estamos diante da luta final entre a Igreja e a Anti-Igreja, entre o Evangelho e o Anti-Evangelho”.

As palavras de um sacerdote que vai ser ouvido e lido devem ser pesadas e pensadas; a sua responsabilidade é a de subir acima de si mesmo e dos seus particulares pensamentos, para transmitir fielmente a doutrina da Igreja. Aos crentes enquanto tal não lhes interessa saber as opiniões pessoais, as ‘hermenêuticas’ superficiais de um sacerdote. Aos crentes, enquanto tal, interessa-lhes ouvir a doutrina de forma corajosa e clara, sobretudo num tempo que a Irmã Lúcia recorrentemente caracterizava, justamente, como de “desorientação diabólica”.

Um interessante extratexto

O grande exorcista do Vaticano, Padre Gabriele Amorth, revela-nos que a “invocação de João Paulo II tem um efeito devastador sobre o diabo” e diz ainda que “Satanás teme muitíssimo Bento XVI; as suas missas, as suas bênçãos, as suas palavras são como poderosos exorcismos”.

Este texto foi publicado na plataforma Academia.edu no dia 23 de julho de 2017.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, neste caso o filósofo português Pedro Sinde, a presente edição visa apenas a sua divulgação.

 

Basto 7/2017

Ave Stella Maris

O quadrante é um instrumento básico de navegação usado pelos homens do mar, pelo menos desde o séc. XIII. Simples e rudimentar, permite a orientação a partir da constatação da altura de um astro até à linha do horizonte visual do navegador. Para se orientar, o navegador deve encontrar o astro de referência, permanecer firme no seu lugar, e apontar o quadrante para perceber precisamente a altura a que o astro se encontra no firmamento.

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Salvador Dali, 1951

 

Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus.
E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras;
e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e a vida do mundo que há-de vir. Ámen.
(Credo Niceno-Constantinopolitano)

 

visão de Tuy
Visão da Santíssima Trindade e do Imaculado Coração de Maria, na aparição de 13 de junho de 1929, em Tuy, Espanha (de acordo com a descrição da Ir. Lúcia).

 

1ª Oração do Anjo de Fátima:

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.

Peco-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

 

1ª Oração do Anjo de Fátima:

Santíssima Trindade,
Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo,
Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da Terra,
em reparação dos ultrajes,
sacrilégios e indiferenças
com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

NASA -Península Ibérica 04.12.2011
Península Ibérica em dezembro de 2011 – Earth Observatory, NASA

Durante a noite, se as nuvens da tempestade não deixam ver as estrelas, ou mesmo que 1/3 delas caia do Céu, há sempre uma que jamais perderá o seu brilho, a Estrela do Mar. O nosso quadrante é o rosário.

Amanhã será um novo dia.

Quando rezardes o terço dizei depois de cada dezena:

Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno.

Levai as alminhas todas para o Céu, socorrei principalmente as que mais precisarem.

(Nossa Senhora, em Fátima, a 13 de julho de 1917)

Basto 6/2016

Ex-chefe da doutrina no Vaticano critica a forma como o Papa o demitiu: “Não posso aceitar” o seu estilo

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Por John-Henry Westen

ROMA, 7 de julho, 2017 (LifeSiteNews) – O cardeal Gerhard Müller, chefe da doutrina recentemente demitido do Vaticano, dirigiu uma dura crítica ao Papa Francisco.

Em entrevista ao jornal alemão Passauer Neue Presse, o Cardeal revelou detalhes da reunião em que conheceu a recusa do Papa em renovar o seu mandato de cinco anos como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF).

O costume nos últimos 50 anos tem sido o de renovar o mandato de Prefeito pelo menos até ele chegar à idade de aposentação.

O Papa Francisco, segundo o cardeal Müller, “comunicou a sua decisão” de não lhe renovar o mandato “em menos de um minuto”, no último dia de trabalho do seu mandato de cinco anos, e não lhe comunicou qualquer justificação.

“Este estilo [sic] não posso aceitar”, disse Müller. Ao lidar com os funcionários, “o ensino social da Igreja deve ser aplicado”, acrescentou.

Para o Cardeal Müller, a sua própria demissão é uma reminiscência da recente demissão de três importantes sacerdotes do seu escritório na CDF por ordem do Papa. Antes do Natal do ano passado, o cardeal Müller dirigiu-se ao Papa para discutir os despedimentos, pois, quando ouviu falar deles, ficou perplexo por os competentes padres terem sido demitidos sem explicação.

O famoso Vaticanista Marco Tosatti relatou a substituição dos três sacerdotes desta forma:

 

[Müller] disse: “Sua Santidade, recebi estas cartas (exigindo a demissão dos sacerdotes), mas não fiz nada porque essas pessoas estão entre os melhores do meu dicastério… o que fizeram eles?” A resposta foi a seguinte: “E eu sou o Papa, não preciso de dar justificações por nenhuma das minhas decisões. Eu decidi que eles têm que sair e eles têm que sair.” Levantou e esticou a mão para indicar que a audiência tinha terminado.

Apesar das suas críticas ao estilo do Papa, o cardeal Müller assumiu, no entanto, a sua lealdade ao Pontífice e espera continuar em Roma e talvez servir de ligação entre o Papa e os três restantes cardeais dos dubia.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 7 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Entrevista de D. Athanasius Schneider à Rádio Renascença

Mons. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão) e membro da Ordem de Santa Cruz de Coimbra, foi o convidado desta semana na entrevista radiofónica da jornalista Aura Miguel na Renascença.

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D. Athanasius Schneider celebra a Santa Missa no Santuário de Fátima (na Capela da Ressurreição), seguindo a forma extraordinária do Rito Latino, na manhã do passado dia 14 de julho

D. Atanasius Schneider passou recentemente por Portugal onde participou em vários eventos.

Basto 7/2017