Deus-elefante venerado em igreja espanhola

ganesh

Ganesh, uma divindade hindu com duas pernas, quatro braços e cabeça de elefante, foi transportado esta semana em procissão desde o Mar Mediterrâneo até ao interior do Santuário de Santa Maria de África, em Ceuta. Santa Maria de África é a padroeira do enclave espanhol no Norte de África.

Recorrendo a uma frase feita, “muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente“… Estão enganados!

Basto 8/2017

Magistério do Papa Francisco sobrepõe-se gradualmente ao Magistério da Igreja

O Vaticano tem reagido positivamente ao silêncio comprometedor e outorgante da maioria dos católicos espalhados pelo mundo, continuando, assim, a promover a nova pastoral do adultério nos órgãos de comunicação semioficiais da Santa Sé.

revista celam
in Radio Vaticano, 28/08/2017

Depois de um curto período de estranheza inicial face ao exotismo da nova doutrina da misericórdia, altura em que se exigia uma certa subtileza de linguagem para não chocar os fiéis, hoje, os novos ensinamentos de Francisco I são já pregados de forma aberta nos meios de comunicação social da Igreja Católica, sem qualquer tipo de rodeios ou inibições. É o novo “magistério do Papa Francisco” sobre a “comunhão eucarística por parte dos divorciados que se encontram em uma nova união”, um magistério que “implica uma mudança da disciplina vigente” ao sabor das “decisões dos sujeitos”…

revista celam2.jpg
in Radio Vaticano, 28/08/2017

Assim prega o arcebispo argentino Víctor Manuel Fernández, homem muito próximo do Santo Padre Francisco, com quem partilha a crença na nova misericórdia, e alegado “escritor fantasma” da Amoris Laetitia.

revista celam3.jpg
Livro: “CURA-ME COM A TUA BOCA: A ARTE DE BEIJAR” do teólogo Víctor Manuel Fernández – “Nestas páginas, o autor enfatiza a importância do beijo como o suporte nas relações tanto amorosas como afetivas, enquanto ensina o leitor a beijar melhor.” (in página da editora LUMEN – tradução)

O “magistério do Papa Francisco”, pregado pelo Mons. Víctor Manuel Fernández, propõe-se assim a substituir, ainda que de forma não assumida, o ensinamento de sempre da Igreja. Algo que não preocupa minimamente uma grande maioria de católicos, que, posicionados num espectro que pode ir desde uma histeria papolátrica invulgar até a um indiferente silêncio comprometedor, já aprovaram a nova religião que se pretende implantar sobre as estruturas da antiga. Estaremos a entrar numa nova era pós-cristianismo?

revista celam4.jpg
São João Batista e Mons.Victor Manuel Fernández, dois pregadores com orientações pastorais completamente diferentes.

Quando dois profetas ensinam doutrinas contraditórias, um deles tem de ser falso.

Basto 8/2017

Sítio oficial do Vaticano publica carta de Francisco aos bispos de Buenos Aires

Como reparou a publicação espanhola InfoCatólica, o sítio oficial da Santa Sé passou a disponibilizar online, a partir deste mês de agosto, a carta através da qual o Papa Francisco I autorizou explicitamente os bispos de Buenos Aires a abrir a Sagrada Comunhão a adúlteros não arrependidos da Argentina. Deste forma, e tal como acontece com outros documentos papais, as indicações dadas pelo Santo Padre nesta carta, que já era oficial, veem o seu âmbito alargado à escala universal.

carta.bispos.argentina
in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Neste momento, são já poucas as pessoas que ainda não ultrapassaram completamente a fase de negação da realidade, ao mesmo tempo que aumenta gradualmente o grupo dos aderiram à nova doutrina. Mas como um dia haveremos de prestar contas diante de Deus, não só pelos nossos atos mas também pelo nosso silêncio, convém lembrar que, nessa carta, o Santo Padre disse claramente aos bispos da Argentina que “não há outras interpretações” possíveis do “Capítulo VIII da Amoris Laetitia, elogiando a sua proposta pastoral que prevê a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas decididas a permanecer em situação de adultério.

carta.bispos.argentina2.jpg
in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Deste modo, a aprovação e o apreço manifestados pelo Papa são, mais uma vez, divulgados para todo o mundo e de modo oficial. É uma resposta clara, embora enviesada, aos famosos dubia. Algo que já tinha sido feito no ano passado, ainda que de forma não tão oficial, através do L’Osservatore Romano e da Radio Vaticano.

Nessa altura, a maior parte da Igreja Católica não viu ou não quis ver.

carta.bispos.argentina3.jpg
in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Um ano depois, a opção por não ver continua naturalmente ao dispor de cada um, dentro da liberdade que Deus nos deu.

Basto 8/2017

Manuais escolares censurados no Portugal democrático

A censura editorial colocou dois manuais escolares da Porto Editora no índex dos títulos proibidos no regime democrático português. Porquê? Porque – imagine-se o horror – o autor lembrou-se de fazer duas versões, uma para ir mais ao encontro dos gostos das meninas e outra para meninos.

Mas que violência tão grande sobre as pobres criancinhas!

Entretanto, a Porto Editora já recebeu uma simpática recomendação do XXI Governo Constitucional e, democraticamente, acabou por retirar os livros do mercado antes que comece o novo ano letivo.

Basto 8/2017

Papa Francisco invoca autoridade magisterial da Igreja para declarar a irreversibilidade da reforma litúrgica

No atual momento em que reina a confusão na Igreja católica, quando bispos e sacerdotes condenam tantas almas ao Inferno, convidando pessoas obstinadas em pecado mortal a receberem sacrilegamente a Sagrada Comunhão, por causa da exortação apostólica Amoris Laetitia, o Papa Francisco I invoca finalmente a autoridade do infalível Magistério da Igreja. Porém, ainda não é desta que o Santo Padre mostra alguma preocupação por essas almas em risco de condenação eterna.

E hoje ainda há trabalho a ser feito nesta direção, em particular redescobrindo os motivos das discussões realizadas com a reforma litúrgica, superando leituras infundadas e superficiais, recepções parciais e práticas que a desfiguram. Não se trata de repensar a reforma revendo as suas escolhas, mas de conhecer melhor as razões subjacentes, também por meio da documentação histórica, como de interiorizar os princípios inspiradores e de observar a disciplina que a regula. Depois deste magistério e depois deste longo caminho, podemos afirmar com segurança e com autoridade magisterial que a reforma litúrgica é irreversível”.

(Papa Francisco in Radio Vaticano, 24/08/2017)

Afinal não só os “fundamentalistas” que recorrem à autoridade do Magistério da Igreja!

 

Tesourinhos deprimentes:

Basto 8/2017

Primeiro encontro de casais adúlteros na diocese de Goya, Argentina

corrienteshoy
in Corrientes Hoy, 22/08/2007

Os bispos da Argentina têm sido dos mais avançados do mundo na aplicação da nova pastoral do discernimento e integração do adultério proposta pelo Papa Francisco. Na verdade, foram eles os que levaram menos tempo a compreender o que se pretendia realmente com a Amoris Laetitia, no fundo, aquilo que o Santo Padre tem vindo a pedir, de forma subtil mas insistente, logo desde o início do seu pontificado.

Na verdade – e só não vê que não quer mesmo ver – os critérios dos bispos argentinos foram aprovados e elogiados por Francisco e, posteriormente, divulgados pelos órgãos de informação do Vaticano para servirem de exemplo para outras comunidades católicas.

Depois da celebração de uma missa solene, na arquidiocese de Santa Fé, para dar a Comunhão a pessoas que vivem relações adúlteras já aprovadas por “discernimento”, chegou agora vez da diocese de Goya oferecer as estas pessoas um caminho alternativo ao tradicional arrependimento e contrição.

“é uma questão de integrar todos, é preciso ajudar cada um a encontrar o seu próprio modo de participar na comunidade eclesial, para que ele se sinta objeto de uma misericórdia «imerecida, incondicional e gratuita»” 

“ninguém pode ser condenado para sempre”, porque “não é a lógica de Evangelho. Não me refiro somente aos divorciados em uma nova união, mas a todos, em qualquer situação em que se encontrem, é sempre o caminho de Jesus, o da misericórdia e da integração. O caminho da Igreja não é o de condenar ninguém”

(Mons. Adolfo Canecin, bispo coadjutor da diocese de Goya, in Corrientes Hoy, 22/08/2007 – tradução)

Basto 8/2017

Correção Formal ao Papa Francisco: 12 factos que é preciso conhecer

12facts.lifesitenews.jpg

Por Dorothy Cummings McLean

ROMA, Itália, 18 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Em entrevista ao The Wanderer, no dia 14 de agosto, o cardeal Leo Burke afirmou ser “necessária” uma “correção” formal de alguns dos ensinamentos do Papa Francisco a respeito do casamento e da família.

Aqui estão 12 factos sobre a correção proposta:

1) A correção será uma tentativa de eliminar a confusão e sanar as divisões na Igreja Católica causadas por divergentes interpretações da exortação pós-sinodal, do Papa Francisco, Amoris Laetitia.

2) A correção seguirá os cinco dubia (perguntas) sobre as implicações doutrinais dos parágrafos 300 a 305 da Amoris Laetitia enviados ao Papa Francisco e ao Cardeal Gerhard Müller, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 19 de setembro de 2016.

3) Os dubia, assim como a carta anexa, foram assinados pelos cardeais Walter Brandmüller, Carlo Caffarra, Joachim Meisner (agora falecido) e Raymond Burke.

4) O Papa Francisco optou por não responder aos dubia e, por conseguinte, a confusão e a divisão a respeito da Amoris Laetitia mantêm-se dentro da Igreja Católica, necessitando de uma correção.

5) Como evidência desta divisão, afirmou o cardeal Burke ao The Wanderer, “Os bispos contam-me que, quando insistem no verdadeiro ensinamento da Igreja a respeito das uniões matrimoniais irregulares, as pessoas simplesmente rejeitam os seus ensinamentos. Dizem que outro bispo ensina de modo diferente e eles preferem segui-lo”.

6) Como evidência adicional da divisão, o cardeal Burke citou o arcebispo de Malta, que declarou que os bispos malteses “seguem o ensinamento do Papa Francisco e não o de outros Papas”, uma afirmação que o cardeal Burke considera “chocante”.

7) Apesar de não ter acontecido durante séculos uma correção formal a um Pontífice reinante em questões doutrinárias, já houve correções a Papas anteriores em várias questões, incluindo assuntos administrativos.

8) A correção proposta afirmará o ensino claro da Igreja Católica a respeito do casamento, família, atos intrinsecamente maus e outros assuntos postos em causa pela Amoris Laetitia, confrontando-os com o que tem sido “de facto ensinado” pelo Papa Francisco.

9) Se houver uma correção, ela chamará o Papa Francisco a corrigir os seus ensinamentos em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja.

10) A correção constituirá uma declaração formal à qual o Papa Francisco será, na opinião do cardeal Burke, “obrigado” a responder.

11) O cardeal Burke afirmou que o Pontífice Romano é o princípio da unidade entre todos os bispos, tendo portanto a responsabilidade de pôr termo à atual divisão entre os bispos através de um pronunciamento claro do ensinamento da Igreja.

12) Rejeitando qualquer tipo de cisma formal, o cardeal Burke acredita que existe atualmente apostasia dentro da Igreja, conforme fora previsto por Nossa Senhora de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 18  de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

FSSPX celebra o centenário de Fátima no parque de estacionamento do Santuário

FSSPX1.jpg

Se correspondeu às expectativas anunciadas à imprensa, a peregrinação a Fátima organizada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) terá reunido cerca de 10000 fiéis provenientes de 60 países dos cinco continentes, mais de 100 padres, três bispos e muitas dezenas de freiras. São números que não deixam ninguém indiferente pela sua dimensão, mas o que maior espanto causa nesta peregrinação acaba por ser o espaço onde decorreram as principais cerimónias religiosas, nomeadamente, um dos muitos parques de estacionamento automóvel contíguos ao Santuário de Fátima, ou seja, lá fora!

FSSPX2.jpg

Controvérsias à parte, os fiéis da FSSPX são conhecidos pela grande perseverança na Fé Católica e pela santidade que procuram dar às suas vidas. Muitos destes peregrinos fizeram milhares de quilómetros para participarem na primeira ou até talvez a única peregrinação das suas vidas a Fátima, tendo sacrificado milhares de euros por causa de uma genuína devoção a Nossa Senhora. Vieram a Fátima para rezar no parque de n.º 14 do Santuário! Não há aqui algo de profundamente errado?

Quem estiver em condições de explicar o que esteve na base deste absurdo que o faça! A nós, cabe-nos reparar que, precisamente 100 anos antes, por razões diferentes, a aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos também ocorreu num lugar diferente do habitual, exterior àquilo que é hoje o recinto do Santuário de Fátima.

Basto 8/2017

Fátima e Ourique: duas profecias, dois milagres, um povo

ourique.colaço.jpg
Painel de Jorge Colaço, 1933 (vista parcial) – imagem de Joseolgon, adaptado

 

Por Pedro Sinde

A Portugal foi atribuído um papel fundamental neste tempo do fim; Fátima é a espantosa explanação dessa missão hoje. No entanto, Fátima é “apenas” o culminar de um processo que tem origem rigorosamente na fundação de Portugal; se olharmos para trás a partir do que se passou em Fátima, poderemos entrever melhor o que aconteceu em Ourique, na aparição de Cristo a D. Afonso Henriques. A missão com que Cristo sagrou o nosso País, manifestou-se desde logo pela definição da sua fronteira, por tal modo que é inequivocamente uma das mais antigas do mundo. Esta definição das fronteiras não é um elemento menor, porque é um dos sinais exteriores da forte identidade e, portanto, da homogeneidade da alma portuguesa. As palavras que Cristo dirige a D. Afonso Henriques são, como veremos, o programa da razão de ser da existência de Portugal; programa que vem a ser explicado, aprofundado e completado com a mensagem de Fátima: em Ourique, a aparição de Cristo ao Fundador, àquele que viria a ser o primeiro rei deste povo; em Fátima, a aparição da Virgem a três crianças, os mais puros representantes do povo português.

ourique.frei.manuel.dos.reis
Visão de D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique (Frei Manuel dos Reis, 1665)

I. Portugal nos Evangelhos

Entre os vários sinais que, segundo os Evangelhos, devem acontecer antes do fim dos tempos, alguns são difíceis de definir (como guerras, fomes, pestes, terramotos – Mt, 24, 6-7) dado que na história sempre encontrámos vários destes elementos; no entanto, há três eventos absolutamente inequívocos; assim, sabemos que o fi m dos tempos não chegará sem que se cumpram estas três condições:

1) o anúncio do cristianismo deve ter chegado a todo o mundo (Mt, 24, 14);

2) deve aparecer o “homem do pecado”, o Anticristo, e, com ele, a apostasia global (2 Tess 2, 2-4): dir-se-ia que, tal como no primeiro se espalha a fé de Cristo, neste se espalha a ‘fé’ do Anticristo);

3) os judeus converter-se-ão, reconhecendo Jesus, na Sua segunda vinda, como o Messias de que sempre estiveram à espera (Rom 11, 11-15 e 25).

Relendo o ponto 1), logo vemos que a Portugal em particular – e à Península Ibérica em geral – coube a espantosa missão de dar o maior contributo para a realização do primeiro destes eventos. No tempo de D. Manuel, o cronista Duarte Galvão estava completamente consciente disto. Esta consciência de estar a desempenhar um papel sagrado, anunciado por Cristo, dá uma dimensão impressionante à acção dos Descobrimentos; diz o cronista que o Redentor ordenou que por mãos dos portugueses se espalhasse “pelo mundo quase outra segunda pregação dos apóstolos para notificação da nossa fé” e essa “universal manifestação” seria para assim se “cumprir o que nosso Senhor disse: «que seu Evangelho havia de ser notificado por o mundo universo antes da fi m, em testemunho a todalas gentes»” (Galvão, p. 6). Mas Duarte Galvão projecta esta consciência mesmo para o tempo do Fundador; é bastante impressionante ver o modo pelo qual ele interpreta a eleição do bispo negro, por parte de D. Afonso Henriques, como um sinal antecipador da missão evangelizadora universal que viria a ser a de Portugal. Explicando que se tratou, pois, de uma eleição desejada por Deus, para que “as gentes tintas das Etiópias e Índias, e outras terras novamente pela sua navegação e conquista achadas, viessem entrar e ser metidas na fé de Cristo” (idem, p. 82). Vemos assim como logo na história do nosso primeiro rei, estava latente, segundo a vibrante hermenêutica de Duarte Galvão, a nossa primeira missão, que foi a de protagonizarmos a expansão da fé, levando-a nas caravelas às “sete partidas do mundo” e cumprindo assim esta primeira imensa missão referida nos Evangelhos. Vemos, pois, Portugal – sagrado por Cristo – a realizar o que Cristo mesmo anunciou nos Evangelhos: Portugal nos Evangelhos.

II. Um Só Milagre: de Ourique a Fátima

Os Céus falaram em Portugal, marcando o início da nossa monarquia e o seu fi m, altura em que os Céus se manifestam novamente em plena catástrofe política, ódio à religião, ateísmo militante, violência contra os crentes, consagrados e sacerdotes. Assim, pela aparição da Virgem, os Céus vieram salvar o povo que ainda devia cumprir uma parte da sua missão.

Vejamos agora algumas curiosas coincidências entre a promessa profética contida no texto de Duarte Galvão e a mensagem de Fátima, isto é, entre a aparição de Cristo a D. Afonso Henriques e a aparição da Virgem em Fátima, para assim ilustrarmos a unidade ou a continuidade dos dois milagres que são, na verdade, um só, por assim dizer.

Diz Duarte Galvão que “nesta aparição [de Cristo] foi o Príncipe dom Afonso Henriques certificado por Deus de sempre Portugal haver de ser conservado em reino” (idem, pp. 58-59). Com estas palavras, pois, promete Cristo que Portugal sempre existirá. Isto é o que diz Cristo em Ourique; e o que diz a Virgem em Fátima?

“Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”. Não é interessante que os termos (que assinalei), pelos quais Cristo se dirige a D. Afonso Henriques, segundo Duarte Galvão, sejam os mesmos pelos quais a Virgem se dirige às três crianças? E tanto mais que em ambos os casos se trata de profecias sobre o destino de Portugal: na primeira, Cristo assegura que Portugal se conservará sempre como nação, como “reino”; na segunda, a Virgem assinala que em Portugal o dogma da fé se conservará sempre.

Mas as semelhanças não ficam por aqui. Vejamos agora as palavras de D. Afonso Henriques a Cristo no momento mesmo da aparição, sempre segundo as inspiradas palavras de Duarte Galvão:

“Senhor, aos hereges, aos hereges é que é preciso que apareças, porque eu sem nenhuma dúvida creio e espero em ti firmemente.” (idem, p. 58). O que vemos aqui, não é o germe, diria mesmo, o próprio espírito da primeira oração do anjo? Recordemos essa primeira oração que o anjo de Portugal ensinou às três crianças: “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.” As palavras de D. Afonso Henriques são compostas de duas partes: a primeira, é um pedido e, a segunda, uma afirmação; um pedido de conversão para os hereges e uma afirmação da sua própria fé e esperança. Aí encontramos rigorosamente os mesmos traços que encontramos, como já vimos noutro artigo, na primeira oração que o anjo de Portugal viria a ensinar aos pastorinhos e, através deles, a todos os portugueses e a todos os católicos e a todos os homens. Também nesta última oração (ver Fulgores de Fátima, III, no Diário do Minho de 16 de Dez. de 2015), temos duas partes: uma é justamente um pedido de perdão, de conversão para que os que “não crêem” venham a crer (tal como o rei fundador vem pedir a Cristo que apareça aos hereges, para que creiam!) e a outra é uma afirmação de fé e de esperança, os dois elementos coincidentes em ambas as orações. A de Fátima vem apenas a ser aperfeiçoada ou, melhor, explicitada, como o crescimento de uma mesma planta, que vem dos primórdios da fundação da nacionalidade até aos nossos dias. Podemos dizer também que Fátima vem, surpreendentemente, iluminar e confirmar sobrenaturalmente o milagre de Ourique.

III. História de Portugal: Ciclo Crístico e Ciclo Mariano

Podemos, com base nesta perspectiva, olhar para a história de Portugal e decifrar, então, dois grandes ciclos nítidos. O primeiro, a que podemos chamar o Ciclo de Cristo ou crístico e o segundo, o Ciclo da Virgem ou mariano. O primeiro vai da fundação até à perda da independência (1580) e o segundo começa com a Restauração (1640):

  • Ciclo crístico: é o de expansão, de exteriorização, e também da guerra, e termina com a “paixão” de Portugal em Alcácer Quibir com D. Sebastião – figura, aliás, bem crística, onde o consciente português projectou justamente a fi gura de Cristo: Cristo tendo morrido às mãos dos judeus, D. Sebastião, tendo morrido às mãos dos mouros. Ocorre-me aqui o belo título do poema de Vasco da Gama Rodrigues, descrevendo Portugal como O Cristo das Nações.
  • Ciclo mariano: é o da interiorização, da paz, e começa com a Restauração, aliás, começa rigorosamente com a entrega do nosso reino à Virgem por D. João IV.

Terminada aquela primeira missão, de que o último arremedo foi D. Sebastião, a missão de Portugal passou para um domínio da alma: o “Quinto Império” seria o do espírito, o regresso do D. Sebastião, seria o regresso do Messias. Tendo levado o cristianismo às “sete partidas do mundo”, ficou-lhe, no entanto, o amargor da missão por cumprir, a nostalgia, a saudade daquilo que sabe que virá a acontecer no tempo, mas que ainda não aconteceu no espaço. Os portugueses, depois de séculos voltados para a acção, quando lhes foi pedida a contemplação ficaram como que perdidos – e ainda não saíram desse torpor: só o povo, praticamente, cumpre a missão que lhe foi pedida pela Virgem em Fátima – os intelectuais divorciaram-se de Portugal ou, se se mantiveram fieis a Portugal, divorciaram-se, mesmo que parcialmente, do povo, não o acompanhando nesta missão.

aparição.de.agosto.jpg
Local da 4.ª aparição de Fátima que aconteceu nos Valinhos no dia 19 de agosto de 1917 – imagem de János Korom Dr., adaptada

Não ouvimos nós hoje os Céus clamarem aos portugueses, como antes o anjo clamou aos pastorinhos quando estes brincavam, já depois de se terem comprometido com a tremenda missão que lhes coube? «Que fazeis? Orai, orai muito. Os corações santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia.» De Alcácer Quibir até Fátima acontece a Restauração e a entrega do Reino à Virgem, nossa Rainha verdadeira, com o espantoso voto, de cavalaria espiritual, de defender a Imaculada Conceição nem que seja com o nosso sangue!

Termina, por assim dizer, o ciclo de Cristo ali e inicia-se o ciclo da Virgem, culminando na teofania (angelofania e mariofania) de Fátima. A missão de Portugal subtilizou-se: depois de levar a possibilidade de conversão a todo o mundo, devia agora rezar pela conversão de todo o mundo, tornando-se o “altar do mundo”. Os poetas da Renascença Portuguesa tiveram uma certa intuição, uma notável intuição, mas não era o tempo de terem a intuição certa, pois isso só com o conhecimento integral da mensagem de Fátima poderiam ter visto. Em Ourique, Portugal recebeu, por Cristo, a missão evangelizadora, para ser sobretudo ele o impulsionador no mundo da realização daquele primeiro profético ponto dos Evangelhos que referimos acima; em Fátima, cumprida essa missão, foi ainda digno de receber a missão de anunciar ao mundo o segundo daqueles três eventos, acima referidos: a vinda do Anticristo, referindo-se à apostasia generalizada. Encontramos este anúncio noutras aparições anteriores da Virgem (como em Quito, no Equador, e depois em La Sallette); não posso aqui deter-me agora naquelas aparições. Em todo o caso, Fátima vem reiterar aquelas mensagens de forma conclusiva. Quando a Virgem anuncia que “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé”, está a dizer-nos que pelo menos em alguns outros locais não se conservará de todo; se juntarmos, como fizemos no último artigo, a mensagem de Fátima ao Catecismo e agora ao Evangelho, veremos facilmente que Fátima, nesta afirmação, vem já avisar-nos para o problema da apostasia generalizada a que se refere S. Paulo, obra do Anticristo nestes tempos a que a Irmã Lúcia intitulava, de forma muito significativa, expressiva e impressionante de “desorientação diabólica”. Devemos procurar estar à altura daquilo que a promessa da Virgem nos exige, isto é, devemos procurar estar, com todas as nossas forças, entre quantos se situam ao lado daqueles que lutam para conservar o dogma da fé e contra quantos procuram alterá-lo.

Não esqueçamos que o “dia do Senhor virá como o ladrão de noite; nesse dia os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão” (II Pedro 3, 10). Sejamos nós, pois, daqueles que segundo S. Pedro, nesta mesma carta: “aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis, em paz.” Em Paz; naquela Paz que Cristo dá, mas não como a dá o mundo: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (Jo, 14, 27)

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 16 de outubro de 2016.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho. As imagens e as ligações externas foram adicionadas na presente edição, não fazem parte da publicação original.

Basto 8/2017

Cardeal Burke: Como se configurará a correção formal ao Papa Francisco

Burke.lifesitenews.jpg

 

Por Pete Baklinski

16 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Uma vez que o Papa Francisco optou por não responder às cinco questões sobre se a sua exortação Amoris Laetitia está em conformidade com os ensinamentos católicos, torna-se “necessária” uma “correção” das orientações em que o seu ensinamento se afasta da fé católica, disse o Cardeal Raymond Burke numa nova entrevista .

O Cardeal, que é um dos quatro que, há quase um ano, assinaram os dubia para pedirem ao Papa a clarificação dos seus ensinamentos, explicou, em entrevista ao The Wanderer, como prosseguiria o processo para a realização de uma “correção formal”.

“Parece-me que a essência da correção é bastante simples”, explicou Burke.

“Por um lado, define-se o ensino claro da Igreja; por outro lado, é apresentado o que é realmente ensinado pelo Pontífice Romano. Se houver uma contradição, o Pontífice Romano é chamado a corrigir o seu próprio ensinamento em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja”, afirmou.

“Levanta-se a questão: Como seria isso feito? É feito muito simplesmente por uma declaração formal à qual o Santo Padre seria obrigado a responder. Os cardeais Brandmüller, Caffarra, Meisner e eu usamos uma antiga prática da Igreja para propor os dubia ao Papa”, continuou o Cardeal.

“Isso foi feito de uma forma muito respeitosa e não de modo agressivo, a fim de dar-lhe a oportunidade de afirmar o ensino imutável da Igreja. O Papa Francisco escolheu não responder aos cinco dubia, portanto agora é necessário simplesmente afirmar o que a Igreja ensina sobre o casamento, a família, atos intrinsecamente maus e assim por diante. Estes são os pontos que não são claros nos atuais ensinamentos do Pontífice Romano; portanto, esta situação deve ser corrigida. A correção incidiria então principalmente sobre esses pontos doutrinários”, acrescentou.

No ano passado, os quatro cardeais trouxeram a público as suas perguntas (dubia) depois que o Papa não lhes ter dado uma resposta. Eles esperavam que, respondendo às suas cinco perguntas de sim-ou-não, o Papa dissiparia o que eles chamavam de “incerteza, confusão e desorientação entre muitos fiéis” decorrentes da controversa exortação.

Em junho, os quatro cardeais publicaram uma carta dirigida ao Papa na qual pediram, sem sucesso, uma audiência privada para discutir “a confusão e a desorientação” existente dentro da Igreja devido à exortação.

cardeais.dubia.lifesitenews
Da esquerda para a direita, primeiro em cima e depois em baixo: cardeais Raymond Burke, Joachim Meisner (agora falecido), Walter Brandmüller e Carlo Caffarra

A exortação tem sido usada por vários bispos e grupos de bispos, incluindo os da Argentina, Malta, Alemanha e Bélgica, para emitir diretrizes pastorais que autorizam que a Comunhão seja dada a católicos divorciados-civilmente-recasados a viver em adultério. Mas os bispos do Canadá e da Polónia emitiram declarações, com base na leitura do mesmo documento, proibindo tais casais de receber a Comunhão.

O papa Francisco não entrou ainda em diálogo com os três restantes cardeais.

Burke afirmou na entrevista ao The Wanderer que o Papa é o “princípio da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

“No entanto, a Igreja está a despedaçar-se neste momento com confusão e divisão”, disse ele.

“O Santo Padre deve ser chamado a exercer o seu ofício para pôr fim a isto”, acrescentou.

Se o Papa mantiver a sua recusa em responder aos dubia, o “próximo passo seria uma declaração formal reafirmando os ensinamentos claros da Igreja, conforme o estabelecido nos dubia“, disse Burke.

“Para além disso, seria declarado que essas verdades da Fé não estão a ser afirmadas com clareza pelo Pontífice Romano. Por outras palavras, em vez de colocar as perguntas conforme foi feito nos dubia, a correção formal daria as respostas de forma clara, em conformidade com o que os ensinamentos Igreja”, acrescentou.

É  amplamente consensual que os Cardeais, seguindo as doutrinas da Igreja sobre o casamento, a confissão e a Eucaristia, responderiam às cinco perguntas de sim-ou-não deste modo:

  1. Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão? NÃO
  2. Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”? SIM
  3. Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”? SIM
  4. Após as afirmações de Amoris Laetitia (n. 302) são os ensinamentos de João Paulo II na Veritatis Splendor ainda válidos de que “circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção”? SIM
  5. Depois da Amoris Laetitia (n. 303), ainda é necessário considerar válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II “que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más pelo próprio objeto”? SIM

O cardeal Burke afirmou que os fiéis católicos que estão frustrados com a liderança do Papa Francisco na Igreja não devem considerar alguma ideia de “cisma”.

“As pessoas falam de um cisma de facto. Eu sou absolutamente contrário a qualquer tipo de cisma formal – um cisma nunca pode ser correto”, disse ele.

“As pessoas podem, no entanto, estar a viver numa situação cismática se o ensino de Cristo foi abandonado. A palavra mais apropriada seria a única que Nossa Senhora usou na sua Mensagem de Fátima: apostasia. Pode haver apostasia dentro da Igreja e, de facto, é o que está a acontecer. Relacionado com a apostasia, Nossa Senhora também se referiu à falha dos pastores em manter a Igreja unida”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Athanasius Schneider: a interpretação do 3.º Segredo não é infalível

Schneider.jpg

 

No final da palestra proferida por D. Athanasius Schneider, há cerca de um mês, em Fátima, intitulada “O significado profético extraordinário da mensagem de Fátima”, proporcionou-se um pequeno momento de perguntas colocadas pela assistência. Alguém questionou o bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria de Astana (Cazaquistão) sobre a sua opinião a respeito da interpretação dada pelo Vaticano ao “bispo vestido de branco”, figura central do 3º Segredo de Fátima divulgado no ano 2000.

D. Athanasius Schneider, com toda a clareza que o caracteriza, foi muito direto e pragmático na sua resposta: “não é uma interpretação ex cathedra“, então “não é infalível”. E esclareceu que o 3º Segredo diz que o Santo Padre foi assassinado, portanto não pode referir-se a João Paulo II, uma vez que este sobreviveu ao atentado.

Schneider2
Fátima, 14 de julho de 2017

A referida palestra teve lugar no passado dia 14 de julho, em Fátima, no auditório do Hotel Santo Amaro, tendo sido organizada pelo Adelante la Fe. Para já, o texto do discurso de D. Athanasius Schneider está disponível apenas em castelhano no sítio da conhecida publicação católica espanhola.

Basto 8/2017