Clero é o “principal obstáculo” à agenda do Papa Francisco: jornal do Vaticano

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Por Pete Baklinski

ROMA, 27 de julho, 2017 (LifeSiteNews) – O “principal obstáculo” que o Papa Francisco encontra na implementação da sua agenda para a Igreja vem da “falta de abertura, se não mesmo hostilidade” de “uma boa parte do clero, tanto nos altos níveis como nos baixos”, dizia um artigo do jornal semi-oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano, no fim de semana.

Giulio Cirignano, um padre italiano e especialista em Escritura, da Faculdade Teológica da Itália Central, acusou todos os níveis do clero – padres, bispos e cardeais – de se oporem à agenda do Papa porque estão ligados a formas tradicionais de pensamento e de práticas.

“O principal obstáculo que se coloca no caminho de conversão que o Papa Francisco quer trazer para a Igreja é constituído, até certo ponto, pela atitude de uma boa parte do clero, nos altos e nos baixos níveis… uma atitude, por vezes, de não abertura se não hostilidade”, afirmou.

Cirignano defende que, em geral, são os fiéis, e não o clero, os únicos que reconhecem que agora é o “momento favorável” para a “conversão” da Igreja defendida pelo Papa Francisco.

“A maioria dos fiéis tem compreendido, apesar de tudo, o momento favorável, o Kairos, que o Senhor está a oferecer à sua comunidade. A maior parte está a comemorar”, afirmou.

“Mesmo assim, a parte [da comunidade] mais próxima de pastores pouco iluminados mantém-se atrás de um velho horizonte, o horizonte das práticas habituais, da linguagem fora de moda, do pensamento repetitivo vazio de vitalidade”, acrescentou.

Cirignano apontou vários fatores para explicar porque é que grande parte do clero não apoia a agenda do Papa para a Igreja. Isso inclui, explicou, o facto de muitos possuírem um “modesto nível cultural”, uma imagem inaceitável do que significa ser sacerdote e ainda confusão teológica a respeito de Deus e da religião.

Muitos clérigos que se opõem ao Papa Francisco, continuou, atuam a partir de uma velha teologia, associada à Contra-Reforma. Tal teologia, disse ele, é “sem alma.” Ela é responsável por transformar a “apaixonante e misteriosa aventura de acreditar” em “religião” que não atinge o nível de uma “fé” verdadeira.

Cirignano explicou que tal “religião” produz um “deus hipotético” que é, “para a maior parte, projeção humana da sua mente.”

“A religião surge a partir do medo e das necessidades humanas… Tem no entanto esta grande limitação: o Deus da religião é, para a maior parte, a projeção humana da sua mente, dos seus medos, das suas necessidades. É um deus hipotético.”

“Quando o sacerdote é muito marcado por uma mentalidade religiosa e muito pouco por uma fé límpida, então tudo se torna mais complicado”, disse ele, acrescentando: “Arrisca-se a ser a vítima de muitas coisas inventadas pelo homem a respeito de Deus e da Sua vontade.

A palavra “religião” vem de uma palavra latina que significa “vincular”. Através da religião, os católicos vinculam-se às verdades da fé, principalmente como foi expresso pelos primeiros credos da Igreja (o dos Apóstolos e o de Niceia) que ainda hoje são recitados. O Catecismo da Igreja Católica ensina a necessidade de tais declarações formais na religião católica, uma vez que elas ajudam quem as professa a “alcançar e aprofundar a fé de todos os tempos.”

Desde a sua eleição em 2013, o Papa Francisco tem impulsionado uma visão da Igreja onde as práticas pastorais entram por vezes em conflito com o constante ensinamento católico e onde casos complicados se tornam a exceção à regra.

Os seus ensinamentos ambíguos, especialmente os da sua controversa exortação Amoris Laetitia, de 2016, levaram bispos e cardeais a interpretar as suas palavras de formas que conduziram a práticas pastorais contraditórias.

Aqueles que têm pedido clarificação ao Papa, como os quatro cardeais (um dos quais já faleceu), bem como numerosos teólogos católicos e académicos, têm sido ignorados.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 27 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

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