Bento XVI: os recasados estão no coração da Igreja

Recuperemos aqui este belo momento de Bento XVI, em Milão (Itália), durante o VII Encontro Mundial das Famílias, em 2012:

Será que esta doutrina bimilenar passou de moda? Mas desde quando é que a Verdade de Cristo se submete ao espírito da época?

Realçamos:

Considero grande tarefa duma paróquia, duma comunidade católica, fazer todo o possível para que elas sintam que são amadas, acolhidas, que não estão «fora», apesar de não poderem receber a absolvição nem a Comunhão: devem ver que mesmo assim vivem plenamente na Igreja. Mesmo se não é possível a absolvição na Confissão, não deixa talvez de ser muito importante um contacto permanente com um sacerdote, com um director espiritual, para que possam ver que são acompanhadas, guiadas. Além disso, é muito importante também que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participam nela se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem a recepção «corporal» do Sacramento, podemos estar, espiritualmente, unidos a Cristo no seu Corpo. É importante fazer compreender isto.

(Bento XVI, 22/06/2012, in Vatican.va)

Apenas alguns meses depois:

Isto foi apenas o prelúdio. O resto da história já todos conhecemos porque estamos a vivê-la em tempo real. Uma história verdadeiramente inacreditável, principalmente pelo cenário de silêncio cúmplice em que tem vindo a desenrolar-se.

Basto 10/2017

8 thoughts on “Bento XVI: os recasados estão no coração da Igreja

  1. Pedro Sinde 24 de Outubro de 2017 / 8:48

    Caro Basto
    Como lhe estamos gratos por recuperar este vídeo!
    Um abraço!
    Pedro

    • Basto 24 de Outubro de 2017 / 9:25

      Curiosamente, este vídeo foi publicado (com legendas em português) no mesmo mês em que Bento XVI resignou, em fevereiro de 2013. Como tudo mudou em tão pouco tempo!…

      Convém lembrar que, apesar do clima de festa que se vive em toda a Igreja com a chegada desta nova “misericórdia low cost” que prescinde do arrependimento, Bento XVI continua vivo, lúcido e fiel aos ensinamentos da Igreja que recebeu dos seus antecessores e defendeu firmemente enquanto esteve no ativo. É lamentável que tenhamos de admitir que, mesmo em clausura, afastado da vida pública e fisicamente fragilizado, Bento XVI continua a ser o grande obstáculo perante os poderes deste mundo.

      Obrigado Pedro, um abraço.

  2. Geraldo 24 de Outubro de 2017 / 20:34

    Não entendi bem do papa Bento XVI, mas essas pessoas nesses casos não estão pecando contra o 6º Mandamento, e se falecerem não serão condenadas ao inferno, não seria isso?
    Como disse um sacerdote de minha paroquia há muitos anos; hoje cessou de dizer isso, sem mais falar em condenação ao inferno?..

    • Basto 24 de Outubro de 2017 / 21:13

      Não é difícil de entender Geraldo, esta é prática da Igreja clarificada por João Paulo II e Bento XVI. Quando existem obstáculos a uma regularização imediata da situação conjugal, nomeadamente quando existem filhos menores, este é o caminho. A não obtenção de absolvição e o impedimento de aceder à Sagrada Comunhão impede que as pessoas em causa não esqueçam que estão, de facto, em pecado perante a Lei de Deus.

      • Geraldo 25 de Outubro de 2017 / 14:51

        Em outras palavras: correm o risco de se condenarem por culpa propria, se vierem a falecer nesse estado….

        • Basto 25 de Outubro de 2017 / 17:27

          Se houver realmente vontade corrigir, Deus não os deixará morrer em pecado.

  3. Rita Cristina 27 de Julho de 2019 / 12:51

    Já estive nesta situação e fui muito bem acolhida em minha paróquia. Conseguimos a declaração de nulidade e podemos nos casar no religioso, o que foi uma grande bênção. O sofrimento das pessoas nesta situação, para quem tem consciência do que é pecado, é muito grande. Pois tínhamos dois filhos e era meu maior deseja, estar em comunhão plena com Deus e a Igreja. Temos que ter muita cautela nos julgamentos, Deus é o único e verdadeiro Juiz!!!
    Mais amor e misericórdia!
    Seus textos são muito bons, gostei de conhecer seu site. Deus lhe abençoe e ilumine!

    • Basto 28 de Julho de 2019 / 0:43

      Juízos em abstrato podemos fazê-los, tendo em conta que a nova doutrina de Francisco nesta matéria é radicalmente contrária àquela que a Igreja defendeu durante dois milénios. As duas não podem estar certas, uma delas tem de estar errada.
      Agora, quanto ao seu caso concreto, só a Rita e o seu ex-noivo não válido – não sei quais são os termos canónicos utilizados para esses casos – é que podem saber ao certo as condições que garantem que esse casamento, de facto, não existiu. Vocês os dois e Deus, mais do que qualquer jurista canónico deste mundo. E é preciso muito cuidado com a facilidade com que hoje se tratam as coisas em alguns lugares.

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