Agora é oficial: a Arquidiocese de Braga é a primeira a permitir a prática de Amoris Laetitia em Portugal

Isto na Arquidiocese de Braga faz lembrar as palavras do escritor Fernando Pessoa, em 1927, para se referir ao refresco americano…

refresco.americano2

Quando, em 2015, o “refresco” chegou finalmente à Conferência Episcopal Portuguesa, ainda sem marca definida mas com a receita já bem conhecida do público, D. Jorge Ortiga foi um dos bispos que valentemente se opuseram à implementação desta prática sacrílega em Portugal.

Três anos depois, são já poucos os que ainda estranham de algum modo esta nova doutrina da misericórdia que prescinde de arrependimento e mudança de vida. Parece que quase toda a gente aderiu já à heresia kasperiana.

jn.braga
JN (edição impressa) de 17 de janeiro de 2018, página 7.

A controversa exortação apostólica do Papa Francisco tem cerca de 200 páginas de discurso lírico e citações muito bonitas e floreadas, mas em que consiste realmente a prática de Amoris Laetitia?

aqui o dissemos e voltamos a dizê-lo, em nome de Deus:

Praticar Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, significa obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. É uma prática pastoral que, na sua essência, está em profunda contradição com a doutrina da Igreja Católica mas que o Papa Francisco tenta insistentemente impor, de forma incansável e obsessiva, desde o início do seu sinistro pontificado.

Esta prática contradiz o Catecismo da Igreja Católica, em particular no que está estabelecido nos números 1650 e 1651, contrariando também o que todos os Papas anteriores a Francisco sempre defenderam (um dos quais é ainda vivo). Aliás, foi precisamente em Braga que o Papa João Paulo II relembrou o ensinamento constante da Igreja Católica em relação a esta matéria:

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

Chegamos a 2018, a Arquidiocese de Braga, possuindo agora um novo ensinamento, será a primeira diocese portuguesa a autorizar a prática de Amoris Laetitia no sentido pretendido por Francisco. Os casais interessados deverão agora dirigir-se ao Serviço Arquidiocesano de Acolhimento e Apoio à Família para fazerem um despiste em relação à possibilidade de nulidade matrimonial, após o qual, confirmando-se o adultério de facto, dar-se-à início ao tal “discernimento” que poderá confirmar os fiéis na relação adúltera e permitir que recebam a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal.

Se alguém for parar ao inferno por causa desta novidade doutrinal, ou pastoral como lhe chamam, o Sr. Bispo prestará contas diante de Deus.

Veremos que outros bispos e sacerdotes portugueses se deixarão seduzir também por esta doutrina diabólica de conciliação entre o adultério e a Sagrada Comunhão.

Basto 1/2018

22 thoughts on “Agora é oficial: a Arquidiocese de Braga é a primeira a permitir a prática de Amoris Laetitia em Portugal

  1. No final: “Ao orientador espiritual não compete, propriamente tomar a decisão, mas, através do acompanhamento, assegurar que todo o processo decorreu como devia e reconhecer o papel da consciência das pessoas, já que “somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las”(AL 37). Se assim foi, deve também ele confirmar, por parte da Igreja, a decisão tomada. E, deste modo, dar por terminado o processo de acompanhamento, discernimento e integração.” pág. 58.

    Chegamos ao fim e não percebemos o que é o acesso aos sacramentos, há absolvição, deixa de ser pecado mortal?
    Este parágrafo tristemente faz lembrar Pilatos.

    Ainda na pág.58:
    “(Quinta-feira Santa poderia ser um dia adequado para que aqueles cujo discernimento assim o ditasse poderem receber a comunhão eucarística).”
    Muito adequado: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.”

    • Claudio, mas será por essa dor (obediência Há Igreja) que alcançará a Misericórdia de Deus. O Céu é ganho através da Cruz, nunca pelo prazer como agora querem fazer crer.
      Muita coragem, leve a sua cruz com muita humildade e obediência que Deus dar-lhe-á a recompensa.

  2. “The news of the conference comes as the archdiocese of Braga in Portugal has become the latest to release guidelines on applying Amoris Laetitia. The norms stress the importance of six months of discernment leading to conversion, with a strong emphasis on conscience and “conjugal stability” of at least five years, before admittance to the sacraments. Critics, however, say it leaves the decision ultimately to the couple and is very similar to the Kasper proposal, which subsequently was rejected by the majority of bishops at the Synods on the Family.” (Edward Pentin)
    http://www.ncregister.com/blog/edward-pentin/major-conference-planned-on-divisions-in-church-papal-infallibility

  3. Já enviei ao sr.Arcebispo D. Jorge Ortiga a minha resposta à carta pastoral, indicando o que está errado neste processo e as falhas que contém. Esperemos que voltem à verdadeira Caridade e não deixem as pessoas abandonadas no pecado fazendo de conta que está tudo bem.

  4. É triste a resposta da diocese de Braga que me deram, por iniciativa de uma pergunta deles.
    Dado ser um perigo de «saúde pública» para as almas partilho aqui a ideia do que me indicaram sem colocar o texto que no fundo é privado, quem ficar com dúvidas e achar conveniente sugeria que lhes coloquem alguma questão.

    Perguntando-me sobre o que seria «viverem como irmãos» e tendo eu indicado que seria não só a castidade mas viver mesmo como se fossem irmãos de nascimento e de fé, em vez de serem um “novo casal” fariam um caminho conjunto na Graça de Deus, à semelhando de no matrimónio termos a Igreja doméstica neste caso seria uma espécie de convento doméstico.
    Responderam que esse “novo casal” tem tudo o que é típico de uma família, que em teoria o que eu indicava estava certo mas que o problema é a realidade, seria uma desconsideração pela realidade familiar e que podemos forçar a realidade a ser o que queremos ou aceitar os factos. Neste sentido, parece muito mais realista a proposta do discernimento, conversão e integração.

    A isto respondi:
    Sei que é dificil de compreender porque o próprio Senhor o disse “Os discípulos disseram-lhe: «Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se!»
    Respondeu-lhes Jesus: «Nem todos compreendem esta linguagem, mas apenas aqueles a quem isso é dado. Há eunucos que nasceram assim do seio materno, há os que se tornaram eunucos pela interferência dos homens e há aqueles que se fizeram eunucos a si mesmos, por amor do Reino do Céu. Quem puder compreender, compreenda.»” (Mt 19, 10-12).

    Indicado assim em que as únicas alternativas são abdicar de relações sexuais ou aceitar relações sexuais porque esta é a realidade será chegar à conclusão que o mais “justo” será permitir o divórcio e possibilitar iniciar uma nova família. Se o ponto de partida não for a Graça de Deus e a conversão por amor ao Reino do Céu e for apenas a realidade e a felicidade ao modo humano, da realidade actual, temos de nos render aos factos e criar um caminho semelhante para o namoro, uniões de facto, casamento civil, casamentos homosexuais, etc. Em todos estes casos existem as caracteristicas que indicam, qual o motivo então para não acederem também aos Sacramentos se assim o discernirem?

    Simplesmente aceitar os factos é desistir de nós e de Deus, não podemos forçar a realidade mas podemos converter as pessoas, ajudando-as a viver na Graça de Deus por amor ao Reino do Céu.
    Os Apóstolos eram 12 e o império romano pagão era a realidade e nós hoje somos cristãos porque eles não se deixaram ficar pelos factos e pela realidade onde viviam. Eles sabiam que a verdadeira realidade e os verdadeiros factos são que Jesus é Filho de Deus e veio nos dar o caminho para chegarmos até Deus, ajuda sem a qual não chegamos até Deus, não veio para nos tornar a vida mais fácil e agradável mas para nos dar a vida eterna junto de Deus.

    Estamos a procurar a felicidade no lugar errado e estamos a duvidar como outrora o povo duvidou de Moisés.
    “Vendo que Moisés demorava a descer do monte, o povo reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe:
    «Vamos! Façamos para nós um deus que caminhe à nossa frente, pois a Moisés,
    esse homem que nos persuadiu a sair do Egipto, não sabemos o que lhe terá acontecido.»
    Aarão respondeu-lhes: «Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas.»
    Eles tiraram as argolas que tinham nas orelhas e levaram-nas a Aarão.
    Recebeu-as das mãos deles, deitou-as num molde e fez um bezerro de metal fundido.
    Então exclamaram: «Israel, aqui tens o teu deus, aquele que te fez sair do Egipto.»
    Vendo isso, Aarão construiu um altar diante do ídolo, e disse em voz alta: «Amanhã haverá festa em honra do SENHOR.»
    No dia seguinte de manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir.”
    (Ex 32, 1-6)

    “No dia seguinte de manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir.” com este discernimento é isto que vamos fazer da Eucaristia, deixa de ser a participação e união com o Senhor que está realmente presente, alimento de vida eterna, para ser apenas alimento de comunhão em que o povo se junta numa ceia e depois vai embora para se divertir.

    Indicam que a proposta é de discernimento, conversão e integração mas se não é para ficar na Graça de Deus como pode haver conversão e integração? E se não é para ficar na Graça de Deus o que se recebe realmente nos Sacramentos?

    • Admiro essa sua humilde insistência pessoal e caridade perante os avanços do clero português. Talvez seja isso o que me falta. Pessoalmente, não consigo ver em tudo isto mais do que uma aprovação pastoral do adultério realizada ao mais alto nível institucional e a uma escala que caminha para o universal.

      O caminho de Deus é o da cruz, nunca foi o da satisfação sexual. A cruz que os “recasados” têm pela frente não é mesmo nada fácil, é verdade – Deus os ajude! Mas os problemas de hoje, na sua essência, não são diferentes dos de há 4 anos, de há 20, de há 100 ou de há 2000 anos. O valor do matrimónio continua a ser vitalício e o adultério será sempre adultério, com ou sem “discernimento”.

      Estes padres e bispos fariam melhor pelas almas se estivessem quietos e calados. Já eliminaram o sentimento de culpa das almas dos pobres pecadores e agora querem levá-los a receber a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal.

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