Cardeal holandês: o Papa deve “criar claridade”, os adúlteros não podem receber Comunhão

Wim Eijk.jpgPor Jeanne Smits

PAÍSES BAIXOS, 26 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O cardeal Wim Eijk, arcebispo de Utrecht, nos Países Baixos, pediu ao Papa Francisco que traga “clareza” às “dúvidas” semeadas pela exortação papal de 2016, Amoris Laetitia, no que concerne à questão da Sagrada Comunhão para os casais divorciados e civilmente recasados que vivem em adultério habitual.

O cardeal deixa claro na entrevista – publicada na sexta-feira, 26 de janeiro, no jornal holandês Trouw – que, na sua opinião, o Papa “nunca e em lado nenhum” disse que tais casais podem confessar-se e receber a absolvição ou a Sagrada Comunhão. As preocupações suscitadas, no entanto, são uma reminiscência dos repetidos apelos de vários bispos, académicos, teólogos e também dos quatro cardeais que apresentaram os seus “Dubia” ao Papa e não receberam resposta.

Eijk disse que entraram “dúvidas” na Igreja com a publicação da exortação papal após os dois sínodos da família.

“No seguimento dos dois Sínodos da Família, foi escrito um documento pelo Papa, a Amoris Laetitia. Então as dúvidas foram semeadas. Podem os divorciados “recasados” receber agora a Comunhão ou não? O que se verifica um pouco é que uma conferência de bispos está a lidar com isso de uma maneira, enquanto a outra está a lidar de outra. Mas então, o que é verdadeiro na localidade ‘A’ não pode, de repente, ser falso na localidade ‘B.’ Até certo ponto, ficaríamos felizes se houvesse clareza.”

“Gostaria que houvesse clareza?”, perguntou o entrevistador Stijn Fens.

“Sim, eu apreciaria muito isso. As pessoas estão confusas e isso não é bom “, respondeu o cardeal.

Quando questionado sobre o que espera do Papa Francisco, Eijk respondeu: “Eu diria: simplesmente crie clareza. Em relação a esse assunto. Remova essa dúvida. Na forma de um documento, por exemplo,” respondeu.

O cardeal Eijk também deixou bem claro o que deveria ser incluído nesse documento: “Temos aqui, obviamente, as palavras do próprio Cristo: que o casamento é um e indissolúvel. Isso é o que defendemos no arcebispado. Quando um casamento foi declarado nulo por um tribunal eclesiástico, isso constitui uma confirmação oficial de que nunca se casaram. Só então estão livres para se casar e receber confissão e comunhão.”

O cardeal levantou preocupações sobre a exortação papal, alguns meses depois de ter sido publicada.

“Não se pode mudar a doutrina com notas de rodapé ou com uma declaração solta numa entrevista num avião. Gostaria que [a Amoris Laetitia] fosse esclarecida”, disse ele.

“A falta de clareza prolongada pode resultar no aparecimento de práticas indesejáveis”, acrescentou.

O cardeal Wim Eijk é conhecido pela sua abordagem fielmente católica nas questões do matrimónio e da vida humana. Um especialista no seu direito, ele é considerado um perito em bioética, tendo mantido sempre uma posição fortemente tradicional a respeito da indissolubilidade do casamento. No final dos dois Sínodos da Família em 2015, ele deixou claro que a Igreja Católica Romana deveria manter o seu ensinamento na recusa da Comunhão aos divorciados “recasados”.

O cardeal Eijk recebeu formação sacerdotal no seminário tradicional de Rolduc, na província meridional de Limburg, e foi nomeado bispo da diocese de Groningen por São João Paulo II em 1999 , antes de ser designado para uma sé mais importante, Utrecht, em 2007, pelo Papa Bento XVI, e tornar-se arcebispo em 2008. Foi criado cardeal em fevereiro de 2012. A sua adesão fiel aos ensinamentos da Igreja criou-lhe muitos inimigos, mesmo entre seus irmãos bispos neerlandeses.

Os comentários do cardeal surgem cerca de três semanas depois de três bispos se pronunciarem contra a interpretação da Amoris Laetitiado feita pelo próprio Papa Francisco, alegadamente porque esta, de facto, permite que alguns divorciados recasados acedam à Sagrada Comunhão. Os bispos disseram que essa leitura está a causar “confusão crescente”, é “estranha” à fé católica e fará alastrar a “chaga do divórcio” na Igreja.

O sucessor do cardeal Eijk na diocese de Groningen-Leeuwarden, o bispo recém-consagrado Ron van den Hout, permite que a Sagrada Comunhão seja dada aos católicos “recasados”.

O bispo Ron van den Hout afirmou numa entrevista recente que a pergunta sobre a Sagrada Comunhão para os católicos “recasados” não era “um item muito importante”.

“Nunca recusei qualquer comunhão a ninguém e não farei isso nos próximos tempos”, disse o bispo Van den Hout depois de pressionado sobre o assunto.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 26 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

4 thoughts on “Cardeal holandês: o Papa deve “criar claridade”, os adúlteros não podem receber Comunhão

  1. Bom dia, caro Basto!
    Este comentário não tem nada a ver com o tema exposto! No entanto coloco aqui o mail enviado Arcebispo D. Jorge:
    Exmo. Revmo. Sr. Arcebispo D. Jorge

    Venho, humildemente pedir a V. Excia. Revma o seguinte:

    Antes de aplicar no “terreno” a Amoris Laetitia, seria justo fazer uso, primeiro do Motu Próprio Summorum Pontificum, uma vez que foi solicitado por um Papa, que, curiosamente ainda está vivo!

    Seria de bom tom estabelecer na Arquidiocese formação adequada, neste sentido porque há muita confusão e desinformação sobre este tema!

    Não se trata de saudosismos, como muitos pensam, erradamente, mas sim de um rito extraordinário, em toda a acepção da palavra!

    Todos os católicos têm o direito e o dever de conhecer, perceber e assistir aos dois ritos, uma vez que são, tanto um como outro, autênticos!

    Sabemos que o Sacrifício Eucarístico mais completo é a Santa Missa Tridentina que se celebra em outros países e que foi estabelecida e canonizada pela Bula Quo Primmum Tempore. Este rito, jamais poderá ser abolido, nem revogado! Por isso o Santo Padre Bento XVI, emitiu o documento, acima referido!
    Muito poucos obedeceram e os que o fizeram foram ridicularizados e rotulados de fundamentalistas, saudosistas….
    Há muitos abusos no rito de Paulo VI, como deve saber, com características pouco ortodoxas!

    Salvemos a Liturgia, antes que seja tarde demais!

    Muita gente tem os “olhos postos”, em Portugal porque, só ele possui a promessa de Nossa Senhora, no qual se “conservará sempre o dogma da fé”! Quem sabe, a Mãe do Céu espera isto do Sr. Arcebispo D. Jorge?! Uma “Carta Pastoral”, neste sentido, talvez?! “Uma semente de esperança”, mais autêntica, numa região do pais tão laicizada e paganizada?! Pense nisso, com carinho, Sr.D. Jorge!
    Muito obrigada!

    Peço a sua benção!
    Maria Amélia

  2. ASSIM, CADA QUAL INTERPRETE COMO MELHOR LHE CONVIER”?
    SERÁ MESMO QUE O PAPA FRANCISCO TERIA INTENÇÃO DE ESCLARECER OU DEIXAR COMO ESTÁ, SEM RESPONDER, POLEMIZANDO, SOB O “HAGAN LÍO”?
    … “Após a reflexão, ficou bastante claro que o documento do Papa Francis sobre o casamento e a família, “Amoris Laetitia” é marcado pela ambiguidade, e isso é intencional, por parte do Santo Padre, penso.
    Isso explica por que, nos últimos dias, tivemos interpretações muito diferentes do documento de dois proeminentes líderes da Igreja – o arcebispo Charles Chaput, da Filadélfia e o cardeal Christoph Schonborn, de Viena. E de muitos outros comentadores também.
    A boa notícia é que, por causa dessa ambiguidade, as pessoas podem fazer exatamente o que quiserem. A má notícia é que, por causa dessa ambiguidade, as pessoas podem fazer exatamente o que quiserem”.
    https://www.lifesitenews.com/news/bishop-amoris-laetitias-intentional-ambiguity-means-people-will-do-whatever

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