Reconhecido especialista em direito canónico corrige arcebispo de Braga

d. jorge hortiga.jpg

“Por vezes um lado está simplesmente certo e o outro simplesmente errado.”

Este foi o título dado por Edward Peters ao artigo publicado no seu blogue para corrigir D. Jorge Ortiga relativamente ao recente projeto da Arquidiocese de Braga que possibilita a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas que vivem em adultério habitual e prolongado.

“Não importa quais as razões que possam ser oferecidas pela ilustre Arquidiocese de Braga para o seu plano de autorizar a administração da Sagrada Comunhão a católicos simplesmente divorciados e recasados. Se esse é […] o seu plano, estão errados. Manifesta e gravemente errados. Tal como os de Malta. E tal como os Alemanha. Assim como alguns outros […].

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Peters confessa que não espera, com o seu artigo, “convencer os lusitanos sobre esta matéria”, mas ainda assim, sem se preocupar em expor novamente todos os argumentos já apresentados sobre este assunto, assegura que “eles estão errados”, enquanto os que defendem o tradicional ensinamento da Igreja “estão certos”.

Segundo o Cânon 915 (lei de emissão papal, baseada em fundamentos de direito divino e, até a crise atual, incontestada pela tradição pastoral e canónica a este respeito), os ministros da Sagrada Comunhão não podem administrar esse Sacramento (surgem problemas semelhantes em relação à administração da absolvição na confissão, mas tratemos uma crise de cada vez) a católicos (que geralmente são os únicos elegíveis para a Sagrada Comunhão, em primeiro lugar, pelo C.844) que, tendo contraído um casamento que goza da presunção de validade (C.1060), depois civilmente divorciados (ou, por outras palavras, estão divorciados, independentemente de quem seja a “culpa” do divórcio) e, não tendo obtido (porque nunca solicitaram ou porque lhes fora recusada) uma declaração eclesiástica de nulidade (ou uma variante das dissoluções de casamento incomuns, como se discute principalmente aqui e aqui), pretendem contrair um novo casamento (civil, ou por algum outro mecanismo, mesmo um que parece religioso, mas que, enquanto o primeiro esposo estiver vivo, obviamente não é um casamento, mas chamamos-lhe de conveniência, e sim isso aplica-se também aos católicos solteiros que pretendem contrair casamentos com pessoas divorciadas nos termos acima descritos), mas recusam-se a viver como irmão e irmã (como se aplica a todas as pessoas que não são casadas, o que é necessário para se aproximarem da Sagrada Comunhão, de acordo com o Cânon 916) e, mesmo que vivam em abstinência (que Deus os abençoe), são, ainda assim, conhecidos (sempre se “na verdade” e habitualmente, ainda que “legalmente”) por estar divorciados e recasados fora da Igreja e portanto (não obstante a sua elegibilidade discutível para o sacramento em consciência) ocasionam escândalo objetivo à comunidade de fé (mesmo que ninguém se surpreenda com o divórcio e o recasamento nos dias de hoje e, por vezes, nem com escândalo produzido pelos ministros eclesiásticos que assim são tentados a desconsiderar certas obrigações suas no âmbito do Cânon 915).

(Edward Peters in In the Light of the Law, 26/01/2018 – tradução livre)

Edward Peters é professor de direito canónico no Seminário Maior do Sagrado Coração, em Detroit, sendo também um conselheiro do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, do Vaticano.

Basto 2/2018

6 thoughts on “Reconhecido especialista em direito canónico corrige arcebispo de Braga

  1. Geraldo 5 de Fevereiro de 2018 / 17:29

    Defensores das infernais LUTAS DE CLASSES, as esquerdas intensificam os ataques à Igreja lançando os católicos inadvertidos de eles mesmos serem os seus agentes de rebeldia contra a Igreja, a saber que
    não é a Igreja que os exclui. – ela é apenas cumpridora do mandato de Jesus, não legisladora – dessa forma, instigam-nos como vítimas da doutrina católica como se ela os discriminasse por desobedecerem às Leis de Deus, assim como a todos lançarem no mais absoluto relativismo, a meta final.
    Dessa forma, ais aí os propósitos das esquerdas, tornando a todos politicamente corretos e pertencentes a elas, a DITADURA DO RELATIVISMO!
    À realidade, os católicos rebeldes eles mesmos se excluíram a si mesmos por quererem ser católicos mas violando as leis de Deus e da Igreja – isso funciona perfeitamente apenas dentro do protestantismo onde cada um é juiz arbitrando sua propria sentença – colocaram-se num estado pecaminoso e querem se defenderem de serem rebeldes atacando a Igreja como discriminadora!
    É muita contradição e ainda achando dentro da Igreja dando força ao relativismo, como aí mostrado no post, desde o papa Francisco que abriria brechas a se discutirem casos de excepcionalidades de poderem violar as leis “sem culpa” e nesse caso o titular da Arquidiocese de Braga ainda acolher uma dessas que se consideraria heterodoxa da A laetitia, portanto merecedor dessa justa reprimenda!
    “para que, no tempo que lhe resta, não viva mais para satisfazer os maus desejos humanos, mas sim para realizar a vontade de Deus. 1 Pd 4,2.
    “não por mera ostentação, só para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, que fazem de bom grado a vontade de Deus. Servi com dedicação, como servos do Senhor e não dos homens. Ef 6 6-7.
    A “misericordia” sob a ótica kasperrelativista = direito de pecar “sem culpa”!

    • Basto 5 de Fevereiro de 2018 / 18:15

      Palavras sábias de Bento XVI:

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s