Francisco volta a denunciar os que defendem a doutrina católica de sempre

Na homilia proferida no dia 24 de abril na Casa de Santa Marta, o Santo Padre voltou a dirigir as suas acusações àqueles que insistem em permanecer fiéis à doutrina católica, apelidando-os de “prisioneiros das ideias”, “incapazes de sair” para aderir às suas “novidades” doutrinais que, segundo ele, são inspiradas pelo Espírito Santo.

Entretanto, o onomástico do Mr. Bones continua em franco crescimento…

Basto 4/2018

A fissura na muralha ou o ‘princípio da autodeterminação’

narc
Caravaggio, Narciso, 1598-1599

 

Por Pedro Sinde

«…virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina»

«Mas tu persevera no que aprendeste e acreditaste»

S. Paulo (2 Tim 4, 34 e 2 Tim 3, 14)

Filautia

São Paulo, nas importantes cartas a Timóteo (particularmente, 2 Tim 3, 2) fala de nós, “os homens dos últimos dias”: “Sabe, porém, que nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, porque os homens serão egoístas…”. “Egoístas” é a tradução de “philautoi”, aquele que não se ama senão a si mesmo; e, por isso, não ama o outro como a si mesmo, nem a Deus sobre todas as coisas, mas a si mesmo elegeu como centro de todas as coisas, como princípio (determinador) de si mesmo (auto). Como diz Ireneu Hausherr, num magnífico livro dedicado inteiramente ao estudo deste tema – um verdadeiro manual para entendermos os dias que vivemos (Philautie: de la tendresse pour soi à la charité selon Saint Maxime Le Confesseur): philautia é a raiz de todos os pecados, de todos os vícios e, de facto, vemos como São Paulo começa por aí justamente a sua longa enumeração dos vícios dos homens dos “últimos dias”:

“serão philautoi, avarentos, altivos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem coração, implacáveis, caluniadores, dissolutos, desumanos, inimigos do bem, traidores, insolentes, orgulhosos e mais amigos dos prazeres do que de Deus, tendo uma aparência de piedade”.

Tendo uma aparência de piedade!“Foge destes”, conclui São Paulo! Sim, como as ovelhas fogem da voz dos estranhos (Jo 10, 4-5) … Estes são ainda aqueles de quem São Paulo diz que têm uma “fé inconsistente” e que “resistem à verdade”.

E São Paulo aconselha Timóteo e, portanto, a nós, Timóteos de hoje, assim: “Mas tu persevera no que aprendeste e acreditaste” (2 Tim 3, 14); “virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas acumularão mestres à sua volta, ao sabor das suas paixões, levados pelo prurido de ouvir. Afastarão os ouvidos da verdade e os aplicarão às fábulas.” (2 Tim 4, 3-4)

É curioso como, lendo São Paulo, somos levados a dizer dos inovadores que são eles, na verdade, os “duros de coração”, os que “resistem ao Espírito Santo”, pois são eles que se “fecharam à Verdade” para elegerem uma opinião “ao sabor das suas paixões”.

 

Autodeterminação

«… por uma qualquer fissura o fumo de Satanás entrou no templo de Deus»

Papa Paulo VI, 1972

A tremenda expressão de Paulo VI, citada em epígrafe, vai-se tornando realidade na sociedade em vários níveis e de forma impressionantemente rápida. Uma das mais graves expressões daquilo que está significado naquela “fissura” é aquilo a que se chama o “princípio da autodeterminação”. A aplicação deste “princípio” a várias áreas tem sido catastrófica: começou pela filosofia, pela política, pela sociologia, chegou à psicologia e desembarcou, cheia de fôlego, na teologia. A autodeterminação é, na verdade, sinónimo da expressão da rebeldia do anjo caído, o seu “non serviam”, não servirei! É o diametral oposto daquilo que o Senhor nos ensinou, desde logo de modo perfeito, no exemplo da Imaculada: a de adequarmos a nossa vontade à Sua – a de fazermos tudo quanto Ele nos disser. Em rigor, o único auto-determinado é Deus, por isso, trata-se de uma tremenda usurpação do poder divino; usurpação que Deus permite ou inflige para daqui tirar um bem maior.

A ideia de que uma sociedade, um grupo de indivíduos ou um só indivíduo, têm direito à autodeterminação é completamente absurda. No entanto, já fomos tão longe, a este nível, que se considera normal um homem “identificar-se” como mulher e vice-versa. Paulatinamente, começou a aparecer a expressão “género” e, num segundo momento, bem calculado, começou-se a separar “género” de “sexo biológico”, reservando o primeiro para a psicologia. Esta é apenas uma aplicação daquele “princípio”.

Quando olhamos para a teologia, podemos observar como esse mesmo “princípio da autodeterminação” veio também a resultar numa separação entre a esfera objectiva e a esfera subjectiva das nossas acções. Assim, é possível, diz-se, que uma acção objectivamente má, um pecado, subjectivamente não seja tal. É esta a pretensa justificação para a aceitação de que um adúltero, objectivamente, possa não se ver como tal, subjectivamente. Diríamos que o facto de um adúltero ou qualquer outro pecador é passível de não se reconhecer como tal, por incapacidade de discernir a sua situação, vendo-se objectivamente. No entanto, se esta sua “impressão” contar com a sanção da Igreja, então adquire certa aparência de objectividade, fechando-se o ciclo! Exactamente como na questão de “género” e “sexo”, aqui opera-se, num primeiro momento, uma separação entre as duas áreas e, depois, privilegia-se, como ali, a esfera subjectiva, dando uma aparência de misericórdia, por se “respeitar” a vontade do indivíduo; quando o que o Senhor nos pede é, pelo contrário, que entreguemos a nossa vontade nas Suas mãos, adequando a nossa à Sua Vontade, pois Ele é a fonte única da misericórdia.

Ou seja, por este processo, abre-se uma fissura entre a realidade objectiva e a subjectividade, para depois se subverter a hierarquia natural (e sobrenatural) da realidade. A perversidade deste “princípio” está ainda na sua universalização virtual. Esta é uma marca da inteligência sinistra e terrível do anjo caído. Este “princípio” há-de, pois, ser levado a extremos inimagináveis para nós ainda. A sua consequência é fácil de ver: uma implosão.

 

Parece que estamos em pleno naquela hora de que fala o Catecismo, a hora em que se tentará criar, na religião, uma “solução aparente” para todos os nossos problemas, mas “à custa da apostasia da verdade” (§ 675).

No entanto, a Verdade é a Verdade e não mudará apenas por os homens, sejam mesmo teólogos, sacerdotes, bispos ou mesmo papas, a pretenderem mudar. Cristo não disse apenas que vinha para nos dizer a Verdade; não, Ele disse também que Ele é a Verdade, identificando-se ontologicamente com ela.

No fim, uma pedra seguirá sendo uma pedra, por muito discernimento que tenham doutores em teologia, filosofia, sociologia ou política… uma pedra, por muito que se achasse ou identificasse com um vegetal, sempre seguiria sendo, inelutavelmente, uma pedra, por muito que se cobrisse de musgo.

 

Há, no entanto, uma área em que os defensores do “princípio da autodeterminação” nunca se atrevem nem atreverão a atacar e a exigir que também aí se aplique esse “princípio”: a biologia. A razão é simples, é que a biologia ilustra de um modo terrível o efeito deste “princípio” quando aplicado a um organismo: chamamos-lhe tumor.

Este texto foi publicado na plataforma Academia.edu em abril de 2018.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, neste caso o filósofo português Pedro Sinde, a presente edição visa apenas a sua divulgação.

Basto 4/2018

Partido dos animais e da natureza votou a favor de lei contra a natureza

O PAN (Pessoas-Animais-Natureza), representado pelo seu deputado André Silva, votou ao lado das esquerdas a favor da lei que permite a um adolescente de 16 anos mudar de género.

Resta saber que posição tomariam se alguém propusesse fazer isto às ovelhas ou às cabritas…

Da mesma forma, e como era previsível, o partido ecologista Os Verdes votou a favor da lei que coloca o ser humano em divergência com os outros elementos do ecossistema terrestre.

Basto 4/2018

Gaudete et Exsultate: Mesmo o que esperávamos

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Por Christopher A. Ferrara

A esta altura do pontificado do homem da Argentina, não é mesmo necessário ler a Gaudete et Exsultate para se saber o que contém: uma mistura de elementos de devoção, ataques a católicos ortodoxos e as novidades que este Papa tem avançado implacavelmente desde o momento da sua eleição. Isto é o que já vimos com a Evangelii Gaudium, com a Laudato si’ e, claro, com a desastrosa Amoris Laetitia que, inacreditavelmente, pretende abolir na prática o caráter sem exceções dos preceitos negativos da lei divina e natural, começando pelo Sexto Mandamento.

Ainda assim, só para ter a certeza, vi o documento. Relativamente curto, com um total de 20.000 palavras, corresponde precisamente ao que era expectável: algumas afirmações piedosas amarradas a apelos às mudanças radicais que Francisco exige em contradição com o ensinamento de todos os seus predecessores, juntamente com as denúncias do costume, apontadas ao clero e aos leigos ortodoxos que ousam opor-se às suas novidades.

Aqui está uma passagem chave que capta a essência daquilo a que Antonio Socci chamou, de forma tão apropriada, Bergoglianismo:

“A habituação seduz-nos e diz-nos que não tem sentido procurar mudar as coisas, que nada podemos fazer perante tal situação, que sempre foi assim e todavia sobrevivemos. Pela habituação, já não enfrentamos o mal e permitimos que as coisas «continuem como estão» ou como alguns decidiram que estejam. Deixemos então que o Senhor venha despertar-nos, dar-nos um abanão na nossa sonolência, libertar-nos da inércia. Desafiemos a habituação, abramos bem os olhos, os ouvidos e sobretudo o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.”

Repare-se na confusão enganosa entre o concordar com o mal, que envolve pecado, e o não “mudar as coisas” ou aceitar “o sempre foi assim” ou “como alguns decidiram que estejam”, e a confusão igualmente enganosa entre fazer o bem e “desafi[ar] a habituação […] para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado.

Gaudete et Exsultate é, assim, uma tentativa velada de impor o enfraquecimento do Sexto Mandamento, inerente à Amoris Laetitia, sobre a Igreja, sob o disfarce de “discernimento” do que o Espírito Santo supostamente nos pede: a novidade. E sem deixar dúvidas sobre a sua intenção, o Papa Francisco deixa depois claro que exige adesão às suas novidades como sendo a voz de Deus através de si:

“Como é possível saber se algo vem do Espírito Santo ou se deriva do espírito do mundo e do espírito maligno? A única forma é o discernimento. Este não requer apenas uma boa capacidade de raciocinar e sentido comum, é também um dom que é preciso pedir. Se o pedirmos com confiança ao Espírito Santo e, ao mesmo tempo, nos esforçarmos por cultivá-lo com a oração, a reflexão, a leitura e o bom conselho, poderemos certamente crescer nesta capacidade espiritual […].”

Até aqui, tudo bem. Mas a cápsula de veneno é administrada de imediato:

“Isto revela-se particularmente importante, quando aparece uma novidade na própria vida, sendo necessário então discernir se é o vinho novo que vem de Deus ou uma novidade enganadora do espírito do mundo ou do espírito maligno. Noutras ocasiões, sucede o contrário, porque as forças do mal induzem-nos a não mudar, a deixar as coisas como estão, a optar pelo imobilismo e a rigidez e, assim, impedimos que atue o sopro do Espírito Santo […].”

Não há outra palavra para este texto par além de desonesto: o mal manifesta-se pelo “imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”, “mudar” no sentido que Francisco – sozinho entre todos os Papas até Pedro – exige em consonância com os “sinais dos tempos”.

Em sítio nenhum do grande Depósito da Fé encontramos qualquer ensinamento sobre o mal imaginário da imobilismo e a rigidez” perante o “mudar”. Muito pelo contrário, a resistência à mudança é precisamente o que é exigido por uma defesa do ensino imutável do Evangelho, que é o Palavra Eterna:

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e ensinar, esse será grande no Reino do Céu. (Mt 5, 17-19)

Dando cumprimento à Lei de Deus, Nosso Senhor declarou que quem se divorcia e finge “casar-se de novo” comete adultério. Recorde-se a Sua repreensão aos fariseus, que recorreram a Moisés para defenderem a aprovação do divórcio: “Por causa da dureza do vosso coração, Moisés permitiu que repudiásseis as vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim.” (Mt 19, 8)

No entanto, a Igreja é agora atormentada por um pontificado cujo tema é a tolerância do divórcio e do “recasamento” na Igreja e a admissão de adúlteros públicos à Sagrada Comunhão, ainda que mantenham as suas relações adúlteras, o que reverteria 2 000 anos de ensinamento da Igreja, arrastando-a toda de volta ao tempo de Moisés.

Com incomparável audácia, Francisco cita o Oitavo Mandamento quando invoca o inferno (cuja existência ele nega em conversas com Scalfari, de quem não nega os seus relatos) para demonizar os católicos que defendem os “outros mandamentos” – ou seja, o Sexto Mandamento que ele tem tentado subverter na prática ao longo dos últimos cinco anos:

“Mesmo nos meios de comunicação social católicos, os limites podem ser ultrapassados, a difamação e a calúnia podem tornar-se comuns e todos os padrões éticos e o respeito pelo bom nome dos outros podem ser abandonados… É surpreendente que, às vezes, ao afirmar defender os outros mandamentos, ignoram completamente o oitavo, que proíbe dar falso testemunho ou mentir, e vilificar implacavelmente os outros. Aqui vemos como a língua desprotegida, incendiada pelo inferno, incendeia todas as coisas (cf. Tg 3, 6)”.

Aparentemente, o Papa Francisco não vê “falso testemunho ou mentir” no seu discurso mais ou menos constante contra os católicos ortodoxos, nem percebe que “vilific[a] implacavelmente os outros” quando os denuncia, quase diariamente, como hipócritas rígidos. Como aconteceu com a flagrante adulteração feita pelo Vaticano da, agora infame, carta falsamente apresentada como o apoio de Bento XVI à “teologia do Papa Francisco”, Francisco evidentemente não se apercebe da trave à frente do seu próprio olho.

Podemos, no entanto, encontrar esperança no facto de que esta dura polémica papal não está a enganar ninguém que não queira ser enganado e que o número de fiéis que estão a despertar relativamente ao engano aumenta de dia para dia.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 11 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem acima foi adicionada na presente edição, não faz parte da publicação original.

Basto 4/2018

Papa Francisco: um “bom ateu” vai para o Céu

Isto aconteceu em Roma, no último domingo, 15 de abril, durante a visita papal à paróquia de São Paulo da Cruz, quando uma criança foi conduzida até ao Santo Padre.

O pai do menino está no Céu se acreditou em Deus, tendo abandonado portanto a sua condição de não-crente, de ateu, nem que fosse no último fôlego da sua vida terrena. Essa é a esperança à qual a criança deve agarrar-se e é nesse sentido que deve rezar ao longo de toda a sua vida. Para que, no grande mistério que é a Divina Providência, o seu pai tenha alcançado essa graça.

Quem acreditar e for batizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado. (Mc 16, 16)

Este episódio, conforme foi apresentado, irá naturalmente relançar o tema estéril da santidade dos “bons ateus” e alimentar o modernista sofisma da salvação de não-crentes.

Basto 4/2018

JN: “Com o Padre Ricardo é sempre a abrir”

Corpo musculado, a transparecer da roupa justa, olhos verdes, pele bronzeada e cabelo curto espetado. Ricardo Esteves, 35 anos, pároco de Seixas, Lanhelas e Vilar de Mouros, em Caminha, passa ao largo do perfil do religioso convencional. Quem não sabe dificilmente imagina que é padre. E a sua boa forma física, graças também ao treino (quase) diário no ginásio, não passa despercebida nem às paroquianas com mais idade.

(in Jornal de Notícias, 29 de março de 2018)

Basto 4/2018

Portugal aprova nova lei da identidade de género

A Assembleia da República Portuguesa acaba de aprovar a Proposta de Lei que permite a um adolescente de 16 anos “mudar” de género.

2. As pessoas de nacionalidade portuguesa e com idade compreendida entre os 16 e 18 anos podem requerer o procedimento de mudança da menção do sexo no registo civil e da consequente alteração de nome próprio através dos seus representantes legais, devendo o/a conservador/a proceder à respetiva audição presencial da pessoa cuja identidade de género não corresponda ao sexo atribuído à nascença, por forma a apurar o seu consentimento expresso e esclarecido, tendo em consideração os princípios da autonomia progressiva e do superior interesse da criança constantes na Convenção sobre os Direitos da Criança.

(in Proposta de Lei n.º 75/XIII, Artigo 9º)

A elite política portuguesa da chamada era democrática, ao longo de décadas sucessivas, não consegue arrancar o país da cauda da Europa em termos de economia, finanças, rendimentos, cultura, justiça social ou ordenamento do território, no entanto, orgulha-se de posicionar Portugal no pelotão da frente neste tipo de obscenidades… A responsabilidade não é apenas deles, é também de quem os elege.

Circula nas redes sociais uma petição contra esta barbaridade, que pode ser assinada aqui. Talvez já não adiante muito, mas também não custa nada assinar.

E, já agora, fica aqui um conselho para pais ou encarregados de educação que porventura leiam este texto. Sempre que vos pedirem alguma assinatura para autorizar os vossos educandos a frequentar, nas suas escolas, gabinetes de saúde, de apoio psicológico e afins, peçam sempre as credenciais de quem neles trabalha. É que dentro das escolas, como cá fora, a maioria da população trabalha para a força ideológica dominante.

Basto 4/2018

Declaração Final da Conferência de Roma reafirma a doutrina católica e responde aos “dubia”

Roma.1P5

Por Maike Hickson

Hoje, dia 7 de abril, teve lugar em Roma a tão aguardada conferência “Igreja Católica, para onde vais?”. A conferência foi inspirada pelo falecido Cardeal Carlo Caffarra – um dos quatro cardeais dos dubia – que morreu em setembro passado. No final da conferência, foi emitida uma Declaração Final em nome dos participantes, clérigos e leigos, que reafirma a infalível doutrina da Igreja a respeito de questões morais como o casamento e atos intrinsecamente maus, respondendo, deste modo, aos cinco dubia iniciais que, 18 meses depois de terem sido submetidos pela primeira vez ao Papa Francisco, nunca obtiveram resposta.

A importância da Declaração Final está no facto de ter sido divulgada na presença e com o apoio dos quatro principais prelados que levantaram as suas fortes vozes de resistência católica contra a confusão e o erro propagados pelo Papa Francisco, a saber: o Cardeal Walter Brandmüller , o cardeal Raymond Burke, o cardeal Joseph Zen e o bispo Athanasius Schneider. Foi também ali apresentada uma breve mensagem em vídeo do cardeal Carlo Caffarra. Nos próximos dias publicaremos um relatório mais extenso sobre o conteúdo de toda a conferência. Por hoje, apenas apresentamos aos nossos leitores esta histórica Declaração Final intitulada “Portanto, damos testemunho e confessamos…”, que é sucinta e clara.

A Declaração Final começa com a referência à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia e ao seu efeito de confusão sobre os fiéis. Assinala que nem o Apelo Filial de quase um milhão de signatários, nem a Correção Filial de 250 académicos, nem os dubia dos quatro cardeais receberam uma resposta do Papa Francisco. Portanto, dizem os autores, “nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica”. Assinala também “a importância de os leigos darem testemunho da fé”. De seguida, os autores reafirmam, em seis pontos, o ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento, o adultério, a questão de uma consciência subjetiva defeituosa, as normas morais absolutas, a necessidade de uma forte intenção de mudar o modo de vida para receber uma absolvição sacramental válida e ainda o facto de que os divorciados “recasados” que não pretendem viver em continência não podem receber a Sagrada Comunhão.

Eis o texto completo da declaração:

“Portanto, damos testemunho e confessamos…”

Declaração final da conferência “Igreja Católica, para onde vais?”

Roma, 7 de abril de 2018

Devido a interpretações contraditórias da Exortação Apostólica Amoris laetitia, tem alastrado o descontentamento e a confusão entre os fiéis do mundo inteiro.

O pedido urgente de esclarecimento apresentado ao Santo Padre por cerca de um milhão de fiéis, mais de 250 académicos e vários cardeais, não obteve resposta.

No meio do grave perigo que se levantou para a fé e para a unidade da Igreja, nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica.

O Concílio Vaticano II nos autoriza e encoraja a fazê-lo, afirmando em Lumen Gentium n. 33: “Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7)”.

O beato John Henry Newman também nos encoraja a fazê-lo. No seu ensaio profético “On consulting the faithful in matters of doctrine [Sobre a consulta aos fiéis em assuntos de doutrina]”, de 1859, falou da importância dos leigos darem testemunho da fé.

Portanto, de acordo com a tradição autêntica da Igreja, damos testemunho e confessamos que:


1) Um casamento ratificado e consumado entre duas pessoas batizadas só pode ser dissolvido pela morte.

2) Por consequência, os cristãos unidos por um casamento válido que se juntam a outra pessoa enquanto o seu cônjuge continua vivo cometem o grave pecado do adultério.

3) Estamos convictos de que este é um mandamento moral absoluto que obriga sempre e sem exceção.

4) Estamos também convictos de que nenhum julgamento de consciência subjetivo pode fazer bom e lícito um ato intrinsecamente mau.

5) Estamos convictos de que o julgamento sobre a possibilidade de administrar a absolvição sacramental não se baseia na imputabilidade do pecado cometido, mas na intenção do penitente de abandonar um modo de vida que é contrário aos mandamentos divinos.

6) Estamos convictos de que as pessoas divorciadas e civilmente recasadas, que não estão dispostas a viver em continência, estão a viver numa situação objetivamente contrária à lei de Deus e, portanto, não podem receber a Comunhão Eucarística.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo diz: «Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.» (Jo 8, 31-32).

Com esta confiança, confessamos a nossa fé diante do supremo pastor e mestre da Igreja juntamente com os bispos e lhes pedimos que nos confirmem na fé.

(tradução livre a partir do texto publicado em inglês no 1P5)

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Cardeal Carlo Caffarra, em Roma, a 19 de maio de 2017:

Basto 4/2018

Santo Padre volta a condenar o proselitismo religioso

Numa mensagem de vídeo dirigida aos participantes na 47ª Semana da Vida Consagrada, que decorre em Madrid entre os dias 5 e 8 de abril, o Papa Francisco pede ao clero espanhol para não fazer proselitismo.

[…] E, claro, o pano de fundo é “faltam vocações”. E nós podemos ficar nesse lamento; estar lá com aquela música de fundo de chorar as glórias do passado quando o Senhor nos diz: “Olha em frente e vê o que tens de fazer”. Mas não faças proselitismo, por favor. Encontra maneiras de abrir caminhos para o Senhor falar, para que o Senhor possa chamar. Não faças campanha eleitoral ou campanhas do tipo comercial porque o chamamento de Deus não entra nas diretrizes do marketing. É outra coisa. […]

(Tradução livre)

Como observa o conhecido jornalista Edward Pentin, talvez o Santo Padre não esteja ao corrente de algumas campanhas lançadas pelo Vaticano.

E, já agora, a empresa de marketing La Machi trabalha para quem?

Basto 4/2018

Nova pastoral no Brasil: “adoração eucarística” na Arquidiocese de Sorocaba

Paróquia de São Geraldo Magela, Arquidiocese de Sorocaba, São Paulo, Brasil.

Fonte: página facebook da Livraria Caritatem, 01/04/2018, via imaculadamaria.com.br.

Basto 4/2018