Papa Francisco escreve ao Patriarca de Lisboa

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O Papa Francisco enviou uma carta ao Patriarca de Lisboa de agradecimento e encorajamento em relação à aplicação do polémico capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

carta

Amado Irmão Cardeal
D. Manuel José Macário do Nascimento Clemente
Patriarca de Lisboa

 

Venho agradecer-lhe o envio, por ocasião da Quaresma passada, da Nota que dirigiu aos sacerdotes do Patriarcado sobre a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris laetitia.

Esta sua aprofundada reflexão  encheu-me de alegria, porque reconheci nela o esforço do pastor e pai que, consciente do seu dever de acompanhar os fiéis, quis fazê-lo começando pelos seus presbíteros para poderem cumprir da melhor forma o ministério.

As situações da vida conjugal constituem, hoje, um dos campos onde tal acompanhamento é mais necessário e delicado. Por isso mesmo, quis chamar o Colégio Episcopal a um itinerário sinodal prolongado, que propiciasse – apesar das dificuldades inevitáveis – a maturação de orientações compartilhadas em benefício de todo o povo de Deus.

Assim, ao exprimir-lhe a minha gratidão, aproveito o ensejo para encorajar o Irmão Cardeal e seus colaboradores no ministério pastoral – in primis os sacerdotes – a prosseguirem, com sabedoria e paciência, no compromisso de acompanhar, discernir e integrar a fragilidade, que de variadas formas se manifesta nos cônjuges e nos seus vínculos. Um compromisso que, se por um lado requer de nós, pastores, não pouco esforço, por outro regenera-nos e santifica-nos, pois tudo é animado pela graça do Espírito Santo, que o Senhor Ressuscitado concedeu aos apóstolos para a remissão dos pecados e o solícito tratamento de todas as feridas.

Na alegria de partilhar consigo, amado Irmão, esta doce e exigente missão, asseguro a lembrança da sua pessoa na minha oração e, pedindo-lhe que reze por mim também, de coração o abençoo juntamente com o presbitério e toda a comunidade diocesana do Patriarcado de Lisboa. 

 

Vaticano, 26 de junho de 2018

Franciscus

 

(in sítio oficial do Patriarcado de Lisboa, 26/06/2018)

Esta carta causa alguma estranheza, tanta como a sua publicação na página oficial do Patriarcado de Lisboa, uma vez que parece um documento pessoal…

Nesta altura já ninguém tem dúvidas relativamente ao que o Santo Padre entende por “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”. Resta saber como D. Manuel Clemente irá interpretar este encorajamento do Bispo de Roma, tendo em conta que o Patriarca de Lisboa, apesar de tudo, tem constituído a maior força visível de atrito no episcopado português relativamente à novíssima pastoral de abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados “recasados”.

Basto 7/2018

15 thoughts on “Papa Francisco escreve ao Patriarca de Lisboa

  1. Tanta subserviência ao nosso Cardeal Patriarca, pelo Papa Francisco… é de estranhar!
    O que será, que nós não sabemos?!
    Só espero que D. Clemente não tenha mudado de ideias!

  2. Pelo que me é dado compreender, esta “gratidão” do Papa refere-se à “Nota Pastoral”, intitulada “Nota para a receção do capítulo VIII da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia'” de Fevereiro, em que o Cardeal é ridicularizado, também pelo próprio clero.
    Era uma aplicação da Exortação, um pouco mais “exigente” para os chamados “recasados”do que a “Carta Pastoral” de Braga, o que provocou um desagrado geral.
    Apesar disso o Papa ficou “reconhecido” devido,( creio eu), à posição inicial de D. Manuel Clemente que tinha sido desfavorável quando o Papa recebeu o “não” dos Bispos portugueses. (Será que o D. Jorge, também terá sido notificado?!)
    Por outro lado, essa nota gerou controvérsia e muita confusão, o que basicamente é o objectivo deste pontificado…

    O que nos deixa perplexos é a “publicação” desta carta, como refere o Basto, por se tratar de correspondência de carácter pessoal.
    Desconheço se houve algo mais que D. Manuel Clemente publicou??

    • Acrescente por favor:

      A Igreja, (tal como eu a concebo), em Portugal, também desmoronou, indubitavelmente. Eis a prova, por demais, evidente.

  3. Portugal é um dos países mais importantes para Francisco. Se “Amoris Laetitia” for implementada em todas as dioceses portuguesas e se não haverá oposição do clero e dos fiéis, então o Papa Francisco poderá dizer ao mundo: “Nossa Senhora disse em Fátima que em Portugal se conservaria sempre o dogma da fé, e se em todas as dioceses de Portugal Amoris Laetitia foi implementada é porque também faz parte do dogma da fé!” Seria assim mais fácil enganar o resto da Igreja Católica e todos os que fossem contra “Amoris Laetitia” seriam considerados inimigos do Papa e contra o dogma da fé!

    • Penso que é mesmo isso Romão, por causa de Fátima, Portugal é uma peça-chave na Igreja. O que acontecer em Portugal servirá de referência para o mundo inteiro.

      Se estivéssemos a falar de um jogo de cartas (e desculpem-me esta comparação abusiva e profana), D. Manuel Clemente seria o “ás de trunfo”, depois de o Papa Francisco já ter assegurado a “carta 7”, que seria o agora Cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima e vice-presidente da CEP.

      D. Manuel Clemente é o titular da mais importante circunscrição eclesiástica em Portugal, é o presidente da CEP e ainda aquele que, durante a primeira fase do processo sinodal, liderou a oposição episcopal portuguesa em relação à proposta de abertura da Sagrada Comunhão aos adúlteros. Agora que o Patriarca de Lisboa parece já aceitar de alguma forma a abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados “recasados”, ainda que com algumas reservas, há que segurar e valorizar essa importante conquista. Com este apoio, o Papa talvez consiga ainda catalisar algum potencial de resistência ou de reação na Igreja, uma vez que D. Manuel pode representar um enorme setor que estará disposto a aceitar os novos ensinamentos de Francisco apenas até um determinado ponto…

  4. Mas que análise tão clarividente! É isso mesmo que tantas vezes me assola a cabeça, sem que consiga transcrever com objectividade.
    Há já muito tempo que desconfio de tanta publicidade a Portugal, até no campo político e mundano. Independentemente de sermos um Povo bom e acolhedor, porquê, só agora, estamos na moda?!
    Fátima é realmente o alvo a abater; e já começou, com as entidades para lá nomeadas!!

    • Tenho até receio de pensar numa eventual “instrumentalização” do “fenómeno” Fátima, a favorecer o processo revolucionário, dentro da Igreja. Será?! Meu Deus!! Vamos estar atentos. Não tenhamos medo de denunciar os possíveis erros. Há muita coisa errada naquela Diocese, muito equívoco no Santuário…,enfim, neste País. Peçamos a Luz do Espírito Santo…

    • Não sei o que lhe diga Francisco… O sr. Padre em questão afirma que se “revia” no magistério de João Paulo II e de Bento XVI e agora revê-se no de Francisco. Isso provavelmente aplica-se a questões como a a a nova pastoral do “recasamento” e do “quem sou eu para julgar [o homossexualismo]”…

  5. Da maneira como mudam de posição, conforme os MANDATÁRIOS TERRENOS, só demonstram que nunca tiveram profundidade nas suas convicções e muito menos, FIDELIDADE a Jesus Cristo, o Único detentor da VERDADE PLENA. Esse senhor padre está na linha da maioria, infelizmente, que acha que o Papa é que é a PALAVRA e não o Seu Guardião, à Qual, nem uma vírgula pode retirar ou acrescentar. Mas como, segundo o Papa Francisco, tudo é relativo e, até agora, andámos enganados, Ele acha-Se no direito de nos confundir a todos.
    Relativamente a Fátima, o que mais me dói é constatar, que os nomeados para lá, nunca acreditaram sequer, nas aparições! São recém CONVERTIDOS, por causa do LUGAR, para não dizer outra coisa muito mais ofensiva…
    Porque não divulgam e esclarecem a MENSAGEM, tal qual Ela foi dada?! Modificam-Na conforme lhes interessa, pois, está muita coisa em jogo, mas omitem o ESSENCIAL: PENITÊNCIA, PENITÊNCIA e CONVERSÃO; e não, FALSA MISERICÓRDIA!!!…
    Admite-se, que durante o Centenário das Aparições, ainda houvesse quem discutisse a forma como podemos interpretar o fenómeno Fátima, sem que se dignassem falar no Principal, que é Sua a Mensagem?!
    Mesmo sem ser DOGMA e, por isso, não sejamos obrigados a acreditar, é VERGONHOSO que se continue a não fazer o que a Mãe pede, mas se esteja a beneficiar, perante o mundo, de toda a publicidade e projecção que Ela confere.

    SE ACREDITASSEM REALMENTE EM FÁTIMA, NÃO AGIRIAM COMO AGEM, MAS OBEDECERIAM À VONTADE DA MÃE QUE NÃO SE CANSA DE NOS MENDIGAR CONVERSÃO E MUDANÇA!
    ELA NÃO VEIO PARA FAZER TURISMO E, MUITO MENOS, AJUDÁ-LO A SER DESENVOLVIDO!

  6. Dê o que der, ainda que sejamos 01% ou menos, não cederemos e vejamos o que apoiamos:
    D Schneider: O Papa não é o “dono” das verdades católicas. (Hoje cerca de 100, entre cardeais, mais de 30 e o restante bispos).
    Dom Athanasius Schneider disse que algumas das “afirmações ambíguas” em Amoris Laetitia estão “causando uma anarquia moral e disciplinar na vida da Igreja”.
    “A medida punitiva contra o professor Seifert … não é apenas injusta”, disse Schneider, “representa uma fuga da verdade, uma recusa de um debate objetivo e de um diálogo, ao mesmo tempo em que a cultura do diálogo é proclamada como uma grande prioridade na vida da Igreja de nossos dias “.
    A própria base da unidade da Igreja, disse Schneider, é a verdade – a verdade do Evangelho. Infelizmente, hoje quem se atreve a falar a verdade “é classificado como um inimigo da unidade” – como aconteceu com São Paulo.
    Aqueles que têm medo de enfraquecer a unidade da Igreja criticando os ensinamentos do Papa Francis devem lembrar que o Papa é servo da Igreja, disse Schneider. “Ele é o primeiro que tem que obedecer de forma exemplar a todas as verdades do Mistério imutável e constante, porque ele é apenas um administrador e não um dono das verdades católicas …” O Papa deve “se ligar constantemente e Igreja a obediência à palavra de Deus “, acrescentou.
    Schneider disse também que quando um papa tolera erros e abusos generalizados, os bispos não devem se comportar como os “funcionários servos” do papa.
    D Schneider concorda com Seifert que Amoris Laetitia contém uma “bomba atômica moral”. A sugestão do documento de que um casal adúltero pode ser moralmente obrigada a manter relações sexuais – pecar ao não pecar – poderia acabar com absolutos morais. Dom Schneider recomenda que outros leiam o artigo controverso de Seifert: “A lógica pura ameaça destruir toda a doutrina moral da Igreja Católica?”
    O contraste entre a obsessão das últimas décadas com a liberdade do pensamento teológico com a atual repressão aos teólogos ortodoxos como Seifert lembra Schneider de sua infância da era comunista. No entanto, seus pensamentos mais freqüentemente retornaram à controvérsia ariana de 325-381 325, quando mesmo um papa se uniu aos ensinamentos heréticos.
    Encontrando paralelismos entre a crise de Arian e os nossos tempos, Schneider citou a descrição de São Basílio, a grande descrição do antigo tumulto: “Apenas uma ofensa é punida vigorosamente – uma observação precisa das tradições dos nossos paises. Por isso, os piedosos são expulsos de seus países e são transportados para desertos. As pessoas religiosas ficam em silêncio, mas toda língua blasfêmica é solta “(Ep. 243).
    Schneider elogiou os quatro cardeais que emitiram a dubia em relação a Amoris Laetitia e expressaram sua esperança de que mais cardeais falem. Ele também tinha uma mensagem para todos os outros católicos: “Quando sacerdotes e leigos permanecem fiéis à prática imutável e constante de toda a Igreja, estão em comunhão com todos os papas, bispos ortodoxos e os santos dos 2.000 anos , estando em comunhão especial com São João Batista, São Tomás Mais, São João Fisher e com os inumeráveis cônjuges abandonados que permaneceram fiéis aos votos matrimoniais, aceitando uma vida de continência para não ofender a Deus
    https://onepeterfive.com/bishop-schneider-prof-seifert-cardinal-caffarra-duty-resist/

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