“Silêncio e oração” enquanto a casa se desmorona

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Por Nikko Lane

Esta segunda-feira, como resposta às críticas dirigidas ao Vaticano, o Papa Francisco incitou a Igreja de Cristo a lutar com “silêncio e oração” contra aqueles que causam divisão.

Silêncio e oração. Vejamos o que o Papa Francisco poderia ganhar com silêncio e oração.

Em primeiro lugar, ele pede silêncio. Porquê? De facto, há momentos destinados ao silêncio. Perante o Santíssimo Sacramento. Quando alguém se senta na beleza do silêncio no mistério em que se oferece o Senhor Jesus Cristo durante a Santa Missa, o silêncio em solene lembrança de um ente querido que faleceu na esperança do abraço da Paz de Nosso Senhor.

Mas será o silêncio realmente necessário neste momento em que a Igreja está em crise? Enquanto os membros da Igreja não conseguirem perceber o que se tem passado durante último mês do pontificado do Papa Francisco, a maioria dos católicos de todo o mundo quer respostas. Santo Padre, o senhor está a dizer a verdade? Santo Padre, Viganò está a dizer a verdade? O Santo Padre sabia alguma coisa daquilo?

Até agora, a resposta do Papa às vítimas do escândalo de abuso sexual por parte de elementos do clero dos Estados Unidos incluiu (parafraseando):

  1. Somos todos os culpados e, como leigos, devemos todos trabalhar para melhorar as coisas na nossa Igreja.
  2. Se leram a carta de Carlo Maria Viganò que me acusa e às pessoas a quem sou leal, decidam por vocês  mesmos.

Foram feitas acusações graves e estão em jogo grandes implicações. No entanto, o sucessor de São Pedro não faz mais do que permanecer em silêncio e em oração.

O Papa Francisco pede silêncio. Aqueles que acreditam nele dizem que a causa deste escândalo de abuso sexual, o encobrimento e a crise que dele resulta é uma questão de clericalismo (a “cortina de fumo” mais comum do Papa e das pessoas que lhe são próximas). Eu diria que o Santo Padre nem sequer se referiu ao assunto em concreto.

Pede silêncio, mas porquê? A carta de Viganò implica o Papa Francisco em crimes graves contra o seu povo. O silêncio seria apropriado. A ironia é que, se há divisão na Igreja, é somente porque o Papa Francisco, culpado ou inocente, não tratou do assunto em questão. De todas as vezes que Francisco coloca o ónus deste escândalo nos leigos da Igreja, em vez de o colocar em si mesmo (e nos bispos e arcebispos que ele conscientemente designou, apesar dos conselhos que lhe propunha melhores candidatos), ele prejudica ainda mais as pessoas que realmente sofrem: as crianças, os estudantes, jovens adultos e seminaristas que foram abusados física e sexualmente pelos McCarricks e clérigos dos Estados Unidos. Ele causa sofrimento e volta a causar, institucionalmente, pelas suas ações ou pela falta delas.

Porque faz ele isto?  E continuamente?

Isto leva-nos à sua próxima proposta para combater a “divisão”: a oração. João Vianney disse: “A oração é o banho interior de amor no qual a alma mergulha”. A oração do Papa Francisco tem sido pública e em frente das câmaras, no Instagram e no Twitter, desde o primeiro dia do seu pontificado. Aqui está uma observação importante: o Papa Francisco faz questão de ser visto pelos média. Ele faz com que se conheça bem o facto de que ele não permanece nas instalações a que, como Papa, tem direito. Ele vive uma vida de “pobreza visual”, tentando ser como o grande Francisco de Assis, seu homónimo. Mas Francisco de Assis mantinha uma pobreza espiritual e interior. Ele abandonou os seus bens materiais para ser pobre, sim, mas a sua espiritualidade de negação de si mesmo na exultação do Senhor era a missão desse querido santo. São Francisco nunca subverteria a doutrina católica sobre o casamento, a santidade da vida, a sexualidade, a Santa Eucaristia e, mais importante, o papel da família no plano de Deus como o Papa Francisco tem subvertido. O Papa Francisco reescreveu a doutrina da Igreja quando subverteu o ensinamento sobre a atração pelo mesmo sexo; permitiu que pessoas que viviam em adultério recebam a comunhão; e ridicularizou as famílias católicas por serem muito “parecidas com coelhos” na procriação de filhos.

Por que razão sugeriria ele oração? Evidentemente, poderia pedir-nos a todos para orar pela paz e pelo fim do sofrimento. Ou poderia pedir para enterramos as nossas cabeças na areia, tapar as nossas bocas e esquecer tudo o que D. Carlo Maria Viganò acusara a ele e aos seus colaboradores. Será que ele quer afastar a atenção de si mesmo, dos McCarricks, dos Wuerls e dos Tobins, enquanto nós, o rebanho, estamos em silêncio e oração?

Silêncio é o que o Papa agora nos pede. Silêncio e oração.

Continuarei a orar pela Santa Sé e pela Igreja que São Pedro recebeu do próprio Jesus Cristo para liderá-la. Orarei pelas inúmeras vítimas de abusos do clero e pelas suas famílias e ainda para que elas encontrem a cura no divino amor de Deus. Também orarei pelos maravilhosos sacerdotes que se têm manifestado, chocados com este escândalo e com a falta de resposta do Papa, para que eles continuem a ter coragem apesar da covardia do seu líder. E, por último, continuarei a orar pelos leigos fiéis, que, segundo todos os relatos, têm fortalecido a sua fé, apesar da falta de honestidade e de liderança nos mais altos postos da hierarquia da nossa Igreja.

Mas eu não permanecerei em silêncio. O silêncio apenas implica a culpa do Papa. Não me calarei enquanto a Igreja de Cristo necessitar que os líderes chamem a heresia e a injustiça pelo nome. Continuarei a falar. Irei dizer a verdade. Irei proclamar a Boa Nova. A Palavra da Vida Eterna sobreviveu no passado a muitos papas corruptos e a muita adversidade e continuará muito para além do seu silêncio, Papa Francisco.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de setembro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2018

5 thoughts on ““Silêncio e oração” enquanto a casa se desmorona

  1. maria martins 9 de Setembro de 2018 / 8:44

    Especialista em “marketing”, ninguém como o Papa Francisco, para saber aplicar o “slogan” certo, e na hora certa!…
    Mas o que mais lamento, é a adesão que tem tido por parte de muitos clérigos que multiplicam o seu apoio em artigos de opinião, como se a Sua postura fosse a de um verdadeiro “GENTELMAN”…

  2. Geraldo 9 de Setembro de 2018 / 9:09

    *”CHAME OS OUTROS DO QUE V É E ACUSE OS OUTROS DO QUE V FAZ”.
    O autor tem toda razão nos comportamentos do papa Francisco, seriam de alguém que está em péssima situação de retorquir e usa do silencio como arma, para não se dizer que seria discriminador e causador de cisões na Igreja e, quem sabe, poderia se passar por vítima dos “divisionistas” e seria o típico comportamento dos esquerdistas sob o título acima, ou passar por vítima quando acuado e “preferir” o silencio e tentar desarmar os adversarios..
    O problema é que ele viria de duas situações recentes muito embaraçosas – sem contar as anteriores – contudo, dessa vez foram muito contundentes em relação à sua pessoa: obrigou-se a se desculpar publicamente, embora teria sido muito a contra-gosto – e não teria tido condições de se desvencilhar delas, o caso do Chile, por exemplo, nem esboçou reação de contrargumentar pelas fotos que vazaram e anteriormente as teria visto, portanto, caiu nas redes; dessa forma, sentiu o drama, e teriam o humilhado frente ao mundo todo, embora com a midia globalista que nada diz que o prejudique a mais, bem inversamente como ao papa Bento XVI!
    * Lênin

  3. maria martins 10 de Setembro de 2018 / 9:36

    Gostaria muito de sentir o que este senhor padre está a descrever, e acho que a maioria dos Católicos desejariam o mesmo, se as consequências de todo este “chiqueiro”, não fossem tão graves!
    Protelou-se durante décadas, tentou-se encobrir até com mentiras…e nada se fez! Agora, ainda se pede mais silêncio e mais tempo para agir?! Acho que esse tempo já expirou, há muito! Porque é que todas as vítimas que acreditaram que com o Papa Francisco iria ser diferente, desistiram da Comissão criada no Vaticano, para que se investigasse a sério, acusando-O de nada fazer, e só estar interessado na Sua Própria PUBLICIDADE?! Que se passou no Chile? Também não havia provas… e deu no que deu! A Internet mostra todas as provas e nem o apelo e desespero das vítimas O comoveu, chegando a acusá-las de mentir e de oportunismo?
    A Caridade manda-nos guardar silêncio, quando está em causa um irmão que, pela sua fragilidade, tenha caído; também sou contra o escândalo pelo escândalo, mas neste caso, nada disto é segredo e, por isso, deve-se DENUNCIAR E CASTIGAR SEVERAMENTE, aqueles que colaboraram nesta EPIDEMIA! Acho que nesta fase, já se esgotaram todas as etapas que o EVANGELHO nos manda percorrer, quando alguém PECA CONSTANTEMENTE: fala com ele, chama duas testemunhas e, depois, se nada conseguires, entrega-o à Igreja para ser JULGADO! …. Esquecem-se que se trata de CRIANÇAS, muitos já adultos, com vidas totalmente, desfeitas?!
    Porque não se faz um” MEA CULPA” definitivo, em vez de se tentar, mais uma vez, justificar o injustificável?!
    Como fica a IGREJA VERDADEIRA NESTE PANORAMA? Conheço muitos senhores padres que não merecem ser “metidos no mesmo saco”, mas que “apanham por tabela”, só porque pertencem à mesma Instituição!
    Vamos OBEDECER a alguém que põe em causa, constantemente, os ENSINAMENTOS IMUTÁVEIS de JESUS, apelidando-nos de tudo e de mais alguma coisa?! O Papa Francisco sempre acusou e magoou os CATÓLICOS; porque devemos, agora estar com Ele, se Ele nada tem feito para acalmar os ânimos, com uma postura de PAI AMOROSO, COMO JESUS?! Ele até afirmou, no início do Seu Pontificado, que: ..”o meu Deus não é CATÓLICO”… também é mentira? Eu li essa entrevista, apesar de tentarem logo corrigi-Lo.
    Também não quero a Sua destituição, mas que, por favor, se retrate e, mais uma vez, peça PERDÃO PUBLICAMENTE !
    Se o VIGANÒ tem defeitos pessoais, todos temos; mas que não sirvam para desviar as atenções daquilo que realmente conta e é o cerne da questão, neste momento!

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