Cardeal Müller publica manifesto em que clarifica confusões doutrinais do pontificado de Francisco

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O Cardeal D. Gerhard Müller, anterior Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, publicou uma “Declaração de Fé onde reafirma algumas verdades doutrinais que têm sido relativizadas pela Igreja durante o pontificado de Francisco. Não é uma correção formal ao Papa Francisco, mas parece.

Declaração de Fé

“Não se perturbe o vosso coração!” (Jo 14, 1)

Diante de uma confusão cada vez mais generalizada no ensino da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica pediram-me para dar testemunho público da verdade da Revelação. A tarefa dos pastores é guiar os homens que lhes são confiados pelo caminho da salvação, e isso só pode acontecer se tal caminho for conhecido e se eles forem os primeiros a percorrê-lo. A esse respeito, o Apóstolo advertiu: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi” (1Cor 15, 3). Hoje, muitos cristãos nem sequer conhecem os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrarem o caminho que leva à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua a ser levar as pessoas a Jesus Cristo, a luz dos gentios (cf. LG 1). Nesta situação, alguém se pergunta como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensino da fé” (Fidei Depositum IV). Foi escrito para fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé posta à prova pela “ditadura do relativismo”[1].

1. Deus uno e trino, revelado em Jesus Cristo

O epítome da fé de todos os cristãos reside na confissão da Santíssima Trindade. Nós tornamo-nos discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus, através do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental na fé em Deus e na imagem do homem em relação às outras religiões. Reconhecido Jesus Cristo, os fantasmas desaparecem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado no ventre da Virgem Maria pela obra do Espírito Santo. O Verbo feito carne, o Filho de Deus é o único Salvador do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Por esta razão, a primeira carta de João refere-se àquele que nega a sua divindade como o anticristo (1Jo 2, 22), visto que Jesus Cristo, Filho de Deus, desde a eternidade é um único ser com Deus, seu Pai (663). É com clara determinação que é necessário enfrentar o reaparecimento de antigas heresias que em Jesus Cristo viam apenas uma boa pessoa, um irmão e um amigo, um profeta e um exemplo de vida moral. Ele é, antes de tudo, a Palavra que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que tomou a nossa natureza humana para nos redimir e que virá para julgar os vivos e os mortos. Só a Ele adoramos em união com o Pai e o Espírito Santo como o único e verdadeiro Deus (691).

2. A Igreja

Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Ele deu à sua Igreja, que “nasceu do coração trespassado de Cristo morto na cruz” (766), uma estrutura sacramental que permanecerá até ao pleno cumprimento do Reino (765). Cristo, cabeça, e os crentes como membros do corpo são uma pessoa mística (795), por essa razão a Igreja é santa, visto que Cristo, o único mediador, a estabeleceu na terra como um organismo visível e continuamente a apoia (771). Por meio dela, a obra redentora de Cristo torna-se presente no tempo e no espaço com a celebração dos Santos Sacramentos, especialmente no Sacrifício Eucarístico, a Santa Missa (1330). Com a autoridade de Cristo, a Igreja transmite a revelação divina, “que se estende a todos os elementos da doutrina, incluindo a moral, sem a qual as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas ou observadas” (2035).

3. A Ordem sacramental

A Igreja é em Jesus Cristo o sacramento universal da salvação (776). Ela não se reflecte a si mesma, mas a luz de Cristo, que resplandece no rosto, e isso só acontece quando o ponto de referência não é a opinião da maioria, nem o espírito dos tempos, mas a verdade revelada em Jesus Cristo, que confiou à Igreja Católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos Sacramentos da Igreja.

A Igreja não é uma associação criada pelo homem, cuja estrutura pode ser modificada pelos seus membros à vontade: é de origem divina. “O próprio Cristo é a origem do ministério na Igreja. Ele instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e fim” (874). A admoestação do Apóstolo ainda é válida hoje, segundo a qual é amaldiçoado alguém que proclama outro Evangelho, “nós mesmos, ou um anjo do céu” (Gl 1, 8). A mediação da fé está intrinsecamente ligada à credibilidade humana dos seus pregadores: em alguns casos, abandonaram aqueles que lhes haviam sido confiados, perturbando-os e prejudicando seriamente a sua fé. Para eles cumpre-se a palavra da Escritura: “virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos” (2 Tm 4,3-4).

A tarefa do Magistério da Igreja para com o povo de Deus é “protegê-lo de desvios e falhas” para que possa “professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente verdadeiro em relação aos sete sacramentos. A Sagrada Eucaristia é “a fonte e o cume de toda a vida cristã” (1324). O Sacrifício Eucarístico, em que Cristo nos envolve no sacrifício da cruz, visa a união mais íntima com Ele (1382). Por isso, a Sagrada Escritura alerta para as condições para receber a Sagrada Comunhão: “Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1Cor 11, 27) e, em seguida, “Quem está ciente de que cometeu um pecado grave, deve receber o sacramento da Reconciliação antes de receber a Comunhão” (1385). Da lógica subjacente ao sacramento percebe-se que os divorciados e recasados ​​civilmente, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido, bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente preparados, não recebem a Sagrada Eucaristia frutiferamente (1457), porque deste modo não os leva à salvação. Realçá-lo, corresponde a uma obra de misericórdia espiritual.

O reconhecimento dos pecados na Santa Confissão, pelo menos uma vez por ano, é um dos preceitos da Igreja (2042). Quando os crentes já não confessam os seus pecados recebendo a absolvição, a salvação trazida por Cristo torna-se vã, pois Ele fez-se homem para nos redimir dos nossos pecados. O poder do perdão, que o Ressuscitado conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores no Episcopado e no Sacerdócio, restaura os pecados graves e veniais cometidos depois do Baptismo. A prática actual da confissão mostra que a consciência dos crentes não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus é-nos dada para que possamos cumprir os seus Mandamentos para nos conformarmos à sua santa vontade e não para evitar o chamamento à conversão (1458).

“É o sacerdote que continua a obra da redenção na terra” (1589). A ordenação, que confere ao sacerdote “um poder sagrado” (1592), é insubstituível porque, através dele, Jesus torna-se sacramentalmente presente na sua ação salvadora. Os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “um sinal dessa nova vida” (1579). Trata-se da entrega de si para o serviço de Cristo e do Seu Reino vindouro. A fim de conferir a ordenação validamente nos três graus do Sacramento, a Igreja reconhece-se como limite para a escolha feita pelo próprio Senhor, “por esta razão a ordenação de mulheres não é possível” (1577). A este respeito, falar de discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma incompreensão deste Sacramento, que não diz respeito a um poder terrestre, mas à representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral

Fé e vida são inseparáveis, porque a fé sem as obras feitas no Senhor é morta (1815). A lei moral é o trabalho da sabedoria divina e leva o homem à beatitude prometida (1950). Consequentemente, a “lei divina e natural mostra ao homem o caminho a seguir para fazer o bem e alcançar o seu objetivo” (1955). A sua observância é necessária para que todas as pessoas de boa vontade alcancem a salvação eterna. De facto, aquele que morre em pecado mortal sem arrependimento permanecerá para sempre separado de Deus (1033). Isto implica consequências práticas na vida dos cristãos, entre as quais é oportuno recordar aquelas que hoje são mais frequentemente negligenciadas (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é um fardo, mas faz parte dessa verdade libertadora (cf. Jo 8, 32), através da qual o cristão caminha no caminho da salvação e não deve ser relativizada.

5. Vida Eterna

Muitos hoje perguntam porquê a Igreja ainda existe se os próprios bispos preferem agir como políticos, em vez de mestres da fé e proclamar o Evangelho. O olho não se deve deter em questões secundárias, mas é mais necessário do que nunca para a Igreja assumir a sua própria tarefa. Todo o ser humano tem uma alma imortal, que na sua morte é separada do corpo, mas com a esperança da ressurreição dos mortos (366). A morte toma a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todos terão que enfrentar o juízo pessoal imediatamente após a morte (1021): ou será necessária uma purificação ou o homem irá diretamente para a felicidade celestial e será permitido contemplar Deus face-a-face. Mas há também a terrível possibilidade de que uma pessoa, até ao fim, permaneça em contradição com Deus: rejeitando definitivamente o seu amor, “chorará imediatamente para sempre” (1022). “Deus, que nos criou sem nós, não nos quis salvar sem nós” (1847). A eternidade da punição do Inferno é uma realidade terrível, que, de acordo com o testemunho das Sagradas Escrituras, diz respeito a todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão atravessa a porta estreita, “porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele” (Mt 7, 13).
Manter em silêncio estas e outras verdades da fé ou ensinar o oposto é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte vigorosamente. Esta representa a última prova da Igreja, ou “uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para os seus problemas, ao preço da apostasia da verdade” (675). É o engano do Anticristo, que vem “com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2Ts 2, 10).

Apelo

Como trabalhadores na vinha do Senhor, todos nós temos a responsabilidade de recordar estas verdades básicas que se agarram ao que nós mesmos recebemos. Queremos dar coragem para percorrer o caminho de Jesus Cristo com determinação, a fim de obter a vida eterna seguindo os Seus mandamentos (2075).

Pedimos ao Senhor que nos deixe saber quão grande é o dom da fé católica, através do qual a porta para a vida eterna é aberta. “Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos em fortalecer a fé confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo.

O aviso que Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá ao seu colaborador e sucessor Timóteo é dirigido particularmente a nós, bispos e padres. Ele escreveu: “Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há-de julgar os vivos e os mortos, peço-te encarecidamente, pela sua vinda e pelo seu Reino: proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência. Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

Que Maria, Mãe de Deus, implore a graça de nos apegarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar.

Unidos na fé e na oração,

Gerhard Cardeal Müller
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017

 

[1] Os números que aparecem no texto correspondem ao Catecismo da Igreja Católica.

Fonte: lifepetitions.com (página acedida no dia 9 de fevereiro de 2019).
Tradução: diesiraept.blogspot.com (página acedida no dia 9 de fevereiro de 2019).

Quem quiser apoiar o manifesto do Cardeal D. Gerhard Müller poderá fazê-lo subscrevendo o documento aqui.

Basto 02/2019

10 thoughts on “Cardeal Müller publica manifesto em que clarifica confusões doutrinais do pontificado de Francisco

  1. Abençoado Cardeal! Só é pena, que tão poucos estejam preparados para o escutar…. Mas, pelo menos, alguém tenta esclarecer tudo aquilo que os que são, minimamente, esclarecidos, já conheciam. Agora, não há desculpas; apenas, para os que quiserem continuar no ERRO!!

    Vou imprimir este manifesto e distribuir pelas pessoas de boa vontade…. Aquelas que ainda buscam a VERDADE! Mais não posso fazer.

    • Este não é um cardeal qualquer, há alguns meses era o responsável pelo antigo Santo Ofício, acreditando-se que tenha sido afastado porque não aderia às novas doutrinas de Francisco. Penso que esta atitude de Müller irá delinear de forma mais evidente uma clivagem que já existe entre a Verdadeira Igreja e a Falsa Igreja.

    • Então distribui também este, Maria:

      Em 8 de Fevereiro de 2019 o mesmo site também publicou um artigo com a posição do Bispo D. Athanasius Schneider que emitiu uma declaração sobre a singularidade da fé em Cristo, para remediar a confusão decorrente do controverso documento que o papa Francisco assinou com um grande imã no início da semana, passada em Abu Dhabi.

      Penso que, um e outro são igualmente importantes. Embora o Cardeal Müller tenha uma influência muito maior pelo cargo que ocupou, recentemente.

  2. Se o Basto considerar que o comentário é demasiado longo e se, assim entender, tem toda a liberdade de recusar a sua publicação.

    Ao longo destes quase 6 anos, os factos e informações, nos são apresentados de tal forma que nem nos dão tempo de reflectir e, a maior parte das vezes nem conseguimos reter na memória…
    Ao rever as posições do Cardeal Müller, reencontrei esta matéria que refere o momento, em que foi dispensado…
    Lembram-se?!

    “As informações a seguir procedem do relato de uma fonte alemã confiável, que falou ao OnePeterFive sob a condição de anonimato. Ele cita uma testemunha ocular que almoçou recentemente com o Cardeal Müller em Mainz, na Alemanha. Durante a refeição, o Cardeal Müller teria divulgado na presença dessa testemunha ocular certas informações sobre seu último encontro com o Papa, durante o qual ele foi informado de que seu mandato como Prefeito da CDF não seria renovado.
    De acordo com esse relato, o Cardeal Müller foi convocado pelo Palácio Apostólico em 30 de junho, e assim ele foi para lá com seus arquivos de trabalho, supondo que essa reunião seria uma reunião de trabalho habitual. Contudo, o Papa lhe disse que tinha apenas cinco perguntas a fazer:
    Você é contra ou a favor de um diaconato feminino?
    “Sou contra”, respondeu o cardeal Müller.
    Você é contra ou a favor da revogação do celibato?
    “É claro que sou contra”, respondeu o cardeal.
    Você é contra ou a favor do sacerdócio feminino?
    “Definitivamente sou contra essa ideia”, respondeu o Cardeal Müller.
    Você está disposto a defender a Amoris Laetitia?
    “Tanto quanto seja possível para mim”, respondeu o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: “ainda existem ambiguidades”.
    Você está disposto a retirar sua reclamação a respeito da demissão de três de seus próprios funcionários? O Cardeal Müller respondeu:
    “Santo Padre, estes homens eram bons e sem culpa, dos quais sinto falta agora, e não foi correto demiti-los passando por cima de mim, pouco antes do Natal, de modo que tiveram que esvaziar seus escritórios até o dia 28 de dezembro. Sinto falta deles agora”.
    Então, o papa respondeu: “Bom, Cardeal Müller, eu só queria lhe informar que não prorrogarei o seu mandato [ou seja, após o dia 2 de julho] como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.”
    Sem dizer adeus ou dar uma explicação, o papa saiu da sala. A princípio, o Cardeal Müller pensou que o papa saiu para buscar um sinal de gratidão e, assim, ficou esperando pacientemente. Mas, não havia tal presente, nem mesmo um gesto de gratidão pelo seu serviço. O Prefeito da Casa Pontifícia, Arcebispo Georg Gänswein, teve que lhe explicar que a reunião havia terminado, e que era hora de partir.”

  3. Bendito seja o Espírito Santo Paráclito, Deus Consolador e Alma da Igreja. O Espírito de Deus jamais cessou de agir na história da Igreja e não é diferente nos dias atuais, sobretudo em tempos de profunda crise de Fé.

    É nesse contexto de crise e confusão alarmantes que um cardeal, encorajado por esse mesmo Espírito Santo, nos recorda através de uma manifestação clara, sucinta e inequívoca as verdades de sempre sobre Deus, a Igreja e o homem. Graças a Deus, esse facho de luz veio dissipar as trevas do erro e da mentira que insistem em penetrar na Igreja desviando-a da sua real missão que é a salvação das almas.

    Pouco tempo atrás em uma reunião de formação em minha paróquia, o palestrante que caridosamente omitirei o nome, declarou publicamente que a existência e a eternidade do inferno são incompatíveis com a realidade de um Deus misericordioso. Obviamente que não disse com essas palavras, mas este era o sentido de sua fala, coisa que comprovei o arguindo por pelo menos duas vezes em público.

    Infelizmente, essa liderança da Igreja não é uma voz isolada, mas ouso dizer que seja até mesmo maioria em alguns círculos católicos. É uma amostra medonha do quanto estamos deficientes em relação a verdadeira Fé da Igreja.

    “A misericórdia de Deus é-nos dada para que possamos cumprir os seus Mandamentos para nos conformarmos à sua santa vontade e não para evitar o chamamento à conversão”. Nesse ponto o Cardeal Muller nos alerta que pregar um “misericordiosismo” sem compromisso é uma falsificação, uma caricatura da imagem do Deus misericordioso que se revelou em Jesus. A crença em uma misericórdia que não nos exige arrependimento e conversão, mas nos mantém descansados em nossos pecados e misérias não passa de uma ilusão demoníaca que pode pôr em risco a nossa própria salvação. E foi seguindo essa linha soberba de querer ser mais misericordioso que o próprio Deus que alguns teólogos embarcaram nesse engodo de negar a existência do castigo eterno.

    Outro ponto muito importante do Manifesto é a reafirmação da doutrina de sempre da Igreja em relação a indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio, e a impossibilidade de uma pessoa divorciada e recasada civilmente receber o Sacramento da Eucaristia quando o primeiro casamento tiver sido válido. A Igreja sempre ensinou essa verdade, e muitos mártires tombaram por crer nisso. Feliz também é a citação de Gálatas 1,8. “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Ninguém, absolutamente ninguém, pode alterar a lei de Cristo, a autoridade confiada à Igreja é para ensinar e defender a Verdade nos revelada pelo Senhor, jamais para deturpá-la.

    Dou glória a Deus, porque mais um príncipe da Igreja ouviu os anseios do povo de Deus que sofre diante da omissão dos seus pastores. Deus que nos orienta com seu Espírito nos confirmou com essa manifestação o nosso “sensus fidei”.

    Nosso Senhor jamais abandonará a sua Igreja. Pode ser que um dia ela volte a se tornar pequena novamente, mas o importante é que Ele sempre estará a frente dela.

    Que possamos repetir como São Pedro diante da pergunta do Senhor depois deste ter sido abandonado por muitos: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras de vida eterna.”(São João 6,68.)

    Obrigado Senhor! Deus abençoe o Cardeal Muller.

  4. Seria similarmente ao caso de o papa Francisco nem dar importancia, nem responder à semelhante correção doutrinaria, estilo D Müller, como agiram os treis prelados do Cazaquistão, à qual pertence o conhecido e estimado apologeta D Athanasius Schneider e mais dois, sendo um deles emérito!
    D G Müller também agiu igualmente com a Amoris laetitia fazendo-lhe uma releitura e tudo indica que em nada teria havido de novo, que se saiba, mas como sempre, responde com o silencio e nada do texto ambiguo e/ou duvidoso *retificou o papa Francisco.
    Como pastor de almas, agiu muito corretamente D Müller, cumpriu com seu sagrado dever de denunciar os eventuais desvios doutrinarios visando proteger o rebanho, hoje em dia à sanha de lobos vorazes, portanto, se não surtir efeito, do lado de lá explicará o porque não o papa Francisco.
    http://www.ihu.unisinos.br/186-noticias/noticias-2017/564553-mueller-e-dessa-maneira-que-leio-a-amoris-laetitia

    • Vivemos numa época de “faz de conta”… Como você sugere, Geraldo, é muito provável que Francisco não responda a esse documento, como se ele não soubesse que ele existe. Mas não foi, de certo modo, essa a estratégia também utilizada pelo próprio Cardeal Müller? O manifesto que ele publicou, apesar de valioso, evita questionar a origem de tais confusões que reinam hoje na Igreja. Todos nós sabemos que é o próprio Francisco quem está no centro dessas confusões doutrinais, no entanto é mais fácil fazer de conta que não sabemos.

  5. Assim, ninguém o poderá acusar de desobediência ou má fé, relativamente, às posições actuais nossa da Igreja. Limita-se a contrapor pela positiva e só não o entende quem não quiser.
    Acho ser uma boa estratégia dado o momento sensível que estamos a viver.
    Gostaria de ter o seu “FAIR PLAY”, pois, muitas vezes, fico angustiada comigo, quando me apetece desbaratinar…
    Até onde, teremos de fazer de conta, sem mostrar a nossa indignação?

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