Burke e Brandmüller: Para onde está a ir a Igreja?

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Os cardeais D. Walter Brandmüller e D. Raymond Burke, dois dos autores dos chamados dubia dirigidos ao Papa Francisco e ainda sem resposta (os restantes, já faleceram), publicaram, na passada terça-ferira, uma carta aberta dirigida aos participantes na Cimeira sobre Abusos Sexuais, que teve início na quinta-feira em Roma.

Na carta em questão, abaixo reproduzida, os cardeais sugerem uma linha óbvia de abordagem, negligenciada pela cúpula romana, que relaciona o grave problema dos abusos de menores na Igreja Católica com a atual infestação de homoclericalismo.

CARTA ABERTA AOS PRESIDENTES DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS

Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,

É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós!

O mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde está a ir a Igreja?

Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma parte de uma crise bem mais ampla. A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenómeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.

Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação, até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.

Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro, no Vaticano?

Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre acerca dos “dubia” que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a família. Hoje, esses “dubia” não só continuam sem receber qualquer resposta, mas são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.

Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Walter Card. Brandmüller

Raymond Leo Card. Burke

Fonte: magister.blogautore.espresso.repubblica.it Settimo (página acedida no dia 22 de fevereiro de 2019).
Tradução: dubia (página acedida no dia 22 de fevereiro de 2019).

 

Mais grave que um pecado moral, é um sacrilégio

A página católica austríaca Kath.net publicou entretanto um curto vídeo onde o cardeal Brandmüller explica a razão que o levara a publicar a carta aberta. Como explica o cardeal alemão, as aberrantes práticas homossexuais envolvendo elementos do clero configuram sacrilégios eucarísticos.

Basto 02/2019

17 thoughts on “Burke e Brandmüller: Para onde está a ir a Igreja?

  1. ….”Celebram com as mãos sujas e o Meu Filho, não desce!”… (palavras de Nossa Senhora do Escorial)
    “Os Sacramentos recebidos, indevidamente, atraem a IRA de Deus!”
    “Os pecados das almas Consagradas atraem a IRA de Deus”!

    Sendo assim, é fácil concluir que a ALMA DA IGREJA está a ser atacada, “forte e feio”, deixando-nos à mercê do INIMIGO!
    Estes Santos Cardeais têm muita CORAGEM pela OUSADIA que demonstram, dadas as circunstâncias.

    -REZEMOS POR ELES!

  2. Os organizadores da cimeira recusam relacionar o problema do abuso de menores com a infestação de homossexualismo que invadiu os seminários. A resposta é do arcebispo D. Charles Scicluna, ultra-misericordista e autor dos critérios de abertura da Sagrada Comunhão a praticantes de adultério em Malta.

  3. Estas palavras tocaram-me no mais íntimo da minha alma…doeram fundo.
    De tudo o que já ouvi na minha vida (ofensas pessoais), penso que nada me atingiu desta forma:

    “…o que é assustador, a homossexualidade no clero…porque há Sacerdotes a ser abusados…Padres que se aproximam do altar estão a cometer Sacrilégio…o que é mais Sagrado, na nossa Igreja e na Nossa Fé está a ser arrastado na lama…não são crimes, apenas contra pessoas são crimes contra o PRÓPRIO Santo Deus…”

    Reparem, a que Missas nós assistimos?! De quem?! Como não nos preocuparmos com isto?! Será que o problema é só deles, ou de toda a Comunidade que participa?! Isto me incomoda há imenso tempo…ou seja, eventualmente participar numa Missa, na qual se comete um crime contra Deus?! Claro que também nos atinge espiritual e negativamente, a nós. A culpa pode não ser nossa, é certo,…mas atinge-nos.

    É, infinitamente pior que um crime de Lesa-Majestade, a cujos infratores, terrivelmente castigados e torturados, lhes confiscavam os bens e toda a família sofria vergonha e ficava na penúria, por várias gerações. Assim acontece a todo o CORPO MÍSTICO de CRISTO!

    Reparem que os Bispos e Cardeais não levam isto, em conta. Aparentemente preocupam-se (e bem) com as vítimas inocentes. E a “lepra” restante, no tocante ao que este Cardeal aqui salientou?!

    • À medida que o tempo passa e vamos ouvindo pessoas que ainda se preocupam com estas coisas (poucas), vamos percebendo dimensões mais profundas do problema… Há dias, Taylor Marshall e Tim Gordon, num dos seus interessantes diálogos disponíveis no youtube, chamaram a atenção para uma diferente perspectiva deste problema. As práticas sexuais entre sacerdotes e seminaristas, ou entre clérigos e os seus superiores espirituais, ou simplesmente entre padres e adolescentes (ou mesmo adultos), na sua essência, são um “Incesto espiritual” entre padres e os seus filhos espirituais.

  4. Ainda não tinha conhecimento de semelhante ABERRAÇÃO!
    Felicito aqueles que ainda respeitam os sentimentos religiosos dos outros, e a Fé de um POVO, não brincando com coisas sérias… e põe cobro a GENTE DESTA LAIA!
    Contudo, começo a recear o futuro…. se já há quem seja capaz de PROFANAR, com tanto descaramento, assim, Nossa Senhora, mais uns tempinhos…. e veremos o que nos espera!
    Estes humoristas medíocres que só brilham através do humor FÁCIL e ORDINÁRIO, porque ter sentido de humor oportuno requer muita inteligência, cada vez mais proliferam nos nossos Meio de Comunicação; ainda falam contra a CENSURA!

  5. Basto, quando me refiro à ALMA DA IGREJA é ao CERNE da nossa Espiritualidade e de onde TUDO EMANA!
    Sei do que fala, mas neste caso, refiro-me ao Sagrado, ao Divino preconizado nos Sacramentos, remédio para todos os males, mais propriamente, à EUCARISTIA, como era referido por S. João Paulo II.
    É n/ELA que encontramos a CURA e a FORÇA DIVINAS, para prosseguir, sabendo, também, que o veneno, a contaminação, a destruição, a CONDENAÇÃO vêm da SUA PROFANAÇÃO! Ora, é esse mesmo VENENO que está a aumentar, como consequência de todo este triste espectáculo a que assistimos a todo o momento: a degradação total do SAGRADO!

  6. A mensagem e Profecia de Nossa Senhora em La Sallet em 1846 já tinha feito aviso à Igreja, lideres das casas religiosas aqui vai um excerto:

    “Nos conventos as flores da Igreja serão apodrecidas, e o demônio tornar-se-á como que o rei dos corações.”

    “Que os dirigentes das comunidades religiosas estejam atentos em relação às pessoas que devem receber, porque o demônio usará toda sua malícia para introduzir nas ordens religiosas pessoas entregues ao pecado, pois as desordens e o amor aos prazeres carnais estarão espalhados por toda a Terra.”

    “Será o tempo das trevas, e a Igreja passará por uma crise pavorosa.”
    “A Igreja será eclipsada”

    Não se vê mais a sã doutrina, só ataques por dentro e de todos os lados à Igreja,
    é a realização destas profecias…

  7. D. Manuel Clemente a “canonizar” o Papa Francisco:

    D. Manuel Clemente sublinhou ainda a “originalidade” desta cimeira em toda a história da Igreja Católica.

    "Toda a vida ensinei e aprendi História da Igreja, do que é que têm sido estes 2000 anos, mas isto é completamente inédito. O Papa fazer uma reunião assim, para resolver um problema grave, chama não apenas os responsáveis da Igreja. Chama homens, chama mulheres, chama religiosas, chama mães de família, chama as próprias vítimas e todos em conjunto, durante estes dias, com toda a franqueza, vemos o problema, isto é um exercício de Igreja no seu melhor”, assinalou o presidente dos bispos portugueses.
    

    “Por isso estou muito grato, estamos todos, ao Papa Francisco por ter feito algo assim, que eu creio que também é um exemplo para todos nós, como Igreja e como sociedade. Quando queremos resolver um problema, então reunimos todos os intervenientes e vamos falar com franqueza acerca do problema e encontrar a melhor maneira de o ultrapassar. Acho isto extraordinário. Está muito na linha do Papa Francisco, este bem-aventurado Papa Francisco que em boa hora Deus pôs à frente da Igreja”, destacou.

    https://observador.pt/2019/02/24/igreja-em-portugal-devera-adotar-novas-medidas-contra-abusos-sexuais-antes-de-abril-diz-patriarca-de-lisboa/

    Eu não creio que foi Deus que pôs Francisco à frente da Igreja, mas sim a “Máfia de St. Gallen”!

  8. É esta cegueira de quem deveria estar desperto para todas as contradições a que temos vindo a assistir, que me ASSUSTA!
    Senhor Cardeal Patriarca, contenta-se com pouco! Deve ouvir a opinião da maioria dos entrevistados de rua que é: “a montanha pariu um rato”! O Papa Francisco foi, sempre, tão determinado a CONDENAR, AFASTAR E A ROTULAR os denunciantes, porque continua a ser tão tolerante com os ENCOBRIDORES, para não falar nos predadores…
    Como disse ontem uma senhora: já viu algum ser afastado ou condenado?
    Perante a dimensão do problema, pedir desculpa não chega!
    A pedofilia é um dos MAIORES SACRILÉGIOS!

    • O grande problema da Igreja não é a pedofilia mas sim o homossexualismo clerical. A esmagadora maioria dos abusados são do sexo masculino e nem sequer são todos crianças. O abuso de crianças e adolescentes acaba por ser uma das piores consequências do homoclericalismo. São abusadas porque estão em posição de inferioridade.

      Dizer que se vai combater o problema dos abusos e, ao mesmo tempo, manter os grandes teólogos da homopastoral em posições de destaque é uma falta de respeito para com as vítimas.

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