Heresia pública, não-correção privada

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Por Christopher A. Ferrara

Na sua Declaração Conjunta com o “Grão Imame de Al-Azhar”, Ahmed Al-Tayeb, no passado mês, em Abu Dhabi, o Papa Francisco e o “Grão Imame” declararam juntos: “O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta Sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente.”

O significado ultrapassa qualquer discussão: a diversidade de religiões, que Deus não quer, mas apenas tolera como um mal, é colocada em paridade com as diferenças de raça, sexo e linguagem, que Deus realmente quer. A existência de religiões repletas de erros condenáveis contra a revelação divina é deste modo apresentada, sem a mínima ambiguidade, como um bem positivo – ou seja, “a liberdade de ser diferente”. Seria improvável que Al-Tayeb concordasse com uma afirmação que pudesse, de algum modo, ser lida com querendo dizer que a sua religião islâmica, criada pelo homem, é simplesmente um mal tolerado.

Como reporta o LifeSiteNews, “os bispos do Cazaquistão e Ásia Central, durante uma visita ad limina a Roma, levantaram uma série de preocupações, amplamente partilhadas pela Igreja nos últimos anos, relativamente às ambiguidades percebidas no magistério do Papa Francisco”.

D. Athanasius Schneider, em particular, Bispo Auxiliar de Astana, pressionou delicadamente Francisco em relação à sua afirmação descaradamente herética de que Deus quer a diversidade de religiões da mesma forma quer a diversidade de raças. Entrevistado pelo LifeSiteNews, o Bispo Schneider contou que Francisco “disse-nos: podem também dizer isso, que a diversidade de religiões é a vontade permissiva de Deus”.

Então Francisco diz agora em privado que outras pessoas podem dizer que ele quis apenas dizer que a diversidade de religiões é meramente tolerada por Deus. Mas quanto a ele, a sua declaração pública, assinada, manifestando o contrário, permanecerá sem qualquer correção pública.

Compreensivelmente insatisfeito, o Bispo Schneider diz o seguinte:

Tentei aprofundar a questão, pelo menos citando a frase que se lê no documento. A frase diz que tal como Deus quer a diversidade de sexos, cor, raça e língua, Deus também quer a diversidade de religiões. Há uma comparação evidente entre a diversidade de religiões e a diversidade de sexos.

Mencionei este ponto ao Santo Padre e ele reconheceu que, com esta comparação direta, a frase pode ser entendida erroneamente. Na minha resposta, sublinhei perante ele que a diversidade de sexos não é a vontade permissiva de Deus, mas é querida positivamente por Deus. E o Santo Padre reconheceu isso e concordou comigo em que a diversidade de sexos não é uma questão da vontade permissiva de Deus.

Porém, quando referimos ambas as proposições na mesma frase, então a diversidade de religiões é interpretada como positivamente querida por Deus, como a diversidade de sexos.

A frase, portanto, conduz a dúvidas e a interpretações erróneas e daí o meu desejo e o meu pedido para que o Santo Padre retificasse isso. Mas ele disse, a nós bispos: podem dizer que a frase em questão sobre a diversidade das religiões significa a vontade permissiva de Deus.

Em suma, Francisco emitiu uma declaração pública expressando uma heresia flagrante. Confrontado com o seu erro e com o escândalo que causou, e mesmo admitindo o seu erro, informa o Bispo Schneider que o bispo pode retificá-lo se quiser, ao mesmo tempo que não dirá nada em público para corrigir a sua própria heresia promulgada publicamente.

Por outras palavras, Francisco disse a Al-Tayeb o que aquele queria ouvir e depois disse ao Bispo Schneider o que este queria ouvir. Deu assim espaço para a negação plausível a ambas as partes. Este é um comportamento próprio de um político, não do Vigário de Cristo, encarregado de confirmar os seus irmãos na Fé. Mas depois de seis anos neste tipo de coisas podemos esperar outra coisa?

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 8 de março de 2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original.

Basto 03/2019

6 thoughts on “Heresia pública, não-correção privada

  1. Isto é o PAPA FRANCISCO no seu melhor! Sem Valores, sem referências, agradando a Gregos e a Troianos!
    D.Schneider que se cuide, porque está a falar muito…

    QUE MAIS PRECISAMOS PARA “ENTENDER”, AQUILO QUE O MOVE?!…

  2. No conclave não agiu o Espírito Santo mas os homens de S.Gallo reunidos antes e contrariamente às disposições de J.P. II proibindo acordos humanos prévios é claro que a escolha foi humana e não do Espírito Santo.
    Sendo então evidentes os vícios de forma o resultado é nulo (além de outras agravantes na votação)

  3. Francisco pega a Regra de Perón e diz ao bispo Schneider o que ele quer ouvir: “Sim, claro, claro, garoto, foi o que eu quis dizer. Você vai em frente e diz às pessoas que eu quis dizer vontade permissiva. Essa é a passagem!

    Para aqueles de vocês que não estão familiarizados com a Regra de Perón, aqui está, na forma de uma anedota tirada do Papa Ditador :

    Conta-se a história de que Perón, em seus dias de glória, certa vez propôs-se a induzir um sobrinho nos mistérios da política. Ele trouxe o jovem consigo quando recebeu uma delegação de comunistas; Depois de ouvir suas opiniões, ele lhes disse: “Você está certo”. No dia seguinte, ele recebeu uma delegação de fascistas e respondeu novamente aos seus argumentos: “Você está certo.” Então ele perguntou ao sobrinho o que ele pensava e o jovem disse: “Você falou com dois grupos com opiniões diametralmente opostas e contou a ambos que concordou com eles. Isso é completamente inaceitável ”. Perón respondeu:“ Você está certo também ”. Uma história como essa é uma ilustração do porquê ninguém pode avaliar o Papa Francisco a menos que ele entenda a tradição da política argentina, um fenômeno fora da resto da experiência do mundo; a Igreja foi tomada de surpresa por Francisco porque não teve a chave para ele: ele é Juan Perón em tradução eclesiástica. Aqueles que procuram interpretá-lo de outra forma não levam em conta o único critério relevante.

    Aplaudo o Bispo Schneider, novamente, por ter tido a coragem de pedir ao papa um esclarecimento direto na sua cara.

    Mas, então, voltar e fingir que essa resposta é suficiente? Não, desculpe, não é bom o suficiente. Nós todos sabemos o que ele quis dizer. O bispo Schneider viu claramente através da mentira. Mas agora, na esperança de reconciliar o irreconciliável, podemos brincar de faz de conta como se isso não fosse apenas flagrante auto contradição.

  4. A história conclui que seria impossível agradar a dois lados opostos, pois na tentativa, a pessoa acabaria por não satisfazer efetivamente nenhuma das partes.
    Após dez longos anos de guerra, o herói Odisseu (em Ilíada de Homero) construiu o célebre cavalo de Tróia, uma estratégia armada para obter a vitória dos gregos contra os troianos.
    A história conclui que seria impossível agradar a dois lados opostos, pois na tentativa, a pessoa acabaria por não satisfazer efectivamente nenhuma das partes.

    Existem imensas histórias sobre o tema parecidas com aquela de Perón.
    Esta é uma delas que oiço desde muito jovem, talvez tantos a conheçam, também?! (peço perdão se acaso algum advogado ficar melindrado)

    Dois vizinhos entraram em demanda porque a vaca de um entrou na herdade do outro e ali se alimentava do pasto.

    O primeiro dono dizia que a vaca lhe pertencia e que teria de ser retomada;
    O segundo falava que não. A vaca era sua porque tinha invadido a sua propriedade e ali ficaria;
    Contrataram, cada um o seu advogado que, por coincidência aconteceu ser o mesmo.
    O advogado aceitou a causa dos dois sem que eles tivessem conhecimento.
    Ao primeiro lhe garantia que “a vaca é sua porque a adquiriu”;
    Ao segundo lhe dizia o mesmo “a vaca é sua porque entrou na sua propriedade, sem autorização”;

    O filho que assistiu às duas intervenções antagónicas do advogado, perguntou:
    Paizinho, o senhor falou aos dois que a vaquinha lhes pertencia. Explique-me, afinal a quem pertence o animal?

    “Meu filho fica sossegado que a vaca é nossa”.

  5. Essa resposta é muito elucidativa para o interesse do ardiloso advogado que, neste caso, só pode ENCARNAR O PAPEL DE SATANÁS! É o único que fica a ganhar nesta contenda, a Igreja de CRISTO, NÃO!!!!

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