Arcebispo ucraniano adverte contra o apaziguamento dos separatistas apoiados pela Rússia quando os combates se intensificam

sviatoslav

Por Catholic News Service

Com a intensificação dos combates no leste da Ucrânia, o Arcebispo-mor da Igreja Católica Ucraniana advertiu contra as atitudes de “apaziguar o agressor” na guerra contra os separatistas apoiados pelos russos, que já dura há cinco anos.

“Por mais que tentemos curar as feridas da guerra, não disso terá um efeito definitivo até que o agressor pare de infligir essas feridas.”

Assim explicou o Arcebispo-mor Sviatoslav Shevchuk, de Kiev-Halic, acrescentando:

“Paz não pode significar capitulação e submissão – isso seria uma imitação de paz com consequências piores do que a própria guerra. […] Seria apenas uma mudança na maneira como as pessoas são feridas.”

O arcebispo prestou estas declarações à agência de notícias ucraniana Censor.net, no dia 14 de agosto, na mesma altura em que as agências internacionais davam conta de novas mobilizações e bombardeamentos de forças apoiadas pela Rússia no leste da Ucrânia, inclusive em torno do porto sitiado de Mariupol, no Mar de Azov.

Afirmou ainda que o conflito nas auto-proclamadas “repúblicas populares” de Donetsk e Luhansk “abriu uma cicatriz viva” na sua Igreja, deixando 11 paróquias sob controlo separatista e impossibilitando o bispo local de regressar à região ao longo dos últimos cinco anos.

Outras cinco paróquias católicas na Crimeia, anexadas à força pela Rússia em 2014, têm funcionando agora sob “o cuidado pessoal” do Vaticano, disse o arcebispo Shevchuk.

“Eu tentei dar voz àqueles que sofrem com esta guerra e transmitir o que deve ser uma verdadeira paz.”

O líder dos católicos ucranianos disse ainda:

“Nós sabemos, da história, que apaziguar o agressor apenas alimenta seu apetite. É muito importante falar sobre a dor que o nosso povo sofre e lembrar, quando negociamos com um agressor destes, os olhos de uma mãe que perdeu o seu filho na guerra. Nós devemos ser a voz dessas pessoas afetadas. Até que sejam honradas e compensadas ​​pelo mal que lhes fizeram, que justiça poderão elas esperar?”

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que pelo menos 13.000 soldados e civis foram mortos e 30.000 feridos durante o conflito no leste da Ucrânia, onde 60.000 tropas ucranianas se mantêm ao longo de uma linha de 400 quilómetros, frente a 35.000 separatistas, mercenários estrangeiros e militares russos.

Nos dias 14 e 15 de agosto, o Ministério da Defesa da Ucrânia denunciou 25 violações do cessar-fogo de 21 de julho.

Uma missão especial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) denunciou que desaparecera um drone de reconhecimento sobre Obozne, uma localidade ocupada pelos separatistas a norte de Luhansk, e que havia documentado a mobilização de tanques, obuses e armas antitanque para além das linhas de retirada estabelecidas, violando os acordos assinados em Minsk, Bielorrússia, em 2014 e 2015.

Na sua entrevista ao Censor.net, o arcebispo Shevchuk disse estar satisfeito por o presidente Volodymyr Zelenskiy, um ex-ator e humorista eleito em maio, encarar a guerra como “o seu desafio mais importante” e estar pronto para escutar a posição dos católicos ucranianos através de conversas e partilha.

“A Ucrânia está a sofrer porque um agressor deseja destruir nosso Estado – um Estado que é um bem comum, não apenas para os ucranianos na Ucrânia, mas para todas as pessoas, independentemente da pertença religiosa ou nacional.”

As igrejas católicas orientais e latinas da Ucrânia, juntamente com 50 associações religiosas e organizações de direitos humanos, subscreveram uma petição de 25 de julho dirigida à ONU, à União Europeia e a outras organizações internacionais, instando a Rússia a libertar os reféns e prisioneiros de guerra, a acabar com a “perseguição política” na Crimeia e no leste da Ucrânia e ainda a permitir a liberdade religiosa e o acesso irrestrito a observadores internacionais.

A edição original deste texto encontra-se publicada no Crux com a data de 16/08/2019. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. A presente edição destina-se exclusivamente à sua divulgação. Sempre que possível, o texto deve ser lido na sua edição original. A imagem não faz parte da publicação original.

Basto 08/2019

5 thoughts on “Arcebispo ucraniano adverte contra o apaziguamento dos separatistas apoiados pela Rússia quando os combates se intensificam

  1. Confesso, que não estou bem dentro de todos os pormenores que “animam” essa contenda… Porém, tenho muitas dúvidas sobre a Petição feita à ONU e à EUROPA, para que medeiem o conflito em questão.
    Não sendo pessoalmente fã, desses dois organismos, pois, não acredito, na sua imparcialidade e Justiça, seja lá a que nível for, lembrei-me de um célebre Pensamento de MALCOM MIX: “Não pode haver mudança, quando se idolatra o inimigo, e se suplica ao Sistema que nos prejudica, que nos integre no seu próprio sistema!”

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