A 27ª pergunta, e a resposta…

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Faz hoje precisamente 100 anos que Nossa Senhora revelou o Segredo de Fátima a três crianças portuguesas, na Cova da Iria.

No manuscrito da sua IV Memória, concluído em Tuy, a 8 de dezembro de 1941, a Ir. Lúcia acabaria por acrescentar uma informação sobre Portugal a tudo o que já tinha dito e escrito anteriormente a respeito do Segredo ou da aparição de 13 de julho. Trata-se da famosa meia-frase que abre o Segredo de Fátima.

Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém.

(in IV Memória da Ir. Lúcia, 1941)

Então, faz também precisamente hoje 100 anos que Nossa Senhora disse que a Fé se conservaria em Portugal. Essa informação – assim como todas as outras contidas no famoso “etc” – destinava-se exclusivamente ao Bispo de Leiria ou ao Patriarca de Lisboa. Falta saber se era apenas uma simples profecia circunscrita a um espaço geográfico ou também uma ordem dirigida ao clero e ao povo português.

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Vista parcial do manuscrito da IV Memória da Ir. Lúcia, concluído 8 de dezembro de 1941

Mas terá Nossa Senhora mesmo afirmado que a Fé se conservará sempre em Portugal, ou isso foi entretanto “inventado” pela Ir. Lúcia? Perante esta ridícula questão, subtilmente sugerida ou respondida por alguns dos famosos especialistas em “fatimologia”, temos duas opções: damos crédito ao que a Ir. Lúcia escreveu ou, em alternativa, acreditamos naqueles que gostam de falar por ela – um grupo de eruditos em franco crescimento.

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Ir. Lúcia na sua visita à Capelinha das Aparições em 22 de maio de 1946

A Ir. Lúcia teve de responder, por escrito, a vários questionários em forma de carta, com o objetivo de aclarar informações e detalhes relativos às aparições – só no ano de 1946 resondeu a três, pelo menos – um deles, bastante exaustivo nas suas 65 perguntas, foi endereçado pelo advogado francês, residente em Marrocos, J. Goulven. As respostas a este questionário foram apresentadas pela Ir. Lúcia num documento que terá sido firmado com a data 30 de junho de 1946.

27ª pergunta e respetiva resposta:

27 – Foi de facto dito que a Rússia se há-de converter, e que Portugal conservará a Fé? Quais as palavras exactas pronunciadas por Nossa Senhora nessa aparição?

27ª pergunta – Sim; é verdade.

(in “Novos Documentos de Fátima”, 1984, p. 348, reportando para os manuscritos da Ir. Lúcia do Arq. Sebastião Martins dos Reis, PC, 69-86)

No livro “Novos Documentos de Fátima”, no final da reprodução da reposta que a Ir. Lúcia deu à 27ª pergunta, o editor acrescentou uma breve nota de rodapé nestes termos: “Como se vê, a Irmã Lúcia não respondeu à 2ª parte da pergunta”. Respondeu contudo à primeira, como podemos constatar, referindo-se claramente à conversão da Rússia e à conservação da Fé em Portugal de forma afirmativa.

Faz hoje também 100 anos que Nossa Senhora prometeu a conversão da Rússia. Sem entrarmos na fastidiosa discussão em torno da validade das consagrações realizadas pelos vários Papas durante o séc. XX, temos de questionar uma vez mais todos aqueles que festejam a conversão da Rússia: a Rússia converteu-se a quê? O verbo “converter” pertence à classe dos verbos transitivos, implica a existência de um complemento, ainda que possa não ser referido de forma explícita. E esta questão continua a fazer muito sentido…

Hoje, precisamente, as celebrações da peregrinação aniversária do 13 de julho, em Fátima, foram presididas pelo arcebispo de Moscovo, D. Paolo Pezzi, em representação de uma parca minoria de católicos atualmente existente na Rússia.

Basto 7/2017