Como se explica a presença do cardeal D. Martínez Sistach na última reunião da Conferência Episcopal Portuguesa?

Esta foi a pergunta que quase ninguém fez… Martínez Sistach é arcebispo emérito de Barcelona, portanto espanhol, da Catalunha. A sua presença na 190ª sessão plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em novembro do ano passado, teria de ter um propósito.

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Livro do Cardeal Martínez Sistach

E refletiremos sobre a exortação apostólica Amoris Laetitia e o melhor modo de a receber e aplicar entre nós, a bem do matrimónio e da família. Neste ponto contaremos com a preciosa contribuição do Cardeal Lluís Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, reputado pastor e canonista.

(D. Manuel Clemente, Discurso de abertura da 190ª Assembleia Plenária da CEP, 07/11/2016)

Ou seja, o cardeal D. Martínez Sistach estava em missão. Era necessário explicar aos mais incrédulos bispos portugueses como é possível conciliar as “situações irregulares”, vulgo o adultério, com a Sagrada Comunhão. Conceituado canonista, adepto da nova misericórdia, ele era o homem indicado. Entende tanto daquilo que até publicou entretanto um livro, um manual para ajudar aqueles que têm mais dificuldade em aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco a partir das diretrizes da controversa exortação apostólica.

Se o interessado, em consciência e diante de Deus, constata haver alguma circunstância que faz com que à situação objetiva do pecado não lhe corresponde imputabilidade subjetiva grave, pode ter acesso aos sacramentos.

[…]

A Amoris Laetitia não admite os divorciados recasados aos sacramentos porque o Papa não fala de categorias mas sim de pessoas, de modo que precisa de ser feito, em cada caso, o processo de discernimento, para ver se pode, ou não pode, em cada caso.

(D. Martínez Sistach in Periodista Digital, 08/02/2017)

Como dizem os espanhóis: No cremos em brujas pero que las hay, las hay!

É incrível mas ainda nem quatro anos passaram desde que Francisco escandalizou, pela primeira vez, os fieis católicos com a sua obsessão papal de conciliar o adultério com a Sagrada Comunhão à escala global. A princípio, a incredulidade geral fez-nos pensar que não tínhamos entendido bem as suas tímidas e ambíguas declarações, os jornalistas estavam obviamente a exagerar, a desinterpretar as suas palavras. Depois seguiu-se a fase de adaptação das mentes católicas ao aberrante sacrilégio. Finalmente chegou a confirmação papal, já de forma aberta, descarada e por escrito, mas poucos foram aqueles que ficaram escandalizados. Acabaram por se adaptar rapidamente à “nova pastoral” e à respetiva doutrina, ou então andam a dormir!

Agora estamos já numa fase avançada da implementação do sacrilégio à escala universal. O adultério foi legitimado pela Igreja Católica em tantos países como Malta, Itália, Alemanha, Argentina, Filipinas, Espanha, entre outros… O Santo Padre até deu liberdade às Conferências Episcopais para adaptarem o sacrilégio aos gostos e às sensibilidades locais.

Para quem sente ainda dificuldades em aderir a esta nova pastoral, para quem tem ainda reminiscências doutrinais de outras épocas ou até mesmo pudor perante a aplicação desta loucura, começam agora a surgir os primeiros manuais, cuidadosamente elaborados, que facilmente ajudarão a ultrapassar essas e outras questões que “paralisam”…

Parece que o mundo, de repente, ficou ébrio com tanta misericórdia. Cuidado com a ressaca!

Regressando ao nosso país, durante esta semana, os bispos portugueses encontram-se no seu retiro quaresmal, em Fátima, e necessitam das orações dos portugueses para que o dogma da Fé sempre se conserve em Portugal.

Basto 3/2017

A alegria do amor em Granada

Arquidiocese de Granada autoriza a comunhão a divorciados ‘recasados’, adotando os critérios dos bispos de Buenos Aires depois de estes terem obtido o assentimento e apreço do Papa Francisco.

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Periodista Digital em 18/10/2016

Hoje, através desta minha nota, assumo como próprios e “promulgo”, por este meio, os critérios dos Bispos da Região de Buenos Aires para todos os fiéis católicos da Diocese de Granada, e estabeleço também que, com a minha ajuda e todas as outras que sejam necessárias, seja a Delegação da Família e Vida a encarregar-se desta tarefa de divulgar e explicar tais critérios, assim com ajudar a colocá-los em prática.

(D. Javier Martínez, arcebispo de Granada, em 16/09/2016)

A apostasia generaliza-se dentro da Igreja Católica a partir das mais altas patentes eclesiásticas. Quem poderá salvar-se?

Basto 10/2016

A Alegria do Amor em Espanha

No passado dia 14 de abril, a Conferência Episcopal Espanhola apresentou publicamente a exortação apostólica Amoris Laetitia. O painel de apresentadores era composto por seis grandes personalidades, representantes da hierarquia religiosa espanhola e também académicos, liderados por D. Carlos Osoro Sierra, arcebispo de Madrid e vice-presidente da Conferência Episcopal Espanhola.

No que concerne ao tema quente da exortação apostólica, a comunhão a divorciados “recasados”, é possível deduzir, partir das declarações dos presentes, uma aceitação natural dos avanços heréticos da hermenêutica kasperiana. Este facto confirma-se na resposta à primeira questão levantada pelos jornalistas (a partir do minuto 54:58) que foi, justamente, sobre a “ambiguidade” do texto que poderia permitir o seguinte paradoxo:

Pode acontecer que numa paróquia se dá a comunhão a um divorciado “recasado” […] enquanto na paróquia ou diocese ao lado não, […] como se vai resolver esta situação no dia-a-dia?

A questão criou algum desconforto nos presentes – pelo menos aparentemente – cuja reação fez lembrar uma batata quente, de mão em mão, que acabaria inevitavelmente no fim da mesa. Coube ao jesuita Pablo Guerrero, professor de Teologia Pastoral na Universidade Pontifícia de Comillas, apresentar uma resposta, a qual não foi contestada pelos restantes elementos que compunham o painel:

Isso é como sugerir que seria em função do critério do padre e não é. O Papa, num claro exercício da sinodalidade e comunhão com todo o corpo de bispos da Igreja, o que propõe ao pastor de cada diocese é formar os seus sacerdotes num conjunto de critérios comuns para evitar tal arbitrariedade. Nenhum sacerdote se deve sentir dono da Palavra de Deus .

Ou seja, depreende-se das suas palavras, que sim, só faltaria definir os critérios de elegibilidade dos divorciados “recasados” que poderão aceder à comunhão.

Num registo diferente, ainda esta semana, também em Espanha, no Seminário Metropolitano de Oviedo, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé contestou categoricamente essa possibilidade. O Cardeal Gerhard Müller reafirmou, mais uma vez, o magistério tradicional da Igreja neste domínio, fazendo questão de diferenciar o que é “excomunhão canónica” e “excomunhão sacramental” para refutar a tese kasperiana desta forma:

Eles [os divorciados “recasados”] não estão excomungados canonicamente, no entanto não poderão comungar sem antes regularizarem a sua vida e receberem o sacramento da Penitência.

[Tem havido alguma confusão, no entanto] a Igreja não é dona da Graça, apenas administra os sacramentos, estando vinculada e obrigada a caminhar nessa linha. A Igreja não tem autoridade para alterar este caminho dos sacramentos.

A “nova pastoral da família” promovida pelo Papa Francisco começou a gerar controvérsia em Espanha ainda antes da publicação da exortação apostólica, por exemplo,  nas dioceses de Alcalá y Getafe.

Já aqui se falou antes no trabalho ingrato da brigada de limpeza da Amoris Laetitia, cujas esfregonas se gastam intensivamente desde o dia 8 de abril, mas vale ainda a pena ouvir os sinceros esforços do excelente teólogo Pe. Santiago Martin na Magnificat TV.

 

Basto 5/2016