João Batista abriu a boca para falar

João.Batista.Pierre Puvis de Chavannes.jpg
Pierre Puvis de Chavannes, 1869

 

Como os tempos atuais são de pura confusão, “confusão diabólica”, se quisermos recorrer aos termos utilizados pela Ir. Lúcia, ninguém ficará surpreendido quando ler as palavras do Arcebispo de Braga publicadas há pouco mais de quatro meses no sítio oficial da arquidiocese, depois de ler a exótica e surpreendente informação aí publicada durante a semana passada. Relembremos que D. Jorge Ortiga foi um dos bispos portugueses que, em 2015, perseveraram na Fé, resistindo às fortes pressões ideológicas do momento.

Excertos da homilia de D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Primaz das Espanhas, por ocasião da celebração da Solenidade do Nascimento de São João Batista:

(A homilia é muito bela e poderosa, merecendo ser lida na sua totalidade e divulgada.)

Abri a boca para falar

[…]

Alguns impõem as suas ideologias e critérios de vida. Os cristãos assistem passivamente e deixam que a sociedade se desenvolva sem alma nem sentido.

João Baptista dá o exemplo. Herodíades pensava que seria capaz de calar para sempre aquele que expressava a voz da Verdade e da consciência humana. Quis silenciar João Baptista porque ele falou e não se calou. O seu martírio suscitou, naquele tempo, horror mas aumentou a fama de João, tornando-o conhecido dentro da comunidade cristã, bem como no mundo pagão. Flávio José, um escritor pagão, dizia que ele era um “homem bom que levava os judeus ao exercício das virtudes”.

Poderia contemporizar ou até deixar correr sem erguer a sua voz para proclamar a verdade e denunciar os erros daquela época. Nada o detinha! Só se apaixonava pela verdade.

Era este exemplo que gostaria de deixar, este ano, na festa de São João. Zacarias perdeu a voz mas recuperou-a para falar da verdade no templo. João não se intimidou e proclamou a doutrina, correndo risco de vida. Dois exemplos a alertar a Igreja de hoje para a necessidade de perder o medo de vir para a praça pública. A sociedade vai evoluindo em muitos aspectos positivos mas ninguém ignora como as ideias contra a nossa cultura e um verdadeiro humanismo se impõem e crescem. Há uma estratégia com objectivos bem delineados e sempre apoiados por grupos de pequenas dimensões que não desistem e vão impondo os seus critérios e modos de edificar a sociedade.

Respeito pessoalmente a liberdade e não condeno quem tem projectos e luta por eles. Só que me impressiona a passividade e a inércia da multidão que murmura em silêncio mas não ousa levantar a voz. É necessário soltar a língua dos católicos para que falem, escrevam e se sirvam dos meios de comunicação social. Com frequência pede-se aos bispos que intervenham. É o seu papel e não sei se, de facto, estamos a ser a voz crítica que as circunstâncias exigem. Só que a Igreja não é apenas os bispos. Há muitos cristãos que deveriam falar no âmbito restrito dos círculos de amigos mas também procurar as praças públicas da comunicação social que, talvez com um espírito temerário, não deixarão de dar espaço e oportunidade.

[…]

Gosto da figura de São João Baptista. Foi um percursor porque ensinou e baptizou. Mas a grandiosidade da sua vida residiu em não ter medo de se confrontar com os comportamentos imorais e de erguer a voz contra eles. Custou-lhe caro. Mas a sua vida passou para além dele mesmo. Poderia ter sido um profeta como tantos outros que existiam na época. A coragem de falar e de mostrar a verdade das suas convicções ultrapassou-o e é por isso que estamos aqui hoje, não só para o recordar mas também para o imitar. Levemos para a vida esta coragem de falar em nome da Igreja a que pertencemos e mostremos a verdade, ainda que não seja fácil. Descubramos caminhos novos para estar na sociedade, talvez na vida política, mas ousemos ser o que a fé nos exige: testemunhas com o silêncio da vida e apóstolos que se fazem ouvir, a propósito e a despropósito, em todas as ocasiões e momentos.

(D. Jorge Ortiga, Homilia na Solenidade do Nascimento de São João Batista, 24/06/2017 – o sublinhado é nosso)

Dito isto, cabe-nos perguntar:

  • Quando João Batista ergueu a sua voz para “proclamar a verdade” e a “doutrina”, referia-se mais precisamente a quê?
  • Quando João Batista ergueu a sua voz para “denunciar os erros daquela época”, condenava exatamente o quê?
  • Em que é que os erros da nossa época diferem dos da época de João Batista?
  • Se naquela altura “João não se intimidou e proclamou a doutrina”, o que faz temer hoje os pastores da Igreja? Porque não “abrem a boca para falar”?

 

Basto 11/2017

Arquidiocese de Braga em risco de cisma

O Norte poderá vir a ser a primeira região portuguesa a aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco para as situações de adultério. De acordo com a informação publicada ontem no sítio oficial da Arquidiocese de Braga, o Minho prepara-se para experimentar a Alegria do Amor.

arquidiocese.de.braga
in Correio da Manhã, 08/11/2017

 

A Arquidiocese de Braga vai constituir um grupo para acompanhamento dos cristãos divorciados recasados, que poderá possibilitar o acesso aos sacramentos, de acordo com um processo de discernimento individual. A resolução foi aprovada ontem, por unanimidade, no Conselho Presbiteral, onde foram definidas orientações para a renovação da Pastoral Familiar.

O grupo que irá acompanhar os divorciados que vivem em nova união será composto por leigos e sacerdotes. Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que após um processo de discernimento pessoal seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas.

(in sítio oficial da Arquidiocese de Braga, 08/11/2017)

 

arquidiocese.de.braga3.jpg
página facebook da Arquidiocese de Braga

É uma pastoral herética que se afasta dos ensinamentos constantes da Igreja estabelecidos nos documentos magisteriais e que põe em causa as palavras proferidas pelo próprio Deus a este respeito. Esta informação, embora ainda vaga, posiciona a Arquidiocese de Braga em risco de cisma.

1650. Hoje em dia e em muitos países, são numerosos os católicos que recorrem ao divórcio, em conformidade com as leis civis, e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja mantém, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo («quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério»: Mc 10, 11-12), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa.

1651. Com respeito a cristãos que vivem nesta situação e que muitas vezes conservam a fé e desejam educar cristãmente os seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar provas duma solicitude atenta, para que eles não se sintam separados da Igreja, em cuja vida podem e devem participar como baptizados que são:

«Serão convidados a ouvir a Palavra de Deus, a assistir ao sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a prestar o seu contributo às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em prol da justiça, a educar os seus filhos na fé cristã, a cultivar o espírito de penitência e a cumprir os actos respectivos, a fim de implorarem, dia após dia, a graça de Deus» (174).

(Catecismo da Igreja Católica in sítio oficial da Santa Sé)

Escusado será referir que a imutável doutrina da Igreja é bem “mais velha que a Sé de Braga”, assim como a sua práxis que jamais poderá ser contraditória. Ainda assim, para os casos de falta de memória, convém lembrar as palavras que São João Paulo II pronunciou precisamente em Braga.

Refletindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objetivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

(Homilia de São João Paulo II na Santa Missa para as Famílias, Santuário da Imaculada Conceição do Sameiro, Braga, 15 de maio de 1982)

 

Basto 11/2017

Os “dubia” portugueses…

A palavra dubia, plural de dubium, do latim, pode traduzir-se para “dúvidas”. Quando há dúvidas procura-se o esclarecimento junto de quem tem autoridade para o fazer. Em matéria de Fé e moral, essa autoridade pertence ao Papa, cuja função primordial é confirmar os seus irmãos na Fé.

De facto, o Sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a «confirmar os irmãos» no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para o seu caminho.

(Papa Francisco, in Carta Encíclica Lumen Fidei, 29 de junho de 2013)

A conhecida carta dos dubia, datada de 19 de setembro de 2016, é um pedido formal de clarificação, dirigido ao Sumo Pontífice, relativo a algumas ambiguidades suscitadas pela leitura da exortação Amoris Laetitia. O objetivo desse zeloso e humilde pedido de esclarecimento seria a confirmação dos cristãos na Fé, travando a atual proliferação de interpretações erradas e anti-cristãs emanadas do referido documento papal. Seria…

Até hoje, o Santo Padre ainda não respondeu ao pedido de esclarecimento dos quatro cardeais, facto que os levou a enviar uma nova carta acompanhada de um pedido de audiência. Neste compasso de espera, um dos quatro cardeais signatários dos dubia acabou por falecer. E enquanto o Santo Padre não responde, multiplicam-se os sacrilégios cometidos contra a Sagrada Eucaristia, com o apoio ou a conivência silenciosa de uma grande parte da Igreja Católica. Só Deus sabe quando é que esta onda de apostasia poderá parar.

E Portugal, como é que fica no meio de todo este marasmo? Mais de um ano depois da publicação da controversa exortação apostólica, a comunicação social têm dado conta de alguma diversidade hermenêutica entre o clero lusitano, não obstante, a Igreja Portuguesa ainda não tomou uma posição oficial sobre a matéria. Estará à espera dos esclarecimentos do Santo Padre?

Estaremos perante um caso de dubia dos bispos portugueses?

Se assim for, um eventual desinteresse do Santo Padre pelos dubia poderá até nem ser necessariamente mau para Portugal!

Basto 7/2017

As palavras taxativas de Jesus Cristo

E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.» (Mc 4, 9)

A humildade, a cordialidade e a obediência na vocação não são sinónimos de apostasia, antes pelo contrário. Isto é válido para todos, para aqueles que promovem a apostasia, mas também para aqueles que pretendem combatê-la.

Esta frase de D. Manuel Clemente, embora proferida num outro contexto, é muito feliz:

Seguir o Senhor é vocação de todos os batizados, tomando a cruz de cada dia. Só assim ganharemos a eternidade que é do tamanho da entrega, do tamanho da cruz.

(D. Manuel Clemente, in Rádio Renascença, 02/07/2017)

Basto 7/2017

Misericórdia atípica ameaça a diocese de Portalegre-Castelo Branco

imaculada.conceição.c.vide.jpg
“Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Padroeira e Rainha de Portugal” de Francisco Xavier Lobo, 1753 – Igreja de Santa Maria da Devesa, Castelo de Vide

Chegou a hora de Portugal!

Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas. (Tg 1, 16-18)

Depois de quatro anos e tal de incubação da heresia da nova misericórdia que prescinde de arrependimento, e depois da submissão das massas a um processo gradual e planeado de reeducação que visa a substituição dos tradicionais conceitos cristãos de matrimónio e família por uma ideologia relativista e hedonista, a nação portuguesa é agora chamada a tomar posição. Chegamos ao auge desta assumida “revolução” cultural. Este é o derradeiro momento em que a hierarquia católica portuguesa se coloca perante a forte tentação populista de aderir ou não à nova corrente ideológica dominante. O povo tem de redobrar a oração e a penitência, mas antes de tudo, deve estar muito atento!

Até ao momento, ainda nenhuma diocese portuguesa promulgou qualquer documento com orientações no sentido da aprovação pastoral do adultério, como já aconteceu em vários países. No entanto, alguns bispos portugueses, apesar de não contestarem teoricamente a doutrina católica sobre o matrimónio, têm mostrado disponibilidade para fazer a vontade ao Papa, ou seja, dar absolvição sacramental e a Sagrada Eucaristia a “alguns” adúlteros que, após um processo de “discernimento”, optem por permanecer definitivamente em adultério. “Alguns”, numa perspetiva otimista, pode significar mesmo todos, dependendo do sucesso da aplicação desta nova prática pastoral e também da consciência de cada um.

A primeira diocese portuguesa a prometer a publicação de um documento orientador da prática de Amoris Laetitia foi a de Portalegre-Castelo Branco. O anúncio surgiu num comunicado do Conselho Diocesano de Pastoral que reuniu recentemente em Castelo de Vide.

Abordou-se por largo tempo, o capítulo VIII da Exortação Apostólica Post-sinodal “Amoris Laetitia”, conforme agendado divagou-se serenamente e com muito proveito, sobre o “acolher”, “discernir” e “integrar”, tarefa pastoral exigente e delicada mas com necessidade de ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério. O Bispo Diocesano informou estar a pensar, para breve, na publicação de algumas orientações já em preparação.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, 03/06/2017)

Por um lado, a diocese diz que esta tarefa pastoral tem de “ser implementada, em conformidade com a doutrina da Igreja e os documentos do magistério“, mas por outro, também diz que “deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco“…

Mais uma vez, o Capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia forneceu o conteúdo para um alargado debate sobre a implementação pastoral do “acolher”, “discernir” e “integrar” os cristãos que, embora não estejam em conformidade com a doutrina da Igreja sobre o matrimónio, sofrem por tal situação e desejam fazer um caminho de integração e discernimento em Igreja. É uma pastoral delicada, necessária e urgente, e que deve ser feita de harmonia com o apontado pelo Papa Francisco no documento em causa.

(in sítio oficial da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, junho de 2017)

Em que é que ficamos afinal? Já toda a gente sabe neste momento, e sem qualquer margem para dúvidas, qual é a interpretação que o Papa Francisco pretende para o capítulo VIII da sua controversa exortação apostólica! Todos sabem também, desde sempre, que sua interpretação contradiz o magistério da Igreja, conforme atestou o próprio Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Se o adultério continua portanto a ser um pecado mortal que exclui o acesso à Sagrada Comunhão para o bem das almas, a diocese está agora perante um dilema complicado…

Sem querermos arriscar na direção para a qual tenderão “as orientações já em preparação”, convém lembrar que, de acordo com o jornal Sol, D. António Dias, bispo da diocese em análise, era um dos seis bispos portugueses que, já em 2015, queriam abrir o acesso à Sagrada Comunhão a pessoas em situação de adultério.

Perante a urgência da situação atual, os portugueses devem dizer se aceitam ou não que este sacrilégio contra a Sagrada Eucaristia seja praticado no nosso país, antes que seja tarde de mais. O nosso silêncio é também uma resposta que tem consequências e pela qual prestaremos contas diante de Deus.

Basto 6/2017

D. Carlos Azevedo identifica-se completamente com a “reforma” do Papa Francisco

D. Carlos Azevedo rtp
D.Carlos Moreira Azevedo na “Grande Entrevista” da RTP de 03/05/2017 – RTP Play

A entrevista concedida por D. Carlos Azevedo à RTP relaciona-se com a recente publicação do seu livro sobre Fátima, o qual ganhou mediatismo por esclarecer que os fenómenos de Fátima foram visões interiores e não aparições de Nossa Senhora.

D. Carlos Azevedo livro
Livro de D. Carlos Azevedo

São visões imaginativas e visões com uma perceção interior. E Deus e a presença espiritual de Maria – não física – passa através dessa perceção interior. É uma experiência humana, psicológica, com todas as características que depois são analisadas para declarar que os pastorinhos não têm nenhuma patologia.

(D. Carlos Azevedo in Rádio Renascença, 17/04/2017)

O bispo português, que é agora delegado no Pontifício Conselho para a Cultura, confessa-se um grande adepto da “reforma” que o Papa Francisco está a realizar na Igreja e considera que a resistência daqueles que defendem a doutrina pode ser motivada por interesses financeiros.

Vítor Gonçalves (jornalista): O senhor identifica-se com esse projeto de reforma [do Papa Francisco]?

D. Carlos Azevedo: Identifico-me perfeitamente. Ela tem de envolver as pessoas, tem que levar àquilo que o Papa diz mesmo a conversão pastoral e a conversão ao bem comum e a uma certa perspetiva de Igreja que não seja centralizadora, mas seja animadora das conferências episcopais.

[…]

Vítor Gonçalves: Ele tem muitos adversários no interior da Igreja?

D. Carlos Azevedo: Eu penso que não são muitos, fazem um bocado de barulho, mas são poucos, felizmente, porque há interesses instalados, sobretudo financeiramente…

Vítor Gonçalves: Nomeadamente no Vaticano, não é?

D. Carlos Azevedo: No Vaticano, pois, por isso! E depois há também aqueles que são tradicionalistas, do ponto de vista da doutrina, mas muitas vezes há ligações entre uma coisa e outra… E os interesses económicos (também estavam), sendo afetados, depois arranjam-se a outros argumentos para contrabater, ou de um certo modo, para tentar atenuar o impacto que o Papa está a suscitar na sociedade em geral, mesmo em quem não acredita. Porque acham que ele está a defender os interesses do bem comum da humanidade e não interesses particulares, quer seja na ecologia, com o grande documento que fez, quer seja também na dimensão da política e da economia.

[…]

Foi feita uma limpeza fundamental que clarificou e tornou transparente também tudo o que é administração. Depois a grande reforma da comunicação, com uma grande concentração também na Secretaria da Comunicação. E outras que estão a acontecer que vão também substituindo algumas pessoas que possam ser mais polémicas ou mais dadas a não aderir a esta reforma, e penso que há um ambiente muito saudável e muito positivo.

(excerto da Grande Entrevista de 03/05/2017 – RTP Play)

james Martin para recordar
Pormenor da “grande reforma” na Secretaria da Comunicação, mas há outros que também merecem destaque…

Que o senhor bispo não nos leve a mal, até porque respeitamos naturalmente a sua “visão interior” da reforma do Papa Francisco, mas aqueles pastores que se têm esforçado por preservar a Verdade cristã inspiram-nos muito mais confiança do que esta “seita” crescente que rodeou o Santo Padre nos últimos quatro anos e que parecem não temer a Deus. Esperemos que a visita do Papa Francisco à Cova da Iria neste centenário das “visões” de Fátima sirva, de algum modo, para clarificar as confusões que ele próprio criou a respeito da Fé.

Basto 5/2017

É a alegria do amor – estão a ver?

A Igreja Portuguesa está ainda em período adaptação à nova doutrina do Papa Francisco sobre a família e o matrimónio. O vídeo abaixo, publicado em novembro do ano passado, tem como protagonista o sr. Pe. Carlos Carneiro SJ e tem a chancela da Arquidiocese de Braga.

Convém lembrar que, se o jornal Sol não se enganou, em 2015, o arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, era um dos principais opositores à aprovação “pastoral” do adultério. Esperemos que continue fiel ao seu ministério.

Algumas frases a respeito da Amoris Laetitia que merecem destaque:

(Estas citações não dispensam a visualização do vídeo onde estão contextualizadas)

“Quem vier ler este texto – estão a ver – apenas de um ponto de vista técnico, de facto fica pasmado e fica mais pasmado quando o próprio Papa diz que há questões, inclusive de discussão teológica e doutrinal, que não se respondem e que não se resolvem apenas por uma declaração, digamos assim, magisterial – estão a ver – dele ou dos bispos da Igreja Católica.”

“O Papa não pode sufocar a missão – estão a ver – dos outros seus irmãos bispos.”

“E porque é que é a “alegria do amor” e não aparece no título a “alegria da família”? Porque, ao contrário do que muitos têm dito, este texto não é uma exortação apostólica sobre a família, é um texto que é sobre o amor, é sobre o amor mais do que na família, mas a família é um dos lugares privilegiados onde o amor se realiza, onde o amor acontece, onde o amor, se concretiza.”

“…e quando fala nas realidades – estão a ver – que tocam situações muito delicadas e muito particulares de realidades amorosas como, por exemplo, são – estão a ver – recasamentos ou segundos casamentos pelo civil, quando fala, por exemplo, das pessoas com uma orientação homossexual e que querem ou não querem casar, ou como é que os pais católicos – imaginem – educam um filho com esta orientação e estas coisas todas [?], o que me espanta, e é muito importante saber, é a aprovação destes aspetos. Quer dizer, a mim, eu nunca pensei que estes pontos fossem tão avaliados positivamente…

“Por exemplo, imaginem os namorados que vivem juntos antes de casar, e muitas outras situações idênticas… Está ali? Está sim senhor… E então que é que se diz? Está bem ou está mal? Não é está bem ou está mal, o que se diz é que há um caminho…”

“Mas para mim, o mais grave de tudo não era poder comungar ou não poder comungar, é nunca mais poder ser absolvido [!], que a maioria das pessoas nem sabe disto.”

“…isto é uma novidade para o nosso mundo e para a nossa cultura porque – estão a ver – quer dizer, a geração que me precedeu, a geração dos meus pais, dos meus avós era uma geração para quem a regra, a norma, tinha outro peso…”

(Pe. Carlos Carneiro SJ in canal da Arquidiocese de Braga no youtube)

A realização deste tipo de tertúlias, bem como a sua publicação por parte de uma arquidiocese historicamente tão importante como é a de Braga, comprova aquilo que o cardeal D. Vicenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, dizia ontem à Radio Vaticano: a Amoris Laetitia está a ser acolhida pelos fiéis com entusiasmo.

paglia
D. Vicenzo Paglia no mural que encomendou para a sua catedral

 

Há uma grandíssima recepção por parte do povo de Deus, em todos os lugares no mundo. É um texto que tem sido acolhido com entusiasmo, no qual as pessoas veem grande simpatia pelas famílias, é também um texto de grande esperança. Passado um ano, os frutos são notáveis, mas obviamente a complexidade das situações exigirá ainda aplicações mais ligadas aos vários contextos culturais.

(D. Paglia in Radio Vaticano, 18/04/2017)

Muito entusiasmo, de facto…

Basto 4/2017

A ciência da completude revelada

Vamos retomar hoje o tema da “completude” porque a agência noticiosa dos bispos portugueses voltou a dar destaque a essa filosofia menos conhecida que, aparentemente, norteia o rumo pastoral que hoje se tenta impor na Igreja Católica.

O sr. Pe. Miguel Almeida explica como os fundamentos da nova doutrina do Papa Francisco assentam em princípios de interação entre o tempo e o espaço onde o incompleto tende para a “completude”.

Recuperemos este pequeno trecho:

Serão estes os aspetos aos quais se refere?

Algumas citações de “A Alegria do Evangelho”:

16. (…) Penso, aliás, que não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo. Não convém que o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar «descentralização».

(…)

81. (…) Mas algo parecido acontece com os sacerdotes que se preocupam obsessivamente com o seu tempo pessoal. Isto, muitas vezes, fica-se a dever a que as pessoas sentem imperiosamente necessidade de preservar os seus espaços de autonomia, como se uma tarefa de evangelização fosse um veneno perigoso e não uma resposta alegre ao amor de Deus que nos convoca para a missão e nos torna completos e fecundos. Alguns resistem a provar até ao fundo o gosto da missão e acabam mergulhados numa acédia paralisadora.

(Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 24/11/2013)

Isto da “completude” é demasiado complexo e difícil de assimilar…

Vamos ouvir agora a explicação de um especialista em “ciência da completude”, o guru indiano Nithyananda, que explica em que consiste a completude e a incompletude na interação contínua entre o tempo e o espaço da vida humana.

De acordo com o mestre Nithyananda, “Buda é a personificação da completude” e, simultaneamente, “uma encarnação” do deus Vishnu, divindade hindu, e ainda o responsável pelo facto de a “ciência da iluminação”, a “ciência da completude”,  continuar “viva até os dias de hoje”.

Buda

confio em buda
Intenções de Oração do Santo Padre em janeiro de 2016 – O Vídeo do Papa

As teorias da “completude” são de tal modo complexas que – Jesuítas e gurus não nos levem a mal – fazem crescer a vontade de tentar aprender a jogar críquete, até porque vem aí o verão.

Basto 4/2017

Alerta: a nova misericórdia ameaça Portugal

Um ano depois do aparecimento da Amoris Laetitia e da sua proliferação a nível mundial, não há ainda registos de casos confirmados desta perigosa prática pastoral em Portugal. Contudo, nos últimos dias, a imprensa católica portuguesa tem mostrado alguns indícios que fazem temer um surto de misericórdia atípica com a chegada da primavera e por causa da viagem do Papa Francisco a Fátima.

Neste momento, uma das regiões mais ameaçadas é a Península de Setúbal, por diversas razões:

Possivelmente, o risco português será maior em algumas regiões do que em outras, mas seria prudente se país tivesse um plano de contingência nacional para responder preventivamente ao risco do avanço da nova misericórdia. O grande problema é que os leigos, aqueles têm olhos e veem, estão à espera dos seus sacerdotes, que por sua vez estão à espera dos seus bispos, e estes do(s) seu(s) Papa(s). Até lá, a consagração ao Imaculado Coração de Maria e a prática da devoção dos Cinco Primeiros Sábados podem ser um eficaz remédio profilático contra o perigo tentador da nova misericórdia. No caso da Península de Setúbal, há ainda a Senhora da Atalaia.

Em caso de emergência, fujam para a Serra da Arrábida…

Basto 4/2017

Para quando será possível praticar “Amoris Laetitia” em Portugal

Cabeça de São João Batista
Autor espanhol desconhecido, século XVII

 

Vi ainda que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus.

Fiquei espantado, ao ver tão grande prodígio. (Ap 17, 6)

O que é Amoris Laetitia?

Deixemo-nos de eufemismos, falácias ou outras falsidades intelectuais e falemos verdade, em nome de Deus.

Praticar Amoris Laetita, no sentido pretendido do conceito, significa obter/dar absolvição sacramental e receber/dar a Sagrada Comunhão apesar do adultério. É uma prática pastoral que, na sua essência, está em profunda contradição com a doutrina da Igreja Católica mas que o Papa Francisco tenta insistentemente impor, de forma incansável e obsessiva, desde o início do seu sinistro pontificado.

Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério.» (Mc 10, 11-12)

Dois milénios depois de Cristo, chega uma doutrina nova e antagónica, que propõe uma pastoral contrária ao ensinamento de Jesus e da sua Igreja – não é que não estivéssemos avisados (1Tm 6, 3-4). Está aí, foi formalmente aprovada pela Igreja Católica e já está a ser universalmente praticada a uma escala crescente e difícil de quantificar. Um enorme sacrilégio, alegadamente inspirado pelas “surpresas do Espírito Santo”, como se as Pessoas da Santíssima Trindade pudessem entrar em contradição… Que disparate tão grande, que blasfémia tamanha!

O adultério é um pecado extremamente grave que nos afasta da Graça de Deus, portanto qualquer caminho penitencial terá de orientar-se sempre no sentido da conversão do pecador. Só o profundo arrependimento, a contrição e o propósito de mudança de vida poderão reaproximar da Graça de Deus aqueles que caíram ou permanecem no grave pecado do adultério. Todavia, o Papa insiste que os sacerdotes devem conceder a absolvição aos adúlteros não arrependidos e oferecer-lhes a Sagrada Comunhão, ainda que estes continuem obstinados na sua condição de pecado. Que Papa é este? O que pretende ele oferecer a tantas almas em risco de perdição eterna?

Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Portanto, examine-se cada um a si próprio e só então coma deste pão e beba deste vinho; pois aquele que come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação. Por isso, há entre vós muitos débeis e enfermos e muitos morrem. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; mas, quando somos julgados pelo Senhor, Ele corrige-nos, para não sermos condenados com o mundo. (1Cor 11, 27-32)

A prática da Amoris Laetitia alastra-se de forma viral pelo mundo inteiro. Há cada vez mais dioceses e conferências episcopais que disponibilizam a nova misericórdia de Francisco a todos aqueles que recusam receber a misericórdia de Cristo. Isto é, em si, um ato de justiça divina de dimensão apocalítica, até onde chegará este castigo? Até quando durará este flagelo? São necessárias muitas orações e penitência pelos pecadores que caíram nesta cilada de Satanás.

Quando rezardes o terço dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

(N.ª S.ª de Fátima aos pastorinhos em 1917)

Vivemos atualmente um tempo de profunda “desorientação diabólica”, um tempo em que, mais do que nunca, necessitamos de recorrer ao Imaculado Coração de Maria, o nosso “refúgio”, o caminho que nos “conduzirá até Deus” (nas palavras de Nossa Senhora de Fátima). Um tempo em que tantos dos pastores da nossa Igreja já não são capazes de desempenhar verdadeiramente as funções para as quais foram mandatados por Cristo. Um tempo de apostasia. Um tempo que, em termos escatológicos, faz parte dos últimos tempos.

Como é que nós rezamos hoje, se é que ainda rezamos? Pedimos ainda perdão pelos nossos pecados ou pedimos agora a Deus que aceite as nossas iniquidades? Que esperamos nós obter quando nos aproximamos do confessionário, o perdão dos nossos pecados ou a desvalorização da nossa culpa? Para que servem os nossos sacerdotes? Permita Deus que eles continuem a conduzir-nos pela única “porta estreita” (Mt 7, 13), ainda que nós não o mereçamos.

portas.abertas
Papa Francisco, 18/02/2016 in TV2000

De todas as portas que têm sido abertas, algumas propõem caminhos estranhamente fáceis e perigosos, avessos à vontade de Deus. Ainda assim, o cristão continua dono da sua liberdade, pois, apesar de tudo, ninguém lhe retirou ainda o direito de optar pela porta estreita, pelo caminho da cruz.

A prática da Amoris Laetitia, feita de acordo com a interpretação que o Papa Francisco deseja, representa a porta larga, a “entrada do sepulcro”, – recorrendo às palavras do ex-cardeal Bergoglio – mas, neste caso, do sepulcro eterno. Bergoglio é hoje Papa, supostamente a pedra que nos impede de cair no sepulcro eterno. Que Deus nos acuda!

Chegou a vez de Portugal?

Muitos fiéis portugueses continuam numa espécie de limbo, à espera das tais “portas” que autorizem a prática da Amoris Laetita também no nosso país. Faz lembrar os anos em que o aborto era ainda ilegal e mal visto em Portugal, quem o quisesse praticar teria de ser muito discreto ou então procurar uma alternativa para lá da fronteira. Hoje, infelizmente, o nosso país orgulha-se de possuir uma das políticas abortivas mais avançadas do mundo. Será que Portugal irá posicionar-se também na vanguarda desta loucura satânica de legitimar a conciliação entre o adultério e o “corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo”? Permitirá algum dia Nossa Senhora, rainha e padroeira do povo seu protegido, que a Igreja Portuguesa adote institucionalmente esta impostura sacrílega pseudo-misericordiosa?

O Semanário Ecclesia, propriedade da Conferencia Episcopal Portuguesa (CEP), na sua última edição, deu um enorme destaque editorial à controversa exortação apostólica do Papa Francisco, mostrando, em vários artigos, uma forte simpatia por esta nova pastoral obscena de simbiose entre o Santíssimo Sacramento e o adultério. Vejamos alguns excertos, por exemplo este (depois do minuto 18:00):

“A grande questão dos quatro cardeais que queriam que o Papa dissesse ‘sim’ ou ‘não’, mas isto não tem sim ou não, o princípio é exatamente não ficar num sim ou não, nos que podem ou não podem, os bons e os maus. Não, todos estão no caminho, nem sequer há bons, todos estamos no caminho.”

“A Comunhão tem muitos graus de pertença, de participação, mas a questão é também perceber que a Comunhão sacramental não é um bónus para os bons, é um remédio para os pecadores, um alimento para os pecadores.”

(Pe. Vasco Pinto Magalhães SJ, página 35)

Pois sr. Pe. Magalhães, mas foi precisamente Cristo que nos exortou a dizer claramente “sim, sim” e “não, não”, advertindo que “tudo o que for além disto procede do espírito do mal” (Mt 5, 37). Aliás sr. Padre, essa advertência, no capítulo 5 do Evangelho segundo São Mateus, surge apenas cinco versículos depois do esclarecimento taxativo de Jesus Cristo acerca do problema – que afinal é bem antigo – “dos divorciados recasados” (Mt 5, 32). E já agora, sr. Padre, talvez seja melhor voltar ler a carta dos 4 cardeais, desta vez com mais atenção, porque, se não estamos em erro, em nenhum ponto se sugere que os fiéis sejam distinguidos entre “os bons e os maus”. Nessa carta, apenas se pede, em tom de humildade, uma simples clarificação para evitar as evidentes interpretações abusivas que se multiplicam por todo o lado e que estão em absoluta contradição com o infalível magistério da Igreja. Interpretações que, de forma não assumida, contestam, por exemplo, aquilo que São João Paulo II pregou há poucos anos em Portugal… Como esse ensinamento não foi revogado, então Nossa Senhora nos dê boa memória.

Nossa Senhora da Boa Memória
Nossa Senhora da Boa Memória – Sé de Braga

Sobre o facto de a “Comunhão Sacramental” ser “um alimento para os pecadores”, falta acrescentar uma pequena palavra à sua frase: “arrependidos”. Faz toda a diferença!

Outra citação interessante é esta:

Sem dúvida, assim o têm pensado Conferências Episcopais, grupos de Bispos e dioceses que têm refletido e aceite as suas propostas e diretrizes, convertendo-as em linhas renovadoras da Pastoral Familiar.

Também entre nós, um grupo de Bispos decidiu aprofundar os ensinamentos da Exortação e propor caminhos para a concretização das suas orientações. O grupo dos Bispos das dioceses do Centro do País que, desde há muitos anos, se reúne mensalmente, estudou este Documento. Perante as dificuldades atuais com as quais as Famílias se debatem, tem encontrado e proposto caminhos que, concretizados em cada uma das Igrejas Particulares vão, certamente, dar frutos.

(“A Família da Amoris Laetitia“, página 38)

Esta notícia não é bem uma novidade, pois não? A vontade dos bispos da Região Centro – que Deus tenha misericórdia para com eles – parece que já existia bem antes da conclusão do chamado Sínodo da Família. Deve ser portanto anterior à publicação da controversa exortação apostólica que, de forma perversa e subtil, tem minado as bases da doutrina cristã, no que diz respeito ao matrimónio e à família. A única novidade aqui é a rigidez da cabeça da serpente, que talvez não tenha sido ainda completamente esmagada pela Conferência Episcopal Portuguesa.

Depois vem a opinião do sr. Pe. Miguel Almeida, outro jesuíta:

Compete à Igreja acompanhar, discernir e integrar estas situações incompletas para que se caminhe para a completude.

(Pe. Miguel Almeida SJ, Página 43)

Com o devido respeito sr. Padre, essa a filosofia contribui, acima de tudo, para a “completude” da ditadura relativista, atacando incisivamente o último reduto da razão humana que é a moral cristã e posicionando consequentemente a humanidade no caminho da “completude” do mistério da iniquidade, que “já está em ação” (2Ts 2, 7) há bastante tempo. Ao nível individual, a prática do sacrilégio proposto e incentivado pelo Papa Francisco conduz as almas à “completude” da perdição, que é a condenação eterna.

Outro excerto:

Reconhecemos que este caminho de conversão proposto pela Amoris Laetitia levará o seu tempo, pois estão causa pessoas com rotinas, hábitos, porventura desatualizadas e sobrecarregadas, mas importa não esquecer a linha de rumo da Exortação Apostólica, que passa, em primeiro lugar por uma nova leitura a fazer por muitos membros do clero, ocupados com tarefas secundárias relativamente à sua missão fundamental, delegando, de modo a libertarem tempo para acolher, perceber, integrar, fazer direção espiritual, preparar as homilias, colocar no centro o Senhor Ressuscitado, humanizar o serviço paroquial.

(Manuel Marques, Departamento Nacional da Pastoral Familiar, Página 46)

Observe-se como, de repente, a necessidade de “conversão” – e isto tem sido uma constante no pontificado de Francisco – deixou de ser um propósito para quem caiu em pecado, para se transformar num objetivo estratégico a atingir nos pastores da Igreja. Os pastores são quem terá agora de converter-se, mais precisamente à doutrina do Papa Francisco, para poderem aceitar misericordiosamente a permanência no pecado, ainda que este seja grave. O pecado que, também agora, deixou de ser considerado pecado para passar a ser apenas uma mera “situação irregular”, a qual acabará necessariamente por regularizar-se no final deste processo de “discernimento”, após a conversão dos pastores. Isto até daria para rir se não fosse tão trágico…

Não será isto uma inversão diabólica de toda a lógica da conversão? Não é isto algo profundamente iníquo e uma completa adulteração da essência do sacramento da reconciliação? De onde virá esta nova misericórdia, de Deus ou de Satanás?

Logo a seguir, no mesmo artigo da revista da Igreja Portuguesa, surge aquilo que parece ser alguns piedosos insultos, também eles característicos da nova pastoral, tais como: “pessoas (…) porventura desatualizadas” ou “membros do clero, ocupados com tarefas secundárias“… Mas a quem se referem eles afinal? Aos bispos e sacerdotes que ainda acreditam na Verdade Cristã a respeito do matrimónio e da família? Ao ainda vivo Santo Padre Bento XVI que nunca aceitou esta heresia? Ao Patriarca de Lisboa?

D. Manuel Clemente é um daqueles que, graças a Deus, tem repetidamente interpretado a exortação apostólica à luz do tradicional magistério da Igreja.

Se os piedosos insultos forem destinados também a ele, a situação torna-se paradoxal, uma vez que é ele quem preside à conferência dos bispos portugueses, a proprietária do semanário em análise…

insultar
Papa Francisco a 12/02/2017, vídeo RR V+

Vejamos apenas mais uma citação, esta referente ao período Pós-Alegria do Amor:

Também neste tempo foi evidente uma forte reação de alguns setores da Igreja que têm invadido os meios de comunicação social e a Internet com acusações ao Papa, desmentindo qualquer novidade desta exortação apostólica relativamente à «Familiaris Consortio» de São João Paulo II, publicada em 1981.

Argumentam que este Papa não pode desmentir ou contradizer o ensinamento de São João Paulo II – de que só os divorciados recasados que vivam continência sexual podem receber o sacramento da Eucaristia –  e questionam ou ignoram o percurso de discernimento sugerido pelo Papa, quando tal proposta resultou do relatório final do Sínodo Ordinário dos Bispos aprovado pelos padres sinodais por larga maioria em 24 de outubro de 2015, que nos seus pontos 84 a 86 o incentiva.

Esperemos que nos anos vindouros se avance mais nestes assuntos e que as conferências episcopais de mais países, inclusive a portuguesa, (até agora só da Argentina, Malta e Alemanha) publiquem orientações de como praticar a «Amoris Laetitia».

(«Amoris Laetitia», um ano depois!, Página 55)

Como podemos reparar no excerto acima transcrito, um órgão de comunicação social sob a tutela da Igreja Portuguesa acabou de publicar um texto onde não só se admite que é possível “desmentir ou contradizer o ensinamento de São João Paulo II” sobre o matrimónio, como até se assume que isso já aconteceu graças à exortação apostólica de Francisco. Estas afirmações são muito graves, como é grave tudo aquilo que tem vindo a acontecer na Igreja desde 2013 para cá, mas os portugueses continuam a assobiar para o lado como se isto não lhes dissesse respeito. Quem irá defender a Fé herdada dos nossos egrégios avós?

Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal das funestas intenções deste Papa!

Basto 4/2017

Como se explica a presença do cardeal D. Martínez Sistach na última reunião da Conferência Episcopal Portuguesa?

Esta foi a pergunta que quase ninguém fez… Martínez Sistach é arcebispo emérito de Barcelona, portanto espanhol, da Catalunha. A sua presença na 190ª sessão plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em novembro do ano passado, teria de ter um propósito.

libro.de.sistach
Livro do Cardeal Martínez Sistach

E refletiremos sobre a exortação apostólica Amoris Laetitia e o melhor modo de a receber e aplicar entre nós, a bem do matrimónio e da família. Neste ponto contaremos com a preciosa contribuição do Cardeal Lluís Martínez Sistach, arcebispo emérito de Barcelona, reputado pastor e canonista.

(D. Manuel Clemente, Discurso de abertura da 190ª Assembleia Plenária da CEP, 07/11/2016)

Ou seja, o cardeal D. Martínez Sistach estava em missão. Era necessário explicar aos mais incrédulos bispos portugueses como é possível conciliar as “situações irregulares”, vulgo o adultério, com a Sagrada Comunhão. Conceituado canonista, adepto da nova misericórdia, ele era o homem indicado. Entende tanto daquilo que até publicou entretanto um livro, um manual para ajudar aqueles que têm mais dificuldade em aplicar a nova misericórdia do Papa Francisco a partir das diretrizes da controversa exortação apostólica.

Se o interessado, em consciência e diante de Deus, constata haver alguma circunstância que faz com que à situação objetiva do pecado não lhe corresponde imputabilidade subjetiva grave, pode ter acesso aos sacramentos.

[…]

A Amoris Laetitia não admite os divorciados recasados aos sacramentos porque o Papa não fala de categorias mas sim de pessoas, de modo que precisa de ser feito, em cada caso, o processo de discernimento, para ver se pode, ou não pode, em cada caso.

(D. Martínez Sistach in Periodista Digital, 08/02/2017)

Como dizem os espanhóis: No cremos em brujas pero que las hay, las hay!

É incrível mas ainda nem quatro anos passaram desde que Francisco escandalizou, pela primeira vez, os fieis católicos com a sua obsessão papal de conciliar o adultério com a Sagrada Comunhão à escala global. A princípio, a incredulidade geral fez-nos pensar que não tínhamos entendido bem as suas tímidas e ambíguas declarações, os jornalistas estavam obviamente a exagerar, a desinterpretar as suas palavras. Depois seguiu-se a fase de adaptação das mentes católicas ao aberrante sacrilégio. Finalmente chegou a confirmação papal, já de forma aberta, descarada e por escrito, mas poucos foram aqueles que ficaram escandalizados. Acabaram por se adaptar rapidamente à “nova pastoral” e à respetiva doutrina, ou então andam a dormir!

Agora estamos já numa fase avançada da implementação do sacrilégio à escala universal. O adultério foi legitimado pela Igreja Católica em tantos países como Malta, Itália, Alemanha, Argentina, Filipinas, Espanha, entre outros… O Santo Padre até deu liberdade às Conferências Episcopais para adaptarem o sacrilégio aos gostos e às sensibilidades locais.

Para quem sente ainda dificuldades em aderir a esta nova pastoral, para quem tem ainda reminiscências doutrinais de outras épocas ou até mesmo pudor perante a aplicação desta loucura, começam agora a surgir os primeiros manuais, cuidadosamente elaborados, que facilmente ajudarão a ultrapassar essas e outras questões que “paralisam”…

Parece que o mundo, de repente, ficou ébrio com tanta misericórdia. Cuidado com a ressaca!

Regressando ao nosso país, durante esta semana, os bispos portugueses encontram-se no seu retiro quaresmal, em Fátima, e necessitam das orações dos portugueses para que o dogma da Fé sempre se conserve em Portugal.

Basto 3/2017

Bispos portugueses discutem critérios comuns para a aplicação da “Amoris Laetitia”

Chegou a vez de Portugal. Os bispos da região Centro reuniram-se em Ílhavo, no passado dia 30 de janeiro, para discutirem critérios comuns de aplicação das inovações radicais da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia.

bispos-centro
Agência Ecclesia, 30/01/2017

A notícia da Agência Ecclesia não refere quais foram as dioceses representadas nesta reunião episcopal, mas convém lembrar que as inovações doutrinais/pastorais do Papa Francisco encontraram uma forte adesão nos bispos da região Centro, muito tempo antes da aprovação da revolucionária exortação apostólica. Foi precisamente um grupo de bispos da região Centro que, na assembleia plenária de 2015, de acordo com o semanário Sol, defendeu a abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados “recasados”. Segundo o mesmo jornal, os bispos defensores das ideias radicais do Papa Francisco eram então liderados pelo representante da diocese de Leiria-Fátima, D. António Marto, que entretanto confessou uma grande satisfação pelas inovações introduzidas com a publicação da Amoris Laetitia.

d-antonio-marto
Agência Ecclesia, 12/04/2016

De “modo genial”? Esta solução é absolutamente espantosa… Mas como é que ninguém se lembrara antes de um truque – que afinal é – tão simples e pragmático? Um truque de “misericórdia” que, por exemplo, teria salvo as cabeças de João Batista, de Tomás Muro ou de João Fisher, entre outros. Seria por falta de misericórdia ou por temor a Deus?

À medida que se aproxima a visita papal a Portugal, agendada para os dias 12 e 13 de maio, pode crescer, no clero português, a vontade de agradar ao Santo Padre – o que é normal. Os portugueses sempre foram bons anfitriões, principalmente quando se trata do mais alto representante de Cristo na Terra. Contudo, neste momento concreto em que vivemos, a cordialidade e o amor fraternal para com o Santo Padre significa também, e acima de tudo, ajudá-lo na sua função primordial: confirmar os seus irmãos na Fé (Lc 22, 32), na Fé verdadeira de Jesus Cristo, sublime e imutável.

Há 100 anos, em Fátima, as aparições do Anjo de Portugal e de Nossa Senhora do Rosário atestaram a Verdade Católica sobre a Eucaristia, o Matrimónio, o pecado, a Reconciliação com Deus e a irrevogabilidade dos dogmas. Que essa mesma Verdade seja aqui, uma vez mais, confirmada durante o centenário das aparições, pois os fiéis do mundo inteiro olham para Fátima à procura de um sinal claro para este tempo de “desorientação diabólica” e de ataques constantes ao Imaculado Coração de Maria.

Nossa Senhora de Fátima necessita de Portugal e dos portugueses.

Basto 2/2017