Cardeal Kasper: as uniões homossexuais são “análogas” ao casamento cristão

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Por Matthew Cullinan Hoffman

14 de março, 2018 (LifeSiteNews) – O cardeal Walter Kasper, cuja teologia parece ser a principal inspiração da doutrina do Papa Francisco para a abertura da Sagrada Comunhão às pessoas que vivem em estado de adultério em segundos casamentos, parece agora afirmar que as uniões homossexuais possuem “elementos” do casamento cristão, sendo até mesmo “análogas” àquelas, no sentido em que são semelhantes à relação entre a Igreja Católica e as comunidades cristãs não-católicas.

Mais até, o cardeal atribui as suas reivindicações à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia, apesar de o documento contradizê-lo explicitamente.

“O papa não deixa margem para dúvidas em relação ao facto de que casamentos civis, uniões de facto, novos casamentos depois de um divórcio (Amoris Laetitia 291) e uniões entre pessoas homossexuais (Amoris Laetitia 250s) não correspondem à conceção cristã de casamento“, escreve Kasper num livro recentemente lançado sobre Amoris Laetitia.

“Ele diz, no entanto, que alguns desses parceiros podem perceber de forma parcial e análoga alguns elementos do casamento cristão (Amoris Laetitia 292)”, continua Kasper.

Kasper compara essas relações com a relação entre a Igreja Católica e os grupos cristãos não-católicos relativamente aos quais o Concílio Vaticano II afirma que contêm “elementos de santificação e verdade” da Igreja.

“Tal como fora da Igreja Católica existem elementos da Igreja verdadeira, nas uniões acima mencionadas podem existir elementos presentes no casamento cristão, embora não realizem completamente, ou ainda não realizam completamente, o ideal”, acrescenta Kasper .

As declarações aparecem no pequeno livro de Kasper, “A Mensagem da Amoris Laetitia: Uma Discussão Fraternal”, recentemente publicado, simultaneamente, em alemão e italiano.

Na mesma obra, Kasper também insinua que a Amoris Laetitia abre o caminho para permitir o uso da contraceção, uma prática universalmente condenada pelas Escrituras, pelos Pais da Igreja e pelo Magistério Papal, mais recentemente pelos Papas Paulo VI e João Paulo II.

Kasper observa que, na Amoris Laetitia, o Papa apenas “incentiva o uso do método de observar os ciclos de fertilidade natural” e “não diz nada sobre outros métodos de planeamento familiar, evitando todas as definições casuísticas”. No contexto das passagens do livro sobre a comunhão para aqueles que cometem adultério em segundos “casamentos”, que usa linguagem semelhante, Kasper parece reivindicar que o Papa permite exceções à condenação que a Igreja faz sobre o controlo artificial da natalidade.

Kasper contradiz João Paulo II – e até mesmo a Amoris Laetitia

As palavras de Kasper sobre as uniões homossexuais parecem contrariar diretamente não apenas os ensinamentos de João Paulo II, mas até mesmo a Amoris Laetitia, o documento que ele pretende explicar.

Sob o pontificado de João Paulo II e a administração do cardeal Josef Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI), a Congregação para a Doutrina da Fé expressou repúdio perante a ideia de que as uniões homossexuais possam ser consideradas “análogas” ao casamento. O documento foi emitido em 2003 e recebeu a aprovação de João Paulo II.

“Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família”, declarou a Congregação. “O matrimónio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais «fecham, de facto, o ato sexual ao dom da vida».” Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar.

Os parágrafos da Amoris Laetitia citados por Kasper para justificar o tratamento das uniões homossexuais como “análogas” ao casamento não possuem uma referência clara às uniões homossexuais, referindo-se meramente aos “elementos construtivos nessas situações que ainda ou já não correspondem ao ensinamento sobre casamento“.

No entanto, a Amoris Laetitia afirma no parágrafo 251: “No decurso dos debates sobre a dignidade e a missão da família, os Padres Sinodais anotaram, quanto aos projetos de equiparação ao matrimónio das uniões entre pessoas homossexuais, que não existe fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família.” Francisco e os Padres Sinodais citam o mesmo documento de 2003 da Congregação para a Doutrina da Fé acima mencionado.

Bispos alemães procuram legitimar uniões homossexuais

O aparente desejo do cardeal Kasper de legitimar as uniões homossexuais reflete o pensamento de vários bispos influentes na hierarquia alemã.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, bispo Franz-Josef Bode, disse recentemente que as uniões homossexuais incluem aspetos “positivos e bons” e propôs bênçãos para estas. Fez também comentários semelhantes em 2015.

O cardeal Reinhard Marx, membro do Conselho de Consultivo de Cardeais do Papa, no início deste ano, aparentemente apoiou a possibilidade de se abençoar as uniões homossexuais, mas depois parece ter retrocedido, após uma pesada crítica, afirmando que apenas queria dar a esses casais “encorajamento espiritual”.

Em junho de 2015, o bispo Heiner Koch, de Dresden-Meissen (agora arcebispo de Berlim), foi citado pelo jornal alemão Die Tagespost deste modo: “Qualquer vínculo que fortaleça e mantenha as pessoas, a meu ver, está bem; isso aplica-se também às relações homossexuais”.

A página dos bispos alemães Katholisch.de publicou um artigo em 2015 defendendo a noção de bênção das uniões homossexuais e atacando o bispo alemão Stefan Oster, que supervisiona a diocese de Passau, pela defesa do tradicional ensinamento moral da Igreja a respeito da sexualidade.

O próprio cardeal Kasper apoiou publicamente a aprovação irlandesa da legalização do “casamento” homossexual em 2015, dizendo: “Um Estado democrático tem o dever de respeitar a vontade do povo; e parece claro que, se a maioria das pessoas quer essas uniões homossexuais, o Estado tem o dever de reconhecer esses direitos”.

Não obstante, em fevereiro, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, antigo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, condenou tais bênçãos, da mesma forma que alguns outros bispos alemães e austríacos.

“Se um padre abençoa um casal homossexual, isso é uma atrocidade num lugar sagrado, na verdade, para aprovar algo que Deus não aprova”, afirmou Müller.

Kasper está preocupado com a palavra “heresia” usada contra as doutrinas do Papa

Ao anunciar a publicação do livro, Kasper queixou-se de que as pessoas têm usado a palavra “heresia” para descrever o ensinamento de que a Sagrada Comunhão pode ser dada a pessoas em estado habitual de adultério, que parece ser o que Papa Francisco ensina na sua exortação apostólica Amoris Laetitia.

“Há um debate muito azedado [sobre o ensinamento do Papa], muito forte, com acusações de heresia”, disse Kasper numa entrevista recente ao Vatican News, serviço noticioso oficial da Santa Sé, sobre [o livro] “A Mensagem da Amoris Laetitia“.

No seu livro, Kasper protesta contra os teólogos que acusaram Francisco de heresia, escrevendo em nota de rodapé: “Quem, para além do Magistério, tem o direito de fazer uma acusação desse tipo? Já não tem validade o princípio de que até que alguém seja legitimamente condenado deve ser considerado dentro da ortodoxia da Igreja? “

Kasper também afirmou em entrevistas que a Amoris Laetitia é fácil de compreender.

“A linguagem deste documento é tão clara que qualquer cristão pode compreendê-la. Não é uma teologia complexa, incompreensível para as pessoas”, disse Kasper. “O povo de Deus está muito contente e feliz com este documento porque dá espaço à liberdade, mas também interpreta a substância da mensagem cristã numa linguagem compreensível. Então, o povo de Deus entende! O Papa tem uma ótima ligação ao Povo de Deus”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 14 de março de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2018

 

Um dos 9 cardeais conselheiros do Papa propõe bênçãos “litúrgicas” para uniões homossexuais

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Por Matthew Cullinan Hoffman

4 de fevereiro, 2018 (LifeSiteNews) – O cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal Alemã e assessor próximo do Papa Francisco, disse aos meios de comunicação social alemães que “é preciso encorajar os sacerdotes” a dar ânimo às uniões homossexuais, o que poderia incluir uma bênção pública que tomaria uma forma “litúrgica”.

Marx foi ontem questionado, numa entrevista radiofónica, por que razão a Igreja Católica “nem sempre avança quando se trata das exigências de alguns católicos relativamente, por exemplo, à ordenação de mulheres diáconos, à bênção de casais homossexuais ou à abolição do celibato obrigatório [para sacerdotes].”

Marx respondeu que deve ser dado aos homossexuais “um cuidado pastoral mais próximo”, acrescentando que “é preciso também encorajar os sacerdotes e os pastores a incentivar as pessoas em situações concretas [de uniões homossexuais]. Eu não vejo realmente nenhum problema nisso. “

Esse “encorajamento” pode incluir, de acordo com o cardeal Marx, algum tipo de reconhecimento “litúrgico” da sua união, dizendo que “como isso seria feito publicamente, de forma litúrgica”, é “outra questão” e acrescentou: “É aí que é preciso ser reticente e também refletir sobre isso de uma boa maneira”.

Marx foi questionado pelo entrevistador se o que ele queria dizer é que poderia “imaginar uma forma de abençoar casais homossexuais na Igreja Católica”, ao que o cardeal respondeu “sim”.

No entanto, Marx acrescentou que nenhuma regra geral deveria ser estabelecida para tais bênçãos, que isso deveria ser deixado ao juízo individual dos pastores.

“Não há soluções gerais. Não acho certo porque trata-se de cuidados pastorais para casos individuais, os quais devem ser deixados para o pastor… há coisas que não podem ser reguladas”, explicou Marx.

As palavras de Marx ecoam as do vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, o bispo Franz-Josef Bode, que, a 10 de janeiro, propôs a possibilidade de se abençoar as uniões homossexuais, referindo-se a tais uniões como “positivas e boas”.

“Como lhes fazemos justiça (aos casais homossexuais)?”, perguntou Bode. “Como os acompanhamos pastoral e liturgicamente?”

“Temos de refletir sobre a questão de como avaliar de forma diferenciada uma relação entre duas pessoas homossexuais”, disse Bode. “Não há aí tanto de positivo, bom e correto, de modo que tenhamos de ser mais justos?”

Mathias von Gersdorff, ativista pró-vida alemã e blogger bem informada, criticou a última concessão de Marx à ideologia homossexual.

“Para o cardeal Marx e para o bispo Bode é claro: a moral sexual católica deve adaptar-se à revolução sexual”, escreveu Von Gersdorff, acrescentando que as suas opiniões “podem ser resumidas do seguinte modo: a moral sexual católica deve ser substituída pelas máximas da revolução sexual”.

No começo deste mês, Von Gersdorff escreveu o seguinte a respeito da proposta de Bode: “O progressismo alemão não deseja mudar algumas coisas aqui e ali, mas deseja eliminar a totalidade do ensinamento católico e criar uma religião fundamentalmente novaO católico “normal” fica perplexo e pergunta-se: até que ponto pode a Igreja Católica na Alemanha continuar neste caminho de destruição e ainda assim ser chamada “Católica”? Quando é que se chega ao ponto de existir o dever moral de recusa a pagar o imposto da Igreja?”

Reinhard Marx é indiscutivelmente o prelado católico mais influente da Alemanha. Além de supervisionar a enorme arquidiocese de Munique e Freising, com seus 1,7 milhões de católicos, ele é o presidente da Conferência Episcopal Alemã e presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (COMECE). É ainda um dos nove membros do Conselho Consultivo de Cardeais escolhidos pelo Papa para reformar a cúria romana.

Marx tinha já expressado a sua simpatia pelas uniões homossexuais no passado, alegando que a Igreja Católica deveria “pedir desculpas” aos homossexuais por não se opor à lei alemã que proíbe a sodomia, a qual vigorou até 1994, e afirmando que as uniões homossexuais devem ser “respeitadas” e que têm “valor“.

“Temos de respeitar as decisões das pessoas. Temos de respeitar também, como eu disse no primeiro sínodo da família – alguns ficaram chocados, mas eu acho normal – não se pode dizer que uma relação entre um homem e um homem, sendo eles fiéis, [que] isso é nada, isso não tem valor”, afirmou Marx em junho de 2016.

Marx acrescentou que o Estado “tem de regular essas uniões e trazê-las para uma posição justa, e nós, como Igreja, não podemos ser contra isso”.

Os comentários de Marx foram condenados, na altura, pelo cardeal sul-africano Wilfrid Fox Napier. “Deus nos ajude! De seguida, teremos de pedir desculpa por ensinar que o adultério é um pecado! A correção política (CP) é a principal heresia de hoje!”, dizia o cardeal Napier através do Twitter.

A Igreja Católica condena todos os atos homossexuais como sendo gravemente pecaminosos, que conduzem à condenação eterna. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados». São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.”

A Congregação para a Doutrina da Fé, em 2003, proibiu expressamente qualquer apoio às uniões homossexuais, declarando: “Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo” e que “todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 4 de fevereiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 2/2018

Adultério e Comunhão na Alemanha: o Papa recebeu os critérios com alegria

Os bispos alemães publicaram os seus critérios de aplicação da exortação apostólica Amoris Laetitia, permitindo o sacrilégio proposto pelo Papa Francisco de abrir o acesso à Sagrada Comunhão a quem pratica adultério.

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Catholic News Agency, 01/02/2017

O documento, divulgado em fevereiro, saiu do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Alemã, no Nº 104 da sua publicação periódica, com a data de 23 de janeiro, e intitula-se “A Alegria do Amor, que é vivida nas Famílias, é também a alegria da Igreja”.

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A Alegria do Amor, que é vivida nas Famílias, é também a Alegria da Igreja (diretrizes para aplicação da exortação Amoris Laetitia

Alguns dias mais tarde, no dia seis de março, em Bensberg (Alemanha), o Cardeal Reinhard Marx, atual arcebispo de Munique e Frisinga, homem muito próximo do Papa Francisco, revelou, durante a conferência de imprensa da Conferência Episcopal Alemã, que o Santo Padre ficou feliz por os bispos alemães terem redigido os critérios de aplicação da sua controversa exortação apostólica.

Eu dei ao Papa o texto que fizemos a partir da Amoris Laetitia e ele recebeu-o com alegria.

(Cardeal Marx a 3 de março in 1Peter5, 06/03/2017)

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Life Site News, 09/03/2017

O Cardeal Marx já tinha falado contra os dubia pois considera a exortação apostólica do Papa Francisco bastante clara e que permite, de facto, a abertura da Sagrada Comunhão aos recasados em determinados casos.

Basto 3/2017

A ‘Alegria do Amor’ na Alemanha

O acesso à Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal já é permitido também na Alemanha. A justificação é, mais uma vez, a controversa exortação apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco.

O bispo Karl-Heinz Wiesemann de Speyer, Alemanha, anunciou em entrevista, a 17 de dezembro, que iria publicar orientações sobre como os padres da sua diocese deviam acompanhar os católicos divorciados recasados que querem receber os sacramentos. Wiesemann disse que o Papa Francisco tornou isso possível em casos individuais, após o acompanhamento apropriado por um padre.

(in National Catholic Reporter, 21/12/2016)

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Church Militant em 22/12/2016

De acordo com o National Catholic Reporter, Speyer é já a segunda diocese alemã a pôr em prática a ‘Alegria do Amor’ depois de, no mês anterior, o arcebispo Stephan Burger, de Freiburg, ter dito que considerava a admissão de divorciados recasados aos sacramentos como uma das mensagens centrais da Amoris Laetitia.

 

Basto 1/2017