Bispos da Sicília cumprem promessa e fazem a vontade ao Santo Padre

Como tinham prometido no início do ano, os bispos sicilianos abriram agora o acesso à Sagrada Comunhão aos divorciados recasados, apesar do que a Igreja sempre ensinou a respeito do matrimónio e do adultério.

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in la Repubblica, 15/06/2017

O recém-publicado documento da Conferência Episcopal Siciliana intitula-se “Orientações Pastorais, acompanhar – discernir – integrar a fragilidade segundo as indicações do cap. VIII da Amoris Laetitia. As novas orientações pastorais vão ao encontro dos desejos de Francisco I na promoção da sua “Alegria do Amor”, libertando assim, até certo ponto, os fiéis sicilianos do “problema” da “rigidez dos mandamentos” que, apesar de “seguros”, de acordo com o mesmo Santo Padre, não “nos dão alegria” porque nos retiram a liberdade.

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Orientações pastorais dos bispos da Sicília

Seguindo as orientações pastorais disponibilizadas no sítio da Arquidiocese de Palermo, a partir de agora, os pastores sicilianos devem convidar os adúlteros a discernir pelas suas próprias consciências se preferem o arrependimento ou a continuidade no prática do adultério para então, depois, poderem receber o Corpo e o Sangue do Senhor, independentemente de terem optado por um ou pelo outro caminho.

Basto 6/2017

Região de Campânia, na Itália, também já permite a comunhão a quem pratica adultério

A Conferência Episcopal Regional de Campânia, na Itália, publicou o primeiro texto oficial da Igreja Italiana com linhas orientadoras para a aplicação da controversa exortação Amoris Laetitia. Os bispos locais aprovaram, por unanimidade, os critérios que estabelecem que quem pratica adultério também pode aceder à Sagrada Comunhão.

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La Stampa, 07/03/2017

Com cerca de seis milhões de habitantes, a Campânia corresponde a uma das regiões de maior densidade populacional em Itália, cuja principal cidade é Nápoles. A Província Eclesiástica de Campânia é composta por duas dezenas e meia de dioceses e territórios eclesiásticos agrupados em três arquidioceses principais.

Punto Famiglia
Diretrizes para a Aplicação da Amoris LaetitiaPunto Famiglia, 04/03/2017

 

  1. c) Um “Serviço Diocesano” dirigido aos separados e divorciados que voltaram a casar para verificação de nulidade do casamento e para o eventual início de readmissão no caminho comunhão eucarística.

[…]

Na Carta aos Bispos de Buenos Aires, o Papa Francisco diz: “Eu considero urgente a formação em discernimento, pessoal e comunitário, nos nossos seminários e presbitérios.

(in Carta aos Presbíteros das Dioceses de Campânia, de 30 de janeiro de 2017)

A tradição local relativa à interpretação do “milagre de São Januário” confirma-se assim, mais uma vez! O sangue do santo não se liquefez a 16 de dezembro do ano passado, antecipando esta tragédia para os napolitanos.

Basto 3/2017

A ‘Alegria do Amor’ na Sicília

Na arquidiocese de Palermo, na Sicília, Itália, uma comissão nomeada pelo Mons. Corrado Lorefice, arcebispo local, prepara o documento “Critérios Diocesanos para o discernimento eclesial dos casais divorciados ou em coabitação” para ser publicado na Páscoa.

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La Fede Quotidiana, 28/01/2017

Mons. Corrado Lorefice é o arcebispo metropolita de Palermo e primaz da Sicília desde 2015.

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AGI News, 27/01/2017

 

Basto 1/2017

“Sim” ou “Não”, para mim é tudo igual. Em Florença, a “Amoris Laetitia” funciona assim

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Por Sandro Magister

ROMA, 19 de janeiro, 2017 (Settimo Cielo – L’Espresso) – As dos bispos de Malta são as mais recentes das instruções que alguns bispos têm dado nas suas dioceses sobre a forma de interpretar e implementar a Amoris Letitia.

Instruções que muitas vezes se contradizem, de modo que numa diocese a comunhão para os divorciados recasados que vivem more uxorio é permitida, enquanto noutra diocese, talvez até mesmo numa vizinha, não é.

Mas há mais. Acontece mesmo que em algumas dioceses o “sim” e o “não” são oficialmente permitidos, os dois juntos.

É o caso, por exemplo, da Arquidiocese de Florença.

Aqui o arcebispo, o cardeal Giuseppe Betori, iniciou um “perurso de formação diocesano” para instruir sacerdotes e fiéis sobre a interpretação correta da Amoris Laetitia.

Na primeira etapa da formação, no dia 8 de outubro passado, para uma introdução geral ao documento do Papa Francisco, Betori trouxe o cardeal Ennio Antonelli, seu predecessor como arcebispo de Florença e então presidente, de 2008 a 2012, do Pontifício Conselho para a Família, uma autoridade na matéria.

Antonelli estabeleceu instruções em perfeita continuidade com o magistério dos papas anteriores e, portanto, descartou a comunhão para os divorciados e recasados que vivem more uxorio. E manteve esta firme proibição apesar de, alguns dias antes, na diocese de Roma, o cardeal vigário Agostino Vallini ter dado o sinal verde para a comunhão com a aprovação de Francisco:

Em Roma sim, em Florença não. Eis como a Amoris Leritia está a dividir a Igreja

Depois disto, uma vez por mês, Betori traz outros oradores para explicar, um após o outro, os vários capítulos da Amoris Laetitia.

Mas a quem deverá ser confiada, a 25 de março, a tarefa de estabelecer as diretrizes para a interpretação do oitavo capítulo, o mais controverso?

Ao monsenhor Basílio Petrà, presidente dos teólogos moralistas italianos, que é um dos mais fervorosos defensores da abertura da comunhão aos divorciados recasados.

Num extenso comentário sobre a exortação sinodal publicada em abril passado na revista “Il Regno“, Petrà até declarou “desnecessário” consultar um sacerdote e o foro interno sacramental, ou seja, a confissão, para “discernir” se uma pessoa divorciada que voltou a casar pode receber a comunhão.

Escreveu o seguinte:

“De facto, é possível que uma pessoa não tenha a consciência moral adequada e/ou não tenha a liberdade de agir de forma diferente e que, apesar de fazer algo considerado objetivamente grave, pode não estar cometendo um pecado grave no sentido moral e, portanto, não tem o dever confessar-se para receber a Eucaristia. A Amoris Laetitia, no nº 301, alude claramente a esta doutrina.”

É como dizer: toda a gente é livre de agir por si mesmo, seja ele “iluminado” ou inconsciente.

O dia 25 de março está apenas a dois meses de distância. E até lá, por enquanto, tanto para os clérigos como para os fiéis, o que deve continuar a ser aplicado é o “não” ditado e fundamentado pelo cardeal Antonelli.

Mas depois de 25 de março, o “sim” terá também valor oficial. Na mesma diocese. E depois fica-se surpreendido quando surgem os “dubia” sobre a claridade da Amoris Laetitia?

A edição original deste texto foi publicada no blogue Settimo Cielo a 19 de janeiro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2017

A Alegria do Amor em Milão

A exortação apostólica Amoris Laetitia “começou a mudar as atitudes relativamente à comunhão, na Arquidiocese de Milão”. A informação partiu de um artigo publicado pelo Mons. Fausto Gelardi no sítio da Internet da referida diocese (pode ler-se em Inglês aqui). Este prelado é o alto responsável pela Confissão na Catedral de Milão.

O referido texto sugere que alguém, entre os sacerdotes, talvez um pouco “precipitado e procurando eficiência”, terá aberto uma “janela” de consultas, dando a ideia de que “pode conceder rapidamente exceções”.

O artigo termina com a seguinte frase:

Os fiéis têm experimentado a ânsia de pastores que não são chamados para impor uma norma, mas para levantar o valor expresso por aquela norma, transportando em sentido real o “cheiro das ovelhas”.

 

Basto 4/2016