Isso é uma piada? O Papa terá perguntado ao Cardeal pró-“gay” (“Missa de Balões”) Schönborn: A “Amoris Laetitia” é ortodoxa? Ignoradas as correções do Cardeal Müller.

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Oh sim, Sua Santidade! Perfeitamente ortodoxa.

Por Christopher A. Ferrara

O biógrafo liberal do Papa Bergoglio, Austin Ivereigh, refere que, durante uma sessão de perguntas e respostas sobre a Amoris Laetitia (AL), na Irlanda Ocidental, o Cardeal Christoph Schönborn fez a revelação assombrosa de que o Papa Bergoglio perguntou se a AL é ortodoxa e que Schönborn respondeu exatamente ao seu chefe aquilo que ele queria ouvir:

[Q]uando ele [Schönborn] encontrou o Papa logo após a apresentação da Amoris, Francisco agradeceu-lhe e perguntou-lhe se o documento era ortodoxo.

“Eu respondi, «Santo Padre, é totalmente ortodoxo»”, Schönborn disse-nos que tinha dito ao Papa, acrescentando que, alguns dias mais tarde, recebeu de Francisco uma pequena nota que dizia: «Obrigado por essa palavra. Isso deu-me conforto.»

Então, se este episódio for verdadeiro, temos um Papa que questiona a ortodoxia do seu próprio ensinamento depois de o publicar! Mas o mesmo Papa ignorou simplesmente a recomendação pré-publicação, com cerca de 20 páginas de correções à AL, do próprio prelado cuja função é examinar documentos papais na sua ortodoxia: o Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), a quem o Papa Bergoglio despediu brutalmente através de uma curta nota. Como Edward Pentin informou, nenhuma dessas correções foi aceite.

Confiar em Schönborn para confirmar se um documento que trata de moral sexual é ortodoxo é como confiar num ladrão para confirmar a segurança dos objetos de valor no cofre do quarto. Não foi outro senão Schönborn que, ignorando o ensinamento perentório da Igreja sobre o dever dos católicos de se oporem e recusarem a implementação de qualquer forma de reconhecimento legal das “uniões homossexuais”, declarou alegremente que elas são perfeitamente aceitáveis, desde que não sejam formalmente denominadas casamento: “Pode e deve respeitar-se a decisão de criar uma união com uma pessoa do mesmo sexo, para encontrar instrumentos legais que protejam a sua vida em conjunto e a sua situação com leis que garantam essa proteção.”

A confiança do Papa Bergoglio em Schönborn para dizer o que ele queria ouvir sobre AL data desde o momento em que a desastrosa exortação foi promulgada. Durante uma das suas conferências de imprensa aéreas, o Papa designou Schönborn como intérprete oficial da AL. Referindo-se a ele como “um grande teólogo”, citou a apresentação de Schönborn sobre a AL em resposta à questão de saber se os divorciados “recasados” poderiam ser admitidos à Sagrada Comunhão sem cessar o adultério – a resposta obviamente queria dizer “Sim”, como os eventos subsequentes tornaram claro. Mas Schönborn, nessa apresentação, apenas remeteu para o Papa Bergoglio, citando a AL:

«Ao pensar que tudo é preto e branco, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento, e desencorajamos caminhos de santificação que dão glória a Deus» (AL 205). Ele [Francisco] também nos lembra uma frase importante da Evangelii gaudium, 44: «Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correcta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades»(AL 304).

No sentido desta «via caritatis» (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada «em certos casos». Mas para esse propósito, ele não nos oferece casos de estudos ou receitas, mas simplesmente faz-nos lembrar duas das suas famosas frases: «Quero lembrar aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas sim um encontro com a misericórdia do Senhor» (EG 44), e a Eucaristia «não é um prémio para os perfeitos, mas um poderoso remédio e alimento para os fracos» (EG 47) “.

Então, o Papa Bergoglio consulta Schönborn, que por sua vez consulta o Papa Bergoglio, e assegura ao outro que não há nada mal com a AL. No entanto, 20 páginas de correções da CDF são lançadas no lixo e o autor dessas correções é sumariamente destituído do cargo.

Isto é uma piada. Mas a piada é muito instrutiva. Que melhor exemplo poderíamos ter para os estritos limites da infalibilidade papal tal como foi definida – infalivelmente – pelo Concílio Vaticano I? Se não for mais nada, o pontificado bergogliano serviu para quebrar o mito de que o Papa é uma espécie de oráculo divino, cujas expressões são ortodoxas pelo simples facto de um papa as ter proferido.

Como o concílio deixou claro, o Papa ensina infalivelmente somente quando define formalmente como dogma aquilo que a Igreja sempre ensinou em questões de fé e moral; o mesmo ensino constante que também é infalível devido à sua imutabilidade, e não devido ao simples facto de um papa ter feito alguma declaração de doutrina em determinado momento. Fora dessa esfera limitada, o erro papal não é apenas possível, mas, como vemos aqui, é inevitável se um Papa atua imprudentemente e só ouve o que quer ouvir de pessoas de ortodoxia questionável.

À medida que esta farsa caminha para a sua inevitável conclusão, devemos ter em atenção um documento de 1986, especificamente aprovado pelo Papa João Paulo II, onde a mesma CDF, rejeitada pelo Papa Bergoglio porque não lhe diz o que ele quer ouvir, alertou “aos Bispos que sejam particularmente vigilantes em relação aos programas que, de facto, tentam exercer pressão sobre a Igreja a fim de que ela mude a sua doutrina, embora, às vezes, verbalmente neguem que seja assim. Um estudo atento das declarações públicas neles contidas e das atividades que promovem revela uma calculada ambiguidade, através da qual procuram desviar pastores e fiéis.”

Quem poderia ter previsto que o mesmo aviso se aplicaria algum dia a um Papa e aos seus colaboradores? Resposta: a Mãe de Deus, cuja profecia no Terceiro Segredo de Fátima está agora a concretizar-se.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017