Frases que nos fazem pensar: Papa Bento XVI

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“Com o «Papa Emérito», eu tentei criar uma situação em que sou absolutamente inacessível aos média e em que é completamente claro que existe apenas um Papa.”

 

(Bento XVI, 265º Pontífice da Santa Igreja Católica Apostólica Romana e 1º Papa Emérito em toda a história do cristianismo)

Contexto da frase:

A frase surge numa carta dirigida ao cardeal D. Walter Brandmüller – um dos quatro cardeais dos dubia – em que Sua Santidade discutia a situação criada com a sua resignação. À frase acima transcrita, Bento XVI acrescentava ainda o seguinte: “Se tu conheces uma forma melhor e acreditas que podes julgar aquela que eu escolhi, por favor diz-me”.

A carta é datada de 9 de novembro de 2017, poucos dias depois da publicação de uma entrevista de D. Walter Brandmüller ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, na qual o cardeal se lamentava que o título de “Papa Emérito” nunca existira anteriormente e deixara os “cardeais estupefactos”; in National Catholic Register, 19/09/2018 – tradução livre.

Basto 9/2018

E depois passaram a três, e agora?

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Por Christopher A. Ferrara

Com a súbita morte do cardeal Joachim Meisner, os quatro “cardeais dos dubia” ficaram reduzidos a três, sem que nenhum deles tenha realizado alguma ação para corrigir os erros da Amoris Laetitia, que se espalharam por toda a Igreja de forma inédita e verdadeiramente apocalíptica, fraturando uma disciplina eucarística universal e bimilenar enraizada na verdade revelada sobre a indissolubilidade do matrimónio e a santidade infinita do Santíssimo Sacramento.

Dadas as idades dos três restantes (Cardeal Brandmüller, 88, Cardeal Caffarra, 79 e Cardeal Burke, 69), uma diminuição adicional do seu número no curto prazo é uma possibilidade real. Perguntamo-nos se todos eles simplesmente passarão desta terra sem nunca terem emitido a prometida “correção formal”. Qual foi então o propósito da sua intervenção pública inicial quando solicitaram respostas aos cinco dubia que esbarraram no intransigente silêncio do Papa Bergoglio durante já quase um ano (como se não conhecêssemos já as respostas)? E qual era o objetivo de solicitar publicamente uma audiência com o Papa quando, como os cardeais ainda vivos certamente sabem, ele não tem intenção de alguma vez se deixar confrontar com seus erros, mas sim todas as intenções de promovê-los com piscadelas de olho, acenos de cabeça, declarações particulares e nomeações estratégicas para o episcopado e para o Colégio de Cardeais?

Entretanto, Bento XVI, o único “Papa Emérito” da história da Igreja – uma novidade que ele próprio inventou – ainda acrescentou mais àquilo que deve ser chamado de dimensão burlesca desta situação incomparável. Numa carta lida no funeral do Cardeal Meisner, ele diz:

Sabemos que este apaixonado pastor teve dificuldade em deixar o seu cargo, especialmente num momento em que a Igreja necessita particularmente de pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época e que vivem e pensam a fé com determinação. No entanto, o que mais me impressionou foi que, neste último período da sua vida, ele aprendeu a deixar passar e a viver de uma profunda convicção de que o Senhor não abandona a Sua Igreja, mesmo se a barca meteu tanta água a ponto de estar à beira de virar.

Considere-se a enorme implicação deste breve texto:

  • Bento XVI abandonou o seu posto, embora soubesse que a Barca de Pedro estava “à beira de virar”.
  • Bento elogia Meisner como um dos “os pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época”, sabendo muito bem que Meisner e os outros três cardeais dos dubia confrontaram nada menos que o Pastor Universal com erros morais de consequências catastróficas, que representam precisamente uma entrega à ditadura do espírito da época, erros sobre os quais Bento nada dirá.
  • Bento diz que “o Senhor não abandona a Sua Igreja” precisamente no momento em que o comportamento do atual ocupante da cadeira de Pedro faz temer que a Igreja tenha, como é impossível, sido abandonada pelo Senhor. Ele escreve como se não tivéssemos um Papa cuja governação é a fonte desse medo.
  • Bento elogia Meisner porque ele “aprendeu a deixar passar” e presume que Cristo protegerá a Igreja, mesmo que os cardeais e os outros membros da hierarquia não façam nada para cumprir o seu dever de defensores da Fé contra um Papa claramente inclinado a impor desastrosas “reformas” que nenhum Papa anterior teria ousado sequer considerar. Meisner, com quem Bento XVI havia falado pouco antes da sua morte, abandonou qualquer intenção de procurar a mais do que razoável “correção formal”?

Na mesma linha, no mês passado, Bento XVI pronunciou esta enigmática observação durante a visita, à sua residência no Vaticano, do Papa Bergoglio acompanhado dos seus cinco novos cardeais que adicionou ao seu corpo crescente de tropas de choque reformistas: “O Senhor vence no final.” É um estranho comentário para se fazer a um grupo de recém-criados cardeais. Estará Bento XVI a sugerir – é difícil evitar a implicação – que o Senhor irá derrotá-los, assim como ao Papa que os criou?

Nessa ocasião – diga-se de passagem – o “Papa Emérito”, que abdicou da cadeira de Pedro porque supostamente não podia continuar a desempenhar os deveres do papado, falou sem esforço com os novos cardeais e fluentemente nas suas várias línguas nativas. Administrou depois uma bênção em conjunto com o Papa Bergoglio, pronunciando as palavras da bênção enquanto Bergoglio permanecia em silêncio, reforçando assim a impressão de que agora existem dois Papas que se posicionam acima dos cardeais e lhes podem dar uma bênção apostólica.

A situação torna-se cada vez mais estranha. A partir de uma perspetiva puramente histórica, seria fascinante. Mas, da perspetiva de Fátima, é a concretização de uma profecia terrível para o nosso tempo. Os fiéis questionam-se: “E agora?”, enquanto esperam a resposta dramática que o Céu certamente providenciará.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 17 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Mas não está Deus a vencer, neste momento?

Esta semana, o Papa Bento XVI proferiu uma das frases mais enigmáticas desta fase “emérita” do seu pontificado. Aconteceu durante a curta visita dos novos cardeais nomeados pelo Papa Francisco I.

vence no final
in Rome Reports, 28/06/2017 – tradução livre

Na sua curta mensagem dirigida aos novos cardeais, antes de lhes dar a bênção, o Santo Padre prometeu que, no final, Deus triunfará! Mas, no final de quê, Santo Padre? Em que fase anterior a esse triunfo estamos nós neste momento?

O Senhor vence no final. Obrigado a todos.

(Papa Bento XVI, in Rome Reports, 28/06/2017)

Estaria o Santo Padre a sugerir – conforme reparou Claire Chretien no LifeSiteNews – que, neste momento, o Senhor não está a vencer?

Basto 6/2017

Um papa, dois papas, três…

dois papas

 

De cada vez que o Papa Francisco entra num avião para regressar a Roma parece que a Terra treme, é como se as forças celestes que regem o universo fossem momentaneamente abaladas a partir do interior de um avião da Alitalia. As suas excêntricas entrevistas aeronáuticas fazem abanar a “nave petrina” que, depois, lá acaba sempre por aterrar em segurança, com maior ou menor dificuldade. Um vez no chão, o staff é logo chamado a entrar para limpar alguma eventual sujidade e reparar possíveis danos na engrenagem do aparelho como, de resto, acontece com todos os aviões, em qualquer aeroporto.

Logo de seguida, retoma-se a festa na cidade eterna!

É difícil ter uma noção do real impacto deste tráfego aéreo em todo o universo católico, nomeadamente, nas paróquias, conventos, universidades, casas episcopais, nas famílias, nas almas… Já não é de todo absurdo imaginar piedosos anciãos, nas aldeias mais remotas do Portugal profundo, queimarem um pequeno ramo de oliveira benzida, do Domingo de Ramos, antes do Santo Padre passar pelo Check-in do aeroporto e dizerem: “Que Deus o acompanhe!”.

Os dias, os meses e os anos que se seguem às aterragens papais são – e desta vez não será exceção – marcados pela impressão de milhares de páginas de jornais, cartazes, guarda-chuvas ou camisolas, tanto no mundo católico como no profano, citando as “piedosas” respostas e afirmações improvisadas a bordo. Quase toda a gente gosta! A principal característica do atual discurso papal é a de servir a quase todos os gostos.

Nos meandros doutrinários mais profundos, teólogos e filósofos, com a ajuda dos filólogos, têm com que se entreter durante muito tempo, refletindo sobre o que se disse, o que não se disse e o que se queria dizer, para depois se analisar se tais conclusões pertencem, ou não, ao magistério eclesial. No final, os resultados nunca são conclusivos mas, pelo menos, ajudam-nos a estudar e a meditar sobre a verdadeira doutrina de Cristo, o que já não é mau de todo.

Há outros aspetos merecedores de atenção na última entrevista papal, porém, por agora, centremo-nos apenas num deles.

 

Um tigre, dois tigres, três tigres

Se é difícil de dizer em relação aos felinos, mais difícil se torna com os Papas…

Quantos são afinal, hoje, os Papas da Igreja Católica?

Há quem diga dois, há quem diga um e ainda há aqueles que dizem nenhum.

Bento XVI resignou no dia 11 de fevereiro de 2013. Nesse mesmo dia, caiu um poderoso raio sobre a cúpula da Basílica de São Pedro, um sinal no céu. Para uns, a alegria de Deus pelo gesto humilde do 265º Vigário de Cristo na Terra, para outros, o sinal da Ira Divina pela situação que a humanidade acabara de provocar e, ainda para outros, pura meteorologia.

No dia 13 de março de 2013, é eleito o atual pontífice romano, Francisco I, que, desde cedo, se viria a revelar, para a maior parte da humanidade (e não apenas os católicos), como o “Santo Padre” esperado e ansiado durante tanto tempo. Não obstante, eleito o novo Bispo de Roma, o anterior continua vivo, não abandonou a Santa Sé, não abdicou do título petrino e não guardou a indumentária papal. Bento XVI continua à frente da Igreja, orando e sofrendo, ainda que, por vezes, o barulho do circo nos faça esquecer a realidade. Esta situação criou um paradoxo histórico, e também canónico, inédito em dois milénios de cristianismo, que consiste na coexistência de dois Papas em simultâneo. O paradoxo é tanto maior quanto verificamos que os seus perfis, práticas e ensinamentos são radicalmente diferentes.

O Arcebispo Dom Georg Ganswein, Prefeito da Casa Pontifícia, é quem melhor entende como funciona este novo figurino do Papado Romano, uma vez que trabalha simultaneamente com os dois Papas e, como tal, deve entender, melhor do que ninguém, como é que tudo isto funciona. Há poucos dias, saiu-se com estas polémicas afirmações durante um discurso proferido na Pontifícia Universidade Gregoriana:

“Desde a eleição de seu sucessor, Papa Francisco – no dia 13 de março de 2013 -, não há, portanto, dois Papas, mas na verdade um ministério expandido com um membro ativo e um outro contemplativo. Por este motivo, Bento não renunciou nem ao seu nome e nem à sua batina branca. Por isso, o título próprio pelo qual devemos nos dirigir a ele ainda é “santidade”. Além disso, ele não se retirou para um mosteiro isolado, mas continua dentro do Vaticano, como se tivesse apenas se afastado de lado para dar espaço para seu sucessor e para uma nova etapa na história do Papado que ele, com esse passo, enriqueceu com a centralidade da oração e da compaixão feitas nos jardins do Vaticano.”

(Cardeal Georg Ganswein, 20/05/2016)

Perante uma tentativa do arcebispo de explicar um incoerente conceito de bicefalia papal, Francisco contesta categoricamente essa ideia descabida, durante a sua última entrevista aeronáutica, referindo-se a si próprio, deste modo:

“Existe apenas um Papa!”

(Papa Francisco, 26/06/2016)

O Papa Francisco explicou que Bento XVI não passa de um simples “Papa Emérito” que, no seu entendimento, quer dizer apenas “um avô sábio”, mas não “Papa”. Lembrou ainda que Bento XVI lhe prometeu “obediência e cumpriu”.

“Então ouvi, mas não sei se é verdade – insisto, talvez sejam boatos, mas combinam com o seu carácter – que alguns foram vê-lo e lamentar-se deste novo Papa. E ele despachou-os, com o melhor estilo bávaro, educado, mas despachou-os”.

(Papa Francisco, 26/06/2016)

Esta questão está ainda longe de ser definitivamente esclarecia e talvez só venha a resolver-se completamente após um sinal claro da Divina Providência.

Em relação a nós, os últimos elos desta hierarquia que começa lá em cima, no Céu, temos apenas de seguir humildemente a nossa viagem, mantendo-nos na faixa de rodagem mais segura, a da doutrina de sempre, e avançando com prudência porque os sinais indicam perigo na viagem que temos pela frente. Com um ou com dois Papas ao volante, o mesmo Jesus Cristo de ontem, de hoje e de sempre, continuará a ser o nosso único destino.

 

Basto 6/2016

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