Papa Francisco continua a fazer declarações falsas sobre a Amoris Laetitia

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Por En.news

O Papa Francisco espalhou a falsidade de que a Amoris Laetitia, que aceita o divórcio e o recasamento, está “em continuidade (sem rupturas)” com o magistério católico.

Essa falsa afirmação está contida numa carta que escreveu no dia 1 de agosto de 2017 ao teólogo britânico Stephen Walford, agora publicada como prefácio do seu novo livro sobre Amoris Laetitia.

Francisco alega que “toda a Igreja” esteve envolvida na Amoris Laetitia. Mas a verdade foi o contrário. As partes heréticas do documento não obtiveram uma  maioria qualificada no Sínodo da Família, nem em 2014, nem em 2015, e encontraram uma forte oposição no clero e nos leigos católicos.

Alegando que a Amoris Laetitia “segue a clássica doutrina de São Tomás de Aquino”, Francisco repete uma declaração errada que já tinha feito em setembro de 2017.

Conceituados académicos provaram já que a Amoris Laetitia faz citações erradas e abusivas de São Tomás de Aquino.

Um exemplo é o número 301, onde Francisco insinua que São Tomás apoia a ideia de que as pessoas pudessem tornar-se santos ainda que continuando a agir de forma contrária a algumas virtudes.

São Tomás porém refere-se a pessoas que se arrependem dos pecados do passado e seguem no cumprimento da lei moral ainda que com alguma dificuldade.

A edição original deste texto foi publicada em Gloria.tv News a 21 de agosto de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2018

A “Amoris Laetitia” é pregada em Fátima

D. José Ornelas, bispo de Setúbal, pregou a “Alegria do Amor” a escassos metros do preciso lugar onde Nossa Senhora, há 99 anos, mostrou o inferno às crianças, pediu a reparação dos pecados e ofereceu a proteção do seu Coração Imaculado. Durante as homilias das Eucaristias a que presidiu em Fátima, por ocasião da Peregrinação Aniversária de 12 e 13 de setembro, o bispo de Setúbal apresentou Nossa Senhora como a “mulher da novidade, da mudança”.

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D. José Ornelas no Santuário de Fátima (13 de setembro de 2016)

Fátima, 12 de setembro de 2016:

[…]

Maria é a mulher que se deixa constantemente surpreender, guiar e proteger por Deus. É a mulher da novidade, da mudança, que, apesar de todas as dificuldades, mantém acesa a confiança e a esperança. Ela é a mãe e modelo precisamente para a nossa Igreja. Uma igreja que não fica agarrada ao passado. Uma Igreja que recebe com gratidão a herança da fé dos antepassados, mas que acolhe com alegria a novidade constante que o Evangelho propõe para cada época da humanidade. Uma Igreja “em saída”, como Diz o Papa Francisco, da comodidade do “sempre foi assim”, para fazer-se ao caminho da busca sincera da vontade de Deus, perante os novos desafios do mundo.

Este é o terceiro apelo que hoje Maria, Mãe da Igreja, nos sugere: Não tenham medo do mundo que muda tão radical e rapidamente. Deus e o seu Espírito estão constantemente a recriar a sua Igreja para que ela seja, não apenas capaz de acompanhar, mas de ser promotora de novidade e de vida em cada época da  história. Não vivam apenas com saudades do passado, como se Deus fosse uma peça dos vossos museus.

[…]

Fátima, 13 de setembro de 2016:

[…]

Maria convida-nos a olhar para as pessoas e para os casais nestas situações dramáticas de ruptura, de violência ou de manipulação, não em postura de julgamento, para condenar e estigmatizar, mas em atitude solidária e fraterna para compreender, colocar-se ao lado e ajudar a encontrar caminhos novos de vida, de misericórdia e renovação, para o casal, com especial atenção e carinho, para com os filhos.

Este é o caminho que a Igreja está a percorrer e que, nestes últimos anos, o papa Francisco nos vem recomendando, no seguimento da reflexão do último sínodo. Ele afirma muito claramente, a propósito destas pessoas que por via de tais dramas, chegam mesmo à decisão da separação e do divórcio: “é importante fazer-lhes sentir que fazem parte da Igreja, que «não estão excomungadas» nem são tratadas como tais, porque continuam a integrar a comunhão eclesial. Estas situações exigem atento discernimento e acompanhamento com grande respeito, evitando qualquer linguagem e atitude que as faça sentir discriminadas e promovendo a sua participação na vida da comunidade” (A alegria do amor, 243).
[…]
Mas para quem considera esta homilia tão ambígua e confusa quanto as do Santo Padre na abordagem destas novas questões da “misericórdia”, se calhar é melhor ler o que dizia D. Ornelas, há dois anos atrás, quando o processo sinodal ainda estava no seu início.
[O acesso dos divorciados ‘recasados’ à Sagrada Comunhão é uma] “realidade muito possível e desejável”.
[…]
O problema é realmente um acompanhamento destas pessoas e a inserção na comunhão e na vida da comunidade eclesial e, para isso, também a participação na Eucaristia, que faz parte desse caminho.
[…]
Tem de haver um caminho a fazer na comunidade onde a comunhão também pode e deve ser inserida neste contexto.
[…]
Poderemos nós ir contra as palavras do próprio Cristo a respeito da indissolubilidade do matrimónio? Poderá algum bispo, ou mesmo papa, abolir a gravidade do pecado do adultério? Não! Logo, quem se encontra nessa condição objetiva de pecado deve abster-se de comungar, sob pena de poder condenar eternamente a sua alma. E já que falávamos de Fátima, convém sempre relembrar a verdadeira mensagem.
 
Os pecados que levam mais almas para o inferno, são os pecados da carne.
 
Hão-de vir umas modas que hão-de ofender muito a Nosso Senhor.
As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo.
 
Os pecados do mundo são muito grandes. Se os Homens soubessem o que é a eternidade, faziam tudo para mudar de vida. Os Homens perdem-se, porque não pensam na morte de Nosso Senhor e não fazem penitência.
 
Muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus.
 
 
(Jacinta à Madre Godinho, durante a fase terminal da sua vida, no Orfanato de Nª Sª dos Milagres, em Lisboa; in Era Uma Senhora Mais Brilhante Que O Sol, de Pe. João M. de Marchi)

Há 99 anos, Nossa Senhora reafirmou em Fátima o mesmo modo de viver a Fé de sempre, não trouxe “novidade” alguma nesse campo. As únicas “mudanças” anunciadas foram os castigos que a Igreja iria sofrer no tempo em que aderir às “novidades”.

Basto 10/2016

Sagrada Comunhão para pessoas em situação de adultério público e permanente

Bispo de Leiria-Fátima reconhece a necessidade de “conversão”…

Um texto publicado no sítio da Diocese de Leiria-Fátima resume a intervenção de D. António Marto na abertura do novo ano da escola diocesana Razões da Esperança, na passada terça-feira, 27 de setembro. De acordo com o texto, o bispo de Leiria-Fátima reconheceu a necessidade de conversão…

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

(Oração do Anjo de Portugal, o Anjo da Eucaristia, exatamente há 100 anos)

A mensagem de Fátima é um sério e urgente apelo de Nossa Senhora à conversão, mas conversão de quem? Quem são os pecadores?

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[…]  O que o Papa Francisco deseja, no entender do bispo de Leiria-Fátima, é que, perante a realidade atual de crise do matrimónio e da família, a Igreja não fique na lamentação mas aceite o desafio de anunciar com criatividade pastoral  a boa nova do amor e da família. “O matrimónio é uma vocação divina e não um mero arranjo de vida”, lembrou.

[…] Sobre os casais em união de facto ou casamento civil, indicou que devem ser acolhidos e acompanhados no seu caminho.

Por fim, focou a situação dos divorciados em nova união, que não estão excomungados da Igreja. O Papa Francisco propõe um caminho dinâmico feito de atenção, misericórdia, diálogo e discernimento, em ordem à sua integração nas comunidades cristãs. Referiu que o método proposto na exortação pontifícia requer uma conversão dos pastores e das comunidades para admitirem a diversidade de situações. Já no diálogo, D. António admitiu que o discernimento dos casos particulares venha a ser confiado a alguns sacerdotes bem preparados para essa missão.

(in Diocese de Leiria-Fátima, 28/09/2016)

Esta posição de D. António Marto não é propriamente uma novidade, vai ao encontro de outras notícias da primavera deste ano de 2016 e também do verão do ano passado.

“O Papa Francisco, de modo genial, introduziu uma mudança da disciplina sem pôr em causa a doutrina sobre o matrimónio e a família.”

(D. António Marto ao jornal Presente Leiria-Fátima in Ecclesia, 12/04/2016)

Se algum dia aparecesse um “génio” na Região Demarcada do Douro, a mais antiga do mundo, com um novo método de fabrico do genuíno Vinho do Porto que dispensasse o árduo cultivo das vinhas, a população desconfiaria, ainda que essa pessoa fosse a própria Dona Antónia. Do mesmo modo, uma nova misericórdia barata e fácil, que “santifica” a longevidade e a estabilidade de uma relação adúltera, e também a fidelidade ao adultério, é algo muito novo e exótico dentro da Igreja Católica. Dá para desconfiar, ainda que quem a promova seja o próprio Papa.

Analisando bem a questão, tal exotismo pastoral é mesmo um grande sacrilégio. Portanto, senhores bispos e padres de Portugal, tenham muito cuidado em relação a esta questão, porque permitir a comunhão a pessoas aprisionadas pelo pecado do adultério pode representar um passaporte para a perdição definitiva dessas almas. Ninguém gostaria de apresentar-se perante Deus com essa responsabilidade.

 “Muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus.”

(Jacinta à Madre Godinho, durante a fase terminal da sua vida, no Orfanato de Nª Sª dos Milagres, em Lisboa)

Será por isso que o Santo Padre decidiu vir a Fátima?

O Papa Francisco decidiu finalmente confirmar a viagem a Portugal, mas, para já, só a Fátima, depois logo se vê. Estará ele à espera de ver mais bispos portugueses a aceitar publicamente a sua “misericórdia”? Se esse for o sinal de que precisa, então é melhor não visitar outras dioceses portuguesas.

Quando chegar a Portugal, que toda a Igreja Católica Portuguesa lhe dê um sinal claro e inequívoco de que “em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé” para que, a partir daqui, Fátima sirva de Farol para a salvação do mundo.

 

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Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal!

Basto 10/2016

A alegria do amor na Irlanda

A manchete da última edição do semanário católico irlandês The Irish Catholic foi assim:

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Manchete do dia 15 de setembro de 2016

Divorciados/recasados católicos podem agora receber a comunhão

Papa dá luz verde em determinadas circunstâncias

(The Irish Catholic, 15/09/2016)

A edição digital foi semelhante:

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irishcatholic.ie

A opção editorial do jornal irlandês é uma consequência direta do escândalo papal da semana passada, que entretanto foi ratificado pelo Vaticano e publicado em várias línguas através dos órgãos de comunicação social oficiais.

É natural que mais casos como este surjam nos próximos dias… Mas não é isso mesmo que se pretende? Não há indignações, não há desmentidos, não há correções e, acima de tudo, não há temor a Deus.

Basto 9/2016

Caso “Sabetta” revisitado

Neste período pós-escândalo da troca de correspondência entre o Papa Francisco e os bispos argentinos, outras situações anteriores do dossiê ‘papa-francisco-comunhões-sacrílegas’ merecem ser revisitadas e interpretadas à luz das novas revelações atuais.

Em 2014, Julio Sabetta, o treinador de futebol do Colón de San Lorenzo, na Argentina, divorciado, afirmou aos jornalistas que recebera uma chamada telefónica do Papa Francisco.

O telefonema papal seria uma resposta à carta enviada por Jaqueline Lisboa ao Santo Padre, a mulher com quem Sabetta partilhava uma relação adúltera e duas filhas. De acordo com várias versões da notícia, Jaqueline ter-se-ia queixado ao Papa da sua frustração por não ser autorizada pela Igreja a comungar, em virtude da situação irregular em que se encontrava. A resposta chegaria alguns meses depois, por telefone, pela voz do próprio Santo Padre, informando-a de que “podia comungar tranquilamente”.

O caso ganhou uma dimensão mediática de escala mundial, tendo levado o gabinete de imprensa da Santa Sé a emitir um desmentido que, não desmentindo o telefonema do Santo Padre, se limitou simplesmente a reafirmar a doutrina da Igreja, escusando-se a justificar o alegado teor do telefonema.

Estaria Julio Sabetta a contar a verdade sobre o conteúdo daquela conversa telefónica? Quem pode negá-lo?

Apesar dos constantes esforços do Pe. Lombardi em desmentir esta e outras situações, o Santo Padre insiste numa linha “pastoral” que diverge claramente dos seus desmentidos. Terá sido por isso que acabou sendo substituído no Gabinete de Imprensa da Santa Sé? Não sabemos.

Por exemplo, quando um jornalista questionou o Santo Padre, na sua viagem de regresso de Lesbos, se “existem ou não novas possibilidades concretas para os divorciados ‘recasados’ acederem aos sacramentos, subentendendo-se “Sagrada Comunhão”, Francisco respondeu de forma categórica assim (minuto 1′:42″):

 “Posso dizer que sim, ponto final.”

(Papa Francisco, in Agência Ecclesia, 16/04/2016)

Uma resposta semelhante àquela que enviou por escrito aos bispos argentinos:

“Não há outras interpretações.”

(in Carta do Papa Francisco aos bispos de Buenos Aires, 05/09/2016)

Ambas as repostas estão em linha com a herética “teologia serena” kasperiana, abertamente apoiada e promovida por Francisco, apesar de ser completamente contrária ao Evangelho e ao estabelecido no Catecismo da Igreja Católica.

Entre outras citações bíblicas:

«Ora, é mais fácil que o céu e a terra passem do que cair um só acento da Lei. Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.» (Lc 16, 17-18)

31«Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. 32Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher – exceto em caso de união ilegal – expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.» (Mt 5, 31-32)

Não venham com as tretas exóticas de diferenciar a “pastoral” da “doutrina” porque estas são indissociáveis, uma deriva diretamente da outra. Tentar anular a “doutrina” com uma suposta “nova pastoral” pseudomisericordiosa, para além de colocar em sério risco muitas almas que necessitam do auxílio da Igreja, constitui um grave pecado contra o Espírito Santo. E sabemos que este é o único pecado para o qual não haverá perdão.

A Santa Igreja de Cristo está a ser cobardemente minada na Sagrada Eucaristia e na Verdade sobre o matrimónio e a família. Isto são estruturas fundamentais que garantiram a solidez da nossa Igreja durante 20 séculos, não podemos simplesmente assistir a este triste espetáculo até ao seu colapso total. Não temos esse direito!

Se cair, cairá sobre nós!

Basto 9/2016

Os documentos são autênticos!

Os escandalosos documentos publicados nos últimos dias, relativos à correspondência entre os bispos argentinos e o Papa Francisco, são autênticos e ganharam agora uma dimensão global, uma vez que foram ontem divulgados, em várias línguas, pelos órgãos de comunicação social oficiais do Vaticano.

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Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

 

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Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

Portanto, não vale a pena perder mais tempo e paciência na elaboração de outras interpretações do polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia. Sagrada Comunhão para adúlteros não arrependidos? Sim, o Papa recomenda!

Na Rádio Vaticano:

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Cidade do Vaticano (RV) – É a caridade pastoral que impele a “sair para encontrar os afastados e, uma vez encontrados, a iniciar um caminho de acolhida, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade eclesial”. Esta é a premissa básica em torno da qual gira o conteúdo  da carta enviada pelo Papa Francisco aos bispos da região pastoral de Buenos Aires, em resposta ao documento “Critérios fundamentais para a aplicação do Capítulo VIII da Amoris laetitia”, reporta o L’Osservatore Romano.

Exprimindo seu apreço pelo texto elaborado pelos prelados, o Pontífice sublinhou na mensagem enviada a Dom Sergio Alfredo Fenoy,  como este manifesta na sua plenitude o sentido do Capítulo VIII da Exortação Apostólica – o que trata de “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade” – esclarecendo que “não existem outras interpretações”. O documento dos bispos – assegurou o Pontífice – “fará muito bem”, sobretudo para aquela “caridade pastoral” que o permeia inteiramente.

(in Rádio Vaticano, 13/09/2016)

No L’Osservatore Romano e na Rede Oficial do Vaticano:

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Neste momento, desapareceu aquela voluntariosa margem de dúvidas hermenêuticas da Amoris Laetitia. Apesar de toda a sua ambiguidade literária, a exortação apostólica propõe de facto que as pessoas em situação de adultério público e permanente tenham acesso à Sagrada Comunhão. Isto representa uma rutura estrondosa e sem precedentes no edifício doutrinal da Igreja Católica cujas consequências serão agora inimagináveis.

A comunhão de adúlteros, ou seja divorciados “recasados”, é, desde o início do seu pontificado, a grande causa do Papa Francisco, que a defendeu de uma forma acanhada e dissimulada mas persistente. Aliás, assumiu-a publicamente na sua primeiríssima oração do Angelus, em Roma. Na prossecução desta sua grande causa, colocou clérigos heréticos em lugares de destaque, afastou outros que defendiam a Verdade Cristã e convocou um controverso sínodo. Não conseguindo obter o apoio dos padres sinodais, elaborou uma exortação apostólica longa e confusa, cuja interpretação, sabemos agora, é oposta à maioria das opiniões dos padres sinodais e contrária à Verdade Cristã.

Perante a falta de coragem para assumir de forma clara este ataque direto e incisivo do Santo Padre a um dos principais pilares da Santa Igreja Católica, nomeadamente, a Verdade cristã sobre a família e o matrimónio, o Vaticano escolheu este estratagema subtil e diabólico para, no 99º aniversário da 5ª aparição de Fátima, promover um sacrilégio à escala global.

Depois disto e de todos os outros escândalos recentes que atingiram a Igreja Católica, dá vontade de perguntar se, a poucos meses da celebração do centenário das aparições de Fátima, alguém ainda tem dúvidas sobre qual seria o núcleo central do Segredo de Fátima?

O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

(Palavras de Nossa Senhora a Lúcia dos Santos, vidente de Fátima)

Talvez Roma não seja o lugar mais indicado para procurar abrigo espiritual durante a presente tempestade… Apertemos o cinto de segurança porque nos aproximamos rapidamente do centro do ‘furacão’ anunciado em 1917.

Atenção irmãos, eles até podem abrir as portas do Inferno, se Deus o permitir, mas não obrigam ninguém a entrar.

Basto 9/2016

Francisco: “Não há outras interpretações.”

Mas o que diz afinal a exortação apostólica Amoris Laetitia?

A questão da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão é um dos principais temas que caracterizam o pontificado de Francisco. Foi ele quem o colocou em lugar de destaque na agenda da Igreja, no entanto, se alguém o questiona diretamente sobre o assunto, ele evita responder de forma clara e objetiva.

Sagrada Comunhão a adúlteros, sim ou não Santo Padre?

Não dá para entender. Conhecemos a posição clara e categórica de Cristo e da sua Igreja face a este tema, mas não podemos dizer o mesmo em relação ao Papa, o que não deixa de ser completamente absurdo!

Na atual situação de limbo hermenêutico criada pelo Papa Francisco, alguns continuam a esforçar-se por tentar interpretar a exortação apostólica Amoris Laetitia à luz do tradicional magistério da Igreja – por vezes parecendo até que contradizem o próprio Papa – enquanto outros, apoiados numa interpretação completamente avessa à doutrina cristã, precipitam-se numa “pastoral” verdadeiramente diabólica.

Para não incorrem no risco de uma má interpretação, os bispos da Região Pastoral de Buenos Aires, que se preparavam para dar instruções aos seus sacerdotes no sentido de admitirem pessoas em situação de adultério à Sagrada Comunhão, pediram o parecer ao Santo Padre. Estaria eles a interpretar corretamente o polémico capítulo oitavo?

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Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 1

 

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Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 2

Resposta papal: “Não há outras interpretações.”

Bem, afinal parece que sim, os bispos interpretaram corretamente as intenções da exortação papal. Os adúlteros deverão mesmo ser admitidos à Sagrada Comunhão sem terem necessidade de corrigir a situação de pecado grave em que se encontram. Bastará que se sujeitem a um processo de “acompanhamento” e “discernimento”, no final do qual permanecerão na mesma situação de adultério inicial…

Qualquer outra interpretação da exortação apostólica que não preveja essa hipótese sacrílega está portanto, à partida, excluída, de acordo com o próprio Santo Padre.

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Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 1

 

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Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 2

A documentação acima evidenciada, aparentemente oficial, foi originalmente publicada pela Infocatólica e entretanto retirada, apresentando-se assinada e datada. A confirmar-se a autenticidade dos documentos, configura-se um facto grave de mais para ser ignorado pela Igreja. Um acontecimento inédito na história do Papado e da Igreja cujos contornos são de natureza apocalítica.

O Papa Francisco deve esclarecer imediatamente, de forma clara e objetiva, o caso do alegado aval concedido aos bispos argentinos, do mesmo modo, deve esclarecer, de uma vez por todas, o que pretende de facto com a Amoris Laetitia. Neste caso não basta um daqueles risíveis desmentidos lombardianos. A própria Congregação para a Doutrina da Fé tem de tomar uma atitude firme na resolução desta ambivalência doutrinal que está a dilacerar a Igreja.

O adultério é um pecado grave que leva à condenação eterna. Ninguém deve receber a Sagrada Comunhão em situação de pecado mortal, sob pena de estar a receber a sua própria condenação. Não será essa nova “pastoral” um passaporte para o Inferno?

Basto 9/2016

Apelos e petições ao Papa

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Apresentação Oficial da Amoris Laetitia – Radio Vaticano

Um grupo de 45 personalidades católicas, constituído maioritariamente por clérigos e académicos, enviaram uma petição ao Colégio Cardinalício para pedir ao Papa que “repudie” aquilo que entendem ser “proposições erradas” contidas na exortação apostólica Amoris Laetitia, que “podem ser entendidas como contrárias à Fé e à moral católicas”. De acordo com o jornal norte-americano National Catholic Register, esta petição foi redigida num documento de 13 páginas, traduzido em seis línguas, endereçado ao Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio dos Cardeais, e também a 218 outros cardeais e patriarcas.

Para os signatários desta petição, vários elementos contidos na exortação apostólica publicada em abril encontram-se em “conflito com a doutrina católica”.

Não estamos a acusar o Papa de heresia, mas consideramos que muitas frases contidas na Amoris Laetitia podem ser interpretadas como heréticas, seguindo uma leitura natural do texto.

(Joseph Shaw, porta-voz dos signatários da petição)

À exceção de Joseph Shaw, os signatários desta petição preferiram optar pelo anonimato, com medo de represálias. É caso para perguntar: “Quem são eles para julgá-los?”. Mas, na verdade, estes receios são cada vez mais naturais e fundamentados, uma vez que a nova “misericórdia” tende a fluir sempre para o mesmo lado, gerando grupos de excluídos que, por aqui e por ali, vão sendo acusados de coisas feias.

No mesmo sentido da petição supracitada, o portal de defesa da vida Lifesitenews reuniu 16 personalidades internacionais, defensores da vida e da família, para dar voz a um “Apelo ao Papa”. Imbuídos num “espírito de amor, humildade e Fé” suplicam ao Papa para que afirme a Verdade da Fé Católica sem ambiguidades e, dessa forma, restaure a clareza e acabe com a confusão produzida pela exortação apostólica Amoris Laetitia. Por outras palavras, apelam ao Papa para “ser o Santo Padre que os católicos necessitam”.

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Apelo ao Papa – lifesitenews.com

Esta iniciativa, concretizada em vídeo, é encabeçada por Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Diocese de Maria Santíssima no Cazaquistão.

A única coisa que surpreende nestas iniciativas é o facto de serem ainda tão poucas.

 

Pós-texto:

O grupo de personalidades anónimas referido no início do texto revelou, entretanto, as suas identidades.

 

Basto 7/2016

Faz lembrar o “Tucho”

O “autor fantasma” da Amoris Laetitia

O vaticanista italiano Sandro Magister, no seu último trabalho de investigação jornalística publicado no Chiesa Espresso Repubblica (pode ser lido em português no blogue Fratres In Unum), concluiu que a exortação apostólica Amoris Laetitia se inspirou nas visões controversas do arcebispo Víctor Manuel Fernández, em particular nos parágrafos-chave “mais deliberadamente ambíguos” que se prestaram a interpretações e aplicações práticas muito divergentes.

São os parágrafos do oitavo capítulo que de facto dão sinal verde à comunhão para divorciados recasados.

Que é isso que o Papa Francisco queria, agora ficou claro para todos. E além disso, era o que ele já fazia quando era arcebispo em Buenos Aires.

Mas agora descobre-se que algumas formulações-chave da “Amoris laetitia” têm uma pré-história argentina, modeladas a partir de artigos de 2005 e 2006 escritos por Víctor Manuel Fernández, desde então e ainda hoje, o pensador de referência do Papa Francisco e escritor fantasma dos seus maiores textos.

(Sandro Magister, in Chiesa Espresso Repubblica, 25/05/2016)

Víctor Manuel Fernández, “Tucho” para os amigos, é o reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina, proposto em 2009 pelo então Cardeal Bergoglio. Mais tarde, em 2013, seria ordenado arcebispo de Tiburnia, pelo Papa Francisco. É uma figura polémica dentro da Igreja Católica devido ao exotismo teológico de algumas das suas ideias publicadas.

Entre vários artigos e livros que assinou, a sua obra mais famosa é provavelmente um livro cujo título, traduzido, é “Cura-me com a tua boca: a arte de beijar”.

el arte de besar
Editora Lumen

Influência ou mera coincidência, este arcebispo argentino, especialista em artes osculatórias, é um dos homens mais próximos do Papa Francisco dentro do clero argentino. Foi por isso que ele desempenhou funções de destaque no Sínodo da Família, depois de ter sido indigitado pelo Santo Padre para membro da equipa responsável pela elaboração da Relação Final.

Convém acrescentar que, se tudo isto já estava planeado antes da convocação do Sínodo da Família, todo o processo sinodal foi uma grande perda de tempo. Todo o dinheiro gasto na logística do processo sinodal, desde a mais pequena paróquia até à Santa Sé, poderia ter sido distribuído pelos pobres. Para não falar também no que ganharia a natureza, a nossa “casa comum”, com a poupança de papel e energia.

Basto 5/2016

D. Athanasius Schneider pede clarificação ao Papa Francisco

D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão, publicou no passado dia 26 de abril, via Rorate Caeli, uma carta aberta onde reclama a necessidade de clarificação do Santo Padre relativamente às ambiguidades que suscitam o texto da Amoris Laetitia. O que o levou a tomar esta atitude foi o facto de a exortação apostólica ter produzido um paradoxo de várias interpretações contraditórias, mesmo entre os bispos, principalmente no que concerne à questão do acesso à comunhão eucarística daqueles que vivem em situação de adultério.

Athanasius Shneider

A recentemente publicada Exortação Apostólica Amoris lætitia (AL), que contém a pletora de riquezas espirituais e pastorais que dizem respeito à vida no Matrimónio e na família Cristã em nossos tempos, infelizmente, num curto período de tempo, levou a interpretações muito contraditórias mesmo entre o episcopado.

(In Rorate Caeli, 26/04/2016)

Estas interpretações estão já, na prática, a produzir um sacrilégio de escala difícil de quantificar, com a responsabilidade direta dos pastores da Igreja Católica.

A confusão na disciplina sacramental em relação aos divorciados e recasados, com suas implicações doutrinárias inevitáveis, estaria em contradição com a natureza da Igreja Católica, tal como foi descrito por Santo Irineu no século II: “A Igreja, tendo recebido este ensinamento e esta Fé, embora espalhados por todo o mundo, mantém-os com cuidado, como que habitasse numa única casa, e [neles] crê igualmente, como se tivesse uma só alma e um só coração, e anuncia-os, ensina-os e transmite-os, com voz unânime, como se tivesse apenas uma boca” (Adversus hæreses, I, 10, 2).

A Sé de Pedro, isto é, o Soberano Pontífice, é a sustentadora da unidade da Fé e da disciplina sacramental apostólica. Avaliando a confusão acerca da prática sacramental em relação aos divorciados e recasados e as variadas e divergentes interpretações da AL entre sacerdotes e Bispos, pode-se considerar justificado o pedido de explicação ao nosso amado Papa Francisco, o Vigário de Cristo, o “doce Cristo na Terra” (Santa Catarina de Sena), para ordenar a publicação de uma interpretação autêntica da AL, que deve conter, necessariamente, a declaração explícita do princípio disciplinar do Magistério universal e infalível relativo à admissão de casais divorciados e recasados aos Sacramentos, de acordo com a formulação na Familiaris Consortio 84.

Na grande confusão ariana do século IV, São Basílio Magno fez um apelo urgente para o Papa de Roma, pedindo-lhe para dar de sua própria boca uma direção clara, de modo a, finalmente, garantir a unidade no pensamento da Fé e da Caridade (cf. Ep. 70).

Uma interpretação autêntica da AL pela Sé Apostólica traria para toda a Igreja a alegria da clareza (“claritatis lætitia”). Tal clareza garantirá a alegria no amor (“lætitia amoris”), um amor e uma alegria que não seria “de acordo com a mente dos homens, mas com a de Deus” (cf. Mt 16,23). E isso é o que garante a alegria, a vida e a salvação eterna dos divorciados e recasados, e de todos os homens.

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana, Cazaquistão

(In Rorate Caeli, 26/04/2016)

O texto integral da carta pode ser acedido em Português no blogue“Pela Fé Católica”.

D. Athanasius Schneider é um bispo piedoso e destemido, conhecido pela sua dedicação pastoral e fidelidade à Tradição Católica, fortemente marcado pelo flagelo comunista da União Soviética. É membro da Ordem dos Cónegos Regulares de Santa Cruz de Coimbra e um fervoroso devoto de Nossa Senhora de Fátima.

Um bispo da “periferia” da Igreja, da verdadeira Igreja.

Basto 5/2016

O Cardeal-Patriarca de Lisboa reafirma a sua interpretação da exortação apostólica

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Num momento em que grande parte da Igreja Católica viu na Amoris Laetitia uma abertura da comunhão eucarística às pessoas divorciadas ‘recasadas’, aceitando-a já com naturalidade, o líder da Igreja Portuguesa continua a interpretar exortação apostólica à luz do magistério tradicional da Igreja. O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, repetiu ontem, na homilia proferida na Festa da Vida e da Família, em Santo Antão do Tojal, aquilo que já tinha dito há um mês atrás.

Consequentemente, o Papa Francisco dá-nos indicações claras e precisas para a vida da Igreja, na sua relação com as famílias. Na esteira dos seus predecessores, insiste na integração eclesial de todos os batizados, inclusive dos divorciados recasados, dizendo em relação a estes que «a sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional podem ser superadas» (AL, 299). Ainda que não inclua nesta série de exclusões a superar as de ordem sacramental, não dispensa estes irmãos e irmãs da ascensão para Deus, com tudo o que possa e deva ser.

(D. Manuel Clemente in sítio do Patriarcado de Lisboa, 08/05/2016)

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www.patriarcado-lisboa.pt

O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa mostrou, deste modo, todo o seu apoio à catequese do Papa Francisco sobre a família, no mesmo dia em que apresentou dois livros do Santo Padre publicados em Portugal, no entanto, a sua interpretação continua bem diferente daquela que fez recentemente o Vice-presidente.

Basto 5/2016

A tática de Francisco, segundo o Arcebispo Bruno Forte

Discursando sobre a Amoris Laetitia, no dia 3 deste mês de maio, no Teatro Rossetti, em Vasto, Itália, Bruno Forte informou os presentes acerca da estratégia do Papa Francisco. De acordo com o arcebispo, o Santo Padre terá dito em privado, de forma jocosa, durante o Sínodo da Família, o seguinte:

Se falamos explicitamente da comunhão para divorciados ‘recasados’, ninguém sabe que tipo de contestação eles irão preparar. Portanto, não vamos falar disso de uma forma direta, mas antes de um modo em que expomos as premissas e então eu tiro as conclusões.

“Típico de um Jesuíta”, acrescentou Bruno Forte, elogiando a sabedoria tática do Santo Padre.

Quem seriam “eles” a quem se referia o Santo Padre? Talvez os novos fariseus, os católicos pouco misericordiosos que ainda acreditam na necessidade de conversão…

Bruno Forte é atualmente o Arcebispo de Chieti-Vasto, Itália. Um teólogo controverso. Destacou-se no Sínodo da Família por ter desempenhado o cargo de Secretário Especial do Sínodo, para o qual foi nomeado pelo Papa Francisco. Durante os trabalhos sinodais, foi visto como um dos promotores das doutrinas morais anti-católicas que se tentaram impor durante os trabalhos sinodais.

 

Basto 5/2016