Papa Francisco continua a fazer declarações falsas sobre a Amoris Laetitia

walford

Por En.news

O Papa Francisco espalhou a falsidade de que a Amoris Laetitia, que aceita o divórcio e o recasamento, está “em continuidade (sem rupturas)” com o magistério católico.

Essa falsa afirmação está contida numa carta que escreveu no dia 1 de agosto de 2017 ao teólogo britânico Stephen Walford, agora publicada como prefácio do seu novo livro sobre Amoris Laetitia.

Francisco alega que “toda a Igreja” esteve envolvida na Amoris Laetitia. Mas a verdade foi o contrário. As partes heréticas do documento não obtiveram uma  maioria qualificada no Sínodo da Família, nem em 2014, nem em 2015, e encontraram uma forte oposição no clero e nos leigos católicos.

Alegando que a Amoris Laetitia “segue a clássica doutrina de São Tomás de Aquino”, Francisco repete uma declaração errada que já tinha feito em setembro de 2017.

Conceituados académicos provaram já que a Amoris Laetitia faz citações erradas e abusivas de São Tomás de Aquino.

Um exemplo é o número 301, onde Francisco insinua que São Tomás apoia a ideia de que as pessoas pudessem tornar-se santos ainda que continuando a agir de forma contrária a algumas virtudes.

São Tomás porém refere-se a pessoas que se arrependem dos pecados do passado e seguem no cumprimento da lei moral ainda que com alguma dificuldade.

A edição original deste texto foi publicada em Gloria.tv News a 21 de agosto de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2018

A “Amoris Laetitia” é pregada em Fátima

D. José Ornelas, bispo de Setúbal, pregou a “Alegria do Amor” a escassos metros do preciso lugar onde Nossa Senhora, há 99 anos, mostrou o inferno às crianças, pediu a reparação dos pecados e ofereceu a proteção do seu Coração Imaculado. Durante as homilias das Eucaristias a que presidiu em Fátima, por ocasião da Peregrinação Aniversária de 12 e 13 de setembro, o bispo de Setúbal apresentou Nossa Senhora como a “mulher da novidade, da mudança”.

d-orenlas-em-fatima
D. José Ornelas no Santuário de Fátima (13 de setembro de 2016)

Fátima, 12 de setembro de 2016:

[…]

Maria é a mulher que se deixa constantemente surpreender, guiar e proteger por Deus. É a mulher da novidade, da mudança, que, apesar de todas as dificuldades, mantém acesa a confiança e a esperança. Ela é a mãe e modelo precisamente para a nossa Igreja. Uma igreja que não fica agarrada ao passado. Uma Igreja que recebe com gratidão a herança da fé dos antepassados, mas que acolhe com alegria a novidade constante que o Evangelho propõe para cada época da humanidade. Uma Igreja “em saída”, como Diz o Papa Francisco, da comodidade do “sempre foi assim”, para fazer-se ao caminho da busca sincera da vontade de Deus, perante os novos desafios do mundo.

Este é o terceiro apelo que hoje Maria, Mãe da Igreja, nos sugere: Não tenham medo do mundo que muda tão radical e rapidamente. Deus e o seu Espírito estão constantemente a recriar a sua Igreja para que ela seja, não apenas capaz de acompanhar, mas de ser promotora de novidade e de vida em cada época da  história. Não vivam apenas com saudades do passado, como se Deus fosse uma peça dos vossos museus.

[…]

Fátima, 13 de setembro de 2016:

[…]

Maria convida-nos a olhar para as pessoas e para os casais nestas situações dramáticas de ruptura, de violência ou de manipulação, não em postura de julgamento, para condenar e estigmatizar, mas em atitude solidária e fraterna para compreender, colocar-se ao lado e ajudar a encontrar caminhos novos de vida, de misericórdia e renovação, para o casal, com especial atenção e carinho, para com os filhos.

Este é o caminho que a Igreja está a percorrer e que, nestes últimos anos, o papa Francisco nos vem recomendando, no seguimento da reflexão do último sínodo. Ele afirma muito claramente, a propósito destas pessoas que por via de tais dramas, chegam mesmo à decisão da separação e do divórcio: “é importante fazer-lhes sentir que fazem parte da Igreja, que «não estão excomungadas» nem são tratadas como tais, porque continuam a integrar a comunhão eclesial. Estas situações exigem atento discernimento e acompanhamento com grande respeito, evitando qualquer linguagem e atitude que as faça sentir discriminadas e promovendo a sua participação na vida da comunidade” (A alegria do amor, 243).
[…]
Mas para quem considera esta homilia tão ambígua e confusa quanto as do Santo Padre na abordagem destas novas questões da “misericórdia”, se calhar é melhor ler o que dizia D. Ornelas, há dois anos atrás, quando o processo sinodal ainda estava no seu início.
[O acesso dos divorciados ‘recasados’ à Sagrada Comunhão é uma] “realidade muito possível e desejável”.
[…]
O problema é realmente um acompanhamento destas pessoas e a inserção na comunhão e na vida da comunidade eclesial e, para isso, também a participação na Eucaristia, que faz parte desse caminho.
[…]
Tem de haver um caminho a fazer na comunidade onde a comunhão também pode e deve ser inserida neste contexto.
[…]
Poderemos nós ir contra as palavras do próprio Cristo a respeito da indissolubilidade do matrimónio? Poderá algum bispo, ou mesmo papa, abolir a gravidade do pecado do adultério? Não! Logo, quem se encontra nessa condição objetiva de pecado deve abster-se de comungar, sob pena de poder condenar eternamente a sua alma. E já que falávamos de Fátima, convém sempre relembrar a verdadeira mensagem.
 
Os pecados que levam mais almas para o inferno, são os pecados da carne.
 
Hão-de vir umas modas que hão-de ofender muito a Nosso Senhor.
As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo.
 
Os pecados do mundo são muito grandes. Se os Homens soubessem o que é a eternidade, faziam tudo para mudar de vida. Os Homens perdem-se, porque não pensam na morte de Nosso Senhor e não fazem penitência.
 
Muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus.
 
 
(Jacinta à Madre Godinho, durante a fase terminal da sua vida, no Orfanato de Nª Sª dos Milagres, em Lisboa; in Era Uma Senhora Mais Brilhante Que O Sol, de Pe. João M. de Marchi)

Há 99 anos, Nossa Senhora reafirmou em Fátima o mesmo modo de viver a Fé de sempre, não trouxe “novidade” alguma nesse campo. As únicas “mudanças” anunciadas foram os castigos que a Igreja iria sofrer no tempo em que aderir às “novidades”.

Basto 10/2016

Sagrada Comunhão para pessoas em situação de adultério público e permanente

Bispo de Leiria-Fátima reconhece a necessidade de “conversão”…

Um texto publicado no sítio da Diocese de Leiria-Fátima resume a intervenção de D. António Marto na abertura do novo ano da escola diocesana Razões da Esperança, na passada terça-feira, 27 de setembro. De acordo com o texto, o bispo de Leiria-Fátima reconheceu a necessidade de conversão…

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

(Oração do Anjo de Portugal, o Anjo da Eucaristia, exatamente há 100 anos)

A mensagem de Fátima é um sério e urgente apelo de Nossa Senhora à conversão, mas conversão de quem? Quem são os pecadores?

d-antonio-marto-alegria-do-amor

[…]  O que o Papa Francisco deseja, no entender do bispo de Leiria-Fátima, é que, perante a realidade atual de crise do matrimónio e da família, a Igreja não fique na lamentação mas aceite o desafio de anunciar com criatividade pastoral  a boa nova do amor e da família. “O matrimónio é uma vocação divina e não um mero arranjo de vida”, lembrou.

[…] Sobre os casais em união de facto ou casamento civil, indicou que devem ser acolhidos e acompanhados no seu caminho.

Por fim, focou a situação dos divorciados em nova união, que não estão excomungados da Igreja. O Papa Francisco propõe um caminho dinâmico feito de atenção, misericórdia, diálogo e discernimento, em ordem à sua integração nas comunidades cristãs. Referiu que o método proposto na exortação pontifícia requer uma conversão dos pastores e das comunidades para admitirem a diversidade de situações. Já no diálogo, D. António admitiu que o discernimento dos casos particulares venha a ser confiado a alguns sacerdotes bem preparados para essa missão.

(in Diocese de Leiria-Fátima, 28/09/2016)

Esta posição de D. António Marto não é propriamente uma novidade, vai ao encontro de outras notícias da primavera deste ano de 2016 e também do verão do ano passado.

“O Papa Francisco, de modo genial, introduziu uma mudança da disciplina sem pôr em causa a doutrina sobre o matrimónio e a família.”

(D. António Marto ao jornal Presente Leiria-Fátima in Ecclesia, 12/04/2016)

Se algum dia aparecesse um “génio” na Região Demarcada do Douro, a mais antiga do mundo, com um novo método de fabrico do genuíno Vinho do Porto que dispensasse o árduo cultivo das vinhas, a população desconfiaria, ainda que essa pessoa fosse a própria Dona Antónia. Do mesmo modo, uma nova misericórdia barata e fácil, que “santifica” a longevidade e a estabilidade de uma relação adúltera, e também a fidelidade ao adultério, é algo muito novo e exótico dentro da Igreja Católica. Dá para desconfiar, ainda que quem a promova seja o próprio Papa.

Analisando bem a questão, tal exotismo pastoral é mesmo um grande sacrilégio. Portanto, senhores bispos e padres de Portugal, tenham muito cuidado em relação a esta questão, porque permitir a comunhão a pessoas aprisionadas pelo pecado do adultério pode representar um passaporte para a perdição definitiva dessas almas. Ninguém gostaria de apresentar-se perante Deus com essa responsabilidade.

 “Muitos matrimónios não são bons, não agradam a Nosso Senhor e não são de Deus.”

(Jacinta à Madre Godinho, durante a fase terminal da sua vida, no Orfanato de Nª Sª dos Milagres, em Lisboa)

Será por isso que o Santo Padre decidiu vir a Fátima?

O Papa Francisco decidiu finalmente confirmar a viagem a Portugal, mas, para já, só a Fátima, depois logo se vê. Estará ele à espera de ver mais bispos portugueses a aceitar publicamente a sua “misericórdia”? Se esse for o sinal de que precisa, então é melhor não visitar outras dioceses portuguesas.

Quando chegar a Portugal, que toda a Igreja Católica Portuguesa lhe dê um sinal claro e inequívoco de que “em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé” para que, a partir daqui, Fátima sirva de Farol para a salvação do mundo.

 

Fotof-tr

 

Nossa Senhora de Fátima salvai-nos e salvai Portugal!

Basto 10/2016

A alegria do amor na Irlanda

A manchete da última edição do semanário católico irlandês The Irish Catholic foi assim:

recasados-irlanda2
Manchete do dia 15 de setembro de 2016

Divorciados/recasados católicos podem agora receber a comunhão

Papa dá luz verde em determinadas circunstâncias

(The Irish Catholic, 15/09/2016)

A edição digital foi semelhante:

recasados-irlanda
irishcatholic.ie

A opção editorial do jornal irlandês é uma consequência direta do escândalo papal da semana passada, que entretanto foi ratificado pelo Vaticano e publicado em várias línguas através dos órgãos de comunicação social oficiais.

É natural que mais casos como este surjam nos próximos dias… Mas não é isso mesmo que se pretende? Não há indignações, não há desmentidos, não há correções e, acima de tudo, não há temor a Deus.

Basto 9/2016

Caso “Sabetta” revisitado

Neste período pós-escândalo da troca de correspondência entre o Papa Francisco e os bispos argentinos, outras situações anteriores do dossiê ‘papa-francisco-comunhões-sacrílegas’ merecem ser revisitadas e interpretadas à luz das novas revelações atuais.

Em 2014, Julio Sabetta, o treinador de futebol do Colón de San Lorenzo, na Argentina, divorciado, afirmou aos jornalistas que recebera uma chamada telefónica do Papa Francisco.

O telefonema papal seria uma resposta à carta enviada por Jaqueline Lisboa ao Santo Padre, a mulher com quem Sabetta partilhava uma relação adúltera e duas filhas. De acordo com várias versões da notícia, Jaqueline ter-se-ia queixado ao Papa da sua frustração por não ser autorizada pela Igreja a comungar, em virtude da situação irregular em que se encontrava. A resposta chegaria alguns meses depois, por telefone, pela voz do próprio Santo Padre, informando-a de que “podia comungar tranquilamente”.

O caso ganhou uma dimensão mediática de escala mundial, tendo levado o gabinete de imprensa da Santa Sé a emitir um desmentido que, não desmentindo o telefonema do Santo Padre, se limitou simplesmente a reafirmar a doutrina da Igreja, escusando-se a justificar o alegado teor do telefonema.

Estaria Julio Sabetta a contar a verdade sobre o conteúdo daquela conversa telefónica? Quem pode negá-lo?

Apesar dos constantes esforços do Pe. Lombardi em desmentir esta e outras situações, o Santo Padre insiste numa linha “pastoral” que diverge claramente dos seus desmentidos. Terá sido por isso que acabou sendo substituído no Gabinete de Imprensa da Santa Sé? Não sabemos.

Por exemplo, quando um jornalista questionou o Santo Padre, na sua viagem de regresso de Lesbos, se “existem ou não novas possibilidades concretas para os divorciados ‘recasados’ acederem aos sacramentos, subentendendo-se “Sagrada Comunhão”, Francisco respondeu de forma categórica assim (minuto 1′:42″):

 “Posso dizer que sim, ponto final.”

(Papa Francisco, in Agência Ecclesia, 16/04/2016)

Uma resposta semelhante àquela que enviou por escrito aos bispos argentinos:

“Não há outras interpretações.”

(in Carta do Papa Francisco aos bispos de Buenos Aires, 05/09/2016)

Ambas as repostas estão em linha com a herética “teologia serena” kasperiana, abertamente apoiada e promovida por Francisco, apesar de ser completamente contrária ao Evangelho e ao estabelecido no Catecismo da Igreja Católica.

Entre outras citações bíblicas:

«Ora, é mais fácil que o céu e a terra passem do que cair um só acento da Lei. Todo aquele que se divorcia da sua mulher e casa com outra comete adultério; e quem casa com uma mulher divorciada comete adultério.» (Lc 16, 17-18)

31«Também foi dito: Aquele que se divorciar da sua mulher, dê-lhe documento de divórcio. 32Eu, porém, digo-vos: Aquele que se divorciar da sua mulher – exceto em caso de união ilegal – expõe-na a adultério, e quem casar com a divorciada comete adultério.» (Mt 5, 31-32)

Não venham com as tretas exóticas de diferenciar a “pastoral” da “doutrina” porque estas são indissociáveis, uma deriva diretamente da outra. Tentar anular a “doutrina” com uma suposta “nova pastoral” pseudomisericordiosa, para além de colocar em sério risco muitas almas que necessitam do auxílio da Igreja, constitui um grave pecado contra o Espírito Santo. E sabemos que este é o único pecado para o qual não haverá perdão.

A Santa Igreja de Cristo está a ser cobardemente minada na Sagrada Eucaristia e na Verdade sobre o matrimónio e a família. Isto são estruturas fundamentais que garantiram a solidez da nossa Igreja durante 20 séculos, não podemos simplesmente assistir a este triste espetáculo até ao seu colapso total. Não temos esse direito!

Se cair, cairá sobre nós!

Basto 9/2016

Os documentos são autênticos!

Os escandalosos documentos publicados nos últimos dias, relativos à correspondência entre os bispos argentinos e o Papa Francisco, são autênticos e ganharam agora uma dimensão global, uma vez que foram ontem divulgados, em várias línguas, pelos órgãos de comunicação social oficiais do Vaticano.

criterios-interpretacoes
Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

 

interpretações
Correspondência trocada entre os bispos de Buenos Aires e o Papa Francisco

Portanto, não vale a pena perder mais tempo e paciência na elaboração de outras interpretações do polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia. Sagrada Comunhão para adúlteros não arrependidos? Sim, o Papa recomenda!

Na Rádio Vaticano:

radio-vaticano-carta

Cidade do Vaticano (RV) – É a caridade pastoral que impele a “sair para encontrar os afastados e, uma vez encontrados, a iniciar um caminho de acolhida, acompanhamento, discernimento e integração na comunidade eclesial”. Esta é a premissa básica em torno da qual gira o conteúdo  da carta enviada pelo Papa Francisco aos bispos da região pastoral de Buenos Aires, em resposta ao documento “Critérios fundamentais para a aplicação do Capítulo VIII da Amoris laetitia”, reporta o L’Osservatore Romano.

Exprimindo seu apreço pelo texto elaborado pelos prelados, o Pontífice sublinhou na mensagem enviada a Dom Sergio Alfredo Fenoy,  como este manifesta na sua plenitude o sentido do Capítulo VIII da Exortação Apostólica – o que trata de “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade” – esclarecendo que “não existem outras interpretações”. O documento dos bispos – assegurou o Pontífice – “fará muito bem”, sobretudo para aquela “caridade pastoral” que o permeia inteiramente.

(in Rádio Vaticano, 13/09/2016)

No L’Osservatore Romano e na Rede Oficial do Vaticano:

osservatore2

osservatore

Neste momento, desapareceu aquela voluntariosa margem de dúvidas hermenêuticas da Amoris Laetitia. Apesar de toda a sua ambiguidade literária, a exortação apostólica propõe de facto que as pessoas em situação de adultério público e permanente tenham acesso à Sagrada Comunhão. Isto representa uma rutura estrondosa e sem precedentes no edifício doutrinal da Igreja Católica cujas consequências serão agora inimagináveis.

A comunhão de adúlteros, ou seja divorciados “recasados”, é, desde o início do seu pontificado, a grande causa do Papa Francisco, que a defendeu de uma forma acanhada e dissimulada mas persistente. Aliás, assumiu-a publicamente na sua primeiríssima oração do Angelus, em Roma. Na prossecução desta sua grande causa, colocou clérigos heréticos em lugares de destaque, afastou outros que defendiam a Verdade Cristã e convocou um controverso sínodo. Não conseguindo obter o apoio dos padres sinodais, elaborou uma exortação apostólica longa e confusa, cuja interpretação, sabemos agora, é oposta à maioria das opiniões dos padres sinodais e contrária à Verdade Cristã.

Perante a falta de coragem para assumir de forma clara este ataque direto e incisivo do Santo Padre a um dos principais pilares da Santa Igreja Católica, nomeadamente, a Verdade cristã sobre a família e o matrimónio, o Vaticano escolheu este estratagema subtil e diabólico para, no 99º aniversário da 5ª aparição de Fátima, promover um sacrilégio à escala global.

Depois disto e de todos os outros escândalos recentes que atingiram a Igreja Católica, dá vontade de perguntar se, a poucos meses da celebração do centenário das aparições de Fátima, alguém ainda tem dúvidas sobre qual seria o núcleo central do Segredo de Fátima?

O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

(Palavras de Nossa Senhora a Lúcia dos Santos, vidente de Fátima)

Talvez Roma não seja o lugar mais indicado para procurar abrigo espiritual durante a presente tempestade… Apertemos o cinto de segurança porque nos aproximamos rapidamente do centro do ‘furacão’ anunciado em 1917.

Atenção irmãos, eles até podem abrir as portas do Inferno, se Deus o permitir, mas não obrigam ninguém a entrar.

Basto 9/2016

Francisco: “Não há outras interpretações.”

Mas o que diz afinal a exortação apostólica Amoris Laetitia?

A questão da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão é um dos principais temas que caracterizam o pontificado de Francisco. Foi ele quem o colocou em lugar de destaque na agenda da Igreja, no entanto, se alguém o questiona diretamente sobre o assunto, ele evita responder de forma clara e objetiva.

Sagrada Comunhão a adúlteros, sim ou não Santo Padre?

Não dá para entender. Conhecemos a posição clara e categórica de Cristo e da sua Igreja face a este tema, mas não podemos dizer o mesmo em relação ao Papa, o que não deixa de ser completamente absurdo!

Na atual situação de limbo hermenêutico criada pelo Papa Francisco, alguns continuam a esforçar-se por tentar interpretar a exortação apostólica Amoris Laetitia à luz do tradicional magistério da Igreja – por vezes parecendo até que contradizem o próprio Papa – enquanto outros, apoiados numa interpretação completamente avessa à doutrina cristã, precipitam-se numa “pastoral” verdadeiramente diabólica.

Para não incorrem no risco de uma má interpretação, os bispos da Região Pastoral de Buenos Aires, que se preparavam para dar instruções aos seus sacerdotes no sentido de admitirem pessoas em situação de adultério à Sagrada Comunhão, pediram o parecer ao Santo Padre. Estaria eles a interpretar corretamente o polémico capítulo oitavo?

RPBA folha 1.jpg
Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 1

 

rpba-folha-2
Critérios Básicos para a Aplicação do Capítulo VIII da Amoris Laetitia – Página 2

Resposta papal: “Não há outras interpretações.”

Bem, afinal parece que sim, os bispos interpretaram corretamente as intenções da exortação papal. Os adúlteros deverão mesmo ser admitidos à Sagrada Comunhão sem terem necessidade de corrigir a situação de pecado grave em que se encontram. Bastará que se sujeitem a um processo de “acompanhamento” e “discernimento”, no final do qual permanecerão na mesma situação de adultério inicial…

Qualquer outra interpretação da exortação apostólica que não preveja essa hipótese sacrílega está portanto, à partida, excluída, de acordo com o próprio Santo Padre.

folha-1
Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 1

 

folha-2
Carta do Papa Francisco aos bispos da RPBA – Página 2

A documentação acima evidenciada, aparentemente oficial, foi originalmente publicada pela Infocatólica e entretanto retirada, apresentando-se assinada e datada. A confirmar-se a autenticidade dos documentos, configura-se um facto grave de mais para ser ignorado pela Igreja. Um acontecimento inédito na história do Papado e da Igreja cujos contornos são de natureza apocalítica.

O Papa Francisco deve esclarecer imediatamente, de forma clara e objetiva, o caso do alegado aval concedido aos bispos argentinos, do mesmo modo, deve esclarecer, de uma vez por todas, o que pretende de facto com a Amoris Laetitia. Neste caso não basta um daqueles risíveis desmentidos lombardianos. A própria Congregação para a Doutrina da Fé tem de tomar uma atitude firme na resolução desta ambivalência doutrinal que está a dilacerar a Igreja.

O adultério é um pecado grave que leva à condenação eterna. Ninguém deve receber a Sagrada Comunhão em situação de pecado mortal, sob pena de estar a receber a sua própria condenação. Não será essa nova “pastoral” um passaporte para o Inferno?

Basto 9/2016

Apelos e petições ao Papa

apresentação da amoris laetitia
Apresentação Oficial da Amoris Laetitia – Radio Vaticano

Um grupo de 45 personalidades católicas, constituído maioritariamente por clérigos e académicos, enviaram uma petição ao Colégio Cardinalício para pedir ao Papa que “repudie” aquilo que entendem ser “proposições erradas” contidas na exortação apostólica Amoris Laetitia, que “podem ser entendidas como contrárias à Fé e à moral católicas”. De acordo com o jornal norte-americano National Catholic Register, esta petição foi redigida num documento de 13 páginas, traduzido em seis línguas, endereçado ao Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio dos Cardeais, e também a 218 outros cardeais e patriarcas.

Para os signatários desta petição, vários elementos contidos na exortação apostólica publicada em abril encontram-se em “conflito com a doutrina católica”.

Não estamos a acusar o Papa de heresia, mas consideramos que muitas frases contidas na Amoris Laetitia podem ser interpretadas como heréticas, seguindo uma leitura natural do texto.

(Joseph Shaw, porta-voz dos signatários da petição)

À exceção de Joseph Shaw, os signatários desta petição preferiram optar pelo anonimato, com medo de represálias. É caso para perguntar: “Quem são eles para julgá-los?”. Mas, na verdade, estes receios são cada vez mais naturais e fundamentados, uma vez que a nova “misericórdia” tende a fluir sempre para o mesmo lado, gerando grupos de excluídos que, por aqui e por ali, vão sendo acusados de coisas feias.

No mesmo sentido da petição supracitada, o portal de defesa da vida Lifesitenews reuniu 16 personalidades internacionais, defensores da vida e da família, para dar voz a um “Apelo ao Papa”. Imbuídos num “espírito de amor, humildade e Fé” suplicam ao Papa para que afirme a Verdade da Fé Católica sem ambiguidades e, dessa forma, restaure a clareza e acabe com a confusão produzida pela exortação apostólica Amoris Laetitia. Por outras palavras, apelam ao Papa para “ser o Santo Padre que os católicos necessitam”.

plea to the pope
Apelo ao Papa – lifesitenews.com

Esta iniciativa, concretizada em vídeo, é encabeçada por Dom Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Diocese de Maria Santíssima no Cazaquistão.

A única coisa que surpreende nestas iniciativas é o facto de serem ainda tão poucas.

 

Pós-texto:

O grupo de personalidades anónimas referido no início do texto revelou, entretanto, as suas identidades.

 

Basto 7/2016

Faz lembrar o “Tucho”

O “autor fantasma” da Amoris Laetitia

O vaticanista italiano Sandro Magister, no seu último trabalho de investigação jornalística publicado no Chiesa Espresso Repubblica (pode ser lido em português no blogue Fratres In Unum), concluiu que a exortação apostólica Amoris Laetitia se inspirou nas visões controversas do arcebispo Víctor Manuel Fernández, em particular nos parágrafos-chave “mais deliberadamente ambíguos” que se prestaram a interpretações e aplicações práticas muito divergentes.

São os parágrafos do oitavo capítulo que de facto dão sinal verde à comunhão para divorciados recasados.

Que é isso que o Papa Francisco queria, agora ficou claro para todos. E além disso, era o que ele já fazia quando era arcebispo em Buenos Aires.

Mas agora descobre-se que algumas formulações-chave da “Amoris laetitia” têm uma pré-história argentina, modeladas a partir de artigos de 2005 e 2006 escritos por Víctor Manuel Fernández, desde então e ainda hoje, o pensador de referência do Papa Francisco e escritor fantasma dos seus maiores textos.

(Sandro Magister, in Chiesa Espresso Repubblica, 25/05/2016)

Víctor Manuel Fernández, “Tucho” para os amigos, é o reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina, proposto em 2009 pelo então Cardeal Bergoglio. Mais tarde, em 2013, seria ordenado arcebispo de Tiburnia, pelo Papa Francisco. É uma figura polémica dentro da Igreja Católica devido ao exotismo teológico de algumas das suas ideias publicadas.

Entre vários artigos e livros que assinou, a sua obra mais famosa é provavelmente um livro cujo título, traduzido, é “Cura-me com a tua boca: a arte de beijar”.

el arte de besar
Editora Lumen

Influência ou mera coincidência, este arcebispo argentino, especialista em artes osculatórias, é um dos homens mais próximos do Papa Francisco dentro do clero argentino. Foi por isso que ele desempenhou funções de destaque no Sínodo da Família, depois de ter sido indigitado pelo Santo Padre para membro da equipa responsável pela elaboração da Relação Final.

Convém acrescentar que, se tudo isto já estava planeado antes da convocação do Sínodo da Família, todo o processo sinodal foi uma grande perda de tempo. Todo o dinheiro gasto na logística do processo sinodal, desde a mais pequena paróquia até à Santa Sé, poderia ter sido distribuído pelos pobres. Para não falar também no que ganharia a natureza, a nossa “casa comum”, com a poupança de papel e energia.

Basto 5/2016

D. Athanasius Schneider pede clarificação ao Papa Francisco

D. Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, Cazaquistão, publicou no passado dia 26 de abril, via Rorate Caeli, uma carta aberta onde reclama a necessidade de clarificação do Santo Padre relativamente às ambiguidades que suscitam o texto da Amoris Laetitia. O que o levou a tomar esta atitude foi o facto de a exortação apostólica ter produzido um paradoxo de várias interpretações contraditórias, mesmo entre os bispos, principalmente no que concerne à questão do acesso à comunhão eucarística daqueles que vivem em situação de adultério.

Athanasius Shneider

A recentemente publicada Exortação Apostólica Amoris lætitia (AL), que contém a pletora de riquezas espirituais e pastorais que dizem respeito à vida no Matrimónio e na família Cristã em nossos tempos, infelizmente, num curto período de tempo, levou a interpretações muito contraditórias mesmo entre o episcopado.

(In Rorate Caeli, 26/04/2016)

Estas interpretações estão já, na prática, a produzir um sacrilégio de escala difícil de quantificar, com a responsabilidade direta dos pastores da Igreja Católica.

A confusão na disciplina sacramental em relação aos divorciados e recasados, com suas implicações doutrinárias inevitáveis, estaria em contradição com a natureza da Igreja Católica, tal como foi descrito por Santo Irineu no século II: “A Igreja, tendo recebido este ensinamento e esta Fé, embora espalhados por todo o mundo, mantém-os com cuidado, como que habitasse numa única casa, e [neles] crê igualmente, como se tivesse uma só alma e um só coração, e anuncia-os, ensina-os e transmite-os, com voz unânime, como se tivesse apenas uma boca” (Adversus hæreses, I, 10, 2).

A Sé de Pedro, isto é, o Soberano Pontífice, é a sustentadora da unidade da Fé e da disciplina sacramental apostólica. Avaliando a confusão acerca da prática sacramental em relação aos divorciados e recasados e as variadas e divergentes interpretações da AL entre sacerdotes e Bispos, pode-se considerar justificado o pedido de explicação ao nosso amado Papa Francisco, o Vigário de Cristo, o “doce Cristo na Terra” (Santa Catarina de Sena), para ordenar a publicação de uma interpretação autêntica da AL, que deve conter, necessariamente, a declaração explícita do princípio disciplinar do Magistério universal e infalível relativo à admissão de casais divorciados e recasados aos Sacramentos, de acordo com a formulação na Familiaris Consortio 84.

Na grande confusão ariana do século IV, São Basílio Magno fez um apelo urgente para o Papa de Roma, pedindo-lhe para dar de sua própria boca uma direção clara, de modo a, finalmente, garantir a unidade no pensamento da Fé e da Caridade (cf. Ep. 70).

Uma interpretação autêntica da AL pela Sé Apostólica traria para toda a Igreja a alegria da clareza (“claritatis lætitia”). Tal clareza garantirá a alegria no amor (“lætitia amoris”), um amor e uma alegria que não seria “de acordo com a mente dos homens, mas com a de Deus” (cf. Mt 16,23). E isso é o que garante a alegria, a vida e a salvação eterna dos divorciados e recasados, e de todos os homens.

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana, Cazaquistão

(In Rorate Caeli, 26/04/2016)

O texto integral da carta pode ser acedido em Português no blogue“Pela Fé Católica”.

D. Athanasius Schneider é um bispo piedoso e destemido, conhecido pela sua dedicação pastoral e fidelidade à Tradição Católica, fortemente marcado pelo flagelo comunista da União Soviética. É membro da Ordem dos Cónegos Regulares de Santa Cruz de Coimbra e um fervoroso devoto de Nossa Senhora de Fátima.

Um bispo da “periferia” da Igreja, da verdadeira Igreja.

Basto 5/2016

O Cardeal-Patriarca de Lisboa reafirma a sua interpretação da exortação apostólica

FestaFamlia_FB

Num momento em que grande parte da Igreja Católica viu na Amoris Laetitia uma abertura da comunhão eucarística às pessoas divorciadas ‘recasadas’, aceitando-a já com naturalidade, o líder da Igreja Portuguesa continua a interpretar exortação apostólica à luz do magistério tradicional da Igreja. O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, repetiu ontem, na homilia proferida na Festa da Vida e da Família, em Santo Antão do Tojal, aquilo que já tinha dito há um mês atrás.

Consequentemente, o Papa Francisco dá-nos indicações claras e precisas para a vida da Igreja, na sua relação com as famílias. Na esteira dos seus predecessores, insiste na integração eclesial de todos os batizados, inclusive dos divorciados recasados, dizendo em relação a estes que «a sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das diferentes formas de exclusão atualmente praticadas em âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional podem ser superadas» (AL, 299). Ainda que não inclua nesta série de exclusões a superar as de ordem sacramental, não dispensa estes irmãos e irmãs da ascensão para Deus, com tudo o que possa e deva ser.

(D. Manuel Clemente in sítio do Patriarcado de Lisboa, 08/05/2016)

392_16050886864686
www.patriarcado-lisboa.pt

O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa mostrou, deste modo, todo o seu apoio à catequese do Papa Francisco sobre a família, no mesmo dia em que apresentou dois livros do Santo Padre publicados em Portugal, no entanto, a sua interpretação continua bem diferente daquela que fez recentemente o Vice-presidente.

Basto 5/2016

A tática de Francisco, segundo o Arcebispo Bruno Forte

Discursando sobre a Amoris Laetitia, no dia 3 deste mês de maio, no Teatro Rossetti, em Vasto, Itália, Bruno Forte informou os presentes acerca da estratégia do Papa Francisco. De acordo com o arcebispo, o Santo Padre terá dito em privado, de forma jocosa, durante o Sínodo da Família, o seguinte:

Se falamos explicitamente da comunhão para divorciados ‘recasados’, ninguém sabe que tipo de contestação eles irão preparar. Portanto, não vamos falar disso de uma forma direta, mas antes de um modo em que expomos as premissas e então eu tiro as conclusões.

“Típico de um Jesuíta”, acrescentou Bruno Forte, elogiando a sabedoria tática do Santo Padre.

Quem seriam “eles” a quem se referia o Santo Padre? Talvez os novos fariseus, os católicos pouco misericordiosos que ainda acreditam na necessidade de conversão…

Bruno Forte é atualmente o Arcebispo de Chieti-Vasto, Itália. Um teólogo controverso. Destacou-se no Sínodo da Família por ter desempenhado o cargo de Secretário Especial do Sínodo, para o qual foi nomeado pelo Papa Francisco. Durante os trabalhos sinodais, foi visto como um dos promotores das doutrinas morais anti-católicas que se tentaram impor durante os trabalhos sinodais.

 

Basto 5/2016

A Alegria do Amor em Espanha

No passado dia 14 de abril, a Conferência Episcopal Espanhola apresentou publicamente a exortação apostólica Amoris Laetitia. O painel de apresentadores era composto por seis grandes personalidades, representantes da hierarquia religiosa espanhola e também académicos, liderados por D. Carlos Osoro Sierra, arcebispo de Madrid e vice-presidente da Conferência Episcopal Espanhola.

No que concerne ao tema quente da exortação apostólica, a comunhão a divorciados “recasados”, é possível deduzir, partir das declarações dos presentes, uma aceitação natural dos avanços heréticos da hermenêutica kasperiana. Este facto confirma-se na resposta à primeira questão levantada pelos jornalistas (a partir do minuto 54:58) que foi, justamente, sobre a “ambiguidade” do texto que poderia permitir o seguinte paradoxo:

Pode acontecer que numa paróquia se dá a comunhão a um divorciado “recasado” […] enquanto na paróquia ou diocese ao lado não, […] como se vai resolver esta situação no dia-a-dia?

A questão criou algum desconforto nos presentes – pelo menos aparentemente – cuja reação fez lembrar uma batata quente, de mão em mão, que acabaria inevitavelmente no fim da mesa. Coube ao jesuita Pablo Guerrero, professor de Teologia Pastoral na Universidade Pontifícia de Comillas, apresentar uma resposta, a qual não foi contestada pelos restantes elementos que compunham o painel:

Isso é como sugerir que seria em função do critério do padre e não é. O Papa, num claro exercício da sinodalidade e comunhão com todo o corpo de bispos da Igreja, o que propõe ao pastor de cada diocese é formar os seus sacerdotes num conjunto de critérios comuns para evitar tal arbitrariedade. Nenhum sacerdote se deve sentir dono da Palavra de Deus .

Ou seja, depreende-se das suas palavras, que sim, só faltaria definir os critérios de elegibilidade dos divorciados “recasados” que poderão aceder à comunhão.

Num registo diferente, ainda esta semana, também em Espanha, no Seminário Metropolitano de Oviedo, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé contestou categoricamente essa possibilidade. O Cardeal Gerhard Müller reafirmou, mais uma vez, o magistério tradicional da Igreja neste domínio, fazendo questão de diferenciar o que é “excomunhão canónica” e “excomunhão sacramental” para refutar a tese kasperiana desta forma:

Eles [os divorciados “recasados”] não estão excomungados canonicamente, no entanto não poderão comungar sem antes regularizarem a sua vida e receberem o sacramento da Penitência.

[Tem havido alguma confusão, no entanto] a Igreja não é dona da Graça, apenas administra os sacramentos, estando vinculada e obrigada a caminhar nessa linha. A Igreja não tem autoridade para alterar este caminho dos sacramentos.

A “nova pastoral da família” promovida pelo Papa Francisco começou a gerar controvérsia em Espanha ainda antes da publicação da exortação apostólica, por exemplo,  nas dioceses de Alcalá y Getafe.

Já aqui se falou antes no trabalho ingrato da brigada de limpeza da Amoris Laetitia, cujas esfregonas se gastam intensivamente desde o dia 8 de abril, mas vale ainda a pena ouvir os sinceros esforços do excelente teólogo Pe. Santiago Martin na Magnificat TV.

 

Basto 5/2016

Amoris Laetitia – Evolução ou subversão da linguagem?

Cisnes relfetindo elefantes (1973)
Salvador Dali, 1937

A literatura subversiva, sendo contrária à ordem estabelecida, normalmente visa destruir conceitos, quebrar paradigmas, sendo muito característica de períodos históricos revolucionários ou pré-revolucionários. Muitas vezes, a única maneira através da qual se consegue furar a ordem estabelecida, para tentar impor uma nova, é optando pela suavização da linguagem, ou pela substituição lexical de algumas palavras-chave, ou ainda recorrendo à manipulação do significado de conceitos fundamentais dados por adquiridos. Por vezes,  serve-se até de simbologia alegórica, presente em contos aparentemente ingénuos ou em fábulas quase infantis. É ainda o caso de alguma poesia, música de intervenção e outras expressões artísticas. O que não é muito comum é vermos este tipo de contra-poder ser exercido por quem está, de forma livre e voluntária, à frente do poder. Daí as dúvidas…

A exortação apostólica Amoris Laetitia tem dado muito que falar e, com certeza, vai continuar a dar ainda mais nos próximos tempos. As opiniões variam muito, formando um largo espectro que vai desde quem a vê como uma reafirmação da doutrina tradicional da Igreja até aqueles que a entendem como uma revolução.

Ainda há poucos dias, o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura publicou a tradução de um “guia de estudo” da Alegria do Amor, contudo, à boa maneira dos nossos dias, às inúmeras questões que a exortação apostólica levanta, ele responde com ainda mais questões…

Mas vamos, por agora, centrar-nos meramente na utilização de algumas palavras-chave aí empregues para se referirem, em termos semânticos, a situações que, à luz do magistério tradicional da Igreja, têm avaliações radicalmente diferentes das que este documento aparentemente lhe atribui.

Subversão da linguagem, falta de jeito, misericórdia (?), astúcia, ou seja por que razão for, o documento presta-se a várias interpretações, mas o cristão não pode acabar mais confundido do que estava antes da sua publicação. Uma pastoral errada pode conduzir muitas almas à perdição eterna. E não se trata aqui apenas de alguns casos particulares à procura de uma nova “pastoral”, mas de todos os outros que perdem a noção da gravidade do pecado, deixando de o evitar pois, na pior das hipóteses, apenas correm o risco de cair num caso particular… Parece que a nova ideia de misericórdia pretende eliminar o Inferno, mas se calhar acaba antes por esconder o verdadeiro caminho para o Céu.

Glossário de alguns termos confusos na Amoris Laetitia:

  • “situações chamadas «irregulares»” (Parágrafos 297, 301) – é aquilo que o magistério da Igreja denomina como “situação de adultério público e permanente”, referindo-se a uma situação pecaminosa grave que se inclui na categoria dos pecados mortais. Na Amoris Laetitia, a palavra “irregular” aparece entre aspas e antecedida pela palavra “chamadas”, sugerindo dúvidas sobre a irregularidade dessas mesmas “situações”, o que pode levar, de facto, os fieis a relativizar a irregularidade dessas relações, no entanto, o ensinamento tradicional da Igreja é claro e objetivo sobre a ilicitude do adultério.

 

  • “discernimento” (termo que aparece mais de 30 vezes em todo o documento) – se não possuir uma base doutrinal sólida, o leitor pode acabar confundido, entendendo o “discernimento” como a aceitação “pastoral” daquilo que até agora significava “obstinação no pecado”. Algo que se enquadra na classe dos pecados contra o Espírito Santo, os únicos para os quais não há perdão. O termo “discernimento” não é novo, já foi utilizado várias vezes, por exemplo, pelo Papa João Paulo II, na exortação apostólica Familiaris Consortio, embora aí tivesse um significado diferente, onde justificava precisamente a não admissão à comunhão eucarística das pessoas que se encontram objetivamente em situação de pecado grave.

 

  • “matrimónio apenas civil” (Parágrafo 293) – o matrimónio é um sacramento cristão e, portanto, necessariamente religioso. Se uma união é apenas civil, então nunca foi matrimónio. Do ponto de vista cristão, só pode ser considerada uma relação imoral, ilícita, cuja sexualidade se enquadra no âmbito do pecado da fornicação. Necessita de ser regularizada à luz do ensinamento magisterial da Igreja.

 

 

A Verdade é só uma e prevalecerá para sempre, sólida e sublime, resistindo à evolução das mentalidades e da linguagem.

Um cisne jamais será um elefante.

 

Basto 5/2016

A Alegria do Amor em Milão

A exortação apostólica Amoris Laetitia “começou a mudar as atitudes relativamente à comunhão, na Arquidiocese de Milão”. A informação partiu de um artigo publicado pelo Mons. Fausto Gelardi no sítio da Internet da referida diocese (pode ler-se em Inglês aqui). Este prelado é o alto responsável pela Confissão na Catedral de Milão.

O referido texto sugere que alguém, entre os sacerdotes, talvez um pouco “precipitado e procurando eficiência”, terá aberto uma “janela” de consultas, dando a ideia de que “pode conceder rapidamente exceções”.

O artigo termina com a seguinte frase:

Os fiéis têm experimentado a ânsia de pastores que não são chamados para impor uma norma, mas para levantar o valor expresso por aquela norma, transportando em sentido real o “cheiro das ovelhas”.

 

Basto 4/2016

Memorando para a brigada de limpeza da “Amoris Laetitia”. Agora já podem parar.

Ferrara02

Por Christopher A. Ferrara

Será que a Amoris Laetitia alcança aquele que foi, obviamente, o objetivo do Papa Francisco durante este tempo todo: a admissão de reconhecidos adúlteros – divorciados e “recasados” – à Sagrada Comunhão em “certos casos” (que significa, em última instância, todos os casos)? É claro que sim.

Como revelou a alegria manifestada, em conferência de imprensa, pelo co-apresentador escolhido a dedo por Francisco para apresentar este documento “catastrófico” ao mundo, o Cardeal Christoph Schönborn, conhecido pela sua orientação “pró-gay” e pró-divórcio: “A minha grande alegria, resultante deste documento, reside no facto de que ele coerentemente supera aquela clara divisão artificial, superficial, entre ‘regular’ e ‘irregular'” – ou seja, “superficial” distinção entre as uniões sexuais lícitas e as imorais, entre o casamento cristão e as relações que envolvem adultério e fornicação.

Especificamente na questão da Sagrada Comunhão para adúlteros, Schönborn disse aquilo que já era evidente a partir da linguagem da fatídica nota de rodapé 351:

E o Papa Francisco recorda a necessidade de discernir bem as situações, seguindo a linha da Familiaris consortio (n. 84) de São João Paulo II (AL 298). “O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos possíveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites. Por pensar que tudo seja branco ou preto, às vezes fechamos o caminho da graça e do crescimento e desencorajamos percursos de santificação que dão glória a Deus” (AL 305)…

No sentido desta via caritatis (AL 306), o Papa afirma, de maneira humilde e simples, numa nota (351), que se pode dar também a ajuda dos sacramentos “em certos casos”. Mas para este propósito ele não nos oferece uma casuística de receitas, mas simplesmente nos recorda duas de suas famosas frases: “recordo aos sacerdotes que o confessionário não deve ser uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor” (EG 44) e a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos” (EG 44).

Observe-se a frase “de acordo com a Familiaris Consortio (84) de São João Paulo II.” Então, a velha fraude continua, pois Francisco e Schönborn escondem o facto de, na referida secção da exortação apostólica de João Paulo II, se rejeitar especificamente qualquer possibilidade de um “discernimento” que permita a reconhecidos adúlteros receber o Santíssimo Sacramento – em “certos casos” ou em qualquer caso. Mas isso foi quando as coisas eram “preto no branco”, agora, com Francisco, elas tornaram-se acinzentadas.

E agora ficámos a conhecer, pelo próprio Papa, que Francisco contradiz categoricamente o seu antecessor e toda a Tradição. Durante a conferência de imprensa a bordo do seu voo de regresso da Grécia, ele foi questionado se, ao contrário daqueles que dizem que “nada mudou”, a Amoris Laetitia autoriza “novas possibilidades concretas para os divorciados que voltaram a casar, que não existiam antes da publicação esta exortação”. Com a mão apontada e acenando com a cabeça para dar ênfase, Francisco respondera: “Eu posso dizer que sim, ponto final.” (” Io posso dire sì. Punto.”).

Por incrível que pareça, ele recomendou ainda a leitura da apresentação de Schönborn, na qual “essa questão encontra a resposta”. Eu digo incrível porque a resposta de Schönborn foi: “O Papa afirma, de forma humilde e simples, numa nota (351) que a ajuda dos sacramentos também pode ser dada “em certos casos”.” Ou seja, Francisco – ao jeito de um político astuto – fez-nos um finta, enquanto passava a bola: leia o que o meu assistente Schönborn disse, a fim de saber o que eu disse no meu próprio documento!

Será isto real? Na verdade, é. E agora um pequeno conselho, não solicitado, para todos os “normalistas” que ainda tentam desesperadamente limpar este documento catastrófico (sobre o qual muito mais será escrito, mais tarde, nestas páginas): Guardem as vossas vassouras. Isto não dá para limpar. Francisco está a fazer-vos passar por idiotas.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 18 de abril de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2016

A Alegria do Amor a bordo do avião papal

wright brothers
Irmãos Wright, 1903

Como o tema da abertura da sagrada comunhão eucarística a pessoas em situação de adultério está ainda longe de ser encerrado, os fieis continuam a levantar questões ao Santo Padre. Desta vez, foi a bordo do avião papal, na viagem de regresso de Lesbos, que Sua Santidade foi abordada por um jornalista.

Frank Rocca (jornalista do Wall Street Journal): Gostaria de fazer uma pergunta sobre a exortaçãoAmoris Laetitia”. Como sabe, tem havido muitas discussões sobre um dos pontos: alguns argumentam que nada mudou para o acesso aos sacramentos aos divorciados novamente casados, outros argumentam que muita coisa mudou e que há tantas novas aberturas. Existem novas possibilidades concretas ou não?

Papa Francisco: Posso dizer que sim. Mas seria uma resposta muito curta. Eu recomendo a leitura da apresentação do documento feita pelo Cardeal Schonborn, um grande teólogo que trabalhou na Congregação para a Doutrina da Fé.

(Entrevista a bordo do Avião, dia 16 de abril de 2016)

O autor da notícia da Agência Ecclesia a respeito desta questão até é mais preciso, ao referir que a resposta do Papa foi: “Posso dizer que sim, ponto final.”, traduzido de “punto” (minuto 21′:42″).

Sua Santidade, admitindo que o “sim” era “uma resposta muito curta”, pelo que nos remeteu para as explicações do Cardeal Schonborn, o conhecido defensor da admissão de divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão, ou o mesmo que defende que a Igreja deve valorizar os “elementos positivos” das “uniões homossexuais”.

Valha-nos Deus!

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor nas Filipinas

A Conferência de Bispos Católicos das Filipinas, tendo feito a sua própria interpretação da exortação apostólica Amoris Laetitia, deu um passo em frente, ordenando a distribuição da sagrada comunhão a pessoas que se encontram divorciadas e com relações irregulares. Não esperaram, portanto, pelas orientações pastorais da Santa Sé e avançaram, desde já, com esta nova ideia de misericórdia da moda, que passa por dar comunhão eucarística a quem se encontra objetivamente em situação de pecado grave, como é o adultério.

“…há sempre um lugar à mesa dos pecadores, na qual o Senhor se oferece a si mesmo como comida para os miseráveis.”

“Esta é uma disposição de misericórdia, uma abertura de coração e de espírito que não precisa de lei, nem espera nenhuma diretriz, nem espera para avançar. Ela pode e deve acontecer imediatamente.”

Arcebispo Socrates Villegas, Presidente da CBCF (9 de abril de 2016)

Convém lembrar que o Magistério da Igreja não mudou neste domínio, nem pode mudar. Deste modo, dar a comunhão pode significar oferecer a condenação.

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Roma


CaravaggioSalomeLondon
Caravaggio, 1607

A partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”

Um pouco por todo mundo, os católicos ainda tentam interpretar as ambíguas palavras da exortação apostólica, Amoris Laetitia, mas a partir de Roma, já se publicita abertamente a comunhão aos divorciados “recasados”. Enquanto isso acontece, a maior parte dos católicos continuam a fazer como a Salomé, virando a cara para o lado…

O Pe. Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, publicação jesuíta aprovada pela Santa Sé, explica claramente, na última edição desta revista, as inovações doutrinais/pastorais previstas na exortação apostólica “A Alegria do Amor”. Para comprovar que não se trata de um mal-entendido, ou de um abuso editorial do Pe. Spadaro, as suas explicações são posteriormente reproduzidas, também pela Radio Vaticano, em diversas línguas.

spadaro.radical
Rádio Vaticano, 12/04/2016

ENTREVISTADOR: Isto não significa que exista uma verdade, mas depois, na prática se pode fazer rasgos na regra?

SPADARO: “Uma vez o Papa disse, escandalizando um pouco, que a verdade é relativa. O que ele quis dizer? Não que a verdade não seja absoluta, mas que é relativa às pessoas, ou seja, se não existe o ser humano, a verdade evangélica permanece sozinha, isolada, inútil. Portanto, o discernimento consiste em compreender, como a verdade evangélica se encarna concretamente na minha existência, na minha pessoa”.

ENTREVISTADOR: Sobre a situação das famílias feridas, aquelas situações consideradas “irregulares”, como diz o Papa Francisco, o documento sublinha a importância de não colocar limites à integração….

SPADARO: “O Papa sempre insistiu sobre a necessidade de integrar também aqueles que não estão em grau de viver na plenitude da vida cristã. E a Igreja mãe, a Igreja misericordiosa, é exatamente isto: uma Igreja que acolhe os seus filhos. Isto significa que uma norma canónica não pode ser aplicada sempre, contudo, em todos os casos, em qualquer situação, precisamente porque existe a consciência. Portanto, às vezes se está em uma situação de pecado objetivo – diríamos – onde, porém, não existe uma consciência objetiva. Assim, um juízo objetivo sobre uma situação subjetiva, não implica um juízo sobre a consciência da pessoa envolvida. Esta é uma passagem muito importante porque salienta a consciência e porque não coloca mais um limite à integração, nem mesmo à sacramental”.

(in Radio Vaticano, 12/04/2016)

Ou seja, a Verdade é relativa. Existe uma Verdade, que nos foi revelada através da Sagrada Escritura e da Tradição, mas o mais importante é mesmo a consciência individual… O que cada um pensa ou deixa de pensar, num determinado momento da sua vida, sobrepõe-se à Verdade de Deus.

É caso para dizer que alguém perdeu a cabeça…

Basto 4/2016

Resposta a todas as dúvidas do momento – simples e pragmática

O Magistério da Igreja Católica, em matérias de matrimónio, família e amor conjugal, foi sujeito a uma avaliação, durante todo o processo sinodal que agora se encerra. Desde as paróquias, passando pelas dioceses e pelas conferências episcopais, até às duas assembleias sinodais, todos os fieis foram chamados a pronunciar-se sobre várias questões relacionadas com o tema da família. Foram levantadas e debatidas várias questões controversas, algumas por iniciativa do próprio Santo Padre, as quais colocaram em causa a continuidade da hermenêutica tradicional do Magistério da Igreja.

Finalmente, o Papa Francisco publicou a exortação apostólica, Amoris Laetitia, e todas as questões levantadas deveriam estar agora esclarecidas, mas as dúvidas persistem, dada a variedade de interpretações a que o documento se presta.

Neste momento, um pouco por todo o lado, pergunta-se o seguinte:

  • O adultério é ainda um pecado mortal?
  • E a prática de relações homossexuais?
  • O pecado mortal ainda conduz ao inferno?
  • Será que o inferno existe mesmo?
  • Deve-se comungar quando se vive objetivamente em situação de pecado mortal?
  • Os chamados “percursos de discernimento pessoal e pastoral” são também para os “recasados” pela 2ª e 3ª vez? Qual é o número máximo de “recasamentos” admissível nesta solução pastoral?
  • Os pecados podem ser absolvidos a quem não se arrepende ou não tenciona corrigir a situação pecaminosa em que se encontra?
  • São João Batista teve um coração duro em relação a Herodes e Herodíade?
  • Henrique VIII e Ana Bolena não receberam misericórdia de São Tomás Moro? Nem o acolhimento de São João Fisher?

A “teóloga” Vicky Pollard ajuda-nos, de uma forma simples e pragmática, a perceber a nova resposta para todas estas e outras questões semelhantes.

Tradução: Sim, mas não, mas sim, mas não, mas sim, mas não, mas…

Ou em alternativa, de forma não menos simples nem menos pragmática, podemos seguir o tradicional Magistério da Igreja, nestas e noutras questões morais, doutrinais ou pastorais, cuja resposta foi sempre bem clara e segura.

 

Basto 4/2016

A Alegria do Amor em Portugal

Henrique VIII e Ana Bolena
Henrique VIII e Ana Bolena (Friedrich Pecht, 1900)

Afinal de contas, o que disse o Santo Padre?

Presidente e vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) fizeram, aparentemente, leituras diferentes da exortação apostólica Amoris Laetitia, no que concerne ao tema fraturante da possibilidade de admitir os divorciados “recasados” à comunhão sacramental.

Não é que não estivéssemos já à espera que algo semelhante a isto pudesse vir acontecer, dada a natureza do texto, mas agora está à vista. Até parece que chegaram duas exortações apostólicas diferentes a Portugal. Mas o que se passa no nosso país não deve ser muito diferente do que está a acontecer por esse mundo fora, nestes dias.

Já aqui tínhamos referido que o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, presidente da CEP, não encontrou no texto qualquer abertura à comunhão para os divorciados “recasados”. Mas foi mais além, ao notar que, no âmbito das possibilidades pastorais sugeridas pela exortação apostólica para melhorar a integração dessas pessoas,  não consta a prática “sacramental”, mas apenas práticas do âmbito “litúrgico, pastoral, educativo e institucional”. Na sua opinião, essa possibilidade foi omitida no texto propositadamente por não ser considerada.

Todavia, D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima e vice-presidente da CEP, mostrou-se “agradavelmente surpreendido” com as mudanças que o Santo Padre promove com a exortação apostólica. Este bispo entendeu, a partir da leitura do documento, que o “Papa Francisco, de modo genial, introduziu uma mudança da disciplina sem pôr em causa a doutrina sobre o matrimónio e a família” na qual, no caso dos divorciados “recasados”, “abre mesmo uma janela para a possibilidade da ‘ajuda dos sacramentos’ da Reconciliação e da Eucaristia em certos casos”. Não estabelece uma  “regra geral”, mas propõe “percursos personalizados de discernimento pessoal e pastoral, com vários momentos, para a melhor integração na vida da comunidade com a ajuda da Igreja”. Mas isso não seria a aplicação da ‘via kasperiana’, amplamente rejeitada pelos Padres Sinodais?

Convém salvaguardar que as notícias acima referidas são curtas e produzidas em contextos específicos, carecendo de informação adicional, e portanto devem ser avaliadas com alguma prudência. No entanto, atendendo às notícias do ano passado, bem como aos seus protagonistas, assim à primeira vista, parece-nos que o Santo Padre não apagou o lume que ele próprio acendeu na Igreja Portuguesa e no mundo católico em geral. Continua arder e ninguém percebeu ainda muito bem até onde é que este brasume pode alastrar, e que consequências terá.

Se Papa Francisco tivesse pedido a colaboração do Papa Emérito na redação do texto da exortação apostólica, a sua imagem de humildade, que o mundo lhe atribui, sairia grandemente beneficiada. Tenho a certeza de que Bento XVI daria o melhor de si para o ajudar e todos teríamos ficado a ganhar.

Basto 4/2016

Exortação apostólica – a incerteza continua…

google news
Alguns resultados apresentados no Google Notícias a meio da tarde de dia 8 de abril, em Portugal.

Por que razão os diferentes jornais conseguem ver coisas tão diferentes e até opostas no discurso do Santo Padre?

Um texto de 200 páginas, para quem já o leu, deveria chegar para esclarecer todas as dúvidas morais, doutrinárias e pastorais que se levantaram desde o início dos trabalhos sinodais. Todos conhecemos bons padres que o fariam bem em menos de uma página, e tenho a certeza de que, mais ou menos satisfeitos, todos sairiam esclarecidos. Aliás, relativamente às perguntas mais controversas que circulam nos jornais, um “sim” ou um “não” seriam suficientes, podendo acrescentar-se algumas referências ao catecismo ou à Sagrada Escritura, nas páginas seguintes.

À primeira vista, parece-nos que, mais do que encerrar o debate entre a Verdade e as doutrinas diabólicas que se foram introduzindo nos trabalhos sinodais, o dia de hoje deixou várias questões em aberto e a certeza de mais angústia para os próximos tempos. Por um lado, a angústia daqueles que temem a destruição da Igreja através da introdução de exotismos anti-cristãos na doutrina e na pastoral e, por outro, a angústia daqueles que, encontrando-se em situações gravemente pecaminosas, continuarão a alimentar uma vã esperança de aprovação (ou pelo menos aceitação) da sua condição irregular, sem necessitarem de mudar de vida. No caso concreto do acesso à comunhão por parte dos divorciados, não foi ainda dada uma resposta suficientemente esclarecedora e definitiva.

D. Manuel Clemente, em conferência de imprensa no Patriarcado de Lisboa, declarou que “o Papa, em termos de decisão, não quer expressamente adiantar novidades”.

Sublinhou ainda que o documento “vai exigir muita aplicação pastoral”, repetindo que “o papa não quer adiantar novidades”. Com efeito, todas as angústias daqueles que anseiam ou temem o pior terão mesmo continuar futuramente, sendo agora transferidas para o plano pastoral.

Resumindo, a exortação foi publicada, apresentada e explicada, mas o calvário da incerteza irá continuar enquanto Deus o permitir.

Ainda bem que o líder da Igreja Portuguesa, ao fim de “quatro ou cinco horas” a estudar o documento (!), compreendeu-o como uma reafirmação da doutrina de sempre, e de certeza que não terá sido o único, graças a Deus. Mas será que todos os outros bispos do mundo o entenderam dessa forma? Amanhã ou depois veremos…

 

Basto 4/2016

 

Exortação Apostólica – os sinais de um desastre anunciado

A apenas algumas horas da publicação da exortação apostólica pós-sinodal, “A Alegria do Amor”, marcada para amanhã, dia 8 de abril, pelas 11:30 (hora de Roma), os sinais são todos preocupantes. Que Nossa Senhora de Fátima nos ajude nesta hora derradeira.

 

1. Os apresentadores

Apesar de a esmagadora maioria dos Padres Sinodais, nas duas sessões realizadas, ter-se expressado inequívocamente no sentido da preservação do tradicional entendimento católico sobre família e o casamento, não constam entre os apresentadores da exortação apostólica algum defensor da integridade da doutrina tradicional da Igreja. Deste modo, quem estará presente na apresentação da Amoris Laetitia será, respetivamente, o Cardeal Baldisseri, o Cardeal Schonborn e um casal de leigos formado por Francesco Miano e Giuseppina de Simone.

apresentadores

a) O Cardeal Baldisseri tornou-se conhecido pela forte manipulação do Sínodo de 2014 em favor da herética e minoritária fação kaspariana, facto que daria origem à revolta do Cardeal Pell. Baldisseri terá sido também, pelo que se diz por aí, o responsável pelo desaparecimento dos livros “Permanecer na Verdade de Cristo” que defendiam a doutrina católica sobre a família e se destinavam aos Padres Sinodais.

b) O Cardeal Schonborn defende abertamente a admissão de adúlteros à Sagrada Comunhão. Terá sido também ele que, alegadamente, esteve por trás da manobra para reconhecer “elementos positivos” nas “uniões homossexuais”.

c) O casal Francesco Miano e Giuseppina de Simone é composto por dois académicos italianos. Ele é um filósofo especializado em ética e moral, e ela é uma moderna teóloga. Não são garantia de defesa dos valores tradicionais da Igreja.

2. “A Aliança Perdida”

O Papa recebeu, durante a audiência geral desta semana, na Praça de São Pedro, um grupo de elementos da associação “L’Anello Perduto”, apenas a dois dias da publicação da exortação apostólica sobre a família. Trata-se de uma associação de apoio a divorciados civilmente recasados, da diocese italiana de Fossano.

3. O otimismo kasperiano

O herético Cardeal Kasper, considerado por muitos como o teólogo do Papa, tem-se mostrado certo de que o Santo Padre irá introduzir as suas heresias na exortação apostólica, apesar destas terem sido veemente rejeitadas pelos Padres Sinodais.

 

4. O manual de instruções

Numa carta enviada a todos os bispos do mundo, o Vaticano pretende preparar os fiéis de todas as dioceses para o conteúdo da exortação apostólica. Isto faz temer, à partida, algum conteúdo de difícil digestão, caso contrário, por que razão haveria necessidade de dar aos bispos pistas para interpretação da exortação apostólica? A secretaria-geral do Sínodo pede aos bispos que, nas suas dioceses, apresentem publicamente a exortação do Papa, informando que esta “não pretende mudar”, mas sim “recontextualizar” (?) a doutrina do Evangelho sobre o matrimónio e a família…

 

5. Os ausentes

Para já, e que se saiba, não estará presente algum dos cardeais que defenderam publicamente a doutrina tradicional da Igreja sobre moral e casamento durante os trabalhos do Sínodo da Família. Mas entre os grandes ausentes, destaca-se o Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O mesmo que, pelo que se sabe, apresentou uma proposta de cerca de 40 páginas com sugestões de revisão ao documento.

 

6. As indicações inconclusivas do Santo Padre

Ao longo dos últimos tempos, o Santo Padre tem dado a entender que algumas questões devem ser descentralizadas e resolvidas a nível local, pelas conferências episcopais ou pelos bispos individualmente. Tem dito também que deve haver um “caminho” de “integração” dos divorciados recasados – podemos presumir que seja – em direção à comunhão eucarística, contudo, nunca refere a necessidade de conversão dessas pessoas, a necessidade de verdadeira reconciliação com Deus que só pode ser através da rejeição do adultério.

 

Conclusão

Ninguém espera um apelo do Papa Francisco à mudança doutrinária  sobre a moral familiar ou o Matrimónio. No entanto, muitos temem que a adulteração doutrinária possa vir a acontecer, na prática, através de uma transferência da autoridade moral para esferas regionais ou locais. Ou (e) ainda pela via pastoral, admitindo, na prática, que esta seja diferente da doutrina, o que seria aberrante e desolador.

Se a doutrina moral se descentralizar, a Igreja acabará por ruir. A moral e os dogmas não podem ser modificados localmente. O que é pecado num lugar, não deixa de o ser no outro, e o acesso à comunhão não pode ser feito quando alguém se encontra objetivamente e situação de pecado grave, como é o caso do adultério. Por outro lado, essa situação daria origem à criação de offshores onde o pecado passaria a ser considerado lícito, dependendo da abundância de misericórdia episcopal locais… Uma loucura, o caos!

Pregar uma coisa e admitir outra, contrária à que se ensina, também não faz sentido nenhum. A pastoral tem de ser o reflexo da doutrina, sempre assim foi e será.

A aprovação da possibilidade de dar a comunhão a divorciados “recasados”, ainda que remetida para a categoria de eventualidade, e para depois de um longo “percurso penitencial”, por exemplo, encerraria completamente o caminho da verdadeira conversão. Ou seja, eliminaria qualquer esperança de regularização do status matrimonial das pessoas que vivem em adultério, afastá-las-ia da reconciliação, conduzindo-as, em última análise, à condenação eterna.

 

O que fazer a partir de amanhã?

a) No melhor dos cenários, o mais provável apesar de todos os sinais negativos que vemos no horizonte, aliamos-nos ao Santo Padre na defesa da doutrina tradicional da Igreja, do matrimónio e dos valores morais cristãos.

b) Se o pior acontecer, o que apesar de tudo é ainda bastante improvável, a partir de amanhã, não haverá dúvidas de que esse desastre estava previsto no Segredo de Fátima desde 1917. Um cenário que obrigará a Igreja Militante a resistir com todas as forças e a rezar para que o Espírito Santo guie o Santo Padre pelo caminho de Deus. O mesmo caminho que nos foi revelado através das Sagradas Escrituras e dos cerca de 2000 anos de Tradição da Santa Igreja Católica e Apostólica.

Neste cenário, as orações e a penitência terão de ser também conduzidas, de forma prioritária, para todos aqueles que cairão nas malhas diabólicas da falsa doutrina ou – se quisermos – da falsa pastoral.

Como Sugere o Pe. John Hunwicke (ex-padre anglicano que agora é padre católico):

Nós, na Igreja Anglicana, vimos o que aconteceu quando a “Autonomia Provincial” foi autorizada a passar por cima da Doutrina, da Tradição, da Bíblia… e até mesmo do Dominical Imperativo da Unidade. É uma experiência muito desagradável e miserável. Qualquer tentativa de introdução de algo remotamente semelhante a isto, ou qualquer coisa que possa funcionar como um primeiro passo para algo remotamente semelhante a isto, na Igreja Católica, deve ser rejeitada por qualquer e todos os meios de resistência que os católicos ortodoxos têm ou podem conceber.

Como ex-anglicano, eu aviso: décadas de guerras internas, no seio da Igreja, em torno deste assunto, é exatamente o que a Igreja Militante pode prescindir. Esta questão pairou como uma sobra escura sobre a minha cabeça, para a maior parte do meu ministério sacerdotal na Igreja Anglicana. Qualquer tentativa de qualquer pessoa [ênfase no original] de infligir uma ferida semelhante nos méritos da Igreja Católica, como o Cardeal Burke propôs, Resistência com recurso as todas as formas necessárias, e com tanto vigor como a Graça de Deus nos dá.

Fiquemos sempre do lado da Verdade, e com confiança, porque já sabemos que neste “confronto final entre Deus e Satanás [que] será sobre a família e a vida”, a Verdade acabará por prevalecer.

“18Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela.”

(Mateus, 16)

 

Basto 4/2016

Dia 8 de abril de 2016: a bomba-relógio foi acionada

O grito
Munch, 1893 – vista parcial da obra “O Grito”

O mundo inteiro espera ansiosamente a publicação da exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, como se de um engenho explosivo se tratasse. A linguagem do Santo Padre, por vezes ambígua, associada a algumas das suas atitudes mais surpreendentes e confusas, ao longo dos últimos três anos, criou falsas expectativas a algumas pessoas e receios a outras, que antevêem a possibilidade de uma rutura no tradicional magistério da Igreja relativamente a algumas questões morais, particularmente em relação ao Matrimónio.

O documento já está concluído desde o dia 19 de março, intitula-se “A Alegria do Amor” e a sua publicação foi agendada para o dia 8 de abril. A ser uma bomba, esperemos que acerte no alvo em cheio e o aniquile de vez, nomeadamente as doutrinas diabólicas que, nos últimos tempos, têm tenazmente tentado contaminar a doutrina católica com imoralidades.

O Matrimónio é um sacramento cristão e é indissolúvel. Isto é uma Verdade inquestionável. O adultério é um pecado mortal, logo conduz à condenação eterna. Quem se encontra em situação de pecado grave não deve aceder à comunhão eucarística a não ser que se tenha arrependido profundamente e se proponha a corrigir a situação pecaminosa em que se encontra. Caso contrário, a administração da comunhão a quem se encontra em situação objetiva de pecado grave é uma ajuda à sua condenação.

 “O Papa vai dizer o que a Igreja sempre disse porque o Evangelho é bem claro neste aspecto. Tudo o resto é anular a palavra de Jesus, implica rasgar páginas da Bíblia”,  a teoria de Kasper uma “heresia”.

(Pe. Sousa Lara, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

A Verdade Cristã é sublime e imutável porque é de Deus. Ninguém a pode alterar, nem mesmo o Papa.

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está ao serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas.

(Bento XVI, a 7 de maio de 2005)

Com efeito, dos três cenários possíveis para a próxima sexta-feira, veiculados pelos órgãos de comunicação social, só devemos esperar o primeiro:

  1. A exortação apostólica reafirma os valores morais tradicionais sobre o casamento, o amor conjugal e a família, convidando à conversão daqueles que se encontram em situação objetiva de pecado grave.
  2. O Santo Padre propõe diretamente alterações à pastoral e à doutrina da Igreja, o que é impensável.
  3. O Santo Padre inibe-se de pronunciar-se diretamente sobre essas questões morais, através utilização de uma linguagem ambígua que deixa lugar a interpretações subjetivas, ou remetendo a avaliação dessas questões para escalas regionais ou locais, o que também é impensável.

O primeiro cenário seria uma lufada de ar fresco para limpar a fumaça de Satanás que paira na atmosfera da Igreja. O segundo cenário pressupõe uma falsificação da doutrina e seria fraturante, conduzindo de imediato a uma separação entre a verdadeira Igreja de Cristo e a falsa. Muito provavelmente originaria um cisma. O terceiro cenário, porventura o mais temível, levaria à confusão total, à multiplicidade doutrinária dentro da própria Igreja através da abolição do dogma por parte da Igreja Institucional, embora de forma não assumida. Seria uma contaminação viral que, de forma cínica e subtil, levaria à desagregação da Instituição Católica desde os seus alicerces.

Os piores cenários, apesar de inaceitáveis e improváveis, são bastante temidos por uns e ansiosamente esperados por outros. Esperemos que o Santo Padre esteja à altura das suas responsabilidades.

Ao “dar o microfone” a Walter Kasper para falar aos cardeais sobre a família, o Papa cometeu uma “imprudência” e “ateou um fogo” difícil de apagar.

 (Pe. Sousa Lara, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

Para piorar o receios, os órgãos de comunicação social oficiais do Vaticano continuam a dar muita relevância ao herético Cardeal Kasper, ao seu conceito errado de misericórdia e às suas expectativas revolucionárias. São notícias que parecem tambores de guerra dentro da Igreja, já bastante audíveis ainda antes de se conhecer o teor da exortação apostólica. O pior pode ainda estar por vir.

[…] “já não vai ser possível solucionar esta questão de forma pacífica. Qualquer que seja a posição do Papa haverá sempre vencedores e perdedores”.

(Pe. Portocarrero de Almada, ao jornal Sol, 3 de agosto de 2015)

Nós estamos, agora mesmo, debaixo de centro barométrico da tempestade de “desorientação diabólica” prevista em Fátima, em 1917, é necessário ter os pés bem assentes em terra para não sermos levados pela corrente. A porta é estreita e o caminho é único, o mesmo de sempre.

O mau agouro que paira no ar, desde há alguns meses, não ficou agora melhor quando sabemos que os dois cardeais escolhidos para dirigirem a conferência de imprensa da apresentação da exortação apostólica serão dois conhecidos progressistas, que contribuíram fortemente, com as suas ideias heterodoxas, para a crise moral e doutrinária que se vive hoje dentro da Igreja Católica. O Cardeal Baldisseri, Secretário do Sínodo da Família, é mundialmente conhecido por acreditar no evolucionismo dos dogmas católicos e por ter ideias exóticas sobre o Matrimónio. O Cardeal Schoenborn, Arcebispo de Viena, é famoso pelas suas ideias loucas acerca da homossexualidade.

O engenho explosivo – se assim quisermos entender – foi acionado, a conferência de imprensa terá lugar às 11:30′, hora de Roma. Que seja como que Deus quiser.

Basto 4/2016