Contra Recentia Sacrilegia: Protesto contra os atos sacrílegos do Papa Francisco

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Grupo de académicos, clérigos e leigos, lança abaixo-assinado de protesto contra “os atos sacrílegos e supersticiosos cometidos pelo Papa Francisco”, pedindo-lhe que se arrependa publicamente dos “pecados” e “ofensas que cometeu contra Deus”.

Contra Recentia Sacrilegia

Protesto contra os atos sacrílegos do Papa Francisco

Nós, os abaixo-assinados investigadores e académicos clérigos e leigos católicos, protestamos contra e condenamos os atos sacrílegos e supersticiosos cometidos pelo Papa Francisco, Sucessor de São Pedro, no âmbito do recente Sínodo que teve lugar em Roma.
Tais actos sacrílegos foram os seguintes:

  • A 4 de Outubro, o Papa assistiu a um ato de culto idólatra da deusa pagã Pachamama.
  • O Papa permitiu que tal ato de culto fosse praticado nos Jardins Vaticanos, profanando deste modo as áreas vizinhas das sepulturas dos mártires e da igreja de São Pedro Apóstolo.
  • O Papa participou deste ato de culto idólatra abençoando a imagem de madeira da Pachamama.
  • A 7 de Outubro, o ídolo da Pachamama foi posto diante do altar-mor de São Pedro e foi depois levado em procissão até à Sala do Sínodo. O Papa Francisco recitou orações numa cerimónia envolvendo esta imagem e juntou-se depois à dita procissão.
  • Depois que várias imagens desta deusa pagã foram removidas da igreja de Santa Maria in Traspontina, onde haviam sido postas sacrilegamente, e tendo sido em seguida arrojadas ao Tibre por católicos indignados com essa profanação daquela igreja, o Papa, a 25 de Outubro, ofereceu desculpas pela remoção das imagens, e outra imagem de madeira da Pachamama foi de novo posta na igreja. Deu-se, assim, início a uma ulterior profanação.
  • A 27 de Outubro, por ocasião da Missa de encerramento do Sínodo, o Papa aceitou uma taça que fora usada no culto idólatra da Pachamama e pô-la sobre o altar.

O próprio Papa confirmou que estas imagens de madeira eram ídolos pagãos. No curso do seu pedido de desculpas pela remoção destes ídolos do interior de uma igreja católica, o Papa usou especificamente para eles o nome de Pachamama, nome que, de acordo com uma crença religiosa da América do Sul, corresponde à falsa divindade mãe terra.

Diferentes atos desta cadeia de eventos foram já condenados como idólatras ou sacrílegos pelo Cardeal Walter Brandmüller, Cardeal Gerhard Müller, Cardeal Jorge Urosa Savino, Arcebispo Carlo Maria Viganò, Bispo Athanasius Schneider, Bispo José Luis Azcona Hermoso, Bispo Rudolf Voderholzer e Bispo Marian Eleganti. Por fim, no curso deu ma entrevista, também o Cardeal Raymond Burke fez igual apreciação do culto que foi prestado.

Esta participação em idolatria foi antecipada pela declaração intitulada “Documento sobre a Fraternidade Humana”, assinada pelo Papa Francisco e Ahmad Al-Tayyeb, o Grande Imã da mesquita de Al-Azhar, a 4 de Fevereiro de 2019. Esta declaração afirmou que:

«O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta Sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente.»

O envolvimento do Papa Francisco em cerimónias idólatras é uma indicação de que quis dar a esta declaração um sentido heterodoxo, que permite que o culto pagão de ídolos seja considerado um bem positivamente querido por Deus.

Além disso, não obstante ter comunicado privadamente ao Bispo Athanasius Schneider que «[o Bispo] pode dizer que a frase em questão acerca da diversidade das religiões se refere à vontade permissiva de Deus …» , o Papa jamais procedeu à correção da declaração de Abu Dhabi nesses sentido. Num pronunciamento subsequente durante a audiência de 3 de Abril de 2019, o Papa, respondendo à questão “Porque é que Deus permite que haja muitas religiões?”, referiu-se de passagem à “vontade permissiva de Deus” tal como a mesma é entendida pela teologia escolástica, mas deu ao conceito um sentido positivo, declarando que «Deus quis permitir isto» porque, sendo embora certo que «há muitas religiões», elas «olham sempre para o céu, olham para Deus» (ênfase acrescentada). Não se nota aí sequer a mais mínima sugestão de que Deus permite a existência de religiões da mesma maneira que Ele permite, em geral, a existência do mal. Ao invés, a implicação que daí resulta claramente é a de que Deus permite a existência de «muitas religiões» porque elas são boas enquanto «olham sempre para o céu, olham para Deus».

Mais grave ainda: desde então, o Papa Francisco já reafirmou a declaração não corrigida de Abu Dhabi, ao estabelecer um “comité inter-religioso” , que veio mais tarde a receber a designação de “Comité Superior”, com sede nos Emirados Árabes Unidos, para dar seguimento aos “objetivos” do documento, e ao promover uma diretiva emitida pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-reliogioso dirigida aos dirigentes de todos os institutos católicos romanos de estudos superiores, e indiretamente aos professores universitários católicos, pedindo-lhes que deem ao documento a «maior difusão possível», aí se incluindo a asserção não corrigida de que Deus quer a «diversidade religiões» do mesmo modo que quer a diversidade de cores, sexos, raças e línguas.

Prestar culto a alguém ou algo além do único Deus verdadeiro, a Santíssima Trindade, é uma violação do Primeiro Mandamento. A participação em qualquer forma de veneração de ídolos é absolutamente condenada por este mandamento e constitui um pecado grave, independentemente da culpabilidade subjetiva, que só Deus pode julgar.

São Paulo ensinava à Igreja dos primeiros tempos que o sacrifício oferecido a ídolos pagãos não era dirigido a Deus mas antes aos demónios, como se lê na sua Primeira Epístola aos Coríntios:

« 19Que vos hei-de dizer, pois? Que a carne imolada aos ídolos tem algum valor, ou que o próprio ídolo é alguma coisa? 20Não! Mas aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus. E eu não quero que estejais em comunhão com os demónios. 21Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios
(1 Cor 10, 19-21)

Com tais ações, o Papa Francisco incorreu na condenação proferida pelo Segundo Concílio de Niceia:

«Muitos pastores destruíram a minha vinha, profanaram a minha porção. Porque seguiram homens ímpios e acreditando nos seus próprios desvarios, caluniaram a Santa Igreja, que Cristo tomou para Si por esposa, e não distinguiram o sagrado do profano, asserindo que os ícones de Nosso Senhor e dos santos não eram diferentes das imagens de madeira dos ídolos satânicos

É com imensa dor e profundo amor pela Cátedra de Pedro que suplicamos a Deus Todo-Poderoso que poupe os membros culpados da Sua Igreja sobre a terra da punição que merecem pelos seus terríveis pecados.

Pedimos respeitosamente ao Papa Francisco que se arrependa publicamente e sem ambiguidades destes pecados e de todas as ofensas que cometeu contra Deus e a verdadeira religião, e que faça reparação por estas ofensas.

Pedimos respeitosamente a todos os bispos da Igreja Católica que ofereçam ao Papa Francisco uma correção fraterna por estes escândalos, e que advirtam os seus rebanhos de que, de acordo com o ensinamento divinamente revelado da fé católica, eles arriscam a condenação eterna se seguirem o seu exemplo nas ofensas contra o Primeiro Mandamento.

9 de Novembro de 2019

In Festo Dedicationis Basilicae Lateranensis
“Terribilis est locus iste: hic domus Dei est et porta cæli; et vocabitur aula Dei”

Lista de signatários [com descrição em inglês]:

  • Dr Gerard J.M. van den Aardweg, The Netherlands
  • Dr Robert Adams, medical physician in Emergency & Family Medicine
  • Donna F. Bethell, J.D.
  • Tom Bethell, senior editor of The American Spectator and book author
  • Dr Biagio Buonomo, PhD in Ancient Christianity History and former culture columnist (1990-2013) for L’Osservatore Romano
  • François Billot de Lochner, President of Liberté politique, France
  • Rev. Deacon Andrew Carter B.Sc. (Hons.) ARCS DipPFS Leader, Marriage & Family Life Commission, Diocese of Portsmouth, England
  • Mr. Robert Cassidy, STL
  • Dr Michael Cawley, PhD, Psychologist, Former University Instructor, Pennsylvania, USA
  • Dr Erick Chastain, PhD, Postdoctoral Research Associate, Department of Psychiatry, University of Wisconsin-Madison
  • Fr Linus F Clovis
  • Lynn Colgan Cohen, M.A., O.F.S.
  • Dr Colin H. Jory, MA, PhD, Historian, Canberra, Australia
  • Rev Edward B. Connolly, Pastor Emeritus, St. Joseph Parish St. Vincent de Paul Parish, Girardville PA
  • Prof. Roberto de Mattei, Former Professor of the History of Christianity, European University of Rome, former Vice President of the National Research Council (CNR)
  • José Florencio Domínguez, philologist and translator
  • Deacon Nick Donnelly, MA Catholic Pastoral & Educational Studies (Spiritual Formation), England
  • Fr Thomas Edward Dorn, pastor of Holy Redeemer Parish in New Bremen OH in the Archdiocese of Cincinnati
  • Fr Stefan Dreher FSSP, Stuttgart, Germany
  • Dr Michael B. Ewbank, PhD in Philosophy, Loras College, retired, USA
  • Fr Jerome Fasano, Pastor, St John the Baptist Church, Front Royal, Virginia, USA
  • Dr James Fennessy, MA, MSW, JD, LCSW, Matawan, New Jersey, USA
  • Christopher A. Ferrara, J.D., Founding President of the American Catholic Lawyers’ Association
  • Fr Jay Finelli, Tiverton, RI, USA
  • Prof. Michele Gaslini, Professor of Public Law, University of Udine, Italy
  • Dr Linda M. Gourash, M.D.
  • Dr Maria Guarini STB, Pontificia Università Seraphicum, Rome; editor of the website Chiesa e postconcilio
  • Fr Brian W. Harrison, OS, STD, associate professor of theology of the Pontifical Catholic University of Puerto Rico (retired), Scholar-in-Residence, Oblates of Wisdom Study Center, St. Louis, Missouri, USA
  • Sarah Henderson DCHS MA (RE & Catechetics) BA (Mus)
  • Prof. Robert Hickson PhD, Retired Professor of Literature and of Strategic-Cultural Studies
  • Dr Maike Hickson PhD, Writer and Journalist
  • Prof., Dr.rer.pol., Dr.rer.nat. Rudolf Hilfer, Professor of Theoretical Physics at Universität Stuttgart
  • Fr John Hunwicke, Former Senior Research Fellow, Pusey House, Oxford
  • Fr Edward J. Kelty, OS, JCD, Defensor Vinculi, SRNC rota romana 2001-19, Former Judicial Vicar, Archdiocese of Ferrara, Judge, Archdiocese of Ferrara
  • Dr Ivo Kerže, prof. phil.
  • Dr Thomas Klibengajtis, former Assistant Professor of Catholic Systematic Theology, Institute of Catholic Theology, Technical University Dresden, Germany
  • Dr Peter A. Kwasniewski, PhD, USA
  • Dr John Lamont, DPhil (Oxon.)
  • Dr Dorotea Lancellotti, catechist, co-founder of the website: https://cooperatores-veritatis.org/
  • Dr Ester Ledda, consecrated laywoman, co-founder of the website https://cooperatores-veritatis.org/
  • Fr Patrick Magee, FLHF a Franciscan of Our Lady of the Holy Family, canonical hermit in the Diocese of Fall River, Massachusetts
  • Dr Carlo Manetti, jurist and lecturer, Italy
  • Dr Christopher Manion, PhD, KM, Humanae Vitae Coalition, Front Royal, Virginia, USA
  • Antonio Marcantonio, MA
  • Michael J. Matt, Editor, The Remnant, USA
  • Jean-Pierre Maugendre, general delegate, Renaissance catholique, France
  • Msgr John F. McCarthy, JCD, STD, retired professor of moral theology, Pontifical Lateran University
  • Prof. Brian M. McCall, Orpha and Maurice Merrill Professor in Law, Special Advisor to the Provost for Online Education, University of Oklahoma
  • Patricia McKeever, B.Ed. M.Th., Editor, Catholic Truth, Scotland
  • Mary Angela McMenamin, MA in Biblical Theology from John Paul the Great Catholic University
  • Fr Cor Mennen, lecturer canon law at the diocesan Seminary of ‘s-Hertogenbosch and member of the cathedral chapter
  • Rev Michael Menner, Pastor
  • Dr Stéphane Mercier, Ph.D., S.T.B., former research fellow and lecturer at the University of Louvain
  • David Moss, President, Association of Hebrew Catholics, St. Louis, Missouri
  • Dr Claude E Newbury, M.B. B.Ch., D.T.M & H., D.P.H., D.O.H., M.F.G.P., D.C.H., D.A., M. Prax Med.
  • Prof. Giorgio Nicolini, writer, Director of “Tele Maria”
  • Fr John O’Neill, STB, Dip TST, Priest of the Diocese of Parramatta, member of Australian Society of Authors
  • Fr Guy Pagès, Archdiocese of Paris, France
  • Prof. Paolo Pasqualucci, Professor of Philosophy (retired), University of Perugia, Italy
  • Fr Dean P. Perri, Diocese of Providence, Our Lady of Loreto Church
  • Dr Brian Charles Phillips, MD
  • Dr Mary Elizabeth Phillips, MD
  • Dr Robert Phillips, Professor (emeritus) Philosophy: Oxford University, Wesleyan University, University of Connecticut
  • Prof. Claudio Pierantoni, Professor of Medieval Philosophy, University of Chile; former Professor of Church History and Patrology at the Pontifical Catholic University of Chile
  • Prof. Enrico Maria Radaelli, Professor of Aesthetic Philosophy and Director of the Department of Aesthetic Philosophy of the International Science and Commonsense Association (ISCA), Rome, Italy
  • Dr Carlo Regazzoni, Philosopher of Culture, Therwill, Switzerland
  • Prof. John Rist, Professor emeritus of Classics and Philosophy, University of Toronto
  • Dr Ivan M. Rodriguez, PhD
  • Fr Luis Eduardo Rodrìguez Rodríguez, Pastor, Diocesan Catholic Priest, Caracas, Venezuela.
  • John F. Salza, Esq.
  • Fr Timothy Sauppé, S.T.L., pastor of St. Mary’s (Westville, IL.) and St. Isaac Jogues (Georgetown, IL.)
  • Fr John Saward, Priest of the Archdiocese of Birmingham, England
  • Prof. Dr Josef Seifert, Director of the Dietrich von Hildebrand Institute of Philosophy, at the Gustav Siewerth Akademie, Bierbronnen, Germany
  • Mary Shivanandan, Author and consultant
  • Dr Cristina Siccardi, Church Historian and author
  • Dr Anna M. Silvas, senior research adjunct, University of New England NSW Australia.
  • Jeanne Smits, journalist, writer, France
  • Dr Stephen Sniegoski, PhD, historian and book author
  • Dr Zlatko Šram, PhD, Croatian Center for Applied Social Research
  • Henry Sire, Church historian and book author, England
  • Robert J. Siscoe, author
  • Abbé Guillaume de Tanoüarn, Doctor of Literature
  • Rev Glen Tattersall, Parish Priest, Parish of St. John Henry Newman, Australia
  • Gloria, Princess of Thurn und Taxis, Regensburg, Germany
  • Prof. Giovanni Turco, associate professor of Philosophy of Public Law, University of Udine, Italy
  • Fr Frank Unterhalt, Pastor, Archdiocese of Paderborn, Germany
  • José Antonio Ureta, author
  • Adrie A.M. van der Hoeven, MSc, physicist
  • Dr Gerd J. Weisensee, Msc, Switzerland
  • John-Henry Westen, MA, Co-Founder and Editor-in-Chief LifeSiteNews.com
  • Dr Elizabeth C. Wilhelmsen, Ph.D. in Hispanic Literature, University of Nebraska-Lincoln, retired
  • Willy Wimmer, Secretary of State, Ministry of Defense, (ret.), Germany
  • Prof. em. Dr Hubert Windisch, priest and theologian, Germany
  • Mo Woltering, MTS, Headmaster, Holy Family Academy, Manassas, Virginia, USA
  • Miguel Ángel Yáñez, editor of Adelante la Fe

Em 12 de novembro de 2019

  • Archbishop Carlo Maria Viganò
  • Prof. Dr. Heinz Sproll – University of Augsburg
  • Edgardo J. Cruz Ramos, President Una Voce Puerto Rico
  • Rev. Fr. Felice Prosperi
  • Prof.Growuo Guys PhD
  • Rev. Nicholas Fleming STL
  • Drs. N.A.L. van der Sluis pr., Pastoorparochie Maria, Moeder van de Kerk Bisdom ‘s-Hertogenbosch
  • Rev. Fr Alfredo Maria Morselli
  • Marco Paganelli, Journalist and writer
  • Deacon Eugene G. McGuirk, USA
O apoio a este abaixo-assinado pode ser manifestado aqui.

Basto 11/2019

Declaração sobre as verdades relativas a alguns dos erros mais comuns na vida da Igreja no nosso tempo

5.bispos

«A Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade» (1Tm 3, 15)

Declaração sobre as verdades relativas a alguns dos erros
mais comuns na vida da Igreja no nosso tempo

Os fundamentos da fé

  1. O significado correcto das expressões “tradição viva”, “Magistério vivo”, “hermenêutica da continuidade” e “desenvolvimento da doutrina” inclui a verdade de que qualquer nova compreensão do depósito da fé não pode ser contrária ao que a Igreja sempre propôs no mesmo dogma, no mesmo sentido e no mesmo significado (cf. Concílio Vaticano I, Dei Filius, 3, cap. 4, «in eodem dogmate, eodem sensu, eademque sententia»).

    2. O significado das fórmulas dogmáticas na Igreja «permanece sempre verdadeiro e coerente, mesmo quando é mais esclarecido e melhor compreendido». Por isso, é errado sustentar: primeiro, «fórmulas dogmáticas (ou, pelo menos, algumas categorias das mesmas) não poderiam expressar a verdade determinadamente, mas apenas aproximações mutáveis da mesma»; segundo, «as mesmas fórmulas dogmáticas expressam apenas de modo indefinido a verdade, deveria esta ser continuamente procurada, através das tais “aproximações”». Portanto, «os que abraçam semelhante opinião não conseguem fugir ao relativismo dogmático e falsificam o conceito de infalibilidade da Igreja, relativo à verdade que há-de ser ensinada e aceite de maneira determinada» (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Mysterium Ecclesiae, acerca da doutrina católica sobre a Igreja para a defender de alguns erros hodiernos, n. 5).


O Credo

  1. «O Reino de Deus, começado, aqui na terra, na Igreja de Cristo, “não é deste mundo” (cf. Jo18, 36), “cuja figura passa” (cf. 1Cor7, 31), e o seu crescimento próprio não pode ser confundido com o progresso da cultura humana ou das ciências e artes técnicas; mas consiste em conhecer, cada vez mais profundamente, as riquezas insondáveis de Cristo, em esperar sempre com maior firmeza os bens eternos, em responder mais ardentemente ao amor de Deus, enfim, em difundir-se cada vez mais largamente a graça e a santidade entre os homens. (…) A grande solicitude com que a Igreja, Esposa de Cristo, acompanha as necessidades dos homens, isto é, as suas alegrias e esperanças, dores e trabalhos, não é outra coisa senão o ardente desejo que a impele com força a estar presente junto deles, tencionando iluminá-los com a luz de Cristo, congregar e unir a todos Naquele que é o seu único Salvador. Tal solicitude, entretanto, jamais se deve interpretar como se a Igreja se acomodasse às coisas deste mundo, ou se se tivesse resfriado no fervor com que ela mesma espera o seu Senhor e o Reino eterno» (Paulo VI, Carta Apostólica Solemni Hac Liturgia – Credo do Povo de Deus, n. 27). É, portanto, errada a opinião de quem que afirma que Deus é glorificado principalmente pelo progresso das condições temporais e terrenas da humanidade.

    4. Depois da instituição da Nova e Eterna Aliança em Jesus Cristo, ninguém pode ser salvo apenas mediante a obediência à lei de Moisés, sem ter fé em Cristo como verdadeiro Deus e único Salvador da humanidade (cf. Rm 3, 28; Gal 2, 16).

    5. Os muçulmanos e todos aqueles que não têm fé em Jesus Cristo, Deus e homem, mesmo sendo monoteístas, não podem prestar a Deus a mesma adoração dos cristãos, isto é, o culto sobrenatural em Espírito e Verdade (cf. Jo 4, 24; Ef 2, 8) de quantos receberam o Espírito de adopção filial (cf. Rm 8, 15).

    6. As espiritualidades e religiões que promovam qualquer tipo de idolatria ou panteísmo não podem ser consideradas nem como “sementes” nem como “frutos” do Verbo Divino, porque se trata de enganos que impedem a evangelização e a salvação eterna dos seus aderentes, como ensina Sagrada Escritura: «para os incrédulos, cuja inteligência o deus deste mundo cegou, a fim de não verem brilhar a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é imagem de Deus» (2Cor 4, 4).

    7. Segundo o verdadeiro ecumenismo, os não-católicos devem entrar nessa unidade que a Igreja Católica já possui de forma indestrutível em virtude da oração de Cristo, sempre ouvida pelo Pai, «para serem um só» (Jo 17, 11), e que se professa no Símbolo da Fé: «Eu creio numa Igreja». O ecumenismo, portanto, não pode legitimamente ter como objectivo a instituição de uma Igreja unificada que ainda não exista.

    8. O inferno existe e aqueles que são condenados por qualquer pecado mortal sem arrependimento são eternamente punidos pela justiça divina (cf. Mt 25, 46). Segundo o ensinamento da Sagrada Escritura, não apenas os anjos caídos, mas também as almas humanas são eternamente condenadas (cf. 2Ts 1, 9; 2Pe 3, 3). Além disso, os seres humanos eternamente condenados não serão aniquilados, uma vez que as suas almas são imortais de acordo com o ensinamento infalível da Igreja (cf. V Concílio Lateranense, sess. 8).

    9. A religião nascida da fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado e o único Salvador da humanidade, é a única religião desejada positivamente por Deus. É errado afirmar que, assim como Deus quer positivamente a diversidade dos sexos masculino e feminino e a diversidade das nações, também quer a diversidade das religiões.

    10. «A nossa religião instaura efectivamente uma relação autêntica e viva com Deus, que as outras religiões não conseguem estabelecer, se bem que elas tenham, por assim dizer, os seus braços estendidos para o céu» (Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, n. 53).

    11. O dom do livre-arbítrio, com o qual Deus Criador dotou a pessoa humana, confere ao homem o direito natural de escolher apenas o bem e a verdade. Nenhuma pessoa humana tem, portanto, o direito natural de ofender a Deus escolhendo o mal moral do pecado ou o erro religioso da idolatria, da blasfémia ou de uma outra falsa religião.


A lei de Deus

  1. Uma pessoa justificada tem a força necessária, com a graça de Deus, para cumprir as exigências objectivas da lei divina, uma vez que todos os mandamentos de Deus são cumpridos pelos justificados. Porque a graça de Deus, quando justifica o pecador, pela sua própria natureza, produz a conversão de cada pecado grave (cf. Concílio de Trento, sess. 6, decreto sobre a justificação, cap. 11; 13).

    13. «Os fiéis hão-de reconhecer e respeitar os preceitos morais específicos, declarados e ensinados pela Igreja em nome de Deus, Criador e Senhor. (…) O amor de Deus e o amor do próximo são inseparáveis da observância dos mandamentos da Aliança, renovada no sangue de Jesus Cristo e no dom do Espírito» (João Paulo II, Encíclica Veritatis Splendor, n. 76). Segundo o ensinamento da mesma Encíclica, erram aqueles que «crêem poder justificar como moralmente boas, escolhas deliberadas de comportamentos contrários aos mandamentos da lei divina e natural». Portanto, «estas teorias não podem apelar à tradição moral católica» (ibid.).

    14. Todos os mandamentos de Deus são, igualmente, justos e misericordiosos. É, portanto, errado dizer que uma pessoa, obedecendo a uma proibição divina – como, por exemplo, ao sexto mandamento, ou não cometendo adultério –, possa pecar contra Deus por tal acto de obediência, prejudicar-se moralmente ou pecar contra o próximo.

    15. «Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja» (João Paulo II, Encíclica Evangelium Vitae, n. 62). Existem princípios e verdades morais contidas na revelação divina e na lei natural que comportam proibições negativas, que proíbem absolutamente um certo tipo de acções, já que são sempre seriamente ilegais devido ao seu objectivo. Portanto, é errado afirmar que uma boa intenção ou uma boa consequência é, ou pode ser, suficiente para justificar o cumprimento deste tipo de acções (cf. Concilio de Trento, sess. 6, de iustificatione, cap. 15; João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia, n. 17, Encíclica Veritatis Splendor, n. 80).

    16. A lei natural e divina impede que uma mulher, que concebeu um filho no seu ventre, mate essa vida humana nela presente, seja no caso em que seja ela mesma a fazê-lo, seja no caso em que o façam outros, directamente ou indirectamente (cf. João Paulo II, Encíclica Evangelium Vitae, n. 62).

    17. Os procedimentos que provocam a concepção fora do útero «são moralmente inaceitáveis, porquanto separam a procriação do contexto integralmente humano do acto conjugal» (João Paulo II, Encíclica Evangelium Vitae, n. 14).

    18. Nenhum homem pode ser moralmente justificado ou moralmente autorizado a querer matar-se ou ser morto por outros a fim de fugir ao sofrimento temporal. «A eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal» (João Paulo II, Encíclica Evangelium Vitae, n. 65).

    19. O casamento é, por vontade divina e pela lei natural, a união indissolúvel de um homem e de uma mulher (cf. Gn 2, 24; Mc 10, 7-9; Ef 5, 31-32). «Pela sua própria índole, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados para a procriação e educação da prole, que constituem como que a sua coroa» (Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, n. 48).

    20. Segundo a lei natural e divina, nenhum ser humano pode voluntariamente, e sem pecar, exercer as suas potencialidades sexuais fora de um matrimónio válido. Portanto, é contrário à Sagrada Escritura e à Tradição afirmar que a consciência pode julgar os actos sexuais entre pessoas unidas por um matrimónio civil como moralmente justificados ou, até mesmo, solicitados ou mesmo mandados por Deus, mesmo que uma ou ambas as pessoas já sejam sacramentalmente casadas com uma outra (cf. 1Cor 7, 11; João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, n. 84).

    21. A lei natural e Divina proíbe «toda a acção que, ou em previsão do acto conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação» (Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, n. 14).

    22. Quem obteve um divórcio civil do cônjuge com quem é validamente casado (ou casada) e tem um matrimónio civil com outra pessoa durante a vida do cônjuge, e vive more uxorio com o seu parceiro civil e opta por permanecer neste estado com pleno conhecimento da natureza do seu acto e com pleno consentimento da vontade para com esse acto, encontra-se num estado de pecado mortal e, portanto, não pode receber a graça santificante e crescer na caridade. Portanto, estes cristãos, a menos que vivam como “irmão e irmã”, não podem receber a Sagrada Comunhão (cf. João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, n. 84).

    23. Duas pessoas do mesmo sexo pecam gravemente quando procuram um prazer venéreo recíproco (cf. Lv 18, 22; Lv 20, 13; Rm 1, 24-28; 1Cor 6, 9-10; 1Tm 1, 10; Jd 7). Os actos homossexuais «não podem, em caso algum, ser aprovados» (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357). Assim, é contrário à lei natural e à Revelação Divina alegar que Deus, o Criador, assim como deu a alguns humanos uma disposição natural para experimentar atracção sexual por pessoas do sexo oposto, a outros deu uma disposição natural para sentir desejo sexual em relação a pessoas do mesmo sexo e que, neste último caso, Deus quer que se coloque em prática tal conduta em algumas circunstâncias.

    24. A lei humana, ou qualquer outro poder humano, não podem dar a duas pessoas do mesmo sexo o direito de se casarem, nem de declararem que são casadas, pois isso é contrário à lei natural e divina. «No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimónio» (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, 3 de Junho de 2003, n. 3).

    25. As uniões que têm o nome de matrimónio sem possuírem a realidade, não podem receber a bênção da Igreja, pois isso é contrário à lei natural e divina.

    26. O poder estatal não pode estabelecer uniões civis ou jurídicas entre duas pessoas do mesmo sexo que imitem claramente a união do matrimónio, mesmo que não recebam o nome de matrimónio, já que as ditas uniões induziriam as pessoas que as contraem em grave pecado e seriam causa de grave escândalo para o próximo (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, 3 de Junho de 2003, n. 11).

    27. O sexo masculino e o feminino, “ser homem”, “ser mulher”, são realidades biológicas criadas pela sapiente vontade de Deus (cf. Gn 1, 27; Catecismo da Igreja Católica, n. 369). É, portanto, uma rebelião contra a lei natural e divina e um pecado grave que um homem se possa tornar uma mulher mutilando-se ou, simplesmente, declarando-se uma mulher, ou que uma mulher também se possa tornar um homem, ou afirmar que a autoridade civil tem o dever ou o direito de agir como se tais actos fossem ou pudessem ser possíveis e legítimos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2297).

    28. Em conformidade com a Sagrada Escritura e a tradição constante do Magistério ordinário e universal, a Igreja não errou ao ensinar que o poder civil possa legitimamente exercer a pena capital contra os malfeitores, quando isso é verdadeiramente necessário para preservar a existência ou a justa ordem da sociedade (cf. Gn 9, 6; Jo 19, 11; Rm 13, 1-7; Inocêncio III, Professio fidei Waldensibus praescripta; Catecismo Romano do Concílio de Trento, p. III, 5, n. 4; Pio XII, Discurso aos participantes do Encontro Nacional de Estudos da União dos Juristas Católicos Italianos, 5 de Dezembro de 1954).

    29. Toda a autoridade, tanto na terra como no céu, pertence a Jesus Cristo, pelo que as sociedades civis e todas as outras associações de homem são sujeitas à sua realeza porque «o dever de prestar a Deus um culto autêntico diz respeito ao homem individual e socialmente» (Catecismo de Igreja Católica, n. 2105; cf. Pio XI, Encíclica Quas Primas, nn. 18-19; n. 32).


Os sacramentos

  1. No Santíssimo Sacramento da Eucaristia realiza-se uma mudança maravilhosa, de toda a substância do pão no corpo de Cristo e de toda a substância do vinho no Seu sangue, uma mudança que a Igreja Católica chama, muito adequadamente, de transubstanciação (cf. IV Concílio Lateranense, cap. 1; Concílio de Trento, sess. 13, c. 4). «Qualquer interpretação de teólogos, que tente penetrar, de algum modo, neste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho» (Paulo VI, Carta Apostólica Solemni Hac Liturgia – Credo do Povo de Deus, n. 25).

    31. As formulações com as quais o Concílio de Trento expressou a fé da Igreja na Sagrada Eucaristia são adequadas aos homens de todos os tempos e lugares, pois são a «doutrina sempre válida» (João Paulo II, Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 15).

    32. Na Santa Missa, é oferecido um verdadeiro e próprio sacrifício à Santíssima Trindade, e este sacrifício é propiciatório tanto para os homens que vivem na terra como para as almas do purgatório. É errado, portanto, afirmar que o sacrifício da Missa consiste simplesmente no sacrifício espiritual de orações e louvores feitos pelo povo, assim como sustentar que a Missa pode ou deve ser definida somente como Cristo que se dá aos fiéis como alimento espiritual (cf. Concílio de Trento, sess. 22, c. 2).

    33. «A Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente nos nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam a aparecer aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial» (Paulo VI, Carta Apostólica Solemni Hac Liturgia – Credo do Povo de Deus, n. 24).

    34. «A imolação incruenta por meio da qual, depois que foram pronunciadas as palavras da consagração, Cristo está presente no altar no estado de vítima, é realizada só pelo sacerdote enquanto representa a pessoa de Cristo e não enquanto representa a pessoa dos fiéis. (…) Que os fiéis oferecem o sacrifício por meio do sacerdote, é claro, pois o ministro do altar age na pessoa de Cristo enquanto Cabeça. (…) Quando, pois, se diz que o povo oferece juntamente com o sacerdote, não se afirma que os membros da Igreja de maneira idêntica à do próprio sacerdote realizam o rito litúrgico visível – o que pertence somente ao ministro de Deus para isso designado – mas sim que une os seus votos de louvor, de impetração, de expiação e a sua acção de graças à intenção do sacerdote, aliás, do próprio Sumo Pontífice, a fim de que sejam apresentados a Deus Pai na própria oblação da vítima, embora com o rito externo do sacerdote» (Pio XII, Encíclica Mediator Dei, n. 83).

    35. O sacramento da Penitência é o único meio ordinário através do qual os pecados graves, cometidos depois do Baptismo, podem ser perdoados, e pela lei divina todos esses pecados devem ser confessados em número e em espécie (cf. Concílio de Trento, sess. 14, can. 7).

    36. Por lei divina, o confessor não pode violar o sigilo do sacramento da Penitência por qualquer motivo; nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder de dispensá-lo do sigilo do sacramento e o poder civil é completamente incompetente para forçá-lo a fazê-lo (cf. CIC, n. 1983, can. 1388 § 1; Catecismo da Igreja Católica, n. 1467).

    37. Em virtude da vontade de Cristo e da tradição imutável da Igreja, o sacramento da Sagrada Eucaristia não pode ser dado àqueles que estão em estado público de pecado objectivamente grave, e a absolvição sacramental não pode ser dada àqueles que expressam a sua relutância em se conformarem à lei divina, mesmo se essa relutância diz respeito a uma só matéria grave (cf. Concílio de Trento, sess. 14, c. 4; João Paulo II, Mensagem ao Cardeal William Wakefield Baum, 22 de Março de 1996).

    38. Segundo a tradição constante da Igreja, o sacramento da Sagrada Eucaristia não pode ser dado àqueles que negam qualquer verdade da fé católica, pois, formalmente, professam a própria adesão a uma comunidade cristã herética ou oficialmente cismática (cf. Código de Direito Canónico, cân. 915; cân. 1364).

    39. A lei pela qual os sacerdotes são obrigados a observar a perfeita continência no celibato deriva do exemplo de Jesus Cristo e pertence à tradição imemorial e apostólica, segundo o constante testemunho dos Padres da Igreja e dos Romanos Pontífices. Por esta razão, tal lei não deve ser abolida da Igreja Romana através da inovação de um celibato sacerdotal opcional, seja a nível regional, seja a nível universal. O perene e válido testemunho da Igreja afirma que a lei da continência sacerdotal «não ordena novos preceitos. Estes preceitos são observados, porque foram negligenciados da parte de alguns por ignorância e indolência. Estes preceitos, no entanto, remontam aos Apóstolos e foram estabelecidos pelos Padres, como está escrito: “Portanto, irmãos, estai firmes e conservai as tradições nas quais fostes instruídos por nós, por palavra ou por carta”. (2Ts 2, 15). Muitos, de facto, ignorando os estatutos dos nossos ancestrais, violaram a castidade da Igreja com a sua presunção e seguiram a vontade do povo, não temendo o juízo de Deus» (Papa Sirício, Decreto Cum in Unum, ano 386).

    40. Por vontade de Cristo e pela constituição divina da Igreja, apenas os homens baptizados (viri) podem receber o sacramento da Ordem, tanto no episcopado como no sacerdócio e no diaconado (cf. João Paulo II, Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, n. 4). Além disso, é errado dizer que só um Concílio Ecuménico pode definir esta matéria, porque a autoridade de ensino de um Concílio Ecuménico não é mais ampla do que a do Romano Pontífice (cf. V Concílio Lateranense, sess. 11; Concílio Vaticano I, sess. 4, c. 3).

Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta
Cardeal Janis Pujats, Arcebispo emérito de Riga
Monsenhor Tomash Peta, Arcebispo da Arquidiocese de Maria Santíssima, em Astana
Monsenhor Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
Monsenhor Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima, em Astana

31 de Maio de 2019
(tornada pública a 10 de Junho de 2019)

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Nota explicativa da Declaração sobre as verdades relativas a alguns dos erros mais comuns na vida da Igreja no nosso tempo

No nosso tempo, a Igreja está a viver uma das maiores epidemias espirituais, isto é, uma confusão e uma desorientação doutrinária quase universalmente difundidas, que constituem um sério perigo de contágio para a saúde espiritual e para a salvação eterna de muitas almas. Ao mesmo tempo, nos nossos dias, devemos reconhecer uma letargia generalizada no exercício do Magistério em diferentes níveis da hierarquia da Igreja. Isto é causado, em grande parte, pelo não cumprimento do dever apostólico – como também declarado pelo Concílio Vaticano II – de «vigiar para manter longe do seu rebanho os erros que o ameaçam» (Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 25).

A nossa época é caracterizada por uma aguda fome espiritual dos fiéis católicos de todo o mundo, fome de uma reafirmação daquelas verdades que são ofuscadas, minadas e negadas por alguns dos erros mais perigosos do mundo actual. Os fiéis que sofrem uma tal fome espiritual sentem-se abandonados numa espécie de periferia existencial. Uma situação do género exige urgentemente um remédio concreto. Portanto, uma declaração pública sobre as verdades relativas a esses erros não pode admitir um outro adiamento. Estamos cientes das palavras imortais do Papa São Gregório Magno: «Que a língua não fique presa no exortar, e o nosso silêncio não nos condene, junto do justo juiz, a nós que assumimos o ofício de pregadores. (…) Aqueles que nos foram confiados, abandonam Deus e nós estamos calados. Permanecem nos seus pecados e nós não lhes estendemos a mão para corrigi-los» (In Ev. hom. 17, 3. 14).

Estamos conscientes da nossa grave responsabilidade de bispos católicos, segundo a admoestação de São Paulo, que ensina que Deus deu à sua Igreja «alguns como Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres, em ordem a preparar os santos para uma actividade de serviço, para a construção do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo. Assim, deixaremos de ser crianças, batidos pelas ondas e levados por qualquer vento da doutrina, ao sabor do jogo dos homens, da astúcia que maliciosamente leva ao erro; antes, testemunhando a verdade no amor, cresceremos em tudo para aquele que é a cabeça, Cristo. É a partir dele que o Corpo inteiro, bem ajustado e unido, por meio de toda a espécie de articulações que o sustentam, segundo uma força à medida de cada uma das partes, realiza o seu crescimento como Corpo, para se construir a si próprio na caridade» (cf. Ef 4, 11-16).

No espírito da caridade fraterna, publicamos esta Declaração como uma ajuda espiritual concreta, para que bispos, sacerdotes, paróquias, conventos religiosos, associações de fiéis leigos e pessoas individuais possam ter a oportunidade de confessar, privada ou publicamente, a verdade que nos nossos dias é, na maioria das vezes, negada ou desfigurada. A seguinte exortação do Apóstolo Paulo deve ser entendida como também dirigida a cada bispo e fiel leigo do nosso tempo: «Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e da qual fizeste uma bela profissão na presença de muitas testemunhas. Na presença de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Jesus Cristo, que deu testemunho perante Pôncio Pilatos numa bela profissão de fé, recomendo-te que guardes o mandato, sem mancha nem culpa, até à manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo» (cf. 1Tm 6, 12-14).

Aos olhos do Juiz Divino e da própria consciência, cada bispo, sacerdote e fiel leigo tem o dever moral de testemunhar inequivocamente as verdades hoje ofuscadas, minadas e negadas. Actos públicos e privados, com a difusão de uma declaração como esta, poderiam iniciar um movimento de confissão da verdade e da sua defesa, de reparação pelos inúmeros pecados contra a Fé e, acima de tudo, pelos pecados de apostasia – escondida e aberta – da fé católica de um não pequeno número de fiéis, seja entre o clero, seja entre os leigos. No entanto, deve ser recordado que tal movimento não será uma questão de números, mas de verdade, assim como formulado por São Gregório Nazianzeno, no meio da geral confusão doutrinária da crise ariana, quando afirmou que Deus não se satisfaz com os números (cf. Or. 42, 7).

Ao testemunharem a imutável fé católica, clero e leigos recordarão que «a totalidade dos fiéis que receberam a unção do Santo, não pode enganar-se na fé; e esta sua propriedade peculiar manifesta-se por meio do sentir sobrenatural da fé do povo todo, quando este, “desde os Bispos até ao último dos leigos fiéis”, manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes» (Concílio Vaticano II, Declaração Dogmática Lumen Gentium, n. 12).

Os santos e os grandes bispos que viveram em tempos de crise doutrinária podem interceder por nós e guiar-nos com as suas palavras, como Santo Agostinho, que assim se dirigiu ao Papa São Bonifácio I: «Porque a vigilância pastoral é comum a todos nós que exercemos o ofício do episcopado, embora vós vos destaqueis nele pela sede mais elevada, eu faço o que posso, segundo a pequenez do meu cargo e segundo quanto o Senhor se digna dar-me com a ajuda das vossas orações» (Contra ep. Pel. I, 2).

Uma voz comum dos Pastores e dos fiéis, através de uma precisa declaração das verdades, será, sem dúvida, um meio eficaz de ajuda fraterna e filial para o Sumo Pontífice, na actual situação extraordinária de confusão doutrinária e de desorientação geral na vida da Igreja.

Fazemos esta Declaração pública no espírito da caridade cristã, que se manifesta no cuidado da saúde espiritual tanto dos Pastores como dos fiéis, ou seja, de todos os membros do corpo de Cristo, que é a Igreja, atentos às seguintes palavras de São Paulo na primeira Carta aos Coríntios: «Para não haver divisão no corpo e os membros terem a mesma solicitude uns para com os outros. Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria. Vós sois o corpo de Cristo e cada um, pela sua parte, é um membro» (1Cor 12, 25-27); e na Carta aos Romanos: «É que, como num só corpo, temos muitos membros, mas os membros não têm todos a mesma função, assim acontece connosco: os muitos que somos formamos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros que pertencem uns aos outros. Temos dons que, consoante a graça que nos foi dada, são diferentes: se é o da profecia, que seja usado em sintonia com a fé; se é o do serviço, que seja usado a servir; se um tem o de ensinar, que o use no ensino; se outro tem o de exortar, que o use na exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem preside, faça-o com dedicação; quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria. Que o vosso amor seja sincero. Detestai o mal e apegai-vos ao bem. Sede afectuosos uns para com os outros no amor fraterno; adiantai-vos uns aos outros na estima mútua. Não sejais preguiçosos na vossa dedicação; deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor» (cf. Rm 12, 4-11).

Os cardeais e bispos subscritores desta “Declaração sobre as verdades”, confiam-na ao Imaculado Coração da Mãe de Deus sob a invocação “Salus Populi Romani”, tendo em conta o significado espiritual privilegiado deste ícone para a Igreja Romana. Possa toda a Igreja Católica, sob a protecção da Virgem Imaculada e Mãe de Deus, «combater intrepidamente o bom combate da Fé, persistir firmemente no ensinamento dos Apóstolos e prosseguir segura entre as tempestades do mundo, até alcançar a cidade celestial» (Prefácio da Santa Missa em honra da Bem-Aventurada Virgem Maria “Salvação do Povo Romano”).

Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta
Cardeal Janis Pujats, Arcebispo emérito de Riga
Monsenhor Tomash Peta, Arcebispo da Arquidiocese de Maria Santíssima, em Astana
Monsenhor Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
Monsenhor Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima, em Astana

31 de Maio de 2019
(tornada pública a 10 de Junho de 2019)

Fonte: National Catholic Register, 10 de junho de 2019.
Tradução: diesiraept.blogspot.com (página acedida no dia 11 de junho de 2019).

Quem quiser manifestar o seu apoio a esta declaração poderá fazê-lo aqui.

Basto 06/2019

Grupo de personalidades católicas acusa o Papa Francisco de heresia

heresia2.jpgUm grupo de reconhecidos clérigos e académicos publicou uma carta aberta dirigida aos bispos da Igreja Católica (disponível aqui em espanhol) onde lhes é pedido um procedimento judicial perante as heresias do Papa Francisco. A carta foi firmada na semana de Páscoa e tornada pública no dia de Santa Catarina de Sena, uma santa que aconselhou vários Papas do seu tempo.

O referido documento parte da Correctio Filialis, de 2017, onde 62 académicos censuraram “sete proposições falsas e heréticas” de Francisco a respeito do casamento, da moral e do acesso aos sacramentos, especialmente à luz de sua controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. Como as “proposições heréticas” não foram ainda corrigidas, antes pelo contrário, os autores da carta aberta pedem agora que o Santo Padre seja julgado por essas e por outras posições heréticas que são do conhecimento comum e estão amplamente documentadas. Alegam que agora se tornou claro que o Papa Francisco está ciente das suas próprias posições contrárias à fé e que chegou a hora de dar um “passo em frente” e declarar que o Papa Francisco é “culpado do crime de heresia”.

Aos 19 subscritores iniciais do documento têm vindo a juntar-se outras personalidades do mundo católico, numa lista que ainda não parou de crescer, como tem dado conta a publicação de origem canadiana LifeSiteNews. Por outro lado, uma petição online, que pede aos bispos católicos uma “investigação ao Papa Francisco por heresia”, reunindo deste modo apoio popular à carta aberta, já recolheu milhares de assinaturas.

Basto 05/2019

Burke e Brandmüller: Para onde está a ir a Igreja?

burke.brandmuller.jpg

Os cardeais D. Walter Brandmüller e D. Raymond Burke, dois dos autores dos chamados dubia dirigidos ao Papa Francisco e ainda sem resposta (os restantes, já faleceram), publicaram, na passada terça-ferira, uma carta aberta dirigida aos participantes na Cimeira sobre Abusos Sexuais, que teve início na quinta-feira em Roma.

Na carta em questão, abaixo reproduzida, os cardeais sugerem uma linha óbvia de abordagem, negligenciada pela cúpula romana, que relaciona o grave problema dos abusos de menores na Igreja Católica com a atual infestação de homoclericalismo.

CARTA ABERTA AOS PRESIDENTES DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS

Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,

É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós!

O mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde está a ir a Igreja?

Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma parte de uma crise bem mais ampla. A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenómeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.

Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação, até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.

Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro, no Vaticano?

Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre acerca dos “dubia” que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a família. Hoje, esses “dubia” não só continuam sem receber qualquer resposta, mas são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.

Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Walter Card. Brandmüller

Raymond Leo Card. Burke

Fonte: magister.blogautore.espresso.repubblica.it Settimo (página acedida no dia 22 de fevereiro de 2019).
Tradução: dubia (página acedida no dia 22 de fevereiro de 2019).

 

Mais grave que um pecado moral, é um sacrilégio

A página católica austríaca Kath.net publicou entretanto um curto vídeo onde o cardeal Brandmüller explica a razão que o levara a publicar a carta aberta. Como explica o cardeal alemão, as aberrantes práticas homossexuais envolvendo elementos do clero configuram sacrilégios eucarísticos.

Basto 02/2019

Cardeal Müller publica manifesto em que clarifica confusões doutrinais do pontificado de Francisco

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O Cardeal D. Gerhard Müller, anterior Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, publicou uma “Declaração de Fé onde reafirma algumas verdades doutrinais que têm sido relativizadas pela Igreja durante o pontificado de Francisco. Não é uma correção formal ao Papa Francisco, mas parece.

Declaração de Fé

“Não se perturbe o vosso coração!” (Jo 14, 1)

Diante de uma confusão cada vez mais generalizada no ensino da fé, muitos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica pediram-me para dar testemunho público da verdade da Revelação. A tarefa dos pastores é guiar os homens que lhes são confiados pelo caminho da salvação, e isso só pode acontecer se tal caminho for conhecido e se eles forem os primeiros a percorrê-lo. A esse respeito, o Apóstolo advertiu: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi” (1Cor 15, 3). Hoje, muitos cristãos nem sequer conhecem os fundamentos da fé, com um crescente perigo de não encontrarem o caminho que leva à vida eterna. No entanto, a tarefa própria da Igreja continua a ser levar as pessoas a Jesus Cristo, a luz dos gentios (cf. LG 1). Nesta situação, alguém se pergunta como encontrar a orientação correta. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica representa uma “norma segura para o ensino da fé” (Fidei Depositum IV). Foi escrito para fortalecer os irmãos e irmãs na fé, uma fé posta à prova pela “ditadura do relativismo”[1].

1. Deus uno e trino, revelado em Jesus Cristo

O epítome da fé de todos os cristãos reside na confissão da Santíssima Trindade. Nós tornamo-nos discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus, através do Batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental na fé em Deus e na imagem do homem em relação às outras religiões. Reconhecido Jesus Cristo, os fantasmas desaparecem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, encarnado no ventre da Virgem Maria pela obra do Espírito Santo. O Verbo feito carne, o Filho de Deus é o único Salvador do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Por esta razão, a primeira carta de João refere-se àquele que nega a sua divindade como o anticristo (1Jo 2, 22), visto que Jesus Cristo, Filho de Deus, desde a eternidade é um único ser com Deus, seu Pai (663). É com clara determinação que é necessário enfrentar o reaparecimento de antigas heresias que em Jesus Cristo viam apenas uma boa pessoa, um irmão e um amigo, um profeta e um exemplo de vida moral. Ele é, antes de tudo, a Palavra que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que tomou a nossa natureza humana para nos redimir e que virá para julgar os vivos e os mortos. Só a Ele adoramos em união com o Pai e o Espírito Santo como o único e verdadeiro Deus (691).

2. A Igreja

Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Ele deu à sua Igreja, que “nasceu do coração trespassado de Cristo morto na cruz” (766), uma estrutura sacramental que permanecerá até ao pleno cumprimento do Reino (765). Cristo, cabeça, e os crentes como membros do corpo são uma pessoa mística (795), por essa razão a Igreja é santa, visto que Cristo, o único mediador, a estabeleceu na terra como um organismo visível e continuamente a apoia (771). Por meio dela, a obra redentora de Cristo torna-se presente no tempo e no espaço com a celebração dos Santos Sacramentos, especialmente no Sacrifício Eucarístico, a Santa Missa (1330). Com a autoridade de Cristo, a Igreja transmite a revelação divina, “que se estende a todos os elementos da doutrina, incluindo a moral, sem a qual as verdades salvíficas da fé não podem ser guardadas, expostas ou observadas” (2035).

3. A Ordem sacramental

A Igreja é em Jesus Cristo o sacramento universal da salvação (776). Ela não se reflecte a si mesma, mas a luz de Cristo, que resplandece no rosto, e isso só acontece quando o ponto de referência não é a opinião da maioria, nem o espírito dos tempos, mas a verdade revelada em Jesus Cristo, que confiou à Igreja Católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos Sacramentos da Igreja.

A Igreja não é uma associação criada pelo homem, cuja estrutura pode ser modificada pelos seus membros à vontade: é de origem divina. “O próprio Cristo é a origem do ministério na Igreja. Ele instituiu-a, deu-lhe autoridade e missão, orientação e fim” (874). A admoestação do Apóstolo ainda é válida hoje, segundo a qual é amaldiçoado alguém que proclama outro Evangelho, “nós mesmos, ou um anjo do céu” (Gl 1, 8). A mediação da fé está intrinsecamente ligada à credibilidade humana dos seus pregadores: em alguns casos, abandonaram aqueles que lhes haviam sido confiados, perturbando-os e prejudicando seriamente a sua fé. Para eles cumpre-se a palavra da Escritura: “virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos” (2 Tm 4,3-4).

A tarefa do Magistério da Igreja para com o povo de Deus é “protegê-lo de desvios e falhas” para que possa “professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente verdadeiro em relação aos sete sacramentos. A Sagrada Eucaristia é “a fonte e o cume de toda a vida cristã” (1324). O Sacrifício Eucarístico, em que Cristo nos envolve no sacrifício da cruz, visa a união mais íntima com Ele (1382). Por isso, a Sagrada Escritura alerta para as condições para receber a Sagrada Comunhão: “Assim, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1Cor 11, 27) e, em seguida, “Quem está ciente de que cometeu um pecado grave, deve receber o sacramento da Reconciliação antes de receber a Comunhão” (1385). Da lógica subjacente ao sacramento percebe-se que os divorciados e recasados ​​civilmente, cujo casamento sacramental diante de Deus ainda é válido, bem como todos aqueles cristãos que não estão em plena comunhão com a fé católica e também todos aqueles que não estão devidamente preparados, não recebem a Sagrada Eucaristia frutiferamente (1457), porque deste modo não os leva à salvação. Realçá-lo, corresponde a uma obra de misericórdia espiritual.

O reconhecimento dos pecados na Santa Confissão, pelo menos uma vez por ano, é um dos preceitos da Igreja (2042). Quando os crentes já não confessam os seus pecados recebendo a absolvição, a salvação trazida por Cristo torna-se vã, pois Ele fez-se homem para nos redimir dos nossos pecados. O poder do perdão, que o Ressuscitado conferiu aos Apóstolos e aos seus sucessores no Episcopado e no Sacerdócio, restaura os pecados graves e veniais cometidos depois do Baptismo. A prática actual da confissão mostra que a consciência dos crentes não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus é-nos dada para que possamos cumprir os seus Mandamentos para nos conformarmos à sua santa vontade e não para evitar o chamamento à conversão (1458).

“É o sacerdote que continua a obra da redenção na terra” (1589). A ordenação, que confere ao sacerdote “um poder sagrado” (1592), é insubstituível porque, através dele, Jesus torna-se sacramentalmente presente na sua ação salvadora. Os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “um sinal dessa nova vida” (1579). Trata-se da entrega de si para o serviço de Cristo e do Seu Reino vindouro. A fim de conferir a ordenação validamente nos três graus do Sacramento, a Igreja reconhece-se como limite para a escolha feita pelo próprio Senhor, “por esta razão a ordenação de mulheres não é possível” (1577). A este respeito, falar de discriminação contra as mulheres demonstra claramente uma incompreensão deste Sacramento, que não diz respeito a um poder terrestre, mas à representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral

Fé e vida são inseparáveis, porque a fé sem as obras feitas no Senhor é morta (1815). A lei moral é o trabalho da sabedoria divina e leva o homem à beatitude prometida (1950). Consequentemente, a “lei divina e natural mostra ao homem o caminho a seguir para fazer o bem e alcançar o seu objetivo” (1955). A sua observância é necessária para que todas as pessoas de boa vontade alcancem a salvação eterna. De facto, aquele que morre em pecado mortal sem arrependimento permanecerá para sempre separado de Deus (1033). Isto implica consequências práticas na vida dos cristãos, entre as quais é oportuno recordar aquelas que hoje são mais frequentemente negligenciadas (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é um fardo, mas faz parte dessa verdade libertadora (cf. Jo 8, 32), através da qual o cristão caminha no caminho da salvação e não deve ser relativizada.

5. Vida Eterna

Muitos hoje perguntam porquê a Igreja ainda existe se os próprios bispos preferem agir como políticos, em vez de mestres da fé e proclamar o Evangelho. O olho não se deve deter em questões secundárias, mas é mais necessário do que nunca para a Igreja assumir a sua própria tarefa. Todo o ser humano tem uma alma imortal, que na sua morte é separada do corpo, mas com a esperança da ressurreição dos mortos (366). A morte toma a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todos terão que enfrentar o juízo pessoal imediatamente após a morte (1021): ou será necessária uma purificação ou o homem irá diretamente para a felicidade celestial e será permitido contemplar Deus face-a-face. Mas há também a terrível possibilidade de que uma pessoa, até ao fim, permaneça em contradição com Deus: rejeitando definitivamente o seu amor, “chorará imediatamente para sempre” (1022). “Deus, que nos criou sem nós, não nos quis salvar sem nós” (1847). A eternidade da punição do Inferno é uma realidade terrível, que, de acordo com o testemunho das Sagradas Escrituras, diz respeito a todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão atravessa a porta estreita, “porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele” (Mt 7, 13).
Manter em silêncio estas e outras verdades da fé ou ensinar o oposto é o pior engano contra o qual o Catecismo adverte vigorosamente. Esta representa a última prova da Igreja, ou “uma impostura religiosa que oferece aos homens uma solução aparente para os seus problemas, ao preço da apostasia da verdade” (675). É o engano do Anticristo, que vem “com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2Ts 2, 10).

Apelo

Como trabalhadores na vinha do Senhor, todos nós temos a responsabilidade de recordar estas verdades básicas que se agarram ao que nós mesmos recebemos. Queremos dar coragem para percorrer o caminho de Jesus Cristo com determinação, a fim de obter a vida eterna seguindo os Seus mandamentos (2075).

Pedimos ao Senhor que nos deixe saber quão grande é o dom da fé católica, através do qual a porta para a vida eterna é aberta. “Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos em fortalecer a fé confessando a verdade que é o próprio Jesus Cristo.

O aviso que Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá ao seu colaborador e sucessor Timóteo é dirigido particularmente a nós, bispos e padres. Ele escreveu: “Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há-de julgar os vivos e os mortos, peço-te encarecidamente, pela sua vinda e pelo seu Reino: proclama a palavra, insiste em tempo propício e fora dele, convence, repreende, exorta com toda a compreensão e competência. Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos. Desviarão os ouvidos da verdade e divagarão ao sabor de fábulas. Tu, porém, controla-te em tudo, suporta as adversidades, dedica-te ao trabalho do Evangelho e desempenha com esmero o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

Que Maria, Mãe de Deus, implore a graça de nos apegarmos à confissão da verdade de Jesus Cristo sem vacilar.

Unidos na fé e na oração,

Gerhard Cardeal Müller
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017

 

[1] Os números que aparecem no texto correspondem ao Catecismo da Igreja Católica.

Fonte: lifepetitions.com (página acedida no dia 9 de fevereiro de 2019).
Tradução: diesiraept.blogspot.com (página acedida no dia 9 de fevereiro de 2019).

Quem quiser apoiar o manifesto do Cardeal D. Gerhard Müller poderá fazê-lo subscrevendo o documento aqui.

Basto 02/2019

PETIÇÃO: Travem as redes homossexuais na Igreja Católica

petiçãoO problema das redes homossexuais na Igreja Católica provocou o sofrimento das suas vítimas e deu origem a uma crise na Igreja.

Os escândalos de abuso sexual reacenderam no verão passado depois da traição do cardeal McCarrick ter sido divulgada e depois da publicação do relatório do Grande Jurado da Pensilvânia. Posteriormente, o testemunho do Arcebispo Viganò atingiu o Vaticano como uma bomba.

Que mostraram todas essas revelações?

Mostram que o escândalo dos abusos sexuais na Igreja Católica é principalmente um escândalo de predação homossexual perpetrado pelo clero adulto (e por vezes sénior) contra rapazes pós-pubescentes.

Mais chocante ainda é o facto de alguns bispos terem protegido ou encoberto clérigos culpados, transferindo-os de paróquia para paróquia, acabando por deixar um rasto de devastação e lágrimas nos seus percursos destrutivos.

Diante de um colapso interno e reagindo ao criticismo dos média, o Papa Francisco convocou bispos, inclusive muitos cardeais, do mundo inteiro para irem a Roma entre os dias 21 e 24 de fevereiro para discutirem e tomarem medidas no que concerne à questão da proteção de menores.

Esta petição, num espírito de crítica filial, pede aos prelados de todo o mundo que tomem agora medidas drásticas para enfrentar com firmeza e erradicar as redes homossexuais que se enraizaram na Igreja.

Em poucas palavras, esta petição pede aos bispos medidas concretas para remediar esta criseque passem pela suspensão, vergonha pública e difamação de qualquer clérigo (sacerdote, bispo, cardeal, etc.) que seja culpado de uma ofensa ao Sexto Mandamento com um menor, de sodomia ou de adultério com um adulto.

Os promotores desta petição, que conta com um amplo apoio em todo o mundo católico, são a Pro Ecclesia (Suíça) e o LifeSifeNews (EUA/Canadá).

E os seguintes dignitários também assinaram a petição:

John Smeaton, CEO da The Society for the Protection of Unborn Children (Reino Unido)

Dr. Markus Büning (Alemanha)

Riccardo Cascioli, Editor da La Nuova Bussola Quotidiana (Itália)

Christian Spaemann, MD (Alemanha)

Pedro L. Llera (Espanha)

Prof. Anna Silvas (Austrália)

Prof. em. Hubert Windisch (Alemanha)

Gabriele Kuby (Alemanha)

Infovaticana (Espanha)

Aktion Kinder in Gefahr (DVCK e.V.) (Alemanha)

Donna F. Bethell, J.D. (EUA)

Peter A. Kwasniewski, PhD (EUA)

Agora, por favor, acrescente seu nome à lista de fiéis católicos e cristãos preocupados, que pedem aos bispos para fazerem o que está certo e travarem as redes homossexuais na Igreja Católica.

Obrigado por assinar e partilhar!

Fonte: lifepetitions.com (página acedida no dia 5 de janeiro de 2019)
Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Basto 02/2019

Arcebispo italiano acusa Francisco de encobrir casos de pedofilia e pede-lhe que renuncie

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Numa carta explosiva, o arcebispo D. Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, acusa o Papa Francisco de ter encoberto os casos de pedofilia que envolviam o cardeal americano D. Theodore McCarrick e, portanto, pede-lhe que resigne. McCarrick perdera há poucos dias o título cardinalício por causa das escandalosas acusações de que tem sido alvo nos EUA.

A carta chegou à comunicação social durante a visita do Santo Padre à Irlanda para participar no Encontro Mundial das Famílias 2018, em Dublin, onde o abuso de menores por parte de elementos do clero católico foi um dos temas mais sonantes. Durante a visita, Francisco invocou o “perdão do Senhor”, falou de “sofrimento”, “vergonha” e criticou o “fracasso das autoridades eclesiásticas” em lidar adequadamente com estes “crimes desprezíveis”.

A carta foi publicada em italiano pelo vaticanista Edward Pentin (o Life Site News disponibilizou entretanto a tradução em inglês).

Viganò afirma que o Santo Padre tinha conhecimento, pelo menos desde há cinco anos, de que o cardeal McCarrick “era um predador em série”. Segundo ele, muita gente dentro do Vaticano sabia perfeitamente das razões pelas quais Bento XVI tinha imposto sanções sobre McCarrick, nomeadamente em alguns dos círculos mais próximos de Francisco e normalmente associados ao lobby gay eclesiástico.

No que diz respeito à Cúria Romana, por enquanto vou parar por aqui, mesmo que os nomes de outros prelados no Vaticano sejam bem conhecidos, mesmo alguns muito próximos do Papa Francisco, como o Cardeal Francesco Coccopalmerio e o Arcebispo Vincenzo Paglia, que pertencem à corrente homossexual que favorece a subversão da doutrina católica sobre a homossexualidade… Os cardeais Edwin Frederick O’Brien e Renato Raffaele Martino também pertencem à mesma corrente, embora com uma ideologia diferente. Outros que pertencem a esta corrente residem até mesmo na Domus Sanctae Marthae.

(D. Carlo Maria Viganò, 22/08/2018 – tradução livre)

O arcebispo dá a entender que a preocupação do Papa era meramente o jogo político…

Comecei a conversa, perguntando ao Papa o que queria ele dizer com as palavras que me dirigira quando o cumprimentei na sexta-feira anterior. E o Papa, num tom muito diferente, amistoso, quase afetuoso, disse-me: “Sim, os Bispos nos Estados Unidos não devem ser ideologizados, não devem ser de direita como o Arcebispo de Filadélfia (o Papa não me referiu o nome do arcebispo), devem ser pastores; e não devem ser de esquerda – e acrescentou, levantando ambos os braços – e quando eu digo de esquerda quero dizer homossexuais.” Claro, a lógica da correlação entre ser de esquerda e ser homossexual escapou-me, mas eu não acrescentei mais nada.

Imediatamente depois, o Papa perguntou-me de um modo enganoso: “Como é o Cardeal McCarrick?” Respondi-lhe com toda a franqueza e, diria mesmo, com grande ingenuidade: “Santo Padre, não sei se conhece o Cardeal McCarrick, mas, se perguntar à Congregação para os Bispos, existe um pesado dossiê sobre ele. Ele corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes e o Papa Bento XVI ordenou que ele se retirasse para uma vida de oração e penitência.” O Papa não fez o menor comentário sobre aquelas gravíssimas palavras e não demonstrou qualquer expressão de surpresa no rosto, como se já soubesse do assunto há algum tempo, e mudou imediatamente de assunto. Mas então, qual era o propósito do Papa em fazer-me esta pergunta: “Como é o cardeal McCarrick?” Ele queria obviamente saber se eu era ou não um aliado de McCarrick.

(D. Carlo Maria Viganò, 22/08/2018 – tradução livre)

O arcebispo lança, deste modo, uma acusação formal grave sobre o Papa Francisco e convida-o a renunciar ao Papado.

Quero relembrar esta infalível verdade da santidade da Igreja a muitas pessoas que foram tão profundamente escandalizadas pelo comportamento abominável e sacrílego do ex-arcebispo de Washington, Theodore McCarrick; pela grave, desconcertante e pecaminosa conduta do Papa Francisco e pela conspiração do silêncio de tantos pastores, e que são tentados a abandonar a Igreja, desfigurada por tantas ignomínias. No Angelus de domingo, 12 de agosto de 2018, o  Papa Francisco disse estas palavras: “Todos são culpados pelo bem que poderiam ter feito e não fizeram… Se não nos opomos ao mal, nós o alimentamos tacitamente. Temos de intervir onde o mal se está a espalhar; porque o mal espalha-se onde faltam cristãos ousados ​​que se opõem ao mal com o bem”. Se isto é corretamente considerado uma séria responsabilidade moral para todo crente, muito mais grave é para o supremo pastor da Igreja, que, no caso de McCarrick, não apenas não se opôs ao mal como também se envolveu pessoalmente ao fazer o mal com alguém que ele sabia ser profundamente corrupto. Seguiu o conselho de alguém que ele sabia bem que era um pervertido, multiplicando assim exponencialmente, com sua autoridade suprema, o mal feito por McCarrick. E quantos outros pastores maléficos continua Francisco que continua a manter na destruição ativa da Igreja!

Francisco está a abdicar do mandato que Cristo deu a Pedro para confirmar os irmãos. De facto, através da sua ação, ele dividiu-os, conduziu-os ao erro e encorajou os lobos a continuarem a afastar as ovelhas do rebanho de Cristo.

Neste momento extremamente dramático para a Igreja universal, deve reconhecer os seus erros e, seguindo o princípio proclamado de tolerância zero, o Papa Francisco deve ser o primeiro a dar um bom exemplo aos cardeais e bispos que encobriram os abusos de McCarrick e demitir-se juntamente com todos eles.

(D. Carlo Maria Viganò, 22/08/2018 – tradução livre)

Abordado sobre o assunto no voo de regresso da Irlanda, nas suas habituais entrevistas a bordo do avião papal, Francisco escusou-se a comentar o assunto.

O momento pelo qual atravessa a Santa Igreja de Cristo é de facto muito grave e só não vê quem não quer mesmo ver!

Basto 8/2018

75 personalidades católicas apelam publicamente aos cardeais para que defendam o ensinamento da Igreja no que concerne à pena de morte

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In First Things, 15/08/2018.

No dia 15 deste mês, um conjunto de 75 personalidades católicas, que inclui essencialmente académicos e membros do clero, lançaram “Um Apelo aos Cardeais da Igreja Católica” na publicação americana First Things para pedir que seja reposto o tradicional ensinamento da Igreja Católica a respeito da pena de morte.

Embora nenhum católico seja obrigado a apoiar o uso da pena de morte na prática (e nem todos os abaixo-assinados apoiam o seu uso), ensinar que a pena capital é sempre e intrinsecamente má contradiria a Sagrada Escritura.

(In First Things, 15/08/2018 – tradução livre)

De acordo com os signatários, “contradizer a Escritura e a tradição neste ponto lançaria dúvidas sobre a credibilidade do magistério em geral”, portanto apelam aos cardeais da Igreja Católica para que aconselhem o Santo Padre a “ensinar a palavra de Deus não adulterada” e a eliminar a recente alteração do catecismo nesta matéria de modo a evitar o escândalo.

O subscritores do apelo apoiam-se no Cânon 212 do Código do Direito Canónico e no ensinamento de São Tomás de Aquino para justificar a necessidade de correção dos pastores nesta matéria. Os cristãos têm o direito e o dever de corrigir publicamente os seus superiores hierárquicos quando está em causa a salvaguarda da integridade da fé e dos costumes, do mesmo modo que São Paulo um dia repreendeu São Pedro (Gl 2, 11).

Basto 8/2018

15 sacerdotes lançam um apelo dirigido aos bispos do mundo inteiro pela reafirmação dos ensinamentos de Cristo

cura.pastoralis
curapastoralis.org

Um grupo de 15 sacerdotes, que inclui o Pe. Gerald Murray (comentador frequente no popular programa World Over do canal católico americano de televisão EWTN), lançou Um apelo pastoral aos bispos para uma reafirmação apostólica do Evangelho.

O apelo dos sacerdotes foi lançado no dia 22 de abril, Domingo do Bom Pastor, apresentando-se como reação às frequentes declarações e ações de alguns elementos da hierarquia católica, de teólogos e até do próprio Papa Francisco, que põem em causa, chegando mesmo a contradizer, os constantes ensinamentos e práticas pastorais da Igreja.

Ao fazer nosso apelo, gostaríamos de incentivá-lo a não subestimar o valor pastoral do apoio e direção apostólicos que você poderia fornecer à Igreja universal, mesmo individualmente como bispo. Estamos claramente conscientes como sacerdotes de que muitos clérigos e leigos foram tão afetados pelas mentalidades seculares e a falsa teologia moral das décadas passadas que agora consideram o testemunho apostólico da Igreja como idealista, ultrapassado ou mesmo cruel. Por isso, eles muitas vezes percebem erroneamente as afirmações pastorais desse testemunho como abstrações, legalismos ou condenações pessoais. Isso é extremamente doloroso para todos os envolvidos. A experiência pode ser desencorajadora para os sacerdotes e pode nos levar a evitar oferecer uma apresentação clara e autêntica do Evangelho.

(in Cura Pastoralis, 22/04/2018)

Até ao dia de hoje, 5 de maio, o número de assinaturas ultrapassou já a centena e meia, correspondendo a sacerdotes de mais de duas dezenas de países de todos os continentes.

Os sacerdotes que concordam com o texto do apelo devem subscrevê-lo aqui.

Basto 5/2018

Bispos do Cazaquistão publicam “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”

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Praticamente um ano depois de terem lançado um apelo universal à oração para que o Santo Padre confirme a imutável prática da Igreja relativa à verdade sobre a indissolubilidade do matrimónio, os bispos do Cazaquistão publicam agora uma “profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental”. Em causa está, ainda, toda a confusão resultante da publicação da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia. Os bispos signatários consideram que a leitura que o Papa Francisco faz da sua exortação “amoris laetitia” é “alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica”.

Profissão das verdades imutáveis em relação ao matrimónio sacramental

Depois da publicação da Exortação Apostólica “Amoris laetitia” (2016), vários bispos emanaram, a nível local, regional e nacional, normas aplicativas acerca da disciplina sacramental daqueles fiéis, ditos “divorciados recasados”, que, vivendo ainda ligados ao cônjuge ao qual estão unidos por um vínculo matrimonial válido, iniciaram no entanto uma convivência more uxorio estável com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo.

As normas mencionadas contemplam, entre outras coisas, que, em casos individuais, as pessoas ditas “divorciadas recasadas” possam receber o sacramento da Penitência e a Sagrada Comunhão, mesmo continuando a viver habitual e intencionalmente more uxorio com uma pessoa que não é o seu cônjuge legítimo. Tais normas pastorais receberam a aprovação de várias autoridades hierárquicas. Algumas destas normas receberam, até, a aprovação da suprema autoridade da Igreja.

A difusão de tais normas pastorais aprovadas eclesiasticamente causou uma notável e sempre crescente confusão entre os fiéis e o clero, uma confusão que toca as manifestações centrais da vida da Igreja, como o matrimónio sacramental, a família, a igreja doméstica e o sacramento da Santíssima Eucaristia.

Segundo a doutrina da Igreja, apenas através do vínculo matrimonial sacramental se constitui uma igreja doméstica (cfr. Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 11). A admissão dos fiéis chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, a qual é a expressão máxima da unidade de Cristo-Esposo com a Sua Igreja, significa, na prática, um modo de aprovação ou de legitimação do divórcio e, neste sentido, uma espécie de introdução do divórcio na vida da Igreja.

As mencionadas normas pastorais revelam-se de facto, e com o tempo, como um meio de difusão da “chaga do divórcio”, uma expressão usada no Concílio Vaticano II (cfr. Gaudium et Spes, 47). Trata-se da difusão da “chaga do divórcio” até mesmo na vida da Igreja, quando na verdade a Igreja deveria ser a causa da fidelidade incondicional à doutrina de Cristo, um baluarte e um sinal inconfundível de contradição contra a chaga cada dia mais difundida do divórcio na sociedade civil.

De modo inequívoco, e sem admitir qualquer excepção, o Nosso Senhor e Redentor Jesus Cristo reconfirmou solenemente a vontade de Deus em relação à proibição absoluta do divórcio. Uma aprovação ou legitimação da violação do vínculo sacramental matrimonial, ainda que através da referida nova disciplina sacramental, contradiz de modo grave a expressa vontade de Deus e o Seu mandamento. Tal prática representa, assim, uma alteração substancial da bimilenária disciplina sacramental da Igreja. Para além disto, uma disciplina substancialmente alterada comportará, com o tempo, também uma correspondente alteração na doutrina.

O Magistério constante da Igreja, começando com os ensinamentos dos Apóstolos e de todos os Sumos Pontífices, conservou e transmitiu fielmente, quer na doutrina (na teoria) quer na disciplina sacramental (na prática), de modo inequívoco, sem qualquer sombra de dúvida e sempre no mesmo sentido e no mesmo significado (eodem sensu eademque sententia), o cristalino ensinamento de Cristo acerca da indissolubilidade do matrimónio.

Por causa da sua natureza divinamente estabelecida, a disciplina dos sacramentos não deve jamais contradizer a palavra revelada por Deus e a fé da Igreja na indissolubilidade absoluta do matrimónio rato e consumado. “Os sacramentos não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam sacramentos da fé” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 59). “Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer, mas somente na obediência da fé e no respeito religioso do mistério da liturgia” (Catecismo da Igreja Católica, 1125). A fé católica, pela sua natureza, exclui uma contradição formal entre a fé professada, por um lado, e a vida e a prática dos sacramentos, pelo outro. Neste sentido também se pode entender as afirmações do Magistério: “Este divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano de muitos deve ser contado entre os mais graves erros do nosso tempo” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 43) e “a pedagogia concreta da Igreja deve estar sempre ligada e nunca separada da sua doutrina” (João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).

Em virtude da importância vital que constituem a doutrina e a disciplina do matrimónio e da Eucaristia, a Igreja é obrigada a falar com a mesma voz. As normas pastorais em relação à indissolubilidade do matrimónio não devem, portanto, contradizer-se entre uma diocese e outra, entre um país e outro. Desde o tempo dos Apóstolos, a Igreja observou este princípio, como o atesta Santo Ireneu de Lião: “A Igreja, ainda que difundida por todo o mundo até às extremidades da terra, tendo recebido dos Apóstolos e dos seus discípulos a fé, conserva esta pregação e esta fé com zelo e, come se habitasse numa única casa, crê num mesmo modo idêntico, come se tivesse uma única alma e um único coração, e prega as verdades de fé, ensina-as e transmite-as com voz unânime, como se tivesse uma só boca” (Adversus haereses, I, 10, 2). São Tomás de Aquino transmite-nos o mesmo princípio perene da vida da Igreja: “Existe uma só fé dos antigos e dos modernos, caso contrário não existiria a única e mesma Igreja” (Questiones Disputatae de Veritate, q. 14, a. 12c).

Permanece actual e válida a seguinte admoestação: “a confusão criada na consciência de muitos fiéis pelas divergências de opiniões e de ensinamentos na teologia, na pregação, na catequese e na direcção espiritual, acerca de questões graves e delicadas da moral cristã, acaba por fazer diminuir, quase até à sua extinção, o verdadeiro sentido do pecado” (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitenia, 18).

À doutrina e disciplina sacramental relativas à indissolubilidade do matrimónio rato e consumado é plenamente aplicável o sentido das seguintes afirmações do Magistério da Igreja:

  • “A Igreja de Cristo, diligente custódia e defensora dos dogmas a ela confiados, jamais os mudou em nada, nem diminuiu, nem acrescentou, antes, tratando, fiel e sabiamente, com todos seus recursos as verdades que a antiguidade tem esboçado e a fé dos Padres tem semeado, de tal maneira trabalha por arquivá-las e poli-las, para que os antigos dogmas da celestial doutrina recebam claridade, luz, precisão, sem que se percam, sem restrição, sua plenitude, sua integridade, sua índole própria e se desenvolvam tão só segundo sua natureza; e dizer o mesmo dogma, no mesmo sentido e parecer”(Pio IX, Bula dogmática Ineffabilis Deus).
  • “Quanto à própria substância da verdade, a Igreja tem, diante de Deus e dos homens, o sacro dever de anunciá-la, de ensiná-la sem qualquer atenuação, como Cristo a revelou, e não existe qualquer condição de tempos que possa fazer declinar o rigor desta obrigação. Esta obriga em consciência todos os sacerdotes a quem é confiada a assistência de formar, advertir e de guiar os fiéis” (Pio XII, Discurso aos párocos e aos pregadores quaresmalistas, 23 Março 1949).
  • “A Igreja nem historiciza nem relativiza em metamorfoses da cultura profana a natureza da Igreja, sempre igual e fiel a si mesma, como Cristo a quis e a autêntica tradição a aperfeiçoou”(Paulo VI, Homilia de 28 Outubro 1965).
  • “Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas”(Paulo VI, Encíclica Humanae Vitae, 29).
  • “As eventuais dificuldades conjugais sejam resolvidas sem nunca falsificar e comprometer a verdade”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “De tal norma [da lei moral] a Igreja não é, certamente, nem a autora nem o juiz. Em obediência à verdade que é Cristo, cuja imagem se reflecte na natureza e na dignidade da pessoa humana, a Igreja interpreta a norma moral e propõe-na a todos os homens de boa vontade, sem esconder as suas exigências de radicalidade e de perfeição”(João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 33).
  • “O outro é o princípio da verdade e da coerência, pelo qual a Igreja não aceita chamar bem ao mal e mal ao bem. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja mais não pode do que convidar os seus filhos, que se encontram nessas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas”(João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 34).
  • “A firmeza da Igreja em defender as normas morais universais e imutáveis, nada tem de humilhante. Fá-lo apenas ao serviço da verdadeira liberdade do homem: dado que não há liberdade fora ou contra a verdade”(João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “Diante das normas morais que proíbem o mal intrínseco, não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último «miserável» sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais” (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 96).
  • “O dever de reafirmar esta impossibilidade de admitir à Eucaristia é condição de verdadeira pastoralidade, de autêntica preocupação pelo bem destes fiéis e de toda a Igreja, porque indica as condições necessárias para a plenitude da conversão à qual todos estão sempre convidados pelo Senhor” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração acerca da admissão à Sagrada Comunhão dos divorciados recasados, de 24 Junho de 2000, n. 5)

Como bispos católicos, os quais – segundo o ensinamento do Concílio Vaticano II – devem defender a unidade da fé e a disciplina comum da Igreja e procurar que surja para todos os homens a luz da plena verdade (cfr Lumen gentium, 23), somos forçados em consciência a professar, diante da actual e difusa confusão, a imutabilidade do matrimónio segundo o ensinamento bimilenário e inalterado do Magistério da Igreja. Neste espírito, reiteramos:

  • As relações sexuais entre pessoas que não estão ligadas entre elas pelo vínculo de um matrimónio válido – coisa que se verifica no caso dos chamados “divorciados recasados” – são sempre contrárias à vontade de Deus e constituem uma grave ofensa a Deus.
  • Nenhuma circunstância ou finalidade, nem mesmo uma possível inimputabilidade ou culpa diminuída, podem tornar tais relações sexuais uma realidade moral positiva e agradável a Deus. O mesmo vale para os outros preceitos negativos dos Dez Mandamentos de Deus. Porque “há determinados actos que, por si mesmos e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objecto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 17).
  • A Igreja não possui o carisma infalível de julgar sobre o estado interno de graça de um fiel (cfr. Concílio de Trento, sess. 24, cap. 1). A não admissão à Sagrada Comunhão dos ditos “divorciados recasados” não significa, portanto, um juízo sobre os seus estados de graça diante de Deus, mas um juízo sobre o carácter visível, público e objectivo das suas situações. Por causa da natureza visível dos sacramentos e da própria Igreja, a recepção dos sacramentos depende necessariamente da correspondente situação visível e objectiva dos fiéis.
  • Não é moralmente lícito manter relações sexuais com uma pessoa que não é o próprio cônjuge legítimo para supostamente evitar um outro pecado. Porque a palavra de Deus ensina-nos que não é lícito “fazer o mal para que venha o bem” (Rm 3, 8).
  • A admissão de tais pessoas à Sagrada Comunhão só pode ser permitida quando, com a ajuda da graça de Deus e um acompanhamento pastoral paciente e individual, elas fazem um propósito sincero de cessar desse momento em diante o hábito de tais relações sexuais e de evitar o escândalo. Nisto se expressou sempre, na Igreja, o verdadeiro discernimento e o autêntico acompanhamento pastoral.
  • As pessoas que têm relações sexuais não conjugais habituais violam, com tal estilo de vida, os seus indissolúveis vínculos nupciais sacramentais em relação aos seus legítimos cônjuges. Por esta razão, não são capazes de participar “em espírito e em verdade” (cfr. Jo 4, 23) na ceia nupcial eucarística de Cristo, tendo em conta também as palavras do rito da Sagrada Comunhão: “Felizes os convidados para ceia nupcial do Cordeiro!” (Ap 19, 9).
  • O cumprimento da vontade de Deus, revelada nos Seus Dez Mandamentos e na Sua explícita e absoluta proibição do divórcio, constitui o verdadeiro bem espiritual das pessoas, aqui na terra, e conduzi-las-á à verdadeira alegria do amor, na salvação da vida eterna.

Sendo os bispos, no seu ofício pastoral aqueles “que velam pela fé católica e apostólica” (cfr. Missale Romanum, Canon Romanus), somos conscientes desta grave responsabilidade e do nosso dever diante dos fiéis, que esperam de nós uma profissão pública e inequívoca da verdade e da disciplina imutável da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio. Por esta razão, não nos é possível calar.

Afirmamos, portanto, no espírito de São João Baptista, de São João Fisher, de São Tomás More, da Beata Laura Vicuña e de numerosos conhecidos e desconhecidos confessores e mártires da indissolubilidade do matrimónio:

Não é lícito (non licet) justificar, aprovar ou legitimar, nem directa nem indirectamente, o divórcio ou uma relação sexual estável não conjugal através da disciplina sacramental da admissão dos chamados “divorciados recasados” à Sagrada Comunhão, tratando-se neste caso de uma disciplina alheia à inteira Tradição da fé católica e apostólica.

Fazendo esta pública profissão diante da nossa consciência e diante de Deus que nos julgará, estamos sinceramente convictos de ter prestado um serviço, da caridade na verdade, à Igreja dos nossos dias e ao Sumo Pontífice, Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.

31 de Dezembro de 2017, Festa da Sagrada Família, no ano do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

† Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana

† Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

† Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana

Fonte: Senza Pagare, 02/01/2018.

Basto 1/2018