A Guerra da Rússia e a Mensagem de Fátima

Por Roberto de Mattei

Mensagem de Fátima, a chave interpretativa para o nosso tempo

A mensagem de Fátima é a chave para interpretar os acontecimentos dramáticos dos dois últimos anos e, em particular, o que está a acontecer na Ucrânia. É compreensível que essa perspectiva seja estranha ao homem contemporâneo, imerso no relativismo, mas o que mais chama a atenção é a cegueira de tantos católicos, incapazes de subir àquelas alturas que são as únicas que nos permitem compreender os acontecimentos nas horas dramáticas de história. Após a pandemia do Covid, vivemos agora a dramática hora da guerra.

A frente colaboracionista

Os factos são estes: em 21 de fevereiro de 2022, o presidente russo Vladimir Putin, num discurso à nação, anunciou o reconhecimento da independência das repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk e, depois, ordenou que fossem enviadas tropas para a região de Donbas com o objetivo de “garantir a paz”. Em 24 de fevereiro, Putin declarou, noutro discurso, que havia autorizado uma “operação militar especial”, não apenas em Donbas, mas também no Leste da Ucrânia. De imediato, a invasão russa da Ucrânia mostrou-se muito mais ampla e trágica do que se esperava, causando um clima de profunda apreensão no mundo inteiro.

Qual tem sido a reação da Itália e do Ocidente perante a agressão da Rússia contra a Ucrânia? Por um lado, houve uma explosão de sentimentos de indignação e de solidariedade para com o povo ucraniano. Por outro, porém, desenvolveu-se um sentimento de afinidade para com a iniciativa de Putin, levando à formação de uma frente a que eu chamo de “colaboracionista”.

O termo “colaboração” indica, em linguagem política, apoio ideológico a um estado estrangeiro invasor. Este termo foi cunhado durante a Segunda Guerra Mundial para indicar a colaboração com os nazis nos territórios que ocupavam. O colaboracionismo não é apenas um ato de colaboração: é uma ideologia, explícita ou implícita, que, no caso da invasão russa da Ucrânia, merece ser analisada nas três diferentes expressões que assumiu até agora.

Melhor derrotado do que morto?

A primeira posição é a daqueles que dizem ou pensam que Putin está absolutamente errado mas está a vencer, portanto, resistir-lhe conduz a Ucrânia e a Europa a males maiores do que a invasão. Segundo o jornalista italiano Vittorio Feltri, por exemplo, “Zelensky é pior do que Putin, a quem entregou o seu povo impreparado para o massacre”, o líder ucraniano devia ter-se rendido e não resistido. Na verdade: “Melhor derrotado do que morto”.

Por trás do slogan “Melhor derrotado do que morto” há uma filosofia de vida, que é a daqueles que colocam o seu próprio interesse particular antes de qualquer outra consideração de ordem superior. Não há valores ou bens, por mais elevados que sejam, pelos quais valha a pena sacrificar-se e morrer. Se a invasão russa deve ser preferida à resistência contra ela, isso significa que a vida, uma vida material, tão pacífica e longa quanto possível, é o bem supremo e essencial.

Esta é a filosofia de vida dos pacifistas que, nos anos 1980, quando os soviéticos instalavam os seus mísseis SS.20 contra a Europa, se opuseram aos mísseis da NATO, com o slogan “Melhor vermelho que morto”. É a filosofia de vida daqueles que, em 1939, se perguntavam se era certo “Morrer por Danzig”, segundo um slogan lançado pelo deputado socialista francês Marcel Déat (1894-1955) para sustentar que não valia a pena arriscar a guerra para defender a cidade de Danzig, com a conquista da qual, presumivelmente, as ambições de Hitler seriam satisfeitas . O socialista Déat viria a fundar um partido de inspiração nacional-socialista e representaria um exemplo típico de colaboracionismo.

Se essa é a posição que deve ser tomada diante de um agressor, os pedidos de Putin teriam de ser atendidos para evitar a morte e o sofrimento de um povo, mesmo que depois da Ucrânia ele invadisse os países bálticos e, sob a chantagem, parte da Europa Ocidental. A lógica é essa.

Os homens ucranianos que não estão a abandonar o seu país, ou estão a voltar para lutar depois de garantir a segurança das suas famílias no Ocidente, mostram, com sua escolha, uma filosofia de vida oposta, abandonada pela Europa relativista e desenraizada. A filosofia daqueles que estão dispostos a sacrificar as suas vidas por causa da sua fé, por amor à liberdade e independência da sua pátria, por amor à própria honra e dignidade pessoais. O verdadeiro progresso, o verdadeiro desenvolvimento na vida dos povos está intimamente ligado a este espírito de sacrifício. É daqui que nascem os epítomes da santidade e do heroísmo.

Putin tem as suas razões?

A segunda posição colaboracionista pode ser formulada nestes termos: Putin errou, mas os erros não são apenas dele. Ou então, o que vai dar ao mesmo: Putin também tem as suas razões. E que razões são essas? São, por exemplo, o facto de que, após a queda do Muro de Berlim, o Ocidente supostamente humilhou a Rússia, cercando seu território com tropas da NATO.

Este parece ser até um argumento razoável, mas se quisermos ser mesmo razoáveis, devemos recordar que a NATO nasceu como um sistema de defesa contra as tropas em Varsóvia. Recordar também que a Rússia não ganhou, mas perdeu a Guerra Fria, e que a Guerra Fria entre as duas superpotências surgiu do infeliz tratado de paz de Yalta, de fevereiro de 1945, quando, com o consentimento dos governos ocidentais, a Europa foi dividida em duas zonas de influência e o comunismo soviético tornou-se senhor absoluto da Europa Oriental. 

A paz de Yalta, que redefiniu as fronteiras da Europa depois da Segunda Guerra Mundial, foi, por sua vez, fruto do Tratado de Versalhes, que atribuiu à Alemanha a responsabilidade pela Primeira Guerra Mundial, impôs-lhe pesadas sanções e entregou à Polónia o corredor de Gdansk. Devemos dizer que Hitler teve as suas razões para invadir a Polónia, uma vez que a cidade de Gdansk não era menos alemã do que Donbas é russa?

Quaisquer que sejam as suas razões, Hitler tinha um plano tão expansionista quanto o de Putin, e o historiador de hoje, tal como o político de ontem, não concorda com Neville Chamberlain, quando, em 30 de setembro de 1938, voltou triunfante de Munique com uma frágil paz nas mãos, mas antes com Winston Churchill, quando disse: “Pudeste escolher entre a guerra e a desonra. Escolheste a desonra e terás a guerra.”

Putin está a travar uma guerra justa?

Talvez seja para evitar essa objeção fácil que o colaboracionismo cai numa terceira formulação, mais coerente, mas ainda mais aberrante que as duas primeiras. Muito simplesmente: a guerra de Putin é uma guerra justa. Mas se for uma guerra justa, a resistência do povo ucraniano é injusta e as sanções ocidentais à Rússia são injustas, porque as sanções são aplicadas a quem está errado, não a quem está certo.

Por que razão estaria Putin certo? Porque seria a sua guerra justa? Não só porque defende o interesse nacional do seu país, mortificado pelo Ocidente, mas porque a sua guerra tem uma dimensão ética, como nos assegura a Igreja Ortodoxa Russa, nas palavras Kirill, o patriarca de Moscovo, quando disse que Putin luta contra um Ocidente depravado que autoriza o Orgulho Gay. Além disso, o próprio Putin apresentou-se muitas vezes como um defensor da família e dos valores tradicionais abandonados pelo Ocidente. No entanto, no seu discurso no Valdai Club, em 22 de outubro de 2021, no qual atacou a ideologia de género e a cultura do cancelamento, Putin admitiu que a Rússia experimentou, muito antes do Ocidente, a degradação moral que agora denuncia. Em 7 de dezembro de 1917, poucas semanas depois de os bolcheviques terem tomado o poder, o divórcio foi introduzido na Rússia e o aborto foi legalizado em 1920, sendo a primeira vez no mundo que isso foi feito sem quaisquer restrições. E foi na Rússia que a transição da revolução política para a revolução sexual foi implementada, com a creche experimental de Vera Schmidt (1889-1937), criada em 1921 no centro de Moscovo, onde as crianças eram iniciadas na sexualidade precoce.

Os freios foram aplicados ao divórcio, ao aborto, à revolução sexual, não por Putin, mas por Stalin, em 1936, quando ele percebeu que a sua política de poder seria minada pelo colapso da moralidade na Rússia. Putin está nessa linha. Hoje a Rússia é um país caracterizado pelo aborto e pelo divórcio, com a maior taxa de divórcio do mundo, mesmo que proíba o Orgulho Gay. E quais são os valores tradicionais em que Putin se inspira? São os do Patriarcado de Moscovo, que hoje confia em Putin como ontem confiava em Stalin. Putin, como Stalin, depende do Patriarcado de Moscovo. O Patriarcado de Moscovo usa o poder político para defender o primado da Ortodoxia, como o Estado se vale da Igreja para consolidar os sentimentos de identidade e patriotismo do povo russo.

A “missão imperial” da Rússia não corresponde apenas às ambições geopolíticas de Putin, mas também ao pedido do Patriarca Kirill, que confiou a Putin a missão de criar a “Terceira Roma” eurasiana nas ruínas da segunda Roma católica, destinada a desaparecer como todo o Ocidente. Pode um católico aceitar esta perspectiva?

É profundamente lamentável que um eminente arcebispo católico como Carlo Maria Viganò apresente a guerra de Putin como uma guerra justa para derrotar o Ocidente. O Ocidente é o filho primogénito da Igreja, hoje cada vez mais desfigurado pela revolução, mas ainda assim o primogénito. Um europeu que rejeita isso sob o pretexto de lutar contra a Nova Ordem Mundial é como um filho que repudia a própria mãe.

Além disso, a Nova Ordem Mundial é uma velha utopia que foi substituída pela da Nova Desordem Mundial. Vladimir Putin é, como George Soros, um agente da desordem mundial. Putin, como observa o analista internacional Bruno Maçaes, está convencido de que o caos é a energia fundamental do poder e que com razão “pode ser considerado o Yaldabaoth, o demiurgo gnóstico, Filho do Caos e líder dos espíritos do submundo”.

A Igreja e a queda do Império Romano do Ocidente

A Nova Desordem Mundial lembra-nos a que foi vivida pelo Império Romano do Ocidente sob o impacto das invasões bárbaras. Entre as datas que ficaram para a história está a de 31 de dezembro de 406, quando uma multidão de germânicos cruzou o rio Reno congelado e rompeu as fronteiras do Império.

Um desses povos, os vândalos, invadiu a Gália, escalou os Pirenéus, atravessou o estreito de Gibraltar e devastou as províncias da África romana.

O Império Romano estava impregnado de relativismo e hedonismo, como está hoje o Ocidente. Um dos principais centros de corrupção era Cartago, capital da África romana, que gozava da fama de ser o “paraíso” dos homossexuais. Um autor cristão contemporâneo, Salvian de Marselha (400-451), escreveu que “as armas dos bárbaros se chocavam nas muralhas de Cartago enquanto a congregação cristã da cidade delirava nos circos e devassava nos teatros. Alguns tiveram as suas gargantas cortadas fora das muralhas, enquanto outros ainda praticavam fornicação lá dentro”. Os vândalos, pelo contrário, como os povos germânicos descritos por Tácito, viviam “em modéstia reservada, não corrompidos pela sedução dos espetáculos públicos ou pelo estímulo dos banquetes. (…) Porque os seus vícios não são ridicularizados e não se chama moda ao corromper e ser corrompido.”

Que deviam ter feito os cristãos? Abrir os portões aos vândalos? A poucos quilómetros de Cartago ficava a cidade de Hipona, cujo bispo era Santo Agostinho, que meditava justamente sobre a invasão dos bárbaros, quando compôs a sua obra-prima “A Cidade de Deus”. O governador da África romana era o conde Bonifácio, amigo fiel de Santo Agostinho, a quem Procópio de Cesareia, assim como Flávio Aécio, chamavam “o último verdadeiro romano”.

O bispo de Hipona não pediu rendição, mas resistência contra os bárbaros, escrevendo a Bonifácio: “A paz não se busca para provocar a guerra, mas a guerra é travada para obter a paz. Portanto, inspira-te na paz para que na vitória possas levar ao bem da paz aqueles que conquistas.”

Bonifácio entrincheirou-se na cidadela de Hipona, sitiada pelos vândalos. Santo Agostinho morreu em agosto de 430, aos setenta e seis anos, durante o cerco que durou 14 meses. Foi somente quando a sua voz se calou que os vândalos conquistaram a cidade. A resistência de Bonifácio permitiu que as tropas orientais desembarcassem na África e unissem suas forças com as de Bonifácio.

Durante esses mesmos anos, outros bispos pediram resistência contra os bárbaros. São Nicásio encontrou a morte na catedral de Reims; São Exupério, bispo de Toulouse, resistiu aos vândalos até à sua deportação; São Lupo defendeu Troyes, de que era bispo; Santo Aniano, bispo de Orléans, organizou a defesa da sua cidade contra os hunos, permitindo que as legiões romanas de Aécio chegassem a Átila e o derrotassem.

O bispo católico não disse: “Melhor bárbaros do que mortos”.

A causa da guerra, segundo a mensagem de Fátima

Se queremos acabar com a guerra, devemos acabar com as causas da guerra. A verdadeira e profunda causa da guerra, da pandemia e da crise económica que se desenha no horizonte são os pecados da humanidade que virou as costas a Deus e à Sua Lei. 

Nas aparições de Fátima em 1917, Nossa Senhora disse que o afastamento dos povos europeus de Deus conduz ao castigo divino da guerra: “[Deus] vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome e da perseguição à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.» 

A mensagem de Fátima não é um convite genérico à oração e à penitência, é sobretudo o anúncio de um castigo e do triunfo final da misericórdia divina na história.

João Paulo II consagrou a Rússia?

Há quem pense que a consagração à Rússia já foi feita por João Paulo II, quando em 25 de março de 1984, na Praça de São Pedro, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, com referência aos “povos cuja consagração e confiada entrega Vós esperais de nós.” A Irmã Lúcia disse inicialmente estar insatisfeita com esta consagração em que a Rússia não foi explicitamente mencionada, mas depois mudou de opinião, considerando válido o ato de João Paulo II.

A opinião da Irmã Lúcia tem obviamente autoridade, mas contrasta com a autoridade maior das palavras de Nossa Senhora que a mesma Irmã Lúcia nos transmite.

Na verdade, a 29 de Agosto de 1931, a Irmã Lúcia enviou ao bispo de Leiria uma terrível profecia de Nosso Senhor. Ela havia recebido uma comunicação íntima segundo a qual: “Não quiseram atender ao Meu pedido!… Como o rei de França, arrepender-se-ão e fála-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo Mundo, provocando guerras, perseguições à Igreja: o Santo Padre terá muito que sofrer.»

Passaram-se 38 anos desde 25 de março de 1984. A espetacular autodissolução do regime soviético sem insurreições ou revoltas em 1991 parecia ser, e talvez fosse, um resultado parcial dessa consagração. No entanto, a Rússia não se converteu e o comunismo não morreu. Vladimir Putin é um nacional bolchevique que não repudiou os erros do comunismo e a China é uma nação oficialmente comunista que, a 7 de março de 2022, declarou que a sua amizade com a Rússia é “sólida”.

Mesmo entre os católicos, há quem considere Putin um Kathéchon, um obstáculo à realização da Nova Ordem Mundial, um escudo contra o anticristo que é o Ocidente, que é a Roma de Pedro. A guerra prorrogou, como se tem dito, o estado de emergência da pandemia e isso não pode ser uma coincidência.

Respondemos que é verdade: a vinda da guerra na esteira da pandemia, com o consequente regime de emergência, não pode ser coincidência porque não existe coincidência, mas quem segura os fios do universo não é o “Grande Irmão” [Big Brother] de Orwell, um deus omnisciente e todo-poderoso como o deus maligno dos gnósticos. O que governa o universo e ordena tudo para a glória de Deus é a Divina Providência. Daí vêm os castigos que hoje flagelam a humanidade impenitente: epidemias, guerras e uma futura crise económica planetária. Tudo isso não é a preparação do advento do anticristo, mas antes a realização ignorada profecia de Fátima.

Os bispos ucranianos pediram ao Papa Francisco para consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Aderimos com entusiasmo a este apelo que vem de Kiev sob as bombas.

A nossa esperança

Nenhuma luz de esperança vem de Moscovo. Poderia uma luz de esperança vir de Kiev?

Em Fátima, Nossa Senhora profetizou a conversão da Rússia, mas a conversão é um retorno às origens e as origens da Rússia remontam à conversão de São Vladimir, Príncipe de Kiev. A Rus’ de Kiev foi uma das primeiras nações a entrar na cristandade medieval, antes de passar para o domínio dos mongóis e depois dos príncipes moscovitas que assumiram a herança anti-romana de Bizâncio. Uma parte do povo ucraniano manteve a fé católica e encontrou o caminho de retorno a Roma nos concílios de Florença (1439) e Brest (1595). Pio XII, na encíclica Orientales omnes Ecclesias, de 23 de dezembro de 1945, exorta os ucranianos a perseverarem na sua fidelidade a Roma: “Exponham as astúcias daqueles que prometem aos homens vantagens terrenas e maior felicidade nesta vida, mas destroem as suas almas”, porque “aquele que pensa que tem a sua vida segura, perde-a, mas aquele que perder a sua vida por minha causa é que a tem segura.” ( Mt 10,37 em diante).

No século V, os godos, os vândalos e os hunos invadiram o Império Romano para repartirem os seus despojos. Hoje, a Rússia, a China, a Turquia e o mundo árabe querem apoderar-se da valiosa herança do Ocidente, que consideram, como já foi dito, um “doente terminal”.

Talvez alguém diga: onde estás, Estilicão, que resististe aos godos? Onde estás, Bonifácio, que defendeste a África dos vândalos? Onde estás, Aécio, que derrotaste os hunos? Onde estais vós, guerreiros cristãos, que pegastes nas armas para defender um mundo que estava a morrer?

Respondemos que contra o inimigo atacante temos armas poderosas. Contra a bomba nuclear do pecado, Nossa Senhora colocou nas mãos do Papa a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria e colocou em nossas mãos o rosário e a devoção dos primeiros sábados do mês.

Mas acima de tudo ela colocou nos nossos corações o desejo do seu triunfo do Imaculado Coração sobre os escombros do regime de Putin, o regime comunista chinês, os regimes islâmicos e os do Ocidente corrupto. Só ela pode fazê-lo e de nós, ela pede uma confiança inabalável de que isso acontecerá porque ela o prometeu infalivelmente. É por isso que a nossa resistência continua.

Fonte: rorate-caeli.blogspot.com, em 14 de março de 2022 (tradução nossa).

O nosso destino está nas mãos seguras da Mãe

Palavras do líder da Igreja Greco-católica Ucraniana durante a consagração da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Os bispos da Igreja Greco-católica Ucraniana (IGCU), que neste dia realizaram uma sessão extraordinária do Sínodo dos Bispos, rezaram juntos na igreja em frente do Ícone Milagroso da Mãe de Deus de Zarvanytsia, em comunhão com o Santo Padre e o mundo inteiro, através de transmissão em direto.

No final do celebração penitencial, o Papa Francisco leu uma oração de consagração da Rússia, Ucrânia e toda a humanidade ao Imaculado Coração de Maria.

O Ato de Consagração em nome da IGCU foi lido simultaneamente por Sua Beatitude D. Sviatoslav Shevchuk, em em Zarvanytsia, em comunhão com o Santo Padre.

Apelando aos fiéis após a consagração, o líder da IGCU enfatizou a historicidade deste momento: “Cada um de vós dirá aos seus filhos, netos e bisnetos que foi um momento de vitória; o momento, em que colocámos o destino da Ucrânia nas mãos da Santíssima Virgem Maria”.

Sua Beatitude D. Sviatoslav acrescentou que a guerra que a Rússia está hoje a travar contra a Ucrânia é uma luta espiritual entre o bem e o mal. E a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria é o momento em que acreditamos que o bem vencerá através das orações da Mãe de Deus.

O líder da IGCU explicou o que significa consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria: “A Rússia foi confiada ao Imaculado Coração de Maria porque a Mãe de Deus pediu que este acto fosse feito, uma vez que daquela terra o mal se espalharia pelo mundo e destruiria nações, traria sofrimento às pessoas. Estamos a rezar pelos nossos inimigos para que o Senhor pare a sua mão assassina”. E aqui, em Zarvanytsia, em comunhão com o Santo Padre, confiamos a nossa Ucrânia à proteção da Santíssima Virgem Maria, ao Seu Imaculado Coração, porque sabemos que hoje Ela, a Mãe de Deus, está com a Ucrânia, com o nosso povo sofredor”.

“Hoje, o nosso destino está nas mãos seguras da Mãe”, acrescentou Sua Beatitude D. Sviatoslav.

O líder religioso agradeceu aos bispos da IGCU que se reuniram em Zarvanytsia para este evento histórico, acrescentando que estavam especialmente unidos com D. Vasyl Tuchapets, arcebispo de Kharkiv, D. Stephan Meniok, bispo de Zaporizhia, e D. Mykhailo Bubniy, arcebispo de Odessa. Estávamos a unir-nos, disse ele, com os nossos bispos em todo o mundo, nas nossas comunidades estabelecidas na Europa Ocidental, América do Norte e do Sul, Austrália, e com bispos católicos em todo o mundo.

“Hoje sentimos que o mundo inteiro está connosco. Obrigado a todos por participarem hoje neste evento histórico… A nossa gratidão flui para com o Santo Padre Francisco, com quem vivemos estes momentos únicos”, disse o Primaz.

Após o Ato de Consagração, o líder da IGCU, juntamente com os bispos do Sínodo dos Bispos, conduziu uma tradicional oração do terço de Zarvanytsia.

Departamento de Informação da IGCU

Fonte: news.ugcc.ua/en/news (a tradução é nossa, assim como as hiperligações)

Texto do ato de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Ato de Consagração ao Imaculado Coração de Maria

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:
Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amen.

Fonte: vaticannews.va/pt/

Bispos portugueses associam-se à consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Consagração da Ucrânia e da Rússia ao imaculado Coração de Maria

Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa

A Conferência Episcopal Portuguesa está em plena sintonia com o Santo Padre, que vai consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria a 25 de março, durante a Celebração da Penitência às 16h00 na Basílica de São Pedro. O Papa Francisco enviará a Fátima, como Legado Pontifício, o Cardeal Konrad Krajewski, Esmoler Apostólico, o qual fará o ato de consagração na Capelinha das Aparições, também às 16h00, durante a oração do Rosário. Em profunda comunhão com o Santo Padre, os Bispos portugueses procurarão estar presentes nesta celebração em Fátima.

Pede-se que todas as paróquias, comunidades, institutos de vida consagrada e outras instituições eclesiais assumam esta intenção de consagração nas celebrações desse dia, nomeadamente nas Vias-Sacras, nas Eucaristias, na Oração do Rosário e no itinerário “24 horas para o Senhor” que se inicia na tarde desse dia.

Por intercessão do Imaculado Coração de Maria, Rainha da Paz, continuemos a rezar pelo povo ucraniano, perseguido na sua terra e disperso pelo mundo, para que o Senhor atenda as nossas preces e os esforços das pessoas de boa vontade, e lhe conceda a paz e o regresso a suas casas.

Lisboa, 18 de março de 2022
Secretariado Geral da CEP

Fonte: conferenciaepiscopal.pt

Papa Francisco vai consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

A informação foi adiantada hoje, em italiano e inglês, na página do Gabinete de Imprensa da Santa Sé. De acordo com o comunicado oficial, o ato de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria ocorrerá no dia 25 de março, às 17 horas, durante um serviço de penitência que terá lugar na Basílica de São Pedro. O mesmo ato de consagração será realizado, em simultâneo, no Santuário de Fátima, por Sua Eminência o Cardeal D. Krajewski, como enviado do Santo Padre.

Comunicado do Gabinete de Imprensa da Santa Sé, em 15 de março de 2022.

Pelo que nos foi dado a conhecer até este momento, isto ainda não corresponde exatamente ao que Nossa Senhora pediu…

Bispos ucranianos pedem ao Papa Francisco para consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria

À esquerda, D. Mieczysław Mokrzycki, arcebispo de Lviv (dos católicos latinos). Imagem: LifeSiteNews (02/03/2022).

Os bispos católicos ucranianos de rito latino pediram ao Papa Francisco, através de um breve comunicado divulgado nesta Quarta-feira de Cinzas, para consagrar a Ucrânia e a Rússia ao Imaculado Coração de Maria conforme Nossa Senhora pedira.

Pai abençoado!

Nestas horas de dor incomensurável e terrível provação para o nosso povo, nós, bispos da Conferência Episcopal da Ucrânia, somos porta-vozes da oração incessante e sincera, apoiada pelos nossos sacerdotes e pessoas consagradas, que nos chega de todo o povo cristão para que Vossa Santidade consagre a nossa Pátria e a Rússia ao Imaculado Coração de Maria

Respondendo a esta oração, pedimos humildemente a Vossa Santidade que realize publicamente o ato de consagração ao Sagrado Coração Imaculado de Maria da Ucrânia e da Rússia, conforme solicitado pela Santíssima Virgem em Fátima.

Que a Mãe de Deus, Rainha da Paz, aceite nossa oração: Regina pacis, ora pro nobis!

Fonte: Página do Centro de Informação Católica da Conferência Episcopal Ucraniana, em 02/03/2022 (tradução livre).

A página católica LifeSiteNews lançou uma petição internacional para pedir ao Papa Francisco a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Assinar petição.

Basto 03/2022