Duplicam os católicos que querem anular o casamento em Portugal

Desde que entrou em vigor, no dia 8 de dezembro de 2015, na solenidade da Imaculada Conceição de Maria, o chamado simplex ou “via verde” do Papa Francisco para a nulidade matrimonial, são cada vez mais os católicos que procuram esta solução pastoral para os seus problemas conjugais. Portugal não é exceção, como temos vindo aqui a demonstrar

jn.17.01.2018
Capa do JN (edição impressa) de 17 de janeiro de 2018

 

jn.17.01.2018.2jpg
JN (edição impressa) de 17 de janeiro de 2018, página 6.

 

Mais do que duplicaram os pedidos de nulidade matrimonial apresentados nos tribunais eclesiásticos portugueses desde que, há dois anos, o Papa Francisco anunciou a criação de uma espécie de “via verde” para os pedidos de nulidade do matrimónio. Os números exatos andam entre os 14 tribunais eclesiásticos portugueses e a Santa Sé, mas, em 2016, terão sido 200 os processos iniciados de norte a sul do país. Mais do dobro dos efetuados em 2015. Em 2017, quase no final do ano, somados os pedidos que deram entrada nos tribunais, o número está muito próximo dos 250.

(in Jornal de Notícias, 17/01/2018)

Será que este este fenómeno revela a existência de ainda algum preconceito contra o divórcio e o chamado “recasamento”? Afinal de contas, as relações adúlteras deixaram de ser propriamente pecaminosas para grande parte dos ministros católicos, os quais, “sem alterarem a doutrina”, dão hoje plena aprovação “pastoral” ao adultério prolongado quando os seus praticantes, em consciência e após um processo de “discernimento”, assim o desejam.

Talvez isto resulte apenas da esperança ou da vontade de fazer parte da tal “grande maioria” a que se referia o Santo Padre!

Basto 1/2018

Pedidos de nulidade matrimonial disparam na diocese da Guarda

A diocese da Guarda registou um aumento exponencial nos pedidos de nulidade matrimonial durante o ano passado, de acordo o sr. Pe. Carlos Helena, atual vigário judicial. O número de pedidos aumentou de uma média de 2 a 3 por ano para um total de 13 no ano passado. Os números agora apresentados durante Jornadas de Formação do Clero da Diocese da Guarda, que decorreram no Seminário da Guarda a 2 e 3 de fevereiro, corroboram os dados publicados pelo jornal Público quando ainda faltava mais de um mês para o final do ano.

diocese-da-guarda
Diocese da Guarda

[O Pe. Carlos Helena] acrescentou que “há mais processos com possibilidades de serem aceites, inclusive como processos breves”. O padre Carlos Manuel Helena explicou que “temos bastante gente a recorrer ao Tribunal Eclesiástico”, dizendo que “a publicidade que a televisão fez”, sobre a facilidade na introdução dos processos “produziu efeitos”.

(in sítio oficial da Diocese da Guarda)

diocese-da-guarda2
Agência Ecclesia, 10/02/2017

O motu proprio do Papa Francisco Mitis Iudex Dominus Iesus, que simplificou os processos e universalizou o acesso aos pedidos de nulidade matrimonial, entrou em vigor a 8 de dezembro de 2015, no dia da Imaculada Conceição de Maria. Desde então, disparou o número de católicos que procuram esta solução pastoral para os seus casamentos.

Basto 2/2017

Pedidos de nulidade matrimonial disparam em Portugal

publico1
Público, manchete do dia  21 de novembro de 2016

O jornal público investigou os efeitos da reforma do Papa Francisco nos processos de nulidade matrimonial em Portugal. Dos 14 tribunais eclesiásticos existentes no nosso país, um é militar, portanto não é vocacionado para estas questões. Relativamente aos restantes, o Público só não teve acesso aos dados de Angra do Heroísmo e do Funchal.

A conclusão do jornal foi a seguinte:

“Via verde” do Papa fez disparar anulação de casamentos católicos.

(Título da reportagem apresentada pelo jornal Público a 21/11/2016)

O jornal contabilizou “196 pedidos de nulidade do casamento católico” neste ano de 2016 que ainda não terminou, correspondendo a um aumento superior a 50% face ao ano de 2015.

publico2
Público, 21/11/2016 (reportagem nas páginas 10 e 11)

 

“A iniciativa do Papa teve o mérito de ajudar a encarar estas declarações de nulidade matrimonial como parte da pastoral.”

(Pe. Fernando Varela, vigário judicial de Leiria-Fátima, in Público 21/11/2016)

Os resultados pastorais desta reforma papal têm tendência a aumentar ainda mais, uma vez que até o próprio Santo Padre acredita que, “uma grande maioria dos matrimónios sacramentais são nulos”.

Hoje choveu choveu bastante em Portugal, o que é normal para o mês de novembro. Mas não estará a Igreja Católica a aproximar-se também do seu inverno? É que a tempestade não para sequer por um momento, acabando por molhar sobretudo a santidade do matrimónio e da família.

Basto 11/2016

Aumenta a procura da nulidade matrimonial em Portugal

Os primeiros frutos da “nova pastoral” da família

Como Portugal se localiza no Hemisfério Norte, o Equinócio da Primavera registou-se ainda há menos de três semanas, no entanto, o clero português já começou a colher os primeiros frutos das reformas introduzidas pelo Papa Francisco.

Os tribunais eclesiásticos portugueses estão a registar «uma maior afluência de pedidos» de nulidade matrimonial, depois das alterações processuais introduzidas pelo Papa Francisco, em vigor desde 8 de dezembro do ano passado, de acordo com a informação do cardeal-patriarca de Lisboa. Esta grande “reforma” foi introduzida precisamente no dia da Solenidade da Imaculada Conceição de Maria – o que, em si, já é um facto curioso – e está produzir um efeito amargo que é o do aumento dos pedidos de nulidade do casamento.

Aparentemente, as dioceses portuguesas começam agora a ter mais pessoas preparadas para acompanhar esses casos, do ponto de vista canónico, médico e psicológico, e dar resposta a “uma realidade que não era tão procurada”. Esperemos que a aplicação deste simplex não se chegue ao ridículo, conforme acontece noutras partes do mundo, onde se encontra facilmente, na internet, uma espécie de “empresas diocesanas” especializadas na “anulação do casamento católico”. Aí pode-se encontrar facilmente os impressos necessários para contratar um serviço de “anulação do casamento”, e depois eles tratam de tudo.

annulment-banner5
catholicannulment.us

Convém relembrar que um casamento católico não é passível de ser anulado, apesar de toda a propaganda que tem sido feita à volta deste conceito e que cria falsas expectativas nos esposos que vivem crises matrimoniais. A anulação ou “divórcio católico” não existe. O que existe, é a verificação de uma eventual nulidade do casamento, ou seja, comprovar que determinado casamento não aconteceu de facto porque não foram cumpridos um conjunto de critérios básicos para validar aquele sacramento. Estamos a falar de casos tão invulgares e, de certo modo, complexos, que devem ser mantidos no âmbito da excepcionalidade e avaliados muito cuidadosamente pelas autoridades da Igreja.

A simplificação destes processos, por si só, associada ao mediatismo promovido em torno desta iniciativa, conduz obviamente ao aumento da procura desta solução por muitas pessoas que vivem crises matrimoniais. Mas do que é que se estava à espera?

Como na esmagadora maioria dos casos – esperemos que assim seja – os processos são indeferidos, eles podem, em si, constituir novas feridas matrimoniais que terão de ser carregadas pelos esposos ao longo da vida.

Uma falsa nulidade matrimonial é bem pior do que um divórcio, independentemente desta ser validada ou não pelas autoridades eclesiásticas. As habilidades processuais, se existirem, podem enganar toda gente menos uma pessoa, Aquela perante a qual teremos um dia de responder.

Que bom que seria se o Santo Padre fosse assim tão pragmático a apresentar soluções simples e claras, por exemplo, para as pessoas que vivem em adultério ou relações homossexuais. Isso é que seria bom para “proteger a família”.

Basto 4/2016