D. Carlos Azevedo identifica-se completamente com a “reforma” do Papa Francisco

D. Carlos Azevedo rtp
D.Carlos Moreira Azevedo na “Grande Entrevista” da RTP de 03/05/2017 – RTP Play

A entrevista concedida por D. Carlos Azevedo à RTP relaciona-se com a recente publicação do seu livro sobre Fátima, o qual ganhou mediatismo por esclarecer que os fenómenos de Fátima foram visões interiores e não aparições de Nossa Senhora.

D. Carlos Azevedo livro
Livro de D. Carlos Azevedo

São visões imaginativas e visões com uma perceção interior. E Deus e a presença espiritual de Maria – não física – passa através dessa perceção interior. É uma experiência humana, psicológica, com todas as características que depois são analisadas para declarar que os pastorinhos não têm nenhuma patologia.

(D. Carlos Azevedo in Rádio Renascença, 17/04/2017)

O bispo português, que é agora delegado no Pontifício Conselho para a Cultura, confessa-se um grande adepto da “reforma” que o Papa Francisco está a realizar na Igreja e considera que a resistência daqueles que defendem a doutrina pode ser motivada por interesses financeiros.

Vítor Gonçalves (jornalista): O senhor identifica-se com esse projeto de reforma [do Papa Francisco]?

D. Carlos Azevedo: Identifico-me perfeitamente. Ela tem de envolver as pessoas, tem que levar àquilo que o Papa diz mesmo a conversão pastoral e a conversão ao bem comum e a uma certa perspetiva de Igreja que não seja centralizadora, mas seja animadora das conferências episcopais.

[…]

Vítor Gonçalves: Ele tem muitos adversários no interior da Igreja?

D. Carlos Azevedo: Eu penso que não são muitos, fazem um bocado de barulho, mas são poucos, felizmente, porque há interesses instalados, sobretudo financeiramente…

Vítor Gonçalves: Nomeadamente no Vaticano, não é?

D. Carlos Azevedo: No Vaticano, pois, por isso! E depois há também aqueles que são tradicionalistas, do ponto de vista da doutrina, mas muitas vezes há ligações entre uma coisa e outra… E os interesses económicos (também estavam), sendo afetados, depois arranjam-se a outros argumentos para contrabater, ou de um certo modo, para tentar atenuar o impacto que o Papa está a suscitar na sociedade em geral, mesmo em quem não acredita. Porque acham que ele está a defender os interesses do bem comum da humanidade e não interesses particulares, quer seja na ecologia, com o grande documento que fez, quer seja também na dimensão da política e da economia.

[…]

Foi feita uma limpeza fundamental que clarificou e tornou transparente também tudo o que é administração. Depois a grande reforma da comunicação, com uma grande concentração também na Secretaria da Comunicação. E outras que estão a acontecer que vão também substituindo algumas pessoas que possam ser mais polémicas ou mais dadas a não aderir a esta reforma, e penso que há um ambiente muito saudável e muito positivo.

(excerto da Grande Entrevista de 03/05/2017 – RTP Play)

james Martin para recordar
Pormenor da “grande reforma” na Secretaria da Comunicação, mas há outros que também merecem destaque…

Que o senhor bispo não nos leve a mal, até porque respeitamos naturalmente a sua “visão interior” da reforma do Papa Francisco, mas aqueles pastores que se têm esforçado por preservar a Verdade cristã inspiram-nos muito mais confiança do que esta “seita” crescente que rodeou o Santo Padre nos últimos quatro anos e que parecem não temer a Deus. Esperemos que a visita do Papa Francisco à Cova da Iria neste centenário das “visões” de Fátima sirva, de algum modo, para clarificar as confusões que ele próprio criou a respeito da Fé.

Basto 5/2017