Cidade espanhola erige estátua em homenagem ao Diabo

A cidade de Segóvia, em Espanha, inaugurou, na semana passada, uma estátua em homenagem ao Diabo, a quem uma lenda local atribui a autoria do monumental aqueduto daquele burgo castelhano. De nada serviram as mais de 12 000 assinaturas de católicos que tentaram impedir que tal pudesse acontecer.

O Aqueduto de Segóvia ostenta uma estátua da Virgem Maria com o Menino Jesus.

Basto 01/2019

Pe. Vasco Pinto Magalhães, brincando com o fogo

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Por Pedro Sinde

Numa entrevista à Agência Ecclesia, o Pe. Jesuíta Vasco Pinto de Magalhães fala sobre o seu mais recente livro: O Mal e o Demónio (Edições Tenacitas, 2017). Este breve texto não é uma recensão do livro, mas antes um comentário sobre alguns pontos da referida entrevista.

Nos seus Pequenos Poemas em Prosa, Baudelaire dá voz a um pregador que diz o seguinte:

“Meus caros irmãos, não esqueçais nunca, quando escuteis glorificar o progresso das luzes, que a maior artimanha do diabo é de vos persuadir que ele não existe!”

Esta artimanha é tão bem engendrada que atingiu mesmo sacerdotes e bispos…

Vejamos algumas das citações da entrevista, colocadas lado a lado com as palavras do Catecismo, de alguns Papas e do Evangelho.

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Pe. Vasco: “O demónio não é uma entidade pessoal que entra. O demónio é uma desordem, uma força desordenadora”

Catecismo: “o Mal [na petição do Pai Nosso “mas livrai-nos do Mal”] não é uma abstracção, mas designa uma pessoa, Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus.” (§2851)

Papa Paulo VI: O mal não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Terrível realidade. Misteriosa e pavorosa. Sai do quadro do ensino bíblico e eclesiástico quem se recusa a reconhecer a sua existência (…) ou quem a explica como uma pseudo-realidade, uma personificação conceptual e fantástica das causas desconhecidas das nossas desgraças. (Audiência Geral, 16 de Novembro de 1972)

Papa Francisco: “E pensar que nos queriam fazer crer que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia do mal! Ao contrário, o diabo existe e nós devemos lutar contra ele. São Paulo recorda: é a palavra de Deus que no-lo diz! Mas parece que não estamos convencidos desta realidade”. (30 de Outubro de 2014)

Pe. Vasco: “Mas cada vez mais a Igreja sabe que é um problema psíquico.”

Pe. Gabriele Amorth: “Mas eu não faço exorcismo ao primeiro que passa! Antes vejo as fichas clínicas, os resultados de análises e as idas ao psiquiatra. Intervenho com as orações de libertação apenas quando a medicina não fez efeito”.

Catecismo: “O exorcismo tem por fim expulsar os demónios ou libertar do poder diabólico, e isto em virtude da autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata duma presença diabólica e não duma doença.”

Pe. Vasco: “Os grandes exorcistas, no fundo, nunca encontraram verdadeiramente um espírito, encontraram uma espiritualidade perturbada que precisa de ser reorganizada pelo amor.” “Os exorcismos de Jesus Cristo foi curar psicopatologias.”

Evangelho: «“Mestre, eu trouxe-te o meu filho que está possesso de um espírito mudo, que, onde quer que se apodere dele, o lança por terra, e o menino espuma, range com os dentes, e fica rígido. Pedi aos Teus discípulos que o expulsassem e não puderam.”

Jesus respondeu-lhes: “Ó geração incrédula! Até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo cá”. Trouxeram-Lho. Tendo visto Jesus, imediatamente o espírito o agitou com violência e, caído por terra, revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai dele: “Há quanto tempo lhe sucede isto?”. Ele respondeu: “Desde a infância. O demónio tem-no lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar; porém Tu, se podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. Jesus disse-lhe: “Se podes…! Tudo é possível a quem crê”. Imediatamente o pai do menino exclamou: “Eu creio! Auxilia a minha falta de fé”. Jesus, vendo aumentar a multidão, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai desse menino e não voltes a entrar nele!”. Então, dando gritos e agitando-se com violência, saiu dele, e o menino ficou como morto, tanto que muitos diziam: “Está morto”. Porém, Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele pôs-se em pé. Depois de ter entrado em casa, os Seus discípulos perguntaram-Lhe em particular: “Porque o não pudemos nós expulsar?”. Respondeu-lhes: “Esta casta de demónios não se pode expulsar senão mediante a oração e jejum”. (Mc 9, 17-29)

Pe. Vasco: “O exorcismo não tira nada lá de dentro, o exorcismo comunica paz, equilíbrio, ordem, porque não há nada a tirar – um espírito não está dentro de outro espírito (…) O espírito não tem dentro nem fora. Portanto, é uma fantasia nossa para explicar um bocadinho essa realidade”

Evangelho, de novo: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele.”

Evangelho, mais uma vez: “Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (1Jo 3, 9)

Breve comentário

A posição do Pe. Vasco é de uma assustadora ingenuidade, de grande irresponsabilidade e com consequências devastadoras. Representa, na verdade, uma certa tendência teológica presente há muito na Igreja; assim, este artigo aproveita o pretexto desta entrevista, mas visa essa corrente ‘modernista’, que está convencida que a doutrina ‘evolui’, que passámos por uma idade das trevas na Igreja e agora vamos chegando à ‘idade das luzes’.

O Pe. Vasco, com a sua ‘hermenêutica’ muito pessoal, contradiz directamente as palavras de Cristo, a doutrina da Igreja e as palavras, reiteradas sucessivamente, do próprio Papa Francisco (bem como, naturalmente, a de todos os Papas anteriores).

Terminemos, lembrando as palavras do Papa São João Paulo II, pouco tempo antes de se tornar Papa:

“Hoje, estamos diante do maior combate a que a humanidade já assistiu. Não penso que a comunidade cristã o tenha compreendido totalmente. Hoje, estamos diante da luta final entre a Igreja e a Anti-Igreja, entre o Evangelho e o Anti-Evangelho”.

As palavras de um sacerdote que vai ser ouvido e lido devem ser pesadas e pensadas; a sua responsabilidade é a de subir acima de si mesmo e dos seus particulares pensamentos, para transmitir fielmente a doutrina da Igreja. Aos crentes enquanto tal não lhes interessa saber as opiniões pessoais, as ‘hermenêuticas’ superficiais de um sacerdote. Aos crentes, enquanto tal, interessa-lhes ouvir a doutrina de forma corajosa e clara, sobretudo num tempo que a Irmã Lúcia recorrentemente caracterizava, justamente, como de “desorientação diabólica”.

Um interessante extratexto

O grande exorcista do Vaticano, Padre Gabriele Amorth, revela-nos que a “invocação de João Paulo II tem um efeito devastador sobre o diabo” e diz ainda que “Satanás teme muitíssimo Bento XVI; as suas missas, as suas bênçãos, as suas palavras são como poderosos exorcismos”.

Este texto foi publicado na plataforma Academia.edu no dia 23 de julho de 2017.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, neste caso o filósofo português Pedro Sinde, a presente edição visa apenas a sua divulgação.

 

Basto 7/2017

Cristo “que se fez diabo”?

Duccio di Buoninsegna, cerca de 1308-11
Duccio di Buoninsegna, cerca de 1308-11

No dia 4 de abril, na capela da Casa de Santa Marta, o Santo Padre fez outra daquelas homilias que causam arrepios na espinha. Recorreu mais uma vez à figura da serpente para explicar o seu entender a respeito do verdadeiro significado da cruz, símbolo dos cristãos. Mas desta vez foi longe demais ao sugerir que, por nós, “Cristo tornou-se diabo” na cruz.

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Meditação Matutina na Capela da Domus Sactae Marthae, “No Sinal da Cruz” – in Sítio oficial da Santa Sé, 04/04/2017.

 

“A cruz então, afirmou, «para algumas pessoas é um distintivo de pertença: “Sim, eu trago a cruz para mostrar que eu sou um cristão”». E «está bem» mas «não só como distintivo como se fosse uma equipa, o emblema de uma equipa»; mas, disse Francisco, «como a memória dele [Jesus] que se fez pecado, que se fez diabo, serpente, por nós; ele humilhou-se até ao ponto de aniquilar-se totalmente».”

(Papa Francisco, 04 de abril de 2017 – tradução livre)

Terá sido esta a doutrina que inspirou Antonio Vedele?

O exotismo doutrinal desta afirmação mereceu destaque de primeira página na imprensa italiana.

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Capa do jornal Libero Quotidiano de 06/04/2017.

 

Basto 4/2017

Hostage to the Devil – o documentário baseado na obra homónima de Malachi Martin

O controverso livro “Hostage to de Devil” (Reféns do Diabo) foi um best seller do jesuíta irlandês Malachi Martin. Trata-se de uma obra literária onde o padre descreveu pormenorizadamente cinco casos de vítimas de possessão demoníaca que conhecera no exercício do cargo de exorcista auxiliar. De acordo com o autor, os protagonistas são pessoas reais que ele acompanhou durante a realização de exorcismos que estão documentados em muitas horas de registos gravados em fita magnética. As identidades das personagens do seu livro foram modificadas de modo a salvaguardar a privacidade das pessoas.

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O fascínio gerado em torno do livro fez com que o Pe. Martin fosse, por diversas vezes, convidado para entrevistas públicas versadas sobre o tema da possessão demoníaca. No entanto, este livro desmistifica alguns dos exageros “hollywoodescos” em torno desta matéria e explica em que consiste realmente uma possessão demoníaca, do mesmo modo que pretende mostrar a impreparação da Igreja atual para lidar com os casos de possessão que, alegadamente, têm aumentado de modo exponencial. Por outro lado, o livro põe em evidência os desígnios que Satanás tem para mundo e para o género humano, com os quais a Igreja atual tem de se confrontar nesta batalha final.

Hostage to the Devil é um dos mais polémicos livros escritos por um autor controverso. Uma leitura fascinante mas desaconselhável para se ter ao lado da cama.

O livro dá agora origem a um filme documental com o mesmo título, no qual se reproduzem registos áudio e videográficos do próprio Pe. Malachi Martin.

Controvérsias à parte, este documentário promete ser bastante interessante.

Basto 9/2016

Grandes celebrações satânicas na Suíça

Na semana passada, durante a inauguração do maior túnel ferroviário do mundo, na Suíça, foram representadas coreografias satânicas. Este evento contou com a presença de líderes religiosos de diferentes confissões e destacados governantes europeus.

El 1º de junio en Suiza tendrá lugar una ceremonia interreligiosa de bendición de la Galería Ferroviaria de San Gotardo, la estructura más larga del mundo que tiene 57 kilómetros. En representación de las tres grandes religiones monoteístas fueron nombrados como delegados espirituales, para la Federación de los grupos Suiza e Israel, el rabino Marcel Ebel de Zúrich; para la Comunidad de trabajo de las Iglesias cristianas en Suiza, el padre Martin Werlen de Einsiedeln y para la Federación de las organizaciones islámicas suizas el imán Bekim Alimi de Wil. Se tratará de una función religiosa sobria en la que también han sido invitados los grupos que carecen de pertenencia religiosa, y que representan un cuarto de la población helvética.

(in Radio Vaticano – edição em espanhol, 30/05/2016)

Entre outras personalidades importantes, foram convidados para esta cerimónia de evocação do diabo a Chanceler alemã Angela Merkel, o Presidente francês François Hollande e o Primeiro-Ministro italiano Matteo Renzi.

É aquilo que se pode chamar literalmente “uma festa dos diabos”. A inauguração do Túnel do Marão, apesar de tudo, foi bem mais “sóbria”.

Basto 6/2016