Escravos da Lei de Deus, ou seja, santos

Talvez esteja na altura de perguntar ao Santo Padre se já encontrou alguma coisa de que gosta na sua Igreja e que deseja manter? Não haverá nada, mesmo nada de bom na Tradição Católica?

Isto porque até parece que, para o Papa Francisco, tudo está errado dentro da Igreja Católica. Quanto mais dedicados se mostram os fieis, mais errados lhe parecem! Este facto ganha ainda mais significado quando reparamos que, ao fim de mais de três anos, não pregou uma única palavra de incentivo à conversão ao Credo Católico destinada aos que acreditam em outros deuses ou em nenhum. Pelo contrário, até desaconselha essa conversão.

É evidente que quando alguém se converte ao catolicismo – o tal “prosélito” referido pelo Santo Padre – é porque, pela Graça de Deus, encontrou a Verdade, a Palavra de Deus, a verdadeira Lei salvífica. O fiel católico propõe-se humildemente, e em liberdade, a cumprir essa Lei, caso contrário não seria católico, seria outra coisa qualquer. Ser católico é precisamente estar disponível para ser “escravo” da Lei de Deus e sentir alegria nesse propósito. Deus identifica-se com a Sua Lei, a Verdade de Deus é Ele mesmo.

Grão Vasco (1506-1511)
Vasco Fernandes, 1506-1511 (vista parcial)

«Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.» (Lc 1, 38)

No que diz respeito à “liberdade do Espírito Santo”, seria bom que o Santo Padre ganhasse coragem e dissesse, de uma vez por todas, de forma clara e objetiva, quais são as “surpresas” que deseja ver implementadas na Igreja, para evitar alimentar mais ambiguidades e confusões do que aquelas que já existem. A total abolição das normas não pode estar no seu horizonte porque isso seria a anarquia moral, o caos…

Agora, como é que a Lei de Deus, revelada por Jesus Cristo, pode ser uma prisão que encerra o Espírito Santo? Se o Espírito Santo é Deus, como é que Este pode aprisionar-se a Si próprio numa Lei que Ele próprio revelou. Isto é uma loucura, não faz o mínimo de sentido.

A Palavra de Deus tem um propósito diametralmente oposto ao que o Papa Francisco está sugerir, pois existe para acorrentar o espírito do maligno e nunca o Espírito Santo. O verdadeiro propósito da Lei de Deus é libertar-nos da escravidão do pecado e dar-nos a liberdade de sermos Seus filhos. Desta forma, ser escravo da Lei de Deus é uma virtude e não uma fatalidade. É sinónimo de santidade.

Os fariseus hipócritas dos tempos bíblicos não eram aqueles que cumpriam verdadeiramente a Lei de Deus, mas sim os que a utilizavam em proveito pessoal ou faziam de conta que a cumpriam para serem bem vistos perante a comunidade.

A lei do Senhor é perfeita, reconforta o espírito; as ordens do Senhor são firmes, dão sabedoria ao homem simples. (Sl 19, 8)

Mas que mal pode existir no cumprimento da Lei de Deus? Valha-nos Deus!

Basto 6/2016