Sim, queremos a Santa Missa do Vaticano II!

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Papa Francisco celebra Missa ad orientem. Festa do Baptismo do Senhor em 2016.

 

Por Pedro Sinde

O Santo Padre disse, recentemente, que a “reforma litúrgica é irreversível”, referindo-se, naturalmente, à reforma litúrgica do Vaticano II, presente na Constituição Conciliar da Sagrada Liturgia “Sacrosanctum Concilium.

Ocorreu-nos, de imediato, a pergunta: “mas qual reforma litúrgica?” É que não conhecemos nenhuma igreja onde se celebre a Santa Missa como a desejaram os padres conciliares. Na  verdade, há um local onde se celebra a Santa Missa exactamente como saiu do Vaticano II. Por agora, no entanto, creio que seria importante olharmos para a Sacrosanctum Concilium e deixar os próprios padres conciliares dizerem-nos o que é a reforma litúrgica.

Como se fizéssemos uma entrevista a um dos padres conciliares:

P (pergunta): Antes do Concílio Vaticano II usava-se o latim como língua litúrgica; as missas eram em latim; depois o Concílio recomendou que passássemos a usar o vernáculo…

R (Resposta): Peço desculpa, mas permita-me que o interrompa, antes de formular a sua pergunta, porque o seu intróito já não vai na direcção correcta… Nós, os padres conciliares não recomendámos que se passasse a utilizar o vernáculo!

P: Não?… Como assim?… A missa hoje é sempre em vernáculo… e, antes do Concílio, não era!

R: Sim, isso é verdade, mas se ler o documento onde deixámos escrito quais as orientações para a reforma litúrgica, a Constituição Conciliar da Sagrada Liturgia “Sacrosanctum Concilium”, verá que não se diz isso em lado algum! Permita-me que cite, no que diz respeito à língua: “Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.” (36. § 1). Esta é a norma: conservar o latim; depois definem-se as excepções possíveis, mas o princípio orientador é: a missa deve ser em latim; sugere-se que o vernáculo ocupe lugar nas leituras, por exemplo, como se compreenderá facilmente

P: Isso deixa-me perplexo! Mas vamos, então, para outro tema… A música! A música faz parte inerente da liturgia e libertou-se de formas arcaicas desde o Vaticano II, não? Já praticamente não se canta em latim, por exemplo?

R: Bom, na verdade, não era bem isso que nós tínhamos em mente, no nosso espírito conciliar…

P: Não?

R: Não. Desculpe, mas preciso de citar, novamente, porque vejo que pode parecer difícil de entender; em relação à língua, no capítulo sobre a música sacra (IV) diz-se que devemos seguir o que enuncia o artigo 36, que citei antes, e, por isso, aponta também para uma preferência pelo latim… abrindo, naturalmente, também aqui a possibilidade da utilização do vernáculo, mas o princípio norteador é a conservação do latim. O artigo 114 afirma: “Guarde-se e desenvolva-se com diligência o património da música sacra. Promovam-se com empenho, sobretudo nas igrejas catedrais, as «Scholae cantorum».” Assim se estimulam até as escolas de música sacra que poderiam preservar o maravilhoso património musical da Igreja. Muitas pessoas, hoje, têm de comprar em disco aquilo que antes ouviam habitualmente na missa dominical ou, pelo menos, nas grandes celebrações litúrgicas.

P: …mas está-me a dizer que também há um tipo de música recomendada, é isso?

R: Sim… o canto gregoriano! Vou-lhe ler (ponto 117): “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.” No entanto, dizse também, “não se excluem todos os outros géneros de música sacra, mormente a polifonia, na celebração dos Ofícios divinos, desde que estejam em harmonia com o espírito da acção litúrgica”. Mas o espírito que preside a este documento é bastante “conciliar”, de facto, e por isso, também estimula o “canto popular religioso” (ponto 118), por exemplo.

P: Já agora, também definiram os instrumentos musicais?

R: Sim… Repare (ponto 120): “Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.” Novamente, o Concílio permitiu outras possibilidades, mas que teriam de ter o “consentimento da autoridade territorial competente” e, mesmo assim, apenas se “esses instrumentos estejam adaptados ou sejam adaptáveis ao uso sacro, não desdigam da dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis.” Digamos que uma guitarra eléctrica ou uma bateria, não são aquilo que estaria na mente dos Padres conciliares… Menos ainda a música rock a que esses instrumentos estão associados.

P: Só faltava dizer-me que o Concílio também queria que o sacerdote estivesse de costas para o povo!…

R: …Bom, na verdade nunca a Igreja desejaria que o sacerdote celebrasse “de costas para o povo”!

P: Ah! Ao menos isso!

R: Eu explico-me melhor, pois já vi que não percebeu o que eu quis dizer! A missa de todos os tempos sempre foi celebrada voltada para o oriente, na direcção do tabernáculo, tirando aqueles momentos em que o sacerdote se dirige ao povo explicitamente. A Santa Missa não é um espectáculo para o povo! É a celebração de um sacrifício, por isso deve ocorrer num altar (e não numa mesa) e voltado para Deus (que para nós está no tabernáculo) e é a quem estamos a oferecer o sacrifício; imagine que se dirigia a alguém para lhe oferecer uma prenda, não o faria de costas, não é verdade? Isso seria uma grande falta de educação Assim, o sacerdote não estava “de costas para o povo”! Estava voltado na mesma direcção que o povo, humildemente unido a ele, e todos voltados na mesma direcção.

P: Mas, agora a sério, não saiu um missal deste Concílio? E este missal não diz que a “missa nova” deve ser celebrada na direcção do povo?

R: Sim, saiu um missal novo, o chamado “Missal de Paulo VI”, mas nas rubricas deste missal está pressuposto que o sacerdote está sempre voltado para o oriente

P: Ah, ah! Se não diz explicitamente, se está apenas “pressuposto”, isso quer dizer que pode estar implícita a celebração voltada para o povo! R: Na verdade, não, porque sem se dizer que o sacerdote deve estar voltado ad orientem, diz-se, no entanto, nas rubricas, os momentos, os únicos momentos!, em que o sacerdote se deve voltar para o povo!

P: Resumindo, aquilo que o Sr. Padre me diz é que segundo a intenção do Concílio Vaticano II para a liturgia:
  1. a língua devia ser predominantemente o latim, embora se possa usar o  vernáculo (por exemplo nas leituras e homilias);
  2. a música devia ser predominantemente canto gregoriano ou polifónico, embora também haja lugar para o canto popular religioso, por exemplo;
  3. o sacerdote devia celebrar voltado para o oriente ou o tabernáculo, embora se volte para o povo sempre que se lhe dirige (por exemplo, nas homilias e leituras);Mas isto não é muito parecido com o que era antes do Concílio?

R: Sim, porque como se diz neste mesmo documento a ideia central não era proceder a inovações, de todo! No ponto 23, define-se qual o espírito que deveria presidir a esta reforma litúrgica: não se introduzam inovações, a não ser que uma utilidade autêntica e certa da Igreja o exija, e com a preocupação de que as novas formas como que surjam a partir das já existentes.” Repare, o princípio norteador de todo o documento e, por isso, de toda a reforma, é: “não se introduzam inovações”! E, no caso de serem introduzidas, apenas se isso ocorrer, como ocorreu sempre na história das reformas litúrgicas da Igreja, como um crescimento orgânico, naturalmente decorrente das formas anteriores, por isso se diz que “as novas formas como que surjam a partir das já existentes.” Isto não podia ser de outra forma, uma vez que (ponto 8) “Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo”. Já viu o que isto significa? A importância que a Igreja dá à liturgia?

P: Tudo isto, faz-me pensar no Papa Bento XVI e, mais recentemente, no Cardeal Sarah…R: Sim, na verdade, aquilo que ambos desejam é fazer o que não tinha sido feito: implementar as reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II! É que missa como a conhecemos hoje parece ter sido feita a partir das excepções e sem respeitar o espírito do Concílio tão propalado para justificar as alterações!

P: Dito assim, soa estranho… Mas, então, aquilo que disse agora o Papa Francisco: “a reforma litúrgica é irreversível” é, certamente, nesse sentido de realizar a reforma litúrgica de acordo com o que me diz do Sacrosanctum Concilium, não?

R: Isso seria assunto para outra conversa, mas podemos sempre perguntar ao Cardeal Sarah, que é, afinal, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos…

Este texto foi publicado na plataforma Academia.edu em novembro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, neste caso o filósofo português Pedro Sinde, a presente edição visa apenas a sua divulgação.

Basto 12/2017

Cardeal Burke na cidade do Porto

O cardeal D. Raymond Burke terminou ontem a sua visita a Portugal na cidade do Porto, onde apresentou o seu mais recente livro “O Amor Divino Encarnado”.

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Cardeal D. Raymond Leo Burke no auditório do Hotel Ipanema Park, no Porto, 06/11/2017.

Independentemente das opiniões que cada um possa ter, este cardeal é uma figura da Igreja que dispensa qualquer tipo de apresentação, merecendo, portanto, todo o respeito fraternal e institucional. No entanto, a sua presença na segunda cidade mais importante do país parece que não conseguiu atrair um único representante do clero nortenho. A julgar pela indumentária dos presentes, o único sacerdote que ali se deslocara percorreu mais de uma centena de quilómetros para marcar presença.

A edição portuguesa deste livro encontra-se à venda na página da editora Caminhos Romanos.

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Neste livro, o Cardeal Raymond Burke analisa a beleza e o poder da Sagrada Eucaristia, à luz dos ensinamentos de São João Paulo II e Bento XVI.

(in contracapa do livro “O Amor Divino Encarnado”, do Cardeal Burke)

Por vezes parece que entramos num novo paradigma religioso.

Basto 11/2017

Sacrilégio contra a Sagrada Eucaristia em Fortaleza, no Brasil

O grave incidente registado no vídeo abaixo aconteceu, há dias, durante a missa, alegadamente numa igreja da arquidiocese de Fortaleza, no Nordeste brasileiro.

As imagens do vídeo são chocantes, quer pelo grave sacrilégio ali cometido contra a Sagrada Eucaristia, quer pela quase indiferença de alguns dos presentes. São ainda um convite à reflexão sobre a nossa atitude individual no momento que atravessa atualmente a Igreja Católica, em que são promovidos tantos sacrilégios contra a Sagrada Eucaristia a pretexto de um novo e falso conceito de misericórdia. A indiferença é uma atitude inaceitável…

Voltando ao incidente reportado nas imagens, aquilo que mais choca nos satanistas (assumidos ou não) é o facto de acreditarem na real presença de Cristo na Eucaristia, talvez mais até do que grande parte dos católicos. O sentimento de ódio por algo ou alguém pressupõe o reconhecimento da sua existência.

Basto 5/2017

Celebração do 13 de maio com o Usus Antiquior

Numa diligência inusitada, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei concedeu a todos os sacerdotes do Rito Latino a faculdade de celebrar, no dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, a Missa Vocativa da Festa do Imaculado Coração de Maria segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano, portanto, ad orientem e com as leituras e orações do missal tradicional.

Ecclesia Dei
Decreto da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei de 05/04/2017 – Fonte: Rorate Caeli

Esta louvável diligência causa alguma perplexidade porque parece mais um incentivo do que propriamente uma autorização, uma vez que o Usus Antiquior, comummente denominado Missa Tridentina, para além de nunca ter sido ab-rogado, coabita hoje de modo pacífico na Igreja Católica, como Forma Extraordinária do Rito Romano, desde a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum de Bento XVI, em 2007.

Uma década depois da promulgação do Motu Proprio de Bento XVI, contrariamente ao que estabeleceu o Santo Padre, a Forma Extraordinária do Rito Romano continua ainda interdita à esmagadora maioria dos fiéis, como acontece em Portugal. E é uma pena, dada a riqueza e a beleza da Missa Tradicional, da qual derivou o Novus Ordo, a celebração da Missa na forma à qual estamos habituados. Entre outros grandes benefícios para a Igreja, a celebração contínua e frequente da Eucaristia na Forma Extraordinária seria a referência necessária para se evitarem os excessos e abusos a que assistimos hoje em muitas das Eucaristias celebradas de acordo com Forma Ordinária do mesmo rito.

O episódio protagonizado pela pontifícia comissão criada por João Paulo II e presidida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ao ter lugar precisamente agora, no centenário das aparições de Fátima, tem de estar de algum modo relacionado com a aproximação do Triunfo do Imaculado Coração de Maria, profetizado em Fátima e desejado para breve nas orações do Santo Padre Bento XVI.

Possam os sete anos que nos separam do centenário das Aparições apressar o anunciado triunfo do Coração Imaculado de Maria para glória da Santíssima Trindade.

(Sua Santidade Bento XVI, em Fátima, a 13 de maio de 2010)

Seria uma magnífica celebração do centenário das Aparições de Fátima se todos os sacerdotes portugueses pudessem, nesse dia, proporcionar aos fiéis a celebração da Eucaristia na forma que os pastorinhos a conheciam. Mesmo que não simpatizem com o Usus Antiquior, poderiam sempre abrir uma exceção nesse dia especial e oferecer o sacrifício em honra de Nossa Senhora de Fátima. Talvez até acabassem por gostar…

Basto 4/2017

Quatro graves consequências da comunhão na mão

O que disse realmente o Santo Padre Paulo VI?

63. Nem devemos esquecer que antigamente os fiéis, quer se encontrassem sujeitos à violência da perseguição, quer vivessem no ermo por amor da vida monástica, costumavam alimentar-se mesmo diariamente da Eucaristia, tomando a sagrada comunhão com as próprias mãos, no caso de faltar um sacerdote ou diácono.

64. Isto não o dizemos para que se altere, seja no que for, o modo de conservar a Eucaristia ou de receber a sagrada comunhão, segundo foi estabelecido mais tarde pelas leis eclesiásticas ainda em vigor, mas somente para todos juntos nos alegrarmos por ser sempre a mesma a fé da Igreja.

(Papa Paulo VI, Carta Encíclica Mysterium Fidei, 03/09/ 1965)

O vídeo acima é um excerto de uma conversa entre D. Athanasius Schneider e o Pe. Mitch transmitida ao vivo no canal católico americano EWTN, no dia 9 de janeiro de 2013. A nossa vénia ao Tradutor Católico.

Basto 3/2017

Papa Francisco propõe novo exercício espiritual

Quando a multidão que recebera o Santo Padre em estado de histeria coletiva, na Sala Paulo VI, estava já confortavelmente sentada, Francisco propôs um “novo exercício espiritual”.

Vale a pena ver também o vídeo abaixo, apesar de não estar traduzido, porque permite captar melhor o entusiasmo, a auto-confiança e a convicção do Santo Padre à medida que avança no “novo exercício espiritual”.

Em 1916, na Loca do Cabeço, em Fátima, os pastorinhos aprenderam com o Anjo um exercício espiritual radicalmente diferente ao nível do nosso posicionamento perante Deus.

Ao chegar junto de nós, disse:
– Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.
E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras:
Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.
Depois, erguendo-se, disse:

– Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.

As suas palavras gravaram-se de tal forma na nossa mente, que jamais nos esqueceram. E, desde aí, passávamos largo tempo assim prostrados repetindo-as, às vezes, até cair cansados.

(Ir. Lúcia do Imaculado Coração de Maria, IV Memória, 1941)

Que Deus nos ama já nós sabemos, a questão fundamental, aqui, é como corresponder ao Seu amor. Optar por permanecer amarrados ao pecado porque Ele nos ama de qualquer modo, ou porque achamos que Ele é só Misericórdia, seria equivalente chamar injusto a Deus. Temos portanto de tentar corresponder a esse grande amor com Fé, com orações e com ações. Através da verdadeira reconciliação com Ele.

A nossa posição perante o amor de Deus é aqui fundamental, até mesmo em termos físicos. Ajoelhar-se perante Deus para O adorar, quando Ele está fisicamente presente na Sagrada Eucaristia, é uma postura de humildade verdadeira e de veneração. É uma pena que o Santo Padre tenha grandes dificuldades em fazê-lo porque, desse modo, daria uma grande lição sobre o amor de Deus a toda a humanidade.

Basto 2/2017

O fim das palhaçadas litúrgicas

Esta é uma boa notícia em tempo de crise. O diretor do Secretariado Nacional da Liturgia, o Pe. Lourenço Ferreira, declarou, na sua intervenção de encerramento do 42º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, que as celebrações interessadas no espetáculo são contrárias ao espírito da liturgia e concretizou.

(…) “As celebrações de bonecos e palhaços em movimento têm os dias contados, porque não procedem nem conduzem a Cristo crucificado” e os cânticos que servem para “divertir o pessoal” acabam “por espantar os fiéis”.

(…) “A mensagem de Fátima resume o espírito da liturgia: penitência e oração. Ambas devem andar juntas. Os problemas e as dificuldades da prática litúrgica podem resumir-se à difícil convivência entre a penitência e a oração”.

(in Ecclesia, 29/07/2016)

A notícia não explica, contudo, como poderá proceder a hierarquia da Igreja Portuguesa para impedir que aconteçam essas palhaçadas. Esperemos o discurso não seja uma mera intenção académica porque, infelizmente, a tendência para se fazer do Santo Sacrifício da Missa um espetáculo divertido e atrativo ganhou contornos de epidemia, e não é só em Portugal.

As palhaçadas e outros abusos, com diferentes graus de gravidade, encontram-se um pouco por todo o lado, passando pelos vários níveis da hierarquia eclesiástica.

Às vezes é mesmo assim, ao cair, precisamos de bater bem no fundo para percebermos a gravidade da nossa queda, mas estamos sempre a tempo de nos levantarmos.

E já agora podemos colocar uma questão: para quando é que o Motu Proprio “Summorum Pontificum” de Bento XVI será finalmente aplicado em Portugal? Não terão os fieis portugueses também o direito de escolher o rito através do qual desejam participar na Santa Missa? Parece que esta questão vai continuar ainda sem resposta.

 

Basto 8/2016

Ad Orientem

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Carreño de Miranda, séc. XVII (vista parcial)

 

O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, voltou ontem a incitar todos os padres católicos a celebrarem as Missas Ad Orientem, ou seja, de costas para o povo e olhos postos no altar. Desta vez foi mais longe, pedindo que houvesse uma preparação de modo a que essa alteração possa entrar em vigor já nas Missas celebradas a partir de 27 de novembro, primeiro Domingo do Advento.

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Cardeal Robert Sarah (Foto de Salefran)

Pode parecer um pedido estranho, mas está a sugerir apenas que os padres voltem a adotar a mesma prática de sempre na celebração da Santa Missa. É a ordem natural das coisas. O Cordeiro de Deus é imolado no altar e nós prostramo-nos perante a Sua presença, em reverência, primeiro o padre e depois o seu povo. É do “oriente litúrgico” que vem a Luz.

Trata-se de olhar todos juntos para a abside que simboliza o oriente onde está o trono da cruz do Senhor ressuscitado.

Com esta maneira de celebrar, experimentaremos, também com o corpo, a primazia de Deus e da adoração. Compreenderemos que a liturgia se trata em princípio de nossa participação no sacrifício perfeito da cruz.

[…]
Com frequência, o sacerdote já não celebra o amor de Cristo através do seu sacrifício, mas um encontro entre amigos, uma partilha, um momento fraterno. Ao procurar inventar liturgias criativas ou festivas, corremos o risco de um culto muito humano, à altura de nossos desejos e das modas do momento.

(Cardeal Sarah a 23/05/2016)

Esta exortação do Cardeal Sarah refere-se, evidentemente, à celebração da Missa na sua  Forma Ordinária do Rito Romano, uma vez que a Forma Extraordinária, a Missa Tridentina, é sempre celebrada Ad Orientem.

– Ganhem coragem senhores Padres, aceitem este desafio!

 

Basto 7/2016