Bergoglio para Bento XVI: aprenda a dizer adeus

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Por Christopher A. Ferrara

Ao longo dos últimos quatro anos, os fiéis católicos habituaram-se a um espetáculo contínuo e sem precedentes na história da Igreja: um Papa que, quase todos os dias, usa o seu púlpito para lançar um manancial, aparentemente inesgotável, de epítetos sobre os católicos ortodoxos que estão justamente perturbados com a orientação do seu pontificado: “rigoristas”, “rígidos”, “legalistas”, “fariseus”, “hipócritas”, “auto-absorvidos prometeanos neo-pelagianos” e assim por diante. Dia após dia, ano após ano, Papa Bergoglio não mostra sinais de cansaço na repetição do mesmo tema, continua como uma agulha de fonógrafo presa no mesmo sulco do mesmo velho disco.

Porém, em março, como observa Antonio Socci num artigo que não recebeu a devida atenção, o Papa Bergoglio apresentou um novo vilão du jour a partir do púlpito de Santa Marta: o pastor “que não sabe dizer adeus e pensa que é o centro da história, “o pastor que não sabe que “deve sair completamente, não a meio caminho… e sem se apropriar das ovelhas para si mesmo”.

A quem precisamente poderia o Papa Bergoglio estar aqui a referir-se? Temos uma boa ideia de quem possa ser, mas o Vatican Insider, ao qual Socci apelida de “o site ultrabergogliano”, não deixou qualquer espaço à imaginação. A sua reportagem sobre este sermão incluiu uma fotografia do Papa Bento XVI a sair do Vaticano de helicóptero, em direção a Castel Gandolfo, no dia em que a sua misteriosa “renúncia” ao “ministério de Bispo de Roma” entrou em vigor.

É óbvio que o Papa Bergoglio visava Bento XVI, uma vez que esta denúncia seguiu-se quase imediatamente à publicação do livro do Cardeal Sarah sobre o estado da liturgia, intitulado “O Poder do Silêncio: Contra a Ditadura do Ruído”, para o qual Bento XVI, como ” Papa Emérito “, escreveu um pós-escrito bastante devastador. Bento XVI declara que com Sarah à frente da Congregação para o Culto Divino, “a liturgia está em boas mãos”. No entanto, como sabemos, o Papa Bergoglio despediu todos os membros da Congregação exceto Sarah, substituindo-os por progressistas litúrgicos à sua volta, precisamente para deixar Sarah isolado e sem poder, de modo a que a incessante decadência da liturgia Novus Ordo possa continuar sem cessar.

Como mostra Socci, a aparição do pós-escrito de Bento XVI levou o líder da claque bergogliana, Andrea Grillo, a declarar que Bento “renunciou à sua renúncia” e estava agora a intrometer-se “nas decisões do seu sucessor” – referindo-se à decisão de neutralizar o Cardeal Sarah sem o demitir. Consequentemente, o Papa Bergoglio introduziu uma nova categoria de vilão voraz no caminho da sua “reforma irreversível” da Igreja que inclui a Sagrada Comunhão para adúlteros públicos: o pastor que não diz adeus.

Aqui, como de costume, temos a torção bergogliana das Escrituras para atender às necessidades retóricas do momento. No seu polémico sermão, o Papa Bergoglio cita o episódio de São Paulo quando parte de Éfeso, como um exemplo do pastor que sabe dizer adeus e não tenta levar as ovelhas com ele.

Mas ao citar o exemplo de São Paulo em Éfeso, observa Socci, o Papa Bergoglio marcou um golo espetacular na sua própria baliza, uma vez que São Paulo foi conduzido de Éfeso por um tumulto “orquestrado pelos ourives que lucravam com a manufatura de ídolos”, e São Paulo advertiu que, após a sua partida, “lobos raivosos” entrariam no seu rebanho, introduzindo “doutrinas perversas para atrair discípulos para si mesmos”.

É um convite à risada que o Papa Bergoglio, mais uma vez, aponte o dedo para si mesmo enquanto lança acusações sobre outros – desta vez sobre o seu próprio antecessor no cargo. Porém isso não é motivo de riso, mas sim outro sinal de que o pontificado bergogliano é provavelmente a fase terminal de uma crise eclesiástica cuja resolução terá de envolver uma intervenção divina do tipo mais dramático.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 8 de junho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 6/2017

Francisco diz que ele é o “Bispo Vestido de Branco”

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Por Christopher A. Ferrara

Amanhã, em Fátima, o Papa Francisco canonizará a Jacinta e o Francisco, valorizando ainda mais o evento de Fátima na vida da Igreja ao elevar dois dos três videntes aos altares. Sem embargo, em ainda mais uma volta contorcida para o mistério labiríntico do Terceiro Segredo, a oração que ele recitará no santuário de Fátima contém esta declaração surpreendente:

Salve Mãe de Misericórdia, Senhora da veste branca! Neste lugar onde há cem anos a todos mostraste os desígnios da misericórdia do nosso Deus, olho a tua veste de luz e, como bispo vestido de branco, lembro todos os que, vestidos da alvura batismal, querem viver em Deus e rezam os mistérios de Cristo para alcançar a paz.

A auto-descrição do Papa Bergoglio como um “bispo vestido de branco” evoca claramente a visão do Terceiro Segredo, publicada em 26 de junho de 2000, cuja descrição textual, registada pela Irmã Lúcia, inclui o seguinte: «E vimos numa luz imensa que é Deus “algo semelhante a como se veem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um bispo vestido de branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.»

Certamente isto não é coincidência, mas antes uma alusão propositada. A referência do Papa Bergoglio às vestes brancas batismais não é particularmente relevante para a ocasião de amanhã. Pelo contrário, parece projetada para estabelecer uma referência a si mesmo como um bispo vestido de branco.

Isto levanta uma curiosa questão sobre o que a Irmã Lúcia registou. Porque terá escrito ela sobre o misterioso “bispo vestido de branco” que “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”? Porquê apenas um “pressentimento”? Não terá Nossa Senhora informado os videntes com exatidão sobre quem era o bispo vestido de branco? Afinal, Ela foi perfeitamente clara sobre todos os outros detalhes da Mensagem de Fátima, incluindo o próprio nome do Papa (Pio XI) que reinaria no início da II Guerra Mundial. Porque razão identificaria, Nossa Senhora, pelo nome o Papa que reinaria no início da II Guerra Mundial mas não identificou o bispo vestido de branco, executado por um grupo de soldados fora da cidade devastada, deixando os videntes apenas com um “pressentimento” de que é o Santo Padre?

Ou é o Santo Padre? O bispo branco e o Santo Padre são a mesma pessoa ou são duas pessoas diferentes? Convém não esquecer que, pela primeira vez na história da Igreja, existem de facto dois “bispos vestidos de branco” a viver no enclave do Vaticano, ambos conhecidos por nomes papais, um dos quais se refere a si mesmo, sendo também referido pelo Papa Bergoglio, como “Papa Emérito”.

Como devemos entender o facto de o Papa Bergoglio aparentemente se ter colocado no cenário pós-apocalíptico retratado na visão, não havendo nenhuma outra explicação plausível para o porquê de, precisamente em Fátima, ele se descrever com a frase exata utilizada na visão do Terceiro Segredo? Além disso, se o Papa Bergoglio se vê a si mesmo como o “bispo vestido de branco”, será que, contrariamente ao Papa Bento XVI, ele descarta a ridícula “interpretação” do Cardeal Sodano de que o bispo vestido de branco executado por soldados é João Paulo II a não ser executado por um assassino solitário? Será que ele tem razão para acreditar que é ele o bispo vestido de branco que encontra a morte numa das colinas fora da devastada cidade de Roma?

Mais uma vez vemos por que tem de haver um texto no qual a própria Virgem explica o sentido e o significado de cada detalhe da visão enigmática, tal como o fez com o resto da Mensagem de Fátima. Entre outras coisas, Ela teria naturalmente esclarecido o “pressentimento” de que o bispo executado na visão é o Papa.

No estado a que as coisas chegaram, o “Terceiro Segredo” que o Vaticano apresentou ao mundo – a visão por si só – não produziu mais do que interpretações contraditórias, em vez da orientação certa que a Mãe de Deus seguramente queria fornecer à Igreja e ao mundo. Não, alguma coisa falta. E mais cedo ou mais tarde será revelada.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 12 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 5/2017

O Segredo Continua Silenciado: Descobre quem te tem escondido a verdade e porquê – Capítulo 1

O documentário produzido há oito anos pelo Fatima Center (apostolado de Fátima fundado pelo Pe. Nicholas Gruner), a partir de uma longa e exaustiva investigação, tem uma grande relevância neste centenário das aparições de Fátima porque ajuda-nos a compreender melhor o grave momento de crise que a Igreja atualmente atravessa.

«Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé, etc. Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo.»

(Palavras de Nossa Senhora de Fátima em 1917, in IV Memória da Irmã Lúcia dos Santos, vidente de Fátima, 1941)

Título original: The Secret Still Silenced: Find out who has been hiding the truth from you and why

Produção: The Fatima Center, 2009, EUA

Se Deus quiser e se os nossos irmãos americanos do Fatima Center não nos colocarem objeções, os 13 capítulos deste documentário haverão de ser todos legendados em português. O tempo disponível não é muito e a experiência técnica também não, mas como estamos no mês de Maria, pode ser que Ela nos dê uma ajuda.

Basto 5/2017

O “Papa Emérito” sobre a Amoris Laetitia: um devastador “sem comentários”

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Por Christopher A. Ferrara

Desde a misteriosa abdicação de Bento XVI do trono papal – para a qual os fiéis receberam explicações momentâneas e insatisfatórias – ouvimos, por diversas vezes, do secretário pessoal de Bento XVI, D. Georg Gänswein, o quão “sereno” e “em paz” Bento XVI se mostra em relação à sua inédita decisão. Tão sereno e em paz, de acordo com Gänswein, que nem poderia preocupar-se menos com o tumulto bergogliano que dividiu a Igreja como nunca anteriormente – em relação a uma questão da lei moral tão básica como o Sexto Mandamento.

Como relata o impressionante Edward Pentin, em entrevista ao La Repubblica – a enésima tentativa de assegurar-nos de que não havia nada de errado com a abdicação de Bento XVI – Gänswein revela que Bento “recebeu pessoalmente de Francisco uma cópia da Amoris Laetitia [AL], branca e autografada” e que “Ele leu-a cuidadosamente, mas não comentou de forma alguma o conteúdo”.

Sem comentários? Essa resposta não poderia ser mais reveladora. Se o único Papa Emérito da história da Igreja – uma novidade que o próprio Bento inventou – não vai defender a ortodoxia da AL, a sua falta de vontade para o fazer não pode ser vista como outra coisa senão como um reconhecimento implícito de que o seu conteúdo, em particular o Capítulo 8, é indefensável. Caso contrário, porque não declararia simplesmente, o “Papa Emérito”, que o ensinamento do seu próprio sucessor é doutrinariamente correto? Resposta: ele não o declarará porque sabe que isso não seria honesto.

Em vez disso, como Bento XVI se retirou da cadeira de Pedro, retirou-se também do caos que se seguiu à sua abdicação. Como refere Pentin, Gänswein “disse que o ex-Papa está bem ciente dos contrastes [!] gerados entre ele e o Papa Francisco, mas não se deixa provocar por eles” e “não tem intenção de entrar em controvérsias que se sentem longe dele”.

Longe dele? Mas Bento XVI vive no que ele mesmo chamou o “recinto de São Pedro”, na sua última Audiência Geral, a 27 de fevereiro de 2013, dia anterior à sua renúncia ao “ministério de Bispo de Roma”. Assim, pelo menos de acordo com Gänswein, Bento não só renunciou ao papado, mas também renunciou a qualquer preocupação sobre o estado da Igreja dirigida por Francisco! Em vez disso, Gänswein tem o prazer de reportar (como Pentin sumarizou) que “o Papa Emérito continua a ver os noticiários televisivos às 20h, recebe o L’Osservatore Romano e o Avvenire, jornal dos bispos italianos, assim como os comunicados do Vaticano”.

Então, se acreditarmos em Gänswein, Bento XVI está mais interessado nos noticiários da noite do que no caos eclesial que o Papa Bergoglio provocou, que está “muito longe” dele, ainda que ele viva no Vaticano como vizinho de Bergoglio, que o usa para exibição pública em determinadas ocasiões.

Quanto a esse caos, Gänswein dirá apenas que “Certamente ele [Bento XVI] está atento à discussão e às diferentes formas em que tem sido implementada.” Diferentes formas? Temos agora uma situação em que o acesso à Sagrada Comunhão por pessoas envolvidas em relações sexuais adúlteras a que eles chamam “segundos casamentos” ainda é considerado um pecado mortal em algumas dioceses, no entanto é agora caracterizado como “misericórdia” em outras, inteiramente graças à AL . Mas como Gänswein diria, este desastre está “muito longe” do Papa Emérito, que no entanto permanece atento aos “noticiários noturnos às 20 horas”.

Eu não compro isso. Há algo muito suspeito nestas repetidas declarações sobre o que Bento XVI pensa e sente, enquanto o próprio Bento nunca fala diretamente ao público. Sinto o mesmo cheiro a esturro que envolve todo o evento da abdicação de Bento XVI. Ou melhor, cheira a enxofre.

Creio que não nos foi contada metade da história sobre o porquê de termos um Papa Emérito que abruptamente abandonou o seu gabinete apenas para ser sucedido por um Papa para quem o termo “Vigário de Cristo” parece – sejamos honestos – espetacularmente inadequado. Suspeito que a história completa seja encontrada na explicação da Virgem sobre a visão apocalíptica do “Bispo vestido de Branco”, uma explicação que existe de certeza e foi suprimida pelos mesmos cuja conduta o Terceiro Segredo provavelmente acusa.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 13 de abril de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 4/2017

Papa canonizará a Jacinta e o Francisco. Mas, e a Lúcia?

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Por Christopher A. Ferrara

O Vaticano anunciou que os videntes de Fátima, Jacinta e Francisco, já beatificados por João Paulo II, vão ser canonizados pelo Papa Bergoglio, depois da recente aprovação de um segundo milagre atribuído à sua intercessão. A cerimónia terá lugar provavelmente em Maio, durante a peregrinação do Papa a Fátima.

São realmente boas notícias e há muito esperadas. Mas há algo mais a respeito do acontecimento de Fátima também muito esperado: a canonização da Irmã Lúcia. Ela é claramente a principal vidente, a quem foi concedida uma vida longa neste mundo com o propósito de registar e dar a conhecer as revelações da Virgem. A Jacinta e o Francisco faleceram no espaço de três anos após as aparições. Na verdade, a Virgem profetizou perante a Lúcia que os seus dois primos iriam deixar brevemente este mundo, mas que ela teria de permanecer “mais algum tempo”. Como Nossa Senhora explicou à Lúcia: “Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar.”

Foi Lúcia a quem Nossa Senhora ordenou que aprendesse a ler e a escrever para cumprir sua missão terrena, uma ordem que ela obedeceria, abandonando a sua infância em 1921 para ingressar no internato de um convento.

Foi a Lúcia que escreveu as quatro Memórias e a volumosa correspondência que preservaram o acontecimento de Fátima em todos os seus detalhes e com todas as suas implicações – sobretudo o Grande Segredo revelado a 13 de julho de 1917, incluindo sua terceira parte, vulgarmente conhecida como o Terceiro Segredo de Fátima.

Foi Lúcia quem se tornou uma freira de clausura em Espanha e foi informada por Nossa Senhora em 1929, em Tuy, que “chegou o momento” para a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

Foi Lúcia quem, ao longo de toda uma vida de testemunho, contradisse a afirmação absurda de que a Rússia poderia ser consagrada sem a referência específica à Rússia (pois os habilidosos membros do aparelho do Vaticano consideraram inoportuno seguir as instruções explícitas de Nossa Senhora, de modo a não ofender os russos com tamanha obscenidade não-ecuménica).

Foi Lúcia quem, na sua Quarta Memória, gravou as linhas iniciais do Terceiro Segredo fazendo antever uma profecia mariana relativa a uma grande crise de fé e de disciplina na Igreja: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, etc.” – palavras da Virgem evitadas pelo Vaticano como se fossem uma praga e cuja omissão flagrante na narrativa “oficial” de Fátima recusa a explicar.

E foi Lúcia quem, no final dos anos 90, advertiu o cardeal Caffarra sobre a batalha que estamos a assistir desde o “Sínodo sobre a Família” e da publicação da desastrosa Amoris Laetitia: “A batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o Matrimónio e a Família”.

Tudo isto devemos à Irmã Lúcia dos Santos e só a ela. Ainda assim, apesar de a sua causa de beatificação ter sido acelerada durante o reinado de Bento XVI (que prescindiu do normal de período de espera de cinco anos), ela ainda não foi beatificada, enquanto os seus dois primos serão brevemente elevados aos altares.

Porquê? Por que razão concreta o Papa Bergoglio não exerceu a sua suprema autoridade apostólica para acelerar o processo de canonização de Lúcia, dado que o seu processo de beatificação se encontrava, em fevereiro, finalmente concluído ao nível diocesano? Ele não mostrou qualquer hesitação em prescindir dos comuns trâmites processuais em outros casos. Sendo o mais conhecido, aquele em que dispensou a habitual necessidade de dois milagres para canonizar João XXIII, baseando-se apenas num relato pouco substancial de uma cura milagrosa (de uma hemorragia gastro-intestinal reportada a 1966, sem nada desde então).

Como observa ironicamente o jornal Washington Post: “Em três casos, Francisco elevou santos que não possuiam um único milagre satisfatoriamente confirmado”. O método empregado denomina-se canonização “por equipolência”, que a Rádio Vaticano explicou da seguinte forma, depois de Francisco o ter empregado para canonizar dois canadianos na ausência de milagres verificados: “Quando há uma devoção forte entre os fiéis relativamente a homens e mulheres santos que não foram canonizados, o Papa pode optar por autorizar sua veneração como santos sem passar por todo esse processo.”

A impressão que fica é a de um lento arrastar do reconhecimento da inegável santidade e virtude heroica da vidente de Fátima a quem o Céu atribuiu a missão de dar a conhecer a Mensagem de Fátima e preservar o seu conteúdo para a posteridade. Talvez este estado de coisas tenha algo a ver com o facto de a Irmã Lúcia ser portadora de más notícias para o aparelho do Vaticano que presidiu ao colapso da fé e da disciplina que a Igreja sofreu desde o Vaticano II. Precisamente, a crise que, sem dúvida, foi anunciada naquela parte do Terceiro Segredo que o Vaticano considerou inadmissível porque acusa uma grande parte da atual liderança da Igreja – desde topo.

A Jacinta e o Francisco, por outro lado, podem ser canonizados sem qualquer referência ao conteúdo explosivo da Mensagem que Irmã Lúcia fielmente registou e defendeu incansavelmente contra um revisionismo de Fátima que reduziu todo o acontecimento de Fátima a uma mera prescrição de oração pessoal e penitência, eliminando as suas inconvenientes profecias admoestadoras, incluindo aquela que se refere a uma hierarquia infiel.

O leitor que decida qual é o motivo para esta aparentemente inexplicável disparidade de tratamento para com uma dos três videntes de Fátima. Para mim, no entanto, a conclusão parece óbvia: a Irmã Lúcia é uma indesejada mensageira cuja mensagem indesejada seria certificada com a sua canonização.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 24 de março de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

Bento XVI foi afastado do ofício pelos “lobos” que referiu? Uma “carta fatídica”? O mistério aprofunda-se.

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Por Christopher A. Ferrara

A história gravará para sempre as chocantes palavras do recém-eleito Papa Bento XVI na Missa de inauguração do seu pontificado: “Rezem por mim, para que eu não fuja por medo dos lobos.” Tais palavras tornaram-se numa profecia.

Os “normalistas” que insistem que não há nada de errado com o atual pontificado – um grupo cujo número de membros tem diminuindo rapidamente – apresentam-se imperturbáveis pelo modo absolutamente sem precedentes pelo qual Bento XVI deixou a Cadeira de Pedro: mantendo o nome papal, as vestes papais, a insígnia papal, a residência papal no Vaticano e, como Bento XVI afirma, o aspeto “passivo” do ofício petrino (oração e contemplação) como o primeiro “Papa Emérito da história da Igreja.

Se um bispo emérito ainda é bispo, não será um Papa Emérito ainda Papa? Se assim não for, será o título de “Papa Emérito” nada mais que um disparate vazio? Mas se ele ainda se considera de alguma forma um Papa, como se explica dois Papas a viver no Vaticano? Como poderia um Papa que renuncia a seu cargo ser ainda de algum modo Papa, se a eleição para o papado não produz qualquer mudança ontológica no homem – tal como uma marca indelével na alma, como acontece com a ordenação sacerdotal ou com a consagração episcopal – mas apenas lhe confere o ofício papal que, neste caso, foi supostamente renunciado?

Eu não proponho respostas definitivas a estas questões. O que é todavia mais provável é que Bento XVI tenha fugido do papado assumidamente por causa da incapacidade para suportar as suas exigências, devido à sua idade avançada. Mas terá ele fugido por medo dos lobos que claramente viu no início do seu curto pontificado? E quem são esses lobos?

O mistério não só continua como se aprofunda mais a cada dia que passa do tumulto bergogliano. Agora aparece um Mons. Luigi Negri, amigo de Bento XVI, que declara em entrevista ao Rimini2.0 que a abdicação de Bento XVI é “um gesto inaudito” tomado quando estava “sob enorme pressão”. Mas que tipo de pressão e por quem foi aplicada? Negri classifica corretamente o caso como “um mistério muito sério” e promete que, quando o seu “fim do mundo pessoal” chegar , a “primeira pergunta que eu farei a São Pedro será precisamente sobre este assunto”.

Curiosamente, após a entrevista de Negri, o antigo porta-voz do Serviço de Imprensa do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, proferiu uma negação pró-forma, citando a declaração de Bento XVI, proferida numa entrevista com Peter Seewald, em que afirmava que havia renunciado ao “exercício” do ofício petrino “em plena liberdade e responsabilidade”. Não houve, ainda assim, qualquer declaração de Bento XVI em resposta ao seu amigo Mons. Negri.

Agora, a frase “plena liberdade e responsabilidade” não é inconsistente com uma renúncia sob pressão. Ninguém está a sugerir que alguém tenha colocado uma arma na cabeça de Bento XVI ou negado de outra forma a sua livre vontade. Não, a questão é se a resignação seria, ainda assim, motivada até certo ponto pelo medo de algo que possa ter influenciado indevidamente a sua vontade: o “medo dos lobos” que o próprio Bento XVI mencionara. Se esse medo cresceu ou não ao ponto de invalidar a resignação e se “os lobos” foram quem aplicou a pressão, cabe a cada católico exigir saber quem são eles e estar de guarda perante os seus próximos movimentos e esquemas que estiverem a tramar.

Neste sentido, o mistério aprofunda-se. O aparentemente muito bem relacionado bloguista italiano de pseudónimo “Fra Cristoforo”, cujo blogue Anonimo della croce afirma ter fontes dentro Casa Santa Marta, respondeu à negação do Pe. Lombardi com uma reivindicação explosiva: “Dentro de um mês, Anonimo della croce terá a capacidade de publicar o conteúdo da carta fatídica que Bento recebeu antes de decidir a demissão”.

“Fra Cristoforo” continua:

“Além disso, o padre Lombardi, como tantos outros jornalistas, deve permanecer em silêncio sobre este assunto. Porque as razões para a renúncia do Papa Ratzinger não são banalidades. São razões sérias. E não foi por causa da saúde débil ou de outras razões teológicas. Mas por razões sérias, muito sérias… Sobre este assunto, publicaremos daqui a um mês.”

Talvez dentro de um mês alguma luz seja finalmente derramada sobre a misteriosa, sem precedentes e estranhamente qualificada renúncia do Papa Bento XVI, um evento que deve figurar na profecia do Terceiro Segredo de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 10 de março de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 3/2017

Para 2017, mais do mesmo: política de esquerda embrulhada em linguagem de piedade católica

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Por Christopher A. Ferrara

Enquanto católicos do mundo inteiro, desde cardeais até aos simples fiéis nos bancos das igrejas, olham para este pontificado com crescente alarme e consternação, não há sinal algum de que Francisco vire uma nova página com o início do novo ano.

Como parte do seu programa de tentar refazer a Igreja à sua própria imagem, Francisco nunca perde uma oportunidade de condenar os católicos ortodoxos nas suas declarações, sermões e observações casuais, os quais, incansavelmente, promovem itens da agenda política e social que nenhum democrata consideraria ofensiva. Tais itens são geralmente transmitidos no contexto de piedosas referências a Nosso Senhor e Sua Mãe.

A véspera de Ano Novo de 2016 não foi exceção. A homilia de Francisco nas Vésperas e Te Deum começa de forma promissora, num tom de boa piedade católica, com uma citação da Sagrada Escritura: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.” (Gl 4, 4-5).

Mas já sabemos o que vem a seguir, depois de quase quatro anos de experiência nessa mistura latino-americana de piedade populista e política de esquerda conhecida como Bergoglianismo: o Evangelho será transformado num manifesto de justiça social e os fiéis católicos que defendem a ortodoxia serão novamente caricaturados. Pois o homem é incansável na busca da sua “visão” da Igreja. Deste modo, lemos nos seguintes parágrafos:

“Em Cristo, Deus não Se mascarou de homem, fez-Se homem e partilhou em tudo a nossa condição. Longe de se encerrar num estado de ideia ou essência abstrata, quis estar perto de todos aqueles que se sentem perdidos, mortificados, feridos, desanimados, abatidos e amedrontados; perto de todos aqueles que, na sua carne, carregam o peso do afastamento e da solidão, para que o pecado, a vergonha, as feridas, o desconforto, a exclusão não tenham a última palavra na vida dos seus filhos.

O presépio convida-nos a assumir esta lógica divina: não uma lógica centrada no privilégio, em favores, no compadrio; mas a lógica do encontro, da aproximação e da proximidade. O presépio convida-nos a abandonar a lógica feita de exceções para uns e exclusões para outros. O próprio Deus veio quebrar a cadeia do privilégio que gera sempre exclusão, para inaugurar a carícia da compaixão que gera a inclusão, que faz resplandecer em cada pessoa a dignidade para que foi criada. Um menino envolto em panos mostra-nos a força de Deus que interpela como dom, como oferta, como fermento e oportunidade para criar uma cultura do encontro.”

Observe-se a transformação subtil do Cristo Redentor, que se tornou homem para libertar a humanidade caída pelo peso do pecado, da vergonha e do desespero, como lemos no primeiro parágrafo, no Cristo ativista social do segundo parágrafo, que veio para “abandonar a lógica feita de exceções para uns e exclusões para outros“, para “quebrar a cadeia do privilégio que gera sempre exclusão, para inaugurar a carícia da compaixão que gera a inclusão” e para criar “uma cultura do encontro”.

Não, Cristo não veio para abolir privilégios, condenar a “exclusão” ou promover a “inclusão” e uma “cultura do encontro”. A sua missão não envolveu nenhum desses slogans de esquerda. Esse é o falso cristo da Teologia da Libertação. O Cristo verdadeiro recusou tal missão de justiça social em favor da Sua vocação divina: redimir, através do Seu sacrifício de valor infinito, o homem caído. Com esse sacrifício, Ele conquistou para os homens a graça de obedecer aos Seus mandamentos para que, conforme São Paulo alertou aos Filipenses, eles pudessem “com temor e tremor trabalhar pela [sua] salvação.” (Fl 2, 12)

Conforme o próprio Nosso Senhor disse aos discípulos que murmuravam contra a mulher que havia gasto um caro perfume nos Seus pés sagrados em vez de vendê-lo e dar o dinheiro aos pobres: “Porque afligis esta mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis. Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela preparou a minha sepultura (Mt 26, 10-13).”

É claro que os cristãos têm o dever de ajudar os pobres e aliviar o seu sofrimento; e a Igreja sempre ensinou que os bens desta terra têm um destino universal e não pertencem exclusiva e absolutamente a seus possuidores imediatos. Mas Cristo não veio para extinguir a pobreza – que é inextinguível – para redistribuir a riqueza, ou para promover a “inclusão” – tal como as fronteiras abertas e a sociedade plurirreligiosa que Francisco exige para sua “cultura do encontro”.

Depois, inevitavelmente, vem uma condenação dos católicos ortodoxos, que Francisco agora parece incluir em praticamente todas as declarações sobre qualquer assunto – as quais, de alguma forma, sempre regressam ao mesmo assunto. Diz Francisco:

“Quando chega ao fim mais um ano, paremos diante do presépio para agradecer todos os sinais da generosidade divina na nossa vida e na nossa história, que se manifestou de inúmeras maneiras no testemunho de tantos rostos que anonimamente souberam arriscar. Agradecimento esse, que não quer ser nostalgia estéril nem vã recordação do passado idealizado e desencarnado, mas memória viva que ajude a suscitar a criatividade pessoal e comunitária, pois sabemos que Deus está connosco. Deus está connosco!”

Nostalgia estéril e recordações vazias de um passado idealizado e desencarnado – é assim que Francisco caracteriza incessantemente os defensores da ortodoxia católica e a tradicional disciplina que protege a verdade salvadora de Cristo perante os compromissos que condenam almas. E quem serão aqueles que “anonimamente souberam arriscar” para promover a “criatividade comunitária”, os quais, segundo Francisco, são aqueles cujo “testemunho” é verdadeiramente cristão? Como se nós não soubéssemos: são aqueles que, com ele, aceitam que adúlteros públicos em “segundos casamentos” recebam a Sagrada Comunhão – a grande obsessão deste bizarro pontificado.

Virando-se para os jovens, Francisco conclui com mais do “Evangelho social” que ignora o bem-estar eterno das almas:

“Criamos uma cultura que por um lado idolatra a juventude procurando torná-la eterna, mas por outro, paradoxalmente, condenamos os nossos jovens a não possuir um espaço de real inserção, porque lentamente os fomos marginalizando da vida pública, obrigando-os a emigrar ou a mendigar ocupação que não existe ou que não lhes permite projetar o amanhã. Privilegiamos a especulação em vez de trabalhos dignos e genuínos que lhes permitam ser protagonistas ativos na vida da nossa sociedade. Esperamos deles e exigimos que sejam fermento de futuro, mas discriminamo-los e «condenamo-los» a bater a portas que, na maioria delas, permanecem fechadas.”

Esta é então  a esperança de Francisco para os jovens durante o próximo ano: não que sejam libertados, pela graça de Deus, de uma cultura corrompida e voltem as costas ao pecado, olhando para o seu destino eterno, mas antes que encontrem bons empregos. Cristo não estabeleceu a Sua Igreja sob a liderança terrena do Vigário de Cristo para que o Papa pudesse exigir o pleno emprego dos jovens, a “inclusão” e a “cultura do encontro”. O ofício petrino é a pedra sobre a qual a fé e a moral assentam e através da qual são preservados – como tem sido transmitido através dos séculos – para a salvação das almas. Mas Francisco – e isto deve ser dito – não parece muito interessado nos atributos desse ofício.

E parece que podemos esperar mais da mesma propaganda vazia de justiça social em 2017. A não ser que aconteça uma milagrosa mudança de coração, Francisco continuará a empregar a linguagem da piedade católica e os nomes de Cristo e de Sua Santíssima Mãe para promover os mesmos objetivos sociopolíticos que seriam agradáveis a Hillary Clinton, enquanto condena os católicos que procuram perseverar na fé integral dos seus antepassados.

É arriscado fazer previsões, contudo, mesmo a partir de uma perspetiva humana falível, este absurdo não pode continuar por muito mais tempo sem uma correção dramática proveniente do alto. O Ano de Nosso Senhor 2017 promete ser preenchido com esse tipo de drama.

Nossa Senhora de Fátima, defendei a Vossa Igreja!

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 3 de janeiro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com (citações na tradução oficial do Vaticano)

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 1/2017

“Papa Emérito” Bento XVI administra Bênção Conjunta dos novos cardeais criados por Francisco – O que se passa aqui?

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Por Christopher A. Ferrara

Mais outro estranho espetáculo no reinado do Papa Bergoglio. Após a elevação dos seus dezassete novos cardeais, confiáveis e progressistas, Francisco carregou-os em dois mini-autocarros para a pequena volta até ao convento onde o Papa Emérito Bento reside. Ali, Bento XVI administrou com Francisco uma bênção conjunta aos dezassete, dando assim mais crédito à absoluta novidade de dois Papas vivendo ao mesmo tempo: um Papa ativo e o outro, uma espécie de Papa auxiliar passivo para ser exibido em ocasiões especiais. Incluindo os dois consistórios anteriores conduzidos por Francisco.

Neste sentido, Antonio Socci chamou recentemente a atenção para uma entrevista do cardeal Gerhard Müller, nada menos que o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, a respeito de um pequeno livro seu que acaba de ser publicado com o estranho título de «Bento XVI e Francisco, sucessores de Pedro, ao serviço da Igreja». Durante a entrevista, Müller deixou claro que ele pensa que, de facto, existem – de alguma forma, em algum sentido – dois Papas residindo atualmente no Vaticano:

«Na verdade, vivemos uma fase muito especial na história da Igreja: temos o Papa, mas também o Papa Emérito… Bento e Francisco são dois homens de Deus, não pensam na sua própria vantagem, nos seus próprios interesses, mas estão plenamente dedicados à missão dos sucessores de Pedro, e isto é uma grande riqueza para a Igreja.»

Estão dedicados? Como exatamente Bento está atualmente dedicado à «missão dos sucessores de Pedro» se, de facto, ele renunciou completamente ao papado? E se não renunciou completamente a esse ministério, como poderia ele simplesmente ter renunciado? Porquê exatamente é uma «grande riqueza» para a Igreja termos um Papa que abdicou do papado, mas decidiu que se chamaria «Papa Emérito», algo inaudito na Igreja durante os 2000 anos anteriores? Estará Müller a sugerir que essa “riqueza” consiste em ter mais do que um Papa ao mesmo tempo? Mas como pode haver dois papas simultaneamente vivos?

Socci observa com razão: «…a agora tem sido dito que o papado não pode ser um “ministério partilhado” por dois Papas, nem o papa Bergoglio aceitou essa “partilha”… O enredo aumenta porque [Müller] volta a focar a estranha “renúncia” de Bento XVI. Que renúncia se ele permanece como Papa, um Papa que continua a desempenhar “plenamente” o ministério petrino.» Socci já lidou o suficiente com este absurdo, e eu junto-me a ele no desgosto. Como diz o título do seu artigo acerca dos comentários de Müller: «Quanto tempo poderá ele fingir que não entende? E por que não esclarece como as coisas são?»

Em quase quatro anos do pontificado Bergogliano tudo é confusão, e a confusão aprofunda-se a cada semana que passa. Tem-se a sensação de que a Igreja e o mundo precipitam-se em direção a esse cenário apocalíptico retratado na visão referente ao Terceiro Segredo de Fátima, onde é visto “um Bispo vestido de Branco”, mas os videntes apenas “tiveram a impressão de que era o Santo Padre? “Porquê apenas uma impressão? Porquê a incerteza? Como terá Nossa Senhora de Fátima esclarecido a impressão, eliminando assim a incerteza? Quem é o bispo vestido de branco, visto que agora existem dois deles vivendo no Vaticano?

Somente o texto do Terceiro Segredo que está ainda por ver contém as respostas a essas perguntas. Na sua ausência, podemos apenas especular: O que se passa aqui?

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 24 de novembro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 11/2016

“São” Martinho Lutero aparece no Vaticano

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Por Christopher A. Ferrara

A Irmã Lúcia de Fátima não estava a ser melodramática quando falou de “desorientação diabólica” na Igreja, à luz do Terceiro Segredo. Se essa frase não descreve os quase quatro anos do atual pontificado até agora, então as palavras perderam o seu significado.

Na sua totalidade, o mundo católico sabe agora que no dia 13 de outubro de 2016, no aniversário do Milagre do Sol em Fátima, o Papa Francisco ignorou Nossa Senhora e, em alternativa, comemorou Martinho Lutero perante uma audiência de luteranos numa “peregrinação ecuménica” na Sala de Audiências Paulo VI.

O grupo luterano, oriundo da Alemanha, era liderado por falsos clérigos luteranos, incluindo uma mulher de luterana em vestes clericais que parecia pensar que era uma bispa. Francisco parece pensar assim também, ao cumprimenta-la calorosamente com os outros falsos bispos luteranos, a quem ele se referiu explicitamente como bispos. Durante o evento, uma estátua do arco-herege partilhou o palco com Francisco – acrescentando mais um escândalo sem precedentes aos anais da tumultuada época pós-conciliar.

A audiência com luteranos fazia parte da preparação para a espantosa viagem de Francisco à Suécia, de 30 a 31 de outubro, onde irá “comemorar” a “Reforma” que destruiu a unidade da cristandade. Francisco vai participar num “serviço de oração” ecuménico com alguns dos falsos clérigos luteranos que aparentemente presidem a “Igrejas Luteranas” dentro da Federação Luterana Mundial. Estes órgãos, como é claro, são as organizações meramente humanas que devem a sua origem a um maníaco inimigo da Igreja e do papado que violou os seus votos sacerdotais, casou-se com uma freira, era um bêbado insolente, e foi excomungado depois de despejar uma corrente de erros infalivelmente anatematizados pelo Concílio de Trento.

É inconcebível que um Pontífice Romano pudesse, de algum modo, honrar a memória e o “legado” ruinoso daquele que foi o maior herege na história da Igreja Católica. Pior ainda, no entanto, é a aparente indiferença de Francisco perante a condição espiritual dos luteranos, que se encontram sem sacerdócio válido e, portanto, sem o sacramento da confissão ou a Sagrada Eucaristia.

A esse respeito, a audiência de 13 de outubro, sobre a qual escrevi extensivamente noutro sítio, é notável por esta declaração de Francisco à sua audiência luterana, referindo-se à correta abordagem perante as pessoas que não professam qualquer religião:

O que devemos dizer para convencê-los? Ouçam! A última coisa que devemos fazer é dizer: Você deve viver como um cristão – escolhido, perdoado e crescendo em virtude [in cammino, fig.]. Não é correto [lecito] convencer alguém com a sua fé. Proselitismo é o grande veneno contra o caminho do ecumenismo [aplausos].

A denúncia do “proselitismo” que, no claro entendimento de Francisco, significa qualquer tentativa de persuadir os outros com as verdades do cristianismo, significaria, na prática, o abandono da atividade missionária da Igreja em favor de um vago “testemunho” sob a forma de boas obras. Se os Apóstolos, bem como os grandes santos e corajosos missionários que os seguiram geração após geração, tivessem adotado a visão de Francisco sobre a missão da Igreja, a Igreja nunca teria convertido o mundo e talvez tivesse morrido em Jerusalém.

Pois, como ensina São Paulo: “Portanto, a fé surge da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo (Rm 10:17).” Neste sentido, no seu Juramento contra o Modernismo – abandonado após o Concílio Vaticano II – o Papa São Pio X exigia a todos os clérigos católicos e teólogos que afirmassem que a fé é o verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora ex auditum [pela pregação], pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente verdadeira, nós cremos em tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

É portanto um absurdo exigir aos católicos que se abstenham de qualquer esforço para convencer os outros na Fé. Mas deixando de lado esse disparate, como podemos compreender a noção de que os luteranos sentados diante de Francisco na sala de audiências, privados dos sacramentos da Confissão e da Santa Comunhão, são todavia “escolhidos, perdoados e crescendo em virtude”? Como podem eles ser escolhidos, perdoados e crescendo em virtude sobrenatural sem os sacramentos que Cristo instituiu para a salvação das almas? E se eles podem ser, então que utilidade terão os sacramentos para alguém? Eles seriam simplesmente supérfluos.

Como o Concílio de Trento declarou infalivelmente:

CÂNONE IV – Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não são necessários para a salvação, mas supérfluos; e que sem eles ou sem o desejo deles, só pela fé os homens alcançam de Deus a graça da justificação — ainda que nem todos [os sacramentos] sejam necessários para cada um — seja anátema.

Mas parece que, para Francisco, os sacramentos são supérfluos e que os luteranos estão corretos na sua crença herética “uma vez salvo, salvo para sempre” – apenas pela fé. Ou então Francisco pensa que os luteranos, de alguma forma, possuem os sacramentos da Confissão e da Sagrada Comunhão sem um sacerdócio válido para os ministrar.

Em qualquer dos casos, temos um Papa que parece pensar que a adesão à Santa Igreja Católica não é verdadeiramente importante para a salvação das almas e que os luteranos são salvos em “igrejas” que toleram, não só o divórcio, a contraceção e o aborto em casos “complicados”, mas também a “ordenação” de mulheres e o “casamento” de homossexuais.

O que se pode dizer de um Papa que homenageia Lutero em vez de Nossa Senhora precisamente no aniversário do Milagre do Sol, e que diz a uma audiência de luteranos que eles podem ser “escolhidos” e “perdoados” sem a ajuda da mesma Igreja da qual Lutero foi assumidamente um inimigo? Podemos dizer que testemunhamos agora aquela crise que Nossa Senhora profetizou no Terceiro Segredo de Fátima, aquela preciosa mensagem-advertência ao mundo, a qual foi por Ela autenticada, de forma inquestionável, através do Milagre do Sol. Agora é o tempo que Ela previu.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 19 de outubro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 10/2016