Walter Kasper – um herético na ribalta

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Capa de um dos livros do Cardeal Walter Kasper

Walter Kasper é um proeminente cardeal alemão, que tem ocupado funções de destaque na Santa Sé, mas é mais conhecido pelas ideias heréticas que defende abertamente, nos seus livros e declarações públicas, do que propriamente pela santidade da sua doutrina. Tem ideias muito heterodoxas, ou mesmo revolucionárias, acerca do casamento, da família, do divórcio, das relações homossexuais e outros temas afins. A sua proposta mais conhecida e controversa é a de se poder administrar a comunhão eucarística aos divorciados recasados. Noutros tempos seria certamente excomungado ou, indo ainda mais atrás, talvez até queimado numa fogueira…

É evidente que ninguém deseja mal a esta criatura, que podia simplesmente abandonar a Igreja – já que não concorda com a sua doutrina – e entrar numa das denominações religiosas protestantes que há muito ensinam e praticam heresias semelhantes à sua. Mas não, ele não faz isso, falta-lhe humildade para tal. Ele pretende ficar orgulhosamente dentro da Igreja, modificar a doutrina tradicional e levar os fieis atrás das suas heresias e, se possível, até o Papa.

Foi aliás o próprio Papa Francisco quem colocou este cardeal na ribalta, pois enalteceu as ideias contidas num dos seus livros, logo no seu primeiro Angelus, em Roma.

Posteriormente, o Santo Padre colocou os fieis do mundo inteiro a dialogar sobre os problemas da família, nas paróquias, nas dioceses, nas conferências episcopais e, finalmente, no Sínodo da Família. Os pontos de vista heréticos do Cardeal Kasper foram considerados, debatidos e rejeitados pela maioria dos Padres Sinodais – como se a Verdade estivesse dependente de um voto maioritário! Mais uma vez, o destaque que teve este cardeal, bem como as suas ideias imorais, deveu-se à influência Santo Padre, o que em si não seria necessariamente mau.

Por vezes, a melhor forma de contrariar uma ideia errada é dar-lhe inicialmente o destaque necessário, tornando-a bem conhecida nas suas incongruências e debilidades, para depois ser cabalmente desmontada – neste caso à luz da Fé – e finalmente destruída a título definitivo. Uma espécie de maiêutica socrática. No entanto, não foi bem esse método que vimos o Santo Padre utilizar.

Até podemos aceitar que a leitura destas heresias possa ser benéfica para o sono e portanto recomendável para quem sofre de insónias, pois sempre é melhor do que os medicamentos. Agora, para isto ser uma “teologia profunda” ou “serena”, primeiro teria de ser teologia, mas não passa de heresia. Depois, para “fazer teologia de joelhos”, o Cardeal Kasper deverá primeiro ganhar a humildade necessária para aceitar submeter-se ao Magistério da Igreja.

A Verdade não muda ao sabor dos tempos ou das modas, uma vez que é sublime e eterna. E no caso de alguns dos temas que este cardeal pretende modificar na doutrina da Igreja Católica, a Verdade foi selada com a firmeza e o sangue de vários santos e mártires, entre os quais, João Batista, Thomas More e John Fisher, entre outros.

Enquanto o Sínodo da Família não termina verdadeiramente, com a publicação da Exortação Apostólica do Papa Francisco, muitos católicos andam apreensivos e temem que o pior possa acontecer. Para agravar estes temores, o próprio Cardeal Kasper já anda a anunciar uma revolução. Será que estes receios têm algum fundamento? De uma maneira ou de outra, a Verdade prevalecerá, não tenhamos dúvidas. O Papa tem o dever de servir a Verdade, mais do que qualquer outro fiel. Que Deus o ajude a fazê-lo e bem, sem ambiguidades, de forma clara e objetiva, pois disso depende a salvação de muitas almas.

No momento atual, mais preocupante do que a improvável eventualidade de um Papa poder vir a alterar institucionalmente a Verdade sobre o Matrimónio, é a indiferença de muitos cristãos face a essa possibilidade. Pior ainda, muitos desejam mesmo isso. E ainda muito pior, há quem reze a Deus para que isso aconteça. Que pior castigo pode Deus fazer cair sobre a humanidade do que deixar isso acontecer para que ela se condene na sua própria iniquidade? Só se enganam aqueles que querem ser enganados!

Deus é justo e sempre deu a cada geração os Papas merecidos. Façamos por merecer um Papa santo, um Santo Padre.

Basto 3/2016