Os “vírus do nosso tempo”

Na Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, na tradicional deslocação à Praça de Espanha, o Santo Padre pediu a Nossa Senhora para que ajude Roma “a desenvolver os anticorpos contra alguns vírus dos nossos tempos”, nomeadamente:

  • a indiferença que diz: “Não me interessa”;
  • a má educação cívica que despreza o bem comum;
  • o medo do diferente e do estrangeiro;
  • o conformismo disfarçado de transgressão;
  • a hipocrisia de acusar os outros, enquanto se fazem as mesmas coisas;
  • a resignação à degradação ambiental e ética;
  • a exploração de muitos homens e mulheres.

(Papa Francisco, 8 de dezembro de 2017, in Radio Vaticano)

Pediu a Maria que nos ajude “a rejeitar estes e outros vírus com os anticorpos que vêm do Evangelho”.

Basto 12/2017

Hossana, Rainha de Portugal!

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…declaramos, pronunciamos e definimos:

A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.

(Papa Pio IX, Bula “Ineffabilis Deus”, 8 de dezembro de 1854)

Hossana à nossa padroeira!

Basto 12/2017

A Imaculada Conceição, os erros e a conversão da Rússia

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Nossa Senhora de Ollignies – Coração Doloroso e Imaculado de Maria

 

Por Pedro Sinde

Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.

(Aparição de 13 de Julho de 1917)

Rússia e os erros

Os erros da Rússia, referidos pela Virgem em Fátima, na frase citada em epígrafe, são, tradicionalmente, identificados com o Comunismo. No entanto, mais importante do que a referência ao comunismo, em particular, seria referirmo-nos ao materialismo ateu, à recusa do sobrenatural e à anti-religiosidade (concretamente, o anticatolicismo), mesmo que oculta sob a forma de um diferente regime político (que pode ser capitalista ou outro); esta distinção é essencial para que se perceba que os “erros da Rússia” não terminaram com a queda do comunismo, mas que se continuam a disseminar, hoje mais ainda do que antes, porque camufladamente. No entanto, se pensarmos no contexto da mensagem de Fátima, isto não nos deve bastar. Temos de enfrentar esta revelação da Virgem e reconhecer que ela não se refere apenas aos erros da Rússia, mas também à conversão da Rússia.

Rússia e a conversão

Atentemos na sequência dos eventos referidos pela Virgem: (1) se respondermos aos seus pedidos, (2) seguir-se-á a conversão da Rússia (3) e teremos um período de paz no mundo. Devemos ter reparado que o termo médio, colocado entre a nossa resposta aos pedidos da  Virgem e a prevenção de que os erros da Rússia se espalhem, é a conversão da Rússia. Se esta condição não fosse considerada necessária pela economia divina, não seria mencionada. Devemos entender que a consagração da Rússia implicará a sua conversão, mas que é a conversão que será a causa imediata da libertação do jugo dos erros da Rússia. A conversão da Rússia é, pois, uma condição sine qua non. Dito de outro modo, a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria é a causa da sua conversão e sem esta última não haveria libertação do ateísmo, do materialismo, dos erros da Rússia que se espalharam pelo mundo.  Aqui, temos de pensar que, como os erros da Rússia se espalharam pelo mundo, esta conversão diz respeito a todo o mundo e muito particularmente à Igreja Católica tão devastadoramente infiltrada1. Nós também somos “Rússia”.

Lembremos que os ortodoxos estão em estado de cisma, separados de Roma, rejeitaram o papado e com isso, o dogma posterior da Imaculada Conceição; se é verdade que aos olhos de Roma mantêm a sucessão apostólica e a Missa é válida, isso não diminui a gravidade da questão da rejeição do papado. A sua posição de separação com Roma, quando perderam a cabeça, fez ainda com que se dividissem numa multiplicidade de igrejas nacionais, tantas vezes em conflito entre si.2

Portugal e a Imaculada Conceição

A importância do dogma da Imaculada Conceição para os portugueses, creio ser a chave para percebermos uma das razões mais fundas para que tenha sido Portugal o País escolhido para espalhar esta mensagem ao mundo. E não deixa de ser significativo que Portugal e Rússia se encontrem em extremos opostos geograficamente. Pensemos que Portugal é consagrado não apenas a Nossa Senhora, como outros países, mas, desde 1646, à Imaculada, sua Rainha; os nossos reis, desde esta consagração, deixaram de usar coroa; os três estados, nas Cortes, fizeram um juramento em defesa da prerrogativa da Imaculada Conceição, mesmo a custo da sua própria vida se fosse caso disso; as portas de todas as cidades, vilas e aldeias deveriam ter, segundo ordem do rei em 1654 (justamente dois séculos antes do decreto dogma), uma placa com um voto de fidelidade à Imaculada. Isto é bastante impressionante!… E o contexto para se entender Fátima, deve passar necessariamente por aqui: o nosso amor à Imaculada. Espanha deveria assumir Fátima como uma missão sua, a este propósito, tanto pelo seu fundo amor à Imaculada (recordemos, como sinal disso, a fundação da Ordem da Imaculada Conceição em Espanha pela portuguesa Santa Beatriz da Silva), como pelo facto de parte da mensagem de Fátima ter acontecido em Espanha e ainda porque a Ir. Lúcia recebeu várias mensagens que visavam este País. Teremos ainda de pensar que, apesar da superficial rivalidade, na verdade, Portugal e Espanha partilharam espantosamente a missão incrível da evangelização de todo o mundo. Ora, esta amor à Imaculada, de todo um povo, não fará contraponto à rejeição dos cristãos ortodoxo sobretudo desde a proclamação do dogma? Muitos dos teólogos orientais defendiam intensamente a Imaculada3; desde 1854, por contrastante tristeza, começaram a procurar, para mais se separarem de Roma, atacar este dogma. É uma triste, muito triste situação, até porque o povo tem uma magnífica espiritualidade, uma fé ígnea e nobre, dotado de uma tremenda devoção pela Virgem, mas vê-se, assim, impedido de crescer nessa fé, isto é, de chegar à plenitude da revelação.

Reparando o erro da Rússia

A Virgem pediu em Fátima a devoção dos Cinco Primeiros Sábados para reparar o coração ofendido da Virgem; quando a Irmã Lúcia perguntou a razão de serem em número de cinco os sábados, foi-lhe explicado que se trata de desagravar o Coração Imaculado de Maria em cinco aspectos: as ofensas à Maternidade divina, à sua Virgindade perpétua, à sua Imaculada Conceição, a educação das crianças contra a Virgem e as ofensas às suas santas imagens – o das ofensas à sua Maternidade divina e à sua Virgindade perpétua não abrangem os ortodoxos (mas sim directamente os protestantes) – , já a referência às ofensas dirigidas à sua Imaculada Conceição, claramente os inclui… O pobre povo russo, o nobre povo russo, saberá que a Virgem, que tanto amam, pede aos católicos que desagravem estas ofensas que eles mesmos (e tantos católicos, naturalmente…) provocam? Este é o erro dos erros, por assim dizer e, por essa razão, como vimos, é que a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria trará, antes de tudo, o seu regresso à plenitude da revelação – quem sabe se a partir, justamente, do dogma da Imaculada Conceição, dado o profundo amor que esse povo tem à Theotokos? Só este regresso, como sua condição, é que terá como consequência natural a recusa dos erros materialistas.

Irmã Lúcia e a conversão da Rússia

O facto de este aspecto da mensagem de Fátima estar esquecido, por assim dizer, não nos deve condicionar. De resto, a própria Ir. Lúcia sempre pensou que a conversão da Rússia não é para entender como sendo limitada ao regresso do povo Russo à religião Cristã Ortodoxa, rejeitando o ateísmo marxista dos Sovietes, mas antes como uma total e perfeita conversão à única, verdadeira Igreja Romana Católica.” (Joaquín María Alonso, The Secret of Fatima: fact and legend. Cambridge: The Ravengate Press, 1982, p. 84). Para podermos medir todo o alcance destas palavras, devemos lembrar-nos que o Pe. Joaquín Alonso foi o arquivista oficial de Fátima durante dezasseis, tendo sido convidado pelo Bispo de Leiria, Dom  Venâncio, em 1966, para preparar a edição crítica e definitiva sobre Fátima e a sua Mensagem; coisa que zelosamente fez, resultando em 24 (!) volumes intitulados: Fátima, textos e estudos críticos (quando se preparava para começar a publicar os volumes resultantes da sua investigação, já no prelo, o novo Bispo, Dom Alberto Cosme do Amaral, deu ordem para parar). Se, ainda assim, tivéssemos dúvidas sobre o tema da conversão da Rússia, bastaria que recordássemos as muito impressionantes palavras da Irmã Lúcia em Um Caminho sob o olhar de Maria (p. 267); pouco antes de registar a terceira parte do segredo, escreve (3.I.1944):

“E senti o espírito inundado por um mistério de luz que é Deus e N’Ele vi e ouvi (…) «No tempo, uma só Fé, um só Baptismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica.»”

A conversão da Rússia será, Deo volente!, um acontecimento de uma força inimaginável e nós, católicos, muito precisamos do retorno dos cristãos do Oriente à catolicidade, para se reunirem ao remanescente que conservará o dogma da fé: na nova Arca de Noé, o Coração Imaculado de Maria!

Notas:

1. Bella Dodd, a conhecida agente comunista que, nos anos trinta e quarenta, ajudou a infiltrar cerca de mil jovens nos seminários americanos e que acabou por se converter pelo Bispo Fulton Sheen, afirma que o Catolicismo é considerado pelos comunistas como o seu único verdadeiro inimigo. Um outro testemunho da mesma época, confirmando a infiltração friamente calculada, é o de Douglas Hyde.

2. Embora em situação completamente diferente, a situação dos protestantes tem algo de semelhante, pois depois de se separarem de Roma tiveram o mesmo resultado, mas exponenciado (são vários milhares de denominações diferentes resultantes da cisão protestante…). Cada cabeça sua sentença.

3. Alguns exemplos: Proclo, secretário de S. João Cisóstomo, diz que a Virgem é formada de “barro limpo” (ou seja, barro, como todos os seres humanos, mas não sujo do pecado original, ao contrário de todos os seres humanos); diz S. João Damasceno que “em Maria não entrou a serpente”. A Igreja Oriental celebrava a festa da Imaculada Conceição já no século VII; na carta a Sérgio, aprovada pelo VI Concílio Ecuménico, diz Sofrónio sobre Maria: “Santa, imaculada de alma e corpo, livre de todo o contágio”.

Este texto foi publicado no jornal Diário do Minho no dia 20 de setembro de 2017.

Nota da edição: o artigo acima faz parte da série “Fulgores de Fátima”, uma rubrica assinada pelo filósofo português Pedro Sinde no jornal Diário do Minho.

Basto 10/2017

Eu sou a Imaculada Conceição

Rainha e Padroeira de Portugal e de todos os Povos de Língua Portuguesa

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Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» (Lc 1, 28)

Por ser cheia de graça não teve espaço para a menor mancha de pecado, por mais pequena que pudesse ser. Nasceu e permaneceu eternamente Imaculada.

 

 

Basto 12/2016

Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Hoje é dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rainha e padroeira do Brasil.

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Se pensarmos bem, Nossa Senhora da Conceição foi sempre rainha e padroeira do Brasil, da Terra de Vera Cruz, muito antes ainda de 1904 e 1930, e até mesmo antes da sua miraculosa aparição em 1717 no rio Paraíba.

No dia 25 de Março de 1646, quando D. João IV proclamou solenemente Nossa Senhora da Conceição como rainha e padroeira de Portugal, as terras brasileiras eram também parte do Reino de Portugal, com efeito, e tal como outros territórios espalhados pelo mundo, foram igualmente contempladas nessa aclamação. A partir dessa data, os monarcas portugueses nunca mais usaram coroa real, como sinal de humildade e obediência para com aquela que consideravam a verdadeira soberana do Reino de Portugal.

A essência da portugalidade confunde-se de facto com a devoção a Nossa Senhora, é uma aliança antiga que nos leva até ao berço da nacionalidade. Não admira que, exatamente 200 anos depois de Paraíba, Nossa Senhora tenha escolhido Fátima para aparecer vestida de Sol e anunciar ao mundo o triunfo do seu coração imaculado.

Com a definição dogmática decretada por Pio IX, em 1854, e as aparições de Lourdes, em 1858, a devoção à Nossa Senhora da Conceição, mais do que substituída ou piedosamente confundida, foi sendo gradualmente assimilada pela devoção à Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Enquanto a primeira se refere à conceção do Menino Jesus por ação do Espírito Santo, a segunda diz respeito à conceção da própria Virgem Maria sem pecado original. Apesar de serem conceitos distintos, não são antagónicos, aliás complementam-se, uma vez que Maria foi concebida sem a mínima macha de pecado, ou seja Imaculada, para conceber o Menino Jesus no seu ventre, para ser a mãe de Deus.

Atualmente, a Nossa Senhora da Imaculada Conceição é considerada a padroeira não só de Portugal mas de toda a lusofonia espalhada pelo mundo.

Como a Nossa Senhora da Conceição do rio Paraíba apareceu muito antes da independência do Brasil, também se justifica que a sua devoção se estenda, no mínimo, a todo o espaço geográfico correspondente à lusofonia, por razões de pertença histórica e de proximidade religiosa e cultural.

Basto 10/2016

Natividade da Mãe de Deus

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Ícone do séc. XVI ou XVII, integrado na iconóstase da Igreja de São Sava (Museu de Pskov, Rússia)

A Natividade da Mãe de Deus celebra-se no dia 8 de setembro.

A Natividade da Theotokos é uma das 12 grandes festas do calendário litúrgico ortodoxo. Os cristãos ortodoxos separados de Roma não aceitam a doutrina católica da Imaculada Conceição, no entanto celebram o nascimento de Maria, a Mãe de Deus, filha de Santa Ana e São Joaquim.

Este é o ponto de partida para a sua conversão à Fé Católica por intermédio do Imaculado Coração de Maria.

Basto 9/2016