Vaticano apresenta a nova “Comissão Feminina” na véspera do feriado comunista soviético

É a “Comissão Feminina” do Conselho Pontifício para a Cultura. Este novo organismo do Vaticano não representa apenas as mulheres cristãs mas – como é agora moda – pretende estar ao “serviço do bem comum da humanidade”.

Na véspera do Dia Internacional da Mulher, o Vaticano apresentou oficialmente a “Comissão Feminina” do Pontifício Conselho para a Cultura. Trata-se de uma secção idealizada em 2015 e que reúne economistas, cientistas, empresárias, atletas, jornalistas e teólogas não somente cristãs.

(in Rádio Vaticano, 07/03/2017)

Um conselho, cujo propósito é trabalhar em diálogo com a diversidade, as religiões e os muitos mundos em que as mulheres operam, convencido de que a pluralidade é a premissa da ação humana.

(in nota de imprensa do Pontifício Conselho para a Cultura, 07/03/2017)

Ao apresentar a “Comissão Feminina” precisamente nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, o Vaticano realça a importância da data comemorativa internacional que evoca a Revolução Russa de de fevereiro de 1917 e os movimentos marxistas feministas em geral.

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Cartaz soviético de 1932 dedicado ao Feriado do Dia da Mulher

Em 8 de março de 1917, uma ação política das operárias russas contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que desencadearam na revolução de fevereiro. O líder Leon Trotsky registou assim esse evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planeadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria inaugurar a revolução”.

(Maíra Kubík Mano in Duetto)

O momento escolhido pelo Vaticano não podia ser mais simbólico.

Basto 3/2017