Bispo brasileiro ensina que homossexualidade é “um dom de Deus”

D. Antônio Carlos Cruz Santos é o bispo da diocese de Caicó, no Rio Grande do Norte, Brasil. No último domingo de julho, na homilia da missa de encerramento da festividade de Santana, o bispo condenou os “preconceitos contra os nossos irmãos homoafetivos”.

Em plena homilia, o bispo referiu-se à sodomia nestes termos:

Se não é escolha, se não é doença, na perspetiva da fé é dom, é dado por Deus.

(D. Antônio Santos, 30/07/2017)

Ao ouvirmos esta pregação, não podemos deixar de concluir que, se o bispo não sofre de alguma doença mental e se esta nunca foi a nossa Fé, isto só pode ser apostasia pura. E como já nos vamos habituando, lá tinha de vir a referência à nova misericórdia do Papa Francisco e, em particular, à sua famosa frase: “Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” Mas, sem sairmos da mesma linha de interpretação, quem é D. Antônio Santos para julgar a doutrina constante da Igreja revelada pelo próprio Deus?

Nesta homilia, o bispo elogiou ainda a atitude pastoral do Santo Padre para com a transexual espanhola a quem o Papa telefonou no dia da Solenidade da Imaculada Conceição, em 2014, e convidou para uma visita a Roma (acompanhada da sua namorada homossexual) com as despesas a cargo da Santa Sé.

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Santo Padre acolhe calorosamente as duas senhoras homossexuais no Vaticano. A transexual Diego Lejárraga foi mulher até aos 40 anos, altura em que optou por se submeter a um conjunto de tratamentos e cirurgias para se transformar em homem. À esquerda encontra-se a sua namorada.

Após o encontro do casal lésbico com o Santo Padre, a transexual assumiu publicamente que saiu de cabeça erguida, vai à missa e comunga, sentido-se agora um verdadeiro homem. Aliás, o próprio Papa diz que ela agora é “homem” e “casado”, apesar de ter sido “rapariga”. E ela, que agora “é ele”, agradece.

Basto 8/2017

Ele, que era ela: “¡Gracias, amigo mío!”

O transexual Diego Neria que, de acordo com o Santo Padre,  já é “homem” e “casado”, mais precisamente “ele – que ela era, mas é ele”, agradece agora as palavras que Sua Santidade lhe dedicara durante a última entrevista a bordo de um avião.

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in Periodista Digital, 04/10/2016

O jornal Periodista Digital retirou a frase acima transcrita do perfil de Lejárraga numa rede social. Este jornal digital tem dado uma grande cobertura ao transexual espanhol desde a sua viagem a Roma.

“O Papa é um ser humano brutal, que te faz feliz e muito forte espiritualmente”. E não só a ele, mas também a “tantos outros que continuam a sofrer as suas dúvidas e os seus medos”.

(Transexual Diego Neria in Periodista Digital, 04/10/2016)

Confirma-se também o acompanhamento pastoral daquele “grande bispo” a quem o Papa se referiu, neste caso, D. Amadeo Rodríguez.

Mas quem será o “velho sacerdote, o velho pároco” misericordioso a quem Sua Santidade também fez questão de se referir e até citar?

Seria ele o sr. Pe. Ángel?

“A sua forma de fazer caminho é a que eu quero seguir: as portas da Casa do Pai abertas a todos, sem “mas”, sem classes, apenas o amor como condição.”

(Transexual Diego Neria in Periodista Digital, 19/09/2016)

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Pe. Ángel – Periodista Digital

O sr. Pe. Ángel, profundo admirador do Papa Francisco, cuja doutrina tem procurado pôr em prática de forma determinada, está à frente daquela que é considerada a igreja mais “cool”, ou seja mais “fixe”, do mundo.

Ele é também considerado, por muitos, como um valente guerrilheiro que luta pela implementação da nova misericórdia, cujas conquistas são publicamente conhecidas.

Nos últimos meses, quinze casais homossexuais batizaram os seus filhos, graças à valentia eclesiástica do Padre Ángel. A Igreja de San Antón, no bairro madrileno de Chueca, é o único lugar no mundo onde todas as crianças são batizadas como filhos de Deus, independentemente da sua origem familiar.

(in El Español, 24/09/2016)

Sobre o cumprimento do Direito Canónico, o sr. Pe. Ángel não é nada “fundamentalista” pois até entende que “os textos estão feitos para serem adaptados”.

Pode ser ele o tal piedoso “velho pároco” de quem falava o Santo Padre, assim como pode ser outro qualquer. Não devem faltar padres idosos em Espanha, nem sequer é muito relevante que seja este ou aquele. O que há aqui, mais uma vez, a assinalar é a mensagem que todo este escandaloso caso lança para o mundo bem como as suas previsíveis consequências.

A tempestade piora de dia para dia.

Basto 10/2016

Ele que era ela e ela que era ele

O nosso Santo Padre, a bordo do avião papal, provavelmente cansado depois de uma visita extenuante ao Cáucaso, ainda encontrou força suficiente para lançar mais alguma confusão doutrinal – ou se quisermos, pastoral – sobre os fiéis da Igreja que dirige. A surpresa seria se, para variar, o seu voo de regresso fosse calmo e sem escândalos a bordo.

Desta vez, acabou por fazer afirmações intrigantes acerca da transsexualidade e de outras coisas modernas, tecendo também alguns trocadilhos curiosos ao nível das questões de género. Talvez estes nos ajudem a perceber melhor o que o Santo Padre pretende dizer.

Ele que era ela

“No ano passado, eu recebi uma carta de um espanhol que me contava a sua história de criança e de jovem. Antes, era uma criança, uma jovem que sofreu muito. Ele se sentia menino, mas era fisicamente uma menina. Ele havia contado à sua mãe, dizendo que queria fazer a cirurgia. A mãe lhe pediu para não fazê-la enquanto ela estivesse viva. Ela era idosa, morreu logo. Ele fez a cirurgia, agora é funcionário de um ministério na Espanha. Ele foi ao encontro do bispo, e o bispo o acompanhou muito. Um grande bispo, esse.“Perdia” tempo para acompanhar esse homem. Depois, ele se casou, mudou essa identidade civil, e ele – que ela era, mas é ele – me escreveu que seria uma consolação ir ao meu encontro. Eu o recebi. Ele me contou que, no bairro onde ele morava, havia um velho sacerdote, o velho pároco, e havia o novo. Quando o novo pároco o via, ele gritava da calçada: “Você vai para o inferno!”. O velho, ao contrário, lhe dizia: “Há tempo tempo você não se confessa? Venha, venha…”. A vida é a vida, e as coisas devem ser tomadas como vêm. O pecado é o pecado. As tendências ou os desequilíbrios hormonais causam muitos problemas, e devemos estar atentos para não dizer que tudo é a mesma coisa: cada caso, acolhê-lo, acompanhá-lo, estudá-lo, discernir e integrá-lo. Isso é o que Jesus faria hoje. Por favor, agora não digam: “O papa vai santificar os trans!”. Já vejo as primeiras páginas dos jornais… É um problema humano, de moral. E deve ser resolvido como se pode, sempre com a misericórdia de Deus, com a verdade, mas sempre com o coração aberto.”

(Papa Francisco in Instituto Humanitas Unisinos, 03/10/2016)

“[…] ele – que ela era, mas é ele…[…]”? – Como?

“[…] esse homem. Depois, ele se casou […]”? – É intrigante constatar que o Santo Padre se refira ao casamento lésbico, nesta conversa, depois de, ainda há pouco tempo, ter afirmado que a maioria dos casamentos católicos são nulos. Mas, mais uma vez, quem somos nós para julgar?

“Isso é o que Jesus faria hoje”? – Jesus dizia “vai e não tornes a pecar”. Como a Sua doutrina é eterna, não muda ao sabor das modas, hoje tem exatamente a mesma validade de há 2000 anos.

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Ela, o Santo Padre e “ele – que ela era, mas é ele” (a partir de 2007  passou a ser ele, deixando de ser ela)

“Depois de ver o Papa, saí de cabeça bem erguida. Ouço missa e comungo. Leiam nas entrelinhas…”

(Transsexual Diego Neria in Religión Digital, 26/09/2016)

Convém lembrar que o nosso Papa escolheu o dia 8 de dezembro de 2014 para telefonar ao ‘novo homem’, precisamente no mesmo dia em que os fiéis da Igreja por ele dirigida celebravam a solenidade da ‘nova mulher’ concebida sem mancha de pecado, a que esmagou a cabeça da serpente… Se isto não nos causa arrepios, então é porque devemos estar mesmo muito doentes.

Ela que era ele

Entretanto, também já quase ninguém se lembra do transsexual Isabel Lisboa que ficou famoso na Semana Santa de 2015. Contudo, este e outros escândalos papais, cobertos de um mediatismo exagerado e conhecido, ganham uma dimensão mundial e repercutem-se um pouco por todo o lado, principalmente quando nunca são corrigidos nem desmentidos. Uma pastoral duvidosa produz frutos pastorais de qualidade suspeita.

“Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé.”

(Transsexual Isabel Lisboa in TV2000it, 03/04/2015)

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O Santo Padre lava os pés a “ela – que ele era, mas é ela” (Missa Papal da Quinta-feira Santa de 2015).

O que pretenderá o Santo Padre com tantos exotismos pastorais? Levar as pessoas amarradas ao pecado homossexual e transsexual a afastarem-se da conduta mortal em que as suas almas caíram? Com o devido respeito, talvez esteja na altura de começar a questionar os métodos em função dos frutos que já estão à vista de todos.

Os frutos pastorais

São frutos exóticos aos quais nos vamos habituando.

Uma outra mensagem que marcou a viagem do Santo Padre à Geórgia e ao Azerbaijão surgiu quando ele alertou publicamente para o facto de se constatar atualmente uma “guerra mundial” contra a família e o matrimónio. Pois…

Basto 10/2016

O erro de Lejárraga

O transexual espanhol Diego Neria Lejárraga, autor do livro “O Erro de Deus”, deu recentemente uma reveladora entrevista ao jornal Periodista Digital.

Lejárraga, que se submeteu a um conjunto de tratamentos com a intenção de se livrar da sua condição feminina, tornou-se mundialmente famoso por ter sido recebido em Roma, juntamente com a sua companheira, pelo Santo Padre.

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Santo Padre acompanhado pelo casal lésbico em Roma in Religión Digital

O encontro entre os três foi privado, no entanto, não deixou de constituir uma forte mensagem pública para o mundo que ainda hoje não cessou de ecoar, antes pelo contrário!

Agora que já se fala abertamente da distribuição da Sagrada Comunhão a pessoas cuja condição, até há pouco mais de três anos e durante cerca de 2000, não o permitia, também Lejárraga decidiu partilhar publicamente a sua própria experiência de “discernimento” através nesta entrevista ao jornal digital espanhol.

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in Periodista Digital, 26/09/2016

Diego Neria: “Depois de ver o Papa, saí de cabeça bem erguida. Ouço missa e comungo. Leiam nas entrelinhas…”

(Título da entrevista publicada no separador Religión Digital a 26/09/2016)

Como as conversas privadas são de natureza privada, não devemos perguntar pormenores, mas antes “ler nas entrelinhas”:

(a partir do minuto 3′:10”)

Se alguém errou nesta história toda, Deus não foi, com certeza.

Basto 9/2016

“O erro de Deus”

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O Santo Padre com o casal lésbico, em 2015, em Roma: a autora do livro (à direita) e a sua noiva Macarena (à esquerda).

Foi apresentado, no final do mês de março, o livro do conhecido transexual Diego Neria Lejárraga intitulado “El Despiste de Dios”. Uma senhora espanhola que, desde cedo não se sentiu bem no corpo de mulher, tendo decidido, em 2007, aos 40 anos de idade, submeter-se a um conjunto de tratamentos e cirurgias para se transformar num homem.

Assumindo-se católico(a) praticante, sentia-se injustiçada pelos representantes locais da Igreja Católica que lhe reprovavam a opção de mutação de género, apontando-lhe o erro que ela cometia. Infeliz com a situação, escreveu um dia ao Papa Francisco e, para sua surpresa, Sua Santidade sensibilizou-se com o seu caso…

A 8 de dezembro de 2014, data em que os católicos do mundo inteiro celebravam a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, em honra da nova mulher concebida sem pecado original, o Santo Padre toma o telefone e liga ao novo homem Diego Neria Lejárraga. A senhora Diego foi convidada para ir a Roma, juntamente com a sua noiva, sendo assegurada de que não precisaria de se preocupar com as despesas, pois a Santa Sé assumiria todos os encargos da viajem. Até aqui tudo bem…

De regresso desta peregrinação a Roma, e depois de uma conversa “privada” a três, em espanhol fluente, entre o casal lésbico e o Santo Padre,  a senhora Diego perdeu qualquer sentimento de culpa, tendo agora a certeza de que o caminho por si escolhido é correto aos olhos de Deus (?) e um exemplo para o mundo. A viagem a Roma mudou a sua vida.

Para além de confessar uma grande admiração pelo Papa Francisco e por todos os seus esforços no sentido de mudar a Igreja, esta senhora considera que a sua história de vida, bem como o seu discernimento espiritual, devem ser imitados por outros católicos transexuais e casais homossexuais. Foi por isso que decidiu, desde logo, escrever um livro autobiográfico, tendo como mote de partida a sua viagem a Roma. O livro, entretanto concluído, foi publicado pela Tropo Editores e até conta com uma edição especial, com uma encadernação nobre, para ser oferecida ao Santo Padre.

Partindo dos comentários em relação à obra, deve ser uma leitura enquadrada num determinado entendimento contemporâneo da Misericórdia de Deus, que abdica do arrependimento e do propósito de correção de vida. Uma nova misericórdia light recentemente descoberta por muitos pastores católicos, mas que de facto é mais típica de uma nova era pós-cristianismo. Um conceito de misericórdia defendido pelos mesmos prelados que acham que a Igreja não foi misericordiosa durante os últimos 20 séculos e, então, pretendem ser eles, agora, os verdadeiros misericordiosos, mais até do que o próprio Cristo e os seus santos  – que grande loucura!

Já agora, e para que se saiba, Deus jamais errou ou errará!

Basto 4/2016