Burke e Brandmüller: Para onde está a ir a Igreja?

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Os cardeais D. Walter Brandmüller e D. Raymond Burke, dois dos autores dos chamados dubia dirigidos ao Papa Francisco e ainda sem resposta (os restantes, já faleceram), publicaram, na passada terça-ferira, uma carta aberta dirigida aos participantes na Cimeira sobre Abusos Sexuais, que teve início na quinta-feira em Roma.

Na carta em questão, abaixo reproduzida, os cardeais sugerem uma linha óbvia de abordagem, negligenciada pela cúpula romana, que relaciona o grave problema dos abusos de menores na Igreja Católica com a atual infestação de homoclericalismo.

CARTA ABERTA AOS PRESIDENTES DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS

Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,

É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós!

O mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde está a ir a Igreja?

Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma parte de uma crise bem mais ampla. A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenómeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou seja, sem excepções.

Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação, até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.

Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro, no Vaticano?

Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre acerca dos “dubia” que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a família. Hoje, esses “dubia” não só continuam sem receber qualquer resposta, mas são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja.

Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Walter Card. Brandmüller

Raymond Leo Card. Burke

Fonte: magister.blogautore.espresso.repubblica.it Settimo (página acedida no dia 22 de fevereiro de 2019).
Tradução: dubia (página acedida no dia 22 de fevereiro de 2019).

 

Mais grave que um pecado moral, é um sacrilégio

A página católica austríaca Kath.net publicou entretanto um curto vídeo onde o cardeal Brandmüller explica a razão que o levara a publicar a carta aberta. Como explica o cardeal alemão, as aberrantes práticas homossexuais envolvendo elementos do clero configuram sacrilégios eucarísticos.

Basto 02/2019

Declaração Final da Conferência de Roma reafirma a doutrina católica e responde aos “dubia”

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Por Maike Hickson

Hoje, dia 7 de abril, teve lugar em Roma a tão aguardada conferência “Igreja Católica, para onde vais?”. A conferência foi inspirada pelo falecido Cardeal Carlo Caffarra – um dos quatro cardeais dos dubia – que morreu em setembro passado. No final da conferência, foi emitida uma Declaração Final em nome dos participantes, clérigos e leigos, que reafirma a infalível doutrina da Igreja a respeito de questões morais como o casamento e atos intrinsecamente maus, respondendo, deste modo, aos cinco dubia iniciais que, 18 meses depois de terem sido submetidos pela primeira vez ao Papa Francisco, nunca obtiveram resposta.

A importância da Declaração Final está no facto de ter sido divulgada na presença e com o apoio dos quatro principais prelados que levantaram as suas fortes vozes de resistência católica contra a confusão e o erro propagados pelo Papa Francisco, a saber: o Cardeal Walter Brandmüller , o cardeal Raymond Burke, o cardeal Joseph Zen e o bispo Athanasius Schneider. Foi também ali apresentada uma breve mensagem em vídeo do cardeal Carlo Caffarra. Nos próximos dias publicaremos um relatório mais extenso sobre o conteúdo de toda a conferência. Por hoje, apenas apresentamos aos nossos leitores esta histórica Declaração Final intitulada “Portanto, damos testemunho e confessamos…”, que é sucinta e clara.

A Declaração Final começa com a referência à exortação apostólica do Papa Francisco Amoris Laetitia e ao seu efeito de confusão sobre os fiéis. Assinala que nem o Apelo Filial de quase um milhão de signatários, nem a Correção Filial de 250 académicos, nem os dubia dos quatro cardeais receberam uma resposta do Papa Francisco. Portanto, dizem os autores, “nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica”. Assinala também “a importância de os leigos darem testemunho da fé”. De seguida, os autores reafirmam, em seis pontos, o ensinamento da Igreja sobre a indissolubilidade do casamento, o adultério, a questão de uma consciência subjetiva defeituosa, as normas morais absolutas, a necessidade de uma forte intenção de mudar o modo de vida para receber uma absolvição sacramental válida e ainda o facto de que os divorciados “recasados” que não pretendem viver em continência não podem receber a Sagrada Comunhão.

Eis o texto completo da declaração:

“Portanto, damos testemunho e confessamos…”

Declaração final da conferência “Igreja Católica, para onde vais?”

Roma, 7 de abril de 2018

Devido a interpretações contraditórias da Exortação Apostólica Amoris laetitia, tem alastrado o descontentamento e a confusão entre os fiéis do mundo inteiro.

O pedido urgente de esclarecimento apresentado ao Santo Padre por cerca de um milhão de fiéis, mais de 250 académicos e vários cardeais, não obteve resposta.

No meio do grave perigo que se levantou para a fé e para a unidade da Igreja, nós, membros do Povo de Deus batizamos e confirmamos, somos chamados a reafirmar nossa fé católica.

O Concílio Vaticano II nos autoriza e encoraja a fazê-lo, afirmando em Lumen Gentium n. 33: “Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef. 4,7)”.

O beato John Henry Newman também nos encoraja a fazê-lo. No seu ensaio profético “On consulting the faithful in matters of doctrine [Sobre a consulta aos fiéis em assuntos de doutrina]”, de 1859, falou da importância dos leigos darem testemunho da fé.

Portanto, de acordo com a tradição autêntica da Igreja, damos testemunho e confessamos que:


1) Um casamento ratificado e consumado entre duas pessoas batizadas só pode ser dissolvido pela morte.

2) Por consequência, os cristãos unidos por um casamento válido que se juntam a outra pessoa enquanto o seu cônjuge continua vivo cometem o grave pecado do adultério.

3) Estamos convictos de que este é um mandamento moral absoluto que obriga sempre e sem exceção.

4) Estamos também convictos de que nenhum julgamento de consciência subjetivo pode fazer bom e lícito um ato intrinsecamente mau.

5) Estamos convictos de que o julgamento sobre a possibilidade de administrar a absolvição sacramental não se baseia na imputabilidade do pecado cometido, mas na intenção do penitente de abandonar um modo de vida que é contrário aos mandamentos divinos.

6) Estamos convictos de que as pessoas divorciadas e civilmente recasadas, que não estão dispostas a viver em continência, estão a viver numa situação objetivamente contrária à lei de Deus e, portanto, não podem receber a Comunhão Eucarística.

 

Nosso Senhor Jesus Cristo diz: «Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.» (Jo 8, 31-32).

Com esta confiança, confessamos a nossa fé diante do supremo pastor e mestre da Igreja juntamente com os bispos e lhes pedimos que nos confirmem na fé.

(tradução livre a partir do texto publicado em inglês no 1P5)

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 7 de abril de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Cardeal Carlo Caffarra, em Roma, a 19 de maio de 2017:

Basto 4/2018

Cardeal holandês: o Papa deve “criar claridade”, os adúlteros não podem receber Comunhão

Wim Eijk.jpgPor Jeanne Smits

PAÍSES BAIXOS, 26 de janeiro, 2018 (LifeSiteNews) — O cardeal Wim Eijk, arcebispo de Utrecht, nos Países Baixos, pediu ao Papa Francisco que traga “clareza” às “dúvidas” semeadas pela exortação papal de 2016, Amoris Laetitia, no que concerne à questão da Sagrada Comunhão para os casais divorciados e civilmente recasados que vivem em adultério habitual.

O cardeal deixa claro na entrevista – publicada na sexta-feira, 26 de janeiro, no jornal holandês Trouw – que, na sua opinião, o Papa “nunca e em lado nenhum” disse que tais casais podem confessar-se e receber a absolvição ou a Sagrada Comunhão. As preocupações suscitadas, no entanto, são uma reminiscência dos repetidos apelos de vários bispos, académicos, teólogos e também dos quatro cardeais que apresentaram os seus “Dubia” ao Papa e não receberam resposta.

Eijk disse que entraram “dúvidas” na Igreja com a publicação da exortação papal após os dois sínodos da família.

“No seguimento dos dois Sínodos da Família, foi escrito um documento pelo Papa, a Amoris Laetitia. Então as dúvidas foram semeadas. Podem os divorciados “recasados” receber agora a Comunhão ou não? O que se verifica um pouco é que uma conferência de bispos está a lidar com isso de uma maneira, enquanto a outra está a lidar de outra. Mas então, o que é verdadeiro na localidade ‘A’ não pode, de repente, ser falso na localidade ‘B.’ Até certo ponto, ficaríamos felizes se houvesse clareza.”

“Gostaria que houvesse clareza?”, perguntou o entrevistador Stijn Fens.

“Sim, eu apreciaria muito isso. As pessoas estão confusas e isso não é bom “, respondeu o cardeal.

Quando questionado sobre o que espera do Papa Francisco, Eijk respondeu: “Eu diria: simplesmente crie clareza. Em relação a esse assunto. Remova essa dúvida. Na forma de um documento, por exemplo,” respondeu.

O cardeal Eijk também deixou bem claro o que deveria ser incluído nesse documento: “Temos aqui, obviamente, as palavras do próprio Cristo: que o casamento é um e indissolúvel. Isso é o que defendemos no arcebispado. Quando um casamento foi declarado nulo por um tribunal eclesiástico, isso constitui uma confirmação oficial de que nunca se casaram. Só então estão livres para se casar e receber confissão e comunhão.”

O cardeal levantou preocupações sobre a exortação papal, alguns meses depois de ter sido publicada.

“Não se pode mudar a doutrina com notas de rodapé ou com uma declaração solta numa entrevista num avião. Gostaria que [a Amoris Laetitia] fosse esclarecida”, disse ele.

“A falta de clareza prolongada pode resultar no aparecimento de práticas indesejáveis”, acrescentou.

O cardeal Wim Eijk é conhecido pela sua abordagem fielmente católica nas questões do matrimónio e da vida humana. Um especialista no seu direito, ele é considerado um perito em bioética, tendo mantido sempre uma posição fortemente tradicional a respeito da indissolubilidade do casamento. No final dos dois Sínodos da Família em 2015, ele deixou claro que a Igreja Católica Romana deveria manter o seu ensinamento na recusa da Comunhão aos divorciados “recasados”.

O cardeal Eijk recebeu formação sacerdotal no seminário tradicional de Rolduc, na província meridional de Limburg, e foi nomeado bispo da diocese de Groningen por São João Paulo II em 1999 , antes de ser designado para uma sé mais importante, Utrecht, em 2007, pelo Papa Bento XVI, e tornar-se arcebispo em 2008. Foi criado cardeal em fevereiro de 2012. A sua adesão fiel aos ensinamentos da Igreja criou-lhe muitos inimigos, mesmo entre seus irmãos bispos neerlandeses.

Os comentários do cardeal surgem cerca de três semanas depois de três bispos se pronunciarem contra a interpretação da Amoris Laetitiado feita pelo próprio Papa Francisco, alegadamente porque esta, de facto, permite que alguns divorciados recasados acedam à Sagrada Comunhão. Os bispos disseram que essa leitura está a causar “confusão crescente”, é “estranha” à fé católica e fará alastrar a “chaga do divórcio” na Igreja.

O sucessor do cardeal Eijk na diocese de Groningen-Leeuwarden, o bispo recém-consagrado Ron van den Hout, permite que a Sagrada Comunhão seja dada aos católicos “recasados”.

O bispo Ron van den Hout afirmou numa entrevista recente que a pergunta sobre a Sagrada Comunhão para os católicos “recasados” não era “um item muito importante”.

“Nunca recusei qualquer comunhão a ninguém e não farei isso nos próximos tempos”, disse o bispo Van den Hout depois de pressionado sobre o assunto.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 26 de janeiro de 2018. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 1/2018

Papa Francisco promulga orientações dos bispos de Buenos Aires que oficializam a abertura da Sagrada Comunhão aos divorciados recasados

EXCLUSIVO: Missa solene na Argentina para dar a comunhão a casais adúlterosin Adelante La Fé, 13/06/2017

 

A Santa Sé publicou oficialmente no boletim Acta Apostolicae Sedis a carta dos bispos de Buenos Aires com os critérios – aprovados e elogiados pelo Papa Francisco – que abrem a Sagrada Comunhão aos divorciados civilmente recasados. Com esta publicação, o Papa Francisco eleva à categoria de magistério um documento herético que anula o constante ensinamento da Igreja, em particular o que fora anteriormente aprofundado pelos Papas João Paulo II e Bento XVI.

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1072

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1073

 

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Acta Apostolicae Sedis Commentarium Official (10/2016) in Vatican.va, p. 1074

Para além de radicalmente novo e herético, agora é oficial! Terá andado a Igreja Católica equivocada durante 2000 anos até à eleição do Papa Francisco I? Seriam São João Paulo II e Bento XVI tão pouco misericordiosos como nos querem fazer crer?

Por mais esforços intelectuais que façam para tentar conciliar este novo ensinamento com a doutrina constante da Igreja Católica, não o conseguem porque não estamos perante uma abordagem pastoral ligeiramente diferente, como nos dizem. Isto é algo completamente novo, contraditório e escandaloso que anula o ensinamento anterior.

Devemos agora esperar por um novo conclave – como ironiza o nosso vizinho Joãopara conhecer as próximas tendências do magistério da Igreja?

 

Basto 12/2017

Querem que eu lidere um grupo contra o Papa, mas eu permanecerei com ele. No entanto, aqueles que se queixam deveriam ser ouvidos

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Excertos de uma entrevista conduzida por Massimo Franco do Corriere della Sera:

“Há uma frente de grupos tradicionalistas, tal como existe com os progressistas, que gostariam de me ver como líder de um movimento contra o Papa. Mas eu jamais farei isso. Servi a Igreja com amor durante 40 anos como sacerdote, 16 anos como professor universitário de teologia dogmática e 10 anos como bispo diocesano. Acredito na unidade da Igreja e não permitirei que ninguém explore as minhas experiências negativas dos últimos meses. As autoridades da Igreja, por outro lado, precisam de ouvir aqueles que têm sérias dúvidas ou justificadas reclamações; não os ignorando, ou pior, humilhando-os. Caso contrário, pode aumentar involuntariamente o risco de uma separação lenta, que pode levar a um cisma, de uma parte desorientada e desiludida do mundo católico. A história do Cisma Protestante de Martinho Lutero, de há 500 anos atrás, deveria ensinar-nos, acima de tudo, quais erros evitar.”

“O Papa confessou-me isto: «Disseram-me anonimamente que você é meu inimigo» sem explicar em que sentido” contou ele insatisfeito. “Depois de 40 anos ao serviço da Igreja, eu tive que ouvir isto: um absurdo criado por intriguistas que, em vez de incutirem preocupação no Papa, fariam melhor se visitassem um” psiquiatra”. Um bispo católico e cardeal da Igreja Romana está, por natureza, com o Santo Padre. Mas acredito, como disse Melchoir Cano, teólogo do séc. XVI, que os verdadeiros amigos não são aqueles que lisonjeiam o Papa, mas aqueles que o ajudam com a verdade e com a competência teológica e humana. “Em todas as organizações do mundo, delatores deste tipo servem-se apenas a eles próprios.”

“As tensões na Igreja surgem do contraste entre uma frente tradicionalista extremista presente em alguns sítios da internet e uma frente progressiva, igualmente exagerada, que hoje procura ganhar crédito como super-papista”.

A edição original deste texto foi publicada no Rorate Caeli no dia 27 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o artigo acima foi traduzido do texto publicado em inglês pelo Rorate Caeli, o qual, por sua vez, foi extraído e traduzido de uma entrevista publicada em italiano, no passado dia 26 de novembro, no Corriere della Sera. Toda a responsabilidade do texto pertence, portanto, ao seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Misericórdia para o Papa Francisco significa que “segundo casamento” não é adultério: afirma sacerdote no jornal do Vaticano

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By Pete Baklinski

ROMA, 16 de novembro, 2017 (LifeSiteNews) – A ênfase do Papa Francisco sobre a “misericórdia” em detrimento da “lei” permite que ele veja um “segundo casamento”, posterior a um primeiro casamento válido, de tal forma que não seja “continuamente caracterizado como adultério”, sugeriu um sacerdote católico e professor de seminário num artigo publicado recentemente no jornal oficial do Vaticano L’Osservatore Romano.

O padre Gerald Bednar, vice-reitor e professor de teologia sistemática no Seminário de Santa Maria da diocese de Cleveland, nos Estados Unidos, escreveu num artigo publicado no dia 10 de novembro que o Papa Francisco, na sua exortação Amoris Laetitia [Alegria do Amor], não está a tentar “criar uma nova doutrina” mas a “incorporar uma maneira misericordiosa de aplicar a lei”.

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Pe. Gerald Bednar

Criticou os “dissidentes” da Amoris Laetitia que “não conseguem entender uma distinção, subtil mas importante, entre lei e piedade”.

“A questão não é se o divórcio é permitido. Claramente não é. A questão é se um segundo casamento deve ser caracterizado continuamente como adultério. Essa questão específica não foi tratada anteriormente, nem mesmo na Familiaris Consortio“, escreveu Bednar.

A Igreja, porém, seguindo as palavras de Cristo nos Evangelhos a respeito do casamento, ensina que um casamento consumado entre um homem batizado e uma mulher que contraiu validamente a união é indissolúvel, ou seja, essa união não pode ser quebrada por nenhuma autoridade, incluindo o Papa.

De acordo com Sexto Mandamento de Deus que proíbe o adultério, a Igreja ensina que a união sexual entre um homem casado, ou mulher, e alguém que não seja seu cônjuge constitui um ato que, por si só, independentemente de circunstâncias ou intenções, é sempre “gravemente ilícito, em virtude do seu objeto”.

“O adultério refere-se à infidelidade conjugal”, afirma o Catecismo da Igreja Católica. “Quando dois parceiros, dos quais ao menos um é casado, estabelecem entre si uma relação sexual, mesmo efémera, cometem adultério.”

“O Sexto Mandamento e o Novo Testamento proscrevem absolutamente o adultério”, acrescenta o Catecismo.

Bednar escreveu que o Papa Francisco “propõe que, em casos apropriados, os parceiros já num segundo casamento possam entrar num período de discernimento, acompanhado por um sacerdote experiente, para que possam refletir sobre questões relevantes. Após um período adequado de tempo, eles podem realizar uma confissão sacramental na qual aceitam uma penitência apropriada e recebem a absolvição”.

“A comunhão pode seguir-se a esse discernimento e penitência (AL 305)”, acrescentou.

A Igreja, porém, ensina que somente os católicos que se encontram em estado da graça, ou seja, livres de pecado mortal e na disposição correta, podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. Muitos bispos, seguindo este ensinamento, interpretaram a Exortação do Papa como não permitindo a comunhão de católicos divorciados civilmente recasados que vivem em adultério. Entre estes, incluem-se um conjunto de bispos do Canadá, dos EUA e todos os bispos polacos.

Bednar afirmou que a “resposta tradicional”, que os casais em situações conjugais irregulares vivam como “irmão e irmã” antes de receberem a Comunhão, faz com que muitos “recuem perante a ideia de simular o sacramento [do casamento]”.

Afirmou que “o Papa Francisco mostra misericórdia” para com aqueles que falharam na sua primeira tentativa de casamento por falhas morais pessoais.

“Depois de confessarem o seu pecado, eles devem contentar-se apenas com uma simulação de casamento? Todos concordam que depois de divorciado de um casamento válido e depois do novo casamento, o parceiro culpado deve arrepender-se e reconciliar-se. Se não houver reconciliação, à medida que os anos passam, a situação dos parceiros pode mudar. A misericórdia pode pedir se mantenha o segundo casamento conforme está”, disse ele.

O artigo de Bednar surge um ano depois de quatro cardeais terem publicado cinco questões (dubia) ao Papa Francisco, perguntando se sua exortação está em conformidade com os constantes ensinamentos religiosos. As asserções feitas por Bednar, neste seu artigo, a respeito do casamento, do adultério e dos sacramentos revelam a relevância das perguntas sem resposta dos cardeais dos dubia.

Os três primeiros dubia perguntam:

1) Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão?

2) Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”?

3) Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”?

No início desta semana, o Cardeal Raymond Burke, um dos cardeais dos dubia, fez um “apelo final” pela clareza ao Papa Francisco.

Afirmou que a situação atual da Igreja está “a agravar-se continuamente” com bispos desde Filadélfia a Malta a oferecerem interpretações divergentes e “às vezes incompatíveis” da Amoris Laetitia.

O Cardeal disse que o leque de interpretações está a colocar em perigo “questões essenciais do depósito da fé” e “levou alguns a propor uma mudança de paradigma em relação à prática moral da Igreja”.

Burke indicou que uma “correção formal” dos cardeais ao Papa pode tornar-se “necessária” de modo a fornecer uma “apresentação clara do ensino da Igreja sobre os pontos em questão”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

Thomas Weinandy: “um teólogo para todas as estações”

O The Remnant Newspaper publicou mais um excelente cartoon alusivo ao drama da atual situação que se vive na Igreja Católica. Desta vez, fez um paralelismo entre o caso da recente resignação forçada do teólogo americano Thomas Weinandy e o martírio de São Tomás Moro (Thomas More).

Thomas Weinandy é um frade da ordem dos Capuchinhos, membro da Comissão Teológica Internacional, tendo sido também chefe do secretariado teológico da conferência episcopal dos EUA, cargo que teve de abandonar no momento em que questionou os estranhos ensinamentos e intenções do Papa Francisco.

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Título do cartoon: Um Teólogo para Todas as Estações – No balão de diálogo: “Morro como fiel servidor do Papa, mas Deus primeiro.” in The Remnant Newspaper, 08/11/2017

O cartunista fez uma alusão direta ao filme biográfico de 1966 sobre São Tomás Moro, A Man for All Seasons“, que quer dizer “Um Homem para Todas as Estações”, apesar de ter saído em Portugal e no Brasil com títulos que não correspondem à tradução literal do original.

A famosa frase de Tomás Moro “Morro como bom servo do rei, mas Deus primeiro.” terá sido pronunciada no seu próprio julgamento, em 1535. Sendo, à época, um homem influente e próximo do monarca inglês, Tomás Moro recusou, por razões de fé, reconhecer legitimidade à relação adúltera de Henrique VIII com Ana Bolena.

Tomás Moro foi executado no dia 6 de julho de 1535. Em 1886 foi beatificado pelo Papa Leão XIII e, em 1935, canonizado pelo Papa Pio XI.

Não tendo obtido, do Papa Clemente VII, a pretendida anulação do seu casamento com Catarina de Aragão para se recasar com Ana Bolena, o rei Henrique VIII acabaria por fundar, em 1534, a Igreja Anglicana, que continua, até hoje, separada de Roma.

Basto 11/2017

Próximo passo dos restantes cardeais dos “dubia” em direção à correção formal

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Por Steve Skojec

Há um ano, neste dia, 14 de novembro de 2016, quatro cardeais deram o passo formal de publicar um conjunto de cinco dubia – perguntas sobre proposições teológicas duvidosas – que dirigiram diretamente ao Papa Francisco dois meses antes. Os dubia dizem respeito às diretrizes pastorais para os católicos divorciados “recasados ” que vivem more uxorio (envolvidos em relações sexuais), como delineado no magnum opus papal de 264 páginas e quase 60.000 palavras, a exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia (AL). Hoje, depois de um ano de esforços sem uma única resposta ou audiência concedida – um ano em que dois dos quatro cardeais dos dubia morreram – o cardeal Burke referiu numa nova entrevista que o silêncio do Papa é uma resposta insuficiente à grave confusão e preocupação que a sua exortação causou.

Numa entrevista dada, a 14 de novembro, ao National Catholic Register, o Cardeal Burke fez um “último apelo” ao Papa Francisco, mencionando a “cada vez pior” situação que se seguiu posteriormente à exortação.

Burke diz que a preocupação dos cardeais dos dubia sempre foi a de “determinar com precisão o que o Papa queria ensinar como Sucessor de Pedro” e reiterou a sua análise inicial do documento, dizendo que “pela sua própria natureza, afirmações que não têm essa clareza não podem ser qualificadas como expressões do magistério”. Burke continua:

É evidente que algumas das indicações da Amoris Laetitia sobre aspetos essenciais da fé e da prática da vida cristã receberam várias interpretações divergentes e às vezes incompatíveis entre si. Este facto incontestável confirma que essas indicações são ambivalentes, permitindo uma variedade de leituras, muitas das quais estão em contradição com a doutrina católica. As questões que nós cardeais levantámos dizem respeito ao que o Santo Padre ensinou exatamente e como o seu ensino se harmoniza com o depósito da fé, dado que o magistério “não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado. “(Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, nº 10).

Referindo-se aparentemente à análise do professor Josef Seifert de que a consequência lógica da aplicação de certos princípios sugeridos na AL seria uma destruição de todo o edifício do ensinamento moral católico, Burke disse que “para entender o alcance dessas mudanças propostas, basta pensar no que aconteceria se esse raciocínio fosse aplicado a outros casos, como o de um médico que realizava abortos, de um político pertencente a uma rede de corrupção, de uma pessoa que sofre e decide pedir o suicídio assistido…”

Ao dizer que o “sentido da prática sacramental eclesial está cada vez mais em erosão na Igreja”, Burke admitiu que estava a fazer, como o entrevistador Edward Pentin lhe perguntou, um “apelo final” ao Papa, talvez dando a entender que o próximo passo não seria simplesmente outro aviso:

Sim, por estas graves razões, um ano depois de publicar os dubia, volto-me novamente para o Santo Padre e para toda a Igreja, enfatizando o quão urgente é que, no exercício do ministério que recebeu do Senhor, o Papa deva confirmar os seus irmãos na fé com uma expressão clara do ensinamento sobre a moral cristã e o significado da prática sacramental da Igreja.

Desde a sua publicação em abril de 2016, como uma reflexão dos dois sínodos sobre o casamento e a família realizados em 2014 e 2015, respetivamente, a AL provocou mais controvérsia entre teólogos, bispos e pastores do que qualquer outra ação papal existente na nossa memória.

Muitos marcos aconteceram desde que a AL se estreou publicamente no ano passado – são demais para contar. Entre os mais significativos, por ordem cronológica:

  • A 29 de junho de 2016, um grupo internacional de 45 teólogos, pastores e académicos católicos emitiu uma carta e uma análise teológica ao colégio de cardeais acerca da Amoris Laetitia. Os signatários descreveram 19 censuras teológicas – 11 das quais foram rotuladas como heréticas – com base numa “leitura natural” da AL. Em 26 de julho de 2016, o seu documento e a carta com suas assinaturas foram publicados depois de serem divulgados à imprensa, presumivelmente por um dos destinatários.
  • A 19 de setembro de 2016 – dez dias após a carta do Papa que apoiava a sacrílega interpretação da Amoris Laetitia dos bispos da região de Buenos Aires – quatro cardeais católicos – Walter Brandmüller, Raymond Burke, Carlo Caffarra e Joachim Meisner – enviaram uma carta ao Papa referindo “a grave desorientação e a grande confusão de muitos fiéis em questões extremamente importantes para a vida da Igreja”. A carta incluiu cinco dubia – o procedimento formal pelo qual teólogos e prelados podem pedir a Roma esclarecimentos sobre questões relativas ao ensinamento da Igreja.
  • Em 14 de novembro de 2016, depois de não terem recebido resposta papal, os quatro “cardeais dos dubiapublicaram a sua carta, incluindo os cinco dubia referentes às várias proposições da Amoris Laetitia.
  • Em 7 de dezembro de 2016, o bispo Athanasius Schneider de Astana, Cazaquistão, – uma das vozes ortodoxas mais abertas na Igreja – afirmou numa entrevista a uma estação de televisão francesa que, se os dubia permanecessem sem resposta, haveria “não só um risco de cisma” mas que “existe já um certo tipo de cisma na Igreja”. “Estamos hoje a testemunhar”, afirmou o bispo Schneider, “uma forma bizarra de cisma. Externamente, numerosos clérigos salvaguardam a unidade formal com o Papa, às vezes pelo bem das suas próprias carreiras ou por uma espécie de papolatria. Simultaneamente, quebraram laços com Cristo, a Verdade, e com Cristo, o verdadeiro Chefe da Igreja”.
  • Em 13 de dezembro de 2016, eu delineei as cinco respostas simples de uma palavra que poderiam pôr fim à controvérsia dos dubia de uma vez por todas.
  • Em 19 de dezembro de 2016, o cardeal Burke – o cardeal dos dubia com maior destaque no mundo anglófono – disse numa entrevista com Lisa Bourne, do Life Site News, que os dubia “precisam de obter uma resposta porque têm a ver com os próprios fundamentos da vida moral e o ensinamento constante da Igreja em relação ao bem e ao mal”. Questionado sobre o calendário para uma eventual “correção formal” ao Papa na ausência de uma resposta aos dubia, Burke indicou que, se tal ação for necessária, provavelmente ocorreria algum tempo depois da Epifania, em 2017.
  • Também em 19 de dezembro de 2016, o cardeal Burke explicou, numa entrevista ao Catholic World Report, que havia uma base bíblica para corrigir um Papa (Gal 2:11) e indicou que existiam mais prelados do que os quatro cardeais que apoiavam os dubia. Quando perguntado se era possível para o Papa “separar-se da comunhão com a Igreja” por “cisma ou heresia”, Burke respondeu: “Se um Papa professasse formalmente heresia, ele deixaria, por esse ato, de ser o Papa. É automático. Então isso poderia acontecer.”
  • Em 24 de dezembro de 2016, o importante jornal alemão Der Spiegel publicou um artigo em que se afirmava que, entre um “círculo muito pequeno” de pessoas próximas ao Papa, Francisco explicou que era possível ele “entrar na história como aquele que dividiu a Igreja Católica”.
  • Em 11 de janeiro de 2017, John F. Salza, coautor do livro “Verdadeiro ou Falso Papa”, delineou, num artigo para o The Remnant (mais tarde republicado no 1P5), o que poderia acontecer, juridicamente falando, se o Papa Francisco continuasse a recusar responder aos dubia.
  • Em 17 de janeiro de 2017, três dos bispos do Cazaqusitão – Tomash Peta, arcebispo metropolitano da arquidiocese de Santa Maria de Astana, Jan Pawel Lenga, arcebispo-bispo emérito de Karaganda e Athanasius Schneider, bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria de Astana – emitiu uma declaração conjunta solicitando orações aos fiéis para que o Papa Francisco “confirmasse a práxis imutável da Igreja em relação à verdade sobre a indissolubilidade do casamento”. Os bispos deram exemplos específicos de como a Amoris Laetitia contém “diretrizes pastorais” que contradizem “na prática” certas “verdades e doutrinas que a Igreja Católica continuamente ensinou como sendo seguras”.
  • Em 25 de março de 2017, o Cardeal Burke deu uma palestra numa paróquia em Springfield, na Virgínia, na qual falou sobre a disseminação de uma “confusão muito prejudicial na Igreja” e a necessidade de resposta aos dubia. Questionado sobre o que aconteceria se o Papa não respondesse, o cardeal Burke respondeu: “simplesmente teremos que corrigir novamente a situação, de forma respeitosa […] traçar a resposta às questões [dubia] a partir dos ensinamentos constantes da Igreja e dá-las a conhecer para o bem das almas”.
  • Em 8 de junho de 2017, a Conferência Episcopal da Polónia completou a sua assembleia geral, depois da qual o seu porta-voz, Pawel Rytel-Andrianik, disse que “o ensinamento da Igreja em relação à Sagrada Comunhão para as pessoas que vivem em relações não sacramentais” não mudou “após o documento papal Amoris Laetitia“.
  • Em 19 de junho de 2017, o veterano vaticanista Sandro Magister publicou uma carta do cardeal dos dubia Carlo Caffarra, escrita em 25 de abril de 2017, na qual pedia “que fosse concedida uma audiência papal para que pudessem discutir os dubia que ainda não foram respondidos.” À data da publicação da carta já tinham passado dois meses sem, novamente, qualquer resposta do Papa ao pedido de audiência.
  • Em 5 de julho de 2017, o cardeal Joachim Meisner, um dos quatro cardeais dos dubia, faleceu durante as férias em Bad Füssing, na Alemanha, aos 83 anos. No momento da sua morte, ainda não havia resposta ao pedido de audiência solicitado. Numa mensagem lida no funeral de Meisner, o Papa Emérito Bento XVI lembrou aos que lamentavam o seu amigo que “O Senhor não abandona a Igreja”.
  • Em 31 de agosto de 2017, o eminente filósofo católico austríaco, o professor Josef Seifert, foi forçosamente “aposentado”, pelo seu arcebispo, da sua posição na cadeira de Dietrich von Hildebrand, da Academia Internacional de Filosofia de Granada, Espanha, em resposta à sua segunda crítica à Amoris Laetitia. Académicos católicos e até mesmo um bispo reagiram imediatamente à injustiça desta ação.
  • Em 6 de setembro de 2017, quase dois meses depois da morte do cardeal Meisner, o cardeal Carlo Caffarra, outro dos quatro cardeais dos dubia, faleceu aos 79 anos. Nenhuma mensagem do Papa Emérito foi lida no funeral de Caffarra.
  • Em 12 de setembro de 2017, Gabriel Ariza, da publicação de língua espanhola Infovaticana, revelou que o falecido Cardeal Caffarra havia confirmado, poucos meses antes de sua morte, que sabia que os cardeais dos dubia estavam a ser “vigiados” e que eles “tinham suas comunicações sob escuta” e que podiam “fazer pouco mais do que procurar alguma forma de comunicação mais segura”.
  • Em 27 de setembro de 2017, um grupo de clérigos católicos e académicos leigos tornaram pública uma “Correção Filial” que fora entregue primeiramente ao Papa no dia 11 de agosto, depois do que, também eles, não receberam resposta. A sua carta deu um passo sem precedentes ao usar a palavra “heresia” em referência não apenas a possíveis interpretações da exortação apostólica Amoris Laetitia, mas também a outras “palavras, ações e omissões” recentes do Papa. Desde a sua publicação, a lista de clérigos e académicos signatários cresceu para 250, enquanto duas petições (aqui e aqui) de apoio à Correção Filial obtiveram mais de 20 mil assinaturas adicionais de leigos.
  • Em 29 de setembro de 2017, o cardeal Gerhard Müller, antigo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou, numa entrevista com Edward Pentin, que “as pessoas que trabalham na Cúria vivem com grande medo: se eles proferem uma crítica pequena ou inofensiva, alguns espiões passarão os comentários diretamente ao Santo Padre e as pessoas, falsamente acusadas, não têm possibilidade de defesa.” Quando perguntado por Pentin sobre a expressão “reino de terror”, que havia sido usada por um respeitável elemento da Igreja, Müller respondeu: “Acontece o mesmo em algumas faculdades teológicas – se alguém tiver alguma observação ou pergunta sobre Amoris Laetitia, serão expulsos e outras coisas mais.”
  • No dia 1 de novembro, o Pe. Thomas Weinandy – um frade capuchinho que antes exercera como chefe de gabinete do Comité de Doutrina dos Bispos dos EUA, sendo também atualmente membro da Comissão Teológica Internacional no Vaticano, publicou uma carta que enviou ao Papa – que também não recebeu nenhuma resposta – descrevendo as preocupações que teve a respeito da “confusão crónica” que ele acredita que marca “este pontificado”. A primeira das suas cinco críticas foi dirigida à Amoris Laetitia, sobre a qual ele afirma que a orientação do Papa às vezes parece intencionalmente ambígua, convidando a uma interpretação tradicional do ensino católico sobre casamento e divórcio, bem como a uma que possa implicar uma mudança nesse ensinamento.” Ele falou mais tarde de um clima de medo na Igreja, dizendo que “muitos temem que se dizem o que pensam” no que concerne à preocupação sobre o que está a acontecer na Igreja, “eles serão marginalizados ou pior”. Após a publicação da sua carta,  ficou provado que o Pe. Weinandy estava correto quando foi convidado a renunciar à sua posição na Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos – um pedido com o qual ele cumpriu.

A ausência de uma correção formal em outubro – marcando o 100º aniversário da última aparição de Fátima – deixou muitos católicos a questionar se a ação será mesmo tomada. A revelação de hoje deixa, no entanto, claro que o esforço dos dubia – bem como a correção formal que necessariamente deverá dar-lhe seguimento – está no caminho e em andamento.

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 14 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

A intervenção de Weinandy: o que significa

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Por Christopher A. Ferrara

Os críticos daqueles que tornaram públicas as suas objeções ao caos que este pontificado está a engendrar afirmam que só as “petições privadas” a um Papa rebelde é que são permitidas e que qualquer recurso à publicação é “escandaloso”.

Absurdo. Como o direito canónico reconhece, os fiéis “têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos Pastores…” Não há nenhuma exceção que isente os Papas das críticas públicas. Pelo contrário, ninguém está mais sujeito às necessidades e preocupações dos fiéis do que ele.

Além disso, este Papa demonstrou que é imune a súplicas privadas, e que nem sequer irá ter a cortesia de manifestar a sua receção. Francisco simplesmente ignorou as petições privadas de 800 mil fiéis, de 45 teólogos, dos quatro “cardeais dos dubia” e os 60 assinantes da Correctio filialis, para não mencionar numerosas outras petições privadas, todas elas implorando para reafirmar o ensinamento constante da Igreja sobre a inadmissibilidade de pessoas divorciadas “recasadas” aos sacramentos e o carácter sem exceção dos preceitos negativos da lei natural – ensinamentos que Francisco está evidentemente empenhado em subverter através de ambiguidades e piscadelas de olho e acenos de cabeça subministeriais.

Agora, o teólogo talvez mais relevante até à data sentiu-se na obrigação de divulgar a sua própria súplica privada ao Papa que se recusa a responder. Sandro Magister publicou uma carta privada, enviada ao Papa no verão passado, por Thomas G. Weinandy, que foi nomeado membro da Comissão Teológica Internacional pelo próprio Papa Francisco. Ele foi também chefe do secretariado teológico da conferência episcopal dos EUA e ensinou em Oxford e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. É portanto uma figura inequivocamente “convencional”[*].

Seguindo um sinal claro do Céu, aqui descrito, o Pe. Weinandy decidiu divulgar o conteúdo da sua carta ao Papa Francisco, onde lemos esta acusação a um Pontífice Romano assinada por um sujeito cuja lealdade ao ofício petrino é incontestável:

Sua Santidade, uma confusão crónica parece marcar o seu pontificado. A luz da fé, da esperança e do amor não está ausente, mas muitas vezes é obscurecida pela ambiguidade das suas palavras e ações. Isso promove entre os fiéis um crescente desconforto…

Em Amoris Laetitia, as suas indicações parecem às vezes intencionalmente ambíguas, convidando tanto a uma interpretação tradicional do ensinamento católico sobre o matrimónio e o divórcio, como também a uma interpretação que pode implicar uma mudança nesse ensinamento… Ensinar com uma tal falta de clareza aparentemente intencional incorre inevitavelmente no risco de pecar contra o Espírito Santo, o Espírito da verdade. O Espírito Santo é dado à Igreja, e particularmente a si mesmo, para dissipar o erro e não para promovê-lo.

[Sua Santidade] parece censurar e até mesmo zombar daqueles que interpretam o Capítulo 8 da Amoris Laetitia de acordo com a tradição da Igreja, como se fossem fariseus que atiram pedras e que encarnam um rigorismo vazio de misericórdia. Esse tipo de calúnia é estranho à natureza do ministério petrino… Esse comportamento dá a impressão de que os seus pontos de vista não podem sobreviver ao escrutínio teológico e, portanto, devem ser sustentados pelos argumentos ad hominem.

[M]uitas vezes a suas formas parecem menosprezar a importância da doutrina da Igreja. Uma e outra vez, retrata a doutrina como uma coisa morta e livresca, longe das preocupações pastorais da vida quotidiana. Os seus críticos foram acusados – utilizando as suas próprias palavras – de fazer da doutrina uma ideologia. Mas é precisamente a doutrina cristã… que liberta as pessoas das ideologias mundanas e assegura que eles estão efetivamente a pregar e a ensinar o Evangelho autêntico e vivo. Aqueles que desvalorizam as doutrinas da Igreja separam-se de Jesus, o autor da verdade… O que eles possuem, sendo que só isso podem possuir, é uma ideologia – que se conforma com o mundo do pecado e da morte.

Os fiéis católicos só podem estar desconcertados pela sua escolha de alguns bispos, homens que parecem não apenas abertos a quem tem opiniões contrárias à fé cristã, mas que até os apoiam e defendem. O que escandaliza os crentes e até alguns bispos não é apenas que designe tais homens para serem pastores da Igreja, mas que permaneça em silêncio perante o seu ensinamento e pratica pastoral… Como resultado, muitos dos fiéis que incorporam o sensus fidelium estão a perder confiança no seu Pastor Supremo.

[A] Igreja é um corpo, o corpo místico de Cristo, e o Senhor encarregou-lhe a si a missão de promover e fortalecer a sua unidade. Mas as suas ações e palavras muitas vezes parecem motivadas a fazer o contrário….

O senhor fala muitas vezes da necessidade de transparência dentro da Igreja. Encorajou frequentemente… todas as pessoas, especialmente os bispos, a falarem abertamente e sem medo do que o Papa possa pensar. Mas… o que muitos [bispos] aprenderam durante o seu pontificado não é que o senhor está aberto a críticas, mas que fica ressentido… Muitos temem que se falarem abertamente serão marginalizados ou pior.

Muitas vezes me perguntei: “Porque deixou Jesus tudo isto acontecer?” A única resposta que vem à mente é que Jesus quer manifestar quão fraca é a fé de muitos dentro da Igreja, mesmo entre muitos dos seus bispos. Ironicamente, o seu pontificado deu a liberdade e a confiança àqueles que detêm visões teológicas e pastorais prejudiciais para que viessem à luz e mostrassem a sua escuridão anteriormente escondida…

Quando um teólogo “convencional” com esta relevância autoriza a publicação de acusações tão graves contra um Romano Pontífice, isso deve afastar, pelo menos para o observador razoável, a alegação de que a oposição ao que o Papa Francisco diz e faz está confinada a uma parte marginal da Igreja de mentalidade “cismática”. A intervenção de Weinandy, motivada por um sinal do céu, é nada menos que um marco na história da Igreja. Representa uma confirmação objetiva, se ainda fosse necessária, de que este pontificado representa um perigo claro e presente para a Fé e que os fiéis têm o dever de se opor às suas tendências absolutamente inéditas.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

ATUALIZAÇÃO: Imediatamente depois da publicação da carta, o Pe. Weinandy foi convidado a renunciar à sua atual posição como consultor para a Conferência de Bispos dos EUA [USCCB]. Ele assim o fez. Como o Catholic World Report, outra voz convencional de preocupação em relação a este pontificado, observou: “Ao fazer tal pedido, a USCCB, como parece, reforça precisamente o argumento de Weinandy sobre o medo e a falta de transparência.” Parece que, para o Papa Francisco, “misericórdia” significa a supressão imediata e implacável de qualquer relevante crítico ao seu assalto ao ensinamento dos seus predecessores, incluindo o próprio Papa que ele canonizou.

*O termo “convencional” foi traduzido de “mainstream”, que foi utilizado pelo autor deste artigo para exprimir a ideia de não associado a qualquer grupo ou tendência na Igreja.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center a 2 de novembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original. A imagem foi adicionada na presente edição, não fazendo parte da publicação original.

A tradução integral da carta do Pe. ThomasWeinandy pode ser lida no blogue Fratres in Unum.

Basto 11/2017

Cardeal Brandmüller: defensores do adultério estão excomungados

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Por Maike Hickson

Um dos dois restantes cardeais dos dubia, o cardeal Walter Brandmüller, acaba de dar uma entrevista ao proeminente jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), que foi publicada hoje, 28 de outubro. Nessa longa entrevista, o prelado alemão de 88 anos explica mais uma vez o ensinamento fundamental da Igreja Católica a respeito do casamento no seu caráter sacramental e indissolúvel, tal como foi apresentado pelo próprio Jesus Cristo. O cardeal Brandmüller – que é conhecido pela sua corajosa franqueza – fez algumas observações que podem ser de especial interesse para os nossos leitores. Ou seja, ele deixou claro que esse ensinamento sobre o casamento não pode ser alterado:

Ou seja, aquele que afirma que alguém pode iniciar um novo relacionamento enquanto a própria esposa legítima ainda está viva está excomungado porque esse é um ensinamento erróneo, uma heresia. Quem faz essa afirmação [está excomungado]. E aquele que simplesmente o pratica [adultério] está a pecar gravemente. E então acrescenta-se que quem é consciente de um pecado grave só pode ir à comunhão se já fez penitência, confessou seus pecados e foi absolvido. Portanto, se alguém pensa que pode contrariar o dogma definido num Concílio Geral [Concílio de Trento], então isso é realmente bastante veemente. Isso é exatamente o que se chama heresia – o que significa exclusão da Igreja – porque se abandonou o fundamento comum da Fé. [ênfase adicionada]

Quando questionado relativamente a um teólogo progressista alemão – Magnus Striet – que recentemente afirmou que o documento papal Amoris Laetitia muda efetivamente o ensinamento da Igreja e não, como alguns afirmam, se limita a aprofundá-lo, o Cardeal Brandmüller confirma essa opinião e argumentação, dizendo:

Ele está certo, claro. De facto, ainda há pessoas que podem raciocinar. Tenho a grande preocupação de que algo vai explodir. As pessoas não são estúpidas. O facto, por si só, de que um pedido de esclarecimento dirigido ao Papa, com 870.000 assinaturas, [e também] de que 50 académicos de reputação internacional ficaram sem resposta, levanta realmente algumas questões. Isso é verdadeiramente difícil de entender.

Os jornalistas do Frankfurter Allgemeine Zeitung levantam também a questão da atmosfera alterada e um tanto de temor em Roma sob o Papado Francisco (como foi recentemente discutido pelo próprio Cardeal Gerhard Müller), incluindo a tensa atmosfera durante os “manipulados” sínodos da família . O próprio Cardeal Brandmüller também confirma indiretamente tais questões quando afirma: “Sim, essa crítica está a ser cada vez mais manifestada – até nos artigos de Ross Douthat no New York Times“. E o prelado alemão continua deste modo:

Há jornalistas que dizem que a atmosfera mudou totalmente no Vaticano. Só se fala com os amigos mais próximos. Se alguém fala ao telefone, prefere usar o telemóvel. Que posso eu dizer sobre isso?

O cardeal alemão é também, mais uma vez, chamado a explicar as principais preocupações dos dubia, dado que foram apresentadas ao Papa por ele próprio conjuntamente com os outros três cardeais dos dubia. Ele explica que, em caso de falta de clareza, colocar esses dubia é um processo normal dentro da Igreja Católica. O cardeal Brandmüller acrescenta algumas palavras específicas sobre os atuais dubia em relação à Amoris Laetitia:

Simplificando, é aqui que se coloca a questão: pode ser hoje bom algo que tenha sido ontem um pecado? Além disso, a questão está a ser colocada sobre se existem verdadeiramente – como diz o ensinamento constante – atos sempre e sob todas as circunstâncias moralmente reprováveis? Tal como no caso da morte de uma pessoa inocente – ou também do adultério, por exemplo? É para aí que isto se encaminha. Poderia a primeira questão ser agora efetivamente respondida com “sim” e a segunda com um “não”, então isso seria uma heresia e, consequentemente, um cisma. A divisão da Igreja. [ênfase adicionada]

Quando questionado se um cisma é agora realmente imaginável ou provável, o cardeal alemão responde: “Que Deus o proíba”.

Essas declarações penetrantes do Cardeal Brandmüller chegam até nós na sequência de outra entrevista alemã, na qual o teólogo protestante e secretário geral da Aliança Evangélica Mundial – Professor Thomas Schirrmacher – que é amigo do Papa Francisco, anunciou que o grupo de católicos que resiste às reformas papais “não é uma minoria”. Como Schirrmacher disse à publicação do jornal alemão Die Zeit, Christ & Welt, em 26 de outubro, sobre o papa Francisco:

Ele criou imensos inimigos no Vaticano e está a correr um grande risco. Vozes sonantes na sua Igreja estão já a negar que ele ainda é Papa. […] Hoje, há conversas abertas sobre quais os tipos de meios existentes de resistência contra o Papa. Para um protestante, isso deixou de soar muito católico. O Vaticano ainda faz de conta, como se essa fosse apenas uma pequena minoria que procura o confronto. Mas essa [resistência] deixou de ser uma minoria. [ênfase adicionada]

A edição original deste texto foi publicada pelo One Peter Five a 28 de outubro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 11/2017

POSTERIORIS CCCLI: o paradoxo do latim na Igreja Católica

latim

 

O latim, língua oficial da Igreja Católica, é um símbolo da unidade universal da Igreja a partir de Roma, a cidade eterna, caput mundi, que quer dizer “capital da Terra” (e não apenas da Igreja). A Santa Sé escolhida por Deus. A sede do poder temporal e espiritual do Reino de Cristo neste mundo.

O latim é uma língua clássica e erudita, cuja utilização confere solenidade, grandeza e importância aos atos e documentos em que é empregada.

Embora bastante conhecido e sistematicamente estudado em todas as épocas, o latim deixou de ser aprendido de forma nativa como idioma materno, tendo desaparecido do uso vernacular quotidiano das pessoas. É por isso mesmo que é considerado uma língua morta, cuja evolução estacionou há várias centenas de anos atrás.

O latim, por não estar sujeito à evolução natural ou à variação geográfica dos termos e das expressões característica dos idiomas vivos, possui uma elevada precisão semântica. Esta particularidade filológica e linguística fez do latim, durante muitos séculos, um símbolo e uma custódia da integridade e da imutabilidade dos ensinamentos cristãos na Igreja Católica.

Os documentos magisteriais emanados da Santa Sé são redigidos em latim por forma a afirmar com exatidão e com solenidade os ensinamentos da Igreja em todos os lugares e preservar a sua clareza ao longo do tempo.

O magistério da Igreja é infalível quando afirma, de forma sincrónica e diacrónica, um determinado ensinamento de Fé ou de moral (costumes). Neste sentido, o latim é um instrumento ou um veículo que garante a clareza e a precisão dos ensinamentos da Igreja válidos para todos os lugares na mesma época e para todas as épocas.

A nova era do latim

Seguindo os procedimentos habituais da Igreja, a controversa exortação apostólica Amoris Laetitia do Papa Francisco foi já traduzida para latim e publicada nos “Atos da Sé Apostólica” (boletim oficial da Santa Sé). Este procedimento, porém, cria um paradoxo inusitado e perigosíssimo para todo o edifício moral cristão edificado ao longo de dois mil anos, principalmente porque mina um dos principais pilares do Templo de Deus, o do matrimónio e da família cristã.

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Acta Apostolicae Sedis in sítio oficial do Vaticano

O ambíguo e polémico capítulo VIII da Amoris Laetitia – na interpretação que o Papa Francisco pretende que lhe seja dadae, em particular, a sua nota de rodapé nº 351 contradizem diretamente o ensinamento moral do tradicional magistério da Igreja. Desta forma, a função do latim, neste caso, não será a de consolidar o infalível magistério da Igreja, mas, pelo contrário, relativizá-lo, abrindo uma brecha no edifício bimilenar, cujas consequências estão já à vista de todos e são de natureza apocalítica.

De facto, se um pecado tão grave quanto o adultério passa a poder, à revelia da doutrina, obter aprovação pastoral, em função da vontade ou da consciência do pecador, que outros pecados não poderão ser também agora, por analogia, relativizados e acolhidos pela nova misericórdia que prescinde do arrependimento?

Texto da nota de rodapé 351 em latim:

351. Quibusdam in casibus esse etiam potest subsidium Sacramentorum. Quapropter, «sacerdotibus memoramus confessionale esse non debere aulam tormenti, sed locum Dominicae misericordiae» (Adhort. Ap. Evangelii gaudium [24 Novembris 2013], 44:AAS 105 [2013], 1038). Dicimus pariter Eucharistiam «non esse praemium perfectorum, sed debilium munificum remedium et alimoniam» (ibid., 47: 1039).

(in Amoris Laetitia em latim, Acta Apostolicae Sedis, sítio oficial do Vaticano)

Tradução oficial para português:

[351] Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos. Por isso, «aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor» [Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 44: AAS 105 (2013), 1038]. E de igual modo assinalo que a Eucaristia «não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos» [ Ibid., 47: o. c., 1039].

(in Amoris Laetitia em português, sítio oficial do Vaticano)

As interpretações anti-doutrinais e, portanto, cismáticas desta nota de rodapé contradizem incisivamente todo o ensinamento da Igreja a respeito do matrimónio até ao pontificado de Francisco, em particular naquilo que fora reafirmado e clarificado nas exortações apostólicas Familiaris Consortio de São João Paulo II e Sacramentum Caritatis de Bento XVI, também elas registadas em latim, vários anos antes da Amoris Laeitia.

Na Igreja não há lugar a verdades subjetivas ou a relativismo moral. Das duas uma: as orientações pastorais de Francisco I alinham-se com os ensinamentos de São João Paulo II, de Bento de XVI e de toda a tradição católica ou, então, estão erradas e portanto não devem ser seguidas. Pelo contrário, devem ser corrigidas.

Nesta época que é de “desorientação diabólica” mas simultaneamente de misericórdia, Deus dá aos seus ministros e leigos, pelo menos por mais algum tempo, a liberdade de resistir à tentação fácil do “poderia” introduzido pela perigosíssima nota de rodapé nº 351 da exortação apostólica Amoris Laetitia. Talvez o verbo não tenha surgido no modo condicional por mero acaso do destino.

Basto 10/2017

Cardeal Burke: “urgência” em resolver os dubia “pesa bastante no meu coração”

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Por Claire Chretien

PARRAMATTA, Austrália, 22 de setembro, 2017 (LifeSiteNews) – Morreram dois dos quatro cardeais dos dubia que buscavam clareza moral junto do Papa Francisco a respeito dos seus controversos ensinamentos sobre o casamento e a família. Isso, contudo, não impedirá os restantes dois cardeais de continuarem o “importante trabalho de resolução dos dubia“, afirmou o cardeal Raymond Burke, um dos signatários dos dubia, em nova entrevista.

Numa ampla entrevista ao Catholic Outlook da diocese católica de Parramatta, Burke disse que “a urgência de uma resposta aos dubia deriva do dano causado às almas pela confusão e pelo erro que se produz enquanto as questões fundamentais levantadas não são respondidas de acordo com o constante ensino e prática da Igreja”.

Essa urgência “pesa muito no meu coração”, afirmou.

A confusão acerca da Amoris Laetitia levou as pessoas a “sentir que a Igreja não é um ponto de referência seguro”, disse Burke.

“Não há clareza sobre esses assuntos”, disse ele. “Essas pessoas estão numa situação muito complicada. É demonstrável, é um facto que temos conferências episcopais que se contradizem a respeito da Amoris Laetitia, os Bispos contradizem-se; temos fiéis leigos que discutem uns com os outros sobre isso; e tantos sacerdotes sofrem particularmente porque os fiéis chegam até eles à espera de certas coisas que não são possíveis, isto porque receberam uma dessas interpretações erróneas da Amoris Laetitia. Como resultado, deixam de entender o ensinamento da Igreja”.

“Sabemos que na Igreja temos apenas um guia, o Magistério, o ensinamento da Igreja, mas agora parecemos estar divididos entre os chamados campos políticos”, explicou Burke. “Além disso, mesmo a linguagem utilizada é muito mundana e isso preocupa-me muito.”

Burke, um dos mais firmes defensores da ortodoxia católica, disse que a Igreja pode dar “rumo” e conduzir à transformação cultural “em termos de respeito pela vida humana, respeito pela integridade da família e respeito pela liberdade religiosa”.

Burke sente a perda dos irmãos cardeais

Ele expressou ainda a sua tristeza pela perda de dois dos quatro signatários dos dubia, nomeadamente os cardeais Joachim Meisner e Carlo Caffarra. Dos quatro, apenas ele e o cardeal Walter Brandmüller continuam vivos.

Contou que Caffarra “sofreu profundamente” porque “a confusão e o erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

“Ao longo dos anos fui abençoado pela amizade do cardeal Carlo Caffarra, um excelente sacerdote e um académico em teologia do casamento e da vida familiar altamente conceituado”, afirmou Burke. “Durante os últimos três anos, trabalhei muito de perto com ele na defesa do casamento e da vida familiar face a uma crescente confusão e até mesmo erro, os quais entraram também na Igreja”.

“Em todos os encontros com o cardeal Caffarra fiquei impressionado com sua pureza de coração e com seu caráter totalmente sacerdotal”, continuou Burke. “Ele amava Cristo e o Seu Corpo Místico, a Igreja, com todo o seu coração. Por essa razão, sofreu profundamente pelo facto de que a atual situação de “confusão e erro na Igreja conduziram a graves prejuízos para as almas”.

No entanto, Caffarra “nunca questionou a presença de Nosso Senhor connosco, de acordo com a Sua promessa aos discípulos, e nunca questionou a intercessão maternal da Virgem Mãe de Nosso Senhor”.

“Enquanto estamos tristes por perder a colaboração terrena desses dois grandes pastores e prelados, estamos certos de que eles continuarão a ajudar-nos com as suas orações inspiradas na sua caridade pastoral duradoura”, assegurou Burke.

Os liberais da Igreja “fazem ataques pessoais” enquanto apelam ao “diálogo”

Burke explicou que é muitas vezes mal retratado pelos média que o apresentam fundamentalmente em oposição ao Papa.

“Retratam o Papa Francisco como uma pessoa maravilhosa e aberta e não há nada de errado com isso, mas descrevem-me como o oposto”, disse Burke. “Eu acredito que qualquer pessoa que tenha tido alguma experiência comigo enquanto sacerdote ou bispo diria que sou muito pastoral e, de facto, não vejo nenhuma contradição entre ser pastoral e ser fiel no anúncio dos ensinamentos da Igreja e no cumprimento das leis da Igreja.”

“Eles fazem uma caricatura de alguém que pede clareza sobre certos assuntos, dizem “bem, ele é o inimigo do Papa” e está a tentar construir uma oposição ao Papa, o que, de todo, não é o caso, como é evidente“, disse Burke.

Burke criticou a tendência dos progressistas da Igreja que atacam pessoalmente qualquer pessoa que discorde deles enquanto fingem que são a favor do “diálogo”.

“Aquilo que me apercebo constantemente é que os ditos liberais, as pessoas que incitam à revolução na Igreja e tudo o mais, são liberais e querem diálogo mas só enquanto concordamos com eles”, disse Burke. “A partir do momento em que colocamos uma questão, eles tornam-se muito arrogantes, fazem ataques pessoais, aquilo a que chamamos argumentos de ad hominem, entre outras coisas. Isso realmente não é útil. Estamos a falar de verdades, estamos a falar de factos e devemos evitar esses tipos de ataques”.

“É um modo muito mundano de tratar as coisas, o qual não deve existir na Igreja, mas é aí que estamos neste momento”, disse ele. “As pessoas até fazem comentários depreciativos sobre outras pessoas quando não concordam com elas”.

“Bem, refiro-me a: «O que é que eu dise que não é verdade?» E eu respondo a isso”, continuou o cardeal. “Se me acusarem simplesmente de estar «fora de tom», «fora de contacto», ou seja o que for, «medieval», ou iludido, não há resposta para isso”.

Burke disse que reza pelos cardeais e outros na Igreja que o atacam.

“Eles são cardeais da Igreja” e em “posições de enorme responsabilidade”, afirmou. “Tenho também uma certa fraternidade com eles como membros do mesmo Colégio, o Colégio dos Cardeais, portanto nem é preciso dizer” que rezo por eles.

Esperança em Nosso Senhor

Burke encorajou os católicos a nunca desistirem da esperança, “independentemente de qualquer confusão ou mesmo divisões que entrem na Igreja”.

“Devemo-nos agarrar de forma mais fiel ao que a Igreja sempre ensinou e praticou”, disse o cardeal. “E assim iremos realmente salvar as nossas próprias almas, com a ajuda da graça de Deus, da qual, obviamente, nos devemos sempre aproximar.”

“Nosso Senhor está sempre connosco na Igreja”, continuou ele. “Ele é o nosso principal sacerdote e guia, portanto devemos ter confiança em seguir uma vida cristã. Devemos ter esperança Nele”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 22 de setembro de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade da sua autora, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 9/2017

As 7 heresias do Papa Francisco segundo a “Correctio Filialis”

A “Correção Filial, publicada no dia 24 de setembro, aponta sete heresias ao Papa Francisco, as quais foram redigidas em latim, língua oficial da Igreja Católica. Na sua tradução para português, pode ler-se:

Através destas palavras, atos e omissões, bem como das passagens acima mencionadas do documento Amoris laetitia, Sua Santidade apoiou, direta ou indiretamente, e propagou dentro da Igreja, com um grau de consciência que não procuramos julgar, tanto por ofício público como por ato privado, as seguintes proposições falsas e heréticas:

1) “Uma pessoa justificada não tem a força, com a graça de Deus, para cumprir as exigências objetivas da lei divina, como se a observância de qualquer um dos mandamentos de Deus fosse impossível aos justificados; ou como significando que a graça de Deus, quando produz a justificação do indivíduo, não produz invariavelmente e por sua própria natureza, a conversão de todo pecado grave, ou não é suficiente para a conversão de todo pecado grave.”

2) “Os católicos que obtiveram um divórcio civil do cônjuge com o qual estão validamente casados e contraíram um matrimónio civil com alguma outra pessoa durante a vida de seu cônjuge, e que vivem more uxorecom seu parceiro civil, e que escolhem permanecer nesse estado com pleno conhecimento da natureza de seu ato e com pleno consentimento do ato pela vontade, não estão necessariamente em estado de pecado mortal e podem receber a graça santificante e crescer na caridade.”

3) “Um fiel católico pode ter pleno conhecimento de uma lei divina e voluntariamente escolher violá-la, mas não estar em estado de pecado mortal como resultado desse ato.”

4) “Uma pessoa que obedece uma proibição divina pode pecar contra Deus por causa desse ato de obediência.”

5) “A consciência pode reconhecer que atos sexuais entre pessoas que contraíram um casamento civil, mesmo que uma delas esteja casada sacramentalmente com outra pessoa, podem às vezes ser moralmente lícitos, ou sugeridos ou até mandados por Deus.”

6) “Os princípios e as verdades morais contidos na revelação divina e na lei natural não incluem proibições negativas que proscrevem absolutamente certos tipos de atos, na medida em que eles são gravemente ilícitos em razão de seu objeto.”

7) “Nosso Senhor Jesus Cristo quer que a Igreja abandone a sua disciplina perene de negar a Eucaristia aos divorciados recasados, e de negar a absolvição aos divorciados recasados que não expressem nenhuma contrição por seu estado de vida e o propósito firme de emenda nesse particular.”

(in correctiofilialis.org)

Oremos para que o Santo Padre confirme os seus irmãos na Fé, corrigindo todas as heresias que têm provocado tantos danos nas almas e fortes divisões dentro da Igreja Católica.

Basto 9/2017

Instituto João Paulo II de defesa do matrimónio e da família dá lugar a organismo de promoção da Amoris Laetitia

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No dia em que se completava exatamente um ano desde o envio da carta dos dubia que pedia esclarecimentos ao Santo Padre sobre os ensinamentos ambíguos da Amoris Laetitia, Francisco I extinguiu oficialmente o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, substituindo-o por um organismo destinado à promoção da Alegria do Amor. O novo organismo fundado através da Carta Apostólica Summa familiae cura de Francisco denominar-se-á Instituto Pontifício Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família.

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in Gabinete de Imprensa da Santa Sé, 19/09/2017

Por mais estranho que possa parecer, João Paulo II quis que o instituto fosse fundado precisamente para defender o matrimónio e a família de tendências ideológicas como as que têm sido introduzidas na Igreja através da exortação apostólica Amoris Laetitia, as quais se materializam em práticas pastorais contrárias à doutrina cristã.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado. “No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve o Pontífice.

(in Radio Vaticano, 19/09/2017)

À data da publicação deste motu proprio do Papa Francisco, ou seja ontem, não tinham passado sequer duas semanas depois que o corpo do cardeal D. Carlo Caffarra foi a enterrar. Caffarra, presidente-fundador do agora extinto Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimónio e Família, era um dos quatro signatários da carta dos dubia e o autor da segunda carta dirigida ao Santo Padre.

Basto 9/2017

Dubia: um ano, duas cartas e nenhuma resposta

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Completa-se hoje um ano, mais precisamente 366 dias, depois que os quatro zelosos cardeais enviaram a famosa carta dos dubia ao Santo Padre, no dia 19 de setembro de 2016, para pedir esclarecimentos a respeito da interpretação do documento Amoris Laetitia.

Sete meses depois, a ausência de respostas, assim como a proliferação dos danos provocados na Igreja pelas interpretações anticristãs da controversa exortação apostólica, levou a que nova carta tivesse sido dirigida ao Santo Padre, no dia 25 de abril de 2017, acompanhada de um pedido de audiência.

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Um ano depois da primeira carta, quase meio depois da segunda, dois dos quatro cardeais já faleceram e o Papa continua sem dar a necessária resposta às cinco questões colocadas.

Quando é que o Santo Padre se dignará a responder finalmente aos cardeais? Não representarão eles uma das “periferias” da Igreja que necessita de ser escutada? A periferia da defesa da Verdade Cristã talvez, que parece cada vez mais afastada do centro e arredores da Igreja.

Basto 9/2017

Morre o segundo cardeal dos “dubia” sem obter resposta do Papa

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O cardeal D. Carlo Caffarra, arcebispo emérito de Bolonha (Itália), faleceu hoje aos 79 anos de idade. Morreu em paz enquanto dormia.

D. Carlo Caffarra era doutorado em direito canónico e especializado em teologia moral. Em 1981, o  Papa João Paulo II confiou-lhe a importante tarefa de fundar um instituto para estudos sobre o matrimónio e a família. Foi a ele que a Ir. Lúcia, vidente de Fátima, revelou uma importante profecia quecomo o próprio admitiu está agora a concretizar-se.

A união entre um homem e uma mulher, que se tornam uma só carne, é cooperação humana no ato criador de Deus.

(D. Carlo Caffarra no Fórum da Vida, Roma, 19/05/2017)

Quase um ano depois da carta dos dubia e depois de uma segunda carta acompanhada de um pedido de audiência, metade dos seus signatários já faleceram e o Santo Padre ainda não respondeu.

Basto 9/2017

Criticou os cardeais dos dubia e foi recebido pelo Papa em audiência

Os três cardeais dos dubia – eram quatro, mas entretanto um deles acabou por falecer neste compasso de espera – que solicitaram formalmente uma audiência ao Papa, destinada ao esclarecimento das dúvidas de interpretação da exortação apostólica Amoris Laetitia, ainda não conseguiram ser recebidos. O mesmo não aconteceu a Stephen Walford, um semi-desconhecido autor britânico, que recentemente foi recebido, juntamente com toda a sua família, numa longa audiência privada com o Santo Padre que terá durado aproximadamente 45 minutos.

Este acontecimento foi dado a conhecer pelo próprio Stephen Walford que publicou várias fotos nas suas páginas do Twitter e do Facebook, aproveitando o momento para promover o seu livro.

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in LifeSiteNews, 31/08/2017

O nome de Stephen Walford tornou-se mundialmente conhecido nos media católicos quando, no passado mês de junho, publicou uma carta aberta muito crítica dirigida aos cardeais dos dubia.

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in La Stampa, 27/06/2017

Nessa carta, o auto-esclarecido autor, professor e pianista, passou um forte raspanete não só aos quatro cardeais mas também a todos os católicos tradicionais que partilham das mesmas preocupações dos signatários dos dubia, “inclusive daqueles que têm páginas na internet e blogues” a quem acusou de “abuso” e de serem motivados por “algo de satânico”.

Da nossa parte, o sr. Stephen Walford, a quem agradecemos a preocupação, pode contar com a nossa persistência na defesa da imutável Verdade Cristã e na denúncia das situações em que Ela é posta em causa. Há de facto “algo de satânico” em todo este enredo, que é obviamente esta insistente tentativa de conciliar a Sagrada Comunhão com o pecado.

Mas voltando à audiência, não foi esta atitude do Santo Padre mais uma resposta clara e enviesada ao problema dos dubia?

Basto 9/2017

Sítio oficial do Vaticano publica carta de Francisco aos bispos de Buenos Aires

Como reparou a publicação espanhola InfoCatólica, o sítio oficial da Santa Sé passou a disponibilizar online, a partir deste mês de agosto, a carta através da qual o Papa Francisco I autorizou explicitamente os bispos de Buenos Aires a abrir a Sagrada Comunhão a adúlteros não arrependidos da Argentina. Deste forma, e tal como acontece com outros documentos papais, as indicações dadas pelo Santo Padre nesta carta, que já era oficial, veem o seu âmbito alargado à escala universal.

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in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Neste momento, são já poucas as pessoas que ainda não ultrapassaram completamente a fase de negação da realidade, ao mesmo tempo que aumenta gradualmente o grupo dos aderiram à nova doutrina. Mas como um dia haveremos de prestar contas diante de Deus, não só pelos nossos atos mas também pelo nosso silêncio, convém lembrar que, nessa carta, o Santo Padre disse claramente aos bispos da Argentina que “não há outras interpretações” possíveis do “Capítulo VIII da Amoris Laetitia, elogiando a sua proposta pastoral que prevê a abertura da Sagrada Comunhão a pessoas decididas a permanecer em situação de adultério.

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in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Deste modo, a aprovação e o apreço manifestados pelo Papa são, mais uma vez, divulgados para todo o mundo e de modo oficial. É uma resposta clara, embora enviesada, aos famosos dubia. Algo que já tinha sido feito no ano passado, ainda que de forma não tão oficial, através do L’Osservatore Romano e da Radio Vaticano.

Nessa altura, a maior parte da Igreja Católica não viu ou não quis ver.

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in Sítio oficial do Vaticano, agosto de 2017

Um ano depois, a opção por não ver continua naturalmente ao dispor de cada um, dentro da liberdade que Deus nos deu.

Basto 8/2017

Correção Formal ao Papa Francisco: 12 factos que é preciso conhecer

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Por Dorothy Cummings McLean

ROMA, Itália, 18 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Em entrevista ao The Wanderer, no dia 14 de agosto, o cardeal Leo Burke afirmou ser “necessária” uma “correção” formal de alguns dos ensinamentos do Papa Francisco a respeito do casamento e da família.

Aqui estão 12 factos sobre a correção proposta:

1) A correção será uma tentativa de eliminar a confusão e sanar as divisões na Igreja Católica causadas por divergentes interpretações da exortação pós-sinodal, do Papa Francisco, Amoris Laetitia.

2) A correção seguirá os cinco dubia (perguntas) sobre as implicações doutrinais dos parágrafos 300 a 305 da Amoris Laetitia enviados ao Papa Francisco e ao Cardeal Gerhard Müller, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 19 de setembro de 2016.

3) Os dubia, assim como a carta anexa, foram assinados pelos cardeais Walter Brandmüller, Carlo Caffarra, Joachim Meisner (agora falecido) e Raymond Burke.

4) O Papa Francisco optou por não responder aos dubia e, por conseguinte, a confusão e a divisão a respeito da Amoris Laetitia mantêm-se dentro da Igreja Católica, necessitando de uma correção.

5) Como evidência desta divisão, afirmou o cardeal Burke ao The Wanderer, “Os bispos contam-me que, quando insistem no verdadeiro ensinamento da Igreja a respeito das uniões matrimoniais irregulares, as pessoas simplesmente rejeitam os seus ensinamentos. Dizem que outro bispo ensina de modo diferente e eles preferem segui-lo”.

6) Como evidência adicional da divisão, o cardeal Burke citou o arcebispo de Malta, que declarou que os bispos malteses “seguem o ensinamento do Papa Francisco e não o de outros Papas”, uma afirmação que o cardeal Burke considera “chocante”.

7) Apesar de não ter acontecido durante séculos uma correção formal a um Pontífice reinante em questões doutrinárias, já houve correções a Papas anteriores em várias questões, incluindo assuntos administrativos.

8) A correção proposta afirmará o ensino claro da Igreja Católica a respeito do casamento, família, atos intrinsecamente maus e outros assuntos postos em causa pela Amoris Laetitia, confrontando-os com o que tem sido “de facto ensinado” pelo Papa Francisco.

9) Se houver uma correção, ela chamará o Papa Francisco a corrigir os seus ensinamentos em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja.

10) A correção constituirá uma declaração formal à qual o Papa Francisco será, na opinião do cardeal Burke, “obrigado” a responder.

11) O cardeal Burke afirmou que o Pontífice Romano é o princípio da unidade entre todos os bispos, tendo portanto a responsabilidade de pôr termo à atual divisão entre os bispos através de um pronunciamento claro do ensinamento da Igreja.

12) Rejeitando qualquer tipo de cisma formal, o cardeal Burke acredita que existe atualmente apostasia dentro da Igreja, conforme fora previsto por Nossa Senhora de Fátima.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 18  de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

Cardeal Burke: Como se configurará a correção formal ao Papa Francisco

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Por Pete Baklinski

16 de agosto, 2017 (LifeSiteNews) – Uma vez que o Papa Francisco optou por não responder às cinco questões sobre se a sua exortação Amoris Laetitia está em conformidade com os ensinamentos católicos, torna-se “necessária” uma “correção” das orientações em que o seu ensinamento se afasta da fé católica, disse o Cardeal Raymond Burke numa nova entrevista .

O Cardeal, que é um dos quatro que, há quase um ano, assinaram os dubia para pedirem ao Papa a clarificação dos seus ensinamentos, explicou, em entrevista ao The Wanderer, como prosseguiria o processo para a realização de uma “correção formal”.

“Parece-me que a essência da correção é bastante simples”, explicou Burke.

“Por um lado, define-se o ensino claro da Igreja; por outro lado, é apresentado o que é realmente ensinado pelo Pontífice Romano. Se houver uma contradição, o Pontífice Romano é chamado a corrigir o seu próprio ensinamento em obediência a Cristo e ao Magistério da Igreja”, afirmou.

“Levanta-se a questão: Como seria isso feito? É feito muito simplesmente por uma declaração formal à qual o Santo Padre seria obrigado a responder. Os cardeais Brandmüller, Caffarra, Meisner e eu usamos uma antiga prática da Igreja para propor os dubia ao Papa”, continuou o Cardeal.

“Isso foi feito de uma forma muito respeitosa e não de modo agressivo, a fim de dar-lhe a oportunidade de afirmar o ensino imutável da Igreja. O Papa Francisco escolheu não responder aos cinco dubia, portanto agora é necessário simplesmente afirmar o que a Igreja ensina sobre o casamento, a família, atos intrinsecamente maus e assim por diante. Estes são os pontos que não são claros nos atuais ensinamentos do Pontífice Romano; portanto, esta situação deve ser corrigida. A correção incidiria então principalmente sobre esses pontos doutrinários”, acrescentou.

No ano passado, os quatro cardeais trouxeram a público as suas perguntas (dubia) depois que o Papa não lhes ter dado uma resposta. Eles esperavam que, respondendo às suas cinco perguntas de sim-ou-não, o Papa dissiparia o que eles chamavam de “incerteza, confusão e desorientação entre muitos fiéis” decorrentes da controversa exortação.

Em junho, os quatro cardeais publicaram uma carta dirigida ao Papa na qual pediram, sem sucesso, uma audiência privada para discutir “a confusão e a desorientação” existente dentro da Igreja devido à exortação.

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Da esquerda para a direita, primeiro em cima e depois em baixo: cardeais Raymond Burke, Joachim Meisner (agora falecido), Walter Brandmüller e Carlo Caffarra

A exortação tem sido usada por vários bispos e grupos de bispos, incluindo os da Argentina, Malta, Alemanha e Bélgica, para emitir diretrizes pastorais que autorizam que a Comunhão seja dada a católicos divorciados-civilmente-recasados a viver em adultério. Mas os bispos do Canadá e da Polónia emitiram declarações, com base na leitura do mesmo documento, proibindo tais casais de receber a Comunhão.

O papa Francisco não entrou ainda em diálogo com os três restantes cardeais.

Burke afirmou na entrevista ao The Wanderer que o Papa é o “princípio da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

“No entanto, a Igreja está a despedaçar-se neste momento com confusão e divisão”, disse ele.

“O Santo Padre deve ser chamado a exercer o seu ofício para pôr fim a isto”, acrescentou.

Se o Papa mantiver a sua recusa em responder aos dubia, o “próximo passo seria uma declaração formal reafirmando os ensinamentos claros da Igreja, conforme o estabelecido nos dubia“, disse Burke.

“Para além disso, seria declarado que essas verdades da Fé não estão a ser afirmadas com clareza pelo Pontífice Romano. Por outras palavras, em vez de colocar as perguntas conforme foi feito nos dubia, a correção formal daria as respostas de forma clara, em conformidade com o que os ensinamentos Igreja”, acrescentou.

É  amplamente consensual que os Cardeais, seguindo as doutrinas da Igreja sobre o casamento, a confissão e a Eucaristia, responderiam às cinco perguntas de sim-ou-não deste modo:

  1. Seguindo as afirmações da Amoris Laetitia (n. 300-305), um casal adúltero habitual pode obter a absolvição e receber a Sagrada Comunhão? NÃO
  2. Com a publicação da Amoris Laetitia (ver n. 304), ainda se pode considerar válido o ensinamento de São João Paulo II, na Veritatis Splendor, de que existem “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus e que são vinculantes sem exceções”? SIM
  3. Depois da Amoris Laetitia (n. 301), ainda se pode afirmar que o adultério habitual pode ser uma “situação objetiva de pecado grave habitual”? SIM
  4. Após as afirmações de Amoris Laetitia (n. 302) são os ensinamentos de João Paulo II na Veritatis Splendor ainda válidos de que “circunstâncias ou intenções nunca podem transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato ‘subjetivamente’ honesto ou defensível como opção”? SIM
  5. Depois da Amoris Laetitia (n. 303), ainda é necessário considerar válido o ensinamento da encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II “que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar exceções às normas morais absolutas que proíbem ações intrinsecamente más pelo próprio objeto”? SIM

O cardeal Burke afirmou que os fiéis católicos que estão frustrados com a liderança do Papa Francisco na Igreja não devem considerar alguma ideia de “cisma”.

“As pessoas falam de um cisma de facto. Eu sou absolutamente contrário a qualquer tipo de cisma formal – um cisma nunca pode ser correto”, disse ele.

“As pessoas podem, no entanto, estar a viver numa situação cismática se o ensino de Cristo foi abandonado. A palavra mais apropriada seria a única que Nossa Senhora usou na sua Mensagem de Fátima: apostasia. Pode haver apostasia dentro da Igreja e, de facto, é o que está a acontecer. Relacionado com a apostasia, Nossa Senhora também se referiu à falha dos pastores em manter a Igreja unida”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 16 de agosto de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 8/2017

E depois passaram a três, e agora?

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Por Christopher A. Ferrara

Com a súbita morte do cardeal Joachim Meisner, os quatro “cardeais dos dubia” ficaram reduzidos a três, sem que nenhum deles tenha realizado alguma ação para corrigir os erros da Amoris Laetitia, que se espalharam por toda a Igreja de forma inédita e verdadeiramente apocalíptica, fraturando uma disciplina eucarística universal e bimilenar enraizada na verdade revelada sobre a indissolubilidade do matrimónio e a santidade infinita do Santíssimo Sacramento.

Dadas as idades dos três restantes (Cardeal Brandmüller, 88, Cardeal Caffarra, 79 e Cardeal Burke, 69), uma diminuição adicional do seu número no curto prazo é uma possibilidade real. Perguntamo-nos se todos eles simplesmente passarão desta terra sem nunca terem emitido a prometida “correção formal”. Qual foi então o propósito da sua intervenção pública inicial quando solicitaram respostas aos cinco dubia que esbarraram no intransigente silêncio do Papa Bergoglio durante já quase um ano (como se não conhecêssemos já as respostas)? E qual era o objetivo de solicitar publicamente uma audiência com o Papa quando, como os cardeais ainda vivos certamente sabem, ele não tem intenção de alguma vez se deixar confrontar com seus erros, mas sim todas as intenções de promovê-los com piscadelas de olho, acenos de cabeça, declarações particulares e nomeações estratégicas para o episcopado e para o Colégio de Cardeais?

Entretanto, Bento XVI, o único “Papa Emérito” da história da Igreja – uma novidade que ele próprio inventou – ainda acrescentou mais àquilo que deve ser chamado de dimensão burlesca desta situação incomparável. Numa carta lida no funeral do Cardeal Meisner, ele diz:

Sabemos que este apaixonado pastor teve dificuldade em deixar o seu cargo, especialmente num momento em que a Igreja necessita particularmente de pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época e que vivem e pensam a fé com determinação. No entanto, o que mais me impressionou foi que, neste último período da sua vida, ele aprendeu a deixar passar e a viver de uma profunda convicção de que o Senhor não abandona a Sua Igreja, mesmo se a barca meteu tanta água a ponto de estar à beira de virar.

Considere-se a enorme implicação deste breve texto:

  • Bento XVI abandonou o seu posto, embora soubesse que a Barca de Pedro estava “à beira de virar”.
  • Bento elogia Meisner como um dos “os pastores convincentes que podem resistir à ditadura do espírito da época”, sabendo muito bem que Meisner e os outros três cardeais dos dubia confrontaram nada menos que o Pastor Universal com erros morais de consequências catastróficas, que representam precisamente uma entrega à ditadura do espírito da época, erros sobre os quais Bento nada dirá.
  • Bento diz que “o Senhor não abandona a Sua Igreja” precisamente no momento em que o comportamento do atual ocupante da cadeira de Pedro faz temer que a Igreja tenha, como é impossível, sido abandonada pelo Senhor. Ele escreve como se não tivéssemos um Papa cuja governação é a fonte desse medo.
  • Bento elogia Meisner porque ele “aprendeu a deixar passar” e presume que Cristo protegerá a Igreja, mesmo que os cardeais e os outros membros da hierarquia não façam nada para cumprir o seu dever de defensores da Fé contra um Papa claramente inclinado a impor desastrosas “reformas” que nenhum Papa anterior teria ousado sequer considerar. Meisner, com quem Bento XVI havia falado pouco antes da sua morte, abandonou qualquer intenção de procurar a mais do que razoável “correção formal”?

Na mesma linha, no mês passado, Bento XVI pronunciou esta enigmática observação durante a visita, à sua residência no Vaticano, do Papa Bergoglio acompanhado dos seus cinco novos cardeais que adicionou ao seu corpo crescente de tropas de choque reformistas: “O Senhor vence no final.” É um estranho comentário para se fazer a um grupo de recém-criados cardeais. Estará Bento XVI a sugerir – é difícil evitar a implicação – que o Senhor irá derrotá-los, assim como ao Papa que os criou?

Nessa ocasião – diga-se de passagem – o “Papa Emérito”, que abdicou da cadeira de Pedro porque supostamente não podia continuar a desempenhar os deveres do papado, falou sem esforço com os novos cardeais e fluentemente nas suas várias línguas nativas. Administrou depois uma bênção em conjunto com o Papa Bergoglio, pronunciando as palavras da bênção enquanto Bergoglio permanecia em silêncio, reforçando assim a impressão de que agora existem dois Papas que se posicionam acima dos cardeais e lhes podem dar uma bênção apostólica.

A situação torna-se cada vez mais estranha. A partir de uma perspetiva puramente histórica, seria fascinante. Mas, da perspetiva de Fátima, é a concretização de uma profecia terrível para o nosso tempo. Os fiéis questionam-se: “E agora?”, enquanto esperam a resposta dramática que o Céu certamente providenciará.

A edição original deste texto foi publicada pelo Fatima Center no dia 17 de julho de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do texto acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 7/2017

Cardeais voltam a escrever ao Papa e pedem audiência

Depois de mais de meio ano sem resposta e depois dos constantes atropelos à doutrina católica, depois de tantos sacrilégios cometidos contra a Sagrada Eucaristia baseados nas interpretações erradas da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, os cardeais signatários da carta dos dubia enviam nova carta ao Papa Francisco pedindo-lhe para serem recebidos em audiência.

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“A nossa consciência força-nos…”

Beatíssimo Padre,

é com uma certa trepidação que me dirijo a Vossa Santidade nestes dias do tempo pascal. Faço-o em nome dos Em.mos Senhores Cardeais Walter Brandmüller, Raymond L. Burke, Joachim Meisner, e em meu próprio nome.

Desejamos antes de mais renovar a nossa absoluta dedicação e o nosso amor incondicionado à Cátedra de Pedro e à Vossa augusta pessoa, na qual reconhecemos o Sucessor de Pedro e o Vicário de Jesus: o “doce Cristo na terra”, como gostava de dizer Sta. Catarina de Sena. Não é a nossa em absoluto aquela posição de quantos consideram vacante a Sede de Pedro, nem a de quem pretende atribuir também a outros a responsabilidade indivisível do “munus” petrino. Move-nos tão-só a consciência da responsabilidade grave que provém do “munus” cardinalício: ser conselheiros do Sucessor de Pedro no seu ministério soberano; e do Sacramento do Episcopado, que “nos constituiu como bispos para apascentar a Igreja, por Ele adquirida com o seu próprio sangue” (Act 20, 28).

A 19 de Setembro de 2016, entregámos a Vossa Santidade e à Congregação para a Doutrina da Fé cinco “dubia”, rogando-Lhe que dirimisse incertezas e fizesse clareza sobre alguns pontos da Exortação Apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia”.

Não tendo recebido qualquer resposta da parte de Vossa Santidade, chegámos a decisão de, respeitosa e humildemente, pedir-Lhe Audiência, conjunta, se assim Lhe aprouver. Juntamos, como é praxe, uma Folha de Audiência em que expomos os dois pontos que desejaríamos poder tratar com Vossa Santidade.

Beatíssimo Padre,

passou já um ano desde a publicação de “Amoris Laetitia”. Neste período foram dadas em público interpretações de alguns passos objectivamente ambíguos da Exortação pós-sinodal, não divergentes do, mas contrárias ao permanente Magistério da Igreja. Conquanto o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tenha declarado mais de uma vez que a doutrina da Igreja não mudou, apareceram numerosas declarações de bispos, cardeais e até mesmo de conferências episcopais, que aprovam o que o Magistério da Igreja jamais aprovou. Não apenas o acesso à Santa Eucaristia daqueles que objectiva e publicamente vivem numa situação de pecado grave, e pretendem nela continuar, mas também uma concepção da consciência moral contrária à Tradição da Igreja. Sucede assim – oh, e quão doloroso é vê-lo! – que o que é pecado na Polónia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese de Filadélfia é lícito em Malta, e assim por diante. Vem-nos à mente a amarga constatação de B. Pascal: “Justiça do lado de cá dos Pirenéus, injustiça do lado de lá; justiça na margem esquerda do rio, injustiça na margem direita”.

Numerosos leigos competentes, que amam profundamente a Igreja e são solidamente leais à Sé Apostólica, dirigiram-se aos seus Pastores e a Vossa Santidade, para serem confirmados na Santa Doutrina no que respeita aos três sacramentos do Matrimónio, da Confissão e da Eucaristia. Aliás, nestes últimos dias, em Roma, seis leigos provenientes de todos os Continentes propuseram um Seminário de estudo que contou com grande assistência, e que deu pelo título significativo de: “Fazer clareza”.

Diante de tão grave situação, em que muitas comunidades cristãs se estão a dividir, sentimos o peso da nossa responsabilidade, e a nossa consciência força-nos a pedir humilde e respeitosamente Audiência.

Apraza a Vossa Santidade recordar-se de nós nas Vossas orações, como nós Vos asseguramos que o faremos nas nossas; e pedimos o dom da Vossa Bênção Apostólica.

Carlo Card. Caffarra

Roma, 25 de Abril de 2017

Festa de São Marcos Evangelista

*
FOLHA DE AUDIÊNCIA
1. Pedido de clarificação dos cinco pontos indicados nos “dubia”; razões para tal pedido.
2. Situação de confusão e desorientação, sobretudo entre os pastores de almas, “in primis” os párocos.

Esta nova carta foi divulgada no passado dia 19 de junho no blogue Settimo Cielo do conhecido vaticanista Sandro Magister.

Basto 6/2017

Aborto e homossexualidade mostram que chegou a “batalha final” entre Deus e Satanás – Cardeal Caffarra

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Por Dorothy Cummings McLean e Pete Baklinski

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – A profecia da Irmã Lúcia, vidente de Fátima, de que a batalha final entre Deus e Satanás será sobre o casamento e a família está a ser hoje cumprida, afirmou um cardeal discursando numa conferência católica em Roma.

“O que disse a Irmã Lúcia naqueles dias está a cumprir-se nestes nossos dias”, disse o Cardeal Carlo Caffarra, um dos signatários dos dubia que é arcebispo emérito de Bolonha e ex-membro do Conselho Pontifício para a Família, numa sessão de perguntas e respostas posterior ao seu discurso.

Caffarra fez os seus comentários no IV Fórum anual da Vida em Roma. Depois da sua apresentação, o cardeal Raymond Burke, outro signatário dos dubia, pediu para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Caffarra, que é o presidente fundador do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimónio e a Família, fez os seus comentários a respeito da “batalha final” em alusão a uma carta que escreveu à Ir. Lúcia, no início dos anos 80, para pedir as suas orações, quando iniciou a sua nova tarefa de fundar o instituto. Ele nunca esperara uma resposta.

Porém, para sua surpresa, Caffarra recebeu uma longa carta assinada pela Ir. Lucia, na qual falava sobre a “batalha final” que chegaria no fim dos tempos.

A vidente de Fátima escreveu que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será a respeito do Matrimónio e da Família. Não temam, acrescentou, porque qualquer pessoa que atue a favor da santidade do Matrimónio e da Família será sempre combatida e enfrentada de todas as formas, porque este é o ponto decisivo. Depois concluiu: entretanto, Nossa Senhora já esmagou sua cabeça’”.

A carta está agora nos arquivos do Instituto Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Matrimónio e a Família.

A batalha

Caffarra explicou, durante a sua apresentação, que existem duas forças que se opõem uma à outra na batalha. Uma é o “Coração ferido do Crucificado-Ressuscitado”, que chama a todos os homens para si mesmo. A outra é o “poder de Satanás, que não quer ser expulso do seu reino”.

O cardeal disse que o lugar onde esta batalha acontece é o coração humano.

“Jesus, a Revelação do Pai, exerce forte atração para Si mesmo. Satanás trabalha contra isso, para neutralizar a força atrativa do Crucificado-Ressuscitado. A força da verdade que nos torna livres atua no coração do homem. A força satânica da mentira é a que faz de nós escravos”, disse ele.

As duas forças de atração dão origem a duas culturas, afirmou, a “cultura da verdade e a cultura da mentira”.

“Há um livro na Sagrada Escritura, o último, o Apocalipse, que descreve o confronto final entre os dois reinos. Nesse livro, a atração de Cristo toma a forma de triunfo sobre os poderes inimigos comandados por Satanás. É um triunfo que surge depois de um longo combate. Os primeiros frutos da vitória são os mártires”, disse ele.

Caffarra disse ainda que o aborto legalizado provém da “cultura da mentira”, onde o “crime” de assassinar um ser humano é visto como um “bem”.

O aborto é um “ato sacrílego”, disse ele, acrescentando que é a “negação mais profunda da verdade do homem”.

“A razão pela qual o homem não deve derramar o sangue do homem é porque o homem é a imagem de Deus. Através do homem, Deus habita na Sua criação. Essa criação é o templo do Senhor porque o homem habita nela. Violar a intangibilidade da pessoa humana é um ato sacrílego contra a Santidade de Deus. É a tentativa satânica de gerar uma anti-criação. Ao enobrecer a matança de seres humanos, Satanás lançou as bases para sua criação: remover da criação a imagem de Deus, obscurecer Sua presença nela”, disse ele .

O cardeal explicou que o “casamento” homossexual também provém da “cultura da mentira”, uma vez que “nega completamente a verdade do casamento” conforme procede da “mente de Deus, o Criador”.

“A Divina Revelação disse-nos como Deus entende o casamento: a união legal de um homem e uma mulher, a fonte da vida. Na mente de Deus, o casamento tem uma estrutura permanente, baseada na dualidade do modo humano de ser: feminilidade e masculinidade. Não dois polos opostos, mas um com e para o outro”, disse ele.

“A união entre um homem e uma mulher, que se tornam uma só carne, é cooperação humana no ato criador de Deus”, acrescentou.

Satanás, ao impulsionar as mentiras do aborto e da homossexualidade, está a tentar destruir os dois pilares mais importantes da criação, a “pessoa humana” criada à imagem de Deus e a “união conjugal” entre um homem e uma mulher.

“A elevação axiológica do aborto a direito subjetivo é a demolição do primeiro pilar. O enobrecimento de uma relação homossexual, equiparando-a ao casamento, é a destruição do segundo pilar “, afirmou Caffarra.

O objetivo final de Satanás é “construir uma anti-criação real”, uma “criação alternativa”, onde Deus e todos os sinais da sua beleza e bondade foram apagados.

“Este é o último e terrível desafio que Satanás está a lançar contra Deus”, acrescentou o Cardeal.

Ser um fiel seguidor de Cristo nestes tempos significa “testemunhar… aberta e publicamente” a verdade da criação de Deus a respeito da dignidade da pessoa humana e do casamento.

“Alguém que não testemunha desta maneira é como um soldado que foge no momento decisivo da batalha. Já não somos testemunhas mas desertores, se não falarmos aberta e publicamente”, disse ele.

Caffarra elogiou os eventos pró-vida da Marcha pela Vida que acontecem em todo o mundo como um “grande testemunho” da verdade a respeito do valor de cada pessoa.

Ele comparou os cristãos que defrontam o pecado aos médicos que combatem a doença, explicando à audiência que tal como perante a doença não pode haver acordo de paz, o mesmo acontece com o pecado.

“Seria um médico terrível aquele que adotasse uma atitude irenista (voltada para a paz) perante a doença”, disse ele. O significado do ditado de Santo Agostinho “Amar o pecador, odiar o pecado”, explicou o cardeal, significa “caçar o pecado”. Persegui-lo nos lugares escondidos das suas mentiras e condená-lo, trazendo à luz a sua insubstancialidade”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Basto 5/2017

Estamos a testemunhar a profecia de São João Paulo II sobre a “anti-Igreja” – afirma sacerdote católico

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Relâmpago atinge o Vaticano, a 11 de fevereiro, poucas horas depois de Bento XVI ter anunciado a sua resignação – LifeSiteNews

Por Pete Baklinski

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – A advertência profética de São João Paulo II sobre o aparecimento de uma “anti-Igreja” que prega um “anti-Evangelho” é hoje cumprida por líderes dentro da Igreja Católica, mesmo nos mais altos níveis, declarou hoje um padre numa palestra proferida durante uma conferência em Roma.

O Pe. Linus Clovis, da Family Life International [organização católica de defesa da família],  afirmou no seu discurso no Fórum pela Vida, em Roma, organizado pela Voice of the Family [Voz da Família], que o anti-Evangelho da anti-Igreja é muitas vezes “indistinguível da ideologia secular, que reverteu tanto a lei natural como os Dez Mandamentos.”

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Pe. Linus Clovis no Fórum da Vida, Roma, 2015 – LifeSiteNews

“Este anti-Evangelho, que procura dirigir a vontade do indivíduo para o consumo, para o prazer e para o poder em detrimento da vontade de Deus, foi rejeitado por Cristo nas tentações do deserto. Disfarçado de direitos humanos, reapareceu, com toda a sua arrogância luciferina, para promulgar uma atitude narcisista e hedonista que rejeita qualquer restrição, exceto as impostas por leis humanas”, disse ele.

Durante sua visita à América, há 41 anos, o cardeal Karol Wojtyla, arcebispo de Cracóvia, que dois anos mais tarde se tornaria Papa João Paulo II, transmitiu a sua mensagem profética, em Filadélfia, por ocasião do aniversário bicentenário da independência americana. Wojtyla dizia então:

Estamos agora diante do maior confronto histórico que a humanidade jamais atravessou. Não creio que grandes círculos da sociedade americana ou grandes círculos da comunidade cristã percebam isso completamente. Estamos agora a travar o confronto final entre a Igreja e a anti-Igreja, do Evangelho contra o anti-Evangelho.

Temos de estar preparados para sofrer grandes provações num futuro não muito distante; provações que requerem a prontidão para abdicar até mesmo das nossas vidas e uma entrega total de nós mesmos a Cristo e por Cristo. Através das vossas e das minhas orações, é possível aliviar esta tribulação, mas já não é possível evitá-la… Quantas vezes a renovação da Igreja proveio do sangue? Desta vez não será diferente.

Clovis explicou que, enquanto a ascensão da anti-Igreja tem vindo a acontecer de forma lenta mas sólida nas últimas décadas, a sua emergência tem sido especialmente percetível nos últimos anos.

“Durante o último meio-século, tem havido uma crise crescente na Igreja, decorrente tanto da falta de ensinamentos claros e inequívocos, como do clima de dissidência entre os sacerdotes, religiosos e leigos. Dentro da Igreja contemporânea, a crise atingiu um ponto de ebulição, senão mesmo de rutura, pela rejeição do paradigma sim/não de Nosso Senhor e pelo enfraquecimento de posições doutrinárias estabelecidas através de práticas pastorais inconstantes”, disse ele.

Ele observou que existe um sentimento entre os fiéis católicos de que “as coisas eclesiásticas e católicas estão a desmoronar-se e uma anarquia pastoral foi lançada sobre a Igreja”. Fez saber que existe um “exercício oculto do poder”, atualmente em funcionamento dentro da Igreja, que fomenta essa anarquia.

Consegue reformar o processo de anulação do casamento sem a habitual consulta dos respetivos dicastérios romanos; emitir uma ampla e mordaz repreensão à Cúria Romana num discurso de Natal; limpar a composição de um dicastério, o que efetivamente invalida a influência do seu prefeito, que se opôs firmemente às inovações que prejudicam os ensinamentos sobre o casamento e os princípios da liturgia; atacar os Frades Franciscanos da Imaculada; e encerrar o campus de Melbourne do Instituto João Paulo II.

Clovis explicou que o apoio ao aparecimento da anti-Igreja é um ataque direto ao próprio “pilar da criação” e ao fundamento da ordem social, nomeadamente, a verdade sobre a relação entre o homem e a mulher expressa no casamento e na família. Lembrou como a Irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima, dissera uma vez que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satanás será sobre o casamento e a família”.

“É bem sabido que qualquer adulteração de uma pedra angular arrisca o colapso de todo o edifício”, disse ele. “A pedra angular, a célula básica da sociedade é o casamento e a família”.

E a anti-Igreja está a trabalhar tanto quanto pode para minar essa pedra angular.

“Através da aceitação tácita da contraceção e do divórcio, do recente abraço misericordioso aos divorciados civilmente recasados ​​e do benigno assentimento ao casamento homossexual, a pedra angular foi adulterada e o ponto ómega foi atingido”, explicou Clovis.

Ele observou como o secularismo ateu que alimenta a anti-Igreja tem “trabalhado para a falência da família, sendo o seu espírito impulsionador, a ideologia LGBT; a sua face pública, a correção política, o seu vestido de domingo, a inclusividade e o não-julgamento“.

Ele advertiu os católicos como a anti-Igreja tentará enganar os fiéis, fazendo-se passar pela a verdadeira Igreja.

É claro que a Igreja Católica e a anti-Igreja coexistem no mesmo espaço sacramental, litúrgico e jurídico. Esta última, tendo crescido, está agora a tentar passar-se pela verdadeira Igreja, fazendo o que pode para tentar induzir ou forçar os fiéis a tornarem-se adeptos, promotores e defensores de uma ideologia secular.

Se a anti-Igreja conseguir dominar todo o espaço da verdadeira Igreja, os direitos do homem suplantarão os direitos de Deus, através da profanação dos sacramentos, da profanação do santuário e do abuso do poder apostólico.

Então, os políticos que votam a favor do aborto e do casamento homossexual serão bem-vindos nas filas para Comunhão; maridos e esposas que abandonaram os seus cônjuges e filhos, para terem relações adúlteras, serão admitidos aos sacramentos; sacerdotes e teólogos que rejeitam publicamente a doutrina e a moral católica terão liberdade para exercer o ministério e promover a dissidência, enquanto os fiéis católicos serão marginalizados, caluniados e desacreditados. Deste modo, a anti-Igreja consegue alcançar seu objetivo de destronar a Deus como Criador, Salvador e Santificador, para O substituir pelo homem, o auto-criador, o auto-salvador e o auto-santificador.

Clovis disse ainda que a anti-Igreja trabalha para alcançar o seu objetivo de superar a verdadeira Igreja, intimidando os fiéis à submissão, incluindo leigos, sacerdotes e bispos.

Na prossecução dos seus objetivos, a anti-Igreja, em colaboração com os poderes seculares, recorre à lei e aos meios de comunicação para intimidar a verdadeira Igreja à submissão. Através do uso hábil dos média, os ativistas da anti-Igreja conseguiram submeter ao silêncio os bispos, o clero e a maioria da imprensa católica. Da mesma forma, os leigos estão aterrorizados pelo medo da hostilidade, do ridículo e do ódio que receberiam se fizessem frente à imposição da ideologia LGBT.

Por exemplo, em 2015, a congregação de São Nicolau de Myra, na Arquidiocese de Dublin, aplaudiu de pé o seu pároco quando este declarou, a partir do púlpito, que era gay e os exortou a apoiar o casamento homossexual no referendo irlandês. Não é difícil imaginar o tipo de tratamento que um opositor teria recebido. Portanto, a ação da influência opressiva da anti-Igreja é mais evidente quando uma pessoa, dentro da sua comunidade paroquial, tem receio de defender abertamente a revelação de Deus a respeito da homossexualidade, do aborto ou da contraceção.

Os adeptos da anti-Igreja apostam principalmente nos sacerdotes e nos bispos para prosseguirem o rumo do anti-Evangelho, sabendo que estes, uma vez submissos, podem influenciar inúmeras almas longe da verdadeira Igreja.

Os sacerdotes e os bispos são os líderes imediatos e mais naturais dos leigos e, acima de tudo, são apanhados no crescente espectro de medo gerado pela anti-Igreja. Além disso, por causa do seu voto clerical de respeito e obediência, o seu medo, sendo reverente, é fortemente agravado, especialmente quando veem a sua classe dividida; a sua unidade quebrada; a constante disciplina sacramental violada; a lei canónica ignorada; o seu espírito de evangelização descartado como proselitismo e um disparate.

No que diz respeito às suas pessoas, são rotulados como pequenos monstros que atiram pedras aos pecadores, ou que reduzem o sacramento da reconciliação a uma câmara de tortura, ou que se escondem atrás dos ensinamentos da Igreja sentados na cadeira de Moisés e que julgam por vezes com superioridade e superficialidade.

Como filhos da Igreja, eles veem-se menos merecedores de um abraço papal do que a arqui-abortista italiana Emma Bonino e ainda menos dignos de reabilitação do que o famoso falso profeta, defensor do aborto e da população global, Paul Ehrlich.

Como sacerdotes, é-lhes dito que devem pedir desculpa aos gays e que a “grande maioria” dos casamentos católicos por eles abençoados são inválidos; além disso, são apelidados de recitadores de orações e, por considerarem importante a ida à Missa e a confissão frequente, são chamados de pelagianos.

Como católicos, e sabendo que os Cinco Primeiros Sábados foram pedidos em reparação das blasfémias cometidas contra Nossa Senhora, são pessoalmente confrontados com reflexões indecentes tais como, no Calvário, onde Ela se tornou a Mãe de todos os redimidos por Cristo, a Santíssima Virgem de Fátima talvez, no Seu coração, desejou dizer ao Senhor: “Mentiras! Mentiras! Eu fui enganada.” Como “as árvores da floresta tremem diante do vento”, assim os corações dos clérigos tremem de medo perante a possibilidade de estarem a ser mais católicos do que o Papa!

Clovis classificou a influência do Papa Francisco dentro da Igreja como uma “grande e verdadeira bênção”, uma vez que os ambíguos ensinamentos papais permitiram que a anti-Igreja emergisse das sombras de forma visível e clara para todos os fiéis. Isso coloca agora os fiéis perante uma escolha clara sobre qual mestre irão seguir.

“Há mais de cem anos que se desenrola um conflito oculto na Igreja: um conflito explicitamente revelado ao Papa Leão XIII, parcialmente contido por São Pio X e desencadeado no Concílio Vaticano II. Sob Francisco, o primeiro Papa jesuíta, o primeiro Papa das Américas e o primeiro Papa cuja ordenação sacerdotal seguiu o Novo Rito, este conflito chegou ao seu máximo, com o potencial de tornar a Igreja menor, mas mais fiel”, afirmou.

Disse ainda que a mais recente exortação de Francisco Amoris Laetitia é um exemplo de uma força exercida hoje dentro da Igreja que ajuda a estabelecer a linha divisória entre a anti-Igreja e a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

“A Exortação Apostólica Amoris Laetitia é o catalisador que dividiu não apenas os bispos e as Conferências Episcopais uns contra os outros, mas também os sacerdotes contra os seus bispos e contra os outros sacerdotes e os leigos, ansiosos e confusos”, afirmou o sacerdote.

“Como um cavalo de Troia, a Amoris Laetitia lança ruína espiritual por toda a Igreja. Como num desafio para um duelo, ela exige a coragem para superar o medo. De uma forma ou de outra, está agora pronta para separar a anti-Igreja, referida por São João Paulo II, da Igreja fundada por Cristo. À medida que a separação começa a acontecer, cada um de nós, tal como os anjos, terá de decidir por si mesmo se prefere estar errado com Lúcifer ou certo sem ele”, acrescentou.

Clovis relacionou as suas ideias principais com o 100.º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. Lembrou que Ela “propôs uma estratégia que, sendo adotada, garantiria a salvação de um grande número de almas”.

“A estratégia exigia que, para «apaziguar Deus, que já estava tão ofendido», três condições importantes deveriam ser satisfeitas, a saber, uma reforma dos costumes com plena adesão às leis naturais e divinas, a devoção aos Cinco Primeiros Sábados e a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”, afirmou.

“Então, para enfatizar ainda mais os perigosos dos tempos que se aproximavam, a Virgem, com preocupação materna, alertou para as consequências de ignorar Sua mensagem: as guerras, a Rússia espalhando seus erros, a perseguição da Igreja e do Santo Padre. Ainda assim, Ela concluiu a Sua mensagem com um sinal de esperança: «por fim, o meu Imaculado Coração triunfará e será dado ao mundo um tempo de paz»”, acrescentou.

Clovis lembrou que os católicos que procuram ser fiéis a Cristo e à Igreja por Ele fundada não precisam de ter medo da atual turbulência a que estão a assistir.

“No Batismo, tornámo-nos membros da Igreja Militante e, na Confirmação, soldados de Cristo; fomos portanto recrutados e armados para um combate mortal contra os três implacáveis ​​inimigos das nossas almas: o mundo, a carne e o diabo”, disse ele.

“Reconhecendo isso «não é contra os seres humanos que temos de lutar, mas contra os Principados, as Autoridades, os Dominadores deste mundo de trevas, e contra os espíritos do mal que estão nos céus», lutamos como os Apóstolos, tomando os mártires por nossos modelos e o próprio Cristo Jesus como nossa recompensa”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 18 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Pe. Linus Clovis, em Roma, no Fórum da Vida de 2015:

O Pe. Linus Clovis é um sacerdote da arquidiocese de Castries, em Santa Lúcia, um pequeno estado insular no arquipélago das Antilhas (Índias Ocidentais), no Mar das Caraíbas.

Basto 5/2017

Francisco acusa os “fanáticos” da doutrina

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Papa Francisco na capela da Casa de Santa Marta, 19/05/2017 – The Vatican

Como de costume, em mais uma das suas homilias, o Santo Padre não especificou exatamente a quem se referia, quem eram “essas pessoas” tão inconvenientes, os tais “ideólogos da doutrina“.

Mas por falar em “discursos”, e talvez não passe mesmo de uma mera coincidência, esta homilia foi pregada precisamente no momento em que teve lugar o IV Fórum da Vida, em Roma, que decorreu nos dias 18 e 19 deste mês, dinamizado pela organização Voice of the Family (Voz da Família). Nesta conferência, os cardeais D. Raymond Burke e D. Carlo Caffarrasubscritores dos dubiae também o bispo D. Athanasius Schneider denunciaram o presente momento de apostasia à luz da mensagem de Fátima. Os seus discursos ecoaram universalmente através das redes sociais.

Durante dois milénios, a Igreja manteve-se unida precisamente por ter conseguido sempre resistir, e muitas vezes à custa do sangue dos mártires, às ideologias mundanas que, como hoje, sempre pretenderam contaminar a Fé verdadeira. O momento atual é crítico, talvez mesmo o mais complicado em toda a história da Igreja. Para além da oração e da penitência, os cristãos necessitam também de esforçar-se por adquirir um mínimo de conhecimentos doutrinais para perceberem por onde atacam realmente as tais ideologias.

Basto 5/2017

Cardeal Burke foi a Fátima e não concelebrou com o Papa Francisco

O cardeal americano D. Raymond Burke esteve em a Fátima para as celebrações do 13 de maio mas, apesar de ter chegado no dia 12, não concelebrou com o Papa Francisco no altar do recinto, na missa de canonização da Jacinta e do Francisco. A sua participação nas celebrações foi muito discreta, mantendo-se anonimamente, entre a multidão, com grupo de peregrinos que o acompanharam na peregrinação à Cova da Iria. No entanto, no dia 14, concelebrou com D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, a missa dominical no altar do recinto do Santuário.

Esta é uma notícia da SIC e do jornal Expresso.

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Cardeal D. Raymond Burke em Fátima na concelebração da missa dominical do dia 14 de maio (no altar do recinto) – SIC Notícias

 

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Cardeal D. Raymond Burke em Fátima (no recinto) – SIC Notícias

 

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Cardeal D. Raymond Burke em Fátima (nos Valinhos) – SIC Notícias

Basto 5/2017

ÚLTIMA HORA: Cardeal Burke apela à consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

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Cardeal Burke discursa no Fórum da Vida, em Roma, a 19 de maio de 2017 – LifeSiteNews

Por John-Henry Westen

ROMA, 19 de maio, 2017 (LifeSiteNews) – O cardeal Raymond Burke fez, esta manhã, um apelo para que os fiéis católicos “trabalhem para a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria”.

O cardeal Burke, que é um dos quatro cardeais que pediram ao Papa Francisco um esclarecimento sobre a Amoris Laetitia, fez o seu apelo no Fórum da Vida, em Roma, no mês do centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos.

Burke é o anterior prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e o atual Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta.

Num discurso abrangente sobre “O segredo de Fátima e uma Nova Evangelização”, o cardeal Burke, na presença do seu colega dos dubia cardeal Carlo Caffarra, o frontal bispo D. Athanasius Schneider do Cazaquistão e mais de 100 líderes pró-vida e pró-família de 20 nações, disse que o triunfo do Imaculado Coração significaria muito mais do que o fim das guerras mundiais e das calamidades físicas que Nossa Senhora de Fátima previra.

“Tão horríveis quanto os castigos físicos associados à rebelião desobediente do homem diante de Deus, infinitamente mais horríveis são os castigos espirituais porque estes estão relacionados com as consequências dos pecados graves: morte eterna”, disse ele.

Concordou com um dos maiores estudiosos de Fátima, Frère Michel de la Sainte Trinité, que dissera que o prometido triunfo do Imaculado Coração de Maria, indubitavelmente, refere-se, antes de tudo, à “vitória da Fé, que porá fim ao tempo da apostasia e das grandes falhas dos pastores da Igreja”.

Voltando à situação atual da Igreja à luz das revelações de Nossa Senhora de Fátima, Burke declarou:

O ensino da Fé, na sua integridade e com coragem, é o cerne do ofício dos pastores da Igreja: o romano pontífice, os bispos em comunhão com a Sé de Pedro e os seus principais colaboradores, os sacerdotes. Por essa razão, o Terceiro Segredo é dirigido, com uma força particular, aos que exercem o ofício pastoral na Igreja. As suas falhas no ensino da Fé, na fidelidade ao constante ensino e prática da Igreja, seja através de uma abordagem superficial, confusa ou mesmo mundana, e o seu silêncio, colocam mortalmente em perigo, no mais profundo sentido espiritual, as mesmas almas pelas quais foram consagrados para cuidar espiritualmente. Os frutos venenosos das falhas dos pastores da Igreja são visíveis num modo de culto, de ensino e de disciplina moral que não são de acordo com a Lei Divina.

O pedido de consagração da Rússia é tido como controverso, mas o Cardeal Burke expôs as razões do seu apelo, de forma simples e direta. “A pedida consagração é, por um lado, um reconhecimento da importância que a Rússia continua a ter no plano de Deus para a paz e, por outro, um sinal de amor profundo para com os nossos irmãos e irmãs da Rússia”, disse ele.

“É certo que o Papa São João Paulo II consagrou o mundo, incluindo a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria, a 25 de março de 1984”, referiu o Cardeal Burke. “Mas hoje, uma vez mais, ouvimos o pedido de Nossa Senhora de Fátima para consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração, de acordo com a Sua instrução explícita”.

A necessidade de uma menção “explícita” da Rússia na consagração, conforme solicitada por Nossa Senhora, foi desejada pelo Papa João Paulo II, mas não foi realizada devido à pressão dos seus assessores. Este facto foi confirmado, mais recentemente, pelo representante oficial do Papa Francisco na celebração do aniversário de Fátima, na semana passada, em Karaganda, no Cazaquistão.

No dia 13 de maio, o cardeal Paul Josef Cordes, antigo presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, recordou a conversa que teve com o Papa João Paulo II depois da consagração de 1984, ocorrida a 25 de março, quando a estátua de Nossa Senhora de Fátima estava em Roma.

“Obviamente, [o Papa] lidou durante muito tempo com aquela missão significativa que a Mãe de Deus havia dado ali aos videntes”, disse Cordes. “No entanto, absteve-se de mencionar a Rússia de forma explícita por causa dos diplomatas do Vaticano que haviam desesperadamente solicitado que ele não mencionasse esse país porque, de outra forma, poderiam surgir conflitos políticos”.

Para aqueles que possam ainda opor-se ao pedido de consagração da Rússia, o Cardeal Burke lembrou as palavras do Papa João Paulo II que, em 1982, durante sua consagração do mundo ao Imaculado Coração, observou: “O apelo de Maria não é apenas para uma vez. O seu apelo deve ser retomado geração após geração, de acordo com os sempre novos “sinais dos tempos”. Deve ser incessantemente respondido. Deve ser sempre retomado de novo.

Instruindo os fiéis, o Cardeal Burke ensinou que Nossa Senhora de Fátima “fornece-nos os meios para irmos fielmente até a Seu Divino Filho e procurarmos Nele a sabedoria e força para trazer a Sua graça salvadora a um mundo profundamente perturbado”.

O Cardeal Burke realçou seis meios que Nossa Senhora ofereceu em Fátima para que os fiéis tomem parte na restauração da paz no mundo e na Igreja:

  1. rezar o terço todos os dias;
  2. usar o escapulário castanho;
  3. fazer sacrifícios pela salvação dos pecadores;
  4. fazer reparação pelas ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria através da devoção dos Cinco Primeiros Sábados; e
  5. converter as nossas vidas cada vez mais a Cristo.
  6. Por último, Ela pede ao pontífice romano para, em união com todos os bispos do mundo, consagrar a Rússia ao Seu Imaculado Coração.

“Por estes meios, ela promete que o Seu Imaculado Coração triunfará, trazendo almas para Cristo, seu Filho”, acrescentou o Cardeal Burke. “Voltando-se para Cristo, eles farão reparação pelos seus pecados. Cristo, pela intercessão de Sua Virgem Mãe, irá salvá-los do Inferno e trará paz ao mundo inteiro”.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 19 de maio de 2017. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

Junte-se ao cardeal Burke no apelo à consagração da Rússia – assine a petição.

Basto 5/2017

Cardeal Burke mantém a intenção de corrigir os erros resultantes da Amoris Laetitia

Em resposta à questão colocada por um sacerdote, enquanto discursava na igreja paroquial de São Raimundo de Peñafort, em Springfield, Virginia, nos EUA, o cardeal Burke desmentiu o rumor de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa no que concerne às interpretações erradas do capítulo 8 da controversa exortação apostólica Amoris Laetitia, nomeadamente no que se refere à abertura da Sagrada Comunhão a adúlteros não arrependidos.

Pe. De Celles: Se não houver resposta [aos”dubia”], qual será a resposta dos quatro cardeais?

Cardeal Burke: Então deveremos simplesmente corrigir a situação, novamente de uma forma respeitosa, que é simplesmente isso: deduzir a resposta às perguntas com base no ensino constante da Igreja e torná-lo conhecido para o bem das almas.

(Tradução: Fratres in Unum, 27/03/2017)

A recente afirmação do cardeal Raymond Burke, um dos signatários do “Apelo ao Papa por Esclarecimento”, mais conhecido com a carta com os “dubia”, tem relevância precisamente no presente momento em que se generalizou o rumor, com origem no famoso blogue Anonimi della Croce, de que já não iria haver uma “correção formal” ao Papa.

O Papa Francisco continua, até ao momento, sem dar resposta às questões colocadas pelos quatro cardeais há cerca de meio ano, a respeito da interpretação da controversa exortação apostólica que, desde há um ano para cá, tem produzido uma grande disparidade de interpretações pelo mundo fora. A confusão está instalada e aumenta a cada dia que passa…

Basto 3/2017

Francisco respondeu aos “dubia”! – Afinal era uma piada…

Uma semana depois do protesto dos cartazes em Roma, os jornais italianos informam que foi publicada uma edição falsa e satírica do L’Osservatore Romano, emitida clandestinamente a partir de fontes desconhecidas.

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Falsa edição do L’Osservatore Romano (manchete)

 

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Falsa edição do L’Osservatore Romano

Este lamentável episódio deve servir de reflexão a todos os cristãos sobre o estado a que chegou a Igreja Católica durante o pontificado do Papa Francisco. Como é que uma notícia do Santo Padre a esclarecer as dúvidas doutrinais dos pastores da Igreja, ou seja, confirmando os cristãos na Fé, não passa hoje de uma piada satírica usada por um qualquer pasquim de Roma? Pior ainda, como é que a verdadeira publicação do jornal da Santa Sé pode hoje publicar textos onde, implicitamente, se aprova o adultério e as comunhões sacrílegas?

Já nem sequer admira que a recém-criada edição argentina deste jornal seja dirigida por um pastor protestante, por indicação do próprio Santo Padre.

Basto 2/2017

Cardeal Müller: “Não haverá nenhuma correção ao Papa sobre os divorciados recasados”

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TGcom24

Em entrevista ao canal de televisão italiano TGcom24, o Cardeal Gerhard Müller rejeitou categoricamente a possibilidade de uma correção ao Papa no caso dos “dubia” colocados pelos quatro cardeais. O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé defendeu a exortação apostólica Amoris Laetitia, considerando os seus ensinamentos “muito claros”…

“Todos, sobretudo os cardeais da Igreja Romana, têm o direito de escrever uma carta ao Papa. No entanto, fiquei espantado por isso ter sido tornado público, quase obrigando o papa a dizer sim ou não.”

Estamos muito longe de uma correção e eu digo que é prejudicial para a Igreja discutir essas coisas publicamente. A Amoris Laetitia é muito clara na sua doutrina e podemos interpretar (nela) toda a doutrina de Jesus sobre o casamento, toda a doutrina da Igreja em 2000 anos de história”.

Não vejo nenhuma oposição.“Por um lado temos a doutrina clara sobre o casamento, por outro lado a obrigação da Igreja de se preocupar com essas pessoas em dificuldade.”

(Cardeal Müller à TGcom24 a 8/01/2017 in Catholic News Agency)

Para o Cardeal, esta discussão nunca deveria ter sido tornada pública, porém esquece-se que os quatro cardeais tentaram tratá-la com o Papa em privado e foram ignorados. Vendo bem as coisas, talvez isso até nem fosse necessário se a Congregação para a Doutrina da Fé, que aliás é presidida por ele próprio, tivesse cumprido as funções para as quais foi mandatada.

A questão da conciliação da Sagrada Comunhão com o adultério, essa grande obsessão do Papa Francisco, está longe de poder considerar-se ultrapassada. Esperemos que este problema seja apenas um grande elefante na sala que brevemente deixará de ser ignorado por todos porque, se assim não for, então podemos estar a chegar àquela fase prevista por São Paulo para os últimos tempos (1Tm 4, 1-4).

 

Basto 1/2017

Schneider: “um certo tipo de cisma já existe na Igreja”

D. Athanasius Schneider deu recentemente uma entrevista ao canal francês TVLibertés onde se referiu ao estado atual da Igreja Católica.

 

TVL: O senhor mostrou preocupações relativamente à exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, também publicou uma declaração de fidelidade ao infalível ensinamento da Igreja e, mais recentemente, deu a conhecer o seu apoio aos “dubia” apresentados ao Papa pelos cardeais Burke, Brandmüller, Caffarra e Meisner. Qual é o valor magisterial da exortação apostólica desta exortação apostólica?

AS: O valor magisterial da exortação apostólica Amoris Laetitia é determinado pela intenção do seu autor, o Papa Francisco, que o expressou através de declarações claras, como por exemplo na que vou citar. O Papa disse: “Gostaria de esclarecer que nem todos os debates doutrinais, morais ou pastorais necessitam de ser resolvidos por intervenções de natureza magisterial.” “Eu achei oportuno redigir uma Exortação Apostólica que possa orientar a reflexão, o diálogo ou práxis pastoral.” – Estas são as palavras do Papa.

A função de um ato magisterial, de acordo com o Concílio Vaticano II, consiste em – passo a citar – “O Magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente”, isto é uma citação da Dei Verbum.

Atendendo às palavras do Papa Francisco, ele deixou claro que não tinha a intenção de promover o seu próprio ensinamento magisterial. De acordo com o Papa Francisco, o objetivo da Amoris Laetitia era o de criar uma situação de debate doutrinal, moral ou pastoral, e que esse debate não necessita de ser resolvido por intervenções de natureza magisterial.”

TVL: Então, qual é a natureza das suas questões relativamente a esse texto?

AS: As minhas interrogações sobre a Amoris Laetitia prendem-se, sobretudo, com a questão muito concreta da admissão de divorciados ditos “recasados” à Sagrada Comunhão. De facto, durante os dois últimos sínodos da família e depois da publicação da Amoris Laetitia, existiu, continuando a existir até hoje, uma luta árdua e tumultuosa em torno desta questão concreta. Todos aqueles clérigos que desejam outro evangelho – ou seja, um evangelho do direito ao divórcio, um evangelho da liberdade sexual, em suma, um evangelho sem o sexto mandamento de Deus -, esses clérigos utilizam todos os meios maléficos, tais como, astúcia, enganos, linguagem e retórica magistrais e até mesmo táticas da intimidação e violência moral, de modo a atingirem o seu objetivo de admitir os divorciados ditos “recasados” à Sagrada Comunhão sem cumprirem a condição de viver em perfeita continência, uma condição imposta pela Lei Divina. Uma vez atingido esse objetivo, ainda que limitado aos ditos “casos excecionais” de “discernimento”, a porta fica aberta à introdução do evangelho do divórcio, do evangelho sem o sexto mandamento. Isso não seria mais o Evangelho de Jesus mas um anti-evangelho, o evangelho segundo este mundo, ainda que esse evangelho apareça cosmeticamente enfeitado com palavras como “misericórdia”, “solicitude maternal” ou “acompanhamento”.

Neste contexto, devemos relembrar  uma exortação apostólica de São Paulo que advertia:

Mas, até mesmo se nós ou um anjo do céu vos anunciar como Evangelho o contrário daquilo que vos anunciámos, seja anátema. (Gl 1, 8)

TVL: Mas, Sua Excelência, já alguma vez um evento deste tipo aconteceu na Igreja?

AS: No que concerne à doutrina e práxis relativas ao Sacramento do Matrimónio e à validade perene da lei moral, nós estamos a testemunhar hoje a uma ambiguidade de âmbito tal, apenas comparável à confusão geral da crise Ariana do séc. IV.

TVL: O que poderá acontecer se os “dubia” dos quadro cardeais continuarem por responder?

AS: A função primordial do Papa foi divinamente definida por Nosso Senhor, que é confirmar os seus irmãos na Fé. Confirmar na Fé significa afastar dúvidas e esclarecer. Somente o serviço de esclarecimento da Fé produz verdadeira unidade na Igreja. Esta é a primeira e inevitável função do Papa. Se o Papa não cumprir a sua função nas presentes circunstâncias, os bispos terão de ensinar indefetivelmente o Evangelho imutável da divina doutrina moral e perene disciplina do casamento, ajudando fraternalmente, deste modo, o mesmo Papa, porque o Papa não é um ditador. De facto, Cristo disse:

«Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.» (Mt 20, 25-27)

Além disso, a Igreja inteira deve rezar pelo Papa, para que ele encontre o conhecimento e a coragem para cumprir a sua função primordial. Quando o primeiro Papa, São Pedro, foi encarcerado, toda a Igreja orou continuamente por ele e Deus libertou-o das suas correntes.

TVL: Mas não haverá eventualmente, se este problema persistir, um risco de cisma?

AS: Não há apenas um risco de cisma, mas um certo tipo de cisma já existe na Igreja. Cisma significa, em grego, separar-se da totalidade do corpo. Cristo é a totalidade do corpo da Verdade Divina e a unidade no Seu corpo sobrenatural é também visível. Contudo, nós assistimos hoje a uma forma bizarra de cisma. Externamente, muitos clérigos salvaguardam a unidade formal com o Papa, por vezes pelas suas próprias carreiras ou por uma espécie de papolatria mas, ao mesmo tempo, quebraram os laços com Cristo, que é a Verdade e verdadeira cabeça da Igreja. Por outro lado, há clérigos que têm sido acusados de cismáticos, apesar de viverem canonicamente em paz com o Papa e permanecerem fiéis a Cristo, a Verdade, promovendo assiduamente o Seu Evangelho da Verdade.

É evidente que aqueles que são internamente os verdadeiros cismáticos, em relação a Cristo, recorrem à calúnia com o único objetivo de silenciar a voz da Verdade, ao projetarem absurdamente o seu próprio estado de cisma interno naqueles clérigos que, independentemente dos louvores ou das repreensões, defendem a Verdades Divina.

De facto, como diz a Sagrada Escritura, a palavra da Divina Verdade “não pode ser acorrentada” (2Tm 2, 9). Mesmo se um grande número de responsáveis de elevado estatuto dentro da Igreja hoje obscurecerem temporariamente a verdade da doutrina do casamento e a sua perene disciplina, essa doutrina e essa disciplina permanecerão sempre imutáveis na Igreja porque a Igreja não é uma fundação humana, mas divina.

TVL: Obrigado, Sua Excelência, por essas palavras cheias de Fé, esperança e caridade.

Tradução: odogmadafe.wordpress.com

 

Basto 12/2016

ALERTA: O desastre dos dubia mostra que a Igreja atravessa uma “guerra civil religiosa”, afirma o famoso historiador católico

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Roberto de Mattei – LifeSiteNews

Por Pete Baklinski

ROMA, 5 de dezembro, 2016 (LifeSiteNews) – O historiador católico italiano Roberto de Mattei afirmou que a recusa do Papa Francisco em responder às perguntas dos quatro Cardeais, que questionam se a Amoris Laetitia está em conformidade com a doutrina católica, é em si “já uma resposta”, cujas implicações, refere ele, mostram que a Igreja Católica atravessa uma “guerra civil religiosa”.

“Esta situação é tão grave que uma posição neutra não é mais possível. Hoje estamos em guerra, uma guerra civil religiosa”, disse Mattei em entrevista exclusiva à LifeSiteNews, no mês passado, em Roma.

“É importante compreender que hoje há uma escolha clara entre a fidelidade à Igreja, ao perene Magistério, ou a infidelidade, que significa erros, heresia e apostasia”, disse ele.

De Mattei, professor da Universidade Europeia de Roma e presidente da Fundação Lepanto, advertiu que há uma “tremenda confusão dentro da Igreja” causada pelo ambíguo ensinamento moral do Papa, especialmente na sua exortação de abril, Amoris Laetitia, sobre a qual afirma que causou “divisão” e “fragmentação” entre bispos, sacerdotes e os fiéis.

A exortação foi especificamente criticada por fiéis católicos porque compromete a indissolubilidade do casamento, abrindo uma porta para casais em relações adulteras receberem a Sagrada Comunhão, e por fazer da consciência o árbitro final da moralidade. Como alguns críticos temiam, a exortação está já a ser utilizada por alguns bispos liberais para acolher abertamente, nas paróquias, as “famílias” homossexuais e para autorizar casais adúlteros a receber a Sagrada Comunhão em certos casos.

Quando, em setembro, os quatro cardeais perguntaram em privado ao Papa – seguindo um procedimento normal na Igreja – se a exortação está em conformidade com os ensinamentos católicos sobre o casamento, os sacramentos e a consciência, o papa não respondeu às suas perguntas.

Concretamente, os cardeais perguntaram: 1) se os adúlteros podem receber a Sagrada Comunhão; 2) se existem normas morais absolutas que devem ser seguidas “sem exceções”; 3) se o adultério habitual é uma “situação objetiva de pecado grave habitual”; 4) se um ato intrinsecamente mau pode ser transformado em ato “subjetivamente bom” em função das “circunstâncias ou intenções”; e 5) se, em função da “consciência”, se pode agir contrariamente às conhecidas “normas morais absolutas que proíbem atos intrinsecamente maus”.

Depois os cardeais divulgaram publicamente as suas perguntas, no mês passado, apenas para receberem duras críticas de prelados de elevado estatuto, incluindo dois que foram recentemente nomeados cardeais pelo Papa Francisco. Os quatro têm sido acusados de serem “agitadores”, necessitados de “conversão”, de “apostasia” e “escândalo”, de darem ao Papa uma “bofetada na cara” e de criarem “obstáculo e divisão”.

De Mattei argumentou, contudo, que não foram os quatro cardeais que criaram o problema, mas o Papa.

“A causa desta confusão, a autoria desta confusão não está nos quatro cardeais, é claro. Eu penso que o principal autor da confusão é o Papa Francisco, porque é desde o seu pontificado que as coisas avançam tão rapidamente, tão depressa”, disse ele. – “Por vezes parece que ele gosta de criar essa confusão.”

De Mattei disse que os cardeais, quando submeteram as suas cinco perguntas (dubia) ao Papa, agiram de um “modo perfeito, de um ponto de vista canónico”.

“Considero muito grave o facto de o Papa, que é o chefe supremo da congregação, não ter querido responder. De facto, isso já é uma resposta”, disse ele.

De Mattei considerou “muito oportuno” que os cardeais prossigam com o que um deles – Cardeal Burke – chamou de “ato formal de correção” dos erros encontrados na exortação papal.

“A importância desta iniciativa não é apenas avisar o Papa sobre os erros encontrados na Amoris Laetitia, mas também advertir os fiéis, informar os fiéis, porque há confusão entre os fiéis, mas há também ignorância. E eu acho que temos o dever de consciencializar os fiéis da gravidade desta situação”, disse ele.

“Esta situação é tão grave que uma posição neutral não é mais possível. Hoje estamos em guerra, uma guerra civil religiosa, infelizmente. Eu não gosto desta guerra, mas estamos nela envolvidos contra a nossa vontade. Não criámos a situação, mas esta situação obriga-nos a todos a adotar uma posição clara. E para isso, acho que temos de agradecer aos quatro cardeais pela sua coragem e instigá-los a continuarem a sua ação e seu testemunho”, acrescentou.

A edição original deste texto foi publicada pelo LifeSiteNews a 5 de dezembro de 2016. Tradução: odogmadafe.wordpress.com

Nota da edição: o conteúdo do artigo acima é da inteira responsabilidade do seu autor, salvo algum eventual erro de tradução. Sempre que possível, deve ser lido na sua edição original.

 

Basto 12/2016

Começou a perseguição aos 4 cardeais

Monsenhor Pio Vito Pinto, Decano do Tribunal da Rota Romana (autoridade máxima da Igreja em processos de nulidade matrimonial), enquanto discursava na Universidade Eclesiástica de São Dâmaso, de Madrid, lançou uma forte ameaça aos quatro cardeais signatários da carta dos “dubia” dirigida ao Santo Padre. De acordo com o jornal online “Réligion Confidencial”, este prelado católico declarou, de “modo enérgico e empregando um tom forte”, que os quatro cardeais, ao publicarem a carta, incorreram em grave escândalo pelo qual podiam perder a sua dignidade cardinalícia.

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Pio Vito Pinto – Réligion Confidencial

“Que Igreja defendem esses cardeais? O Papa é fiel à doutrina de Cristo. O que eles fizeram é um escândalo muito grave que poderia até mesmo levar o Santo Padre a retirar-lhes o barrete cardinalício, como já aconteceu em outros momentos da Igreja.”

(Mons. Pio Vito Pinto in Réligion Confidencial, 29/11/2016)

Quando questionado, de forma absolutamente absurda, pelo supracitado jornal, se não seria melhor “conceder a nulidade matrimonial” aos divorciados ‘recasados’ civilmente “para que possam casar-se pela Igreja e assim receber a Eucaristia”, o Decano da Rota respondeu de forma ainda mais absurda:

“A reforma do processo matrimonial do Papa Francisco quer chegar a mais gente. A percentagem de pessoas que procuram anulação do casamento é muito pequena. O Papa disse que a comunhão não é apenas para os bons católicos. Francisco diz: como podemos alcançar as pessoas mais excluídas? Com a reforma do Papa, muitas pessoas poderão alcançar a nulidade [matrimonial], mas outras não.”

(Mons. Pio Vito Pinto in Réligion Confidencial, 29/11/2016)

Como justificação da sua posição heterodoxa, este prelado radical citou a “Bula de proclamação do Jubileu da Misericórdia” para dizer que, “nos nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade”, descontextualizando assim, e de forma abusiva, uma frase proferida pelo Papa João XXIII na abertura do Concílio Vaticano II. Como se a Esposa de Cristo pretendesse agora rebelar-se contra o seu próprio Esposo e Senhor para impor uma nova doutrina dentro de Sua casa. Há pessoas que levam a rivalidade de géneros longe de mais…

Será esta intolerância radical contra os quatro corajosos cardeais um sinal de que já começou o martírio, ainda que “seco”, para quem defende a Fé Católica? É que se assim for, depressa chegaremos à fase “molhada” em que será derramado o sangue dos santos…

 

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Os Mártires Católicos de Inglaterra e Gales – Daphane Pollen (1904-86)

 

Convém referir ainda que o nome do Mons. Pio Vito Pinto era um dos que constava de uma lista de influentes membros do clero católico que, alegadamente, pertenciam à maçonaria. Essa lista fora publicada em julho de 1976, no Nº 12 do “Bulletin de l’Occident Chrétien”.

 

Basto 11/2016

A não resposta arrogante de Francisco

Perante as cinco questões fundamentais colocadas pelos corajosos Príncipes da Igreja acerca da exortação apostólica Amoris Laetitia, com vista ao esclarecimento das ambiguidades hermenêuticas e à clarificação dos procedimentos pastorais, o Santo Padre não teve ainda a coragem responder diretamente. As questões são apenas cinco e carecem de uma resposta direta que seria “sim” ou “não”, de modo a erradicar as confusões doutrinais (ou pastorais) que a ambiguidade daquele texto papal tem produzido nos pastores e nos fiéis.

Esclarecer os fiéis e os pastores sobre a diferença entre a virtude e o pecado, com uma resposta clara e inequívoca, para não dar azo a interpretações erradas e abusivas da doutrina católica, seria o mínimo que poderíamos esperar do verdadeiro Vigário de Cristo na Terra. Não o fez! Contudo, numa entrevista publicada no jornal católico italiano Avvenire, o Santo Padre responde de forma indireta, arrogante e insultuosa aos cardeais e a toda a imensa minoria católica que partilha das suas preocupações.

Alguns – pense-se em certas reações à ‘Amoris laetitia’ – continuam a não compreender, ou branco ou preto, ainda que seja no fluxo da vida que se deve discernir”, diz o Papa, sem mencionar diretamente quaisquer nomes.

Francisco sustenta que é necessário “distinguir o espírito com que se manifestam as opiniões”, porque algumas críticas ajudam a avançar, mas outras servem “para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito mau para fomentar divisão”.

“Certos rigorismos nascem de uma falha, do querer esconder dentro de uma armadura a própria insatisfação triste”, lamenta.

(Agência Ecclesia, 18/11/2016)

Uma atitude lamentável sob todos os aspetos, indigna do verdadeiro Vigário de Cristo na Terra. Será esta a atitude que Cristo espera do Santo Padre e dos pastores católicos em geral?

«Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal.»  (Mt 5, 37)

– Papa Francisco, defenda a Verdade Cristã em nome de Deus!

  • Faça-o de imediato e sem rodeios, de forma clara e inequívoca, pois dessa mesma Verdade depende a salvação de muitas almas.
  • Essa é a função do mais alto representante de Deus na Terra.

 

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Perugino, 1481-82 (vista parcial)

 

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo.

O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está ao serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas.

(Sua Santidade Bento XVI, a 7 de maio de 2005)

Se tiver dúvidas, a poucos metros de si, no mosteiro Mater Ecclesiae, vive um homem sábio e santo que teria o maior prazer em recebê-lo para o ajudar a conhecer a Verdade. Ele vive tão perto si que nem precisa de se preocupar com as emissões de carbono da deslocação. Tenha a humildade de aceitar a sua disponibilidade, sabedoria e santidade para o iluminar neste momento de “desorientação diabólica”.

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Seja verdadeiramente humilde Papa Francisco, à imagem de Sua Santidade Bento XVI.

Basto 11/2016

Cardeais divulgam carta dirigida ao Papa

Quatro importantes cardeais resolvem tornar pública a missiva dirigida ao Santo Padre com as questões às quais o Santo Padre se negara a responder. Em causa estão um conjunto de esclarecimentos que os cardeais consideram necessários, da parte do Santo Padre, de modo a clarificar a confusão gerada em torno de alguns dos aspetos mais controversos que emanaram da interpretação do capítulo oitavo da exortação apostólica Amoris Laetitia. As suas preocupações prendem-se com o facto de se constatarem, atualmente, no seio da Igreja Católica, uma grande disparidade de interpretações, entre as quais as que se opõem ao infalível magistério da Igreja.

De acordo com a lógica do funcionamento da Igreja Católica, quando surgem problemas pastorais, é normal recorrer-se ao Papa para ajudar a resolvê-los. Neste sentido, a carta visava somente obter a ajuda do Santo Padre na clarificação das “dúvidas que são causa de desorientação e de confusão”.

Questões colocadas:

1.    Pergunta-se se, de acordo com quanto se afirma em “Amoris laetitia”, n. 300-305, se tornou agora possível conceder a absolvição no sacramento da Penitência, e, portanto, admitir à Sagrada Eucaristia, uma pessoa que, estando ligada por vínculo matrimonial válido, convive “more uxorio” com outra, sem que estejam cumpridas as condições previstas por “Familiaris consortio”, n. 84, e entretanto confirmadas por Reconciliatio et paenitentia, n. 34, e por “Sacramentum caritatis”, n. 29. Pode a expressão “[e]m certos casos”, da nota 351 (n. 305) da exortação “Amoris laetitia”, ser aplicada a divorciados com uma nova união que continuem a viver “more uxorio”?

2.    Continua a ser válido, após a exortação pós-sinodal “Amoris laetitia” (cf. n. 304), o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 79, assente na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, acerca da existência de normas morais absolutas, válidas sem qualquer excepção, que proíbem actos intrinsecamente maus?

3.    Depois de “Amoris laetitia” n. 301, pode ainda afirmar-se que uma pessoa que viva habitualmente em contradição com um mandamento da lei de Deus, como, por exemplo, aquele que proíbe o adultério (cf. Mt 19, 3-9), se encontra em situação objectiva de pecado grave habitual (cf. Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração de 24 de Junho de 2000)?

4.    Após as afirmações de “Amoris laetitia”, n. 302, relativas às “circunstâncias atenuantes da responsabilidade moral”, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 81, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, segundo o qual: “as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um acto intrinsecamente desonesto pelo seu objecto, num acto ‘subjectivamente’ honesto ou defensível como opção”?

5.    Depois de “Amoris laetitia”, n. 303, ainda se deve ter como válido o ensinamento da encíclica de São João Paulo II “Veritatis splendor”, n. 56, assente sobre a Sagrada Escritura e sobre a Tradição da Igreja, que exclui uma interpretação criativa do papel da consciência, e afirma que a consciência jamais está autorizada a legitimar excepções às normas morais absolutas que proíbem acções intrinsecamente más pelo próprio objecto?

O Santo Padre optou por não responder aos cardeais.

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O Santo Padre decidiu não responder. Interpretamos esta sua soberana decisão como um convite para continuar a reflexão e a discussão, de modo sereno e respeitoso.
Por essa razão, damos agora a conhecer a nossa iniciativa a todo o povo de Deus, fornecendo para isso toda a documentação pertinente.

Esperamos que ninguém interprete este facto nos termos do esquema “progressistas-conservadores”; seria um engano. Estamos profundamente preocupados com o verdadeiro bem das almas, que é a suprema lei da Igreja, e não em fazer avançar dentro da Igreja um qualquer tipo de política.

Esperamos também que ninguém, julgando injustamente, nos tenha na conta de adversários do Santo Padre e de pessoas privadas de misericórdia. O que fizemos e o que estamos a fazer nasce do profundo afecto colegial que nos une ao Papa, e da preocupação apaixonada pelo bem dos fiéis.

Card. Walter Brandmüller
Card. Raymond L. Burke
Card. Carlo Caffarra
Card. Joachim Meisner

O problema é que a não resposta, em si, representa uma resposta. Uma resposta terrível!

O conteúdo integral da carta pode ser lido em português no blogue: Fratres in Unum.

Basto 11/2016